As maiores queixas das
mulheres e dos homens na vida a dois
Simone Demolinari
Apesar da idealização romantizada do amor, uma relação a dois requer
mais que sentimento, é preciso habilidade, paciência e dedicação. No imaginário
ainda há o desejo de “viver felizes para sempre”, mas na realidade nem sempre
isso acontece.
Apaixonar-se é algo mágico. As esperanças se renovam, a insegurança
diminui, as neuroses adormecem e a vida fica menos estressante. Junto com a
paixão vem a certeza de ter encontrado a pessoa dos sonhos e uma convicção
ingênua de que aquela sensação será eterna.
Os problemas surgem a partir do momento que a mágica passa e a realidade
assume o poder. Nessa hora, vem à tona um olhar mais lúcido, algo praticamente
impossível no estado inebriante de “pathos”. “Paixão” vem de “pathos”, que em
grego significa excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento e
assujeitamento.
Há estudos que sugerem que a paixão dura nove meses, o tempo necessário
para uma gestação. Resistindo a este período, inicia-se uma nova fase menos
idealizada.
Uma pesquisa, não muito otimista, feita na Inglaterra com 14 mil
mulheres, apontou que casais conseguem ser felizes por no máximo até cinco anos
de relação, sendo que aos 11 anos de relacionamento o nível de descontentamento
já é superior ao da satisfação.
Apesar da pesquisa não ser muito animadora, parece fazer sentido frente
ao número crescente de divórcios.
Ocorre que a partir de um certo tempo, os casais se sentem no direito de
criticar o cônjuge como se fosse uma representação legítima do amor. Linha
tênue que confunde o “querer ajudar” com o “querer mudar”.
Dependendo do traço de personalidade dos envolvidos, a relação entra num
ciclo destrutivo de tanta implicância, intolerância e ressentimento, que o amor
inicial, permeado de admiração e alegria, dá lugar a cruel troca de farpas.
No intuito de identificar alguns incômodos mais presentes no universo a
dois, fiz uma pesquisa entre amigos, onde participaram 48 homens e 52 mulheres
(entre casados e solteiros), onde foi pedido a eles que citassem cinco queixas
em relação ao sexo oposto. Eis o resultado da investigação:
Reclamações dos homens em relação às mulheres:
1) São curiosas/ciumentas – 26%
2) Cobram excessivamente não respeitando a individualidade masculina –
24%
3) Falta objetividade. Ficam com raiva sem explicar o motivo – 19%
4) Não são dispostas ao sexo – 18%
5) Nunca ficam satisfeitas. Sempre reclamam de algo – 13%
Reclamações das mulheres em relação aos homens:
1) São dependentes, sobrecarregando a parceira – 32%
2) São machistas e não permitem o mesmo direito a elas – 23%
3) Egoístas e com pouca iniciativa – 18%
4) Não sabem ouvir – 15%
5) Querem sexo mesmo quando não há clima – 12%
Bom, a boa notícia é que, mesmo com todas as queixas, a maioria das
pessoas não desistiram de tentar. Talvez uma boa alternativa para quem esteja
buscando um par afetivo seja escolhê-lo pelos defeitos, já que as qualidades
são sempre muito bem-vindas.

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