terça-feira, 22 de março de 2016

PROFESSOR SERGIO MORO



O professor contra o juiz

Mario Sergio Conti




A sede histórica da Universidade Federal do Paraná fica num prédio neoclássico, no centro de Curitiba. Faltava pouco para as 21h de terça-feira passada, dia 15, quando o professor Sergio Moro cruzou as pesadas colunas do pórtico e subiu ao primeiro andar.
Deu ali uma aula luminar sobre a presunção de inocência. Falou por uma hora e meia a 65 estudantes do quarto ano da Faculdade de Direito, onde dá aulas duas vezes por semana. Denso e direto, foi interrompido apenas um par de vezes, por alunos com dúvidas técnicas.
Moro recenseou a presunção de inocência do século 13 até hoje. Na Idade Média, disse, os julgamentos eram informados tão-somente por duas categorias de provas, as "de deus" e as "carnais".
Na prova teológica, o acusado era obrigado a segurar uma barra de ferro incandescente por longos minutos. Sua mão era, em seguida, enfaixada. Depois de dias, retiravam-lhe o curativo. Caso a ferida tivesse cicatrizado, o acusado era inocente. Se continuasse em carne viva, cumpriria pena.
No direito luso, as provas carnais eram chamadas de "tormentos" –o acusado era torturado. Caso as sevícias não o forçassem a admitir o crime, julgavam-no inocente. Se confessasse, seria culpado. As penas eram a morte ou castigos físicos.
Vieram as Luzes e o direito mudou. Agora, a presunção de inocência permite a livre apresentação de provas. A Justiça prescinde de crendices religiosas e de suplícios.
Para se condenar alguém, a sua culpa deve ser estabelecida "além de qualquer dúvida razoável", conforme reza o preceito anglo-saxão. Já a inocência não precisa ser provada, ensinou o professor Moro. Basta que a defesa semeie dúvida nos julgadores. Esse princípio fundamenta o brocardo "in dubio pro reo".
Quem flanasse pela tépida noite curitibana, depois da aula, se regozijaria: a Lava Jato está em mãos iluministas. Para afrontar a oligarquia econômica e a plutocracia política, há que se presumir inocência e exibir provas categóricas. Para que a verdade triunfe sobre a incerteza, poderosos sejam punidos e a prática se perpetue.
O dia seguinte à aula foi o banzé que se sabe. O direito não é ciência exata, mas inexiste meio termo plausível. Divulgar um telefonema da presidente, cujo foro é o Supremo, é constrangimento medievo. Monitorar a comunicação entre cliente (Lula) e advogado (Roberto Teixeira), abuso puro e duro.
A Justiça é muitas vezes fetichizada. Mas até um autor de fábulas infantis, La Fontaine, disse no século 17 que "a razão do mais forte é sempre a melhor". O devido processo legal, ainda assim, serve para dotar de pensamento os processos históricos conturbados.
Dilma Rousseff será julgada por políticos. A sua culpa não está provada para além de qualquer dúvida razoável. O áudio de seu diálogo com Lula, porém, deixou sequelas. Mesmo se revogado numa instância superior, o estrago foi feito.
O telefonema e a sua interpretação unilateral, bem como a algaravia decorrente, fizeram pender a balança da Justiça. A presidente está mais perto do que antes de ser considerada culpada. Não houve presunção da sua inocência.
Os que desconfiavam que Dilma é vítima de um golpe de força passaram a dispor de um exemplo mais claro que mil sóis. Quem o forneceu foi o juiz, e não o professor Sergio Moro.

FUTUROLOGIA



Videntes divergem sobre o futuro político da presidente Dilma

Tatiana Moraes 






Cigano diz que Dilma fica no governo até 2018; sensitiva Maria José prevê o agravamento da crise

No começo do ano, o pai-de-santo Roberval Uzêda invadiu o Planalto para entregar uma carta a Dilma Rousseff. No texto, aconselhava a presidente a redobrar os cuidados com Eduardo Cunha, presidente da Câmara, principal inimigo dela, segundo ele. Agora, Pai Uzêda, como é conhecido, volta à cena. De acordo com ele, esta será a semana da justiça. “Os orixás dizem que os fortes começam a cair nesta semana”, garante.

Entre os fortes, cita Eduardo Cunha, o senador Romero Jucá, o ministro Aloizio Mercadante, o ex-presidente Lula e até mesmo Dilma Rousseff, que não escaparia de um processo de impeachment.

“Já alertei a presidente sobre Cunha”, diz, atribuindo as informações aos búzios.
Ainda de acordo com Uzêda, o ex-presidente Lula será desmascarado e decepcionará todos os que acreditaram nele. “Os búzios dizem que durante o depoimento dele na “Lava Jato” haverá contradições. Lula passará de informante a réu”, prevê. Os julgamentos começam em março do ano que vem, se as previsões do pai-de-santo estiverem corretas.

Sobre Fernando Pimentel, os búzios de Pai Uzêda apontam que o governador, investigado devido à suspeita de desvio de recursos públicos para a campanha, pode não terminar o mandato. “A ameaça é grande”, diz.

Outras visões

Além de Uzêda, o Hoje em Dia ouviu outros dois videntes de Belo Horizonte. Assim como Pai Uzêda, ambos são unânimes com relação aos desdobramentos da crise econômica. Segundo eles, há luz no fim do túnel. Mas só no fim mesmo. Por enquanto, o cenário permanece nebuloso, com elevação da inflação e do dólar. No começo de 2016, a economia tomará um leve fôlego, prevê o vidente Alexandre Cigano.

“O Brasil não terá melhoria até dezembro. Em janeiro, o desemprego registrará uma pequena queda e a situação será amenizada em parte”, afirma. No lado político, porém, ainda há muita coisa por vir. Ele também prevê a queda de Cunha, investigado por suspeita de manter contas secretas na Suíça.

Mas, diferentemente do que acredita Pai Uzêda, Cigano garante que a presidente vai até 2018. “Dilma veste uma armadura e não sofrerá impeachment. Se sair, será uma renúncia por motivo de doença. Ela deve se preocupar com atentados, principalmente os que pareçam acidentes”, alerta.

2018

A taróloga e sensitiva Maria José Lima também não vislumbra impeachment. Ainda de acordo com ela, se porventura a presidente deixar o mandato, quem assumir o governo não conseguirá se reeleger no próximo mandato. Sobre a crise, as cartas do tarô de Maria José apontam para um alongamento do problema.“Ela vai até 2018. Até lá, o governo vai administrar o ambiente. Serão altos e baixos”, diz.

Para a próxima eleição, a taróloga afirma que não há nada definido. “Se Lula saísse candidato não conseguiria se eleger. Mas isso é hoje. Tudo pode mudar”, enfatiza. Os astros, reforça, indicam que o próximo presidente será um rosto novo. “Mas não podemos esquecer que uma pessoa conhecida pode aparecer repaginada, como se fosse novidade. Mesmo sem ser”.



STF COERENTE



Fux nega pedido para anular decisão de Gilmar Mendes sobre Lula

BEATRIZ BULLA E ISADORA PERON 




O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, negou na madrugada desta terça-feira, 22, o pedido do governo para anular a decisão do ministro Gilmar Mendes, que suspendeu a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Civil. Fux decidiu extinguir o processo sem sequer analisar o mérito do pedido feito pela Advocacia-Geral da União, porque, segundo ele, a ação ia contra a jurisprudência criada pela Corte. "O Supremo Tribunal Federal, de há muito, assentou ser inadmissível a impetração de mandado de segurança contra atos decisórios de índole jurisdicional, sejam eles proferidos por seus ministros, monocraticamente, ou por seus órgãos colegiados", anotou o ministro.

O mandado de segurança foi protocolado ontem pela AGU diante da perspectiva de que o recurso sobre a decisão de Gilmar Mendes e as ações sobre o caso que estão com o ministro Teori Zavascki só irão ser julgados pelo plenário a partir da próxima semana, por conta do feriado da Páscoa no Judiciário.

Na peça, a AGU alegava que a decisão de Gilmar Mendes de anular a nomeação de Lula para a Casa Civil foi "absolutamente peculiar e ilegal".

O órgão afirmava que o ministro deveria ter se declarado impedido de julgar a situação de Lula porque já havia se manifestado sobre o caso publicamente e porque tem ligação com a advogada Marilda de Paula Silveira, que assinou o mandado de segurança apresentado pelo PPS. O pedido do partido, juntamente com uma ação do PSDB, culminou na liminar de Gilmar que suspendeu a posse de Lula na sexta-feira passada.

A AGU também argumentava que era prerrogativa da presidente escolher os seus ministros e que Lula poderia assumir o cargo porque está sendo apenas investigado e ainda não foi condenado. "Notadamente, em período de notória crise política e turbulência institucional, não se pode manietar a presidenta da República no seu típico espaço de discricionariedade na direção política", diz na peça.

Em sua decisão, Gilmar alegou que Lula havia aceitado assumir a Casa Civil para ganhar foro privilegiado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

VOCÊ JÁ VIU ALGUMA EMPRESA DO GOVERNO DAR LUCRO?



Petrobras tem prejuízo de R$ 34,83 bilhões em 2015

Agência Brasil 



  
A Petrobras registrou prejuízo de R$ 34,836 bilhões em 2015. Em 2014, as perdas somaram R$ 21,587 bilhões. Os resultados financeiros foram anunciados, há pouco, pelo presidente da estatal, Aldemir Bendine.

Apenas no quarto trimestre de 2015, o prejuízo da empresa foi de R$ 36,938 bilhões. No terceiro trimestre, as perdas somaram R$ 3,8 bilhões. No primeiro e no segundo trimestres, houve lucro, respectivamente, de R$ 5,3 bilhões e de R$ 500 milhões, o que levou a um saldo de R$ 2 bilhões no ano. O prejuízo do último trimestre, no entanto, anulou o resultado positivo que vinha sendo registrado ao longo do ano.

Entre as causas do prejuízo, a empresa cita "o impairment (ajuste) de ativos e de investimentos, principalmente em função do declínio dos preços do petróleo e incremento nas taxas de desconto, reflexo do aumento do risco Brasil pela perda do grau de investimento (R$ 49,748 bilhões) e despesas de juros e perda cambial (R$ 32,908 bilhões)".

O prejuízo operacional ficou em R$ 12,4 bilhões, o que significa queda de 42%, se comparado com o ano anterior.

Os investimentos somaram R$ 76,3 bilhões, representando redução de 12% em relação a 2014.

De acordo com a Petrobras, a queda do barril de petróleo tipo Brent provocou impacto negativo no resultado da empresa, que apontou ainda a desvalorização cambial como influência negativa.

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, disse que, apesar do resultado contábil negativo, a empresa teve um resultado gerencial positivo. Segundo Bendine, depois de oito anos, a companhia apresentou geração de fluxo de caixa positivo e as despesas administrativas recuaram significativamente.

"Mesmo em ano tão difícil, como foi 2015, com a valorização do dólar frente ao real, tivemos um recuo forte na nossa dívida líquida e uma disciplina muito forte, não só de capital, mas em uma busca de eficiência muito grande."

Que prejuízo que nada, o governo cobre este valor. 



ARTIMANHAS POLÍTICAS




Amália Goulart




O Brasil desperta hoje com duas decisões importantes que terão reflexos no futuro tupiniquim.
Termina hoje o prazo para a apresentação da defesa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética, no processo por quebra de coro parlamentar. Isso se ele não encontrar mais artimanhas para a prorrogação do tão lento procedimento.

E a comissão especial criada para definir o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) tem encontro para traçar o planejamento das ações.

O presidente e o relator do processo contra a presidente são aliados de Cunha.

Segundo deputados, existem três grupos na comissão: os favoráveis ao governo, a oposição e a ala Cunha. Isso porque, apesar de defender o impeachment, muitos parlamentares não querem ser ligados ao grupo do presidente, que tem mesmo posicionamento em relação à saída da petista do Executivo.

“Sou a favor do impeachment, mas contra a continuidade dele. A voz das ruas não pede apenas a saída de Dilma”, afirmou o deputado federal mineiro, Júlio Delgado.

Ele se referia à frase usada por Cunha na última quinta-feira, ao instalar a comissão especial. “Temos que ouvir a voz das ruas”. De fato, Cunha foi alvo de vários protestos ao longo do ano passado e deste também. A ideia do presidente da Câmara é convocar sessões de segunda a sexta, exceto nos dias de feriado. Quer agilizar o processo contra Dilma. Mas retardar o dele.

Porém, como o Supremo Tribunal Federal não coloca em pauta o pedido da Procuradoria Geral da República, que pede o afastamento de Cunha da Presidência da Casa, o grupo dele continua a participar ativamente das principais discussões envolvendo o futuro do país.

Drama

Na avaliação de governistas, se o julgamento do parecer da comissão especial na Câmara fosse hoje, Dilma venceria por pouquíssimos votos de diferença. Para os oposicionistas, ela não teria os 172 votos necessários, em um universo de 513 deputados, para barrar o impeachment.

Como o parecer deve ir à plenário em meados de abril, governo e oposição dependem do desenrolar da crise política.

“É como um carro. Quanto mais se pisa no acelerador, menos tempo demora para se chegar ao destino final. Hoje, o carro está em alta velocidade”, disse um parlamentar. Tudo depende do desembarque ou não da base aliada. Por consequência, dos protestos de rua, que pressionam deputados e senadores governistas.

Economia

Com o vendaval de informações, decisões e afins, a economia fica, novamente, em segundo plano. Além do impeachment, o governo preocupa-se com a defesa do ex-presidente Lula. Ajuste fiscal? Fica para depois.

Guerra

A guerra jurídica a que o Brasil está submetido deixa de queixo caído até o mais experiente dos juristas. Jornais dos Estado Unidos e da Inglaterra, como o Financial Times, criticam a postura das autoridades brasileiras. E depois da crise, como ficam as instituições? Essa é a grande pergunta.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...