segunda-feira, 21 de março de 2016

VAMOS VALORIZAR A VIDA




Manoel Hygino



O médico Miguel Srougi, pós-graduado por Harvard, professor titular na Faculdade de Medicina da USP e presidente do Conselho do Instituto Criança e Vida, há quase dois anos escreveu artigo sobre a saúde no Brasil. Naquela época, a situação do sistema nacional era muito menos grave e preocupante do que agora. Advertia que recorrer o governo às instituições filantrópicas para suprir as carências do poder público é uma ideia enganadora, pois elas enfrentam “situação falimentar, deixam de pagar tributos e porque não recebem do governo federal os valores justos pelo trabalho. Pelo mesmo motivo, serão incapazes de aumentar o atendimento”.

A despeito de todas as dificuldades, porém, o sistema filantrópico não para, sendo bom registrar que, em 2038 (falta pouco, portanto), se comemoram os quinhentos anos de fundação da primeira casa de assistência com esses objetivos, em Olinda. Dava-se sequência à consecução do ideal da rainha de Portugal, Dra. Leonor de Lancastre, que em 1498 criara a primeira Irmandade da Confraria de Nossa Senhora de Misericórdia, em Lisboa.

Jamais as Santas Casas no Brasil arredaram pé de seu nobilíssimo desígnio, vencendo toda sorte de obstáculos. Tanto que o brasileiro Ivo Arzua Pereira (que já foi ministro de Estado), ex-presidente da Confederação Internacional das Misericórdias, registrou – faz anos – que “o pioneirismo e devoção às causas sociais e da saúde da população consolidaram e se expandiram através dos séculos. Assim, as Santas Casas e as entidades congêneres representam mais da metade do número de oferta-leito do SUS no país, e 80% a 90% da assistência social, sendo que – na maioria dos municípios – elas constituem o único bastião desses setores.

Assim, neste período de extrema penúria para essas casas santas, que jamais pertenceram a governos no Brasil, e diante de previsão de mais ingentes problemas pela falta de recursos públicos, e pela situação crítica da economia nacional, assiste-se ao belo espetáculo da exemplar performance das filantrópicas.

É ao que se assiste exatamente agora, quando as atenções se voltam para os embates políticos – jurídicos – policiais na capital federal e em face da iminência de uma epidemia de males causados pelo Aedes egypti. Assim, a Santa Casa de Belo Horizonte, primeiro estabelecimento para atendimento e assistência da capital, o demonstra, ao se tornar o hospital com maior número de transplantes de medula óssea, principalmente nas modalidades mais complexas. Outro dia mesmo, uma paciente mineira recebera medula de doador internacional, trazido o órgão de Berlim.

Dias depois, em 12 de março, 24 horas antes das manifestações de rua em todo o Brasil, a Santa Casa realizou, com sucesso, o seu primeiro transplante hepático, mediante parceria com o Hospital das Clínicas e contando com uma equipe multidisciplinar que reuniu onze médicos, dois hepatologistas e dois radiologistas, evidentemente com suporte dos profissionais do seu Centro Cirúrgico. Enfim, a vida para essas entidades vale mais do que tudo.

domingo, 20 de março de 2016

O CHEFÃO É O LULA



Lula sabia de esquema na Petrobras, diz Delcídio a TV

Estadão Conteúdo 




 Em delação, o senador acusa ex-ministro Alfredo Nascimento de ser mentor de esquema de propina

O senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) afirmou, em entrevista do Jornal Nacional, da TV Globo, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha ciência da corrupção na Petrobras e que acredita que a campanha de Dilma Rousseff recebeu dinheiro desviado da companhia.

"[Lula] Tinha ciência disso, conhecia claramente. Nomeou, junto com as bancadas, os principais diretores da Petrobras", disse.

Delcídio também afirmou que "não tem nenhuma dúvida" de que o esquema de corrupção da Petrobras irrigou as campanhas de 2010 e 2014 da presidente Dilma Rousseff.

"O tempo vai dizer, claramente. Daqui a algumas semanas as pessoas vão ter condições. Até na minha colaboração eu falo isso, e a minha colaboração vai fechar com dados que já foram levantados já em outras colaborações. Eu não tenho dúvida disso", afirmou.

O senador voltou a afirmar que o esquema de corrupção na Petrobras tem origem em outros governos. "Não é de agora que os diretores da Petrobras são indicados politicamente. Em outros governos também foram. Não estou dizendo todos, mas essa prática não é de agora", disse Delcídio, sem citar nomes de outros ex-presidentes.

Delcídio disse também que participou do núcleo que discutia a Lava Jato por ter trânsito nas empresas em que teria havido desvios. "Eu conheço todos os atores, eu fui empregado da Petrobras, eu fui empregado do sistema Eletrobras, eu conheci as principais empresas, os donos de empresa. E eu sabia das coisas", disse, afirmando que tinha como missão, enquanto líder do governo, aprovar os projetos do Executivo.

Revista

Em entrevista à edição da revista Veja deste final de semana, Delcídio disse que Lula comandava o esquema de corrupção da Petrobras e que a presidente Dilma "sabia de tudo". O senador acusou Lula e Dilma de tentar obstruir os trabalhos da Justiça.

Em nota divulgada neste domingo, a Presidência da República rebateu as declarações dadas por Delcídio à Veja e acusou o ex-líder do governo de fazer "ataques mentirosos e sem qualquer base de realidade" contra a presidente Dilma Rousseff
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HORA DO PLANETA



Hora do Planeta pede menos energia de carvão, gás e óleo diesel

Agência Brasil 






O movimento mundial Hora do Planeta, promovido pela organização não governamental WWF, fará manifestações em mais de 100 cidades brasileiras. O ato simbólico de desligar as luzes de monumentos, prédios públicos e residências, por uma hora, será neste sábado (19), às 20h30.

Segundo o superintendente de Relações Externas da WWF Brasil, Henrique Lian, a iniciativa quer chamar a atenção para as mudanças climáticas e a produção de energia elétrica no mundo. “A maioria dos países gera energia elétrica com carvão, gás ou óleo diesel. Nesses países, então, a energia é o principal problema agravante das mudanças do clima”, explicou.

Lian destaca que no Brasil é diferente, porque a matriz energética é de base hidrelétrica. “Energia elétrica não tem sido historicamente a nossa maior fonte de emissão de gases de efeito estufa. Tínhamos o desmatamento como principal fonte de emissão, mas vem caindo muito. Então, para o Brasil, este momento de luzes apagadas é mais simbólico”, ressaltou o superintendente.

O tema deste ano - Faça por você. Faça pelo planeta - convida os participantes a fazerem mais do que apagar as luzes por uma hora. “É um bom momento para apreciar as estrelas, fazer um luau, um jantar romântico a luz de velas; para acampar na sala com seu filho ou participar das bicicletadas nas cidades em onde são organizadas, como São Paulo”.

IMPEACHMENT JÁ



Com base esfacelada, Dilma pode trilhar o mesmo destino de Collor

Janaína Oliveira - Hoje em Dia 




Vinte e quatro anos é o tempo que separa a abertura do processo de impeachment de Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff.

Primeiro presidente eleito pelo voto direto após a redemocratização, Collor foi derrubado por denúncias de corrupção envolvendo PC Farias, tesoureiro de campanha. Já a acusação que recai sobre Dilma, primeira mulher a comandar o país, são as chamadas “pedaladas fiscais”. Apesar da diferença na raiz em cada um dos pedidos de afastamento, os dois casos também guardam semelhanças. E é difícil saber se o desfecho será o mesmo.

Para o cientista político e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Paulo Roberto Figueira Leal, as manobras que resultaram no atraso dos repasses para instituições que financiam despesas do governo como o Bolsa-Família e seguro-desemprego, com o objetivo de cumprir as metas fiscais, não são motivos para o impeachment de Dilma.

“Essa foi a regra do jogo ao longos dos anos e foi até agora. Todos os presidentes anteriores, e mesmo a Dilma no primeiro mandato, fizeram as pedaladas. E o Tribunal de Contas da União nunca havia feito nada a respeito”, diz Leal.

Segundo o professor da UFJF, no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também não há razão para o impedimento. “As empreiteiras envolvidas na Lava Jato que fizeram doações para a chapa da Dilma são as mesmas que doaram para a campanha do principal adversário. O mesmo cofre não pode ter dinheiro bom e dinheiro ruim”, afirma.

Para Leal, nem os grampos de conversas entre Dilma e o ex-presidente Lula, divulgados pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela “Lava Jato”, comprovam qualquer irregularidade. Entretanto, o teor do vazamento ainda será objeto de análise pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot.

Esquema

Na avaliação do professor do curso de Relações Internacionais do Ibmec/MG Oswaldo Dehon, além de envolto em um amplo esquema de corrupção, Collor tinha com as Forças Armadas uma relação de desconfiança, o que não existe no momento. O ex-presidente era de um partido nanico e não tinha habilidade política. E é aí que mora um dos perigos para Dilma, já que a base de sustentação do governo está fragmentada.

“Por isso Dilma recorreu a Lula. Com virtudes que faltam à ela, como eloquência, carisma e habilidade política, o ex-presidente recebeu a missão de reaglutinar a base e estancar o processo de impeachment”, avalia o professor de Ciências Políticas da Universidade Fumec, Eduardo Martins.

A sorte da presidente já foi lançada. A Comissão Especial do Impeachment foi formada com 41 integrantes de partidos aliados – embora não haja garantia de lealdade ao Planalto – e 24 de legendas oposicionistas.




sábado, 19 de março de 2016

Belchior - Aparências (acústico)

APARÊNCIA NADA MAIS...





César Augusto Alves




Na última semana, Elis Regina completaria 71 anos. Tenho para mim que estaria em plena forma, assim como outras de sua geração, cantando por aí e encantando por onde passasse. Elis foi uma joia de seu tempo por diversos motivos. Pela voz, pela postura, pela personalidade forte, pela majestade que era para a música. Emprestou sua voz ao país em um Brasil que lutava mais do que aparentava lutar. Aos 71 anos, no Brasil de hoje, talvez não lutasse, pois lutar com e contra aparências é em vão. E é o que temos assistido.
Nós vivemos tempos imagéticos, onde se luta por algo e não se sabe muito bem pelo que. O país que eu, do alto de meus vinte e poucos anos, enxergo, é um país de imagens, de aparências frívolas. Um país que luta contra a corrupção, mas a tem enraizada como cultura. Um povo que briga por direitos e nunca para que se cumpram os deveres. Passeatas que seguem por um caminho de revolução sem atentar aos riscos da aparência que se protege.
Eu vivo em um país onde a aparência comanda atitudes e eventuais comoções populares. Onde um mesmo povo que vai às ruas por Justiça esbraveja ódio e palavras de ordem contra qualquer coisa que vá contra sua posição social e política. Onde pessoas que nunca acompanharam qualquer trâmite político se deixam levar por toda e qualquer faísca, sem tentar apagá-la. Incendeia-se logo Roma. Onde essa mesma pessoa não pensa duas vezes em passar um sinal vermelho (na metáfora e fora dela) da legalidade básica do dia a dia. Afinal, “isso aí não tem problema fazer errado não, ninguém vai notar”.
Um mesmo povo que dissemina informações falsas sem a menor vontade de checar credibilidade. Um mesmo povo que se ilude a cada novo herói nacional que surge, endeusando-o. Me preocupo. É um povo que está a postos para julgar (e condenar, se preciso for), como fizeram, por exemplo, com Lucélia Santos, que certa vez ousou andar de ônibus. Ou Betty Faria, que também ousou ir à praia de biquíni aos 70 anos, e não de burca. Ou com aquela paulista que foi linchada até a morte (na internet e na carne) por supostamente sequestrar crianças, sendo provada a inocência dela posteriormente – o mesmo aconteceu a um caminhoneiro acusado de pedofilia. Morreu inocente. Povo indignado que destila ódio.
É um povo machucado na alma e na rotina, que se guia pela carência na ilusão de um país perfeito. À sombra do apartidarismo, tenho medo da força que se forma em todo esse movimento que nos assola. É sombrio. O medo vem porque quando a força popular é usada às cegas, quando uma pessoa é hostilizada pela cor da roupa que usa ou quando alguém se preocupa com a cor da roupa que pretende usar para prezar por sua segurança pessoal, é de se temer mesmo. O medo vem porque é quase latente que, sim, temos milhões de motivos para lutar, para ir às ruas, para impor a vontade popular; mas temos mais motivos ainda para desconfiar do que não é aparente. Afinal, o que não se mostra, não existe até dominar a situação.
Eu aguardo pelo dia em que acordarei e saberei ter sido tudo isso um pesadelo. Que as pessoas sabem do que estão falando, não espalham inverdades e não disseminam ódio. Enquanto esse dia não chega, eu vou ouvir Elis, brindando a todo este falso brilhante, ou quem sabe lerei Fauzi Arap, com quem encerro em aspas. “E quanto mais falo sobre a verdade inteira, um abismo maior nos separa. Você não tem um nome, eu tenho. Você é um rosto na multidão e eu sou o centro da atenções. A mentira da aparência do que eu sou e a mentira da aparência do que você é. Porque eu, eu não sou o meu nome”.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...