A carne e o papelão
Opinião Jornal
Hoje em Dia
Antônio Álvares da Silva*
O escândalo da carne podre explodiu como uma bomba, deixando queimaduras por todos os lados. O governo correu para apagar o incêndio, que, segundo ele, é localizado. Dos 370 frigoríficos existentes, apenas uma minoria absoluta está sendo objeto de investigação. A informação não consola ninguém, pois tudo está no começo. Este número aumentará na certa, pois a corrupção é como a água, entra por todos os lugares e derruba no final a casa.
Não se há de culpar
a Polícia Federal pela imensa repercussão da notícia. A PF não pratica crimes,
apenas os apura e encaminha o resultado para o Judiciário. Não é sua missão
calcular impactos sociais do que faz. Este lado político deve ser objeto de
explicações dos envolvidos.
O negócio da carne é
um dos mais importantes do Brasil. Exportou-se um bilhão e meio de toneladas,
chegando-se a um valor de 5 bilhões e meio de dólares. Estes dados mostram a
importância dos negócios da carne e a eficiência e capacidade dos frigoríficos
exportadores. Por isto, é preciso que tudo seja apurado nos mínimos detalhes.
Joio e trigo devem ser separados e postos em seus devidos lugares, para tirar a
parte pobre e criar condições ainda melhores para que o país lucre, cresça e
melhore a condição de vida de todos nós.
As reais dimensões
da corrupção vão se mostrando aos poucos. Funcionários do Ministério da
Agricultura já estão sob investigações. Portanto, não se limita apenas a alguns
frigoríficos. Está também no governo, pois até mesmo servidores públicos de
alto escalão já respondem a inquérito. A imprensa hoje coloca sob suspeita a
própria cúpula do Ministério.
Tudo há de se
projetar na luz do dia, para que a transparência seja garantida. Num negócio
deste vulto, num país onde a corrupção vai se tornando regra geral do
comportamento das autoridades e agentes públicos, espera-se o pior.
Notícias ruins
varrem o país. O dinheiro enviado pelo ex-governador Sérgio Cabral ao exterior
e agora repatriado pagará a metade dos servidores aposentados do Estado do Rio
de Janeiro. A indústria brasileira, apesar da leve melhora, ainda está ociosa
em 3,7. A produção está deficiente, consequente não há consumo. A Petrobrás perdeu
no ano passado 14,8 bilhões. O Brasil paralisou no IDH. Portanto não há
melhoras qualitativas em longevidade, alfabetização e educação. Deltan
Dallagnol, chefe da força-tarefa do Ministério Público Federal, afirma que a
corrupção leva dos cofres públicos cerca de 2oo bilhões anuais.
A Federação das
Indústrias de São Paulo publicou estudo em que demonstra que o progresso do
Brasil poderia ser igual ao da China, se não houvesse corrupção e a
administração pública fosse eficiente. E ainda com uma vantagem: nosso
trabalhador não está reduzido à condições se semiescravo. O Direito do Trabalho
brasileiro é um dos bons do mundo. Reformando-se agora os sindicatos, pode se
transformar num dos melhores. Teremos então progresso social com Justiça, ideal
que todos os povos perseguem.
É preciso combater
os corruptos em todos os níveis. A corrupção não pode levar nosso dinheiro
através dos tributos que pagamos com tanto esforço. Que se apure tudo sobre os
frigoríficos. Vamos continuar exportando com sucesso, mas livres da corrupção.
Além de todos os males que sofremos, não haveremos de comer carne com papelão.
(*) Professor titular da Faculdade de Direito da UFMG

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