'Fatura' de
leilão das usinas da Cemig pode ir a R$ 18 bilhões
Tatiana Moraes
Representantes dos
eletricitários e da Plataforma Camponesa Operária estão acampados na porta da
usina São Simão
Mais um capítulo na
novela “Usinas da Cemig”. O Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF-1)
acatou uma ação popular impetrada contra a União e a Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel) e suspendeu o leilão de Miranda, Jaguara, São Simão e
Volta Grande, marcado para 27 de setembro. Se de um lado a Cemig tem motivos
para comemorar, de outro, a decisão afasta a estatal das usinas. Segundo o
advogado que deu entrada na ação, Guilherme da Cunha Andrade, o governo ignora
investimento de R$ 7 bilhões realizado pela concessionária mineira. O valor de
outorga subiria, portanto, para R$ 18 bilhões.
A Advocacia-Geral da
União (AGU) afirmou que recorrerá da decisão. A Cemig, conforme a ação, teria
direito a receber os R$ 7 bilhões como indenização do governo. Porém, o
encontro de contas não acontece automaticamente. Primeiro, a companhia teria
que apresentar garantias de que tem capacidade para honrar R$ 18 bilhões. E só
depois, o governo iria reembolsá-la. E é aí que está o problema.
Além de possuir
apenas R$ 2 bilhões em caixa, a estatal mineira tem dívidas de R$ 12,5 bilhões
com vencimentos até 2024. Isso significa que conseguir os R$ 11 bilhões já não
será tarefa fácil, conforme admitido pelo diretor comercial da Cemig, Dimas
Costa. Ampliar o montante para R$ 18 bilhões, portanto, estaria bem distante da
realidade da empresa.
Esforço
Para conseguir os R$
11 bilhões, o presidente da energética, Bernardo Alvarenga, tem se reunido
constantemente com representantes do BNDES, do Banco do Brasil e de bancos
privados. Ontem, aliás, eles estavam em Brasília. Hoje, seguem para o Rio de
Janeiro, onde fica a diretoria do banco público.
Conforme o diretor comercial, a empresa também tem recorrido a fundos de investimentos estrangeiros e, até mesmo, a alguns grandes clientes para conseguir o dinheiro.
Conforme o diretor comercial, a empresa também tem recorrido a fundos de investimentos estrangeiros e, até mesmo, a alguns grandes clientes para conseguir o dinheiro.
Paralelamente, os
executivos da estatal pedem que seja instalada uma Câmara de Conciliação. Caso
o governo federal acate o pedido, o Supremo Tribunal Federal (STF) pode adiar a
votação de recurso apresentado pela concessionária mineira para impedir o
leilão das usinas. A votação está marcada para hoje.
Wesley Rodrigues
EM BH – Trabalhadores deram um abraço simbólico na sede da Cemig ontem
contra possível venda das usinas
Abraço
Empregados da estatal mineira, aposentados e lideranças políticas se mobilizam, na tarde de ontem para um abraço simbólico à empresa. Caso as quatro usinas sejam devolvidas ao governo, o caixa da Cemig Geração será reduzido em 36,6%.
Empregados da estatal mineira, aposentados e lideranças políticas se mobilizam, na tarde de ontem para um abraço simbólico à empresa. Caso as quatro usinas sejam devolvidas ao governo, o caixa da Cemig Geração será reduzido em 36,6%.
Os empregados, que
recebem participação nos lucros da empresa ao final do ano, seriam diretamente
impactados com a queda no valor. Os investidores e acionista da companhia
também seriam afetados.
São Simão
Pelo menos 200 representantes do Sindicato dos Eletricitários e da Plataforma Camponesa e Operária pela Energia estão acampados na usinas São Simão, a maior da Cemig, localizada a 300 quilômetros de Uberlândia. Eles estão no local desde domingo. O objetivo da mobilização é impedir o leilão das hidrelétricas operadas pela concessionária mineira.
Pelo menos 200 representantes do Sindicato dos Eletricitários e da Plataforma Camponesa e Operária pela Energia estão acampados na usinas São Simão, a maior da Cemig, localizada a 300 quilômetros de Uberlândia. Eles estão no local desde domingo. O objetivo da mobilização é impedir o leilão das hidrelétricas operadas pela concessionária mineira.


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