Não confia
Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Militares em ensaio da cerimônia de posse do presidente eleito
Lula: esquema de segurança será o maior já feito pela polícia do
Distrito Federal.| Foto: André Borges/EFE
Ontem o presidente Lula anunciou que vai tirar da “guarnição”, digamos assim, o Palácio Alvorada, que é a residência oficial do presidente da República, e a residência do Torto, que é uma residência de fim de semana da Presidência da República. Saem 43 militares: Exército, Marinha, Aeronáutica e PMs, Lula diz que não confia mais. E ao mesmo tempo, a gente nota que não há ajudantes de ordens como existiu no mínimo desde 1964, oficiais do Exército, Marinha e Aeronáutica no gabinete do presidente da República como ajudantes de ordens, no posto de capitão em geral e major; agora fui até um tenente coronel, no último governo. Então não vai ter mais.
E nesse ambiente de desconfiança de Lula em relação aos militares, houve um almoço no Ministério da Defesa, o Anfitrião foi o ministro Zé Múcio, que convidou o ministro-chefe do Gabinete Civil, Rui Costa, e os quatro chefes militares: comandante do Exército, Marinha, Aeronáutica e o secretário-geral do Estado, todos oficiais generais de quatro estrelas, das três forças.
Almoço para remover atritos
Foi uma preliminar para o que estão
planejando, um almoço entre o presidente Lula e os comandantes militares
e o ministro da Defesa, talvez alguns ministros civis. Uma tentativa de
remover os atritos, aliás, boa parte deles criados pelo próprio
presidente com declarações que fez segunda-feira, por exemplo,
desnecessárias, a respeito dos militares, naquele café da manhã com 39
jornalistas.
Ele disse que os militares acham que são poder moderador e não são nada disso, dizendo que não confia nos militares e essas coisas assim. Disse que sabe que houve militares envolvidos nos acontecimentos do dia 8 de janeiro, então melhor para todos essa pacificação. Não conheço ainda a data marcada desse almoço, mas com certeza haverá.
Indulto suspenso
Enquanto isso, a ministra Rosa Weber suspendeu o
indulto dado pelo presidente da República no Natal, através de um
decreto, que é privativo do presidente da República, diz a Constituição.
Ele pode dar indulto pra quem ele quiser. Deu indulto para os policiais
que estavam sendo acusados por 111 mortes na rebelião do Carandiru em
1992. Aliás, se passaram 30 anos, se fosse agora nem processo crime
poderia haver. São 74 policiais, parece que cinco já morreram. Foi numa
liminar, ela está de plantão, numa liminar pedida pela Procuradoria
Geral da República. É um ato já desfazendo coisas do governo passado.
Brasil fora do Acordo de Genebra
Outra questão que foi desfeita
pelo Ministério de Relações Exteriores, é um acordo assinado em Genebra
entre Brasil, Estados Unidos Hungria, Indonésia, Egito, Uganda sobre
aborto, para não popularizar o aborto como se fosse meio
anticoncepcional, pensando na vida, no bebê, no feto.
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E ao mesmo tempo, a ministra da Saúde já desfez uma portaria que
obriga, no caso de aborto sob a alegação de estupro, que é legal, avisar
a polícia. Porque se a pessoa simplesmente alega que foi estuprada e
quer abortar, não é bem assim, tem que fazer o boletim de ocorrência,
mostrar as evidências. Inclusive porque estupro é um crime e a polícia
precisa investigar, mas foi cancelada essa portaria. Mais um ato que
desfaz atos do governo anterior.
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