Manoel Hygino
O médico Miguel Srougi, pós-graduado
por Harvard, professor titular na Faculdade de Medicina da USP e presidente do
Conselho do Instituto Criança e Vida, há quase dois anos escreveu artigo sobre
a saúde no Brasil. Naquela época, a situação do sistema nacional era muito
menos grave e preocupante do que agora. Advertia que recorrer o governo às
instituições filantrópicas para suprir as carências do poder público é uma
ideia enganadora, pois elas enfrentam “situação falimentar, deixam de pagar
tributos e porque não recebem do governo federal os valores justos pelo trabalho.
Pelo mesmo motivo, serão incapazes de aumentar o atendimento”.
A despeito de todas as dificuldades, porém, o sistema filantrópico não para, sendo bom registrar que, em 2038 (falta pouco, portanto), se comemoram os quinhentos anos de fundação da primeira casa de assistência com esses objetivos, em Olinda. Dava-se sequência à consecução do ideal da rainha de Portugal, Dra. Leonor de Lancastre, que em 1498 criara a primeira Irmandade da Confraria de Nossa Senhora de Misericórdia, em Lisboa.
Jamais as Santas Casas no Brasil arredaram pé de seu nobilíssimo desígnio, vencendo toda sorte de obstáculos. Tanto que o brasileiro Ivo Arzua Pereira (que já foi ministro de Estado), ex-presidente da Confederação Internacional das Misericórdias, registrou – faz anos – que “o pioneirismo e devoção às causas sociais e da saúde da população consolidaram e se expandiram através dos séculos. Assim, as Santas Casas e as entidades congêneres representam mais da metade do número de oferta-leito do SUS no país, e 80% a 90% da assistência social, sendo que – na maioria dos municípios – elas constituem o único bastião desses setores.
Assim, neste período de extrema penúria para essas casas santas, que jamais pertenceram a governos no Brasil, e diante de previsão de mais ingentes problemas pela falta de recursos públicos, e pela situação crítica da economia nacional, assiste-se ao belo espetáculo da exemplar performance das filantrópicas.
É ao que se assiste exatamente agora, quando as atenções se voltam para os embates políticos – jurídicos – policiais na capital federal e em face da iminência de uma epidemia de males causados pelo Aedes egypti. Assim, a Santa Casa de Belo Horizonte, primeiro estabelecimento para atendimento e assistência da capital, o demonstra, ao se tornar o hospital com maior número de transplantes de medula óssea, principalmente nas modalidades mais complexas. Outro dia mesmo, uma paciente mineira recebera medula de doador internacional, trazido o órgão de Berlim.
Dias depois, em 12 de março, 24 horas antes das manifestações de rua em todo o Brasil, a Santa Casa realizou, com sucesso, o seu primeiro transplante hepático, mediante parceria com o Hospital das Clínicas e contando com uma equipe multidisciplinar que reuniu onze médicos, dois hepatologistas e dois radiologistas, evidentemente com suporte dos profissionais do seu Centro Cirúrgico. Enfim, a vida para essas entidades vale mais do que tudo.
A despeito de todas as dificuldades, porém, o sistema filantrópico não para, sendo bom registrar que, em 2038 (falta pouco, portanto), se comemoram os quinhentos anos de fundação da primeira casa de assistência com esses objetivos, em Olinda. Dava-se sequência à consecução do ideal da rainha de Portugal, Dra. Leonor de Lancastre, que em 1498 criara a primeira Irmandade da Confraria de Nossa Senhora de Misericórdia, em Lisboa.
Jamais as Santas Casas no Brasil arredaram pé de seu nobilíssimo desígnio, vencendo toda sorte de obstáculos. Tanto que o brasileiro Ivo Arzua Pereira (que já foi ministro de Estado), ex-presidente da Confederação Internacional das Misericórdias, registrou – faz anos – que “o pioneirismo e devoção às causas sociais e da saúde da população consolidaram e se expandiram através dos séculos. Assim, as Santas Casas e as entidades congêneres representam mais da metade do número de oferta-leito do SUS no país, e 80% a 90% da assistência social, sendo que – na maioria dos municípios – elas constituem o único bastião desses setores.
Assim, neste período de extrema penúria para essas casas santas, que jamais pertenceram a governos no Brasil, e diante de previsão de mais ingentes problemas pela falta de recursos públicos, e pela situação crítica da economia nacional, assiste-se ao belo espetáculo da exemplar performance das filantrópicas.
É ao que se assiste exatamente agora, quando as atenções se voltam para os embates políticos – jurídicos – policiais na capital federal e em face da iminência de uma epidemia de males causados pelo Aedes egypti. Assim, a Santa Casa de Belo Horizonte, primeiro estabelecimento para atendimento e assistência da capital, o demonstra, ao se tornar o hospital com maior número de transplantes de medula óssea, principalmente nas modalidades mais complexas. Outro dia mesmo, uma paciente mineira recebera medula de doador internacional, trazido o órgão de Berlim.
Dias depois, em 12 de março, 24 horas antes das manifestações de rua em todo o Brasil, a Santa Casa realizou, com sucesso, o seu primeiro transplante hepático, mediante parceria com o Hospital das Clínicas e contando com uma equipe multidisciplinar que reuniu onze médicos, dois hepatologistas e dois radiologistas, evidentemente com suporte dos profissionais do seu Centro Cirúrgico. Enfim, a vida para essas entidades vale mais do que tudo.




