Raquel Dodge
assume a Procuradoria-Geral da República reforçando discurso contra a corrupção
Estadão Conteúdo
Rodrigo Janot, que
deixa o cargo, não compareceu à posse.
Raquel Dodge acaba
de assumir a Procuradoria-Geral da República e a presidência do Conselho
Nacional do Ministério Público. O termo de possse foi assinado por ela e pelo
presidente Michel Temer, em cerimônia da PGR. O ex-procurador-geral, Rodrigo
Janot não participa da cerimônia.
Em seu discurso de
posse, Dodge disse que o Ministério Público tem “o dever de cobrar dos que
gerenciam o gasto público que o façam de modo honesto, eficiente e probo, ao
ponto de restabelecer a confiança das pessoas nas instituições de governança”.
Sobre este assunto,
ela citou uma fala do papa Francisco, na qual o pontífice ensina que “a
corrupção não é um ato, mas uma condição, um estado pessoal e social, no qual a
pessoa se habitua a viver”, disse.
“O corrupto está tão
fechado e satisfeito em alimentar a sua autosuficiência que não se deixa
questionar por nada nem por ninguém. Constituiu uma autoestima que se baseia em
atitudes fraudulentas. Passa a vida buscando os atalhos do oportunismo, ao
preço de sua própria dignidade e da dignidade dos outros. A corrupção faz
perder o pudor que protege a verdade, a bondade e a beleza”,
acrescentou.Segundo Dodge, não têm faltado meios orçamentários nem instrumentos
jurídicos para que o MP cumpra seu papel constitucional. “Estou certa de que o
MP continuará a receber do Poder Executivo e do Congresso Nacional o apoio
indispensável ao aprimoramento das leis e das instituições republicanas e para
o exercício de nossas atribuições”.
Ela destacou que o
MP tem o dever desempenhar bem todas suas funções, uma vez que elas são
necessárias para muitos brasileiros. “A situação continua difícil pois [os
brasileiros] estão expostos à violência e à insegurança pública, recebem
serviços públicos precários, pagam impostos elevados, encontram obstáculos no
acesso à Justiça, sofrem os efeitos da corrupção, têm dificuldade de se
auto-organizar, mas ainda almejam um futuro de prosperidade e paz social”.
A nova
procuradora-geral também indicou que o Ministério Público deve trabalhar para
todos igualmente. "O Ministério Público deve promover justiça e promover
democracia, zelar pelo bem comum e pelo meio ambiente, assegurar voz a quem não
a tem e garantir que ninguém esteja acima e ninguém esteja abaixo da lei",
afirmou.
Membro do Ministério
Público Federal desde 1987, Raquel Dodge é primeira mulher a exercer o cargo de
procuradora-geral da República. Para vice-procurador-geral da República, ela
escolheu o subprocurador-geral da República Luciano Maris Maia. Ela foi
indicada na lista tríplice enviada ao presidente da República após eleição da
Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Raquel Dodge foi a
segunda mais votada, ficando atrás de Nicolao Dino. Em julho, ela foi aprovada
pelo plenário do Senado por 74 votos a 1 e uma abstenção.
Rodrigo Janot, que
deixa o cargo, não compareceu à posse. De acordo com dados referentes ao
segundo período de Janot na Procuradoria, que comandou de 2013 a 2017, na área
criminal, que envolve a Operação Lava Jato, foram feitos 242 pedidos de
abertura de inquérito, 98 pedidos de busca e apreensão, de interceptações
telefônicas e quebras de sigilo bancário e 66 denúncias foram enviadas à
Justiça (inclusive duas contra o presidente Temer).

Nenhum comentário:
Postar um comentário