O segredo das Esmeraldas
Manoel Hygino
Até hoje paramos
para pensar sobre este tempo que a nação atravessa como um grande barco num mar
sob tempestade. Os mais variados adjetivos são arrolados para classificá-lo.
Estarrecedor, foi a palavra encontrada nem sei mais por quem.
Luis Roberto
Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, opina que há grupos que não
querem ser honestos “nem daqui para a frente” e defende mudanças para conter a
corrupção. Há, assim, ainda quem entenda achar caminhos que evitem o caos
total, do qual nos temos aproximado, à medida que se toma conhecimento de fatos
novos extraídos do “imbróglio” cotidiano.
Grande parte da
população do país não se interessa pelo que acontece, supondo que nada mais o
cidadão comum pode fazer para conjurar o perigo. Nesta hora grave, é o que
leio, o Congresso Nacional por nossos representantes discute, até com certa
veemência, se a lei que criminaliza o funk merece aprovação.
Em Minas, o modo de
se fazer pijama em Borda da Mata, no Sul de Minas, pode ser declarado Patrimônio
Cultural do Estado, nos termos de projeto em tramitação na Assembleia. Embora
se reconheça o município como capital nacional desta peça do vestuário, com
ampla produção e venda, seria extemporânea a preocupação, com a devida vênia da
boa gente da cidade. Como se julgará talvez inconveniente a providência adotada
por Cajuri, na Zona da Mata, ao fazer empenho de verba para contratar uma banda
de forró e duas duplas sertanejas para festejar nem sei o quê.
É inacreditável o
que ocorre. Durante a votação da denúncia contra o presidente da República, um
deputado, do SD-PA, foi flagrado escrevendo a uma mulher e pedindo que lhe
enviasse fotos íntimas. Os jornais publicaram o texto: “Mostra tua bunda,
mostra, afinal não são suas profissões que a destacam como mulher”. O
parlamentar tentou justificar-se, dizendo que uma pessoa lhe solicitara mais de
20 vezes para que tirasse a camisa e mostrasse a tatuagem no ombro direito. Sua
Excelência explicou: “Como é que vou tirar a camisa? Tenho que respeitar as
famílias brasileiras. Nós temos decoro parlamentar”.
Enquanto o Planalto
se prepara para enfrentar a nova denúncia a ser apresentada pelo
procurador-geral, a ex-presidente da República considera que Renan tem razão
quando afirma que “Eduardo Cunha governa desde a prisão em Curitiba”. Como se
toda troca de opiniões fosse exígua, Joesley Batista, da JBS, a que assistira à
sessão da Câmara em São Paulo, julgava o episódio “trágico” para ao país.
O personagem,
nascido em Goiás e um dos homens mais ricos do Brasil presentemente, acha que
“2 de agosto ficou marcado como dia da vergonha”, embora sem se manifestar
sobre sua própria situação nos fatos. Mas o Brasil já sabe quem ele é e o que
seu grupo representa.
O ex-prefeito do Rio
de Janeiro, Eduardo Paes, se surpreende com nova ação da Lava Jato, que
investiga propina na Secretaria de Obras durante sua gestão. “A notícia me
incomoda, decepciona e envergonha”, disse o ex-alcaide. No escritório da
advogada Vanuza Sampaio, que forjava contratos fictícios, ela foi presa. Encontrara-se
– dentre outros bens de valor e dinheiro – uma porção de esmeraldas. Tem,
assim, mais sorte que o bandeirante Fernão Dias, que terminou morrendo sem
localizar as pedras preciosas.
Sorte é sorte e a
Sena não dá para todos.

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