Matemática complexa
Editorial Jornal
Hoje em Dia
O presidente interino Michel Temer, desde que assumiu o cargo, tem
conversado com lideranças de vários segmentos da economia para “trocar ideias”
sobre a situação do país.
Ontem, foi a vez de bater um papo com o presidente da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, e outros 100 empresários
do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação.
Na reunião, o presidente da CNI se posicionou a favor de medidas duras e
modernas na Previdência Social e nas leis trabalhistas para melhorar a situação
do déficit fiscal.
Uma dessas medidas seria o aumento da carga semanal de trabalho para até
80 horas, a exemplo do ocorrido na França, onde as leis estão sendo discutidas
e trabalhadores foram às ruas protestar e promover quebra-quebra.
O argumento do empresário logo ganhou repercussão nas redes sociais e na
imprensa e foram iniciadas as manifestações contrárias à possível mudança na
legislação.
Acontece que o “barulho” poderia ter sido bem menor não fosse uma “gafe”
da Agência Brasil, portal de notícias gerenciado pela Empresa Brasileira de
Comunicação (EBC), pertencente ao governo federal.
“A França, que tem 36 horas semanais, passou para a possibilidade de
até 80 horas por semana e até 12 horas diárias”, disse Robson de
Andrade
Às 14h21, a agência postou a notícia “CNI defende carga de 80 horas semanais para trabalhador brasileiro”, que permaneceu por pouco mais de uma hora no ar, sendo repetida nos grandes e nos pequenos portais de notícias da internet e nas redes sociais.
Às 15h29 – depois de uma possível “chamada de atenção” – a notícia mudou
para “Presidente da CNI defende mudanças previdenciárias e nas leis
trabalhistas”. Mas, a essa hora, o leite já estava derramado, as repercussões
estavam a mil.
Uma mudança como essa na legislação trabalhista não é simples e não
envolve apenas a carga horária. A matemática do negócio é complexa.
Com uma jornada de 12 horas na indústria, um trabalhador que reside nas
regiões metropolitanas ou nas periferias das grandes cidades, que gasta em
torno de duas horas de deslocamento, passará 16 horas por dia fora de casa.
Com todo esse tempo gasto em um dia de 24 horas, será possível descansar
para o dia seguinte com a mesma carga horária? Talvez na primeira semana seja
factível aguentar o “tranco”, mas, depois, quando o cansaço começar a bater, o
risco de acidentes de trabalho aumenta e, com ele, a possibilidade do
funcionário da indústria ser aposentado por invalidez e, consequentemente,
onerar o governo, que é quem paga a conta da Previdência.
Em concretizado, este cenário representaria uma melhoria para o patrão,
um desgaste para o trabalhador e um problema para o governo. Ainda bem que
parece ter sido um erro de interpretação...
COMENTÁRIO
Por que somente o povo, o trabalhador, é escolhido para
pagar o “pato” dos nossos desgovernos, das gastanças desenfreadas com os
privilégios das nossas “castas’ políticas, judiciais e militares que consomem
toda a arrecadação do estado e não sobra nada para a população em termos de
retorno com a saúde, educação e segurança.
É preciso aparecer novos governantes preocupados com as
necessidades da população do que as suas próprias necessidades.
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