quinta-feira, 7 de abril de 2016

SE FOSSE NA ISLÂNDIA TERIA CAÍDO HÁ MUITO TEMPO



Desfecho do impeachment será definido na hora do voto

Orion Teixeira 




Ante a incerteza geral, o número de indecisos tende a aumentar sobre o futuro do impeachment, prenunciando que a maioria dos 513 deputados federais definirá o voto conforme a pressão do momento, da hora da votação. Um deputado perguntou ao deputado federal mineiro, Bonifácio Andrada (PSDB), qual seria a tendência do impeachment. Com 86 anos de idade e 40 anos na Câmara dos Deputados, durante 10 mandatos, Andradinha, como é conhecido, lembrou um episódio sinistro. Na véspera de seu impeachment, o então presidente Fernando Collor (PRN) ofereceu jantar a 400 deputados federais, que lhe hipotecaram apoio. No dia seguinte (29 de dezembro de 1992), Collor era cassado.
O fato reforça o quadro de incerteza sobre o futuro da presidente Dilma Rousseff (PT), ao contrário do que manifestou, nesta quarta-feira (6), o ministro petista Jaques Wagner (do gabinete presidencial), quando disse que o impeachment teria “caído por terra”. A fala do ministro foi feita em análise sobre os diversos factoides irradiados em Brasília, nesta semana, com alternativas ao impedimento, como antecipação das eleições ou renúncia. Para ele, se estão fazendo essas propostas é porque o impeachment teria perdido força.
Não há dúvida de que o sentimento dele é visível, mas não traz garantia alguma. Como no episódio de Collor, o voto do deputado, diante do microfone aberto, com transmissão direta da TV, torna o desfecho imprevisível. Não dá para cravar resultado algum. Já houve caso de outro mineiro que contou que, no dia, iria votar a favor, mas, na hora H, disse sim contra Collor.
O parecer do relator da Comissão de Impeachment, deputado Jovair Arantes (PTB/GO), foi pela admissibilidade da denúncia contra a presidente. Na próxima semana, a própria Comissão votará o relatório, com tendência de aprovação. Tudo isso mexerá com o deputado. A última pesquisa (Datafolha, de 19 de março), feita um dia após as manifestações contra o governo, apontava 68% favoráveis ao impeachment. Ainda pode haver manifestações de rua, a favor ou contra; fatos novos da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de desvios na Petrobras, com delações vazadas ou seletivas. Enfim, o ambiente do dia da votação será decisivo para o destino do governo Dilma.
Regional também influencia
O governo Dilma não está preocupado com o resultado da votação na Comissão do Impeachment, onde acha que será derrotado. Por isso, se concentra na votação em plenário, onde identifica mais chances de vitória. Os articuladores não podem se esquecer da influência da base regional sobre os deputados, onde os inimigos políticos de cada um poderão ser melhor tratados pelo governo do que ele.
Estratégia de alto risco
Aliados do prefeito de Belo Horizonte e presidente regional do PSB, Marcio Lacerda, têm comentado que ele estaria sendo cortejado por lideranças nacionais para eventual formação de chapa presidencial de 2018. Amigo pessoal do ex-ministro Ciro Gomes, Lacerda estaria sendo sondado para ser candidato a vice dele, fazendo contraponto, em Minas, à eventual candidatura presidencial do tucano Aécio Neves. Pode vir daí a despreocupação do prefeito em tentar manter a aliança com o tucano nas eleições municipais deste ano. Seu risco, no entanto, é maior do que o dos outros. Pois, derrota em Belo Horizonte, para ele, soaria como fim de carreira.

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