Após a saída de Teich,
militares ampliam presença no Ministério da Saúde
Bruna Lima
© Erasmo Salomão/MS Eduardo Pazuello:
general escalado para assumir interinamente o ministério nomeou companheiros de
farda para funções estratégicas Após a saída do oncologista Nelson Teich
da liderança do Ministério da Saúde, o número de militares na
linha de frente da pasta mais que duplicou. Somente ontem, nove nomeações foram
publicadas no Diário Oficial da União, todos de colegas de farda do general
Eduardo Pazuello, que comanda os trabalhos como ministro interino. A formação
de um verdadeiro exército dentro da principal pasta ministerial do momento tem
dividido opiniões entre a equipe.
Enquanto alguns avaliam como um ponto positivo, devido a características
típicas da carreira militar, como disciplina e capacidade de ação rápida e
coordenada frente a uma batalha, outros encaram a movimentação como uma forma
de controle da pasta pelo presidente Jair Bolsonaro, fazendo valer as
interpretações políticas acima das constatações técnicas.
Desde a saída do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, a inserção de
militares na Saúde foi priorizada por Bolsonaro, que nunca escondeu a intenção
de conduzir mais de perto o ministério. O objetivo era “começar a formar um
ministério que siga a orientação do presidente de ver o problema como um todo”,
disse Bolsonaro, no mesmo dia em que demitiu o antecessor de Teich.
Para auxiliar na transição, Bolsonaro escalou o almirante Flávio Rocha,
chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). Logo depois, o presidente
indicou Pazuello para ser o número dois da pasta, função normalmente definida
pelo próprio ministro, por ser um dos principais cargos de confiança.
Todos os novos nomes são de militares de carreira ou lotados para cargos
no Comando do Exército. Como assessores foram escalados Alexandre Magno
Asteggiano e Luiz Otávio Franco Duarte. Na diretoria-executiva do Fundo
Nacional da Saúde, terão função de coordenação André Cabral Botelho, Giovani
Cruz Camarão e Vagner Luiz da Silva Rangel.
Ramon da Silva Oliveira também ocupará um cargo de coordenação, mas como
coordenador geral de Inovação de Processos e de Estruturas Organizacionais.
Marcelo Sampaio Pereira será diretor de programa da Secretaria de Atenção
Especializada à Saúde. Ângelo Martins Denicoli ficará como diretor do
Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS e Mario Luiz Ricette Costa
será assessor técnico da Subsecretaria de Planejamento e Orçamento.
O adjunto de Pazuello também pertence a ala militar. Trata-se do coronel
do Exército Antônio Élcio Franco Filho, nomeado por assinatura do chefe da Casa
Civil, Braga Neto, quando, normalmente, cabe ao chefe da pasta formalizar esse
procedimento. Agora, o coronel está na secretaria-executiva da pasta até que um
novo ministro seja escolhido pelo presidente da República.
Nos bastidores, o isolamento de Teich se acentuou com a nomeação de mais
uma leva de militares, indicados por Pazuello. Na primeira semana de maio,
quatro militares de carreira foram nomeados para cargos de liderança da pasta.
Na direção de Gestão Interfederativa e Participativa foi direcionado o
tenente-coronel Reginaldo Machado Ramos. Marcelo Blanco Duarte é o novo
assessor no Departamento de Logística. Jorge Luiz Kormann é diretor de Programa
e Paulo Guilherme Ribeiro Fernandes, coodenador-geral de Planejamento. Todos
têm como patente a de tenente-coronel.
Antes mesmo de qualquer indício de que o chefe da pasta pediria
demissão, Pazuello já era considerado como “o verdadeiro condutor da pasta” por
autoridades e gestores da saúde, a partir das conduções feitas pelo general
durante as reuniões por vídeoconferência para alinhamento e definições diárias
quanto às medidas de combate ao novo coronavírus. Nos bastidores, a previsão é
de que o ministro interino fique na chefia da pasta durante a semana, momento
em que assinará o protocolo que instrui o uso da cloroquina nos casos leves de
coronavírus.

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