terça-feira, 22 de março de 2016

ARTIMANHAS POLÍTICAS




Amália Goulart




O Brasil desperta hoje com duas decisões importantes que terão reflexos no futuro tupiniquim.
Termina hoje o prazo para a apresentação da defesa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética, no processo por quebra de coro parlamentar. Isso se ele não encontrar mais artimanhas para a prorrogação do tão lento procedimento.

E a comissão especial criada para definir o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) tem encontro para traçar o planejamento das ações.

O presidente e o relator do processo contra a presidente são aliados de Cunha.

Segundo deputados, existem três grupos na comissão: os favoráveis ao governo, a oposição e a ala Cunha. Isso porque, apesar de defender o impeachment, muitos parlamentares não querem ser ligados ao grupo do presidente, que tem mesmo posicionamento em relação à saída da petista do Executivo.

“Sou a favor do impeachment, mas contra a continuidade dele. A voz das ruas não pede apenas a saída de Dilma”, afirmou o deputado federal mineiro, Júlio Delgado.

Ele se referia à frase usada por Cunha na última quinta-feira, ao instalar a comissão especial. “Temos que ouvir a voz das ruas”. De fato, Cunha foi alvo de vários protestos ao longo do ano passado e deste também. A ideia do presidente da Câmara é convocar sessões de segunda a sexta, exceto nos dias de feriado. Quer agilizar o processo contra Dilma. Mas retardar o dele.

Porém, como o Supremo Tribunal Federal não coloca em pauta o pedido da Procuradoria Geral da República, que pede o afastamento de Cunha da Presidência da Casa, o grupo dele continua a participar ativamente das principais discussões envolvendo o futuro do país.

Drama

Na avaliação de governistas, se o julgamento do parecer da comissão especial na Câmara fosse hoje, Dilma venceria por pouquíssimos votos de diferença. Para os oposicionistas, ela não teria os 172 votos necessários, em um universo de 513 deputados, para barrar o impeachment.

Como o parecer deve ir à plenário em meados de abril, governo e oposição dependem do desenrolar da crise política.

“É como um carro. Quanto mais se pisa no acelerador, menos tempo demora para se chegar ao destino final. Hoje, o carro está em alta velocidade”, disse um parlamentar. Tudo depende do desembarque ou não da base aliada. Por consequência, dos protestos de rua, que pressionam deputados e senadores governistas.

Economia

Com o vendaval de informações, decisões e afins, a economia fica, novamente, em segundo plano. Além do impeachment, o governo preocupa-se com a defesa do ex-presidente Lula. Ajuste fiscal? Fica para depois.

Guerra

A guerra jurídica a que o Brasil está submetido deixa de queixo caído até o mais experiente dos juristas. Jornais dos Estado Unidos e da Inglaterra, como o Financial Times, criticam a postura das autoridades brasileiras. E depois da crise, como ficam as instituições? Essa é a grande pergunta.

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