Pelo menos, esperança
Manoel Hygino
Uma semana em plena
turbulência. Sabotada por numerosos agentes, sobretudo pelos que atuam
insensatamente no campo político e são responsáveis pelos sucessivos
escândalos, que avultam e aviltam a vida nacional, a aeronave balança
estrepitosamente no espaço. Só não se destrói porque forças divinas a mantêm a
despeito de todos e de tudo, diante da vulta da tempestade.
Não é necessário
descrever o quadro, o ambiente em que atores e autores se envolvem em embates e
debates que a nenhum lugar seguro encaminham.
Não há base sólida
suficiente para uma tomada de voo. Um jornalista considerou a reforma política
incompleta e inconclusa, e é apenas um item.
O governo, na
tentativa de representar-se como salvador em tão grave situação, apresentou
ideias múltiplas para solução (?) dos problemas mais asfixiantes. Mas o tempo é
curto para as grandes transformações, indispensáveis, mas que não encontram
respaldo em altos escalões da República.
Os que decidem e
decidirão tampouco gozam da confiança da população, que conhece, no embalo
interminável da troca de acusações, pormenores da banca de negociatas em que se
transformou a administração pública. Que me perdoem os bons, justos e sábios
que remanescem. Sequer estaríamos mais no ar, no espaço, mas no lamaçal, e até
os motoristas de automóveis sabem como é difícil e sacrificante tirar o veículo
do atoleiro.
O cidadão pouco ou
nada se interessa pelas propostas apresentadas para resolver (?) os intricados
desafios com que nos deparamos. O que interessa é trabalho, remuneração
adequada tanto quanto possível, sustento para a família, segurança em casa, nas
ruas e no campo, educação e saúde de boa qualidade, embora mais se preocupem os
gestores com o divertimento, mantendo em pauta a antiga lição de pão e circo,
mesmo crescentes as dificuldades para amansar os apelos da fome.
Não assistimos ao
fim da tragédia, apesar do anseio dos mais de duzentos milhões de brasileiros
que pensam e vivem em situação de permanente inquietação. Mas o governo e a
classe política, como um todo e de um modo geral, enfrentam também a
desconfiança e o descrédito, sem cujo sepultamento não haverá vitória
definitiva.
Envergonha-se o
cidadão quando ouve o noticiário de rádios e tevês ou o lê nos jornais e
revistas. A que ponto chegamos! Comenta-se, e a preocupação com o futuro se
agiganta. Se estamos no ponto em que nos encontramos, cabe agora perguntar para
onde vamos e até quando suportaremos.
De volta do Oriente,
a que se deslocou movido pela necessidade de medidas efetivas à reconquista da
confiança nacional e à tentativa de reversão do tristíssimo ambiente de agora,
se conseguiu resultado econômico animador, caberia imbuir o brasileiro da probabilidade
de melhores tempos e oportunidades. Não se poderá perder a esperança, a última
que morre – segundo a convicção geral.
Pelo menos que venha
a bênção dos céus, não nos faltando chuva.

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