segunda-feira, 21 de março de 2016

IMPRESSORA 3D



A indústria se rende à impressão 3D
Sophy Caulier e Didier Géneau



Strati, carro 3D da Local Motors

Desde peças de avião até sapatos, passando por automóveis, agora tudo pode ser impresso. É uma revolução que terá efeitos sobre toda a cadeia industrial, desde a concepção até o pós-venda
Será que com o tempo a impressão 3D condenará as fábricas gigantes e suas intermináveis cadeias produtivas? Os executivos da Local Motors têm certeza disso. Essa nova montadora de automóveis americana de fato tem apostado sua expansão em uma série de micro-fábricas com menos de 4 mil m2 instaladas o mais perto possível dos consumidores.
Em setembro de 2014, a Local Motors causou sensação ao imprimir em pleno Salão da Indústria de Chicago um protótipo de carro batizado de Strati, em uma operação que durou 44 horas. Um carro similar na indústria tradicional é composto por 20 mil peças diferentes.
"Para o Strati, a impressora fabricou em uma única peça o corpo do carro, que integra chassi e carroceria. Em seguida adicionamos manualmente 48 elementos como o motor, o volante e os pneus", explica Damien Declercq, vice-presidente executivo da Local Motors.
A montadora, que afirma ter melhorado ainda mais seus processos de fabricação desde os testes do Strati, comercializará seus primeiros veículos de série a partir desse verão.
O exemplo do Strati e de seu modelo industrial baseado na impressão 3D provavelmente será motivo de debates e reflexões nos 2.422 eventos previstos esta semana em toda a França sobre o tema da indústria do futuro, como parte da 6ª edição da Semana da Indústria, organizada pelo Ministério da Economia.
A impressão em 3D também estará onipresente na CeBIT, a maior feira mundial dedicada às novas tecnologias, que acontecerá simultaneamente em Hannover (Alemanha), e onde são esperadas mais de 200 mil pessoas.
A ideia de que a impressão 3D revolucionará setores inteiros da indústria vem ganhando força. Em 2013, Barack Obama já havia afirmado que o domínio dessa tecnologia seria estratégico, e que ela permitiria que os Estados Unidos se reindustrializassem.
"Essa técnica de fabricação não necessita de ferramentas. A matéria é moldada por um feixe de laser ou de elétrons comandado digitalmente. Basta ter material e um projeto. O processo de fabricação é super-flexível, e a máquina pode ser instalada em qualquer lugar", justifica Jean-Camille Uring, membro do diretório da fabricante de máquinas industriais 3D.
As vantagens dessa tecnologia, entre outras, são a fabricação de uma só vez de peças muito complexas, uma personalização do objeto e um consumo reduzido de matérias-primas.
"Na manufatura tradicional, são necessários 100 kg de matéria-prima para fabricar uma peça de 15kg, enquanto a fabricação aditiva só requer 15kg!", diz Jean-Camille Uring.
Imbatível em material de manutenção
No entanto, essa tecnologia, que surgiu há mais de 30 anos, por muito tempo permaneceu à sombra, restrita a alguns poucos setores industriais onde ela ainda é chamada de "fabricação aditiva".
Seu princípio consiste na fabricação de um objeto aplicando-se um material camada por camada graças a um sistema de deposição similar ao jato de tinta de uma impressora tradicional. Durante mais de 20 anos, a fabricação aditiva foi utilizada sobretudo para conceber protótipos grosseiros em plástico destinados a validar um conceito ou uma forma.
Médico chinês Liu Zhongjun mostra uma vértebra (cinza) produzida com impressora 3D, que foi implantada em um paciente de 12 anos com câncer nos ossos. Segundo o médico da Universidade de Pequim, esta foi a primeira iniciativa deste tipo em cirurgias de coluna - tradicionalmente, a vértebra seria substituída por uma peça de titânio. Segundo a ''Forbes'', a peça produzida em 3D tem pó de titânio em sua composição Jason Lee/Reuters
Desde então, a gama de materiais imprimíveis em 3D aumentou muito: plástico colorido, cerâmica, metal, alimentos, areia, mármore, concreto, madeira e até mesmo células humanas!
Paralelamente, dezenas de patentes associadas a essa tecnologia e registradas nos anos 1980 aos poucos foram caindo em domínio público, permitindo o surgimento de impressoras mais baratas e mais eficientes.
O setor aeroespacial continua sendo aquele onde a impressão 3D é a mais disseminada. "Essa técnica dá uma grande liberdade no nível do formato. Fabricar uma montagem complexa em uma única peça resulta em menos peso. É importante no domínio dos satélites, onde o peso é um custo", explica Bertrand Demotes-Mainard, vice-presidente encarregado de tecnologias hardware da Thales.
A problemática é a mesma em matéria de aviação. "Daqui a uns dez anos, cerca de 30% das peças de um avião serão fabricadas em 3D", acredita Peter Sander, diretor de tecnologias emergentes da Airbus. "Sobretudo peças metálicas, pois são as mais caras de se fabricar".
Na aeronáutica, a impressão 3D é empregada hoje sobretudo em séries muito pequenas que podem ser testadas peça por peça. Antes de ser aplicada para produções em grande escala, essa tecnologia ainda deverá provar sua capacidade de fabricar várias vezes a mesma peça dotada das mesmas características, ainda mais pelo fato de que as grandes impressoras 3D industriais ultrapassam facilmente os 300 mil euros (R$1,25 milhão).
Em compensação, em matéria de manutenção e de gestão de peças avulsas, a impressão 3D é imbatível.
"Um programa aeronáutico dura 40 anos, e a cadeia produtiva muda durante esse tempo. Não é fácil manter o estoque de peças de reposição, sobretudo peças que giram pouco. Às vezes são necessários anos para se ter acesso a certas peças, e não se pode deixar um avião parado por causa disso. A impressão 3D resolve esse problema. Pó metálico ou filamentos são mais fáceis de se armazenar do que peças!", justifica Thierry Thomas, diretor do centro de "fabricação aditiva" da Safran. Sobretudo quando se pode instalar uma impressora 3D em cada aeroporto.
Proximidade geográfica
Essa flexibilidade não passou despercebida pelos atores do setor espacial. Tanto a Agência Espacial Europeia quanto a Nasa estão trabalhando em adaptar a impressão 3D para a microgravidade. Em fevereiro, uma impressora foi testada a bordo da estação espacial internacional (ISS).
Ao voltarem para a Terra, as peças fabricadas serão comparadas com as que forem produzidas em terra firme. Com o tempo, a ISS não precisaria mais embarcar um estoque de peças avulsas. Bastará que os astronautas peçam a Houston que baixe um arquivo digital e imprima a peça a bordo.
Produzir localmente é também o lema da Local Motors, a pioneira da impressão de carros. Ela inaugurou no final do ano passado sua primeira micro-fábrica em Knoxville, no Tennessee.
Equipada com três impressoras 3D de grande escala, essa fábrica deverá produzir, a partir do verão de 2016, a LM3D Swim, um carro elétrico de série que será comercializado por cerca de US$ 53 mil (R$199 mil). A capacidade de produção deverá atingir 2.400 veículos por ano.
"Na indústria automobilística, a concepção e o desenvolvimento de um novo modelo requer de quatro a seis anos. Para a LM3D Swim, reduzimos esse prazo para dois meses", afirma Damien Declerq.
Para o mercado europeu, a Local Motors também está preparando a produção de um veículo de transporte urbano com capacidade para oito pessoas. Elétrico e autônomo, esse micro-ônibus chamado Edgar será fabricado diretamente nas cidades que o comprarem.
Dawson Riverman, 13, que sonha em se tornar goleiro do time de sua escola, joga futebol com os amigos usando sua prótese de mão em Aloha, no Estado americano de Oregon. A proliferação de impressoras 3D criou um benefício inesperado: o equipamento é perfeito para produzir próteses baratas. Uma em cada mil crianças nasce com algum dedo a menos e outras perdem os dedos em acidentes, segundo dados oficiais do sistema de saúde Leia mais Leah Nash/The New York Times
"Essa proximidade geográfica permitirá que fiquemos o mais perto possível dos clientes. Se houver uma mudança a ser incorporada, um veículo novo pode ser impresso dentro de 24 horas", ressalta Declerq.
A médio prazo, a Local Motors prevê construir em todo o mundo dezenas dessas micro-fábricas, um projeto ambicioso que não assustou a Airbus Venture, o fundo de capital de risco criado pela empresa de aviação e dotado de US$ 150 milhões (R$ 563 milhões), que acaba de anunciar seu primeiríssimo investimento... na Local Motors, por um montante não divulgado.
A intenção da Airbus não é diversificar entrando no mercado automobilístico, mas sim ganhar com o conhecimento da Local Motors em matéria de micro-fábricas.
Uma produção personalizada
Nos mercados de bens de consumo, a impressão 3D também pode se revelar uma fonte de simplificação logística. O grupo SEB, que hoje administra um estoque de 5 milhões de peças de reposição, está certo disso.
Seu CEO, Thierry de La Tour d'Artaise, anunciou no final de fevereiro que 50% a 75% das peças da pequena fabricante de eletrodomésticos agora ficariam disponíveis em forma de arquivos 3D e imprimíveis sob demanda.
Em certos setores, a impressão 3D ganhou espaço graças às suas capacidades de personalização da produção. É o caso do setor de joalheria e de próteses dentárias.
O próximo mercado a se revolucionar com essa personalização em massa provavelmente será o de calçados esportivos. Em um mercado onde os clientes não poupam muito para adquirir calçados adaptados às suas necessidades específicas, a Nike, a Adidas e a New Balance entraram em uma verdadeira corrida para lançar os primeiros modelos impressos em 3D.
"É possível imaginar que no futuro a Nike só possuirá o arquivo do calçado, e que os clientes o imprimirão em suas casas ou em uma de nossas lojas? Sim, é claro, e isso deverá acontecer em breve", declarou Eric Sprunk, diretor de operações da Nike, em outubro de 2015 durante uma palestra pública.
Já a Adidas está dando os toques finais a seu protótipo de calçados para corrida Futurecraft 3D, que terá um solado impresso em 3D adaptado à anatomia de cada cliente. Bastará que este vá até uma loja da Adidas para correr um pouco em uma esteira, para sair com seu par de calçados personalizado. Já a New Balance pretende lançar seus primeiros modelos 3D até o verão.
Fora as evidentes vantagens de marketing, esses fabricantes de calçados também veem uma vantagem industrial. A fabricação de um calçado esportivo hoje requer uma centena de operações manuais, um número que cairia para um terço com o uso de impressoras 3D. Isso simplificaria em muito a logística desse tipo de produção, realizada em sua maior parte em países com mão de obra barata.
Segundo um estudo da consultoria PwC, a popularização da impressão 3D e as transferências de certas produções para mais perto do consumidor com o tempo poderá levar à queda de 41% do tráfego aéreo mundial e de 37% da atividade marítima dos cargueiros.
Maiores riscos de falsificação
Com a impressão 3D, as empresas terão um enorme trabalho de transformação em matéria de processo de fabricação, de logística e de vendas. Mas também terão de enfrentar uma imensa batalha jurídica, com um direito de propriedade industrial que no futuro deverá sofrer duramente.
De fato, a democratização das impressoras 3D permitirá que milhões de pessoas comuns, mas também concorrentes indelicados, clonem a um custo módico todos ou parte dos produtos comerciais.
A consultoria Gartner Group havia calculado em 2014 que a falsificação associada à impressão 3D chegaria a US$ 100 bilhões (R$ 375 bilhões) por ano a partir de 2018! É um número por enquanto inverificável, mas que mostra a dimensão do problema. Parte da solução provavelmente será tecnológica.
Muitos laboratórios no mundo hoje procuram certificar os produtos impressos em 3D através da inclusão de uma identificação que poderia ser um chip RFID ou um componente químico específico. A corrida foi lançada.


Brasileiros criam protótipo de uma impressora 3D capaz de construir casas de até 50m²11 fotos

A construção das casas será feita em blocos encaixáveis diante da possível ausência de espaço nos locais "das construções" para a instalação da impressora.

O CAOS NÃO DESTROI O SENTIMENTO




Leida Reis



 

Alguns personagens ”viralizam” na internet com seus exemplos incomparáveis. Numa vila da República Tcheka, uma mulher de 87 anos embeleza a casa dos vizinhos, pintando-as com motivos florais, gratuitamente. Agnes Kasparkova justifica seu gesto com a intenção de deixar o mundo mais bonito. O relato do caso está em diversos blogs e portais, e aparece algumas vezes no Facebook no meio do tiroteio político.

Por aqui, temos a artista plástica Lêda Gontijo com 101 anos encantando nossos olhos com suas esculturas e nossas almas com sua força. “Descobriram que não sou velha”, brinca a diva, contando não ter problema de visão e outras “doenças da idade”. O que a faz acordar todos os dias otimista com o dia iniciante? O amor ao trabalho.

O poeta que voltou a morar na Amazônia, Thiago de Mello, faz 90 anos e continua tecendo poesia. Seu próximo livro nem será de poemas, mas de lembranças dos amigos que fez pela vida afora. Longe de todos, morando perto da floresta, ensina sobre a amizade: ela dispensa a presença. As lembranças de pessoas boas que dividiram momentos com ele vão compor sua nova obra. Tanta vitalidade tem também um amigo de Thiago, o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony, igualmente nonagenário.

Uma entrevistada da matéria “Loucos pela Filarmônica”, publicada na edição de ontem do Hoje em Dia, tem 83 anos e está estudando violão, depois de anos de convivência com um outro instrumento musical, o piano. Elena de Magalhães Lima é pura vitalidade e bem poderia ser confundida com alguém de 60 anos.

Essas pessoas não estão divididas entre pedir o impeachment da presidente Dilma ou defender o PT. Longe de serem alienadas, apenas deixam rastros que vão além de um posicionamento político – fundamental, claro. O que elas têm de diferente é a mensagem que nos deixam, de que o amor ao trabalho, a gentileza, o reconhecimento do outro, da importância do outro, são o segredo da longevidade. Não sei como se alimentam, se fazem atividade física, mas completam anos e gozam de saúde por viverem sem reclamar. A arte ajuda? Sim, mas não é só a arte o alimento imprescindível. O sentimento é que vai à frente.

MAIS UMA DÉCADA PERDIDA DO NOSSO DESENVOLVIMENTO




Paulo Haddad




Já existem cenários robustos elaborados por especialistas nacionais e internacionais que, à semelhança do que ocorreu nos anos 1980, sinalizam a chegada de mais uma década perdida no processo de desenvolvimento brasileiro. O indicador mais relevante desses cenários mostra que o PIB per capita dos brasileiros em 2020 poderá ser igual ao seu PIB per capita de 2010, um contexto típico de estagnação ou de retrocesso econômico decenal.

Sabemos que cenários não são projeções econômicas mas mapas de possibilidades de que eventos relevantes poderão ocorrer, mas sem que se possa precisar quando e como poderão ocorrer com maior grau de probabilidade. Cenários são particularmente úteis para contextos de rápidas mudanças. Isto porque quando um sistema experimenta uma profunda descontinuidade no seu comportamento podem ocorrer mudanças abruptas e potencialmente catastróficas. Os exemplos tradicionais são as corridas bancárias em função de uma crise financeira ou o colapso de grandes camadas de gelo em função das mudanças climáticas. São pontos críticos de descontinuidades ou de irreversibilidades com grandes transformações nas trajetórias de evolução de eventos estruturais.

Contudo, não precisamos recorrer a futuros caóticos para mostrar as chances de que os anos 2010 poderão entrar na história econômica e social do país como uma década perdida para o nosso progresso e bem-estar da população. Futuros caóticos são alguns eventos altamente ou totalmente imprevisíveis e incontroláveis, como, por exemplo, a economia mundial passar nos próximos anos de um crescimento lento para uma recessão com impactos adversos sobre nossas exportações, financiamentos externos e crescimento.

Na verdade, podemos considerar o futuro como uma extensão ou projeção do passado recente quando há restrições e condicionalidades dominantes na configuração do que pode ocorrer com as principais variáveis macroeconômicas nos próximos anos. O crescimento médio da economia brasileira no primeiro mandato de Dilma Rousseff, de 2011 a 2014, foi de 2,2% ao ano. Entre os presidentes que governaram o país desde 1985, a maior média anual foi do mandato de Itamar Franco quando o PIB cresceu 5,4% ao ano.
As taxas de crescimento de 2016 e 2017 serão sensivelmente negativas como a de 2014, que foi negativa em 3,8%. É provável que, no início da nova administração do governo federal pós-eleições de 2018, tenhamos um biênio de baixo crescimento por causa das defasagens intertemporais das eventuais reformas econômicas e político-institucionais que deverão ocorrer. Essas defasagens correspondem ao tempo econômico e ao tempo político-administrativo necessários para que expectativas, aspirações e correções de distorções passadas possam vingar.

Usualmente, os economistas têm se equivocado nos resultados de seus cenários sobre o futuro da economia. Entretanto, esses equívocos se atenuam quando o julgamento informado pela experiência profissional gera resultados previsíveis, mesmo que não sejam facilmente antecipados ou calculáveis. Principalmente quando se observa a incapacidade política dos governantes em realizar uma gestão eficaz dos conflitos de interesses entre grupos e classes sociais numa economia que se derrete em um processo recessivo que corre o risco de caminhar para uma profunda depressão até 2018, causada por preconceitos ideológicos, incompetência técnica ou má fé política de quem a conduz.

O DECLÍNIO DO HOMEM PÚBLICO




José Antônio Bicalho




Para jogar um pouco de luz nesses tempos de trevas, um grande amigo me recomendou a leitura de “O declínio do homem público”, do inglês Richard Sennett, texto clássico das ciências sociais escrito na década de 70 e editado no Brasil pela Companhia das Letras, que discute a questão do público e do privado na esfera política.

O livro passou alguns anos esgotado e raro nos sebos, mas no ano passado foi reeditado pela Record. Pesquisa no site Estante Virtual, que interliga livrarias e sebos de todo o país, oferece o livro novo ao preço de R$ 50 e usados em torno de R$ 35. Segundo meu amigo, Sennett condena a confusão que atualmente se faz entre a vida pública e privada na qual assuntos pessoais são levados a público.

A recomendação da leitura se deu em conversa sobre a divulgação das gravações dos diálogos entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula. Diálogos que nada acrescentam às investigações da operação ‘Lava Jato’, que são de foro privado e que, por lei, deveriam ter sido destruídas. A motivação por trás da divulgação das gravações é nitidamente política, de instigar o Supremo Tribunal Federal contra Lula.

Criticada de “acovardada” por Lula, a reação da corte foi absurda e desmedida. Coube ao mais antigo ministro, Celso de Mello, a resposta a Lula em um discurso curto e duro no qual o magistrado repudiou o que chamou de “insulto” e ressaltou que “a lei é igual para todos, governantes e governados”.

Mello falou como se respondesse a um ataque público. Não foi. A crítica de Lula, quase um desabafo, foi feita em conversa privada, que veio à público por uma ilegalidade cometida pelo juiz Sérgio Moro. Este é um ponto que precisa ser debatido.

Não houve nenhuma censura pública à atitude de Moro, a não ser pelos próprios atingidos, Dilma e Lula, e seus partidários. E a ilegalidade cometida foi recompensada pela suspensão da posse de Lula como ministro da Casa Civil, decretada pelo ministro Gilmar Mendes, e o envio do processo que investiga o ex-presidente novamente aos cuidados de Moro em Curitiba.

Acontece que exceder no privado não é crime e nem merece censura. Quem nunca se excedeu numa conversa entre amigos sobre um assunto polêmico? Quem nunca se excedeu ao defender determinado ponto de vista em debate privado? Todos nós já fizemos isso e temos o direito de fazê-lo. O contrário disso é cerceamento da liberdade individual, do direito de opinião, da liberdade de pensamento. É autoritarismo e estado de exceção.

Reservas
Que fique registrada aqui a minha aposta. Independentemente do resultado do processo de impeachment, as reservas internacionais serão usadas para recuperar a economia. Dilma disse que não usará as reservas para financiar investimentos públicos, mas que poderá usá-las para abater dívida. Acontece que dá no mesmo.

Abater dívida é abrir espaço para novas tomadas de crédito que financiarão os investimentos públicos. Diante da deterioração das contas públicas, não existe outro recurso que não seja o uso das reservas. O país não tem outra poupança. O ajuste fiscal já provou que só faz mergulhar o país em mais recessão e, assim, aumentar o déficit público. Não existe saída se o governo não voltar a investir.
COMENTÁRIO:
Então, o homem público na intimidade é um e perante o público é outro, isto quer dizer que, é melhor eleger um ator que um político propriamente dito para enganar o público com mais fidelidade.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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