sexta-feira, 18 de março de 2016

FIESP-SP




José Antônio Bicalho




A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) se autoproclamou “a casa do impeachment de Dilma”. O suntuoso prédio da avenida Paulista está coberto de luzes verdes e amarelas sobre as quais atravessa uma enorme faixa negra com a palavra “Renúncia já”. Ontem, a entidade abriu as portas para os manifestantes que fazem vigília no calçadão da Paulista, principal palco das manifestações pró-impeachment. Serviu a eles almoço que constou de filé mingon, massa, torta, purê, arroz e salada.

Não vou questionar a legitimidade do partidarismo da Fiesp. Trata-se de uma entidade iminentemente política, que existe para representar os interesses da indústria e dos industriais. Se querem o impeachment ou a renúncia, que tenham liberdade para fazê-lo. No entanto, ouvi de um empresário mineiro com negócios em São Paulo e trânsito na Fiesp que a tomada de posição foi voluntarista da direção da entidade e não fruto de consulta à base dos associados. O tal empresário, diga-se, não é contra nem a favor do impeachment.

Mas não é esse o ponto central. O que vejo de incoerente é que a defesa do impeachment, baseada num discurso moral e em acusações de desvios éticos, venha de uma entidade à qual são filiadas praticamente todas as empresas envolvidas nos escândalos da Petrobras e do metrô de São Paulo, para ficar nesses dois.

Onde está o mea-culpa? Para ter legitimidade para pedir a saída da presidente Dilma por desvio de conduta, a Fiesp deveria vir a público dizer claramente que não aceita desvios de conduta de seus associados. Deveria expulsar do quadro de associados todas as empresas comprovadamente envolvidas nos inúmeros escândalos de corrupção da história recente brasileira. E, mais que isso, deveria iniciar um trabalho em prol da ética, da transparência e da honestidade no meio empresarial, que é onde nascem e estão os corruptores.

Usiminas

Informação vinda do primeiro escalão do governo de Minas aponta que ganha força a tese da divisão dos ativos da Usiminas entre os sócios controladores. A avaliação é a de que o divórcio entre o grupo japonês Nippon Steel & Sumitomo e o ítalo-argentino Techint/Ternium é irreparável. A briga acionária que começou no ano passado e que levou à destituição dos integrantes da Ternium da direção executiva, incluindo o ex-presidente Julián Eguren, criou um abismo entre os dois grupos impossível de se construir pontes. A solução em estudo seria entregar a usina de Ipatinga a um dos grupos e a de Cubatão a outro. E o governador Fernando Pimentel seria convidado a mediar a partilha dos bens.

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