sexta-feira, 31 de julho de 2015

EMPREITEIRAS



Máquina de corrupção
Janio de Freitas  


Nem tanto pela prisão de alguém eminente como o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, posto sob suspeita de corrupção como presidente da Eletronuclear, mas pela abertura de nova frente de investigações, a Lava Jato dá um passo para a demonstração de que a máquina corruptora movida pelas empreiteiras não tem limites.
Hidrelétricas, estradas, pontes, infraestrutura de comunicações, metrôs, edificações –onde quer que as grandes empreiteiras estiveram ou estejam, é área minada por corrupção. Seja no nível federal, seja no estadual e no municipal. Licitações e contratos corretos por certo houve e há, mas como fatos fora do sistema. Assim é pelo menos desde a abertura da Transamazônica no período do general Médici –ocasião em que foram estabelecidas as fórmulas, hoje uma norma, de compartilhamento da obra e de entendimento entre as empreiteiras para divisão das oportunidades.
Faço eco do já escrito aqui muitas vezes: atacar a corrupção manobrada pelas grandes empreiteiras, para obras públicas e para seus negócios de concessões e privatizações, seria mudar toda a prática política no Brasil. A voracidade de parlamentares e partidos que oprime governos, para entrega de ministérios, secretarias e empresas a políticos e a indicados seus, origina-se nas grandes empreiteiras e seus interesses tentaculares, lançados sobre a administração pública.
Não há um só propósito legítimo para que partidos e seus políticos rebaixem-se até a condição de chantagistas para obter diretorias em estatais, autarquias e ministérios. Manietar as empreiteiras e, portanto, fechar aqueles guichês de corrupção seria, além do mais, dar a tais seções do serviço público a possibilidade de se tornarem mais eficientes. E a custos menores. Um Brasil que o Brasil não conhece.
Petrobras, Eletronuclear –vamos em frente?

LÂMPADAS



  
O Fim das lâmpadas incandescentes



Desde 1º de julho, a lâmpada incandescente de 60 watts não pode mais ser comercializada no Brasil. As de 100 W e 150 W já estavam proibidas e, até junho de 2017, as de demais potências também serão atingidas pela medida.

A baixa eficiência é o principal motivo dessa proibição. De 5% a 10% da energia gasta para o funcionamento da lâmpada incandescente é transformada em luz, o restante é desperdiçado em calor. Já a durabilidade não ultrapassa as 2 mil horas. Ou seja, vilã do bolso e do meio ambiente.

Uma das alternativas disponíveis no mercado é a eficiente lâmpada de LED, que possui diversas vantagens sobre as comuns. Para se ter uma ideia, uma LED de 10 W ilumina o equivalente a uma incandescente de 60 W e pode permanecer acesa por mais de 25 mil horas. É produzida com materiais recicláveis e não esquenta, e seu bulbo é feito de plástico. Por tudo isso, é mais econômica, ecológica e segura.

Confira no quadro abaixo a comparação entre os dois tipos de iluminação utilizando 6 lâmpadas por 3 horas por dia, durante 30 dias.
De acordo com a simulação, o uso das lâmpadas incandescentes apresentaria um gasto anual de 388,8 kWh e as de LED, 64,8 kWh, ou seja, uma diferença de 324 kWh.

Evite o Desperdício de Energia

O consumo de energia depende de duas grandezas: potência dos equipamentos e o tempo de utilização dos mesmos.
Então, em sua residência, você só possui 2 caminhos para evitar o desperdício de energia: ao adquirir um eletrodoméstico tente identificar entre os similares os que possuem menores potências e preste bastante atenção no tempo de funcionamento destes, pois em muitas das vezes os equipamentos permanecem ligados desnecessariamente.
1) - Exemplos de escolhas  de equipamentos de menores potências ou os chamados “eficientes”.
1 - Se você possui uma lâmpada incandescente de 60 Watts de potência, quando esta queimar substitua por uma fluorescente compacta de 15 Watts (economia de 75% nesta substituição).
2 - Na compra de geladeiras verifique sua necessidade, ou seja, a capacidade da mesma em litros e então escolha as que possuírem a Etiqueta do Procel e esteja enquadrada no Modelo A ou B da escala, este procedimento deve ser adotado para todos os equipamentos etiquetados pela Inmetro e Procel.
3 - Ao adquirir secadoras de roupas ou de cabelo, máquinas de lavar roupa ou louças, chuveiros, ferro elétrico, TV e demais eletrodoméstico sempre pergunte pela potência e procure saber a potência que o concorrente está fabricando.
É importante ter em mente que, geralmente, o valor gasto com o consumo de energia é inúmeras vezes superior ao preço de compra de um equipamento elétrico. A exemplo da compra de um veículo, onde o consumo de combustível é levado em consideração, o mesmo comportamento deve ser adotado na compra de qualquer equipamento elétrico.
2) – Exemplos de atenção com o tempo de funcionamento dos Eletrodomésticos.
1 – Uma geladeira trabalha para retirar o calor dos produtos acondicionados em seu interior e o ar quente. Este entra pela borracha de vedação em mau estado ou quando a mesma é aberta. Então evite colocar produtos quentes, deixar a porta aberta por muito tempo e faça a vistoria da borracha de vedação através do teste da folha de papel.
Outra questão a ser observada é a realização do degelo: se ela não faz automaticamente, este deverá ser realizado sempre que a camada de gelo atingir 1 cm.
Como podemos ver, o tempo de funcionamento da geladeira depende do número de vezes e o tempo que a porta é aberta, do estado de conservação da borracha de vedação, da freqüência do degelo, da quantidade e da temperatura dos produtor acondicionados.
2 – Sempre que for utilizar um eletrodoméstico como o ferro de passar, lavadoras, secadoras, procure fazê-lo na quantidade indicada pelo fabricante e dentro do bom senso. Ligar o ferro para passar uma peça de roupa ou lavar poucas peças de roupa apenas em caso de urgência.
3 – A função stand-by foi desenvolvida para proporcionar conforto, mas temos que ter conhecimento que consome energia e dependendo da quantidade de equipamentos utilizando este recurso diariamente, ocorrerá um consumo mensal elevado devido a este conforto. O uso correto da energia não implica em redução do conforto, mas cabe um alerta.
4 – Geralmente existe a dúvida que ao ligar e desligar um equipamento como lâmpadas, computadores, Tv e outros, podemos diminuir sua vida útil. Estes equipamentos são projetados para suportar uma elevada situação de liga-desliga então a recomendação é que desligue se não for utilizá-los por alguns minutos porque geralmente estes minutos são transformados em horas e vem a desculpa mais usada no desperdício: ESQUECI.
5 – Como foi dito e deve ser reforçado, o uso consciente de energia não deve diminuir o conforto, mas equipamentos de elevadas potências, como o chuveiro, secador de cabelo e outros com potência acima de 1.000 watts deverão receber uma atenção especial. O tempo de utilização pode não ser muito elevado, mas como possuem grandes potências, pode-se apurar consumo elevado.
Enfim, fique atento a estes dois procedimentos e o seu desperdício será reduzido.


quinta-feira, 30 de julho de 2015

QUANDO O BRASIL SERÁ UM PAÍS EVOLUIDO



Em ruínas, cidade construída por Henry Ford na Amazônia aguarda tombamento como patrimônio histórico brasileiro
Vitor Nuzzi | Revista do Brasil | Fordlândia (PA) –

Fordlândia foi erguida no fim dos anos 1920 pelo magnata norte-americano, interessado nas seringueiras da floresta amazônica, e não vingou também por desprezo à cultura e à realidade locais, diz superintendente do Iphan




                                             Vista aérea de Fordlândia em 1933

Em 2015 completam-se sete décadas da ruína de um pedaço de império no meio da floresta amazônica. Era uma área extensa, de aproximadamente 15 mil quilômetros quadrados no sudoeste do Pará, na região de Santarém, a 800 quilômetros de Belém. Foi onde se construiu a Fordlândia, referência ao empresário norte-americano Henry Ford, que planejava estabelecer ali sua base de fornecimento de borracha. A aventura começou em 1927 e terminou em 1945, sem sucesso. A área hoje está em ruínas. No início deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou rapidez ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) no processo de tombamento, mas ambos concordam que isso não será suficiente para recuperar e preservar o local.
Na primeira década do século passado, Henry Ford causou sensação com seu modelo T, pioneiro na fabricação em série. O modelo de produção inovador para a época foi batizado de fordismo. Surgia a linha de montagem. Para os pneus dos automóveis, ele precisava de borracha – e aí surge o projeto da Fordlândia.
O ciclo da borracha no Brasil já estava superado. No início do século 20, quem produzia eram colônias inglesas do Sudeste Asiático. O empresário viu na Amazônia oportunidade de investimento e de fornecimento contínuo e mais barato para seus produtos, fugindo do monopólio britânico. Adquiriu o terreno e, em pouco tempo, criou não apenas uma fábrica, mas uma típica cidade dos Estados Unidos em plena Amazônia, no fim dos anos 1920. Uma little town (cidadezinha) à beira do Rio Tapajós, que chegou a ter mais de 3 mil trabalhadores.
A produção da borracha, no entanto, nunca se firmou. As pragas atacaram as seringueiras e as plantações ainda foram transferidas – outra cidade foi erguida, em Belterra, que faz parte do processo de tombamento em análise pelo Iphan. Mas a indústria também já havia descoberto a borracha sintética. O projeto brasileiro perdia sentido.


[Escola da Vila Americana em 1933. Imagem: Benson Ford Research Center]

A empresa teve ainda problemas com seus funcionários brasileiros, ao tentar impor uma cultura norte-americana que não se limitava ao modelo de produção e incluía novos hábitos de comportamento e alimentares. Em 1930, por exemplo, houve uma rebelião de trabalhadores, que se batizou de Revolta das Panelas, descrita em detalhes pelo historiador norte-americano Greg Grandin, no livro “Fordlândia – Ascensão e Queda da Cidade Esquecida de Henry Ford na Selva”, lançado no Brasil cinco anos atrás.
Segundo a superintendente do Iphan no Pará, Maria Dorotéa de Lima, o processo de tombamento encontra-se “em vias de finalização”, com algumas pendências. Mas os problemas são muitos, acrescenta. “Na prática, quem responde pela gestão local é a prefeitura de Aveiro, pois Fordlândia é um distrito municipal. Porém, trata-se de área da União, o que dificulta a atuação do município no que se refere à fiscalização”, diz Dorotéa, que conta ter experimentado “sensações contraditórias de fascínio e desolação” ao visitar o local. “O desafio está em superar o isolamento e encontrar soluções que associem preservação, sustentabilidade e gestão.”
“Só o tombamento não vai resolver, se não houver outros canais de proteção”, afirma a procuradora Janaína Andrade, do MPF paraense, que vê necessidade de políticas públicas para cuidar efetivamente da área. “A situação é difícil. Com o passar do tempo, as intempéries vêm, e são perdas que não serão recompostas. E não é só esse patrimônio. Assim como na Fordlândia, infelizmente o patrimônio cultural não tem valor. O próprio Iphan não tem estrutura”, lamenta Janaína.
       Galpão de antiga fábrica de borracha em Fordlândia, hoje em ruínas
No começo de junho, a procuradora esteve em contato com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), que atua junto com o Iphan no caso. Foi feito um pedido de seis meses para conclusão do inventário. Apesar do prazo elevado, o Ministério Público tende a aceitar, até por uma questão prática: uma possível ação civil pública não teria efeito nenhum, porque não haveria como cumpri-la.
Para Janaína, é preciso tentar despertar a consciência da população. “A sociedade não valoriza o patrimônio que tem lá”, afirma. Uma ideia em estudo, que está sendo discutida com professores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), é levar um curso de extensão (de Arqueologia) de Santarém para Aveiro, cidade onde fica a Fordlândia, com população estimada em 16 mil pessoas, segundo o IBGE.


[Escritório utilizado pelos dirigentes de Fordlândia, hoje abandonado.   

                        A Fordlândia deixou de existir, definitivamente, em 1945. O governo brasileiro indenizou a empresa e ficou com a infraestrutura, que aos poucos se perdeu. O local chegou a receber instalações federais e fazendas, com casas habitadas por servidores do Ministério da Agricultura. Mas a área foi abandonada aos poucos e os prédios se deterioraram ou foram alvo de vandalismo. Ainda há moradores na região. Alguns ocuparam casas remanescentes da chamada Vila Americana.
Recentemente, o repórter Daniel Camargos, do jornal Estado de Minas, visitou o local. Sua descrição a respeito do hospital que funcionava ali ajuda a dar uma ideia do que aconteceu com o passar do tempo: “O projeto do hospital foi elaborado pelo arquiteto Albert Khan, o mesmo que projetou as fábricas da Ford em Highland e River Rouge, nos Estados Unidos. A capacidade era de 100 leitos e foi um dos mais modernos do país, sendo o primeiro a realizar um transplante de pele. Hoje, é só mato e ruínas. No local abandonado, somente o zumbido de mosquito interrompe o silêncio”.




[Escritório utilizado pelos dirigentes de Fordlândia, hoje abandonado.
 
Dorotéa considera que a experiência pioneira, no sentido de implementação de um grande projeto internacional na Amazônia, não deve ser desprezada, mas faz ressalvas. “Os muitos estudos e trabalhos a respeito revelam que o desprezo do componente cultural e da realidade local muito contribuiu para os desacertos”, analisa a superintendente do Iphan. “Muitos projetos vieram depois e, apesar de outro entendimento da região e do componente local, pode-se dizer que continuamos a ser meros fornecedores de matéria-prima, inclusive no caso da energia. Muitas vezes o que fica na região é apenas o lado perverso desses investimentos: desmatamento, poluição, aumento da população nas periferias dos projetos em áreas de ocupação irregular, inchando as cidades que, em geral, não têm as condições devidas para atendê-las.”
Henry Ford morreu em 1947, sem conhecer sua cidade amazônica.
Matéria original publicada na Revista do Brasil.

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