Banco Mundial quer bancos privados com G-20 em alívio da dívida
Eric Martin
(Bloomberg) -- O presidente do Banco Mundial, David
Malpass, espera que bancos privados elaborem uma metodologia para se unirem ao
G-20 no alívio da dívida das economias mais pobres do mundo e ajudá-las no
combate à pandemia de coronavírus.
Em abril, o G-20 concordou com uma suspensão temporária do
pagamento da dívida para mais de 70 nações pobres. Algumas instituições
privadas têm relutado em adotar a medida, citando preocupações com
rebaixamentos das notas de crédito e obrigações fiduciárias. O Instituto de
Finanças Internacionais estima que os países mais pobres do mundo tenham cerca
de US$ 140 bilhões em obrigações de serviço da dívida do governo geral que
vencem até o fim do ano.
“A visão da comunidade internacional era muito
clara no comunicado e nas discussões do G-20, de que bancos do setor privado
devem elaborar uma metodologia para fornecer tratamento comparável ao que está
sendo feito por instituições bilaterais oficiais”, disse Malpass em entrevista
por telefone na segunda-feira. “Acho que serão capazes de fazer isso e precisam
avançar.”
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Bloomberg Annual Meetings Of The International Monetary Fund And World Bank
David Malpass
Na sexta-feira, o Banco Mundial divulgou estimativas segundo as
quais países devedores podem economizar US$ 12 bilhões durante a suspensão
temporária do pagamento de dívidas a credores públicos. Esses são os recursos
que o banco e o Fundo Monetário Internacional dizem que poderiam ser mais bem
utilizados para ajudar a lidar com a emergência de saúde pública e a crise
econômica, em vez de priorizar pagamentos a países ricos.
‘Grau de
compromisso’
Angola, que enfrenta a queda dos preços do petróleo
e impacto do vírus, deve ser a maior beneficiária do
plano. O país da África Austral poderia economizar US$ 3,4 bilhões, ou cerca de
28% do total global, de acordo com estimativas do Banco Mundial. A China
concordou em conceder moratória de três anos ao país para pagamentos de juros e
parcelas da dívida de US$ 21,7 bilhões, informou o jornal Expansão, de Luanda,
na segunda-feira.
Quase 60% da dívida que os países mais pobres do
mundo precisam pagar este ano é devida para a China, segundo dados do Banco
Mundial. Na semana passada, o presidente chinês Xi Jinping prometeu renunciar à
dívida de algumas nações africanas e disse que a China está disposta a fornecer
mais apoio, como extensões de vencimento de empréstimos para liberar fundos.
“Estou encorajado pelo grau de compromisso da
China”, disse Malpass. A medida “traz benefícios para a China a longo prazo,
pois terá relacionamentos com países que melhoraram após a pandemia de Covid“,
acrescentou.
Malpass não concorda com a proposta de alguns, como
a ONG Oxfam e parlamentares de
duas dúzias de países liderados pelo senador de Vermont Bernie Sanders, para
que o próprio Banco Mundial ofereça alívio da dívida. Malpass disse que isso
poderia prejudicar a nota de crédito da instituição. Segundo ele, o Banco
Mundial depende dos pagamentos dos atuais tomadores de empréstimos para poder
oferecer novos financiamentos.
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©2020 Bloomberg L.P.

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