O que seu ex parceiro tem a dizer sobre você?
Simone Demolinari
Se tem algo que os parceiros sabem é o jeito de ser um do outro. Com o
tempo, o comportamento vai se revelando e as pessoas se mostrando tal qual como
são. Poucas coisas passam escondidas no mundo privado das relações.
Parceiros afetivos acabam conhecendo mais um ao outro do que a própria
família. Assim sendo, quando um relacionamento chega ao final, fica muito claro
para ambos quais as característica de cada um. Dessa forma, uma entrevista com
um ex poderia economizar tempo e investimento para quem pretende iniciar uma
nova relação.
A exemplo dos currículos profissionais que trazem três contatos de
ex-empregadores, as pessoas também poderiam citar nomes e telefones de pessoas
com as quais se relacionaram. Assim, o próximo teria a chance de averiguar, em
termos gerais, o que lhe aguarda. Mesmo considerando ex alguém suspeito para
emitir opinião, a chance de as informações serem pertinentes é bem grande.
Geralmente, no início de um relacionamento, as pessoas buscam mostrar
seu melhor. Exibem qualidades e escondem defeitos. Por outro lado, a
idealização romântica faz tudo parecer perfeito. Nesse caso, devemos
compartilhar a responsabilidade com ambos – tanto aqueles que escondem o que
são quanto aqueles que idealizam e desprezam os sinais.
Este foi o caso de Ana, moça de 31 anos que se envolveu com Leo, rapaz
da mesma idade, de aparência amável e muito educado. Querido pelos amigos, era
tido como ótima pessoa. Ajudava os pais financeiramente e atuava ativamente na
educação da filha de 3 anos, fruto do primeiro relacionamento. Ana e Leo
começaram a namorar. Passados dois meses, Ana encontrou num banheiro de
restaurante a ex esposa de Leo e, nesse contexto favorável, a ex advertiu a
atual sobre o rapaz. Disse que foi vítima de violência física, forneceu dados
sobre a ocorrência, disse também que a história de ajudar financeiramente os
pais era mentira e que não ia ver a filha há meses. Ao ser confrontado, o rapaz
negou todas as acusações, desqualificou a ex esposa, chamando-a de “louca”. Ana
seguiu a relação bebendo da fonte dos ingênuos: “comigo vai ser diferente”. Não
foi. A “louca” tinha razão.
Não deixa de ser imaturo pensar que alguém irá mudar radicalmente ou que
dessa vez será diferente. Não estou descartando a capacidade de evolução que
algumas pessoas tem ao longo da vida. Mas, para evoluir, é preciso querer, se
empenhar e se esforçar muito. Falar uma coisa e fazer outra é, além de mentira,
desonestidade. Quando palavras e ações estão em desalinho, devemos considerar
que as ações definem a verdade. Já as palavras estão a serviço de iludir o
outro.
Ter um passado
afetivo do qual se pode ser bem referenciado não deixa de ser um bom
sinalizador. Neste caso, vale a reflexão: O que meu (minha) ex-parceiro (a)
falaria a meu respeito?
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