segunda-feira, 8 de julho de 2024

GOVERNO PETISTA DO LULA ISENTA DE RESPONSABILIDADE E JOGA A CULPA NOS OUTROS

 

História de Notas & Informações – Jornal Estadão

Sempre se disse que o PT e seu maior líder, o presidente Lula da Silva, eram imbatíveis na oposição. Sabiam mobilizar as ruas e desferir golpes abaixo da linha de cintura no governo – seguindo o questionável, porém eficiente evangelho esquerdista que divide o mundo em “nós”, o Bem, e “eles”, o Mal. Jamais entenderam a regra de ouro dos oposicionistas, aquela bem definida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seus Diários da Presidência: uma oposição, para ser ouvida, precisa ter o que dizer. Lula e o PT, porque nada tinham a dizer a não ser vender a utopia do atraso, sempre preferiram gritar. Uma vez no governo, porém, nem o PT nem Lula jamais foram capazes de entender seu novo papel, qual seja, o de dialogar com todas as forças políticas relevantes para administrar um país grande, complexo e cheio de problemas, mas igualmente com imenso potencial, como é o Brasil. A vocação oposicionista prevaleceu – e, sem conseguir realizar até mesmo as promessas de dar mais atenção às minorias e aos pobres, dos quais o PT se julga redentor, o governo petista faz o que os petistas e Lula estão habituados a fazer: isenta-se de responsabilidade. A culpa, nesse caso, é da realidade dos fatos, aquela que os petistas nunca levam em consideração.

É assim que Lula vem decepcionando até mesmo sua clientela preferencial. Confrontado com a baixa diversidade no governo, o presidente afirmou que é “mais difícil” encontrar mulheres e pessoas negras para determinados cargos, argumentando que a sub-representatividade é consequência do fato de que esses grupos não tiveram participação na política “mais contundente”. Foi duramente criticado, embora o que ele reconheceu com indisfarçável sinceridade foi, no limite, similar à declaração da ministra do Planejamento, Simone Tebet, segundo a qual é “difícil” colocar mulheres negras na Esplanada dos Ministérios porque muitas são “arrimo de família”. Foi o suficiente para que a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, com indelicadeza e estardalhaço, levasse à colega uma lista de profissionais negras que estariam “disponíveis” para serem indicadas ao governo. Resta saber se Anielle fará o mesmo com o chefe.

Também nos últimos dias circulou uma lembrança incômoda a Lula: um comentário seu sobre os incêndios no Pantanal, feito em setembro de 2020. Na ocasião, com a Amazônia e o Pantanal em chamas, Lula se perguntava por que as Forças Armadas não estavam com grande contingente nas duas regiões, denunciava o desmonte dos mecanismos de prevenção a incêndios e acusava o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de ser “um cidadão sem caráter e sem respeito pela natureza”. O resgate da declaração se justificou: o Pantanal está novamente em chamas, com a ocorrência do maior número de focos de incêndio desde que o índice começou a ser contabilizado, mesmo que haja no Ministério uma ministra cujo compromisso com a preservação é inquestionável – tudo isso sem que o governo demonstre qualquer capacidade de reagir à altura.

Há outros exemplos, como as promessas redentoras de avançar na homologação e demarcação de terras indígenas, alçar o País à condição de potência verde, corrigir mazelas no campo dos direitos humanos e, sobretudo, articular um processo de união e reconstrução nacional. Uma vez no governo, Lula não tem conseguido destravar as pautas pleiteadas por indígenas, muito menos resolver a calamidade enfrentada pelo Povo Yanomami, nem apresentar um plano claro de transição energética que faça jus à sua pregação como candidato a salvador do planeta, ou ainda atender às expectativas dos movimentos sociais. Ao mesmo tempo, continua optando por ser uma fonte de permanente divisão num país que saiu cindido das urnas.

Aqui não se entra no mérito das promessas do demiurgo, mas é evidente a profundidade do abismo que separa o Lula da oposição e o Lula da Presidência. Na oposição, sobravam críticas virulentas e propostas megalomaníacas. No governo, faltam ideias, criatividade e capacidade de governar. Mas há algo em comum entre o Lula da oposição e o Lula presidente: o discurso irresponsável, a retórica vazia e o proverbial cacoete de transferir aos outros – o mercado, os ricos, o Ocidente, etc. – a responsabilidade pela sua incompetência.

CONDENAÇÕES VIRTUAIS DO STF SOMAM 226 PRESOS APÓS 8 DE JANEIRO

 

História de Lucas Mendes – CNN Brasil

Com análise virtual, STF já soma 226 condenados um ano e meio após o 8 de janeiro

Com análise virtual, STF já soma 226 condenados um ano e meio após o 8 de janeiro© Fornecido por CNN Brasil

Um ano e meio após os ataques de 8 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou 226 pessoas por participação na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Os dois últimos foram condenados em sessão que terminou em 28 de junho. Na ocasião, foi imposta pena de 17 anos de prisão a Antônio Cláudio Alves Ferreira, que derrubou o relógio do século 17, e Leonardo Alves Fares, que invadiu o prédio do Congresso. Do presencial para o virtual As sessões de julgamentos dos réus do 8 de janeiro começaram em 14 de setembro, no plenário presencial. Depois das primeiras três condenações, a análise dos casos passou a ser feita em plenário virtual. Neste formato, não há debate entre os ministros, que apresentam seus votos de forma escrita em um sistema eletrônico. As penas fixadas pelo STF aos réus variam de acordo com os crimes. As mais altas até agora são de 17 anos de prisão em regime inicial fechado. Executores Todos os condenados até aqui integram o núcleo dos executores dos atos. São as pessoas que invadiram os prédios públicos na região central de Brasília. Todos são acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de cinco crimes: associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Um dos réus foi absolvido: Geraldo Filipe da Silva, por não haver comprovação de que participou dos ataques. Ele estava em situação de rua na época, e preso em flagrante em 8 de janeiro. Acusados No total, foram instauradas 1.354 ações penais contra participantes dos atos de 8 de janeiro. Desse total, 1.113 ações foram suspensas para que a PGR avalie a possibilidade de firmar acordos com os réus acusados dos crimes menos graves, livrando essas pessoas do processo criminal e de eventual condenação. Esse grupo é acusado de incitação ao crime e associação criminosa. São pessoas que estavam em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, e que foram presas em 9 de janeiro. Moraes já validou mais de 200 acordos do tipo. O acerto fechado com a PGR é chamado de acordo de não persecução penal. Há algumas condições para fechar os acordos, como a necessidade de confessar os crimes. Depois, os envolvidos precisam cumprir prestação de serviços à comunidade, pagar multa, e participar de curso sobre democracia.

DESCRIMINALIZAÇÃO DA MACONHA PELO STF DEMANDA NOVOS PROCEDIMENTOS

 

História de Redação – Dinheiro Rural

Os peritos criminais brasileiros aguardam o estabelecimento de novas orientações para o seu trabalho, quando tiverem que examinar maconha apreendida em pequena quantidade pela polícia. A demanda se dá após o Supremo Tribunal Federal (STF) definir que não é crime ter até 40 gramas de cannabis sativa ou seis plantas-fêmeas – que produzem flores ricas no composto psicoativo tetra-hidrocanabinol (THC).

“Com certeza, deverão estabelecer novos procedimentos, até mesmo para deixar bem caracterizada a situação que vai ficar provocada pela decisão”, aponta o perito criminal do estado do Mato Grosso Marcos Secco, presidente da Associação Brasileira de Criminalística, que representa peritos, médicos-legistas e odonto-legistas em todo o território nacional.

Nas sessões que julgaram um recurso extraordinário sobre a posse de pequenas quantidades de maconha, o STF determinou que se uma pessoa for flagrada usando a droga, a maconha será confiscada e o usuário levado à delegacia. O delegado não deverá determinar a prisão em flagrante ou instaurar inquérito, mas registrar o fato como infração administrativa e liberar a pessoa, após notificá-la de que deverá comparecer em juízo para ser ouvida e, eventualmente, receber sanção de caráter não-penal. 

A droga apreendida deverá ser examinada por peritos em laboratório para, por exemplo, identificar a substância e mensurar o volume. Segundo Marcos Secco, faltam definições quanto à obrigação de fazer a pesagem do entorpecente em balança certificada. Além de regras pontuais, o perito imagina que será necessário preparar os laboratórios e os técnicos para nova rotina. “No caso de plantas [confiscadas pela polícia], teríamos que aumentar o serviço de botânica dentro dos institutos de criminalística”, diz o perito. 

Advertências 

Quem cometer a infração administrativa por porte de maconha poderá ser advertido sobre os efeitos da droga ou ter de frequentar curso a respeito. Contudo, o defensor público Bruno Shimizu, presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), aponta lacuna nesse encaminhamento.

De acordo com ele, não há na Lei das Drogas (Lei nº 11.343/2006) um procedimento específico para a apuração de infração administrativa. “O STF entendeu que, enquanto não houver regulamentação desse procedimento, a imposição dessas sanções continua a se dar em um processo judicial”. Em sua decisão, o Supremo aponta que as regras definidas pela corte valem enquanto o Congresso Nacional não criar uma nova lei sobre o assunto.

O STF também determina que o governo crie programas educativos sobre os riscos do uso de drogas e forneça tratamento à saúde para dependentes. Essas iniciativas devem envolver diferentes órgãos de Estado. Na articulação de grande parte dessas políticas públicas estará a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Para a advogada Lívia Casseres, coordenadora-geral de projetos especiais sobre drogas e justiça racial da Senad, a decisão do Supremo pode diminuir o estigma sobre as pessoas que consomem drogas e possibilita alcançar essas pessoas “com políticas de verdade preventivas, de promoção da saúde e do cuidado”. Segundo ela, além dos órgãos públicos, a elaboração dessas políticas envolverá a sociedade civil por meio do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad).

“Há vários pontos da decisão [do STF] que ainda [a Senad] não tem total clareza, por conta de ainda não ter sido publicado o acórdão da decisão. Tem muitas complexidades que vão precisar ser pensadas, acho que por todos os poderes do Estado”, diz a coordenadora. 

Ela assinala que algumas definições técnicas não estão estabelecidas, e “vão precisar ser discutidas, amadurecidas, primeiro a partir da compreensão do conteúdo total do acórdão, de tudo que foi decidido pelo Supremo.” O envio do acórdão deverá ocorrer somente em agosto, após o recesso judiciário. Por ora, o STF encaminhou à Senad e outros órgãos apenas a ata com o resumo dos debates e a resolução.

Até mesmo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que é comandado pelo próprio presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, aguarda o acórdão da Suprema Corte para tratar de novas políticas judiciárias que deverão ser implementadas após a decisão, como a realização de mutirões carcerários para revisar a ordem de prisão de pessoas flagradas com menos de 40 gramas de maconha.

Impacto relativo 

Além de lacunas quanto a procedimentos técnicos e indefinições para formulação de novas políticas públicas, há dúvidas e divergências sobre os efeitos da decisão. O advogado Cristiano Maronna, diretor do Justa, um centro de pesquisa não-governamental sobre a Justiça, teme que o impacto da decisão do STF seja muito pequeno e que a resolução “muda algo para que tudo permaneça como está.”

Para ele, a decisão do Supremo mantém a pressuposição de que o caso é de tráfico, e não de uso recreativo, no testemunho do policial, ancorado em provas como o volume de droga apreendida e, eventualmente, a posse de embalagens, balanças ou registros de venda.

“O tráfico não pode ser presumido. A finalidade mercantil tem que ser provada e tem que ser uma prova corroborada externamente para além do testemunho policial e das provas ancoradas”, aponta o advogado. “O que realmente poderia mudar é qualificar a investigação criminal, chegar de fato a quem é traficante, a quem ganha dinheiro com isso, afinal, se for um negócio bilionário, não é possível que só prenda os miseráveis negros”.

O advogado Gabriel de Carvalho Sampaio, diretor de litigância e incidência da ONG Conectas Direitos, admite que “é preciso avançar muito mais”, mas diverge de Maronna e aponta que a decisão do STF tem efeito importante que parece simbólico, mas que tem muitos desdobramentos na realidade, que é o fato da Suprema Corte reconhecer as injustiças feitas pelo Judiciário e pela polícia na aplicação da lei de drogas.

“A resolução do Supremo passa a constituir uma ferramenta importante no cotidiano, ou seja, não bastará mais a apreensão com a quantidade, uma mera declaração subjetiva da polícia para que o enquadramento seja de tráfico. As pessoas usuárias têm, a partir de agora, uma declaração do Supremo Tribunal Federal de que elas não praticam o crime ao consumir a droga, no caso, a maconha”, avalia.

AQUISICAÇÃO DE PROGRAMAS ESPIÕES SÃO OMITIDAS PELOS ESTADOS AO STF

História de Caio de Freitas Paes – Agência Pública

Para julgar se os serviços de inteligência estão fora de controle no Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que tribunais de contas de estados e municípios informassem parte das compras recentes de programas espiões, em uso ou não, até o último dia 31 de maio. Passado mais de um mês do fim do prazo, ao menos seis tribunais ainda não responderam – quatro deles de estados com contratos de compra de programas espiões já publicados em Diário Oficial. 

Agência Pública analisou o material já recebido pelo Supremo e encontrou contradições e dados imprecisos nas respostas. Contratos firmados nos últimos anos por governos estaduais com ao menos uma empresa de inteligência, a israelense Cognyte, por exemplo, foram omitidos dos relatórios de no mínimo quatro estados ao STF. A companhia ficou famosa após o escândalo conhecido como caso First Mile, sobre o uso desse programa espião para vigilância ilegal pelo governo Bolsonaro.

O Tribunal de Contas do Estado de Goiás, por exemplo, relatou que “não participou” da compra de “sistemas de intrusão virtual remota e de ferramentas de monitoramento secreto e invasivo” e que “não guarda, utiliza ou gerencia” programas do tipo.

Mas Pública revelou como o governo goiano, já sob a gestão do bolsonarista Ronaldo Caiado (União), comprou 10 mil acessos ao software espião First Mile entre 2021 e 2022 – o mesmo programa na mira da Polícia Federal por uso ilegal no governo Bolsonaro. À época, o governo Caiado escondeu gasto de R$ 7,6 milhões com a ferramenta do grupo israelense, descrita genericamente como “solução de interceptação telefônica e telemática” para a Polícia Civil do estado.

À Pública, o tribunal de contas goiano reafirmou sua manifestação ao STF, sem informar a compra do First Mile pelo governo Caiado, e até mesmo colocou em dúvida a aquisição do programa do grupo israelense. Segundo a corte de contas, “ainda que possa ter havido referida contratação”, a aquisição do programa First Mile “não foi objeto de análise no âmbito da atividade de controle do TCE-GO”.

Governo Ronaldo Caiado (União) comprou 10 mil acessos ao software espião First Mile, mas o tribunal de contas de Goiás não informou a compra ao STF

Governo Ronaldo Caiado (União) comprou 10 mil acessos ao software espião First Mile, mas o tribunal de contas de Goiás não informou a compra ao STF© Fornecido por Agência Pública

4 estados omitiram compras; SC admitiu “equívoco”

O tribunal de Goiás não é o único com respostas questionáveis na ação em curso no STF. As cortes de contas de Amazonas, Espírito Santo e Santa Catarina se manifestaram sem relatar compras recentes de produtos da Cognyte.

Mas os três estados adquiriram produtos do grupo israelense desde 2017, ano da primeira compra de ferramentas da empresa pelo governo federal, via Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, estado governado pelo bolsonarista Jorginho Mello (PL), informou ao STF a aquisição e uso de apenas dois programas espiões: o software brasileiro Guardião, usado para grampear telefones celulares e obter outros dados, e o israelense Cellebrite, usado para desbloquear celulares, acessar mensagens e dados apagados de dispositivos apreendidos.

A corte de contas catarinense, no entanto, não fez menção às compras recentes do governo local à Cognyte. Entre 2021 e 2022, na gestão do ex-governador Carlos Moisés (Republicanos), o estado investiu, sem licitação, pelo menos R$ 490 mil para “suporte e manutenção” da ferramenta espiã Webint do grupo israelense, segundo o Diário Oficial do estado.

Questionado pela reportagem, o tribunal admitiu o erro e alegou que “a ausência de menção ao referido contrato […] se deu em razão de um equívoco”. Somente após contato da Pública, o tribunal catarinense atualizou as informações prestadas ao STF, enviando cópia do contrato assinado com o grupo Cognyte – que, ao todo, custou R$ 3,3 milhões ao estado, considerando a aquisição de “licenças perpétuas” da ferramenta Webint, instalação, uso, suporte e manutenção deste programa.

À Pública, tribunal de contas de Santa Catarina – governada por Jorginho Mello (PL) – admitiu “equívoco” ao não ter declarado compra de programa espião da Cognyte ao STF

À Pública, tribunal de contas de Santa Catarina – governada por Jorginho Mello (PL) – admitiu “equívoco” ao não ter declarado compra de programa espião da Cognyte ao STF© Fornecido por Agência Pública

Silêncio impera sobre contratos com a Cognyte

Ao todo, secretarias de Segurança de pelo menos nove estados compraram produtos da Cognyte desde a primeira aquisição do First Mile pela Abin, como revelado pela Pública em outubro de 2023. São eles: Amazonas, Alagoas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Os governos de Alagoas, Mato Grosso, Pará e Rio Grande do Sul, quatro que ainda não se manifestaram, noticiaram em seus diários oficiais aquisições de programas do grupo israelense nos últimos anos.

Sob a gestão do bolsonarista Mauro Mendes (União), Mato Grosso gastou R$ 4,6 milhões na compra de outro programa da Cognyte em 2022 – o GI2-S, que usa uma técnica patenteada pelo grupo israelense chamada IMSI Catcher, para invadir telefones celulares e rastrear quem utiliza os aparelhos. Essa técnica foi citada pelo ministro Cristiano Zanin no pedido de esclarecimentos do STF aos tribunais de contas em maio passado.

Ainda durante o governo Bolsonaro, governo Mauro Mendes (União) comprou programa espião da Cognyte por R$ 4,6 milhões

Ainda durante o governo Bolsonaro, governo Mauro Mendes (União) comprou programa espião da Cognyte por R$ 4,6 milhões© Fornecido por Agência Pública

A compra do GI2-S pelo governo Mauro Mendes teve o aval da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT). O Ministério Público estadual investigou a aquisição do programa, mas deixou pontas soltas na apuração – sem ter pedido, por exemplo, a íntegra do contrato assinado com a Secretaria de Segurança Pública ou especificações técnicas da ferramenta, como revelado pela Pública.

A reportagem procurou o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso para saber quando relatará ao STF a compra do GI2-S, mas não recebeu resposta até o momento.

 

MITOS E VERDADES SOBRE O CÂMBIO AUTOMÁTICO

História de Da Redação, com assessoria – 33Giga

5 mitos e verdades sobre o câmbio automático - DepositPhotos

5 mitos e verdades sobre o câmbio automático – DepositPhotos© DepositPhotos

Entre os motoristas, existem opiniões diferentes sobre o câmbio automático. Enquanto alguns são contra, preferindo o manual, outros defendem suas vantagens, principalmente no cotidiano do trânsito. Mas essa preferência acaba criando alguns mitos que envolvem o componente. É o que explica Leonardo Furtado, superintendente do Auto Shopping Internacional. Confira!

1. Carros com câmbio automático consomem mais combustível

Mito. De acordo com Leonardo, essa ideia surgiu principalmente devido à ineficácia dos câmbios automáticos antigos, que não possuíam um sistema de gestão adequado e mudavam de marcha em rotações mais elevadas. Como resultado, o consumo de combustível aumentava.

“Ao longo do tempo, o setor automobilístico teve diversos avanços tecnológicos e os veículos automáticos tendem a ser até mais econômicos, principalmente quando se trata da Transmissão Continuamente Variável, a CVT, que é desenvolvida justamente para reduzir o consumo”, explica.

2. As mudanças de marcha em câmbios automáticos são mais rápidas

Verdade. De fato, as trocas de marcha em câmbios automáticos são bastante ágeis. Alguns modelos são comparáveis a sistemas de dupla embreagem, conhecidos por sua eficiência e rapidez, frequentemente encontrados em carros esportivos e de alta performance.

“A tecnologia está em constante evolução e, geralmente, veículos equipados com câmbio automático conseguem atingir velocidades de 0 a 100 km/h em tempos menores do que os veículos manuais. O Jeep Renegade manual, por exemplo, tem um desempenho inferior ao da versão automática”, aponta o superintendente.

3. Embora quebrem menos, o custo de manutenção é maior

Verdade. Isso ocorre principalmente devido ao mau uso do câmbio manual, como engatar marchas sem que os conjuntos de engrenagens estejam alinhados.

Leonardo explica que o câmbio automático é controlado por um sistema eletrônico. Por isso, esse tipo de problema é evitado, mas tudo tem seu preço. “Esta transmissão é um pouco mais complexa e nem todas as oficinas têm a capacidade de realizar sua manutenção. Além disso, são necessários equipamentos especiais, o que eleva os custos de manutenção.”

4. Câmbio automático aumenta desgaste dos freios

Mito. “É verdade que, quando um veículo com câmbio automático está parado, o freio precisa ser acionado para manter o carro imóvel. No entanto, a força exercida pelo veículo para frente é tão pequena que não afeta o desgaste dos freios”, diz Leonardo.

O superintendente ressalta que existe a discussão sobre como em algumas descidas, por não poder usar o freio motor, há um aumento no desgaste. “Isso também é incorreto, pois em alguns modelos de transmissão, ao selecionar a posição L, 1, 2 ou 3 no seletor de marchas, uma marcha reduzida é engatada, eliminando a necessidade de manter o pé no pedal do freio”, comenta.

5. Engatar a marcha ré em movimento danifica a transmissão automática

Verdade. “Isso vale tanto para câmbios automáticos quanto para manuais. Engatar a marcha ré enquanto o carro está em movimento causa impacto nos componentes da transmissão. Repetindo isso várias vezes, você pode danificar a transmissão”, finaliza Leonardo.

 

APRENDA A EQUILIBRAR CONFIANÇA E PRODUTIVIDADE E ADAPTAR ESTILOS DE LIDERANÇA E CONSTRUIR JORNADA COLETIVA DE SUCESSO

 

Piero Franceschi – Partner na SatartSe

Descubra os 6 passos cruciais para iniciar a liderança de um novo time com eficácia. Aprenda a equilibrar confiança e produtividade, adaptar estilos de liderança e construir uma jornada coletiva de sucesso.

Pessoas em reunião (Foto: Canva)

Você pode até ser muito experiente, mas iniciar a gestão de um time novo é sempre um desafio interessante.

Acho que não nos damos conta, mas exercer a liderança de um time é sempre um equilíbrio dinâmico. 

Exige cuidado, atenção, escuta ativa até que se estabeleça um nível ótimo entre confiança e produtividade. Mais do que posição, é uma ação constante de equilibrar variáveis humanas móveis.

Pensando nisso e nas experiências que tive, coloquei aqui, nesse framework, a minha ideia de quais seriam os 6 passos iniciais do processo de onboarding na liderança de um time novo (veja na imagem abaixo).

Muitas vezes, cheios de certezas, partimos logo para o ataque e perdemos uma oportunidade importante de chegar de uma maneira mais sedimentada, construindo as fundações de uma jornada que terá seus altos e baixos, mas que precisa ser trilhada de maneira coletiva.

De todos os 6 pontos, o que considero mais desafiador de maneira geral é o quinto. Nele, o líder, ao invés de chegar com o famoso “esse é o meu estilo de liderança”, tem que aprender a modular o estilo de acordo com o grau de maturidade e o desafio da tarefa de cada membro da equipe. Isso dá trabalho.

Ao longo dessa semana, vou explorar mais alguns detalhes sobre os desafios de liderança, especialmente sobre a construção de confiança e sobre as 3 posições de um líder. Acompanhe aí!

E aos líderes que hoje estão assumindo um novo time, espero que ajude!

PROPÓSITO DE MARCA: POR QUE É IMPORTANTE E COMO DEFINIR O SEU

INOVAÇÃO SEBRAE MINAS GERAIS

No mercado de hoje, os consumidores têm uma infinidade de opções na ponta dos dedos. Além disso, as pessoas estão mais próximas das marcas e sempre atentas às falhas e às características daquelas não compatíveis com as suas.

Se sua marca não representa algo, não defende uma causa ou tampouco você tenha clareza do motivo de ela existir, além de propiciar que você ganhe dinheiro, isso demonstra que você pode estar em apuros. É por isso que você precisa saber mais sobre propósito de marca.

Neste artigo, vamos explorar não apenas o que é o propósito de uma empresa, mas também como definir o seu e trabalhar para cumpri-lo.

O QUE É PROPÓSITO DE MARCA?

O propósito da marca é a razão para a marca existir além de possibilitar o ganho monetário. É o principal ou os principais motivos que levam as pessoas a trabalhar em torno dos objetivos da empresa.

Se você quer um propósito de marca realmente poderoso, ele precisa estar relacionado ao produto ou serviço em si. Por exemplo, caso atue no setor educacional, seu objetivo pode ajudar ativamente no aprendizado e na formação das crianças.

Um restaurante especializado em comida de alguma região também é um bom exemplo. Além de simplesmente oferecer refeições em troca de dinheiro, aquela empresa pode ter como propósito difundir a cultura, resgatar tradições e oferecer experiências típicas de certo lugar.

A IMPORTÂNCIA DO PROPÓSITO DE MARCA

O propósito da marca é importante porque mostra aos seus clientes que você não é identificado apenas por seus produtos, serviços ou campanhas publicitárias, isto é, essa visão extrapola. Você tem um objetivo que é maior do que apenas obter lucro.

Novos clientes são atraídos pela ideia de que seus gastos podem fazer mais do que apenas ajudá-los a adquirir bens e serviços – podem fazê-los sentir parte de um esforço maior. Assim sendo, criar o seu propósito geralmente faz a diferença não só para conquistar consumidores, mas para transmitir a eles o senso de que estão gastando com algo que importa e que combina com os próprios objetivos.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE VISÃO, MISSÃO E PROPÓSITO DE MARCA?

Na hora de fazer um planejamento estratégico, você provavelmente aprendeu a definir a Visão e a Missão de uma empresa. Outro ponto é que os valores de uma marca também são facilmente lembrados na hora de criar um negócio ou planejar o trabalho.

Mas e o propósito da marca? Onde entra nessa história? Vamos às diferenças entre cada um dos termos!

O propósito é o ‘por que’ você existe: a razão de ordem superior para ser uma marca ou empresa do que apenas ‘obter lucro’ ou ‘gerar valor para o acionista’.

Visão é ‘aonde’ você quer chegar: Este é o destino do que você quer que a marca ou a empresa seja no futuro (por exemplo, ‘Queremos ser o fornecedor líder mundial de X até 2030’).

Missão ou Missões da empresa são o ‘o que’ você deve fazer para chegar lá: podem ser iniciativas ou táticas específicas centradas no desenvolvimento de produtos, excelência operacional, estratégias de entrada no mercado ou comunicações de marca.

Os valores são o ‘como’ você gostaria de se comportar para alcançar o objetivo: Qual é a cultura organizacional de uma empresa ou organização? E quais são as qualidades ou o comportamento que valoriza: por exemplo, curiosidade, inclusão, diversidade de pensamento, etc.

COMO ENCONTRAR O PROPÓSITO DE MARCA

Se deseja definir seu propósito de marca ou criar um totalmente novo, você precisa ter certeza de que ele é autêntico, antes de mais nada.

Por exemplo, se o seu propósito centra-se na ética, é essencial que você demonstre integridade e credibilidade em todas as áreas do negócio – desde a contratação de pessoal até o fornecimento de material. Em um mundo no qual as notícias se tornam virais em questão de minutos, as empresas não podem se esconder dos escândalos e precisam minimizar esse risco, sendo genuínas.

ENTÃO, POR ONDE COMEÇAR O TRABALHO DE DEFINIR O PROPÓSITO DE MARCA?

A dica essencial é simples e direta. Veja o que o mundo precisa, o que seu cliente quer e o que você oferece. Seja honesto em relação à sua paixão como empresa, mas mantenha seu público-alvo e clientes em mente durante todo o processo. É uma ótima ideia aproveitar essa oportunidade para entender melhor, via pesquisa qualitativa, o que é importante para o seu cliente.

Além disso, não se esqueça do valor de sua equipe! Todos eles terão as próprias ideias sobre a marca e o que isso significa para eles.

Ao tentar descobrir o propósito da sua marca, pode ser tentador escolher um assunto popular como o “empoderamento feminino”, mas você precisa ser honesto sobre o que o inspira e partir daí.

Se o objetivo não corresponder ao seu produto ou serviço, ele não parecerá autêntico. Lembre-se: não precisa ser baseado em caridade, no desejo de mudar o mundo ou ser complexo demais.

Também é importante não entrar em pânico se você já tem um propósito de marca, mas percebeu que ele não combina com sua marca ou público. Basta mudá-lo! Os clientes esperam que as marcas cresçam e se modernizem, já que ter uma nova ideia é melhor do que continuar com uma inadequada.

COMO COMUNICAR O PROPÓSITO AO PÚBLICO?

Então, você decidiu o propósito da sua marca. Agora é hora de informar as pessoas sobre isso.

A maioria das marcas opta por não explicá-lo explicitamente, comunicando seu propósito de marca de forma que envolva e inspire o cliente, usando imagens e campanhas. Suas plataformas de comunicação de mídia, site e marketing impresso precisam ser consistentes e estar alinhadas buscando enviar a mesma mensagem.

Dependendo da sua estratégia e do tamanho do seu negócio, agora você pode começar a criar campanhas de marketing com base no seu objetivo. Slogans são uma ótima maneira de chamar a atenção das pessoas e mostrar a direção para qual você está indo.

Caso você represente uma empresa menor que não tem estrutura para criar grandes campanhas, o propósito da sua marca pode ser comunicado nas contas de mídia social e no ambiente do seu escritório.

Afora isso, lembre-se sempre de que ações valem mais do que palavras. Nesse caso, se definiu o seu propósito de forma honesta e verdadeira, você não terá problemas em mostrar no dia a dia do negócio a forma como ele é traduzido.

Já que estamos falando de propósito, que tal criar um Manual de Marca da sua empresa? Saiba como principais motivos que vão convencer você da importância de elaborar um manual de marca para o seu negócio.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

domingo, 7 de julho de 2024

MICHELLE ESPOSA DE BOLSONARO PERGUNTA: ONDE ESTÃO AS JOIAS?

 

História de Pedro Augusto Figueiredo – Jornal Estadão

BALNEÁRIO CAMBORIÚ — A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro evitou, neste sábado, 6, comentar o indiciamento pela Polícia Federal de seu marido, Jair Bolsonaro (PL), e outros 11 aliados no caso das joias sauditas. Ao ser questionada pelo Estadão após o fim da CPAC Brasil, respondeu: “Que joias? Você tem que perguntar para quem ficou com as joias. Eu não sei de nada”, disse ela.

Michelle deixou o local sem dar outros esclarecimentos. Um grupo de apoiadores hostilizou o repórter com vaias e reclamando da abordagem.

O ex-presidente também foi questionado e preferiu desconversar: “Indiciamento da PF? Eu falo ao vivo com a TV Globo”, respondeu Bolsonaro. Ele discursou duas vezes ao longo do dia, mas evitou o assunto, dizendo apenas que a imprensa não iria desgastá-lo. Nas falas, ex-chefe do Executio se limitou a dizer que está disponível para uma sabatina de duas horas na televisão para responder sobre qualquer assunto. No segundo pronunciamento afirmou que, apesar de ser alvo da PF, “não vai recuar”.

Michelle Bolsonaro diz que 'não sabe de nada' sobre as joias Foto: Reprodução via YouTube

Michelle Bolsonaro diz que ‘não sabe de nada’ sobre as joias Foto: Reprodução via YouTube© Fornecido por Estadão

A PF indiciou Bolsonaro na quinta-feira, 4, pelos supostos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro no caso das joias sauditas. O relatório foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que agora pedirá à Procuradoria-Geral da República (PGR) para se manifestar sobre as conclusões da PF. Caberá à PGR decidir se apresenta uma denúncia contra Bolsonaro e outros 11 aliados também indiciados.

Segundo o relatório policial, o ex-presidente e seus correligionários ‘atuaram para desviar presentes de alto valor recebidos em razão do cargo pelo ex-presidente para posteriormente serem vendidos no exterior’.

MERCOSUL VAI SE REUNIR SEM A PRESENÇA DE MILEI PRESIDENTE DA ARGENTINA

 

História de MAYARA PAIXÃO E RICARDO DELLA COLETTA – Folha de S. Paulo

BUENOS AIRES, ARGENTINA, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente argentino, Javier Milei, será a grande ausência da cúpula do Mercosul na capital do Paraguai, cujos principais eventos ocorrem neste domingo (7) e nesta segunda-feira (8). Ao mesmo tempo, seu não comparecimento -um fato de pouquíssimos precedentes e visto como um sinal de enfraquecimento do bloco- é também o principal ponto de conflito do bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e uma novata Bolívia.

O ultraliberal tem impulsionado uma agenda ultraconservadora no que é considerado o principal instrumento de integração da América do Sul, o que desperta preocupação no governo Lula (PT).

Neste primeiro semestre, a diplomacia de Milei travou a criação de um subgrupo de trabalho no Mercosul para impulsionar a participação feminina no comércio regional. Foi uma proposta que partiu dos paraguaios, um dos membros mais conservadores do bloco. Brasília e Montevidéu deram luz verde, mas Buenos Aires vetou o processo.

A atual gestão da Casa Rosada também atua para paralisar o Instituto de Políticas Públicas e Direitos Humanos (IPPDH) do Mercosul, com sede justamente na capital argentina. De acordo com um diplomata com conhecimento do assunto e que fala reservadamente, sob Milei a diplomacia argentina busca de maneira sistemática criar um labirinto de questões técnicas e burocráticas que, na prática, resultam na paralisia de institutos como o IPPDH.

Quando assumiu a Presidência em dezembro e colocou a chancelaria sob a batuta da economista Diana Mondino, Milei comunicou ao Brasil que sua prioridade para o Mercosul seria estritamente econômica, deixando de lado agendas sociais. O que causa surpresa a pessoas que acompanham a guinada ideológica argentina é a criação de barreiras em assuntos que eram consenso entre os países-membros do bloco há décadas.

No caso do IPPDH, os argentinos têm pleiteado uma racionalização do órgão e uma revisão total de seu funcionamento e do uso de verbas. Em um relato público recente ao conselho do grupo, a diretora do instituto, a brasileira Andressa Caldas, relatou que hoje há uma paralisia na contratação de funcionários e na renovação de cargos temporários.

Afirmou ainda ter feito “reiterados pedidos” de respostas, mas que “o processo de consulta a um dos Estados-membros” tem demorado de maneira incomum, uma referência não nominal à Argentina. A reportagem procurou Caldas, que não respondeu.

A trava argentina ao funcionamento do IPPDH já foi tema de conversa da chanceler Mondino com seu homólogo brasileiro, o ministro Mauro Vieira. Para destravar o funcionamento do instituto, o Brasil estaria disposto inclusive a rever a sua contribuição orçamentária e crescê-la, segundo pessoas envolvidas no tema.

Hoje a Argentina assume a maior fatia do orçamento (62,5%) do instituto, seguida pelo Brasil (24,9%). O IPPDH está localizado em um dos locais mais simbólicos de Buenos Aires, em um prédio do chamado “ex-ESMA”, um antigo centro de tortura militar da época da ditadura que hoje abriga um complexo de museus.

A atual cúpula do Mercosul em Assunção foi preparada para celebrar o ingresso da Bolívia no bloco com mais de 30 anos de história.

Mas quem se encaminha ou já está em Assunção para a cúpula diz estar preocupada com o que esperar da participação argentina. Com a ausência de Milei -que, após protagonizar conflitos com o brasileiro Lula (PT) e com o boliviano Luis “Lucho” Arce, decidiu ir a Santa Catarina para uma conferência de políticos conservadores, em um aceno ao bolsonarismo–, os argentinos serão representados por Mondino.

A chanceler argentina era vista como uma possível força moderadora na política externa da Argentina. Mas a Casa Rosada, personificada na figura de Karina Milei -a irmã do presidente e secretária-geral do gabinete–, tem tomado as rédeas e pleiteado uma agenda de forte caráter ideológico. Os exemplos se acumulam e vão além do Mercosul.

A atuação argentina em outro espaço multilateral, a Assembleia-Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), em Assunção no final de junho, fez crescer essa desconfiança.

As resoluções da OEA já estavam praticamente todas negociadas quando Buenos Aires pediu para reabrir várias delas. Quatro áreas principais pareciam incomodar o país: gênero, emergência climática, restrição aos discursos de ódio e a Agenda 2030 da ONU.

Sempre que qualquer um desses assuntos aparecia em uma resolução, os argentinos buscavam suprimir os termos. Sobre gênero, argumentavam que para eles essa definição cabe ao sexo biológico (homem ou mulher) e que cotas ou políticas de paridade apenas atrasam as mulheres. Sobre coibir discursos de ódio, alegavam que a prioridade é a liberdade de expressão. Termos próximos ao combate à desigualdade e à pobreza extrema também não eram bem-vindos.

Cada país da OEA pode manifestar sua discordância acerca das resoluções negociadas por meio de uma nota de rodapé incorporada ao texto. Os números falam por si: as resoluções finais desse encontro têm 46 notas de rodapé da Argentina. O segundo país com mais observações do tipo são os Estados Unidos, com oito delas.

A figura-chave desse debate argentino na OEA foi Ursula Basset, uma advogada de direito da família próxima a Karina Milei que a irmã do presidente acolheu na chancelaria argentina. Ela liderou diversas discussões no encontro da OEA, algo visto como uma “amostra” da atuação argentina nos órgãos internacionais.

Enquanto Milei estará em Santa Catarina na companhia de bolsonaristas, em Assunção os olhos estarão voltados para sua diplomacia e também para as boas-vindas à Bolívia, que acaba de aprovar em seu Senado a entrada no Mercosul e ratificar a medida em sanção presidencial.

O feito ocorre pouco mais de uma semana após uma tentativa de golpe militar frustrada em La Paz contra Luis Arce. Ainda faltam em média quatro anos para que o país andino consiga aderir a todos os protocolos exigidos pelo Mercosul.

SELEÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL DESCLASSIFICADADA DA COPA AMÉRICA PELO URUGUAI

 

História de Lance

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A Seleção Brasileira deixou a Copa América nas quartas de final após perder para o Uruguai, com um jogador a mais. A partida, que teve início na noite deste sábado (6), foi resolvida na cobrança de pênaltis, com vitória da Celeste sobre a Amarelinha por 4 a 2, depois de empate em 0 a 0 no tempo regulamentar.

Na disputa de pênaltis, Eder Militão e Douglas Luiz erraram as batidas que deram a vantagem ao Uruguai. No final, surge uma esperança com a defesa de Alisson à cobrança de Giménez, mas não foi o suficiente para evitar a eliminação da Seleção Brasileira.

A péssima atuação da Seleção Brasileira virou alvo de crítica dos jornalistas na web. Rotulada de ‘pior geração da história’, ninguém ficou isento dos ataques. Todos os jogadores e o técnico Dorival Júnior foram detonados. Veja;

 FICHA TÉCNICA – Brasil 0 (2) x (4) 0 UruguaiCopa América – Quartas de final

 Data e horário: sábado, 6 de julho de 2024, às 22h (hora de Brasília)

 Local: Allegiant Stadium, Nevada (Estados Unidos)

 Árbitro: Dario Herrera (ARG)

 Assistentes: Juan Belatti (ARG) e Cristian Navarro (ARG)

 VAR: Guillermo Pacheco (MEX)

 Cartões amarelos: Paquetá e João Gomes (Brasil); Ugarte e De La Cruz (Uruguai)

 Cartões vermelhos: Nández (Uruguai)

 Gols: 

 Pênaltis: Andreas Pereira e Martinelli; Valverde, Bentancur, Arrascaeta e Ugarte (Uruguai)

 ESCALAÇÕES

BRASIL (Técnico: Dorival Júnior)

Alisson; Danilo, Eder Militão, Marquinhos e Guilherme Arana; João Gomes (Andreas Pereira), Bruno Guimarães (Evanílson) e Lucas Paquetá (Douglas Luiz); Raphinha (Savinho), Endrick e Rodrygo (Gabriel Martinelli).

URUGUAI (Técnico: Marcelo Bielsa)

Rochet; Nandéz, Ronald Araújo (Giménez), Olivera e Vinã (Cáceres); Ugarte, Valverde e De La Cruz (Bentancur); Pellistri (Varela), Darwin Núñez (Arrascaeta) e Maxi Araújo.

TARCÍSIO GOVERNADOR DE S. PAULO FAZ DISCURSO LINHA-DURA

 

História de FÁBIO ZANINI – Folha de S. Paulo

BALNEÁRIO CAMBORIÚ, SC (FOLHAPRESS) – O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse neste sábado (6) disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi “bombardeado por narrativas” e teve que se contrapor a elas durante toda a sua gestão no governo federal (2019-2022).

“Quanta inspiração, quanto sacrifício”, disse Tarcísio, que depois falou em Deus, em orações e no Espírito-Santo para o avanço do Brasil. “Esse ano a gente começa a construir 2026”, disse, ao destacar Bolsonaro como o líder nacional da direita e chamá-lo de “professor”.

Tarcísio falou no dia de abertura da Cpac, conferência conservadora que acontece em Balneário Camboriú (SC). Segundo ele, “em São Paulo não terá invasão de terra, porque nós não vamos deixar” e que “o crime organizado em São Paulo não terá mais vez”.

Bolsonaro comandou o país de 2019 e 2022 e perdeu a reeleição para Lula (PT), um fato inédito entre presidentes que disputaram a eleição no cargo. O ex-presidente teve uma gestão marcada pelo negacionismo na pandemia e por declarações golpistas e ataques a outros Poderes.

Enquanto ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, Tarcísio endossou a postura negacionista do então presidente diante da pandemia do coronavírus. O agora governador estava ao lado de Bolsonaro na live em que o ex-presidente ri ao comentar um suposto aumento de suicídios na pandemia.

Aliado e ex-ministro de Bolsonaro, Tarcísio é frequentemente cobrado por aliados próximos de Bolsonaro a se posicionar publicamente em defesa do ex-presidente.

Eles avaliam que o governador, apesar de ter sido eleito com o apoio de Bolsonaro, não é de fato comprometido com as pautas bolsonaristas. Tarcísio já afirmou que não é um bolsonarista raiz e que não quer se envolver em guerras ideológicas e culturais.

Como relatou a Folha, a quinta edição da Cpac Brasil deve consolidar a aliança do bolsonarismo com movimentos mundiais da direita radical.

O evento no sábado (6) e domingo (7), inspirado em uma conferência que ocorre anualmente nos EUA desde os anos 1970, dará palco a Bolsonaro e ao atual chefe de Estado argentino, Javier Milei.

A expectativa é de uma imagem dos dois juntos e de provocações ao presidente Lula (PT) nos discursos.

O argentino irritou o governo brasileiro ao vir ao país em caráter não oficial, ignorando os protocolos diplomáticos. No domingo, terá uma agenda carregada, com encontros com empresários e o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), antes de falar no evento.

Outras figuras de proa da direita latino-americana e europeia estarão presentes. Do Chile virá José Antônio Kast, que perdeu no segundo turno a eleição presidencial para o esquerdista Gabriel Boric em 2021 e desponta como favorito no pleito do ano que vem.

Ministro da Justiça de El Salvador, Gustavo Funes deve ser recebido efusivamente pela plateia, já que a política de linha-dura contra o crime no país centro-americano, com encarceramento em massa de suspeitos, tornou-se uma referência para a direita brasileira.

Também estão previstas as presenças de representantes de partidos europeus como o português Chega! e o Grupo de Conservadores e Reformistas do Parlamento do bloco. Ambiciosa, a organização do evento chegou a convidar o ex-presidente americano Donald Trump, sem sucesso.