Apreensão de
alimento inadequado para consumo sobe 76% em Belo Horizonte
Tatiana Lagôa
SUJEIRA - Condições
inadequadas de higiene podem render multa ao estabelecimento
A Operação Carne
Fraca chocou o país ao desmascarar um esquema de venda de produtos estragados.
Mas a verdade é que os belo-horizontinos, sem saber, são expostos diariamente a
alimentos impróprios para o consumo. Realidade encontrada em sacolões,
padarias, lanchonetes, açougues e supermercados pela Vigilância Sanitária
(Visa) da capital mineira.
289 quilos é o volume de alimentos apreendidos pela Vigilância
Sanitária de janeiro de 2015 a fevereiro de 2017
Somente nos dois
primeiros meses de 2017, a quantidade de produtos apreendidos nos
estabelecimentos comerciais da cidade cresceu 76,6% comparado com 2016, ao
passar de 18 quilos para 31,79 quilos. Em todo ano passado, foram 137,3 quilos,
segundo dados do órgão.
Apesar do
crescimento, os números poderiam ser muito maiores, segundo o gerente da Visa,
Daniel Nunes. Ele explica que os 147 fiscais que atuam em Belo Horizonte
acumulam uma série de funções além da análise dos alimentos à venda
propriamente dita. “São dezenas de atividades, como vistorias em residências
por causa de acúmulo de lixo e de água parada, por exemplo”.
Perceptível
As principais causas
de apreensão de alimentos na cidade são data de validade vencida, produtos sem
registro no órgão competente e armazenamento inadequado. São inúmeros os
motivos e muitos deles são perceptíveis até por quem não é fiscal.
A reportagem percorreu
vários estabelecimentos na região Central de Belo Horizonte, a que acumula
maior quantidade de ocorrências, e flagrou uma série de irregularidades. Foram
encontrados sacolões onde o lixo disputava espaço com frutas, verduras e
hortaliças. Em alguns casos, a sujeira era tanta que moscas pousavam sobre os
produtos vendidos e o chão, que era branco, estava preto. Em um sinal de que a
situação seria rotineira, as pessoas não pareciam se incomodar com ela.
PARA TODO LADO – Lixo disputa espaço com frutas, verduras e hortaliças;
clientes já se acostumaram com a situação
Condição inadequada
de higiene é algo tão grave que pode levar à notificação do estabelecimento e
até a multa. “A grande questão é o risco de contaminação dos alimentos. Esse
lixo pode se tornar foco de animais como moscas, baratas e ratos. E quem
consumir o produto depois pode contrair uma série de doenças”, afirma Daniel
Nunes.
Outra irregularidade
encontrada ontem foi a “maquiagem” do prazo de validade. Uma pêra importada do
Chile, por exemplo, tinha na embalagem a informação de que deveria ser
consumida em 180 dias, mas não havia a especificação da data de
referência.
“Um produto com essa rotulagem ou foi adulterado pelo revendedor ou não passou por qualquer tipo de fiscalização. Jamais poderia estar sendo vendido”, diz o gerente da Vigilância Sanitária.
“Um produto com essa rotulagem ou foi adulterado pelo revendedor ou não passou por qualquer tipo de fiscalização. Jamais poderia estar sendo vendido”, diz o gerente da Vigilância Sanitária.
Fiscalização da
carne vendida depende de denúncias
A Vigilância
Sanitária de Belo Horizonte aguarda orientação da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) para fazer uma vistoria mais intensa nas carnes vendidas na
cidade. Até que isso ocorra, a instituição só conta com as denúncias feitas
pelos consumidores para agir.
“Precisamos de uma
diretriz para criar uma estratégia. É importante saber quais produtos e lotes
devemos priorizar. Porque sair apreendendo qualquer coisa não faz sentido”,
afirma o gerente de Vigilância Sanitária de Belo Horizonte, Daniel Nunes.
Neste ano, até
fevereiro, chegaram à instituição apenas 62 denúncias referentes a todo tipo de
alimento. No mesmo período do ano passado, foi registrado mais que o dobro
(146).
O retorno dos
consumidores é importante principalmente por causa dos riscos da ingestão de
carne imprópria. Segundo a coordenadora do laboratório de carnes da Escola de
Veterinária da UFMG, Cléia Batista Dias Ornellas, esse consumo pode levar até à
morte.
“Temos várias
doenças relacionadas a agentes contaminantes. O impacto sobre a saúde de quem
consome esses microorganismos varia de acordo com o tipo e a quantidade deles
no alimento”, afirma.
Cuidados
A especialista
alerta que para não “levar gato por lebre” o consumidor precisa tomar alguns
cuidados simples. O primeiro deles é observar a cor e o cheiro das carnes. A
higiene do profissional que manuseia o alimento também precisa ser levada em
consideração. As unhas, por exemplo, precisam ser curtas e limpas. E nunca pode
ser a mesma pessoa quem corta a carne e recebe o dinheiro. É preciso ter também
cuidados após a compra do produto, mantendo-os refrigerados.
Aqueles
estabelecimentos flagrados com produtos impróprios para consumo podem ser
multados e até mesmo interditados até que resolvam a irregularidade. Além
disso, podem ter o alvará sanitário cassado. O documento é renovado anualmente
e necessário para funcionamento regular dos estabelecimentos.


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