Aumento da remuneração de
militares cria atrito com equipe econômica
Correio Braziliense
© Isac Nóbrega/PR A filha de
Braga Netto teve o nome aprovado pela pasta dirigida pelo próprio pai
O aumento da remuneração dos militares por
meio da criação de cargos exclusivos para a categoria chamou a atenção da área
econômica, que questionou os militares sobre as mudanças. Em documento, o
Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Augusto
Heleno, responde a várias perguntas sobre esse ponto, feitas pelo Departamento
de Modelos Organizacionais do Ministério da Economia.
“Verifica-se aumento significativo quanto aos valores de remuneração.
Tendo em vista que a inflação acumulada nos últimos dez anos foi de 61,81%,
seria possível informar se foi utilizado algum índice de reajuste de valores?
Haveria memória de cálculo?” questiona a área econômica. A pasta observou, a
partir de detalhes técnicos da remuneração, que os valores propostos,
principalmente para os Cargos Comissionados Militares (privativo a oficiais),
“correspondem a até 88% dos valores de soldos atuais de militares”.
Na resposta, o GSI não apresentou cálculos, mas defendeu a necessidade
de “corrigir distorções” entre os valores pagos a ocupantes de cargos civis e
as remunerações a militares. “A diferença entre os valores é, em média, de 600%
a mais, no caso dos servidores civis”, afirmou o órgão em nota técnica.
O GSI admite que os valores propostos “não dizem respeito a qualquer
índice de reajuste ou recomposição das perdas inflacionárias”, mas reforça que
o objetivo é “corrigir a enorme disparidade entre as remunerações das
tipologias existentes na Presidência da República, Vice-Presidência da
República e no Ministério da Defesa”.
Cargo na ANS
A Casa Civil, comandada pelo general Walter Braga Netto, deu autorização
para a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) contratar a filha do
ministro, Isabela Braga Netto, para uma vaga de gerente da agência, com salário
de R$ 13.074 por mês. O cargo é de livre nomeação e não é preciso fazer
concurso público para ocupá-lo.
Com sede no Rio, a ANS regula o mercado de planos de saúde. A vaga
disputada por Isabela é para comandar a Gerência de Análise Setorial e
Contratualização com Prestadores. O posto trata da relação entre ANS, planos de
saúde e prestadores de serviços, como hospitais. A filha do ministro é formada
em Comunicação Social. O nome de Isabela foi analisado pela Casa Civil,
chefiada por seu pai, porque nomeações para cargos comissionados do alto
escalão exigem aval da pasta.
Segundo funcionários da ANS, a indicação de Isabela causou mal-estar na
equipe, pois o cargo é considerado técnico e vem sendo exercido por um
especialista em regulação. Além disso, o diretor que vai decidir sobre a
contratação da filha do ministro encerra deu mandato em setembro.

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