quinta-feira, 7 de julho de 2016

DEPOIMENTO DE BUMLAI COMPROMETE LULA



Bumlai faz depoimento secreto à Lava Jato sobre Instituto Lula

Estadão Conteúdo 



O conteúdo do depoimento está sendo mantido sob sigilo pelo juiz Sérgio Moro

O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez um depoimento secreto à Operação Lava Jato. Investigadores quiriam saber do pecuarista se ele participou da aquisição do terreno e das obras da sede do Instituo Lula, em São Paulo. As perguntas da força-tarefa a Bumlai envolveram também a empreiteira Odebrecht.

O conteúdo do novo depoimento do amigo de Lula está sendo mantido sob sigilo pelo juiz Sérgio Moro, a pedido da Polícia Federal, "para preservar a eficácia das investigações".

Bumlai foi preso na Operação Passe Livre, 21ª fase da Lava Jato, em 24 de novembro do ano passado. Em março deste ano, Moro autorizou prisão domiciliar por três meses - monitorado com tornozeleira eletrônica -, para o amigo do ex-presidente. O pecuarista, de 71 anos, foi diagnosticado com câncer na bexiga.

O conteúdo secreto do novo depoimento de Bumlai não tem relação com o emblemático empréstimo de R$ 12 milhões junto ao Banco Schahin - valor tomado pelo pecuarista em outubro de 2004 e que teria sido destinado ao PT. A dívida é alvo de ação penal na qual Bumlai é réu por corrupção e gestão fraudulenta (Lei do Colarinho Branco). O Mauricio Bumlai, filho do pecuarista, também é acusado no caso.

Em despacho anexado aos autos em 20 de junho, o juiz Moro afirmou que o sigilo não prejudica as defesas no processo sobre o empréstimo de R$ 12 milhões, pois os fatos descritos no novo depoimento "não dizem respeito à ação penal".

"A autoridade policial anexou novo termo de depoimento prestado por José Carlos Bumlai, cujo conteúdo requereu fosse mantido em sigilo, à exceção da defesa do próprio investigado, para preservar a eficácia das investigações. Mantenho, assim, sigilo nível 2 sobre a documentação, já que talvez necessário para não prejudicar as investigações a serem realizadas", determinou Moro.

O magistrado ordenou o acesso exclusivo à defesa de Bumlai sobre o depoimento, "evidentemente sem prejuízo do acesso pelo Ministério Público Federal". "Considerando que este inquérito já instrui a ação penal, deverá a autoridade policial prosseguir nas investigações pendentes, sobre fatos ainda não denunciados, em novos inquéritos, encerrando este a fim de evitar confusão", decidiu Moro.

Sítio

Bumlai também é peça-chave na investigação sobre o Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), que seria de Lula, segundo suspeita a Lava Jato, mas registrado em nome de amigos. O imóvel passou por ampla reforma em 2011 que envolveu Bumlai, Odebrecht e a OAS - outra empreiteira do cartel que fatiava obras e pagava propinas milionárias na Petrobrás.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que Bumlai não fechou acordo de delação premiada, mas tem buscado adotar uma postura colaborativa com as investigações da Lava Jato.

O Instituto Lula, por meio de sua assessoria de imprensa, tem negado qualquer irregularidade.

CORRUPÇÃO PARALIZA O BRASIL



Corrupção suspende investimentos em infraestrutura e trava a economia

Tatiana Lagôa e Tatiana Lagôa 






RODOVIA DA MORTE – Obras de duplicação da BR-381 foram abandonadas pelo consórcio Isolux-Corsán/Engevix

O efeito cascata do roubo de dinheiro público faz vítimas em todos os setores da economia. E vai mais longe do que se imagina, conforme mostra a quarta matéria da série “O Custo da Corrupção”. Somente em 2015, mais de R$ 160 bilhões deixaram de girar no Brasil em decorrência da redução dos investimentos em obras, grande parte interrompidas devido às ações da operação “Lava Jato”, que investiga e pune desvios de recursos, lavagem de dinheiro, recebimento de propinas e ligações fraudulentas entre órgãos e empresas do governo e as maiores empreiteiras do país.
Em 2010, auge dos investimentos em infraestrutura, e, também, marco das denúncias de financiamentos ilegais de campanhas eleitorais de diversos partidos, o governo federal aportou R$ 114,7 bilhões em obras no país. Um ano após a instalação da Lava Jato, em 2015, os aportes caíram para R$ 12,7 bilhões, diferença de R$ 102 bilhões.
Segundo levantamento do Sindicato Nacional da Indústria da Construção (Sinicon), a cada R$ 1 milhão investido na construção, R$ 1,6 milhão é injetado na economia. Nesta proporção, os R$ 102 bilhões deixados de lado em 2015 na construção se transformariam em mais de R$ 160 bilhões distribuídos em setores diversos.
“O país tinha um programa de investimento em infraestrutura avançado em 2010. E esse programa deveria ser mantido. Em 2015, ele voltou ao ritmo lento de 2008”, ressalta o diretor-executivo do Sinicon, Petrônio Lerche Vieira.
Em Lagoa Santa, por exemplo, as obras de construção do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (Ciaar), tocadas pela Schahin Engenharia, estão paradas, após falência do braço de construção da empresa – investigada na “Lava Jato”. Inicialmente orçado em R$ 216,4 milhões, o valor do Ciaar foi revisto para R$ 237,6 milhões após uma sucessão de erros e atrasos .

Comércio
Além da própria construção, o comércio é um dos setores mais afetados pela redução no ritmo de obras. A cada R$ 1 milhão investido[/TEXTO] em obras, R$ 173 mil giram no varejo. Se o ritmo do investimento em construção de 2010 fosse mantido em 2015, mais de R$ 17,7 bilhões circulariam no setor.
O montante poderia dar alívio ao desempenho negativo do comércio brasileiro em 2015. No ano, houve recuo de 4,5% nas vendas na comparação com 2014, o pior resultado da série histórica, iniciada em 2001, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Empregos que foram ceifados no segmento também poderiam ter sido poupados. Segundo o Cadastro Geral de Empregos (Caged), do Ministério do Trabalho e da Previdência Social, 246.406 vagas foram encerradas no varejo em 2015.
A relação entre corrupção, interrupção de grandes obras públicas e queda vertiginosa no comércio é clara e direta, segundo o vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marco Antônio Gaspar.
Ele ressalta que a economia é cíclica e que as demissões provocadas no setores da construção civil e pesada fazem com que as pessoas coloquem o pé no freio quando o assunto é consumo. Como reflexo a indústria produz menos e há um descompasso geral no país. 







quarta-feira, 6 de julho de 2016

TEMER ACERTANDO BENESSES COM OS SENADORES



Temer recebe senadores e promete destravar obras

Estadão Conteúdo 



A pouco menos de dois meses da votação definitiva do impeachment no Senado, o presidente em exercício, Michel Temer, dedicou a maior parte do dia nesta terça-feira (5) para receber parlamentares no Palácio do Planalto, incluindo 13 senadores. O peemedebista tratou com os congressistas de obras em suas bases eleitorais.

Do grupo de senadores que passou pelo Planalto, pelo menos sete deles se apresentam como "indecisos" ou não quiseram responder à pesquisa Estado que aponta quem apoia e quem é contra a saída definitiva da presidente afastada Dilma Rousseff.

A ideia de Temer é concluir as obras que estão perto do fim e que necessitam de baixo desembolso de recursos, da ordem de R$ 100 mil, R$ 200 mil ou R$ 300 mil. Com isso, o presidente em exercício beneficiaria pequenas e médias cidades, atendendo senadores - que serão decisivos para garantir a sua permanência no cargo - e seus prefeitos nas eleições de outubro.

O governo está dando prioridade à finalização de construção de Unidades de Pronto Atendimento, creches, escolas e postos de saúde.

Na semana passada, quando comandou a primeira reunião do núcleo da infraestrutura, o presidente em exercício já havia determinado à equipe econômica que fizesse um levantamento das obras paradas e inacabadas para que possam ser finalizadas, com baixo desembolso de recursos.

Nesta terça-feira, o assunto foi tratado na reunião de Temer com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e outros sete senadores. No encontro, ficou acertado que no início de agosto haverá uma nova reunião para que sejam definidas algumas prioridades dos Estados e municípios.

Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento farão uma lista das obras prioritárias. O Senado também montará um grupo parlamentar para apresentar as suas prioridades.

O peemedebista tem dedicado boa parte da sua agenda a atender congressistas. Segundo auxiliares, o presidente em exercício costuma telefonar para os parlamentares para "dar uma atenção".

Temer também decidiu atuar diretamente no atendimento de demandas dos deputados e senadores. A ofensiva serve para que o presidente em exercício faça reuniões com os parlamentares.

Indecisos

Temer, por exemplo, recebeu a bancada do PPS. Entre os parlamentares estava o senador Cristovam Buarque (DF), que aparece como indeciso em relação ao impeachment de Dilma. Temer ouviu do parlamentar, que já foi ministro da Educação no governo Lula propostas para a área. O presidente em exercício fez questão, ainda, de ampliar o número de senadores presentes e abrir para a imagem o encontro que teve com Renan Calheiros, para prestigiar os parlamentares.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), outro "indeciso", foi convidado a participar do encontro. Da mesma forma, estiveram no encontro senadores que dizem não saber ainda como votar no impeachment, como Omar Aziz (PSD-AM), Acir Gurgacz (PDT-RO), Roberto Rocha (PSB-MA), Wellington Fagundes (PR-MT) e Eduardo Braga (PMDB-AM).

Relatório

Na reunião, Temer recebeu das mãos do senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), que é presidente da Comissão de Obras Paradas, um relatório produzido pela Controladoria-Geral da União (CGU), atualizado até setembro de 2015, que aponta que os investimentos em empreendimentos atrasados, paralisados, inacabados e não iniciados totalizam R$ 79,721 bilhões. Deste total, já foram pagos R$ 19,085 bilhões.

Ataídes afirmou que Temer quer "tomar conhecimento" dessas obras, "verificar a prioridade delas nos Estados e municípios" e conversar com os governadores também sobre as prioridades deles.

A ideia do presidente, ainda de acordo com o senador, "é estabelecer uma verba mínima para destravar centenas de obras pelo Brasil afora". Acrescentou também que o presidente quer ver as obras que "demandam menor verba" e que são urgentes para a população como as UPAS, hospitais, escolas e creches.

Esta liberação de recursos, naturalmente, acabaria também por beneficiar o PMDB que tem o maior número de prefeitos do País: 1.024 das 5.568 prefeituras, 18,4% do total, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

LEI ANTICORRUPÇÃO NÃO É PRIORIDADE PARA O GOVERNO



Projetos anticorrupção devem perder urgência na Câmara

Estadão Conteúdo 



Com aval do governo, líderes da base aliada na Câmara pretendem retirar o regime de urgência dos projetos de combate à corrupção, que tramitam atualmente no plenário da Casa.

Sob esse "regime" as propostas ganham prioridade de votação podendo, inclusive, trancar a pauta enquanto não forem discutidas. Entre as propostas anticorrupção que devem ser alvos dos líderes da base está a que tipifica como crime o enriquecimento ilícito; e a que estabelece sanções a atividades ilícitas relacionadas a prestação de contas de partido político e de campanha eleitoral.

"Os líderes da base apresentaram essa ideia e as propostas deverão tramitar em uma comissão geral que já trata de outros projetos populares que tem participação do Ministério Público Federal. Mas isso ainda será levado ao presidente Michel Temer", afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo o ministro da Secretaria Governo, Geddel Vieira Lima. "Algumas das propostas tratam do mesmo tema e precisarão ser compatibilizadas na comissão", emendou o ministro.

Na tarde desta terça-feira, 5, lideranças do Congresso se reúnem com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para tratar sobre a 10 medidas de combate à corrupção encaminhadas ao Congresso, após coleta de assinatura popular. As propostas atualmente tramitam numa comissão especial da Câmara.

Entre elas, está a que torna crime o enriquecimento ilícito de agentes públicos, com previsão de pena de prisão variando entre três e oito anos. Também consta no pacote o projeto que prevê o aumento de pena para crimes de colarinho branco conforme o valor do dinheiro desviado. Dessa forma, quanto maior o dano causado ao patrimônio público, maior será a condenação, que pode variar de 12 até 25 anos de prisão.

Conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo na edição desta terça-feira, 5, partidos que abrigam os principais alvos da Operação Lava Jato, PMDB, PT e PP ainda não indicaram os nomes de parlamentares para compor a comissão especial. Três semanas após a autorização para criar o colegiado, PSC e PC do B também não apresentaram os nomes. A falta das indicações é apontada como o motivo pelo qual o presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), ainda não liberou o início dos trabalhos. Até agora, 14 partidos (PTN, SD, PRB, PHS, DEM, PTB, PR, PSD, PROS, PV, PSDB, PSB, PDT e Rede) apresentaram 18 membros titulares. Faltam ainda outros 12 nomes.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...