'Mineirinho' ganhou R$ 15
milhões do Petrolão
Ezequiel Fagundes*
LUIZ CLÁUDIO
BARBOSA/ESTADÃO CONTEÚDO
SEDE EM SÃO PAULO
–Grupo Odebrecht foi um dos alvos da 26ª fase da operação “Lava Jato”, iniciada
ontem pela Polícia Federal
Batizada de Xepa, a 26ª fase da operação “Lava Jato” descobriu um
organizado sistema de pagamento de propina instalado no Grupo Odebrecht, o
“Setor de Operações Estruturadas”. Estimativa dos investigadores da
força-tarefa é a de que pelo menos R$ 66 milhões em propina foram distribuídas
entre 25 e 30 pessoas por meio da contabilidade paralela da maior empreiteira
da América Latina.
Entre os beneficiários, identificados por codinomes e senhas, os
federais vão se debruçar para esclarecer quem seria uma pessoa identificada
apenas como “Mineirinho”. O apelido é citado quatro vezes nas páginas 17 e 18
no despacho do juiz federal Sérgio Moro, responsável pela “Lava Jato” em
Curitiba.
De acordo com o magistrado, “Mineirinho” recebeu R$ 15,5 milhões do
esquema secreto de propina operado pela Odebrecht no período de 01/10/2014 a
19/12/2014. Conforme anotações constantes nas tabelas apreendidas pela Polícia
Federal (PF), três executivos da empreiteira são apontados como responsável
pelo repasse ao tal de “Mineirinho”.
De acordo com os federais, “BJ”,”SN” e “CMF” são Benedicto Barbosa
Júnior (chefe da Odebrecht Infraestrutura), Sérgio Luiz Neves (diretor superintendente)
e Cláudio Melo Filho (diretor de Desenvolvimento de Negócios da empreiteira),
respectivamente.
Conforme o portal do Hoje em Dia adiantou ontem, com exclusividade,
Sérgio Luiz Neves foi detido em Belo Horizonte. Alvo de mandato de prisão temporária
de cinco dias, Sérgio Neves foi encaminhado para Curitiba, base da operação
“Lava Jato”, para ser interrogado, juntamente com os outros alvos da Xepa.
Muito provavelmente, ele poderá revelar a identidade do “Mineirinho” citado
como beneficiário do repasse de R$ 15,5 milhões.
De acordo com Moro, Benedicto Barbosa Júnior tem como subordinados
Sérgio Neves e Cláudio Melo Filho.
Mensagens
Sérgio e Cláudio, segundo o despacho do magistrado, “figuram em trocas
de mensagens com Fernando Migliaccio e Maria Lúcia Tavares para solicitações de
pagamento para pessoa identificada apenas como Mineirinho”.
Migliaccio é apontado como um “dos responsáveis pelo Setor de Operações
Estruturadas da Odebrecht, que cuidava dos pagamentos subreptícios (ilícitos)
efetuados pela referida empresa, por solicitação de outros executivos do Grupo
Odebrecht, mediante pagamentos em espécie ou transferências bancárias no
exterior”.
Já Maria Lúcia, ainda que em papel subordinado, atuava como secretária
da cúpula da Odebrecht nas operações financeiras secretas do grupo.
Beneficiários
Além de “Mineirinho”, vários outros codinomes são citados. Alguns foram identificados, como por exemplo, “Feira”, que corresponderia a Mônica Regina Cunha Moura, mulher e sócia do marqueteiro João Santana.
Além de “Mineirinho”, vários outros codinomes são citados. Alguns foram identificados, como por exemplo, “Feira”, que corresponderia a Mônica Regina Cunha Moura, mulher e sócia do marqueteiro João Santana.
“Os beneficiários eram identificados somente por codinomes nos registros
documentais existentes. Para a efetivação dos pagamentos, a Odebrecht servia-se
de prestadores de serviço”, basicamente operadores do mercado de câmbio negro
que realizavam ou pagamentos no exterior ou pagamentos de vultosos valores em
espécie no Brasil”, escreveu Moro.
Editoria de Arte
Colaboração de secretária ajuda a desvendar esquema
A contabilidade paralela da Odebrecht para pagamento de propina só foi
desvendada graças à delação premiada de uma peça-chave do esquema: Maria Lúcia
Guimarães Tavares.
Presa na 23ª etapa da “Lava Jato”, chamada de Acarajé, que teve como
alvos principais o marqueteiro do PT, João Santana, e a mulher de dele, Maria
Lúcia era subordinada à cúpula da empreiteira e responsável pela gerência das
contas secretas do Grupo.
Segundo a força-tarefa da “Lava Jato”, a distribuição de propinas
continuou mesmo com a prisão do presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht.
Segundo a procuradora da República Luana Gonçalves, a interceptação de e-mails comprovando a continuidade do esquema, mesmo com Marcelo preso, foi vista com surpresa.
Segundo a procuradora da República Luana Gonçalves, a interceptação de e-mails comprovando a continuidade do esquema, mesmo com Marcelo preso, foi vista com surpresa.
“Para a gente chega a ser de certa foram assustador”, disse a
procuradora. “Ainda se teve a ousadia de continuar a operar o pagamento de
propina com o conhecimento do Poder Público”.
Doleiros
Doleiros
O dinheiro seria fornecido por meio de até oito contas mantidas por
doleiros em favor da Odebrecht. “Nós identificamos também a existência de um
sistema informatizado para o controle desses pagamentos paralelos dentro da
Odebrecht”, informou a força-tarefa da “Lava Jato”.
Tal sistema incluiria até mesmo um instrumento de troca de mensagens
entre os profissionais alocados naquele setor da empresa, e foi destruído a
partir do momento em que a companhia passou a ser investigada.
Operação
A ação da 26ª fase da operação “Lava Jato” da Polícia Federal (PF)
mobilizou cerca de 380 policiais que cumpriram, ontem, 110 ordens judiciais nos
estados de São Paulo, Rio de janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia,
Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e Pernambuco.
Foram cumpridos 67 mandados de busca e apreensão, 28 mandados de
condução coercitiva (quando o investigado é levado para prestar depoimento), 11
mandados de prisão temporária (cinco dias) e 4 mandados de prisão preventiva
(sem prazo para acabar).
O outro lado
No meio da manhã, a Odebrecht divulgou nota informando que está ajudando
nas investigações: “A empresa tem prestado todo o auxílio nas investigações em
curso, colaborando com os esclarecimentos necessários”.


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