Corte no
orçamento federal ameaça assistência social em 840 municípios mineiros
Felipe Boutros
Sem verba do governo
federal, mais de 1.100 Centros de Referência em Assistência Social (Cras)
correm o risco de fechar em todo o Estado
O corte no orçamento
previsto para 2018 pelo governo federal para a assistência social ameaça
seriamente a viabilidade desse tipo de trabalho nos municípios brasileiros. O
Ministério do Planejamento já havia limitado em R$ 900 milhões os recursos para
a assistência social em todo o Brasil, mas, segundo o Colegiado Nacional de
Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas), o valor lançado para o
Fundo Nacional de Assistência Social é ainda menor: de apenas R$ 78 milhões.
De acordo com a
secretária de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social, Rosilene Rocha, o
montante praticamente acaba com o financiamento federal para a assistência
social nos municípios brasileiros.
Para se ter uma
ideia, neste ano, segundo a secretária, o orçamento para o fundo foi de R$ 970
milhões. “A maior parte do financiamento federal vai direto para os municípios.
Hoje, em todo Estado, são mais de 1.100 Centros de Referência em Assistência Social
(Cras) em 840 cidades mineiros que correm o risco de fechar”, alerta Rosilene.
A secretária vê
poucas chances de conseguir reverter a situação. Segundo ela, a PEC do Teto dos
Gastos faz com que haja uma verdadeira disputa por recursos do orçamento.
“A secretária
Nacional de Assistência Social, Maria do Carmo Brandt, não deu muita esperança.
Mas os secretários de Estado formaram uma frente apartidária. Fizemos um
movimento junto aos deputados e ao Ministério Público Federal para tentar
reverter esse quadro”, diz.
De acordo com
Rosilene, no ano passado, 210.958 famílias foram acompanhadas por serviços de
assistência social em Minas. O trabalho realizado pelo Cras consiste em
garantir proteção de forma a prevenir a ocorrência de situações de violação de
direitos e o agravamento das vulnerabilidades sociais, entre outros.
Em nota, o
Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) declarou que com a nova meta fiscal
haverá aumento de recursos para os programas e ações da pasta. “O Sistema Único
de Assistência Social terá um recurso maior, adequado à nova meta fiscal
aprovada pelo Congresso”, informou, sem especificar valores ou porcentagens.
Limitações de
recursos devem provocar a exclusão de 2 milhões do Bolsa Família
Além da redução no
orçamento para o Fundo Nacional de Assistência Social, o programa Bolsa Família
também terá seus repasses diminuídos para o ano que vem. Segundo a secretária
de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social, Rosilene Rocha, será necessário
cortar 2 milhões de famílias do programa em 2018. Para mantê-las, seriam
necessários mais R$ 3 bilhões. Em Minas Gerais, só neste ano, foram cortadas
mais 100 mil famílias.
Dados do Ministério
de Desenvolvimento Social (MDS) apontam que, em agosto, cerca de 1,1 milhão de
famílias eram beneficiárias do programa. Elas recebem, em média, R$ 168,03 por
mês.
“O Bolsa Família é
muito importante sob dois aspectos: o impacto sobre a redução da pobreza e a
melhora na economia. Os filhos das famílias que recebem o benefício comem,
estudam e têm rendimento escolar melhor do que os que não são beneficiários.
Isso rompe o ciclo de pobreza. E estudos comprovam que a cada R$ 1 investido
pelo governo federal no Bolsa Família, R$ 1,70 retornam à economia graças à
movimentação do comércio local e à geração de impostos”, explica Rosilene.
O Ministério de
Desenvolvimento Social, por meio de nota, declarou que “com os procedimentos
adotados no último ano, foi possível zerar a fila de habilitados nos meses de
janeiro, fevereiro e agosto de 2017”.
Cortes
Em agosto, o Hoje em
Dia já havia denunciado o corte de famílias do programa Bolsa Família em Minas
Gerais.
Segundo dados disponíveis no sistema do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), só em Belo Horizonte foram cortadas 16.271 famílias do programa entre julho de 2015 e julho de 2017 – quase uma a cada quatro. Em Minas, a tendência também é de baixa, com 142.845 famílias excluídas no mesmo período (12,7%).
Segundo dados disponíveis no sistema do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), só em Belo Horizonte foram cortadas 16.271 famílias do programa entre julho de 2015 e julho de 2017 – quase uma a cada quatro. Em Minas, a tendência também é de baixa, com 142.845 famílias excluídas no mesmo período (12,7%).
Entre julho de 2015
e julh0 de 2017, os repasses federais para Belo Horizonte foram enxugados em
23,8%, com R$ 2,4 milhões a menos repassados para o programa. Para Minas, a
queda foi de 5%, com corte de R$ 8,7 milhões.
Regras
Criado para
possibilitar a transferência de renda, ou seja, impedir que a pobreza de uma
geração passe para as seguintes, o programa oferece uma renda básica para
famílias mais pobres com adolescentes até 17 anos e gestantes.
Em contrapartida, as
crianças e jovens devem cumprir uma frequência escolar mínima que varia de 75%
a 85%, e as famílias precisam atender a requisitos básicos de saúde, como exames
médicos e pré-natal em dia.

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