terça-feira, 24 de maio de 2016

ALTA CARGA TRIBUTÁRIA - NÃO CABE MAIS IMPOSTOS



Impostômetro atingiu R$ 800 bilhões nesta segunda-feira

Estadão Conteúdo 



               No ano passado, esse volume foi atingido dois dias depois, em 25 de maio

Os brasileiros pagaram R$ 800 bilhões em impostos, taxas e contribuições desde o início de 2016, estima o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A marca foi alcançada às 21h45 desta segunda-feira, 23. No ano passado, esse volume foi atingido dois dias depois, em 25 de maio.

"Apesar da queda do PIB e do enfraquecimento da economia, os números do Impostômetro continuam subindo, estimulados pela alta inflacionária. Com as rendas dos consumidores e das empresas caindo, o fardo tributário sobre eles continua pesado", escreveu, em nota, o presidente da ACSP, Alencar Burti.

Localizado na sede da entidade, no centro da capital paulista, o Impostômetro tem por objetivo "conscientizar o cidadão sobre a alta carga tributária", incentivando-o a "cobrar os governos por serviços públicos de qualidade".

GRAVAÇÕES DERRUBAM MINISTRO



Jucá e o teatro de Brasília

José Antônio Bicalho 



Na política é assim: eu sei, você sabe, todo mundo sabe, mas eles continuam negando. Negam a suspeita, a evidência e a prova. Mentem no maior descaramento, contrariando a lógica e desrespeitando nossa inteligência.

Para que o teatro não caia no ridículo, se cercam de pompa e assumem ar circunspecto. Quando confrontados com seus crimes e mesquinharias, desviam do assunto, sobem no banquinho e fazem discursos elevados.

Mas imprevistos acontecem e, por vezes, colocam os atores nus. Aí a coisa toda se torna divertidíssima. Gravações, então, são uma maravilha. Todo mundo já sabia quem é Romero Jucá, mas ouvir a gravação do homem público tramando no privado não tem preço.

E ontem chegamos ao clímax da peça, em que Jucá tentou explicar o que queria dizer com “estancar a sangria”. Não se referia, disse ele, a estancar a sangria da operação Lava-Jato, mas “da economia e da situação social do desemprego, além da crise política”.

O problema é que o público, mesmo acostumado com a má qualidade do teatro de Brasília, impõe um limite do suportável ao ator canastrão. E Jucá caiu ontem mesmo. Não foi demitido pelo diretor da companhia, Michel Temer, que se fingiu de morto. Pediu licença do cargo para não perder o foro privilegiado e não ser preso.

As gravações deixam evidente que a derrubada da presidente Dilma Rousseff teve o objetivo de brecar a Lava-Jato, que ameaça levar para a cadeia mais da metade dos congressistas. Essa é outra daquelas verdades que todo mundo sabe, mas que é negada até a morte.

Separei, então, dois trechinhos da fala gravada de Jucá que achei os mais iluminadores: “Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições sem ela (Dilma)’. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca”.

“Tem que resolver essa p.... Tem que mudar o governo para poder estancar essa sangria”.

Vaias, o ator sai de cena, cai o pano.

GOVERNO TEMER - PRIMEIRA CRISE



E agora, governo Temer?

Editorial 


A sustentação do governo de Michel Temer é necessária para se dar tranquilidade ao país na retomada do crescimento. A crise no Brasil não se compara à da Venezuela, onde já faltam alimentos, mas nem por isso o país pode descuidar de empreender tarefas em busca de uma solução imediata. A queda do ministro do Planejamento, Romero Jucá, depois da gravação revelada no dia em que o novo governo explicava ao Congresso Nacional a nova meta fiscal, com o déficit de R$ 170 bilhões, fez muito mal à nova gestão.

Embora sete ministros da administração interina de Michel Temer já tenham começado o trabalho no Planalto como investigados na operação “Lava Jato”, a revelação da conversa de Jucá com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado colocou dúvida sobre o discurso anticorrupão do novo e provisório governo. Certamente os petistas se sentem fortalecidos com esse tipo de revelação, mas, na prática, isso pouco ou nada interfere na situação da presidente Dilma Rousseff, que vai percorrendo o país em busca de apoio.

Para o líder do PT na Câmara dos Deputados, Afonso Florence, as gravações da conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado mostram nitidamente que havia um golpe em curso. Havendo ou não, temos um país desgastado politicamente, interna e externamente. O processo de impeachment de Dilma não é o único fato nessa ebulição que tomou conta de Brasília. Importa que a democracia siga seu caminho, com os Poderes, bem ou mal, funcionamento de forma independente. É bom lembrar que em outros países não há sequer a certeza de cumprimento das decisões do Judiciário. Mas isso não basta, logicamente, para garantir a tranquilidade de que necessita o setor privado, considerando tanto os empresários quanto os empregados.

A República treme a cada revelação, a cada passo da operação “Lava Jato” – que deve atingir de forma mais aguda o PSDB. Os brasileiros, sejam os que defendem a permanência dos programas sociais e se preocupam com as anunciadas alterações na Previdência Social e nas leis trabalhistas, sejam os que veem nas medidas neoliberais de Michel Temer a única saída possível no momento, ficam mais apreensivos com o vai e vem das denúncias dessa operação da Polícia Federal.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

MEDICINA - ESPERANÇA DE SALVAÇÃO



Injeção de bolhas ajuda a tratar infarto






O acupunturista José Luiz Eusébio, 47, que participou de estudo do Incor sobre infarto

MARIANA VERSOLATO
EDITORA-ADJUNTA DE "COTIDIANO" 

Um inusitado tratamento contra infarto que usa uma injeção com cerca de 2 bilhões de microbolhas de gás é seguro e eficaz na desobstrução dos vasos sanguíneos e ainda melhora a função do coração, aponta um novo estudo.
O artigo, de autoria de brasileiros em parceria com um pesquisador americano, sairá nesta segunda (23) em uma das principais revistas científicas de cardiologia do mundo, o "Journal of the American College of Cardiology".
As microbolhas funcionam como uma espécie de dinamite que explode o coágulo (que impede a circulação sanguínea e causa o infarto). Elas são injetadas e correm livremente pelos vasos sanguíneos até se depararem com esse bloqueio, e ali se acumulam. Aí entra um aparelho de ultrassom, que é colocado no peito do paciente e faz com que as microbolhas vibrem e destruam o coágulo, liberando novamente a passagem para o sangue.
A ideia surgiu há cerca de 20 anos, quando um grupo no Canadá mostrou, em ensaios in vitro, que as bolhas expostas a um campo de ultrassom podiam romper coágulos.
Em 2004, pesquisadores da Universidade de Nebraska (EUA) testaram a técnica em animais. Em 2014 foram iniciados os testes em humanos, numa parceria do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP) com os americanos.
Durante o estudo, pacientes que chegavam ao pronto-socorro do hospital com infarto agudo eram convidados a participar da pesquisa. Caso concordassem em se submeter ao novo tratamento, recebiam a injeção de microbolhas e o ultrassom até que fossem chamados para receber a terapia convencional, que inclui medicamentos e angioplastia para desobstrução das artérias coronárias.
Os resultados preliminares do estudo, que avaliou a segurança da técnica, mostram que aqueles que receberam a injeção tiveram maiores índices de abertura da artéria obstruída e de recuperação do miocárdio quando comparados àqueles que não passaram pela técnica mas receberam o tratamento convencional.
"A terapia também conseguiu romper os coágulos menores que se soltam do coágulo maior. Eles vão obstruindo os 'ramos' da coronária e são inacessíveis pela angioplastia", diz Wilson Mathias Jr., diretor da unidade de ecocardiografia do Incor e coordenador-chefe da pesquisa.
Roberto Kalil Filho, presidente do Incor, lembra que o infarto é a doença que mais mata no mundo, apesar da tecnologia e dos medicamentos disponíveis hoje. "Cada segundo de artéria fechada é mais tempo de coração morrendo. Quanto antes você conseguir abrir a artéria e jogar o sangue de novo ali, maior a sobrevivência e menor o risco de sequelas", afirma. "Esse é mais um método para ajudar a salvar vidas, e esses resultados iniciais mostram que ele é bom, simples e sem riscos."
O cardiologista do HCor (Hospital do Coração) e professor da USP Leopoldo Piegas, que não esteve envolvido no trabalho, avalia a técnica como promissora. "O trabalho tem um resultado impressionante, impactante. Houve melhora na abertura das artérias, na função do ventrículo esquerdo do coração e na contratura do músculo, o que sugere uma melhora da circulação. Toda técnica que ajudar a abrir artérias no tratamento do infarto é bem-vinda", diz.
"Mas é um trabalho inicial, que precisa ser replicado com mais pacientes até para observar possíveis efeitos colaterais num grupo maior." Ele lembra que outro trabalho que avaliou a técnica apontou efeitos adversos, como um espasmo na artéria coronária que causou sua constrição –coisa que não ocorreu no trabalho feito no Incor.
Os resultados publicados têm como base o tratamento de 30 pessoas. Hoje o Incor já tem 42 pacientes e o hospital pretende chegar a cem. José Luiz Eusébio, 47, foi um dos pacientes que participou do estudo. Em janeiro de 2015, o acupunturista estava na região do Anhangabaú, em São Paulo, quando começou a passar mal. Pegou o metrô e deu entrada no pronto-socorro do Incor, onde soube que estava tendo um infarto.
Na sua família, outras três pessoas tinham tido o problema. Desde então, mudou hábitos: começou a praticar artes marciais e já perdeu 18 kg.
Tanto Kalil como Mathias apontam para a possibilidade de a terapia ser usada em centros não especializados, como postos de saúde, e em ambulâncias, pelo fato de não oferecer risco de hemorragia como certos medicamentos. "Se comprovar eficácia em outros estudos, acredito que o tratamento será aprovado rapidamente. Aí é só uma questão de entrar no mercado e ver o custo", diz Kalil.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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