Bolsonaro diz que corre risco de impeachment se vetar fundo eleitoral
Diego Freire
©
Youtube/Reprodução Bolsonaro em live no Facebook, ao lado do secretário da
Pesca, Jorge Seif Jr - 19/12/2019
Após sinalizar nos últimos dias que pretendia vetar o fundo eleitoral de 2 bilhões de reais aprovado
pelo Congresso – que considerou “injusto” -, o presidente Jair Bolsonaro mudou de postura e
afirmou o contrário em live transmitida no Facebook nesta
quinta-feira 19. Ao lado do secretário da Pesca, Jorge Seif Jr, e do
presidente da Embratur, Gilson Machado, o presidente declarou que tem
recomendações jurídicas para sancionar o fundo e evitar um risco de impeachment.
“Estou aguardando um parecer da minha assessoria
jurídica, mas o preliminar é que tenho que sancionar [o fundo eleitoral]. Se
quiserem que eu corra risco de impeachment, tudo bem, a gente corre risco e
veta…”, comentou Bolsonaro.
O presidente considera que o veto pode ser
implicado como “crime de responsabilidade”, ferindo “direitos políticos e
individuais”.
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“Está na lei essa questão do fundo especial de
campanha. Tá na lei também o seu valor, não tem valor fixo, mas diz que não
pode ser inferior ao de dois anos atrás. A gente tem uma Constituição que diz
que são crimes de responsabilidade os atos do presidente da República que
atentem contra a Constituição Federal, em especial contra o exercício de
direitos políticos, individuais e sociais”, explicou Bolsonaro.
“O Congresso pode entender que eu, ao vetar,
atentei contra esses dispositivos constitucionais e instalar um processo de
impeachment contra mim”, completou o presidente.
Ao justificar a agora provável sanção, no entanto,
Bolsonaro votou a se dizer contra o fundo.
“O pessoal fica o tempo todo pedindo para eu vetar.
A minha opinião é que não tem que ter dinheiro do fundo para ninguém. Mas se a
gente colocar em situação de igualdade, tem o novo da política e o velho… o
velho vai ter direito do fundo eleitoral e o novo dificilmente vai ter. Então
vai ser muito mais fácil a não renovação”, avaliou.
O presidente se disse “escravo da lei’ e reclamou
das críticas de deputados sobre seu posicionamento em relação ao fundo. Sem
citar os nomes, Bolsonaro comentou sobre “uma gordinha” e “um bobinho” que lhe
atacam.
“Maldosamente tem uma gordinha lá de São Paulo, que
está me criticando, uma gordinha. E tem um deputado. O deputado ou falar o nome
dele porque não é gordinho. Samuel Moreira está me criticando porque eu é que
propus 2 bilhões. Tem também um bobinho me criticando”, declarou.

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