Reino Unido, Espanha e
Alemanha criticam bloqueio de acordo UE-Mercosul
Da Redação
© Christian Hartmann/Reuters
Presidente da França, Emmanuel Macron, primeiro-ministro do Reino Unido, Boris
Johnson, e chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em reunião de cúpula do G7 em
Biarritz, França - 24/08/2019
O Reino Unido e a
Espanha se juntaram à Alemanha neste sábado, 24, ao criticarem a decisão do
presidente da França, Emmanuel Macron, de obstruir o acordo comercial
entre a União Europeia (UE) e o Mercosul para pressionar o Brasil contra os
incêndios florestais na Amazônia.
Em uma declaração surpresa na sexta-feira 23, Macron disse que havia decidido se opor ao
tratado UE-Mercosul e acusou Jair Bolsonaro de mentir quando minimizou as
preocupações com as mudanças climáticas.
Depois de desembarcar no balneário francês de Biarritz, que recebe neste
final de semana a reunião de cúpula de países do G7, o primeiro-ministro
britânico, Boris Johnson,
criticou a decisão, um dia depois que o escritório da chanceler alemã Angela Merkel fez o mesmo em Berlim.
Na sexta-feira, um porta-voz de Merkel disse que não concluir o acordo
comercial com os países Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai do Mercosul “não
é a resposta apropriada para o que está acontecendo no Brasil agora”.
“A não conclusão do acordo do Mercosul não ajudaria a reduzir a
destruição das florestas no Brasil”, acrescentou o porta-voz.
Uma autoridade do escritório de Macron disse que o líder francês mais
tarde explicou sua posição a Merkel. “É algo que o presidente explicou para a
chanceler para que ela entenda a posição que ele assumiu ontem e é algo que ela
entendeu muito bem”, disse.
Neste sábado, a Espanha também se juntou ao Reino Unido e à Alemanha e
criticou as declarações de Macron.
“Para a Espanha, o objetivo de luta contra a mudança climática é um
objetivo prioritário, mas consideramos que é justamente aplicando as cláusulas
ambientais do Acordo [com o Mercosul] que mais se pode avançar, e não propondo
um bloqueio de sua ratificação que isole os países do Mercosul”, informou o
governo espanhol.
“A Espanha liderou o último impulso para a assinatura do Acordo
UE-Mercosul, que vai abrir enormes oportunidades para ambos os blocos
regionais”, declarou uma fonte do governo .
A França está na linha de frente da pressão internacional contra o
Brasil pelo aumento das queimadas na Amazônia. Segundo dados do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as queimadas tiveram um acréscimo de
82% de janeiro a agosto de 2019 ante o mesmo período do ano passado. Esta é a
maior alta no índice em sete anos.
Macron convocou os líderes das sete maiores economias do mundo a
discutirem as políticas ambientais brasileiras na reunião de cúpula do
G7. Sua posição foi apoiada por Merkel, Johnson e pelo primeiro-ministro
do Canadá, Justin Trudeau.
Segundo anunciou ontem Jean-Yves Le Drian, o ministro de Relações
Exteriores francês, os chefes de Estado e Governo das setes maiores economias
do mundo devem se pronunciar sobre uma carta em defesa da biodiversidade para a
promoção de uma ação contra a extinção de espécies e a criação de um marco
mundial.
Neste sábado, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk,
aumentou a pressão sobre o governo de Jair Bolsonaro ao afirmar que é “difícil
imaginar” um acordo entre Mercosul e União Europeia enquanto o Brasil não
controlar as queimadas que avançam na Amazônia.
Ontem, a Finlândia, que atualmente detém a presidência rotativa da União
Europeia, pediu que os países do bloco avaliem a possibilidade de banir a
importação de carne bovina brasileira.

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