domingo, 15 de dezembro de 2024

NOVA TECNOLOGIA PARA AJUDAR NA REPRESSÃO AO COMÉRCIO ILEGAL DE OURO DA AMAZÔNIA

História de Por Ricardo Brito e Anthony Boadle – Reuters

Erich Moreira, delegado da Polícia Federal do Brasil, analisa uma amostra de ouro no Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal em Brasília, Brasil 21/02/2024 REUTERS/Ueslei Marcelino
Erich Moreira, delegado da Polícia Federal do Brasil, analisa uma amostra de ouro no Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal em Brasília, Brasil 21/02/2024 REUTERS/Ueslei Marcelino
© Thomson Reuters
Por Ricardo Brito e Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) – Harley Sandoval, pastor evangélico, corretor de imóveis e empresário da mineração, foi preso em julho de 2023 acusado de exportar ilegalmente 294 quilos de ouro da Amazônia brasileira para Estados Unidos, Dubai e Itália.
No papel, o ouro vinha de um garimpo legal em Tocantins, onde Sandoval tinha licença para operar. No entanto, a polícia afirma que nenhuma quantidade de ouro foi extraída desse local desde os tempos coloniais.

Usando tecnologia forense de ponta e imagens de satélite, a Polícia Federal concluiu que o ouro exportado não vinha do garimpo licenciado em Tocantins. Na verdade, ele foi extraído de três garimpos clandestinos no vizinho Pará, alguns em terras protegidas de reservas indígenas, segundo documentos judiciais de novembro de 2023 obtidos com exclusividade pela Reuters.

Essa ação é uma das primeiras no Brasil a utilizar uma nova tecnologia para combater o comércio ilegal de ouro, que pode representar quase metade da produção nacional do minério. Garimpos ilegais se proliferaram em milhares de locais na floresta amazônica, provocando destruição ambiental e violência.
Nos últimos sete anos, apreensões de ouro ilegal cresceram sete vezes, segundo registros da Polícia Federal analisados pela Reuters com exclusividade.

Sandoval, que responde a processo em liberdade enquanto aguarda julgamento, continua a vender imóveis e pregar com sua esposa em uma igreja pentecostal em Goiânia. Ele nega as acusações e afirma ser impossível determinar a origem do ouro após sua fundição em barras para exportação.

“Isso é impossível. Para exportar ouro é sempre necessário fundi-lo”, disse ele à Reuters por telefone.

DNA DO OURO

Historicamente, o ouro é difícil de rastrear, especialmente após sua fusão, que apaga marcas de origem. Assim, ele pode ser facilmente comercializado como ativo financeiro ou usado na indústria joalheira.

Investigadores, no entanto, dizem que isso está mudando. Um programa da Polícia Federal chamado Ouro Alvo está criando um gigantesco banco de dados com amostras de ouro de todo o Brasil. Essas amostras são analisadas com tecnologias como varredura de radioisótopos e espectroscopia de fluorescência com o objetivo de determinar a composição única dos elementos.


A técnica, usada há anos em arqueologia, foi adaptada para a mineração pelo geólogo forense Roger Dixon, da Universidade de Pretória, na África do Sul, para distinguir entre o ouro legal e o roubado.

O programa desenvolvido em parceria com pesquisadores universitários também inclui o uso de poderosos feixes de luz de um acelerador de partículas em um laboratório de São Paulo para estudar impurezas nanométricas associadas ao ouro, seja de terra ou outros metais como chumbo ou cobre, que ajudam a rastrear suas origens.

O delegado Humberto Freire, diretor da Amazônia e Meio Ambiente da PF, disse que a tecnologia permite analisar o “DNA do ouro brasileiro”.

“A natureza marcou o ouro com isótopos, e conseguimos ler essas impressões únicas”, disse Freire. “Com essa ferramenta, podemos rastrear o ouro ilegal antes que ele seja refinado para exportação”, ressaltou.
O programa tem ajudado a impulsionar o aumento na apreensão de ouro ilegal desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse no começo do ano passado. Elas cresceram 38% em 2023 ante o ano anterior, segundo dados da PF. Regras mais rígidas do Banco Central e da Receita Federal para o mercado de ouro, incluindo notas fiscais eletrônicas obrigatórias e maior fiscalização, também contribuíram para a elevação da apreensão do minério comercializado na ilegalidade, segundo Freire.

“Estima-se que cerca de 40% do ouro extraído na Amazônia seja ilegal”, disse o delegado da PF.

Em 2020, o Brasil exportou 110 toneladas de ouro, avaliadas em 5 bilhões de dólares, posicionando-se entre os 20 maiores exportadores globais. Em 2023, as exportações caíram para 77,7 toneladas, uma redução atribuída ao aumento do combate ao garimpo ilegal, segundo envolvidos nas discussões e especialistas do setor.

TENSÕES INDÍGENAS

O ex-presidente Jair Bolsonaro, antecessor de Lula, enfraqueceu os controles ambientais na Amazônia durante seu governo, o que desencadeou uma nova corrida do ouro no Brasil impulsionada por preços recordes no mercado mundial — motivados por tensões geopolíticas e compras por bancos centrais, lideradas pela China.

Os preços continuaram a atingir novos recordes, chegando a 2.662,82 dólares por onça na sexta-feira.

Corridas atrás do ouro têm sido uma marca do Brasil, rico em minério desde o período colonial. Mas o aumento recente da mineração clandestina durante o governo Bolsonaro é sem precedentes. Imagens de satélite mostram que 80.000 garimpos chegaram a estar em atividade na floresta amazônica, um recorde absoluto.

Antes dominada por garimpeiros com bateias, o garimpo no Brasil tornou-se uma atividade em escala industrial, com maquinário pesado de escavação e dragas fluviais milionárias. Organizações criminosas transportam pessoas, equipamentos e ouro para dentro e fora das regiões garimpeiras com helicópteros e aviões que pousam em pistas clandestinas.

As escavações frequentemente deixam para trás lagoas de lama contaminadas com mercúrio, usado para separar o ouro da terra e de outros minerais.

No ano passado, milhares de garimpeiros que invadiram o Território Indígena Yanomami, a maior reserva indígena do país, na fronteira norte com a Venezuela, trouxeram violência e doenças que causaram a desnutrição e uma crise humanitária, levando Lula a enviar tropas para o local.

Mas muitos voltaram este ano após a retirada dos militares. Lula, que prometeu acabar com a mineração ilegal de ouro, tenta combater o problema montando uma estrutura com forças especiais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outros órgãos para reservas indígenas e parques de conservação florestal.

A polícia afirma que reprimir as quadrilhas do crime organizado que financiam os garimpeiros é o próximo passo para conter um comércio ilegal que abastece a indústria de joias e relógios na Suíça, que compra 70% do ouro exportado pelo Brasil, de acordo com dados comerciais do governo.

Vizinhos da Amazônia, como Colômbia e Guiana Francesa, estão considerando adotar o método brasileiro de análise de ouro para enfrentar o comércio ilegal de ouro. Governos europeus também demonstraram interesse, incluindo a Suíça e o Reino Unido, os principais importadores do Brasil depois do Canadá, segundo policiais e diplomatas.

O Brasil representa apenas 1% do ouro importado pela Suíça, um centro global de comércio do metal, e “medidas estão em vigor para importar apenas ouro extraído legalmente”, afirmou um comunicado da embaixada suíça. A embaixada informou que criou um grupo de trabalho com outros países importadores para estudar ferramentas de rastreabilidade e combate à falsificação.

Um estudo de 2022 do Instituto Escolhas, uma organização sem fins lucrativos que avalia a situação do ouro, descobriu que 52% do minério exportado da Amazônia era ilegal, quase todo proveniente de terras indígenas protegidas ou parques nacionais de conservação.

Um lobby vigoroso a favor da mineração informal de ouro prosperou sob Bolsonaro em um Congresso predominantemente conservador, onde projetos de lei em tramitação propõem legalizar a mineração clandestina.

Por enquanto, amostras de ouro de todo o Brasil estão sendo adicionadas a um banco de dados com a ajuda dos peritos do Instituto Nacional de Criminalística da PF em Brasília, onde o coordenador do programa Ouro Alvo, Erich Moreira Lima, supervisiona a análise microscópica de pepitas de ouro guardadas em um cofre.

“Agora que temos uma equipe formada, esperamos analisar as 30.000 amostras de ouro que o Serviço Geológico do Brasil coletou. Em alguns anos, devemos ter mapeado todas as 24 regiões produtoras de ouro do Brasil”, disse ele à Reuters.

Ouro de regiões como a terra Yanomami, em Roraima, e outras localidades nos Estados do Pará, Amapá e Mato Grosso já estão sendo catalogados.

A geóloga Maria Emilia Schutesky e sua equipe no laboratório de geociências da Universidade de Brasília realizam análises de espectrometria de massa em amostras de ouro para identificar moléculas associadas, como chumbo, e determinar as origens do ouro.

“Nós, pesquisadores, buscamos uma capacidade de rastreamento de ouro de 100%, mas isso é mais do que a polícia precisa para comprovar um crime, que é apenas estabelecer que o ouro não vem de onde o suspeito afirma que vem”, disse Schutesky.

 

PELA PRIMEIRA VEZ UM GENERAL DE QUATRO ESTRELAS ACABA NA CADEIA

 

História de Notas & Informações – Jornal Estadão

O País acordou ontem com a notícia da prisão de um general quatro estrelas da reserva, um desdobramento dramático do caso da suposta trama golpista contra o presidente Lula da Silva, investigada pela Polícia Federal (PF). É evidente que tudo ainda carece de maiores esclarecimentos, mas o episódio em si mesmo ilustra com clareza meridiana a dimensão da vergonha causada pelo bolsonarismo às Forças Armadas.

Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após consulta à Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF) prendeu preventivamente o general de Exército da reserva Walter Braga Netto. O militar, segundo a PF, é suspeito de ser um dos líderes da tentativa de golpe de Estado urdida nos estertores do governo de Jair Bolsonaro para impedir a posse de Lula da Silva, plano que teria envolvido até o assassinato do atual mandatário, entre outras autoridades.

Moraes decretou a prisão preventiva de Braga Netto porque, ainda de acordo com a PF, ele estaria destruindo provas e, principalmente, coagindo testemunhas para tomar conhecimento do teor sigiloso do acordo de colaboração premiada firmado pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

A serem verdadeiras essas acusações, haja vista que a prisão de Braga Netto foi ordenada por Moraes em grande medida pelos supostos novos elementos de prova que Mauro Cid teria fornecido ao STF em seu depoimento mais recente, prestado no dia 21 de novembro, está-se diante, de fato, de condutas típicas para a decretação da prisão preventiva. Por essa razão, Braga Netto foi mantido no cárcere após ser submetido à audiência de custódia, ocasião em que são verificadas as eventuais ilegalidades de uma prisão.

De todos os suspeitos de participar da intentona, Braga Netto, sem dúvida alguma, é o mais graduado a ser preso até agora. Acima dele só haveria o golpista maior, Jair Bolsonaro, o grande beneficiário do eventual sucesso daquele plano nefasto que teria sido colocado em marcha após sua derrota nas urnas em 2022, como aponta a PF. A regra no Brasil, como o passado demonstra, sempre foi o acobertamento de militares, da ativa e da reserva, suspeitos de terem cometido crimes comuns – à exceção, por óbvio, daqueles delitos cobertos pela Lei da Anistia, de 1979.

A prisão preventiva de Braga Netto, portanto, quebra essa rotina de leniência, para dizer o mínimo, com a apuração de crimes comuns envolvendo militares, fardados ou não, em que pese se tratar – e é fundamental frisar isso – de uma prisão cautelar, ou seja, decretada em sede de investigação, e não de antecipação de culpa nem muito menos de cumprimento de pena. Mas só isso, porém, já é algo inédito ao menos desde a redemocratização do País.

Se a prisão de outros militares de alta patente suspeitos de envolvimento na tentativa de golpe já não foram triviais, a de Braga Netto é histórica, na mais estrita acepção do vocábulo. Afinal, além de ele ser um general com quatro estrelas nos ombros a ir para a cadeia, sobretudo por suspeita de ter liderado uma tentativa de golpe de Estado, Braga Netto foi chefe do Estado-Maior do Exército, ministro da Casa Civil e da Defesa no governo Bolsonaro, candidato a vice na chapa do ex-presidente e, ademais, interventor na Segurança Pública do Rio de Janeiro, uma elevada posição de poder, malgrado o fiasco operacional da intervenção militar.

A prisão de um personagem como Braga Netto, alguém que, além de possuir o currículo acima, foi uma figura central na política brasileira nos últimos anos, é reveladora do desassombro com que membros do alto escalão do governo anterior parecem ter agido para se manter no poder a despeito da derrota eleitoral. Como sublinhamos nesta página há algumas semanas, o Brasil só terá paz quando todos os suspeitos de ter urdido o golpe de Estado forem julgados de acordo com as leis do mesmo Estado Democrático de Direito que tentaram abolir (ver Traidores da Pátria, 20/11/2024).

Desde a manhã de ontem, o general da reserva Walter Braga Netto viu consideravelmente reduzida a distância que o separa desse inevitável acerto de contas com a Justiça.

BOLSONARO PERGUNTA COMO ALGUÉM PODE SER PRESO POR OBSTRUIR INVESTIGAÇÃO JÁ CONCLUÍDA

 

História de Redação – Jornal Estadão

BRASÍLIA – O ex-presidente Jair Bolsonaro usou sua rede social para questionar a motivação da prisão do general Walter Braga Netto neste sábado, 14. Em postagem no X, Bolsonaro indagou como o ex-ministro pode ter sido preso por interferir numa investigação que já teria terminado.

O ex-presidente Jair Bolsonaro questionou a prisão do general Braga Netto Foto: Wilton Junior/Estadao

O ex-presidente Jair Bolsonaro questionou a prisão do general Braga Netto Foto: Wilton Junior/Estadao

“Há mais de 10 dias o “Inquérito” foi concluído pela PF, indiciando 37 pessoas e encaminhado ao MP. Como alguém, hoje, pode ser preso por obstruir investigações já concluídas?”, escreveu Bolsonaro. O questionamento do ex-presidente faz referência ao fato de a Polícia Federal já ter enviado ao Supremo Tribunal Federal o relatório da apuração sobre tentativa de golpe.

A ação deste sábado, no entanto, foi baseada em novas revelações do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o coronel Mauro Cid. Em complemento à delação premiada, Cid contou que o general Braga Netto tentou obter informações sobre o conteúdo da delação, cuja íntegra até hoje permanece em sigilo.

Na manhã deste sábado, com autorização do ministro Alexandre de Moraes, a PF prendeu Braga Netto sob acusação de interferência em investigações. O militar está detido no Rio de Janeiro sob a custódia do Exército.

A defesa de Braga Netto sustenta que poderá provar que ele não tentou interferir nas investigações, mas só vai se pronunciar sobre o caso quando tiver acesso à íntegra dos novos documentos.

A REFORMA TRIBUTÁRIA CAMINHA PARA TER O MAIOR IMPOSTO DO MUNDO

 

História de João Nakamura – CNN Brasil

O caminho que vai levar o Brasil a ter o maior imposto do mundo

O caminho que vai levar o Brasil a ter o maior imposto do mundo

O texto-base da reforma tributária foi aprovado pelo Senado na quinta-feira (12). A tramitação do projeto, porém, não para por aí. A reforma ainda volta para a Câmara dos Deputados, por conta de mudanças feitas no texto pelos senadores, que ainda pode ter novas alterações antes de ir à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), buscou abraçar – parcial ou integralmente – cerca de 600 das mudanças propostas pelos legisladores. Especialistas ouvidos pela CNN afirmam que, dentre elas, há tanto medidas benéficas como maléficas para as intenções da reforma. A alíquota média do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) – modalidade que irá substituir uma série de tributos estaduais e federais nos próximos anos – ainda não está definida. Mas estimativas apontam que ela deve ultrapassar 28% (podendo chegar a mais de 29%). Se a estimativa de fato for concretizada, isso significaria que o Brasil teria o maior IVA do mundo, ultrapassando a carga de 27% da Hungria. Como o Brasil chegou a esse ponto? O principal motivo: regimes especiais que reduzem o peso dos impostos sobre alguns setores. Desse modo, a média precisa subir, pois um dos princípios é a manutenção da carga tributária. Tathiane Piscitelli, coordenadora do Núcleo de Direito Tributário da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito SP), reafirma que a reforma tributária aprovada no Senado evoluiu e conseguiu manter seus princípios de simplificação, neutralidade e não cumulatividade. Porém, ao olhar para as isenções aprovadas, a especialista diz ter dúvidas se o projeto seguiu princípios de privilegiar setores e serviços essenciais. “Essa lista [de isenções] não pode ser indiscriminada. Concordo integralmente com as críticas porque a ideia é a neutralidade, a simplificação. As alterações devem ser convergentes com os valores constitucionais de justiça tributária e social”, avaliou Piscitelli em entrevista ao CNN Money. “As exceções devem seguir isso, e não os interesses das bancadas de interesse, a fim de construir um sistema tributário mais eficiente.” Estudos apontam que a reforma tributária tem potencial para impulsionar a economia do país. Ao descomplicar a estrutura tributária do país, o projeto tende a reduzir custos e tornar o ambiente brasileiro mais atrativo para negócios. Segundo a Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI), o contencioso tributário do Brasil chega, hoje em dia, a cerca de 70% do Produto Interno Bruto nacional — a soma de todas as riquezas do país. Nos Estados Unidos, o valor é de 1% do PIB. O Banco Mundial aponta que o atual sistema tributário brasileiro é um dos cinco piores do mundo, num ranking com mais de 170 países. Segundo a instituição financeira internacional, as empresas gastam cerca de 1.700 horas por ano com compliance tributário no Brasil. Porém, Marcus Pestana, presidente da IFI, relembra que, durante as audiências que teve com os senadores, o grupo buscou bater na tecla de que quanto mais exceções, maior seria a alíquota geral e a complexidade operacional do sistema; e menores os efeitos na produtividade. Ademais, Pestana aponta que as exceções não são as únicas culpadas pelo IVA elevado. “O Imposto sobre Valor Agregado vai ser o maior do mundo por conta do nosso perfil tributário e de renda. Nossa matriz tributária é muito concentrada no consumo, diferente dos países ricos onde está no patrimônio e na renda”, disse à CNN. “Para encontrar a alíquota, vamos ter que aprender a nadar nadando. A própria realidade vai ditar, mas, ao mudar a regra do jogo, não tem como antever esse hiato”, conclui. O presidente da IFI se refere ao chamado “hiato de conformidade”. Apesar de a busca por um novo sistema buscar a melhoria, a mudança de regras também pode abrir novas brechas. Sonegação, judicialização e elisão fiscal são alguns dos desafios apontados por Pestana, cuja magnitude só poderá ser compreendida com a reforma operante. Para Piscitelli ainda há outro destaque negativo que, segundo análise do Grupo de Pesquisa Tributação e Gênero da FGV Direito SP, transfere o impacto para o bolso dos brasileiros: a decisão do Senado de retirar as armas e munições do Imposto Seletivo (IS), o chamado “imposto do pecado”. Os armamentos foram e voltaram da cobrança, mas no fim acabaram removidos por pressão da bancada da bala. “Essa decisão resultará em uma redução de 70% na tributação de revólveres, o que aumentará o peso da alíquota geral sobre toda a sociedade. A exclusão das armas do seletivo transfere para a sociedade o custo da violência armada. É hora de pressionar os senadores para evitar esse retrocesso”, afirma nota enviada por Piscitelli. Êxitos da reforma tributária Piscitelli e Pestana reforçam que a alíquota poderia ser menor caso houvessem menos exceções. Mas reconhecem que, além de esta ter sido a reforma possível, ela carrega seu valor. “[A reforma tributária] é uma notícia boa para um país que está precisando de notícias boas. Ela melhora o ambiente de negócios”, enfatiza o presidente do IFI. “E mesmo não tendo sido a reforma ideal, dadas as pressões naturais do sistema democrático, saímos de um sistema que é regressivo, injusto – onde pobres pagam mais que os mais ricos -, complexo, burocrático, caro e inseguro.” Para a professora da FGV Direito SP, alguns destaques são a redução de alíquota para fraldas, o cashback para serviços de telecomunicação e a isenção para carnes. A especialista em direito tributário reconhece que seria mais eficiente incluir também as proteínas animais no sistema de devolução de valores, mas aponta que o problema é que o país não tem o espaço orçamentário para dar o cashback a todos que precisam. “A população de baixa renda não deve sofrer, seguindo a lógica da essencialidade, da justiça tributária e de que o debate democrático depende do acesso à informação e à telecomunicação. Quem vai ser atingido é quem demanda por medidas, e nesse caso não é a maior parte do grupo”, conclui Piscitelli. Em entrevista ao WW, o economista e advogado tributarista Eduardo Fleury ressalta que o projeto tratá um “ganho substancial” em eficiência e simplificação para o ambiente de negócios. “Antes, com menos exceções, tinhamos equilíbrio de preços relativos, escolher o produto baseado no preço real e preferência. A despeito dos preços ficarem desnivelados, agora vamos saber quais são, hoje nao se sabe qual é. Com essa transparência e simplificação, todo mundo vai sentir a mudança”, afirmou Fleury. “Apesar de todas as exceções, a visualização vai ser infinitamente melhor. Vai haver um menor custo de administração do tributo e uma melhora substancial no ambiente de negócios”, conclui. https://www.youtube.com/watch?v=4ya2KWYnTnQ Posição dos setores Setores da economia – como o imobiliário, de serviços e algumas áreas da indústria – celebraram os benefícios assegurados pela reforma tributária. Entidades como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir) e a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). O texto propõe uma redução na alíquota da Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) para comerciantes da Zona Franca de Manaus (ZFM), além de contemplar a indústria de refino de petróleo da Amazônia Ocidental com regime favorecido. A Fieam defende que “a regulamentação aprovada no Senado não concede novos privilégios à ZFM, apenas transpõe os mecanismos existentes na legislação do ICMS. Nada além disso”. A entidade afirma que a decisão do Senado reafirma o valor estratégico da região. Além disso, reforça que a compensação de tributos visa garantir a competitividade num local com altos custos e “uma importância ambiental única”. “Este modelo, respaldado pela Constituição, é vital para assegurar que a produção industrial na Amazônia participe de forma justa do mercado nacional e internacional, evitando a migração de empresas para outros países e protegendo mais de 96% da floresta amazônica”, conclui a Fieam em nota. Outro lado da moeda Na ponta oposta, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avaliam como problemáticos os benefícios cedidos à produção da Zona Franca de Manaus, e veem com preocupação como ficaria a competitividade entre diferentes regiões. Em entrevista à CNN, Igor Rocha, economista-chefe da Fiesp, afirma que a medida fere o princípio de isonomia proposto pelo projeto reforma tributária. “Sem dúvida fere. [O texto] amplia ainda mais os benefícios tributários de uma única região em detrimento de todas as outras do país”, indaga Rocha. Já a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avalia que muitos dos pontos alterados são prejudiciais, sobretudo às pequenas empresas, que poderão sofrer com desvantagens competitivas diante das grandes empresas. “Das 24 milhões de empresas do país, aproximadamente 9 milhões estão incorporadas no Simples Nacional e 14 milhões são MEIs. Se a proposta da Reforma Tributária for aprovada no Congresso Nacional, muitas empresas desse porte sofrerão danos irreversíveis e, consequentemente, os reflexos serão vistos na economia”, diz em nota.

STF AFIRMA QUE O JUDICIÁRIO NÃO TEM PARTICIPAÇÃO E NEM RESPONSABILIDADE SOBRE A CRISE FISCAL

 

História de Notas & Informações – Jornal Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou há poucos dias que “o Judiciário não tem participação nem responsabilidade sobre a crise fiscal” do País. Essa foi a espantosa resposta do ministro a um questionamento de jornalistas sobre os salários dos magistrados, que não raro estão muito acima do teto que a Constituição fixa para a remuneração dos servidores públicos. Além de se tratar de incrível demonstração de alheamento à realidade do País, a declaração ignora olimpicamente que o Judiciário, como qualquer parte da estrutura do Estado, é financiado com o dinheiro dos impostos e que, por isso, deve participar dos esforços para conter os gastos públicos.

É evidente para qualquer cidadão de boa-fé que o Judiciário pode não ser tido como o principal responsável pelo desequilíbrio das contas públicas. Mas ofende a inteligência negar o peso excessivo que esse Poder representa para o contribuinte, sobretudo quando comparado ao Judiciário de outras nações no mesmo patamar de desenvolvimento do Brasil ou até mais avançadas.

Apenas em 2023, o Judiciário brasileiro custou quase R$ 133 bilhões, o que representou 1,2% do PIB daquele ano, segundo o relatório Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a arrecadação correspondeu a pouco mais da metade das despesas (52%) no mesmo período.

Um estudo do Tesouro Nacional mostrou que o Judiciário brasileiro custa três vezes mais que a média dos países emergentes e está muito à frente dos países desenvolvidos, que gastam apenas 0,3% do PIB com a Justiça.

Por óbvio, não se espera que o Judiciário “dê lucro”, nem mesmo que empate a sua balança de pagamentos, por assim dizer. Não é essa, afinal, a métrica de avaliação da prestação jurisdicional. Mas é igualmente indiscutível que, para onde quer se olhe no Judiciário – e em outras carreiras jurídicas do Estado, como as do Ministério Público, por exemplo –, pululam oportunidades de racionalização de custos que já seriam obscenos ainda que o Judiciário brasileiro fosse, além do mais caro, o mais eficiente do mundo – coisa que nem remotamente é.

Muitos sabem onde está o foco do problema, mas poucos ousam enfrentá-lo. É preciso acabar com a farra dos pagamentos fora do teto constitucional, com as tais “verbas indenizatórias”, penduricalhos que engordam os vencimentos de Suas Excelências em muitos milhares de reais além do que permite a Constituição de forma expressa.

Naquele mesmo ano de 2023, segundo um relatório da Transparência Brasil publicado pelo Estadão em setembro deste ano, o Judiciário pagou aos seus juízes nada menos que R$ 4,5 bilhões fora do teto constitucional, valor sobre o qual, é fundamental frisar, não é recolhido um mísero centavo de Imposto de Renda. O valor pode ser ainda bem maior, pois o relatório teve como base a folha de pagamento de 18 dos 27 Tribunais de Justiça do País. Vale dizer, não entrou no cálculo o que eventualmente pode ter sido pago fora do teto aos magistrados da Justiça Federal, da Justiça Militar e de tribunais superiores.

O ministro Barroso insiste no argumento segundo o qual é preciso tornar a magistratura “atraente” para os profissionais do Direito com uma boa remuneração, sob risco de haver uma evasão de juízes País afora e, no limite, um colapso da Justiça. Em primeiro lugar, os servidores do Judiciário já fazem parte da elite do funcionalismo público. Ademais, não se tem notícia de juízes que tenham abandonado a carreira por insatisfação salarial nessa proporção apocalíptica apresentada pelo presidente do STF. Em segundo lugar, ninguém defende que juízes ganhem mal nem menos do que ganham atualmente, o que seria absurdo, mas sim que se cumpra o mandamento da Constituição. O mínimo que se pode esperar do Judiciário, um Poder já muitíssimo abonado, é que deixe de engendrar manobras para driblar o teto constitucional.

A declaração de Barroso vocaliza um sentimento que se espraia por todo o Judiciário. Em última análise, são privilegiados defendendo seus privilégios. A grande questão é o que a sociedade fará com essa informação.

PARTIDO REDE COMPARA INQUÉRITO SOBRE OFENSAS A MINISTROS AO AI-5

 

Blog do Fausto Macedo – Jornal Estadã

Partido moveu Arguição de Descumprimento de Direito Fundamental contra inquérito, que está sob relatoria de Alexandre de Moraes e já resultou em buscas e apreensões; Ato Institucional nº 5, de 1968, foi o mais pesado golpe do regime militar às garantias Constitucionais e direitos

A Rede Sustentabilidade moveu ação contra o inquérito que mira supostas ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal. O partido pede, em medida cautelar, que a portaria de instauração do procedimento seja suspensa e, no mérito, que seja considerada inconstitucional. Para os advogados da legenda, o inquérito visa ‘intimidar’ quem eventualmente criticar a postura dos ministros da Corte. O partido compara o inquérito ao Ato Institucional nº 5, de 1968, o mais pesado golpe do regime militar (período de exceção) às garantias Constitucionais, que, entre outras medidas, instaurou a censura, proibiu manifestações políticas e fechou o Congresso.

AÇÃO

Nesta quinta, 21, o ministro Alexandre de Moraes, relator, determinou medidas de busca e apreensão no âmbito da investigação. As ações foram cumpridas pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 21, em endereços de suspeitos em São Paulo e Alagoas. Na noite desta quarta-feira, 20, Moraes designou dois delegados para trabalhar nas investigações, um da Polícia Civil de São Paulo, da divisão de inteligência da corporação que auxiliará nas investigações das redes, e outro da PF especializado em repressão a crimes fazendários.

O inquérito é alvo de questionamento da procuradora-geral, Raquel Dodge, que questiona a competência da Corte para abrir e conduzir a investigação. A chefe do Ministério Público Federal quer saber quem são os alvos da investigação que justificam sua condução no STF.O Estado apurou que o inquérito não cita nomes, mas entre os alvos estão os procuradores Deltan Dallagnol e Diogo Castor, além de auditores da Receita Federal.

Para o advogado da Rede, Danilo Morais dos Santos, ‘a prevalecer o objetivo por ele pretendido, a própria Suprema Corte estaria a editar, em pelno regime democrático, mecanismo de auspícios análogos ao do famigerado AI-5, dispondo de ferramental para intimidar livremente, como juiz e parte a um só tempo, todo aquele que ousar questionar a adequação moral dos atos de seus membros’. “Aliás, estes eminentes julgadores não merecem escapar à censura da Opinião Pública, visto que optaram livremente por se investir na condição de agentes públicos”.

“Ora, a malsinada Portaria GP nº 69, de 14 de março de 2019, ao instituir investigação criminal ilegal e inconstitucional, sem fatos específicos e contra pessoas indeterminadas, viola as garantias mais básicas do Estado Democrático de Direito e coloca em risco, em potencial, o direito de ir e vir de autoridades dos Três Poderes da União”, sustenta.

De acordo com a Rede, na prática, ‘transforma o STF em órgão policial de investigação criminal nacional, colocando uma “espada de Dâmocles”, por tempo indeterminado, em cima de manifestações de cidadãos e autoridades de todo o país’.

“Ora, a malsinada Portaria GP nº 69, de 14 de março de 2019, ao instituir investigação criminal ilegal e inconstitucional, sem fatos específicos e contra pessoas indeterminadas, viola as garantias mais básicas do Estado Democrático de Direito e coloca em risco, em potencial, o direito de ir e vir de autoridades dos Três Poderes da União”, escreve.

O FEEDFORWARD É UM PROCESSO DIFERENTE DE AVALIAÇÃO E REFLEXÃO DE INTERAÇÕES ENTRE PESSOAS E TIMES

 

Carolina Nucci – Colunista StartSe

O feedforward é um processo diferente de avaliação e reflexão de interações entre pessoas e times. Entenda os benefícios!

Foto de Christina @ wocintechchat.com na Unsplash

“Posso te dar um feedback?”

Para muita gente, só de ouvir essa frase dá um frio na barriga. Os escudos já sobem, preparados para a bomba que provavelmente vem por aí.

De certa forma, as pessoas têm uma ansiedade normal e compreensível em momentos de troca de informações e avaliações de performance com seus líderes e pares. Se, por um lado, queremos saber a visão de outras pessoas a respeito do nosso trabalho, por outro lado sempre há uma apreensão inerente ao momento de feedback. 

  • Muitas vezes, uma única reunião anual de uma hora de feedback é o que define se seu ano inteiro foi bom ou ruim.

Por outro lado, pelo amor ou pela dor, as empresas têm sido cada vez mais pressionadas a melhorar a experiência das pessoas colaboradoras no ambiente de trabalho. Com a lupa voltada para o aspecto humano das relações de trabalho, temas como transparência, quebra de hierarquia, espaço seguro, acolhimento e empatia se juntam à produtividade, performance e crescimento – das pessoas e do negócio.

Com isso, apesar de muitas empresas ainda tratarem e aplicarem o feedback como um momento tenso, protocolar e muitas vezes mais associado a críticas do que a elogios, novas técnicas e iniciativas ganham força em ambientes mais contemporâneos e ágeis. Entre essas técnicas, está o feedforward. 

Apesar de não ser algo super novo, o feedforward ainda é pouco conhecido e aplicado nas empresas, em muito pelo medo de testar algo novo, que reduz a hierarquia e ressignifica as relações de poder. Tanto para líderes como para liderados, posso falar com tranquilidade: eu aprendi, aprimorei e aplico o feedforward já há alguns anos e, por meio dele, tornei-me uma liderança melhor e muito mais conectada com as pessoas e times que fazem parte do meu ambiente de trabalho. 

Por esse motivo, quero “espalhar a palavra” e convencer mais pessoas de que esse é um caminho muito mais saudável e produtivo para nutrir as relações de trabalho. Vamos lá?

Por que o feedforward é MUITO MELHOR que o feedback?

O feedforward é um processo diferente de avaliação e reflexão de interações entre pessoas e times. Vejo nele 4 diferenças fundamentais em relação aos feedbacks que dei e recebi em experiências anteriores e que acho essenciais para estreitar a relação entre times remotos:

  • O feedforward é uma via de mão dupla (ou múltipla): Em toda sessão de feedforward, todos têm a oportunidade de falar, pois é um processo de análise de todas as perspectivas de uma mesma interação: seja uma dupla ou um time inteiro. Não é só a liderança que analisa o time: o time também analisa a liderança. Não há nenhuma superioridade entre líder e liderado – são todos parte de um time. Inclusive, ele pode ser feito entre líder e pessoa liderada (como um 1:1) e também entre times (fixos ou temporários, de projetos) e entre pares do mesmo ou de outro time. Eu mesma já fiz sessões de feedforward até com clientes após um projeto ou análise de um ciclo de trabalho e até na minha vida pessoal (risos). Onde há uma relação relevante a ser aprimorada, há espaço para o feedforward.
  • O feedforward pensa no futuro: A crítica pela crítica não vale nada pra ninguém – e, sinceramente, é muito mais fácil criticar e apontar erros e culpados sem pensar em caminhos de solução. O que tem valor real é a crítica que olha para como melhorar no futuro. Além disso, até a forma de compartilhar e organizar a informação deixa pra trás o tom frequentemente mais agressivo e privilegia o tom propositivo. No feedforward, ao invés de apontar erros e falar o que não gostamos, compartilhamos o que gostaríamos que fosse diferente. E, pra cada “gostaria”,, há um “e se”, uma sugestão propositiva de melhoria. Os melhores feedforwards são aqueles dos quais saímos com várias ações e caminhos para fazer diferente no futuro.
  • O feedforward aproxima e conecta pessoas: Ao criar um ambiente seguro para a troca de sentimentos e percepções, a aproximação entre as pessoas é certa. O feedforward extrapola o ambiente profissional e abre espaço para o compartilhamento de aspectos pessoais que impactam (positiva ou negativamente) na vida profissional. É um momento em que podemos expor nossas vulnerabilidades e, quanto mais nos permitimos ser quem nós somos, mais as outras pessoas se encorajam a ser quem são também. Tudo isso cria relações mais verdadeiras. Em todos os feedforwards que já fiz, eu sempre saio melhor do que eu entro, mais motivada e conectada com as pessoas que trabalham comigo.
  • O feedforward contribui para produtividade dos times: Esse ritual, quando feito com frequência trimestral, por exemplo, não deixa acumular questionamentos e incômodos como em feedbacks semestrais ou anuais e também é um momento frequente de reconhecer as pequenas vitórias e os pontos positivos de cada um. A cada sessão, não há ponto sem nó: saímos com pontos acionáveis a serem trabalhados em conjunto para serem revisitados  na sessão seguinte, fazendo com que a discussão seja propositiva e intencional. Com isso, a relação melhora a cada ciclo e ele intensifica a transparência, a aproximação e a motivação do time.
  • O feedforward desenvolve a liderança: Como via de mão dupla, a liderança também aprende no processo, escuta as percepções do time sobre seu trabalho e sua atuação como líder e parte do time. É um momento de resolver dúvidas (sem deixar acumular), de exercitar a escuta ativa e de se abrir para a relação com as pessoas do seu time.

Na prática, como funciona o feedforward?

O objetivo do feedforward é refletir sobre você mesmo, sobre o time, sobre a organização, sobre a outra pessoa e sobre a relação entre vocês. O escopo de análise pode ser mais fechado (sobre um projeto ou um ponto específico da relação) ou mais abrangente (pensando em todo o contexto em que cada pessoa está envolvida).

Os participantes têm um primeiro momento individual (5 a 10 min, a depender da frequência e da proximidade entre as pessoas) para escrever suas reflexões (sobre a outra pessoa, sobre você, sobre a relação entre vocês, sobre a empresa ou sobre um projeto ou time em caso de feedforwards em grupo). O tempo é propositalmente curto para que o que é mais latente venha à tona – isso dá foco ao que mais importa e reduz as picuinhas. 

Dica: para deixar o silêncio do momento da escrita menos desconfortável, geralmente colocamos uma musiquinha enquanto estamos escrevendo (deixa o processo mais leve).

Nessa reflexão, dividimos a análise em 3 ângulos: pontos que eu GOSTO e valorizo (pontos positivos), pontos que GOSTARIA que fossem diferentes (pontos de melhoria) e, para cada GOSTARIA, é necessário ter um E SE como forma propositiva de pensar em pontos negativos com o viés propositivo de olhar para melhorias no futuro. ‍cada observação deve ser colocada em 1 post-it. Vou dar um exemplo de 3 pontos que já compartilhei em um feedforward com uma pessoa que estava saindo do onboarding no time:

  • GOSTO: De como você constantemente embasa suas decisões com análises e dados.
  • GOSTARIA: Que você não esperasse até a última hora para falar quando algo vai dar errado, pois eu posso te ajudar com antecedência.
  • E SE: Deixarmos um 1:1 de 15 min semanal até o fim do próximo trimestre para você me compartilhar as dúvidas e problemas até você sentir mais segurança na função.

Em seguida, cada pessoa compartilha seus pontos para a outra pessoa ou para o grupo. Ao longo do compartilhamento, é comum e produtivo abrir espaço para adicionar pontos e comentários que vão surgindo ao ouvir a outra pessoa comentar sobre o que foi compartilhado, principalmente pontos de “E SE”, que trazem sugestões e caminhos para ampliar o que está bom ou melhorar o que precisa ser melhorado.

Ao fim do processo, o ideal é convergir nos principais pontos acionáveis para o próximo ciclo, como um plano de ação e desenvolvimento que será trabalhado e retomado no fim do ciclo seguinte. Deixo também sempre uma caixinha de insights e oportunidades mais amplos que podem surgir ao longo da conversa e merecem ser destacados. Se feito com frequência (ou seja, não tem muita coisa acumulada pra falar), todo o ritual costuma demorar de 45 a 60  minutos.

  • Esse é um exercício que pode ser feito virtualmente (para times remotos) ou presencialmente (para times que trabalham no mesmo local). 

As imagens abaixo mostram o framework que eu utilizo em feedforwards remotos (em ferramentas como MURAL ou MIRO) e também uma foto de um feedforward presencial com post-its mesmo. Confesso que hoje prefiro registrar sempre no framework no mural, mesmo que a conversa seja presencial, pois facilita a documentação (vou salvando os arquivos por data e pessoas envolvidas).

Arquivo pessoal Carolina Nucci

Arquivo pessoal Carolina Nucci

Por que o feedforward é ainda mais importante agora?

Estamos há mais de 3 anos nos familiarizando e tomando o trabalho remoto ou híbrido como algo comum que faz parte do dia-a-dia das empresas e das relações de negócios. 

Por mais que haja um avanço das tecnologias e dos meios de conexão em rede, os negócios e as organizações ainda são feitos por pessoas. Com o aumento dos estímulos, dos canais e da complexidade e volume de temas que precisamos endereçar no dia-a-dia, as relações humanas vão ficando em segundo plano e sentimos cada vez mais a perda do cuidado.

Uma consequência disso é o acúmulo de sentimentos (bons e ruins) que a gente não bota pra fora junto com julgamentos sobre outras pessoas sem saber o que está acontecendo do outro lado também. As trombadas de corredor nem sempre estão mais lá. Só vemos as pessoas mais próximas algumas vezes por mês e o assunto principal quase sempre é trabalho. 

POR QUE IMPORTA?

Ainda não aprendemos a trabalhar de forma distribuída. Vira e mexe, vem aquela mensagem no Whatsapp mal interpretada, aquele áudio numa hora ruim, a pressão do momento, o desalinhamento em reuniões. Tudo isso se intensifica com a distância e pode gerar atritos, mal entendidos e outras falhas de comunicação. Da mesma forma, os pontos positivos, os reconhecimentos e as vitórias podem ter menos força ou ser deixados pra “quando der”.

Mas isso não é uma crítica ao trabalho remoto ou distribuído – pelo contrário. Mesmo no presencial, esses problemas acontecem pelos mesmos motivos. Procrastinar conversas profundas é fácil (principalmente as mais difíceis) – mas não vale a pena. 

  • Guardar sentimentos nem sempre faz bem e, ao não compartilhá-los com quem precisa, perdemos a oportunidade de construir uma solução comum. Seja no ambiente presencial ou remoto, precisamos aprender a melhorar o que há de mais rico nas organizações: as conexões entre as pessoas que dela fazem parte. 

Nesse sentido, pra mim, o feedforward tem sido um grande aliado da aproximação, da resolução de conflitos e dos reconhecimentos de cada pessoa que esteve junto comigo durante esses anos cada vez mais desafiadores. A cada feedforward, eu aprendo a ser uma líder e uma pessoa melhor.

É preciso atenção para sempre reconhecer as coisas boas, humildade para admitir os erros e coragem para encarar medos e incômodos de forma propositiva. É preciso quebrar a inércia, mas vale a pena. Uma vez que você começa, não pára mais.

É um ato de empatia. Com os outros e com você.

Que tal marcar seu primeiro feedforward com uma pessoa com quem você precisa conversar?

A importância do bom site da Valeon para o seu negócio

Moysés Peruhype Carlech

Antigamente, quando um cliente precisava de um serviço, buscava contatos de empresas na Lista Telefônica, um catálogo que era entregue anualmente ou comprado em bancas de jornais que listava os negócios por áreas de atuação, ordem alfabética e região de atuação.

De certa forma, todos os concorrentes tinham as mesmas chances de serem encontrados pelos clientes, mas existiam algumas estratégias para que os nomes viessem listados primeiro, como criar nomes fantasia com as primeiras letras do alfabeto.

As listas telefônicas ficaram no passado, e, na atualidade, quando um cliente deseja procurar uma solução para sua demanda, dentre outros recursos, ele pesquisa por informações na internet.

O site da Valeon é essencial para que sua empresa seja encontrada pelos seus clientes e ter informações sobre a empresa e seus produtos 24 horas por dia.  Criamos uma marca forte, persuasiva e, principalmente, com identidade para ser reconhecida na internet. 

Investimos nas redes sociais procurando interagir com o nosso público através do Facebook, Google, Mozilla e Instagram. Dessa forma, os motivos pelos quais as redes sociais ajudam a sua empresa são inúmeros devido a possibilidade de interação constante e facilitado como o público-alvo e também a garantia de posicionamento no segmento de marketplaces do mercado, o que faz com que o nosso cliente sempre acha o produto ou a empresa procurada.

A Plataforma Comercial site Marketplace da Startup Valeon está apta a resolver os problemas e as dificuldades das empresas e dos consumidores que andavam de há muito tempo tentando resolver, sem sucesso, e o surgimento da Valeon possibilitou a solução desse problema de na região do Vale do Aço não ter um Marketplace que Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos e o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

CONTRATE A STARTUP VALEON PARA FAZER A DIVULGAÇÃO DA SUA EMPRESA NA INTERNET

Moysés Peruhype Carlech

Existem várias empresas especializadas no mercado para desenvolver, gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é uma consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do mercado para auxiliar a sua empresa na geração de resultados satisfatórios para o seu negócio.

Porém, antes de pensar em contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer algumas considerações.

Por que você deve contratar uma empresa para cuidar da sua Publicidade?

Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa especializada para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que possui profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e isto resulta em mais vendas.

Quando você deve contratar a Startup Valeon para cuidar da sua Publicidade online?

A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer estágio do seu projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos algumas considerações importantes:

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

    valeonbrasil@gmail.com

sábado, 14 de dezembro de 2024

GOVERNO CEDE À PRESSÃO DO CONGRESSO E PAGA AS VULTUOSAS EMENDAS PARLAMENTARES

 

História de CdB – Correio do Brasil

Segundo a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, os valores foram depositados, nesta sexta-feira, com prioridade para a execução rápida de projetos locais. A decisão ocorre após meses de tensão entre o Executivo, Legislativo e Judiciário.

Por Redação – de Brasília

O Palácio do Planalto liberou, nesta sexta-feira, o pagamento de R$ 1,761 bilhão para atender à pressão do Congresso e liberar as emendas parlamentares, sob risco de perder matérias essenciais à economia do país. A medida atende às “demandas urgentes” de parlamentares, segundo nota do Senado, e garante o avanço de pautas estratégicas do governo no Legislativo, como a reforma tributária e o pacote de corte de gastos.

Com a liberação das emendas parlamentares, a Câmara tende a apressar a votação das matérias

Com a liberação das emendas parlamentares, a Câmara tende a apressar a votação das matérias

A liberação das emendas, conforme publicado no Diário Oficlal da União (D.O.U) desta sexta-feira, inclui R$ 228,6 milhões em emendas individuais (RP6); R$ 300,4 milhões em emendas de bancada estadual (RP7); R$ 1,232 bilhão em transferências especiais, aquelas conhecidas como ‘emendas PIX’, que caem diretamente na conta das prefeituras e instituições beneficiadas, de imediato.

Segundo a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, os valores foram depositados, nesta sexta-feira, com prioridade para a execução rápida de projetos locais. A decisão ocorre após meses de tensão entre o Executivo, Legislativo e Judiciário.

Decisão

Em agosto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a liberação de emendas impositivas sob a justificativa de falta de transparência nos repasses. Apesar de parcialmente liberadas em 2 de dezembro, as restrições impostas por Dino inviabilizaram a execução da maioria dessas verbas, ampliando o mal-estar entre os poderes.

Na última terça-feira, o governo publicou uma portaria que estabelece regras para a liberação das emendas. Além disso, a Advocacia-Geral da União (AGU) emitiu um “Parecer de Força Executória”, fundamentado na decisão de Dino, para garantir a legalidade dos pagamentos. A movimentação foi interpretada, no STF, como uma manobra para contornar as limitações judiciais e atender às demandas de deputados e senadores.

Confiante

Após os pagamentos, no entanto, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diz estar confiante de que as matérias em curso, principalmente o pacote fiscal, serão aprovadas na próxima semana, tanto na Câmara quanto no Senado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no entanto, preocupa-se quanto ao possível enfraquecimento das medidas durante a votação, especialmente na Câmara, onde podem sofrer alterações que reduzam o impacto esperado em R$ 70 bilhões para os próximos dois anos.

Entre os pontos que têm apresentado maior resistência junto ao Parlamento estão as mudanças nas regras de benefícios sociais, como o Abono Salarial e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O PT, partido da centro-esquerda no governo, resiste às alterações propostas pela própria equipe econômica, o que tem gerado desconfiança entre as legendas do chamado ‘Centrão’, que reúne desde a centro-direita à extrema direita.

Um líder da direita disse a jornalistas, nesta manhã, que “o partido do presidente Lula não quer mudanças propostas pelo próprio governo. Se os petistas não querem as alterações, não faz sentido a gente bancar o papel dos maldosos dentro do Congresso”.

Investidores

Apesar disso, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), acredita que os três relatores responsáveis pelas matérias estão alinhados e vão garantir que as mudanças não enfraqueçam o pacote. São eles: Isnaldo Bulhões (MDB-AL), relator da proposta que limita o crescimento real do salário mínimo a 2,5% ao ano; Átila Lira (PP-AL), relator da proposta que trava as desonerações tributárias em caso de déficit; e Moses Rodrigues (UB-CE), relator da PEC que altera as regras do abono salarial e do BPC.

As equipes técnicas têm, agora, pouco tempo para se reunir com os relatores e negociar os detalhes do pacote fiscal. Caso as propostas não sejam aprovadas, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, não descarta a possibilidade de editar uma Medida Provisória (MP), que tem efeito imediato e ganha alguns meses de prazo até voltar à pauta do Congresso. 

Analistas do mercado financeiro têm sinalizado, todavia, que as medidas podem não ser suficientes para atingir a meta fiscal de déficit primário zero no próximo ano. Se o Congresso desidratar as propostas, o cenário fica ainda mais complicado, ao afetar negativamente a confiança dos investidores e aumentar a pressão sobre o Banco Central (BC) para elevar a taxa oficial de juros.

PROBLEMAS MÉDICOS E INTERNAÇÕES DE LULA ALERTAM SOBRE O QUE VEM PELA FRENTE

 

História de Simone Iglesias, Giovanna Bellotti Azevedo e Leda Alvim – Bloomberg

(Bloomberg) — A cirurgia de emergência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no começo desta semana levou o país a se deparar com uma questão até então secundária, mas que passa rápida e forçadamente ao primeiro plano: o líder de 79 anos está apto para a tarefa de liderar a maior economia da América Latina?

Os médicos de Lula disseram que ele está se recuperando e deve retornar à Brasília no início da semana que vem, ao mesmo tempo que minimizam a gravidade dos procedimentos decorrentes de uma queda acidental no banheiro do Palácio da Alvorada há quase dois meses.

Lula já vinha enfrentando uma série de desafios no seu terceiro mandato, como a aceleração da inflação, o aumento progressivo da taxa básica de juros e as possíveis dificudade ecônomicas e políticas com o retorno de Donald Trump à Casa Branca no começo de 2025.

Os desafios enfrentados pela sua administração se intensificaram durante sua hospitalização, quando o Banco Central elevou a Selic para 12,25%, indicando mais duas altas de mesma magnitude até março.

Isso deixou o país ponderando sobre o seu futuro, enquanto a sua idade e sua saúde, sob escrutínio público, se tornam partes importantes da discussão política e a atenção se volta para a próxima eleição presidencial em menos de dois anos. Aqui estão três possíveis cenários:

Lula busca quarto mandato

Lula está longe de encerrar sua vida pública e tem planos de buscar a reeleição em 2026, de acordo com pessoas próximas ao presidente que pediram anonimato. Nem a idade e nem os problemas de saúde abalaram sua convicção de que está apto a liderar o país, depois que superou problemas que considera maiores do que os atuais, como a extrema pobreza, o câncer e a prisão.

A possibilidade de Lula ser candidato em 2026 fez o dolár avançar na quinta-feira, intensificando um sell-off que está alimentando a inflação. A moeda atingiu máximas históricas depois que o plano fiscal anunciado recentemente pelo governo não conseguiu acalmar os temores sobre os gastos públicos e o tamanho do déficit.

O medo é que Lula concentre ainda mais o poder de decisão, mesmo com as preocupações ainda aumentando: o real pode atingir o patamar entre R$ 6,7-7 se a política fiscal, em vez da política monetária, começar a impactar as expectativas de inflação, alertou a estrategista do Morgan Stanley, Ioana Zamfir, esta semana.

Brazil's Real Under Pressure As Fiscal Risks Mount

Brazil’s Real Under Pressure As Fiscal Risks Mount© Bloomberg

“Enquanto o governo não tiver o entendimento de que a questão é fiscal, sem dúvida nenhuma a economia vai sentir, seja via inflação ou via desaceleração por conta de juros muito altos e queda de confiança”, disse Solange Srour, chefe de macroeconomia do Brasil na UBS Global Wealth Management.

Lula está considerando uma reforma ministerial nas próximas semanas na esperança de melhorar as relações de seu governo com o Congresso e sua estratégia sofrível de comunicação, de acordo com seis das pessoas a par do assunto.

Talvez não haja muito o que ele possa fazer para reconquistar a confiança de investidores que estão cada vez mais céticos sobre sua abordagem fiscal. E, por enquanto, ele pode não ter muito incentivo para tentar: Lula lidera sob todos os seus potenciais adversários em 2026, de acordo com uma pesquisa da Quaest publicada esta semana. A economia, ao mesmo tempo, continua superando as expectativas, o que significa que os efeitos colaterais dos gastos de Lula podem levá-lo a dobrar a sua aposta.

Mas esta receita agora carrega um risco substancial. A combinação de gastos e a alta do dólar estão elevando os preços, enquanto o aumento das taxas de juros deve impactar o crescimento. Os oponentes de direita já estão se sentindo encorajados pela vitória de Trump e podem aproveitar qualquer declínio na popularidade para reforçar suas esperanças de retornar ao poder em dois anos.

Lula não completa o mandato

Outro cenário, improvável porém imprevisível, é que Lula não complete o mandato por motivos de saúde, e o vice-presidente Geraldo Alckmin assuma o cargo.

O ex governador de São Paulo é um político experiente do espectro centrista do país e é mais provável que ele tome medidas mais agressivas para melhorar a situação fiscal.

Os brasileiros estão habituados com vice-presidentes assumindo o poder: Michel Temer assumiu a presidência após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e, embora se tenha revelado impopular entre os brasileiros, conquistou os investidores depois de implementar as reformas trabalhistas e fiscais que eles há muito tempo buscavam.

‘Biden 2.0’

Lula já enfrentava um problema iminente antes mesmo de entrar no centro cirúrgico: uma pequena maioria não quer que ele concorra em 2026, quando completará 81 anos, mostrou a pesquisa Quaest.

Isto evoca as eleições nos EUA, quando Joe Biden insistiu em concorrer até que um desempenho ruim no debate contra Trump levou os democratas a forçá-lo a sair.

O Brasil pode estar caminhando para “um cenário Biden 2.0”, no qual Lula não se afasta a menos e até que se torne “um risco eleitoral”, disse Christopher Garman, diretor executivo para as Américas do Eurasia Group.

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é considerado a escolha mais provável para o substituir nesse cenário, e a pesquisa da Quaest sugere que ele se encontraria numa posição de força.

Pessoas familiarizadas com o pensamento de Lula, no entanto, dizem que ele ainda não está disposto a passar o bastão e não decidiu por Haddad se o fizer. Provavelmente isso não mudará até muito mais perto das eleições, se a história servir de guia. Em 2018, Lula se recusou a decidir quem seria seu herdeiro eleitoral até que ficou claro que ele não seria elegível para concorrer nas eleições daquele ano pela condenação por corrupção.

Haddad é uma das vozes fiscais mais agressivas dentro do PT e recebeu aplausos pelos seus primeiros esforços para fazer um ajuste fiscal. Mas sofreu um golpe com a reacão ao pacote de austeridade e também perdeu cada uma das suas duas últimas eleições: a corrida presidencial de 2018 e a disputa ao governo de São Paulo em 2022.

“Haddad tem sido a voz da razão”, disse Greg Lesko, diretor administrativo da Deltec Asset Management LLC em Nova York. “Mas acho que o mercado não quer mais saber do Partido dos Trabalhadores.”

CONGRESSO VAI PARAR NO PACOTE DE GASTOS DO GOVERNO

 

  • História de JOÃO GABRIEL E ADRIANA FERNANDES – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Congresso Nacional resiste a endurecer as medidas de corte de gastos propostas pelo governo, na contramão da expectativa inicial de agentes do mercado financeiro de que os parlamentares iriam incluir medidas mais fortes ao pacote de ajuste fiscal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As negociações dos últimos dias no Legislativo apontam para um afrouxamento do impacto fiscal da PEC (Proposta de Emenda à Constituição).

O relator da PEC, Moses Rodrigues (União Brasil-CE), afirmou à Folha que irá elaborar um texto de consenso. “Estamos ouvindo e discutindo com parlamentares, sociedade civil organizada, membros de todas as carreiras incluídas na PEC. Nós vamos construir com diálogo e não temos intenção de endurecer, de maneira alguma, a proposta original”, disse.

Por outro lado, um grupo de parlamentares, insatisfeitos com as medidas fiscais do governo, defendem que o Congresso deveria tomar à frente na iniciativa, por meio de medidas de reforma nos gastos obrigatórios previstas numa PEC alternativa, elaborada por consultores do Congresso e defendida pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo.

Essa ala é minoritária, já que os deputados temem apoiar propostas de maior austeridade fiscal por receio de impacto negativo nas suas imagens.

Os trabalhos legislativos acabam no próximo dia 22, e o governo corre contra o tempo para tentar aprovar o pacote, sem deixá-lo desidratar.

Dentre pontos do pacote que devem sofrer mudança, segundo parlamentares ouvidos pela reportagem sob reserva, estão a destinação de verbas do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), a proibição de deduções não previstas em lei no BPC (Benefício de Prestação Continuada) e o corte nos supersalários do Judiciário.

Diante da escalada do dólar e dos juros futuros, críticos da PEC do ministro Fernando Haddad (Fazenda) defendem medidas como o aperto nas vinculações de saúde e educação e regras mais duras de acesso a benefícios, como o seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença.

Mas, de acordo com pessoas ouvidas pela Folha que negociam o pacote no Congresso, a chance de que o texto aprovado seja mais duro do que o enviado é praticamente zero.

Negociadores do governo buscam barrar o impacto fiscal de um afrouxamento das alterações propostas nas regras de acesso do BPC (Benefício de Prestação Continuada), concedido a idosos e deficientes de baixa renda e até mesmo no abono salarial. Mas ajustes já são dados como certo.

O Executivo também já admite que o corte nos supersalários do Judiciário pode ser flexibilizado, uma vez que o dispositivo é alvo de forte lobby dos magistrados, como mostrou a Folha.

Um integrante da equipe do presidente Lula, que participou da elaboração do pacote fiscal, disse à reportagem que era equivocada a narrativa de especialistas do mercado e de parcela da imprensa de que as medidas não tinham impacto e que o Congresso iria apertar as medidas.

O auxiliar de Lula ressalta que a articulação do governo pretende mostrar que o pacote não é tímido e terá impacto fiscal.

Entre as medidas já apresentadas pelo governo, o projeto de lei e o projeto de lei ordinária, que tratam de mudanças no salário mínimo e do pente-fino do BPC, dentre outros temas, já tiveram sua urgência aprovada e podem ir ao plenário da Câmara, mas a PEC ainda não começou a andar.

A expectativa de alguns parlamentares é que isso comece a acontecer na próxima segunda-feira (16).

Os três textos teriam que ser votados até o fim da próxima semana, e deputados divergem sobre se haverá tempo hábil para isso.

O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), um dos signatários da PEC alternativa, chegou a ser cotado para relatar uma das propostas do governo e se reuniu com outras lideranças para debater o tema.

Houve um encontro, por exemplo, com o secretário-executivo a Fazenda, Dario Durigan. Durante a reunião, porém, houve discussão entre deputados e o secretário, quando Durigan afirmou que o governo de Jair Bolsonaro (PL) protagonizou um calote no pagamento de precatórios, o que hoje pesa nas contas do governo Lula.

Joaquim Passarinho (PL-PA), que era da base do governo Bolsonaro, reagiu em defesa da medida, que à época foi validada pelo Congresso.

O receio de que Pedro Paulo pudesse adotar medidas muito rígidas caso fosse relator da PEC do corte de gastos e alongasse a apresentação do relatório fez com ele fosse descartado para o posto, segundo um parlamentar envolvido nas negociações.

Lideranças partidárias e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decidiram pelo nome de Rodrigues.

O ajuste fiscal pode ser o último ato de Lira como presidente da Câmara, enquanto o deputado pleiteia espaço na Esplanada dos Ministérios de Lula.

Já o provável novo líder da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não se posicionou publicamente sobre o tema até aqui.

Alguns parlamentares ainda tentam emplacar medidas mais rígidas de corte de gastos. Eles afirmam que, com o fim da presidência de Lira na Câmara, no ano que vem, pode ser que o cenário se torne mais favorável para o andamento dessas restrições.

“O objetivo do Parlamento, no chão de fábrica do Congresso, você tem essa compreensão de que o ajuste é insuficiente. Quero ter esperança, com uma nova arrumação de forças na Câmara, nos próximos três meses, a gente consiga fazer esse reposicionamento do papel do Legislativo na formulação de projetos para o Brasil, em especial na econômica e na área fiscal”, afirmou Pedro Paulo.

O deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) reclama que o governo não dialogou com os parlamentares, nem com os setores, para elaborar seu pacote fiscal.

“Na hora que o Executivo chamar o Legislativo para essa construção, não tenho dúvida que o Parlamento vai participar. Agora, engolir, a toque de caixa, numa véspera de final de ano, de recesso parlamentar, um pacote pronto, que mais desagrada do que agrada, fica difícil”, afirma.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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