Cemig perde
batalha e usinas vão a leilão hoje
Tatiana Moraes
Intenção da Cemig
era retirar pelo menos a usina de Miranda do leilão hoje
Após anos de
discussões e embates jurídicos entre a Companhia Energética de Minas Gerais
(Cemig) e a União, tudo indica que o governo federal levou a melhor. Até o
fechamento desta edição, estava confirmado o leilão das quatro usinas operadas
pela companhia mineira, agendado para as 10h de hoje em São Paulo. De acordo
com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até o começo da noite não
havia informações sobre a concretização de um acordo, que tentou ser costurado
pela estatal com o Ministro de Minas e Energia (MME).
A intenção da Cemig
era tirar, pelo menos, a hidrelétrica de Miranda do certame, garantindo a
exploração do ativo pela estatal. Para isso, a energética utilizaria a
indenização que o MME deve a ela como reembolso dos investimentos realizados em
São Simão e na própria Miranda. O Ministério deve R$ 1,027 bilhão à companhia.
O valor mínimo da outorga para arrematar Miranda é de R$ 1,1 milhão, R$ 73
milhões a mais.
Ontem, uma comitiva
composta por executivos da Cemig participou de reunião com o Supremo Tribunal
Federal (STF). No encontro, estavam presentes o ministro Dias Toffoli e o
presidente da Cemig, Bernardo Alvarenga. A estatal mineira tentava suspender o
leilão.
À tarde, a comitiva
se reuniu com representantes da Advocacia-geral da União (AGU). Nesse encontro,
a Cemig tentava antecipar o pagamento da indenização a ser feita pelo
Ministério de Minas e Energia para garantir a manutenção da operação de
Miranda. Mas tudo indica que isso não ocorreu.
Segundo
especialistas do setor, aliás, os problemas jurídicos acarretados por essa
manobra seriam grandes. A primeira preocupação é com relação ao edital lançado
pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que dita as regras do
certame. Sem Miranda, que representa o lote C, seria necessário redigir novo
texto, a ser publicado no Diário Oficial da União (DOM). Com isso, o leilão
teria que ser adiado.
Caso uma definição
tenha sido tomada no apagar das luzes de ontem e o governo não queira adiar o
leilão, ainda é possível alterar as regras e retirar Miranda do certame por
meio de um Comunicado Relevante, a ser publicado no site da Aneel. O problema é
que a medida poderia causar insegurança jurídica aos interessados na disputa.
Outras usinas
O governo pretende embolsar R$ 11 bilhões com as usinas Miranda, Jaguara, Volta Grande e São Simão, a maior do portfólio da Cemig, previstas para serem leiloadas hoje. Sem caixa, a União afirma que precisa do capital para segurar o déficit fiscal do país, limitado em R$ 159 bilhões para este ano.
O governo pretende embolsar R$ 11 bilhões com as usinas Miranda, Jaguara, Volta Grande e São Simão, a maior do portfólio da Cemig, previstas para serem leiloadas hoje. Sem caixa, a União afirma que precisa do capital para segurar o déficit fiscal do país, limitado em R$ 159 bilhões para este ano.
Com 1,7 mil megawatts
(MW) de potência instalada, São Simão integra o lote A. A outorga mínima para
disputar a usina é de R$ 6,74 bilhões. Para levar Jaguara, com 424 MW, o valor
mínimo da bonificação é de R$ 1,9 bilhão. Para Volta Grande, são necessários R$
1,29 bilhão.
A Cemig não tem
caixa suficiente para entrar no leilão, por isso, tenta empréstimos no mercado.
A energética tem R$ 12,5 bilhões em dívidas com vencimento até 2024 e apenas R$
2 bilhões em caixa. O valor mínimo pedido pelo governo para ficar com as
usinas, R$ 11 bilhões, é, aliás, maior do que o valor de mercado da própria
Cemig, de R$ 10,6 bilhões.
Manifestações contrárias ao leilão estão marcadas para hoje. Em São Paulo, os protestos serão realizados em frente à Bolsa de Valores, onde será realizado o leilão. Em Minas, eles se concentram nas portarias dos prédios da empresa

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