Andrade
Gutierrez sairá da Cemig
Tatiana Moraes
Estatal mineira
precisa de R$ 11 bilhões para negociar com o governo federal a manutenção de
três usinas, responsáveis pela geração de 36,6% da energia da empresa
Depois de muita
especulação, a Andrade Gutierrez Energia (AGE) está, oficialmente, de saída do
grupo de controle da Cemig. Em comunicado ao mercado enviado pela estatal mineira,
a AGE informa que encerrou o contrato de acionistas e que “está apta, a partir
da presente data, para negociar suas ações da Cemig em bolsa de valores e/ou
mercado de balcão”. A AGE detém 20% das ações ordinárias (com direito a voto)
da concessionária e, segundo especialistas, receberá cerca de R$ 1 bilhão pelas
ações. O Banco Clássico é cotado para comprar a fatia.
A Cemig não deve ser
afetada negativamente pela saída da AGE. Pelo contrário. O envolvimento da
Andrade Gutierrez na “Lava Jato” pesava contra a estatal mineira. Segundo
fontes de bastidores, aliás, a AGE sequer se envolvia nas decisões da
companhia.
A saída da Andrade
Gutierrez pode ter sido motivada, justamente, pela redução do caixa do grupo,
envolvido em esquemas de corrupção, conforme avalia o analista de utilities da
Lopes Filho Associados, Alexandre Montes. Para ressarcir o prejuízo da Petrobras,
foi feito um acordo com a Procuradoria-Geral da República e ficou determinado
que o conglomerado devolveria R$ 1 bilhão aos cofres públicos.
Receita em queda
“A receita da empresa está despencando. Ela não tem a mesma facilidade que tinha no passado para fechar contratos. Por isso, ela precisa de dinheiro. Para a Cemig isso não afeta em nada. É uma oferta secundária, não primária”, diz o analista.
Receita em queda
“A receita da empresa está despencando. Ela não tem a mesma facilidade que tinha no passado para fechar contratos. Por isso, ela precisa de dinheiro. Para a Cemig isso não afeta em nada. É uma oferta secundária, não primária”, diz o analista.
Para Montes, a Cemig
precisa focar todos os esforços na redução da dívida, que chega a R$ 12,5
bilhões, com vencimento até 2024. O montante é maior do que o valor de mercado
da estatal, de R$ 10,6 bilhões. Para piorar o cenário, a alavancagem da Cemig
(razão da dívida líquida pela lajida), que mostra a capacidade da empresa de
honrar os compromissos junto aos bancos, chegou a 3,98 vezes no segundo
trimestre. No primeiro trimestre, era 4,21 vezes. Isso significa que a dívida é
3,98 vezes maior do que a geração de caixa.
O número é altíssimo
e possivelmente tem atrapalhado a estatal na hora de pegar empréstimos. “A
companhia precisa, primeiro, se acertar financeiramente. E, só depois, pensar
em aumentar a capacidade de geração”, afirma Montes.
A Cemig tem
recorrido a bancos privados e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) para tentar crédito. A estatal precisa de R$ 11 bilhões para
negociar junto ao governo Federal a manutenção das usinas de Jaguara, Miranda e
São Simão, a maior da energética. Juntas, elas representam 36,6% da geração
energética da empresa.
Inicialmente, o
BNDES tentou criar um Fundo de Participações de Investimentos (FPI) para ajudar
a Cemig. Como o leilão das usinas está marcado para 27 de setembro, a
negociação teria que sair antes. Portanto, não haveria tempo hábil. A Cemig se
encontrou com representantes do banco até a última quarta-feira para achar uma
solução. No mesmo dia, no entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) proibiu
que as negociações fossem adiante. De acordo com a decisão, as conversas
poderiam atrapalhar o leilão.
Cemig e Andrade
Gutierrez não quiseram se posicionar. O Banco Clássico não foi encontrado para
comentar o assunto.

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