Desfecho do impeachment
será definido na hora do voto
Orion Teixeira
Ante a incerteza geral, o número de indecisos tende a aumentar sobre o
futuro do impeachment, prenunciando que a maioria dos 513 deputados federais
definirá o voto conforme a pressão do momento, da hora da votação. Um deputado
perguntou ao deputado federal mineiro, Bonifácio Andrada (PSDB), qual seria a
tendência do impeachment. Com 86 anos de idade e 40 anos na Câmara dos
Deputados, durante 10 mandatos, Andradinha, como é conhecido, lembrou um
episódio sinistro. Na véspera de seu impeachment, o então presidente Fernando
Collor (PRN) ofereceu jantar a 400 deputados federais, que lhe hipotecaram
apoio. No dia seguinte (29 de dezembro de 1992), Collor era cassado.
O fato reforça o quadro de incerteza sobre o futuro da presidente Dilma
Rousseff (PT), ao contrário do que manifestou, nesta quarta-feira (6), o
ministro petista Jaques Wagner (do gabinete presidencial), quando disse que o
impeachment teria “caído por terra”. A fala do ministro foi feita em análise
sobre os diversos factoides irradiados em Brasília, nesta semana, com
alternativas ao impedimento, como antecipação das eleições ou renúncia. Para
ele, se estão fazendo essas propostas é porque o impeachment teria perdido
força.
Não há dúvida de que o sentimento dele é visível, mas não traz garantia
alguma. Como no episódio de Collor, o voto do deputado, diante do microfone
aberto, com transmissão direta da TV, torna o desfecho imprevisível. Não dá
para cravar resultado algum. Já houve caso de outro mineiro que contou que, no
dia, iria votar a favor, mas, na hora H, disse sim contra Collor.
O parecer do relator da Comissão de Impeachment, deputado Jovair Arantes
(PTB/GO), foi pela admissibilidade da denúncia contra a presidente. Na próxima
semana, a própria Comissão votará o relatório, com tendência de aprovação. Tudo
isso mexerá com o deputado. A última pesquisa (Datafolha, de 19 de março),
feita um dia após as manifestações contra o governo, apontava 68% favoráveis ao
impeachment. Ainda pode haver manifestações de rua, a favor ou contra; fatos
novos da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de desvios na Petrobras,
com delações vazadas ou seletivas. Enfim, o ambiente do dia da votação será
decisivo para o destino do governo Dilma.
Regional também influencia
O governo Dilma não está preocupado com o resultado da votação na
Comissão do Impeachment, onde acha que será derrotado. Por isso, se concentra
na votação em plenário, onde identifica mais chances de vitória. Os
articuladores não podem se esquecer da influência da base regional sobre os
deputados, onde os inimigos políticos de cada um poderão ser melhor tratados
pelo governo do que ele.
Estratégia de alto risco
Aliados do prefeito de Belo Horizonte e presidente regional do PSB,
Marcio Lacerda, têm comentado que ele estaria sendo cortejado por lideranças
nacionais para eventual formação de chapa presidencial de 2018. Amigo pessoal
do ex-ministro Ciro Gomes, Lacerda estaria sendo sondado para ser candidato a
vice dele, fazendo contraponto, em Minas, à eventual candidatura presidencial
do tucano Aécio Neves. Pode vir daí a despreocupação do prefeito em tentar
manter a aliança com o tucano nas eleições municipais deste ano. Seu risco, no
entanto, é maior do que o dos outros. Pois, derrota em Belo Horizonte, para
ele, soaria como fim de carreira.

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