No “Estadão Analisa” desta segunda-feira, 10, Carlos Andreazza fala
sobre as trocas de ministros que tornam mais penosa a segunda etapa da
reforma ministerial, quando o governo precisara´ agradar a aliados
centristas.
Quando, no fim de dezembro, reuniu seus ministros no Palácio da
Alvorada e admitiu que faria mudanças no primeiro escalão, o presidente
Lula da Silva deflagrou um processo no qual poderia escolher entre dois
caminhos prova´veis: um muito difi´cil e o outro ainda pior.
Realiza´-las de uma so´ vez ou fatia´-las, trocar ministros em
profusa~o ou optar por trocas pontuais, pouco importa – tempos difi´ceis
se avizinhavam para uma reforma anunciada como ta´bua de salvac¸a~o de
um governo sem rumo e sem ideias.
Afinal, reformas ministeriais costumam dar dor de cabec¸a a quem as
promove, em razão da complexa tarefa de acomodar novos e antigos
aliados, redistribuir cargos e orc¸amentos, recuperar ou adquirir
musculatura poli´tica para aprovar agendas priorita´rias ou preparar a
coaliza~o para a pro´xima disputa.
No atual esta´gio de Lula da Silva, a essas dificuldades seriam
acrescidas outras, como a ineficie^ncia do Ministe´rio e a
impopularidade do governo e do presidente, agravando ainda mais o que
ja´ e´ difi´cil.
Nesta segunda-feira (10), é celebrado o Dia do Sogro, esta data foi
criada com a intenção de homenagear a figura do sogro: pai do cônjuge de
um indivíduo.
Os sogros são “parentes por consideração”, ou seja, alguém que não
possui a mesma herança sanguínea que determinada pessoa, mas que
socialmente é considerado membro da família por afinidades.
De forma geral, os sogros são categorizados popularmente como os “segundos pais” do companheiro (a) do seu filho (a).
A palavra “sogro” em inglês é traduzida para father in law, que em
português significa “pai pela lei”, diante das leis do matrimônio.
kkk, Quem lembra da primeira conversa com ele hein?
O Dia do Sogro, comemorado em 10 de março,
é uma data dedicada a valorizar e reconhecer o papel dos sogros na vida
das pessoas. Embora frequentemente considerada uma figura de certo
mistério ou até estereótipos, o sogro, tanto no contexto da relação com o
genro quanto com a nora, desempenha um papel fundamental nas dinâmicas
familiares, contribuindo com sabedoria, apoio emocional e, muitas vezes,
sendo uma figura importante no fortalecimento dos laços familiares.
O Papel do Sogro nas Famílias Modernas
Em muitas culturas, o sogro ou a sogra é visto como uma figura que
pode influenciar positivamente o relacionamento conjugal, oferecendo
conselhos, apoio emocional ou até mesmo amizade. Embora nem sempre seja
uma relação fácil, com o tempo, o respeito mútuo e a comunicação aberta
podem transformar esses laços em algo mais harmônico.
A integração de sogros nas famílias modernas tem se
mostrado cada vez mais importante, especialmente em uma sociedade onde
as gerações anteriores desempenham um papel essencial no
compartilhamento de experiências e valores, ajudando a fortalecer a rede
de suporte familiar.
Sogro e a Contribuição para o Bem-estar Familiar
O sogro, ao lado da sogra, pode contribuir de várias formas para o bem-estar das famílias.
Ao oferecer ajuda em momentos difíceis, acompanhar as celebrações
familiares ou até ser um conselheiro no cotidiano, a figura do sogro
muitas vezes transcende os estereótipos, e se torna um suporte
importante para o equilíbrio do lar.
Em muitas famílias, o sogro também desempenha o papel de modelo de convivência,
promovendo relações baseadas em respeito, carinho e compreensão. Seu
apoio em eventos familiares, como casamentos, aniversários e outros
momentos significativos, pode ajudar a manter a coesão familiar.
Desafios e Superações: A Relação com o Sogro
Como qualquer relação dentro de uma família, a convivência com o
sogro pode ser desafiadora. Diferenças de personalidade, valores e
expectativas podem criar momentos de tensão, mas é importante lembrar
que a comunicação aberta e a empatia são essenciais
para superar esses desafios. Ao invés de encarar o sogro como uma figura
de conflito, é possível transformar essa relação em uma oportunidade de
crescimento mútuo, em que todas as partes envolvidas se tornam mais compreensivas e respeitosas.
Conclusão: Valorizando o Papel do Sogro nas Famílias
No Dia do Sogro, comemorado em 10 de março de 2025,
é um ótimo momento para reconhecer a importância da figura do sogro
dentro das famílias. Ao celebrar esta data, as pessoas podem refletir
sobre o valor das relações familiares e como a compreensão, respeito e
amor entre sogros, genros e noras podem criar uma dinâmica familiar mais
rica e harmônica.
Valorizar o sogro significa entender que ele é uma peça importante na
construção da família, e que seu papel vai além das tradicionais
limitações ou estigmas sociais. Celebrar esse dia é um convite para
fortalecer os laços familiares e criar um ambiente de acolhimento e
apoio entre todos os membros da família.
CURIOSIDADES – KARLA NETO
Você sabia que a semente do mamão podem ser usadas como tempero?
O mamão é uma fruta muito benéfica para o nosso corpo e pode ser
usada em várias receitas. Mas, muitas vezes, não aproveitamos
completamente o ingrediente e acabamos jogando fora algumas partes
importantes. Por isso, a gente separou algumas dicas de como você usar a
semente do mamão.
A semente do mamão é um ingrediente extremamente benéfico para nosso
corpo. Obvio que o ideal é você sempre consultar seus médicos e
nutricionistas para poder fazer alterações na sua rotina alimentar. Mas é
possível comer o caroço do mamão, inclusive, com a própria polpa da
fruta.
É um fato bastante conhecido que, ao secar a semente do mamão ela,
além de crocante fica com um toque mais picante. Por isso, muita gente
desconfia que, em alguns lugares, as pessoas trocam parte da
pimenta-do-reino comercializada por sementes de mamão. Nada e
comprovado, mas a gente te garante que, além dessa técnica, você ainda
pode usar a semente em outros preparos.
Tempero As sementes de mamão secas têm um sabor semelhante à
pimenta-do-reino e podem ser usadas para temperar carnes, peixes,
saladas e frango.
Chá . Para fazer o chá, triture levemente uma colher de sopa de semente de mamão e misture com 500 ml de água fervente . Deixe por dez minutos e depois coe .O chá pode ser consumido uma vez ao dia
Você sabia que o inhame ajuda na digestão e imunidade?
O inhame, ou taro, é um tubérculo que promove muitos benefícios para a
saúde, como combater a prisão de ventre, controlar a diabetes e evitar
doenças cardiovasculares, por ser rico em fibras com propriedades
laxantes, hipolipídicas e hipoglicêmicas.
Além disso, o inhame também pode favorecer o emagrecimento, pois as
fibras presentes nesse tubérculo prolongam o tempo de digestão dos
alimentos, prolongando a saciedade entre as refeições.
Além disso, o inhame também pode favorecer o emagrecimento, pois as
fibras presentes nesse tubérculo prolongam o tempo de digestão dos
alimentos, prolongando a saciedade entre as refeições
O inhame possui boas quantidades de fibra solúvel, um tipo de fibra
que absorve a água para o intestino, hidratando as fezes, facilitando a
evacuação e combatendo, assim, a prisão de ventre.
Por conter vitamina C e betacaroteno, o consumo do inhame tem ação
antioxidante e anti-inflamatória, melhora as funções das células de
defesa do organismo e fortalecendo o sistema imunológico.
O inhame ajuda a prevenir o envelhecimento precoce, porque contém
boas quantidades de vitamina C e betacaroteno, nutrientes e compostos
bioativos com ação antioxidante que combatem os radicais livres,
evitando o surgimento de rugas e flacidez.
Quando, no fim de dezembro, reuniu seus ministros no Palácio da
Alvorada e admitiu que faria mudanças no primeiro escalão, o presidente
Lula da Silva deflagrou um processo no qual poderia escolher entre dois
caminhos prováveis: um muito difícil e o outro ainda pior. Realizá-las
de uma só vez ou fatiá-las, trocar ministros em profusão ou optar por
trocas pontuais, pouco importa – tempos difíceis se avizinhavam para uma
reforma anunciada como tábua de salvação de um governo sem rumo e sem
ideias. Afinal, reformas ministeriais costumam dar dor de cabeça a quem
as promove, em razão da complexa tarefa de acomodar novos e antigos
aliados, redistribuir cargos e orçamentos, recuperar ou adquirir
musculatura política para aprovar agendas prioritárias ou preparar a
coaliza~o para a próxima disputa. No atual estágio de Lula da Silva, a
essas dificuldades seriam acrescidas outras, como a ineficiência do
Ministério e a impopularidade do governo e do presidente, agravando
ainda mais o que já é difícil.
Passados mais de dois meses daquela reunião, Lula da Silva conseguiu
surpreender negativamente até mesmo os mais céticos. No lugar de
realizar uma reforma ministerial de uma só vez, resolveu fatiá-la,
estendendo o período de calvário dos ministros candidatos a` demissão.
Alguns deles já trocados, como Nísia Trindade, ou com potencial para
serem demitidos, como ao menos uma dezena de inquilinos da Esplanada dos
Ministérios foram empurrados para a fritura pu´blica palaciana por mais
tempo do que deveriam – algo que, no cotidiano de suas pastas, paralisa
programas e amplifica a ine´rcia do governo. E o mais grave da reforma a
conta-gotas: o presidente preferiu inicia´-la para resolver problemas
internos do PT, imerso numa disputa fratricida entre grupos antago^nicos
e a`s ve´speras da sucessa~o do comando do partido, hoje dirigido por
Gleisi Hoffmann, agora promovida a ministra. E, na deliberação dos
conflitos petistas, Lula da Silva pareceu pender ainda mais para a
esquerda, levando consigo o governo e o País.
Essa escolha tornou ainda mais complicada a segunda etapa da reforma
ministerial, destinada a reacomodar aliados governistas que não são
meros satélites do universo petista. Obcecado com a popularidade perdida
e ansioso pela eleição, Lula da Silva intuiu que precisa acelerar as
pautas da esquerda – o que obviamente torna ainda mais penosa a tarefa
de manter legendas centristas tradicionais, como o PSD, e partidos do
Centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, todos integrantes do
governo, mas com porta-vozes cada vez mais ferozes na crítica ao
terceiro mandato lulopetista. Na cosmologia do poder, quanto mais
difícil o apoio, mais caro é obtê-lo e, portanto, maior prejui´zo ao
Pai´s. Trata-se do que este jornal ja´ chamou de quadratura do ci´rculo
da sua reforma ministerial: um Executivo enfraquecido e impopular que
espera agradar a aliados centristas enquanto deseja acelerar uma agenda
de esquerda e resiste a dividir o poder.
Não só Lula da Silva não entendeu ateé aqui a natureza da frente
democrática que o elegeu, como também não demonstrou ter aprendido
alguma coisa com as sequelas deixadas pelas derrotas no Congresso. Seu
Ministério não refletiu nem representou a frente que se dispo^s a
apoia´-lo. Sua fragilidade na articulac¸a~o poli´tica tornou ainda mais
evidente a care^ncia de ideias novas vindas dele e do PT. E sua
dificuldade de entender as mudanc¸as no Brasil e no mundo aprofundou a
incapacidade de enxergar soluc¸o~es compati´veis com os novos tempos.
Com uma base parlamentar inchada, fragmentada e hostil, um Executivo
fra´gil e impopular e um Legislativo fortalecido pelas emendas
parlamentares, Lula da Silva tera´ de distribuir mais poder, o que nunca
fez. Afinal, quanto maior e mais heteroge^nea a coaliza~o governista,
mais difi´cil seu manejo e mais fra´gil a governabilidade.
Resta saber se o presidente compreendera´ esses limites e exige^ncias
ao promover as pro´ximas mudanc¸as. Os sinais que emitiu ate´ aqui
desabonam progno´sticos animadores, e o que ja´ e´ complexo em tempos
normais pode se tornar uma missa~o quase impossível diante de
condic¸o~es anormais e de um presidente que continua a acreditar em seus
poderes políticos sobrenaturais.
Quando, no fim de dezembro, reuniu seus ministros no Palácio da
Alvorada e admitiu que faria mudanças no primeiro escalão, o presidente
Lula da Silva deflagrou um processo no qual poderia escolher entre dois
caminhos prováveis: um muito difícil e o outro ainda pior. Realizá-las
de uma só vez ou fatiá-las, trocar ministros em profusão ou optar por
trocas pontuais, pouco importa – tempos difíceis se avizinhavam para uma
reforma anunciada como tábua de salvação de um governo sem rumo e sem
ideias. Afinal, reformas ministeriais costumam dar dor de cabeça a quem
as promove, em razão da complexa tarefa de acomodar novos e antigos
aliados, redistribuir cargos e orçamentos, recuperar ou adquirir
musculatura política para aprovar agendas prioritárias ou preparar a
coaliza~o para a próxima disputa. No atual estágio de Lula da Silva, a
essas dificuldades seriam acrescidas outras, como a ineficiência do
Ministério e a impopularidade do governo e do presidente, agravando
ainda mais o que já é difícil.
Passados mais de dois meses daquela reunião, Lula da Silva conseguiu
surpreender negativamente até mesmo os mais céticos. No lugar de
realizar uma reforma ministerial de uma só vez, resolveu fatiá-la,
estendendo o período de calvário dos ministros candidatos a` demissão.
Alguns deles já trocados, como Nísia Trindade, ou com potencial para
serem demitidos, como ao menos uma dezena de inquilinos da Esplanada dos
Ministérios foram empurrados para a fritura pu´blica palaciana por mais
tempo do que deveriam – algo que, no cotidiano de suas pastas, paralisa
programas e amplifica a ine´rcia do governo. E o mais grave da reforma a
conta-gotas: o presidente preferiu inicia´-la para resolver problemas
internos do PT, imerso numa disputa fratricida entre grupos antago^nicos
e a`s ve´speras da sucessa~o do comando do partido, hoje dirigido por
Gleisi Hoffmann, agora promovida a ministra. E, na deliberação dos
conflitos petistas, Lula da Silva pareceu pender ainda mais para a
esquerda, levando consigo o governo e o País.
Essa escolha tornou ainda mais complicada a segunda etapa da reforma
ministerial, destinada a reacomodar aliados governistas que não são
meros satélites do universo petista. Obcecado com a popularidade perdida
e ansioso pela eleição, Lula da Silva intuiu que precisa acelerar as
pautas da esquerda – o que obviamente torna ainda mais penosa a tarefa
de manter legendas centristas tradicionais, como o PSD, e partidos do
Centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, todos integrantes do
governo, mas com porta-vozes cada vez mais ferozes na crítica ao
terceiro mandato lulopetista. Na cosmologia do poder, quanto mais
difícil o apoio, mais caro é obtê-lo e, portanto, maior prejui´zo ao
Pai´s. Trata-se do que este jornal ja´ chamou de quadratura do ci´rculo
da sua reforma ministerial: um Executivo enfraquecido e impopular que
espera agradar a aliados centristas enquanto deseja acelerar uma agenda
de esquerda e resiste a dividir o poder.
Não só Lula da Silva não entendeu ateé aqui a natureza da frente
democrática que o elegeu, como também não demonstrou ter aprendido
alguma coisa com as sequelas deixadas pelas derrotas no Congresso. Seu
Ministério não refletiu nem representou a frente que se dispo^s a
apoia´-lo. Sua fragilidade na articulac¸a~o poli´tica tornou ainda mais
evidente a care^ncia de ideias novas vindas dele e do PT. E sua
dificuldade de entender as mudanc¸as no Brasil e no mundo aprofundou a
incapacidade de enxergar soluc¸o~es compati´veis com os novos tempos.
Com uma base parlamentar inchada, fragmentada e hostil, um Executivo
fra´gil e impopular e um Legislativo fortalecido pelas emendas
parlamentares, Lula da Silva tera´ de distribuir mais poder, o que nunca
fez. Afinal, quanto maior e mais heteroge^nea a coaliza~o governista,
mais difi´cil seu manejo e mais fra´gil a governabilidade.
Resta saber se o presidente compreendera´ esses limites e exige^ncias
ao promover as pro´ximas mudanc¸as. Os sinais que emitiu ate´ aqui
desabonam progno´sticos animadores, e o que ja´ e´ complexo em tempos
normais pode se tornar uma missa~o quase impossível diante de
condic¸o~es anormais e de um presidente que continua a acreditar em seus
poderes políticos sobrenaturais.
Quando, no fim de dezembro, reuniu seus ministros no Palácio da
Alvorada e admitiu que faria mudanças no primeiro escalão, o presidente
Lula da Silva deflagrou um processo no qual poderia escolher entre dois
caminhos prováveis: um muito difícil e o outro ainda pior. Realizá-las
de uma só vez ou fatiá-las, trocar ministros em profusão ou optar por
trocas pontuais, pouco importa – tempos difíceis se avizinhavam para uma
reforma anunciada como tábua de salvação de um governo sem rumo e sem
ideias. Afinal, reformas ministeriais costumam dar dor de cabeça a quem
as promove, em razão da complexa tarefa de acomodar novos e antigos
aliados, redistribuir cargos e orçamentos, recuperar ou adquirir
musculatura política para aprovar agendas prioritárias ou preparar a
coaliza~o para a próxima disputa. No atual estágio de Lula da Silva, a
essas dificuldades seriam acrescidas outras, como a ineficiência do
Ministério e a impopularidade do governo e do presidente, agravando
ainda mais o que já é difícil.
Passados mais de dois meses daquela reunião, Lula da Silva conseguiu
surpreender negativamente até mesmo os mais céticos. No lugar de
realizar uma reforma ministerial de uma só vez, resolveu fatiá-la,
estendendo o período de calvário dos ministros candidatos a` demissão.
Alguns deles já trocados, como Nísia Trindade, ou com potencial para
serem demitidos, como ao menos uma dezena de inquilinos da Esplanada dos
Ministérios foram empurrados para a fritura pu´blica palaciana por mais
tempo do que deveriam – algo que, no cotidiano de suas pastas, paralisa
programas e amplifica a ine´rcia do governo. E o mais grave da reforma a
conta-gotas: o presidente preferiu inicia´-la para resolver problemas
internos do PT, imerso numa disputa fratricida entre grupos antago^nicos
e a`s ve´speras da sucessa~o do comando do partido, hoje dirigido por
Gleisi Hoffmann, agora promovida a ministra. E, na deliberação dos
conflitos petistas, Lula da Silva pareceu pender ainda mais para a
esquerda, levando consigo o governo e o País.
Essa escolha tornou ainda mais complicada a segunda etapa da reforma
ministerial, destinada a reacomodar aliados governistas que não são
meros satélites do universo petista. Obcecado com a popularidade perdida
e ansioso pela eleição, Lula da Silva intuiu que precisa acelerar as
pautas da esquerda – o que obviamente torna ainda mais penosa a tarefa
de manter legendas centristas tradicionais, como o PSD, e partidos do
Centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, todos integrantes do
governo, mas com porta-vozes cada vez mais ferozes na crítica ao
terceiro mandato lulopetista. Na cosmologia do poder, quanto mais
difícil o apoio, mais caro é obtê-lo e, portanto, maior prejui´zo ao
Pai´s. Trata-se do que este jornal ja´ chamou de quadratura do ci´rculo
da sua reforma ministerial: um Executivo enfraquecido e impopular que
espera agradar a aliados centristas enquanto deseja acelerar uma agenda
de esquerda e resiste a dividir o poder.
Não só Lula da Silva não entendeu ateé aqui a natureza da frente
democrática que o elegeu, como também não demonstrou ter aprendido
alguma coisa com as sequelas deixadas pelas derrotas no Congresso. Seu
Ministério não refletiu nem representou a frente que se dispo^s a
apoia´-lo. Sua fragilidade na articulac¸a~o poli´tica tornou ainda mais
evidente a care^ncia de ideias novas vindas dele e do PT. E sua
dificuldade de entender as mudanc¸as no Brasil e no mundo aprofundou a
incapacidade de enxergar soluc¸o~es compati´veis com os novos tempos.
Com uma base parlamentar inchada, fragmentada e hostil, um Executivo
fra´gil e impopular e um Legislativo fortalecido pelas emendas
parlamentares, Lula da Silva tera´ de distribuir mais poder, o que nunca
fez. Afinal, quanto maior e mais heteroge^nea a coaliza~o governista,
mais difi´cil seu manejo e mais fra´gil a governabilidade.
Resta saber se o presidente compreendera´ esses limites e exige^ncias
ao promover as pro´ximas mudanc¸as. Os sinais que emitiu ate´ aqui
desabonam progno´sticos animadores, e o que ja´ e´ complexo em tempos
normais pode se tornar uma missa~o quase impossível diante de
condic¸o~es anormais e de um presidente que continua a acreditar em seus
poderes políticos sobrenaturais.
Quando, no fim de dezembro, reuniu seus ministros no Palácio da
Alvorada e admitiu que faria mudanças no primeiro escalão, o presidente
Lula da Silva deflagrou um processo no qual poderia escolher entre dois
caminhos prováveis: um muito difícil e o outro ainda pior. Realizá-las
de uma só vez ou fatiá-las, trocar ministros em profusão ou optar por
trocas pontuais, pouco importa – tempos difíceis se avizinhavam para uma
reforma anunciada como tábua de salvação de um governo sem rumo e sem
ideias. Afinal, reformas ministeriais costumam dar dor de cabeça a quem
as promove, em razão da complexa tarefa de acomodar novos e antigos
aliados, redistribuir cargos e orçamentos, recuperar ou adquirir
musculatura política para aprovar agendas prioritárias ou preparar a
coaliza~o para a próxima disputa. No atual estágio de Lula da Silva, a
essas dificuldades seriam acrescidas outras, como a ineficiência do
Ministério e a impopularidade do governo e do presidente, agravando
ainda mais o que já é difícil.
Passados mais de dois meses daquela reunião, Lula da Silva conseguiu
surpreender negativamente até mesmo os mais céticos. No lugar de
realizar uma reforma ministerial de uma só vez, resolveu fatiá-la,
estendendo o período de calvário dos ministros candidatos a` demissão.
Alguns deles já trocados, como Nísia Trindade, ou com potencial para
serem demitidos, como ao menos uma dezena de inquilinos da Esplanada dos
Ministérios foram empurrados para a fritura pu´blica palaciana por mais
tempo do que deveriam – algo que, no cotidiano de suas pastas, paralisa
programas e amplifica a ine´rcia do governo. E o mais grave da reforma a
conta-gotas: o presidente preferiu inicia´-la para resolver problemas
internos do PT, imerso numa disputa fratricida entre grupos antago^nicos
e a`s ve´speras da sucessa~o do comando do partido, hoje dirigido por
Gleisi Hoffmann, agora promovida a ministra. E, na deliberação dos
conflitos petistas, Lula da Silva pareceu pender ainda mais para a
esquerda, levando consigo o governo e o País.
Essa escolha tornou ainda mais complicada a segunda etapa da reforma
ministerial, destinada a reacomodar aliados governistas que não são
meros satélites do universo petista. Obcecado com a popularidade perdida
e ansioso pela eleição, Lula da Silva intuiu que precisa acelerar as
pautas da esquerda – o que obviamente torna ainda mais penosa a tarefa
de manter legendas centristas tradicionais, como o PSD, e partidos do
Centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, todos integrantes do
governo, mas com porta-vozes cada vez mais ferozes na crítica ao
terceiro mandato lulopetista. Na cosmologia do poder, quanto mais
difícil o apoio, mais caro é obtê-lo e, portanto, maior prejui´zo ao
Pai´s. Trata-se do que este jornal ja´ chamou de quadratura do ci´rculo
da sua reforma ministerial: um Executivo enfraquecido e impopular que
espera agradar a aliados centristas enquanto deseja acelerar uma agenda
de esquerda e resiste a dividir o poder.
Não só Lula da Silva não entendeu ateé aqui a natureza da frente
democrática que o elegeu, como também não demonstrou ter aprendido
alguma coisa com as sequelas deixadas pelas derrotas no Congresso. Seu
Ministério não refletiu nem representou a frente que se dispo^s a
apoia´-lo. Sua fragilidade na articulac¸a~o poli´tica tornou ainda mais
evidente a care^ncia de ideias novas vindas dele e do PT. E sua
dificuldade de entender as mudanc¸as no Brasil e no mundo aprofundou a
incapacidade de enxergar soluc¸o~es compati´veis com os novos tempos.
Com uma base parlamentar inchada, fragmentada e hostil, um Executivo
fra´gil e impopular e um Legislativo fortalecido pelas emendas
parlamentares, Lula da Silva tera´ de distribuir mais poder, o que nunca
fez. Afinal, quanto maior e mais heteroge^nea a coaliza~o governista,
mais difi´cil seu manejo e mais fra´gil a governabilidade.
Resta saber se o presidente compreendera´ esses limites e exige^ncias
ao promover as pro´ximas mudanc¸as. Os sinais que emitiu ate´ aqui
desabonam progno´sticos animadores, e o que ja´ e´ complexo em tempos
normais pode se tornar uma missa~o quase impossível diante de
condic¸o~es anormais e de um presidente que continua a acreditar em seus
poderes políticos sobrenaturais.
Em seu discurso ao Congresso em 4 de março, o presidente Donald Trump pintou
um quadro fantástico. O sonho americano, declarou ele, estava crescendo
mais e melhor do que nunca. Suas tarifas preservariam empregos,
tornariam os Estados Unidos ainda mais ricos e protegeriam sua própria
alma. Infelizmente, no mundo real, as coisas são diferentes.
Investidores, consumidores e empresas mostram os primeiros sinais de
desinteresse pela visão trumpiana. Com seu protecionismo agressivo e
errático, Trump está brincando com fogo.
Ao impor tarifas de 25% sobre os produtos do Canadá e do México,
também no dia 4 de março, Trump estava incendiando uma das cadeias de
suprimentos mais integradas do mundo. Embora ele tenha adiado, dois dias
depois de implementá-las, as tarifas por um mês, muitos setores
sofrerão. Ele também aumentou as tarifas sobre a China e ameaçou a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul. Algumas dessas tarifas também podem ser adiadas; outras podem nunca se concretizar.
No entanto, tanto na economia quanto nas relações exteriores, está
ficando claro que a política está sendo definida de acordo com os
caprichos do presidente. Isso causará danos duradouros no país e no
exterior.
Quando Trump ganhou a eleição em novembro, os investidores e os chefes o aplaudiram. O S&P 500
subiu quase 4% na semana após a votação, na expectativa de que o novo
presidente acendesse uma fogueira de burocracia e promovesse generosos
cortes de impostos. Sua retórica protecionista e anti-imigração,
esperavam os investidores, não daria em nada. Uma correção no mercado de
ações ou o retorno da inflação certamente refrearia seus piores
instintos.
Donald Trump discursa no Congresso Foto: Win McNamee/AP
Infelizmente, essas esperanças estão virando fumaça. O Doge de Elon Musk está
causando caos e ganhando as manchetes, mas ainda há poucos sinais de
uma bonança desregulatória. (A ordem de Trump que proíbe a compra
federal de canudos de papel fará pouco para os resultados da America
Inc.). O projeto de orçamento aprovado no Congresso em fevereiro mantém
os cortes de impostos de 2017, no primeiro mandato de Trump, mas não os
expande – embora acrescente trilhões à dívida nacional. Enquanto isso,
as promessas de tarifas de Trump retornariam o imposto médio efetivo a
níveis não vistos desde a década de 1940, quando os volumes de comércio
eram muito menores.
Não é de se admirar que, apesar do discurso de Trump sobre um retorno
estrondoso, os mercados estejam piscando no vermelho. O S&P 500
perdeu quase todos os ganhos desde a eleição. Embora o crescimento
econômico continue razoável, nas últimas semanas, o rendimento dos
títulos do Tesouro de dez anos caiu, as medidas de sentimento do
consumidor despencaram e a confiança das pequenas empresas diminuiu, o
que sugere uma desaceleração futura. Enquanto isso, as expectativas de
inflação estão aumentando, talvez porque Trump esteja falando sobre
todas aquelas novas e maravilhosas tarifas.
Por trás do alarme está a percepção de que Trump é menos limitado por
restrições do que os investidores esperavam. Embora os aumentos de
preços tenham detonado a campanha presidencial de Kamala Harris, a
perspectiva de inflação não está dissuadindo Trump, que argumenta que os
danos econômicos das tarifas valem a pena. Durante seu primeiro
mandato, ele se vangloriou com o longo boom do mercado de ações; desta
vez, os mercados não apareceram em suas muitas postagens nas mídias
sociais. Seu adiamento das tarifas sobre automóveis é muito curto para
que o setor se adapte. Trump está mantendo sua crença de que as tarifas
são boas para a economia.
Igualmente importante, as pessoas que cercam o presidente também
parecem não ter influência. Scott Bessent, o secretário do Tesouro, e
Howard Lutnick, o secretário do Comércio, são ambos financistas, mas se
estão tentando controlar Trump, não estão se saindo muito bem. Em vez de
serem conselheiros sábios, eles parecem fantoches, explicando por que
as tarifas são essenciais e Wall Street não importa. Poucos empresários
querem falar a verdade ao poder por medo de atrair a ira de Trump.
Assim, o presidente e a realidade parecem estar se distanciando cada vez
mais.
Isso ameaça os parceiros comerciais dos Estados Unidos. Por alguma
razão, Trump reserva uma hostilidade especial para o Canadá e a União
Europeia. Como sua abordagem carece de uma lógica coerente, não há como
saber como evitar suas ameaças. O pior está por vir se ele cumprir sua
promessa ao Congresso de impor tarifas recíprocas, que correspondem às
taxas que as exportações americanas enfrentam no exterior. Isso criaria
2,3 milhões de impostos individuais, exigindo ajustes e negociações
constantes, um pesadelo burocrático que os Estados Unidos abandonaram
unilateralmente na década de 1920. As tarifas recíprocas seriam um golpe
fatal para o sistema de comércio global, segundo o qual cada país tem
uma taxa universal para cada mercadoria que não esteja em um acordo de
livre comércio.
Como se isso não fosse ruim o suficiente, as tarifas também
prejudicarão a economia dos Estados Unidos. O presidente diz que quer
mostrar aos agricultores que os ama. Mas proteger as 1,9 milhão de
fazendas americanas da concorrência inflacionará as contas de
supermercado de seus quase 300 milhões de consumidores; e compensá-las
por tarifas retaliatórias aumentará o déficit.
Independentemente da opinião de Trump, o crescimento econômico será
prejudicado porque as tarifas aumentarão os custos dos insumos. Se as
empresas não puderem repassá-los aos consumidores, suas margens
murcharão; se puderem, as famílias sofrerão o que equivale a um aumento
de impostos.
As políticas de Trump preparam um confronto poderoso com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano),
que ficará dividido entre manter as taxas altas para conter a inflação e
reduzi-las para estimular o crescimento. Uma das instituições
independentes remanescentes mais importantes dos Estados Unidos, o Fed
teria de enfrentar um presidente furioso, acostumado a conseguir o que
quer. Quando o governo encenou uma tomada de poder sobre as
responsabilidades regulatórias do Fed, ele separou cuidadosamente a
política monetária. Quanto tempo duraria essa distinção?
MAGAlomania
A economia mundial está em um momento perigoso. Tendo desafiado a
realidade (e a constituição) após perder a eleição em 2020, apenas para
ser triunfantemente reeleito em 2024, Trump não tem paciência para ser
informado de que está errado. O fato de que sua crença no protecionismo é
fundamentalmente falha pode não ser compreendido por algum tempo, se é
que será. À medida que a mensagem de Trump que está prejudicando a
economia se torna mais alta, ele pode atacar os mensageiros, inclusive
seus assessores, o Fed ou a mídia. É provável que o presidente habite
sua fantasia protecionista por algum tempo. O mundo real pagará o preço.
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As escolhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a aguardada reforma ministerial renderam comparações imediatas ao governo da ex-presidente, encerrado por um processo de impeachment em 2016, da oposição bolsonarista ao “centrão”, grupo de partidos dominante no Congresso e com cargos na administração.
Com dificuldades conhecidas desde o início do mandato para aprovar projetos no Parlamento, onde está distante de ter maioria, Lula tem sido cobrado desde a reta final de 2024 por uma reforma ministerial que daria mais espaço a siglas como PSD, PP, Republicanos e União Brasil no governo e poderia realinhar a base de apoio.
Em um demonstrativo público da cobrança, Gilberto Kassab, presidente do PSD, chamou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de “fraco”, e projetou que o presidente não seria reeleito se as urnas fossem abertas naquele momento. A declaração foi dada em janeiro.
O mês virou, e foi a vez de o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, elevar o tom e ameaçar desembarcar da gestão se
não houver “mudança de rumos”. Seu partido comanda o Ministério dos
Esportes, com André Fufuca, mas o dirigente projetou que a decisão
provocaria uma debandada de todas as legendas do “centrão” que integram a esplanada.
O que embasa e o que refuta a comparação entre os governos Lula e Dilma
Ciro Nogueira, senador e presidente do PP: projeção de “desembarque” do governo Lula
Nogueira comparou esse potencial movimento ao que ocorreu com Dilma
Rousseff antes de sofrer um impeachment, mas preferiu afastar essa
possibilidade. “O ideal é dar governabilidade do país para a gente fazer uma transição.
Se eu fosse o presidente, o mais rapidamente possível, eu anunciava que
não era candidato [em 2026] e virava essa página”, concluiu, antes de
defender que Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030, seja o presidenciável da oposição no pleito.
“Lula não enfrentou o mesmo desgaste na relação com as forças políticas em seus mandatos mandatos anteriores. O
PT era um partido mais forte em termos de expressão social, e as
alianças com PL e o então PMDB eram sólidas, o que não se reproduz
agora”, disse Carlos Melo, cientista político e professor do Insper, à IstoÉ.
Mas, diante da pressão de lideranças ideologicamente distantes, o chefe do Executivo deu mais poder a seus aliados.
Com a demissão de Nísia Trindade, Alexandre Padilha, velho conhecido
das administrações petistas, assumiu o Ministério da Saúde, um dos
maiores orçamentos e vitrines do governo. Para seu lugar na Secretaria
das Relações Institucionais, a quem cabe articular com o Congresso,
chegou Gleisi Hoffmann, presidente do PT mais conhecida por posições
inflamadas do que pela amplitude de diálogo.
As trocas deram ao partido o comando de mais de um terço dos ministérios e
rememoraram decisões de Dilma, que povoou a Esplanada com aliados no
começo de seu segundo mandato, em 2015. Nos meses seguintes, ela
enfrentaria uma recessão econômica sem margem para manobra no
Legislativo e se tornaria amplamente rejeitada — em dezembro, seu
trabalho era aprovado por 9% e reprovado por 70% dos eleitores
brasileiros, segundo o Ibope.
Em abril de 2016, às vésperas de perder o mandato, Dilma viu seis ministros deixarem seus cargos e seus partidos romperem com o governo —
quatro eram do MDB, um do PP e, do PSD, Gilberto Kassab. Com o
desembarque, as bancadas ficaram livres para, em seguida, votar e
aprovar o impeachment da petista.
Na mesma entrevista em que ameaçou romper com Lula, Nogueira foi
claro sobre os motivos de não desarmar o governo: “Uma coisa é tirar a
Dilma [Rousseff] como a gente tirou. A Dilma tinha 7%. Lula nunca vai
chegar a 7%”. Neste ano, o presidente viu seu patamar de aprovação popular despencar a um nível inédito para ele no cargo.
Entre as duas pontas da desidratação política, no entanto, Dilma entrou na mira do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (então no PMDB-RJ),
à frente do aval para o processo de impedimento e da mudança de posição
dos emedebistas. Para Carlos Melo, cientista político e professor do
Insper, este atrito é o que distancia a relação dos dois mandatários com o Legislativo.
“Lula faz um movimento ousado [ao empoderar o PT na Esplanada] em um
país que viveu as experiências de impeachment de Fernando Collor e
Dilma, mas não cometeu os mesmos erros da ex-presidente nas disputas
internas do Congresso”, afirmou. Neste 2025, o governo apoiou as
eleições de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP)
para as presidências de Câmara e Senado, respectivamente.
Peso no bolso
Das dificuldades de relação com o Congresso à impopularidade, o peso do bolso é central para explicar as crises de ambos os governos. Mesmo que a geração de empregos afaste a comparação — o Brasil registrou a menor taxa de desemprego da série histórica mapeada
pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), longe dos
10,9% de desemprego da reta final da gestão Dilma –, o alto nível de inflação registrado entre 2015 e 2016 também assombra a gestão atual.
“São dois governos que trabalham com uma inflação no teto.
O teto atual, de 4,5%, gera algum nível de alívio, mas administrações
que têm dificuldade para fazer um controle macroeconômico efetivo
enfrentam esse entrave de ter a inflação sempre ao redor do teto”, disse
à IstoÉ Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.
Nos 12 meses entre abril de 2015 e abril de 2016, o Brasil registrou uma taxa de 9,28% de inflação. Sob Lula, o acumulado de 12 meses em março de 2025 é de 4,56%, mas o cenário mais preocupante se concentra na alimentação, com índices de 8,23% para as refeições em casa e 6,29% fora de casa.
Segundo um levantamento da Fhoresp (Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo) obtido pela IstoÉ,
a elevação atual é puxada pelas carnes (20,84%), enlatados e conservas
(19%), óleos e gorduras (18,72%), leite e derivados (10,37%) e café
(8,72%).
Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda: referência na escola petista de aumento dos gastos públicos
Em reação, Lula aposta no corte de impostos sobre os alimentos,
mas pouco faz para conter os problemas fiscais e reverter o déficit das
contas públicas, em reprodução fiel da política de Dilma. “O governo
entende a necessidade do controle fiscal, mas persiste um
pensamento, desde a gestão de Guido Mantega [ministro da Fazenda de 2006
a 2015], de que gasto público é positivo porque gera crescimento“, afirmou Vale.
“Os esforços da gestão atual para um ajuste fiscal se dão por meio do
aumento da arrecadação, mas a sociedade já paga muitos impostos e o
Congresso é refratário a propostas de aumento dos tributos. Há uma percepção consolidada, entre os analistas, de que o gasto público não foi atacado“, prosseguiu.
No caso de Dilma, a alternativa proposta ao ajuste fiscal foi uma
“conjunção de políticas de estímulo de gasto, em especial com cortes de
impostos”, explicou o economista. As contas públicas federais de 2015
foram reprovadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e a petista
apresentou uma proposta orçamentária com déficit de R$ 30,5 bilhões para
2016, ano em que perdeu o cargo. O governo Lula registrou um déficit de R$ 43 bilhões em 2024.
O ex-ministro Pedro Paulo Bergamaschi e o operador Luís Pereira
Duarte de Amorim também foram condenados. A sentença também determinou
que os três paguem solidariamente uma multa de R$ 20 milhões por danos
morais coletivos.
História de Notas & InformaçõesHistória de Notas & Informações – Jornal Estadão
Para enaltecer o crescimento de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB)
em 2024, Lula da Silva profetizou em redes sociais que “2025 será´ o ano
da colheita”, mas não especificou a que safra se referia. Diz a
sabedoria popular que quem semeia vento colhe tempestade, e é a esse
“plantio” que o presidente vem se dedicando com afinco desde o início de
seu terceiro mandato, como comprova a disparada de 4,8% no consumo das
famílias em 2024, o maior propulsor do PIB.
Com a maior alta em 11 anos, os gastos dos brasileiros empurraram a
economia, embalados pelas políticas de incentivo do governo. Por óbvio,
trouxeram o efeito colateral de aumento da inflac¸a~o – que na~o
preocuparia Lula na~o fosse o ni´vel de espalhamento que atinge
indistintamente os alimentos e, por tabela, sua popularidade. Recente
pesquisa da AtlasIntel mostra que ja´ passa de 50% a parcela de
eleitores que avaliam o governo Lula como ruim ou pe´ssimo.
E´ fato que o investimento tambe´m subiu em 2024, especialmente no
u´ltimo peri´odo do ano, quando a alta de 7,3% na formac¸a~o bruta de
capital fixo (investimento em ma´quinas, equipamentos, construc¸o~es
diversas e obras de infraestrutura) em relac¸a~o ao quarto trimestre do
ano passado levou a taxa de investimento do ano a 17%. A alta e´ boa
noti´cia, mas o patamar e´ ainda pi´fio, insuficiente para garantir um
crescimento econo^mico sustenta´vel. Para manter a alta de 3,5% ao ano
por ao menos uma de´cada, como o Pai´s precisa para acelerar o
desenvolvimento, a taxa teria de ficar ao redor de 25%.
O PIB de 2024, que mante´m o Brasil entre as dez maiores economias do
mundo, e´ a parte boa e visi´vel de uma economia aquecida. O problema
esta´ na fo´rmula de crescimento, baseada em incentivo ao cre´dito,
incremento de gastos pu´blicos, ampliac¸a~o de programas de
transfere^ncia de renda e baixi´ssima contrapartida com aumento de
capacidade produtiva. Esta´ ai´ a receita do sobreaquecimento econo^mico
que leva ao descontrole da inflação e, em última instância, a`
recessão.
O consumo caiu 1% no quarto trimestre de 2024 em razão basicamente do
processo inflaciona´rio. Foi a primeira queda no ano depois de tre^s
trimestres em franca expansa~o. Em condic¸o~es normais, deveria
continuar moderado para que a inflac¸a~o convergisse para a meta de 3% e
a economia buscasse sua real dimensa~o para tornar via´vel a queda dos
juros, possibilitar um aumento natural do investimento e do cre´dito e,
ai´ sim, crescer de forma sustentável.
Mas Lula da Silva tem pressa para granjear um bom resultado
eleitoral, mesmo que a` custa do comprometimento econo^mico futuro. A
desacelerac¸a~o buscada pela poli´tica moneta´ria do Banco Central, que
caminha para uma taxa de juros acima de 15% ao ano, como preve^ o
mercado financeiro, dificilmente sera´ obtida com o governo jogando
contra, insistindo em suas poli´ticas de esti´mulo ao cre´dito e ao
consumo, ao estilo do cre´dito consignado privado e da distribuic¸a~o do
FGTS. Lula persiste na ladainha de que vai botar “dinheiro rodando na
ma~o do povo”, o que pode ate´ lhe render um punhado de votos, mas so´
servira´ para criar legio~es de endividados.
O Banco Central (BC) acaba de publicar uma oportuna resolução que
aprimora os mecanismos de segurança do Pix. Como se sabe, o meio de
pagamento instantâneo tem sido usado por bandidos para a prática de uma
série de crimes, desde desfalques em contas bancárias por roubos e
furtos de celulares até intrincados esquemas de lavagem de dinheiro por
meio de transferências fracionadas de baixa monta com o objetivo de
escapar da fiscalização.
Pelas novas regras editadas pelo BC, os participantes do Pix deverão
excluir chaves de pessoas e de empresas cuja situação não esteja regular
na Receita Federal. Isso nada tem que ver, como muito bem explicou a
autoridade monetária, com impedimentos para a realização de Pix por
pessoas físicas e jurídicas que tenham pendências tributárias com o
Fisco. Trata-se de uma espécie de saneamento de chaves, de modo a evitar
fraudes.
Por irregularidade na Receita Federal deve ser entendida a situação
de CPFs suspensos, cancelados, de titular falecido ou nulos, além de
CNPJs também registrados no Fisco como suspensos, inaptos, baixados ou
nulos. Nada a ver, portanto, com eventuais dívidas dos contribuintes.
Se quiser, de fato, combater o crime organizado atacando seu flanco
mais sensível, o Estado brasileiro precisa apertar, e não afrouxar, os
instrumentos legais e normativos de asfixia financeira das organizações
criminosas. Portanto, é muito auspiciosa esta nova regulamentação do BC,
como também era a portaria da Receita Federal que obrigava as
operadoras de cartão de crédito e instituições de pagamento a notificar o
Fisco em caso de movimentações por Pix acima de R$ 5 mil mensais por
pessoas físicas e R$ 15 mil por pessoas jurídicas.
A incompetência do governo Lula da Silva para defender uma medida do
Fisco absolutamente correta e necessária para aumentar a fiscalização
sobre as transações via Pix, o que também não implicava a tributação
dessas operações, permitiu que a oposição deitasse e rolasse no
Congresso e nas redes sociais. Nas cordas, Lula, em vez de vir a público
e explicar à população, com coragem e franqueza, a pertinência daquela
portaria, decidiu voltar atrás.
Que o mesmo não ocorra agora com a regulamentação do BC, que,
recorde-se, por lei, não tem qualquer relação de subordinação ao governo
federal. Mas é essa mentira que a oposição tenta emplacar como verdade
para fustigar o petista, em especial neste momento em que Lula é
atormentado pela queda recorde de seus índices de aprovação.
O clã Bolsonaro foi rápido em atribuir ao Poder Executivo a autoria
da resolução do BC, um disparate à luz da verdade dos fatos. No X, o
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou a medida como uma “arapuca
para atrapalhar a vida do trabalhador”. Na mesma rede social, o
inelegível Jair Bolsonaro perguntou ironicamente a seus seguidores: “Já
fez seu Pix hoje?”.
É papel da oposição tentar desgastar o governante de turno. O ideal
seria que o fizesse de boa-fé, vale dizer, com respeito aos fatos. Como
os bolsonaristas são incapazes disso, que o BC se mantenha firme na
medida e, no que lhe cabe, que o governo reforce a natureza auspiciosa
da fiscalização do Pix. Pois a derrota dos controles legais é a vitória
dos criminosos.
Por Andrea Shalal e Anastasiia Malenko e Olena Harmash
WASHINGTON/KIEV (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, elevou nesta sexta-feira as chances de impor sanções à Rússia,
dias depois de interromper o auxílio e o compartilhamento de informações
de inteligência com a Ucrânia, pedindo para que ambos os países se
engajem na negociação de um acordo de paz.
A ameaça de Trump com restrições bancárias e tarifas vem após uma
reportagem da Reuters, publicada na segunda-feira, ter informado que a
Casa Branca se preparava para aliviar as sanções contra a Rússia como
parte do plano para encerrar a guerra e melhorar os laços diplomáticos e
econômicos com Moscou.
“Baseado no fato de que a Rússia está ‘destroçando’ a Ucrânia no
campo de batalha agora mesmo, estou considerando fortemente impor grande
sanções bancárias, sanções e tarifas contra a Rússia até um cessar-fogo
e um ACORDO FINAL DE PAZ SER ALCANÇADO”, disse Trump.
“Para a Rússia e para a Ucrânia: à mesa de negociações agora, antes que seja tarde demais. Obrigado!!!”, acrescentou.
Forças russas quase cercaram milhares de soldados ucranianos que
invadiram a região de Kursk no ano passado, uma incursão-surpresa que
Kiev usou na esperança de ter uma moeda de troca em negociações de paz
com Moscou.
A situação da Ucrânia em Kursk piorou muito nos últimos três dias,
mostram mapas de código aberto. A contraofensiva russa praticamente
dividiu as forças ucranianas em duas, separando o grupo principal de
suas mais importantes linhas de suprimento.
“A situação (para a Ucrânia em Kursk) é muito ruim”, disse à Reuters
Pasi Paroinen, analista militar do Black Bird Group, que tem sede na
Finlândia. Não há confirmação oficial do avanço russo vinda da Rússia ou
da Ucrânia, que tendem a relatar os acontecimentos do campo de batalha
com certo atraso.
As forças russas também danificaram infraestruturas de energia e gás
dentro da Ucrânia durante a madrugada, no primeiro grande ataque com
mísseis desde que os EUA pararam de trocar informações de inteligência
com a Ucrânia. Dez pessoas, inclusive uma criança, ficaram feridas,
disseram autoridades ucranianas.
PEDIDO DE TRÉGUA
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, que busca reforçar o
apoio diplomático ocidental à Ucrânia após uma aparente aproximação
entre Moscou e Washington, pediu então uma trégua de ar e água.
“O primeiro passo para restabelecer a paz real é forçar que a única
fonte dessa guerra, a Rússia, interrompa tais ataques”, afirmou
Zelenskiy no aplicativo de mensagens Telegram.
Moscou tem rejeitado a ideia de haver uma trégua temporária, algo que
também já foi proposto por França e Reino Unido. O país disse que nunca
deixará que tropas de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte
(Otan) entrem na Ucrânia, após franceses e britânicos terem sugerido a
atuação de uma força europeia como garantia de qualquer acordo que seja
negociado.
A Rússia, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, já sofre
sanções impostas pelos EUA e seus parceiros após Moscou ter invadido a
Ucrânia em fevereiro de 2022.
As sanções dos EUA à Rússia incluem medidas destinadas a limitar suas
receitas de petróleo e gás, incluindo um teto de 60 dólares por barril
nas exportações de petróleo russas.
Trump não deu detalhes sobre as possíveis sanções contra a Rússia e
afirmou no Salão Oval que acha mais difícil lidar com Kiev do que com
Moscou.
Apesar das tensões com Trump, Zelenskiy disse na quinta-feira que
viajaria para a Arábia Saudita na próxima segunda-feira para uma reunião
com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, antes das
negociações que ocorrerão no país entre autoridades norte-americanas e
ucranianas.
Atualmente, a Rússia controla cerca de um quinto do território da
Ucrânia, e suas forças estão avançando constantemente na região de
Donetsk, no leste do país.
O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Mike Waltz, disse
que ele e o secretário de Estado, Marco Rubio, estarão nas negociações
com a Ucrânia na Arábia Saudita, e passou confiança de que as coisas
voltarão aos trilhos após o encontro.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou
ter tido uma “ligação construtiva” com Rubio nesta sexta-feira.
(Reportagem adicional de Tom Balmforth, Andrew Osborn, Yuliia Dysa, Nandita Bose, Susan Heavey e Ryan Patrick Jones)
Obcecado em recuperar a popularidade, o governo Lula da Silva zerou o
Imposto de Importação sobre vários alimentos para tentar conter a
inflação, que atormenta os brasileiros e prejudica a popularidade do
presidente. E o petista resolveu falar grosso. Filosofando sobre as
razões por trás do aumento do preço dos ovos, por exemplo, o presidente
Lula da Silva isentou as galinhas, responsabilizou “atravessadores” e
não descartou a possibilidade de tomar uma “atitude drástica” para
reduzir os preços, caso não encontre uma “solução pacífica”.
“Não encontrei uma galinha pedindo aumento no preço do ovo”, afirmou
ontem em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST) em Minas Gerais. “A gente não quer brigar com ninguém, a gente
quer encontrar uma solução pacífica. Mas, se a gente não encontrar, a
gente vai ter que tomar uma atitude mais drástica, porque o que
interessa é levar a comida barata para a mesa do povo brasileiro.”
Não se sabe bem que “atitude drástica” poderia ser tomada por Lula,
mas a história brasileira está repleta de momentos em que presidentes
tomaram “atitudes drásticas” para fazer a inflação baixar na marra, e o
resultado foi sempre desastroso, por implicar intervenção nos mercados e
na formação de preços, o que resulta quase sempre em desabastecimento e
desestabilização.
Na verdade, enfrentar a carestia requer austeridade, e não populismo.
Certamente não será no grito, ameaçando produtores rurais e
transportadores, que o governo terá sucesso em sua cruzada pela redução
do preço dos alimentos, mas a estratégia parece ser unicamente a de
mostrar que o governo fez tudo o que podia para ajudar os mais pobres – e
que os culpados pela inflação são, claro, os outros.
Sem ter muito o que fazer, o governo decidiu anunciar a redução do
Imposto de Importação sobre alimentos, que valerá para alguns dos itens
cujos preços passaram a assombrar o consumidor, como carnes, café e
açúcar.
A medida ainda precisa ser referendada pela Câmara de Comércio
Exterior (Camex) e incluirá milho, óleos vegetais, azeite, sardinha,
biscoitos e massas alimentícias. Alckmin disse ainda que o governo
fortalecerá a formação de estoques reguladores e dará prioridade ao
financiamento de itens da cesta básica por meio do Plano Safra. Por fim,
apelou aos governadores para que façam sua parte e isentem o ICMS sobre
esses produtos.
O conjunto de medidas mostra o tamanho do desespero de um governo
perdido e com um arsenal de medidas bastante limitado. No caso de itens
como carne, café e açúcar, o Brasil já é um dos maiores produtores
mundiais e dificilmente conseguirá importar um volume tão significativo a
ponto de reduzir seus preços. No caso do milho, o País é o terceiro
maior produtor, atrás dos Estados Unidos e China, e pratica preços
bastante competitivos nos mercados interno e externo.
Impacto
nos preços domésticos, se houver, será pouco relevante e não será
sentido no curto prazo. Ademais, não há qualquer garantia de que a
isenção de impostos seja repassada aos produtos, pois ela pode
facilmente ser diluída ao longo da cadeia. Por fim, dificilmente os
preços voltarão aos patamares anteriores.
O problema dos preços dos alimentos, como se sabe, é mais complexo e
vai muito além da tributação. A seca prejudicou o desenvolvimento das
lavouras no País e houve quebra da safra de café em países como Vietnã e
Indonésia – ou seja, a escassez é internacional. No caso das carnes, a
estiagem e as queimadas afetaram sobremaneira a formação das pastagens.
É possível buscar explicações para o comportamento dos preços de cada
um dos itens alcançados pelo anúncio do governo, mas seria tão inócuo
quanto as medidas anunciadas. A população tem percebido, ao fazer suas
compras nos supermercados, que a inflação tem afetado produtos e
serviços de forma generalizada, como há tempos não se via, e tem cada
vez menos paciência com os discursos de Lula – as pesquisas mostram que
sua verve já não convence nem mesmo parte de seu eleitorado mais fiel,
isto é, a população de baixa renda no Nordeste, região em que sua
avaliação despencou. Mas podia ser pior. Felizmente, o governo não
anunciou a taxação das exportações. Por enquanto.