Preocupação com demanda por
combustível retorna após novos surtos de Covid-19 e lockdowns
Por Ahmad Ghaddar e Stephanie Kelly e Laura Sanicola
© Reuters/Jianan Yu .
Por Ahmad Ghaddar e
Stephanie Kelly e Laura Sanicola
LONDRES/NOVA YORK (Reuters) - Uma nova disparada no número de casos de
coronavírus está desacelerando a recuperação no consumo de combustíveis em meio
às medidas de "lockdown" aplicadas nos Estados Unidos e em outros
países, o que aumenta as preocupações de que uma retomada no consumo após o
impacto da pandemia poderá levar anos.
A demanda global por combustíveis recuou em 25% no auge dos
"lockdowns", quando mais de 4 bilhões de pessoas em todo o mundo
tiveram de se isolar em suas casas. O declínio sem precedentes na demanda
forçou produtores a promover cortes recordes de bombeamento e estocar centenas
de milhões de barris de petróleo.
O consumo de combustíveis recuperou parte do terreno perdido à medida
que governos flexibilizaram as restrições de circulação e os cortes de produção
colocaram um freio no excesso de demanda.
No entanto, essa recuperação tem estagnado, conforme o número de
infecções volta a disparar nos EUA, maior consumidor global de combustíveis, e
mantém a tendência de alta em outras grandes economias, como Brasil e Índia.
Na semana terminada em 11 de julho, a demanda por gasolina no varejo
norte-americano cedeu 5% em relação à semana anterior, segundo a GasBuddy,
empresa que monitora as compras de gasolina em tempo real, depois que diversos
Estados voltaram a impor restrições para controlar surtos de Covid-19.
Uma semana antes, a demanda também havia recuado -- com isso, houve
quedas por duas semanas seguidas pela primeira vez desde março, quando os
"lockdowns" começaram.
"Normalmente, esse período de duas semanas teria sido o pico de
demanda, e não conseguimos atingi", disse John Kilduff, sócio da Again
Capital em Nova York.
No mundo, a demanda por gasolina avançou em quase 3 milhões de barris
por dia (bpd) em junho ante maio, maior crescimento mensal da história, de
acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA,na sigla em inglês).
Mas os mercados estão preocupados com a possibilidade de que alguns
países sejam atingidos por uma disparada de casos, assim como os EUA, em novas
ondas da pandemia.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) acredita que
uma segunda onda de casos pode fazer com que a demanda caia em 11 milhões de
bpd neste ano, segundo um estudo interno da Opep visto pela Reuters. As
expectativas atuais são de uma queda de 9 milhões de bpd na comparação anual.
"Se a segunda onda se materializar, a demanda global por petróleo
vai se recuperar de forma muito mais lenta em 2021, arrastando os efeitos da
pandemia sobre o mercado por ainda mais tempo", disseram analistas da
Rystad Energy.
(Reportagem de Ahmad Ghaddar e Bozorgmehr Sharafedin em Londres,
Stephanie Kelly, Laura Sanicola e Jessica Resnick-Ault em Nova York e Sonali
Paul em Melbourne)

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