terça-feira, 12 de julho de 2016

EMPRESÁRIOS DO BRASIL DESCONTENTES COM O GOVERNO TEMER



Para empresários, governo Michel Temer está sendo modesto: 'Absolutamente frustrado'



O presidente em exercício Michel Temer chega nesta terça-feira aos dois meses de governo pedindo calma aos empresários. A ausência de resultados sobre a economia real e de medidas que ataquem questões estruturais tem causado certo desconforto entre representantes de setores que apostaram no novo governo para solucionar boa parte dos problemas do País.
"O momento é de uma gravidade econômica que exige medidas corajosas", disse Flávio Rocha, presidente da varejista Riachuelo e um dos primeiros empresários a criticar a política econômica do governo Dilma Rousseff. "Estou absolutamente frustrado." Para ele, as medidas econômicas de cortes de gastos públicos precisam andar mais rápido.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, também reconhece que os resultados práticos do governo Temer, até agora são poucos. "Gostaria de ver o governo tomando decisões importantes, nas áreas de Previdência, reforma trabalhista, desburocratização. Isso não temos visto muito", diz Andrade.
A equipe econômica, no entanto, só deve adotar medidas mais contundentes para a recuperação da economia depois da votação do impeachment de Dilma Rousseff, programada para o fim de agosto. Por enquanto, o governo evita desagradar ao Congresso Nacional, que dará a palavra final sobre o afastamento definitivo da presidente. Mas a expectativa é que, uma vez definido o quadro político, os investimentos serão destravados.
O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, conta com isso. "Espero que, uma vez definida a questão do impeachment, seja possível avançar na discussão com a sociedade de uma agenda de reformas prioritárias e absolutamente necessárias, em especial, a política e a fiscal, fundamentais para o País voltar a se desenvolver de forma sustentável", disse em nota."Tivemos alguns avanços nesse período, mas os desafios ainda são grandes e há muito a ser feito."
Desde que a presidente Dilma Rousseff foi afastada do cargo, em maio, a confiança de empresários tem apresentado notável melhora sobretudo em termos de expectativas. O otimismo tomou conta, por exemplo, da indústria, que há dois anos acompanha o encolhimento de seu Produto Interno Bruto (PIB).
Os dados da economia real, porém, não reagem na mesma rapidez. O faturamento da indústria segue em queda, e o emprego voltou a níveis de 2006, segundo a própria CNI. "Tem uma melhora no ambiente político. A sociedade está vendo o governo com mais confiança. Mas não há uma mudança na economia em que possamos ver o resultado real disso", diz Andrade. "A reversão ainda não ocorreu."
Na visão do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, a atuação de Temer ainda é um pouco "modesta", em razão justamente da pendência em relação ao impeachment. Mas ele diz que vê "uma vontade grande de acertar" por parte do governo de Michel Temer nesses dois primeiros meses.
O mercado financeiro, por enquanto, está relevando as medidas de afrouxamento fiscal, colocando na conta da "interinidade" de Temer. "Mas, em compensação, vai aumentar a cobrança por medidas de arrocho, se o impeachment for consumado", previu o executivo de um banco estrangeiro.
O economista-chefe do banco americano Morgan Stanley no Brasil, Arthur Carvalho, diz que, na prática, pouco foi feito em dois meses, mas o governo demonstrou que se comunica melhor do que a gestão anterior. Ele destacou que foram feitas importantes sinalizações de condução da economia como a PEC dos gastos, a agenda da privatização e a coragem de se discutir a reforma da Previdência. Os pontos negativos ficaram para a aprovação do aumento dos salários do Judiciário e do Bolsa Família, mas Carvalho destaca que isso pode ter sido uma forma de negociar a aprovação de medidas estruturais importantes.
A aposta do governo é de que a recuperação da economia vai permitir, entre outras coisas, uma melhora do emprego, reduzindo as resistências de medidas impopulares. "Com o crescimento do PIB de 1,2% e a regularização das empresas para recomeçar a contratar, teremos o caminho da retomada do crescimento. O empresário precisa de confiança", disse o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.
Para a presidente da companhia aérea Latam Brasil, Claudia Sender, o que mudou nesses últimos dois meses é que o governo começou a construir "um caminho de confiança no setor privado". "Para as empresas voltarem a investir no Brasil é preciso confiança. Hoje, o que existe é esperança", diz a executiva. Colaboraram Marina Gazzoni, Josette Goulart, Fernando Scheller, Cleide Silva, Adriana Fernandes, Tânia Monteiro, Vera Rosa e Lu Aiko Otta.

UMA PONTE PARA O FUTURO



Pronta desde 2011, ponte que liga Brasil a Guiana deve ser inaugurada em 2017

Agência Brasil 




Oiapoque - O anúncio do projeto de ligação entre a cidade brasileira e o território francês aconteceu em 1997 e a ponte foi concluída em 2011

A ponte binacional que liga a cidade de Oiapoque, no norte do Amapá, a Saint Georges, na Guiana Francesa, só deve ser aberta para circulação depois de junho do ano que vem. Essa é a data estimada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para a conclusão das obras de instalações de fronteira, que envolvem a construção do posto da Polícia Federal e da Receita Federal, para controlar a circulação de pessoas e mercadorias pela ponte.
Segundo o Dnit, as instalações de fronteira estão parcialmente concluídas, restando apenas a execução dos serviços e obras de vídeo segurança, pavimentação dos pátios e cercamento do complexo alfandegário. Estes serviços finais foram contratados em maio e a previsão de término das atividades é no dia 3 de junho de 2017. Depois que a construção for concluída, faltará ainda a instalação dos órgãos no local para o efetivo funcionamento da ponte. Em janeiro, a previsão era de que a ponte pudesse ser inaugurada até junho deste ano.
O anúncio do projeto de ligação entre a cidade brasileira e o território francês aconteceu em 1997 e a ponte foi concluída em 2011, mas nunca foi aberta para a circulação de carros e de pessoas. Além da construção do posto aduaneiro, acordos comerciais entre os dois países eram entraves para a abertura da ponte. Mas, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, não existem mais pendências em relação a essa questão, pois os acordos entre o Brasil e a França, que definem as regras de transportes de mercadorias entre o Oiapoque e Saint Georges, já foram aprovados pelos legislativos dos dois países.

A inauguração da ponte será assunto de uma reunião hoje (12) no Itamaraty, entre o ministro das Relações Exteriores, José Serra, o embaixador da França no Brasil, Laurent Bili, o governador do Amapá, Waldez Goes, e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Na semana passada, o senador reuniu-se com o embaixador da França para tratar do assunto. O parlamentar diz que o governo francês vai propor ao governo brasileiro que a inauguração da ponte seja feita até novembro deste ano. Para Randolfe, falta interesse do governo brasileiro para agilizar a inauguração da ponte. “O Brasil tem que passar a tratar isso como prioridade. Há cinco anos o Brasil sequer consegue dar conta de concluir um posto aduaneiro. O governo brasileiro tem que arcar com essa responsabilidade para a inauguração da ponte”, disse o senador àAgência Brasil.
A Embaixada da França explica que o objetivo de abrir a ponte binacional antes do final de 2016 foi acertado entre autoridades francesas e brasileiras e é uma decisão conjunta dos dois países. “Estamos trabalhando em cooperação com nossos parceiros brasileiros para resolver as últimas pendências”, informou a Embaixada, em nota à Agência Brasil. Segundo a Embaixada, não há mais obstáculos jurídicos para a inauguração da ponte e todas as obras do lado francês já estão prontas.
Além de prejudicar a imagem do Brasil, o senador Randolf destaca que a demora no início do funcionamento da ponte traz prejuízos econômicos para a região e para o país. “Essa será uma ponte entre o Brasil e a Europa. Ela pode representar a constituição de um mercado comum entre Amapá, Guiana Francesa, Suriname e República da Guiana de mais de um milhão de pessoas, é a melhor e mais viável alternativa econômica para o Amapá.

O VERDADEIRO "MÃOS-LIMPAS"



Um exemplo não seguido

Manoel Hygino 



Quando se conhecem as somas percorrendo bancos nacionais e estrangeiros, em grande parte ilegalmente desviada dos cofres públicos e das estatais, pergunta-se se é efetivamente um crime da República que Deodoro assumiu em novembro de 1889.
A corrupção reside não unicamente em governos das Américas ou da Europa. Mas no Brasil de nosso tempo, ela parece alcançar o clímax. No fundo, tudo coberto pelo dinheiro do cidadão, responsável pela manutenção da máquina administrativa gigantesca e pelos malfeitos (o substantivo se popularizou) que nela se consumam.
Laurentino Gomes, em seu “1889”, conta mais do que indica a capa: “Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”. O jornalista escritor observa que a complexa personalidade do imperador revelou um conjunto notável de heranças familiares.
Pedro II recebeu do pai a austeridade no uso do dinheiro público. Exemplo é a dotação da família real de 800 contos por ano, nunca mudada durante todo o Segundo Reinado e corroída pela inflação. Bom lembrar que o Império durou 67 anos de nossa história e que só o segundo imperador carregou a coroa por quase meio século; exatamente 49 anos. No início, o montante representava 3% da despesa do governo central. Ao final, 0,5%.
Para se ter ideia de como isso influía na vida do soberano, bastaria registrar que, para não depender do erário, Pedro se via constrangido a recorrer a empréstimos junto a amigos e aliados. Nada escandaloso ou escabroso. No quase meio século à frente de governo, teve de utilizar-se do expediente 24 vezes.
E não era dinheiro para despesas pessoais ou familiares. Em 1867, por exemplo, determinou que se descontasse 25% de sua dotação orçamentária para ajuda no esforço de guerra que a nação empreendia na longa guerra contra o Paraguai.
Além dos recursos para o conflito, Pedro os oferecia e custeava bolsas de estudos para jovens talentosos. Cento e cinquenta e um deles obtiveram contribuição, dos quais 41 para estágios fora do país, entre os quais os celebrados pintores Pedro Américo e Almeida Junior. Não esqueço, como escrevi em livro sobre medicina, que beneficiária também foi a carioca Maria Augusta Generoso Estrela, primeira brasileira a diplomar-se para exercício da profissão. Não era capricho da mocinha ou proteção do monarca, pois naquela época era proibido o ensino superior a mulher por aqui. Para superar a dificuldade, Maria Augusta estudou e se formou em Nova York.
Pedro II registrou em seu rico diário: “Não devo, e quando contraio uma dívida cuido logo de pagá-la. E a escrituração de todas as despesas de minha casa pode ser examinada a qualquer hora. Não ajunto dinheiro”.
Clementino comenta: Pedro II era também meticuloso na administração dos negócios públicos. Envolvia-se em tudo, mesmo nos detalhes mais insignificantes. Essa característica fazia dele “um modelo de empregado público, um exemplar burocrata (...), sisudo, metódico, pautado grave...”

IGREJA DA PAMPULHA EM BELO HORIZONTE PRESTES A SER RESTAURADA



Aguardada restauração da Igreja da Pampulha começa em novembro, diz Iphan

Renato Fonseca 




HARMONIA – Em março, templo foi alvo de vandalismo e foi necessária uma força-tarefa para que espaços como os azulejos de Cândido Portinari voltassem a ser admirados pelos turistas

Ela nasceu do sonho de um visionário político e foi transformada em concreto pelos traços de um gênio da arquitetura. Chegou a ser conhecida como templo do diabo, devido à ousadia do projeto, mas se tornou sagrada, imponente e admirada. Nos últimos anos, sofreu com a falta de zelo e, agora, aguarda ansiosa por novas e importantes conquistas.
Batizada Igreja São Francisco de Assis, na boca do povo Igrejinha da Pampulha, a construção modernista de BH ganha sobrevida. O tão esperado restauro do cartão-postal sairá do papel em novembro. A garantia foi dada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“O restauro ocorrerá. O dinheiro já estava assegurado, mas havia casamentos agendados” (Célia Corsino, superintendente do Iphan em Minas)
Além de recuperar o templo, a certeza de que a obra será tocada foi uma condição imposta pela Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação (Unesco). A intervenção integra as ações solicitadas pela entidade para que o conjunto moderno da Pampulha figure na seleta lista de patrimônio cultural da humanidade.
Conforme o Hoje em Dia tem mostrado desde o último domingo, a capital mineira está em contagem regressiva pela obtenção da chancela internacional. Daqui a quatro dias, a metrópole saberá se o complexo pensado por Juscelino Kubitschek (1902 – 1976) e projetado por Oscar Niemeyer (1907 – 2012) terá o aval da Unesco. A decisão está prevista para sexta-feira em reunião que acontece em Istambul, na Turquia.


A necessidade de reparos emergenciais e obras de conservação se arrastam desde meados de 2013. Infiltrações, mofo, manchas e até painéis danificados saltam aos olhos de quem visita o espaço.
O governo federal chegou a anunciar a liberação de verba para a empreitada, mas houve atraso no repasse e outros entraves. Dentre eles, a reforma esbarrou na agenda de casamentos na igreja. Só para este ano, mais de 200 celebrações estavam previstas.
“Na Igreja, o barroco curvo é revisitado de forma plena, sem, contudo, que se esqueça do modernismo” (Leônidas Oliveira, presidente da FMC)
Garantia
A superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino, garante que, desta vez, a restauração será uma realidade. A obra, orçada em R$ 1,4 milhão, conta com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas. A licitação foi finalizada e a expectativa é a de que seja necessário um ano para a conclusão dos trabalhos.





RECUPERAÇÃO – Obra do PAC na Igrejinha da Pampulha prevê troca do forro de madeira danificado pelas infiltrações

“A obra já poderia ter sido anunciada. O dinheiro estava assegurado, mas tinha a questão dos casamentos. A arquidiocese acompanhou o processo e agora houve um bloqueio nas agendas”, disse Célia.
A intervenção promete acabar com as infiltrações na estrutura e recuperar parte dos azulejos em tons azuis do pintor Cândido Portinari. O forro de madeira será trocado e a edificação receberá nova pintura, polimento do piso de mármore e limpeza da fachada.
Recentemente, o entorno da capela passou por grande intervenção com a criação de uma esplanada integrando o templo à praça Dino Barbieri. O tráfego de veículos foi proibido na avenida Otacílio Negrão de Lima (sentido Mineirão/Zoológico). Atualmente, o fluxo acontece na parte de cima da via, próximo ao Parque Guanabara, em um trecho de 300 metros de pista.
Na época, as mudanças geraram divergências com moradores e comerciantes. Mas hoje, porém, parecem ter caído no gosto popular. “Ficou ótimo. Valorizou a área dando preferência paras as pessoas e não para os carros. Crianças podem andar tranquilamente e os pais fazerem as fotos”, afirma a professora Nívia Rocha, de 32 anos, que na semana passada passeava com o filho Mateus, de 5 anos.
Assim como ela, milhares de pessoas vão ao monumento. A média é de pelo menos 5 mil visitações por mês. “O movimento é intenso durante todos os dias. São crianças, adultos, idosos, estrangeiros. Todo mundo gosta de vir aqui”, diz Elma de Fátima Vilaça da Silva, uma das funcionárias da igreja.









AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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