Da Europa em crise e
crescimento
Stefan Salej
A união Europeia tem que achar um novo modelo institucional se quiser
sobreviver. Mas, é a melhor solução que se tem para manter a paz que já dura há
70 anos, com a breve e sangrenta guerra na Bósnia. Paz não tem preço e há que
se lutar por ela. Hoje tem crise dos refugiados, de fronteiras, de segurança e
do modelo de livre trânsito de mercadorias e pessoas, chamado Schengen, e ainda
perdura a crise econômico-financeira.
Bem, esta é de certa maneira a conclusão de um Seminário sobre uma nova
constituição para a União Europeia, na bucólica Ljubljana, capital da
Eslovênia, membro da União Europeia. O seminário, que contou com especialistas
europeus, norte-americanos, sul-africanos e outros, teve a honrosa presença do
Dr. Robert Badinter, ex-Presidente da Corte Constitucional da França, e um dos
juristas mais respeitados da Europa. E os eslovenos colocaram na mesa um ousado
projeto de futura constituição dos Estados Unidos da Europa, projeto esse que
foi endossado no próprio seminário pelo Presidente da Eslovênia.
A Europa é nosso parceiro natural, histórico, e equilibra bem nossas
relações com os Estados Unidos e outros, como a China e a Rússia
Entre as discussões, inclui-se a visão fora do Continente europeu a
respeito da União Europeia. É claro, entraram a América Latina e o Caribe.
Território que em parte pertence ainda aos poderosa da Europa, Reino Unido,
França e Holanda. As Malvinas e importantes pontos estratégicos na América
Latina e no Caribe são ingleses. A última batalha no continente, com perda de
muitas vidas foi entre a Inglaterra e a Argentina, a respeito das Malvinas.
Mas, o maior território europeu é a Guiana Francesa. Aliás, a maior fronteira
terrestre da França é com o Brasil. Mesmo assim, não conseguem inaugurar a
ponte para ligar os dois países. E as Antilhas Holandesas são lindos paraísos
fiscais.
O nosso continente hoje se relaciona mais no âmbito bilateral, em
separado, com os países membros da União Europeia do que com a União como um
todo e a sua Comissão executiva propriamente dita. As relações ainda tem muita
retórica, com predominância absoluta de Espanha e Portugal, muita saudade e
pouca parceria eficaz. O Brasil e o México têm parceria estratégica, o Chile e
México, acordo de livre comércio, mas o acordo com o Mercosul não anda há 15
anos. E agora, com a perspectiva de um novo governo brasileiro, ainda vai
demorar mais um pouco. Não nos esqueçamos dos milhares de latinos-americanos,
também cidadãos de países da União Europeia (inclusive a família da ex-primeira
dama Marisa Letícia Lula da Silva) e do eldorado que representamos para os
investimentos europeus. Em lugar nenhum do mundo ganham tanto.
A Europa, que já provocou duas guerras mundiais, não nos interessa em
crise. Ela é nosso parceiro natural, histórico, e equilibra bem nossas relações
com os Estados Unidos e outros, como a China e a Rússia. Mas, ela tem que achar
um caminho fora da estagnação e das crises internas. O próximo referendo no
Reino Unido sobre sua permanência na União Europeia será crucial, porque se a
Grã Bretanha sair, apesar de que De Gaulle insistia em que ela não devia
entrar, a União Europeia vai ficar como?

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