Avalanche de problemas
Editorial Jornal
Hoje em Dia
Próximo ao dia da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o
somatório das derrotas sucessivas da petista traçaram um novo cenário onde a
oposição está a cada dia mais fortalecida. Desde o vazamento da delação de
Delcídio do Amaral, publicada pela revista IstoÉ, o mandato de Dilma tem
sofrido com vários acontecimentos.
Foi assim com a operação “Lava Jato” chegando ao ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva na semana em que ele assumiria a Casa Civil, a saída do
PMDB do governo e subsequente “pré-candidatura” do vice-presidente Michel Temer
e a debandada, a partir desse fato, de outros partidos da base governista como
o PP, o PSD, o PRB e parte do PR, cujos parlamentares não são obrigados a votar
contra a petistas. No entanto, a maioria já sinalizou que dirá sim ao
impeachment.
O jornal “O Estado de São Paulo”, que publica diariamente um placar dos
votos favoráveis e contrários à continuidade do processo, apresenta o retrato
fiel da mudança de cenário. No último dia 5 de abril, a oposição tinha 234
votos; mas ontem o número já estava em 299. O crescimento é superior ao dos
congressistas pró-Dilma. Em uma semana, os petistas angariaram apenas 13 votos.
Enquanto Dilma e seus aliados correm para evitar que o barco afunde, o
exímio articulador e presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha,
informou como ocorrerá o procedimento de votação do impeachment no próximo
domingo, 17. Será por chamada oral de deputados com ordem de estados do Sul
para o Norte, processo diferente do adotado com o ex-presidente Fernando
Collor, quando a votação foi feita por ordem nominal alfabética.
Em resumo, Cunha utiliza da estratégia de iniciar pelo Sul e o Sudeste
brasileiros, onde há a concentração de mais parlamentares a favor do
impeachment de Dilma Rousseff, na tentativa de “convencer” de última hora os
deputados federais oriundos do Nordeste e do Norte do país, dos quais muitos
são contrários ao processo.
A bancada governista, que batalha para que o impeachment seja votado por
ordem alfabética, não gostou nada da decisão de Cunha e os deputados afirmaram
que recorrerão no STF. Enquanto isso, o país segue parado economicamente, refém
da crise política.

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