Como o Brasil cresce
Manoel Hygino
Notícia de 14 de junho: O valor pago pelos brasileiros em impostos neste
ano alcançou R$ 900 milhões às 7 horas de domingo, dia 12, véspera de Santo
Antônio, segundo o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo. Alencar
Burti, presidente da entidade, comentou: “A população brasileira já paga
tributos demais e, neste período de forte recessão, isso pesa demais. Apoiamos
os ajustes propostos pelo governo, mas ponderamos que é impossível cogitar
qualquer ideia de aumento de impostos agora: isso aprofundaria a crise”.
Ainda naquele dia, o Ministério da Educação concluiu que falta dinheiro
para realizar o Enem. Seria necessária a liberação de R$ 75 milhões, além do já
destinado à realização das provas. Ministério tem R$ 10 bilhões em
compromissos.
São números inquietantes. Também no futebol, a situação preocupa, embora
os milhões e milhões dispendidos na contratação de jogadores. Os clubes da
Série A têm dívidas de R$ 4,8 bilhões. O Galo, por exemplo, registrou
crescimento de R$ 204 milhões nos débitos com relação a 2014.
Enquanto o brasileiro trabalhou 153 dias deste ano só para pagar
impostos (em 1996 eram cem dias), constata-se que aqui o cidadão dá mais tempo
para o governo do que em países como Alemanha, Estados Unidos e México. O pior,
porém, é o retorno insatisfatório, conforme o eufemismo de João Olenike,
presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário. A cada dez rolos
de papel higiênico, 32,55%, ou seja, o correspondente a três rolos vai para o
tesouro. Na conta de luz, 56% do valor pago é para tributos. Não tenho dados à
mão sobre o que se esvai em rombos no transporte rodoviário e no desvio da
corrupção.
E há muitos aspectos mais que despertam atenção. Enquanto se ouve pelas
televisões e rádios sobre milhões e milhões em reais ou dólares despejados nas
contas de ilustres dignitários, por vias ínvias e criminosas, também se conhece
que o INSS sequer tinha meios para antecipar a primeira parcela do 13º salário
dos aposentados e pensionistas, como confirmou o Ministério da Fazenda. O adiantamento
se fazia desde 2006 em agosto. Na última hora, reverteu-se a situação, com um
pouco de boa vontade.
Apenas encher as burras do erário é uma boa medida? Não parece. Neste
mês, por exemplo, levantamento da Austin Taing situou o Brasil na lanterna do crescimento
mundial entre 31 nações pesquisadas. O país piorou o desempenho e ficou atrás
inclusive de economias em crises financeiras graves, como a Grécia, com queda
de 1,2%. A Venezuela, lanterna nos rankings anteriores, ainda não divulgou os
resultados para o 1º trimestre.
O melhor desempenho entre as economias avaliadas ficou com as Filipinas,
com crescimento de 6,9% no 1º trimestre em relação aos três primeiros meses de
2015. A China ficou na segunda colocação, com 6,7%, seguida pela Indonésia, com
4,9%. Os EUA, maior economia do mundo, apresentaram expansão de 2% nessa mesma
base de comparação.
O Brasil também perdeu mais uma posição e agora ocupa o 57º lugar no
ranking global de competitividade divulgado pelo IMD, em parceria com a
Fundação Dom Cabral. Foi a sexta queda seguida do Brasil na lista – em 2010, o
Brasil aparecia em 38º lugar, tendo despencado dezenove posições desde então.
Assim, entre as 61 economias analisadas no estudo, o Brasil aparece em sua pior
colocação desde que o índice de competitividade do IMD foi criado, em 1989, e
só está à frente de Mongólia, Ucrânia, Croácia e Venezuela, a lanterninha da
lista.



