Desejo sexual hipoativo
Simone Demolinari
O baixo nível do desejo sexual inclui causas isoladas ou associadas que
podem surgir a partir de fatores biológicos ou psicológicos. É preciso fazer
uma minuciosa investigação, desde os níveis hormonais até doenças correlatas,
uso de medicação interferente – que tem como efeito colateral a queda de
libido, hábitos, comportamentos, etc. As questões emocionais também precisam
ser igualmente verificadas. É importante avaliar a qualidade da autoestima, o
tipo de educação recebida – permissiva, rígida, repressiva, convicções
religiosas, traumas, mágoas e ressentimentos em relação ao parceiro(a),
problema situacional como dificuldade financeira, excesso de trabalho, desgaste
causado pela rotina de relacionamento longo, etc.
Cada um traz consigo um universo de interações bio-psico-social únicas e
distintas, que devem ser tratadas de forma individual.
O conceito do Transtorno do Desejo Sexual foi recentemente reformulado
pela pesquisadora canadense Rosemary Basson em sua ampla pesquisa sobre o tema.
Segundo ela, entende-se por Transtorno do Desejo a ausência ou diminuição do
interesse ou do desejo sexual. Ausência de pensamentos ou fantasias sexuais.
Falta de desejo em resposta aos estímulos eróticos. A motivação para tentar se
excitar sexualmente é mínima ou inexistente. A falta de interesse é considerada
mais intensa do que a esperada para o avançar da idade. O desejo é muito menor
do que o observado em relacionamentos com a mesma duração.
Muitos confundem o desejo sexual hipoativo com a assexualidade, porém há
diferenças. No segundo, inexiste disposição libidinal, já no primeiro, há um
interesse, ainda que mínimo.
Podemos classificar a disfunção do desejo sexual como primária – quando
sempre ocorreu; secundária – quando foi adquirida ao longo da vida; situacional
– quando ocorre em determinadas situações ou com uma pessoa específica; e
generalizada – quando há presença de todos os fatores anteriores.
Pessoas com relacionamentos longos, reclamam da interferência da rotina
no apetite sexual. Não há dúvidas de que esta é uma realidade significativa,
sobretudo para as mulheres, que somam ao casamento, afazeres domésticos,
maternidade e vida profissional. Nesse caso é comum haver a queda do desejo
espontâneo, aquele que acontece de forma involuntária, instintiva e natural,
ficando somente o desejo responsivo, aquele que nasce a partir de um estímulo
(ainda assim o cansaço poderá engoli-lo).
O problema se dá quando há incompatibilidade de apetite sexual na
relação a dois – um quer muito, o outro quer pouco. Esse desencontro pode gerar
conflito e pode até culminar em separação. Aquele que sente mais vontade,
convive com a sensação de estar sendo rejeitado pelo parceiro(a). Já quem sente
baixo desejo sexual, esforça-se para agradar o outro praticando mais do que gostaria.
Ambos seguem insatisfeitos.
É importante ressaltar que há tratamento para a disfunção sexual, desde
que haja, de fato, uma desordem. Muitas vezes busca-se um diagnóstico enquanto,
na verdade, é apenas preciso respeitar a natureza instintiva individual, que é
diferente em cada um.

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