Começa a era Trump; para
republicano, Estados Unidos vêm em primeiro lugar
Flávia Ivo*
Dezenas de milhares de simpatizantes e opositores de Donald Trump
ocuparam o entorno do Capitólio, em Washington, onde o magnata foi empossado
“O dia 20 de janeiro de 2017 será recordado como o dia em que o povo
tornou-se governante deste país outra vez. Deste dia em diante, uma nova visão
vai reger nossa terra. Deste momento em diante, será a América em primeiro
lugar”, defendeu Trump no discurso de posse como o 45º presidente da história
dos Estados Unidos, na tarde de ontem, em Washington, para dezenas de milhares
de pessoas.
As afirmativas, dentre tantas outras ao longo do texto, reiteraram as
promessas de campanha e alfinetaram, mesmo que de forma polida, o governo
democrata de Barack Obama.
“As vitórias dos políticos não têm sido as vitórias de vocês; os
triunfos deles não têm sido os seus triunfos; e, enquanto eles festejavam na
capital de nossa nação, as famílias em todo nosso país que passavam por
dificuldades tinham pouco o que festejar”, observou o magnata das comunicações
– referindo-se à gestão anterior –, sob o olhar não só de seus apoiadores e
críticos presentes no entorno do Capitólio, mas de todo o mundo por TV ou pela
internet.
“Fizemos outros países ricos, enquanto a riqueza, confiança e força do
nosso país diminuiu. Por muitos anos, subsidiamos a indústria estrangeira em
detrimento da nossa indústria”
Donald Trump
Presidente dos EUA
Donald Trump
Presidente dos EUA
Terrorismo
O tom nacionalista do discurso de Trump fez com que ele fosse ovacionado
inúmeras vezes pela multidão na capital federal.
Os aplausos aumentavam à medida em que os posicionamentos do
multimilionário acerca de questões polêmicas eram colocados em sua fala, mesmo
que o discurso não trouxesse novidades em termos de atitudes que planeja tomar
em seu governo.
Uma das prioridades declaradas pelo norte-americano é a erradicação do
extremismo islâmico “da face da terra”.
“Defendemos as fronteiras de outros países, enquanto nos negamos a
defender as nossas (...) Devemos proteger nossas fronteiras dos estragos de
outros países que fabricam nossos produtos, roubam nossas empresas e destroem
nossos empregos”, disse, aproveitando a deixa para reforçar o protecionismo
econômico, uma de suas maiores bandeiras.
Os antecessores de Donald Trump, George W. Bush – que invadiu o
Afeganistão e derrubou o Talibã – e Barack Obama – que comandou a operação que
resultou na morte de Osama bin Laden – também combateram o extremismo.
Mas Trump foi mais longe no uso da linguagem, sugerindo que ele vê este
combate como uma batalha de civilizações entre os EUA e uma ameaça florescente
da fé islâmica em si. “Vamos reforçar antigas alianças e formar novas, unir o
mundo civilizado contra o terrorismo islâmico”, declarou.
Ação
Assim que Trump assumiu, a página dedicada às mudanças climáticas que
ficava hospedada no site da Casa Branca foi retirada do ar. Ao mesmo tempo, foi
lançado o novo plano de energia que basicamente elimina o Plano de Ação
Climática de Obama, que estabelecia regras para a redução de emissões de gases
de efeito estufa do setor de energia.

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