domingo, 24 de abril de 2016

CRISE NA EUROPA



Da Europa em crise e crescimento

Stefan Salej 



A união Europeia tem que achar um novo modelo institucional se quiser sobreviver. Mas, é a melhor solução que se tem para manter a paz que já dura há 70 anos, com a breve e sangrenta guerra na Bósnia. Paz não tem preço e há que se lutar por ela. Hoje tem crise dos refugiados, de fronteiras, de segurança e do modelo de livre trânsito de mercadorias e pessoas, chamado Schengen, e ainda perdura a crise econômico-financeira.
Bem, esta é de certa maneira a conclusão de um Seminário sobre uma nova constituição para a União Europeia, na bucólica Ljubljana, capital da Eslovênia, membro da União Europeia. O seminário, que contou com especialistas europeus, norte-americanos, sul-africanos e outros, teve a honrosa presença do Dr. Robert Badinter, ex-Presidente da Corte Constitucional da França, e um dos juristas mais respeitados da Europa. E os eslovenos colocaram na mesa um ousado projeto de futura constituição dos Estados Unidos da Europa, projeto esse que foi endossado no próprio seminário pelo Presidente da Eslovênia.
A Europa é nosso parceiro natural, histórico, e equilibra bem nossas relações com os Estados Unidos e outros, como a China e a Rússia
Entre as discussões, inclui-se a visão fora do Continente europeu a respeito da União Europeia. É claro, entraram a América Latina e o Caribe. Território que em parte pertence ainda aos poderosa da Europa, Reino Unido, França e Holanda. As Malvinas e importantes pontos estratégicos na América Latina e no Caribe são ingleses. A última batalha no continente, com perda de muitas vidas foi entre a Inglaterra e a Argentina, a respeito das Malvinas. Mas, o maior território europeu é a Guiana Francesa. Aliás, a maior fronteira terrestre da França é com o Brasil. Mesmo assim, não conseguem inaugurar a ponte para ligar os dois países. E as Antilhas Holandesas são lindos paraísos fiscais.
O nosso continente hoje se relaciona mais no âmbito bilateral, em separado, com os países membros da União Europeia do que com a União como um todo e a sua Comissão executiva propriamente dita. As relações ainda tem muita retórica, com predominância absoluta de Espanha e Portugal, muita saudade e pouca parceria eficaz. O Brasil e o México têm parceria estratégica, o Chile e México, acordo de livre comércio, mas o acordo com o Mercosul não anda há 15 anos. E agora, com a perspectiva de um novo governo brasileiro, ainda vai demorar mais um pouco. Não nos esqueçamos dos milhares de latinos-americanos, também cidadãos de países da União Europeia (inclusive a família da ex-primeira dama Marisa Letícia Lula da Silva) e do eldorado que representamos para os investimentos europeus. Em lugar nenhum do mundo ganham tanto.
A Europa, que já provocou duas guerras mundiais, não nos interessa em crise. Ela é nosso parceiro natural, histórico, e equilibra bem nossas relações com os Estados Unidos e outros, como a China e a Rússia. Mas, ela tem que achar um caminho fora da estagnação e das crises internas. O próximo referendo no Reino Unido sobre sua permanência na União Europeia será crucial, porque se a Grã Bretanha sair, apesar de que De Gaulle insistia em que ela não devia entrar, a União Europeia vai ficar como?


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