BRASÍLIA (Reuters) – Harley Sandoval, pastor evangélico, corretor de
imóveis e empresário da mineração, foi preso em julho de 2023 acusado de
exportar ilegalmente 294 quilos de ouro da Amazônia brasileira para
Estados Unidos, Dubai e Itália. No papel, o ouro vinha de um garimpo
legal em Tocantins, onde Sandoval tinha licença para operar. No entanto,
a polícia afirma que nenhuma quantidade de ouro foi extraída desse
local desde os tempos coloniais.
Usando tecnologia forense de ponta e imagens de satélite, a Polícia
Federal concluiu que o ouro exportado não vinha do garimpo licenciado em
Tocantins. Na verdade, ele foi extraído de três garimpos clandestinos
no vizinho Pará, alguns em terras protegidas de reservas indígenas,
segundo documentos judiciais de novembro de 2023 obtidos com
exclusividade pela Reuters.
Essa ação é uma das primeiras no Brasil a utilizar uma nova
tecnologia para combater o comércio ilegal de ouro, que pode representar
quase metade da produção nacional do minério. Garimpos ilegais se
proliferaram em milhares de locais na floresta amazônica, provocando
destruição ambiental e violência. Nos últimos sete anos, apreensões
de ouro ilegal cresceram sete vezes, segundo registros da Polícia
Federal analisados pela Reuters com exclusividade.
Sandoval, que responde a processo em liberdade enquanto aguarda
julgamento, continua a vender imóveis e pregar com sua esposa em uma
igreja pentecostal em Goiânia. Ele nega as acusações e afirma ser
impossível determinar a origem do ouro após sua fundição em barras para
exportação.
“Isso é impossível. Para exportar ouro é sempre necessário fundi-lo”, disse ele à Reuters por telefone.
DNA DO OURO
Historicamente, o ouro é difícil de rastrear, especialmente após sua
fusão, que apaga marcas de origem. Assim, ele pode ser facilmente
comercializado como ativo financeiro ou usado na indústria joalheira.
Investigadores, no entanto, dizem que isso está mudando. Um programa
da Polícia Federal chamado Ouro Alvo está criando um gigantesco banco de
dados com amostras de ouro de todo o Brasil. Essas amostras são
analisadas com tecnologias como varredura de radioisótopos e
espectroscopia de fluorescência com o objetivo de determinar a
composição única dos elementos.
A técnica, usada há anos em arqueologia, foi adaptada para a
mineração pelo geólogo forense Roger Dixon, da Universidade de Pretória,
na África do Sul, para distinguir entre o ouro legal e o roubado.
O programa desenvolvido em parceria com pesquisadores universitários
também inclui o uso de poderosos feixes de luz de um acelerador de
partículas em um laboratório de São Paulo para estudar impurezas
nanométricas associadas ao ouro, seja de terra ou outros metais como
chumbo ou cobre, que ajudam a rastrear suas origens.
O delegado Humberto Freire, diretor da Amazônia e Meio Ambiente da
PF, disse que a tecnologia permite analisar o “DNA do ouro brasileiro”.
“A natureza marcou o ouro com isótopos, e conseguimos ler essas
impressões únicas”, disse Freire. “Com essa ferramenta, podemos rastrear
o ouro ilegal antes que ele seja refinado para exportação”, ressaltou. O
programa tem ajudado a impulsionar o aumento na apreensão de ouro
ilegal desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse no
começo do ano passado. Elas cresceram 38% em 2023 ante o ano anterior,
segundo dados da PF. Regras mais rígidas do Banco Central e da Receita
Federal para o mercado de ouro, incluindo notas fiscais eletrônicas
obrigatórias e maior fiscalização, também contribuíram para a elevação
da apreensão do minério comercializado na ilegalidade, segundo Freire.
“Estima-se que cerca de 40% do ouro extraído na Amazônia seja ilegal”, disse o delegado da PF.
Em 2020, o Brasil exportou 110 toneladas de ouro, avaliadas em 5
bilhões de dólares, posicionando-se entre os 20 maiores exportadores
globais. Em 2023, as exportações caíram para 77,7 toneladas, uma redução
atribuída ao aumento do combate ao garimpo ilegal, segundo envolvidos
nas discussões e especialistas do setor.
TENSÕES INDÍGENAS
O ex-presidente Jair Bolsonaro, antecessor de Lula, enfraqueceu os
controles ambientais na Amazônia durante seu governo, o que desencadeou
uma nova corrida do ouro no Brasil impulsionada por preços recordes no
mercado mundial — motivados por tensões geopolíticas e compras por
bancos centrais, lideradas pela China.
Os preços continuaram a atingir novos recordes, chegando a 2.662,82 dólares por onça na sexta-feira.
Corridas atrás do ouro têm sido uma marca do Brasil, rico em minério
desde o período colonial. Mas o aumento recente da mineração clandestina
durante o governo Bolsonaro é sem precedentes. Imagens de satélite
mostram que 80.000 garimpos chegaram a estar em atividade na floresta
amazônica, um recorde absoluto.
Antes dominada por garimpeiros com bateias, o garimpo no Brasil
tornou-se uma atividade em escala industrial, com maquinário pesado de
escavação e dragas fluviais milionárias. Organizações criminosas
transportam pessoas, equipamentos e ouro para dentro e fora das regiões
garimpeiras com helicópteros e aviões que pousam em pistas clandestinas.
As escavações frequentemente deixam para trás lagoas de lama
contaminadas com mercúrio, usado para separar o ouro da terra e de
outros minerais.
No ano passado, milhares de garimpeiros que invadiram o Território
Indígena Yanomami, a maior reserva indígena do país, na fronteira norte
com a Venezuela, trouxeram violência e doenças que causaram a
desnutrição e uma crise humanitária, levando Lula a enviar tropas para o
local.
Mas muitos voltaram este ano após a retirada dos militares. Lula, que
prometeu acabar com a mineração ilegal de ouro, tenta combater o
problema montando uma estrutura com forças especiais do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e
outros órgãos para reservas indígenas e parques de conservação
florestal.
A polícia afirma que reprimir as quadrilhas do crime organizado que
financiam os garimpeiros é o próximo passo para conter um comércio
ilegal que abastece a indústria de joias e relógios na Suíça, que compra
70% do ouro exportado pelo Brasil, de acordo com dados comerciais do
governo.
Vizinhos da Amazônia, como Colômbia e Guiana Francesa, estão
considerando adotar o método brasileiro de análise de ouro para
enfrentar o comércio ilegal de ouro. Governos europeus também
demonstraram interesse, incluindo a Suíça e o Reino Unido, os principais
importadores do Brasil depois do Canadá, segundo policiais e
diplomatas.
O Brasil representa apenas 1% do ouro importado pela Suíça, um centro
global de comércio do metal, e “medidas estão em vigor para importar
apenas ouro extraído legalmente”, afirmou um comunicado da embaixada
suíça. A embaixada informou que criou um grupo de trabalho com outros
países importadores para estudar ferramentas de rastreabilidade e
combate à falsificação.
Um estudo de 2022 do Instituto Escolhas, uma organização sem fins
lucrativos que avalia a situação do ouro, descobriu que 52% do minério
exportado da Amazônia era ilegal, quase todo proveniente de terras
indígenas protegidas ou parques nacionais de conservação.
Um lobby vigoroso a favor da mineração informal de ouro prosperou sob
Bolsonaro em um Congresso predominantemente conservador, onde projetos
de lei em tramitação propõem legalizar a mineração clandestina.
Por enquanto, amostras de ouro de todo o Brasil estão sendo
adicionadas a um banco de dados com a ajuda dos peritos do Instituto
Nacional de Criminalística da PF em Brasília, onde o coordenador do
programa Ouro Alvo, Erich Moreira Lima, supervisiona a análise
microscópica de pepitas de ouro guardadas em um cofre.
“Agora que temos uma equipe formada, esperamos analisar as 30.000
amostras de ouro que o Serviço Geológico do Brasil coletou. Em alguns
anos, devemos ter mapeado todas as 24 regiões produtoras de ouro do
Brasil”, disse ele à Reuters.
Ouro de regiões como a terra Yanomami, em Roraima, e outras
localidades nos Estados do Pará, Amapá e Mato Grosso já estão sendo
catalogados.
A geóloga Maria Emilia Schutesky e sua equipe no laboratório de
geociências da Universidade de Brasília realizam análises de
espectrometria de massa em amostras de ouro para identificar moléculas
associadas, como chumbo, e determinar as origens do ouro.
“Nós, pesquisadores, buscamos uma capacidade de rastreamento de ouro
de 100%, mas isso é mais do que a polícia precisa para comprovar um
crime, que é apenas estabelecer que o ouro não vem de onde o suspeito
afirma que vem”, disse Schutesky.
O País acordou ontem com a notícia da prisão de um general quatro
estrelas da reserva, um desdobramento dramático do caso da suposta trama
golpista contra o presidente Lula da Silva, investigada pela Polícia
Federal (PF). É evidente que tudo ainda carece de maiores
esclarecimentos, mas o episódio em si mesmo ilustra com clareza
meridiana a dimensão da vergonha causada pelo bolsonarismo às Forças
Armadas.
Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF), após consulta à Procuradoria-Geral da República (PGR), a
Polícia Federal (PF) prendeu preventivamente o general de Exército da
reserva Walter Braga Netto. O militar, segundo a PF, é suspeito de ser
um dos líderes da tentativa de golpe de Estado urdida nos estertores do
governo de Jair Bolsonaro para impedir a posse de Lula da Silva, plano
que teria envolvido até o assassinato do atual mandatário, entre outras
autoridades.
Moraes decretou a prisão preventiva de Braga Netto porque, ainda de
acordo com a PF, ele estaria destruindo provas e, principalmente,
coagindo testemunhas para tomar conhecimento do teor sigiloso do acordo
de colaboração premiada firmado pelo tenente-coronel Mauro Cid,
ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
A serem verdadeiras essas acusações, haja vista que a prisão de Braga
Netto foi ordenada por Moraes em grande medida pelos supostos novos
elementos de prova que Mauro Cid teria fornecido ao STF em seu
depoimento mais recente, prestado no dia 21 de novembro, está-se diante,
de fato, de condutas típicas para a decretação da prisão preventiva.
Por essa razão, Braga Netto foi mantido no cárcere após ser submetido à
audiência de custódia, ocasião em que são verificadas as eventuais
ilegalidades de uma prisão.
De todos os suspeitos de participar da intentona, Braga Netto, sem
dúvida alguma, é o mais graduado a ser preso até agora. Acima dele só
haveria o golpista maior, Jair Bolsonaro, o grande beneficiário do
eventual sucesso daquele plano nefasto que teria sido colocado em marcha
após sua derrota nas urnas em 2022, como aponta a PF. A regra no
Brasil, como o passado demonstra, sempre foi o acobertamento de
militares, da ativa e da reserva, suspeitos de terem cometido crimes
comuns – à exceção, por óbvio, daqueles delitos cobertos pela Lei da
Anistia, de 1979.
A prisão preventiva de Braga Netto, portanto, quebra essa rotina de
leniência, para dizer o mínimo, com a apuração de crimes comuns
envolvendo militares, fardados ou não, em que pese se tratar – e é
fundamental frisar isso – de uma prisão cautelar, ou seja, decretada em
sede de investigação, e não de antecipação de culpa nem muito menos de
cumprimento de pena. Mas só isso, porém, já é algo inédito ao menos
desde a redemocratização do País.
Se a prisão de outros militares de alta patente suspeitos de
envolvimento na tentativa de golpe já não foram triviais, a de Braga
Netto é histórica, na mais estrita acepção do vocábulo. Afinal, além de
ele ser um general com quatro estrelas nos ombros a ir para a cadeia,
sobretudo por suspeita de ter liderado uma tentativa de golpe de Estado,
Braga Netto foi chefe do Estado-Maior do Exército, ministro da Casa
Civil e da Defesa no governo Bolsonaro, candidato a vice na chapa do
ex-presidente e, ademais, interventor na Segurança Pública do Rio de
Janeiro, uma elevada posição de poder, malgrado o fiasco operacional da
intervenção militar.
A prisão de um personagem como Braga Netto, alguém que, além de
possuir o currículo acima, foi uma figura central na política brasileira
nos últimos anos, é reveladora do desassombro com que membros do alto
escalão do governo anterior parecem ter agido para se manter no poder a
despeito da derrota eleitoral. Como sublinhamos nesta página há algumas
semanas, o Brasil só terá paz quando todos os suspeitos de ter urdido o
golpe de Estado forem julgados de acordo com as leis do mesmo Estado
Democrático de Direito que tentaram abolir (ver Traidores da Pátria, 20/11/2024).
Desde a manhã de ontem, o general da reserva Walter Braga Netto viu
consideravelmente reduzida a distância que o separa desse inevitável
acerto de contas com a Justiça.
BRASÍLIA – O ex-presidente Jair Bolsonaro usou sua rede social para questionar a motivação da prisão do general Walter Braga Netto neste sábado, 14.
Em postagem no X, Bolsonaro indagou como o ex-ministro pode ter sido
preso por interferir numa investigação que já teria terminado.
O ex-presidente Jair Bolsonaro questionou a prisão do general Braga Netto Foto: Wilton Junior/Estadao
“Há mais de 10 dias o “Inquérito” foi concluído pela PF, indiciando
37 pessoas e encaminhado ao MP. Como alguém, hoje, pode ser preso por
obstruir investigações já concluídas?”, escreveu Bolsonaro. O
questionamento do ex-presidente faz referência ao fato de a Polícia
Federal já ter enviado ao Supremo Tribunal Federal o relatório da
apuração sobre tentativa de golpe.
A ação deste sábado, no entanto, foi baseada em novas revelações do
ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o coronel Mauro Cid. Em complemento à
delação premiada, Cid contou que o general Braga Netto tentou obter
informações sobre o conteúdo da delação, cuja íntegra até hoje permanece
em sigilo.
Na manhã deste sábado, com autorização do ministro Alexandre de
Moraes, a PF prendeu Braga Netto sob acusação de interferência em
investigações. O militar está detido no Rio de Janeiro sob a custódia do
Exército.
A defesa de Braga Netto sustenta que poderá provar que ele não tentou
interferir nas investigações, mas só vai se pronunciar sobre o caso
quando tiver acesso à íntegra dos novos documentos.
O caminho que vai levar o Brasil a ter o maior imposto do mundo
O texto-base da reforma tributária foi aprovado pelo Senado na
quinta-feira (12). A tramitação do projeto, porém, não para por aí. A
reforma ainda volta para a Câmara dos Deputados, por conta de mudanças
feitas no texto pelos senadores, que ainda pode ter novas alterações
antes de ir à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O
relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), buscou abraçar – parcial ou
integralmente – cerca de 600 das mudanças propostas pelos legisladores.
Especialistas ouvidos pela CNN afirmam que, dentre elas, há tanto
medidas benéficas como maléficas para as intenções da reforma. A
alíquota média do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) – modalidade que
irá substituir uma série de tributos estaduais e federais nos próximos
anos – ainda não está definida. Mas estimativas apontam que ela deve
ultrapassar 28% (podendo chegar a mais de 29%). Se a estimativa de fato
for concretizada, isso significaria que o Brasil teria o maior IVA do
mundo, ultrapassando a carga de 27% da Hungria. Como o Brasil chegou a
esse ponto? O principal motivo: regimes especiais que reduzem o peso dos
impostos sobre alguns setores. Desse modo, a média precisa subir, pois
um dos princípios é a manutenção da carga tributária. Tathiane
Piscitelli, coordenadora do Núcleo de Direito Tributário da Escola de
Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito SP),
reafirma que a reforma tributária aprovada no Senado evoluiu e conseguiu
manter seus princípios de simplificação, neutralidade e não
cumulatividade. Porém, ao olhar para as isenções aprovadas, a
especialista diz ter dúvidas se o projeto seguiu princípios de
privilegiar setores e serviços essenciais. “Essa lista [de isenções] não
pode ser indiscriminada. Concordo integralmente com as críticas porque a
ideia é a neutralidade, a simplificação. As alterações devem ser
convergentes com os valores constitucionais de justiça tributária e
social”, avaliou Piscitelli em entrevista ao CNN Money. “As exceções
devem seguir isso, e não os interesses das bancadas de interesse, a fim
de construir um sistema tributário mais eficiente.” Estudos apontam que a
reforma tributária tem potencial para impulsionar a economia do país.
Ao descomplicar a estrutura tributária do país, o projeto tende a
reduzir custos e tornar o ambiente brasileiro mais atrativo para
negócios. Segundo a Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI), o
contencioso tributário do Brasil chega, hoje em dia, a cerca de 70% do
Produto Interno Bruto nacional — a soma de todas as riquezas do país.
Nos Estados Unidos, o valor é de 1% do PIB. O Banco Mundial aponta que o
atual sistema tributário brasileiro é um dos cinco piores do mundo, num
ranking com mais de 170 países. Segundo a instituição financeira
internacional, as empresas gastam cerca de 1.700 horas por ano com
compliance tributário no Brasil. Porém, Marcus Pestana, presidente da
IFI, relembra que, durante as audiências que teve com os senadores, o
grupo buscou bater na tecla de que quanto mais exceções, maior seria a
alíquota geral e a complexidade operacional do sistema; e menores os
efeitos na produtividade. Ademais, Pestana aponta que as exceções não
são as únicas culpadas pelo IVA elevado. “O Imposto sobre Valor Agregado
vai ser o maior do mundo por conta do nosso perfil tributário e de
renda. Nossa matriz tributária é muito concentrada no consumo, diferente
dos países ricos onde está no patrimônio e na renda”, disse à CNN.
“Para encontrar a alíquota, vamos ter que aprender a nadar nadando. A
própria realidade vai ditar, mas, ao mudar a regra do jogo, não tem como
antever esse hiato”, conclui. O presidente da IFI se refere ao chamado
“hiato de conformidade”. Apesar de a busca por um novo sistema buscar a
melhoria, a mudança de regras também pode abrir novas brechas.
Sonegação, judicialização e elisão fiscal são alguns dos desafios
apontados por Pestana, cuja magnitude só poderá ser compreendida com a
reforma operante. Para Piscitelli ainda há outro destaque negativo que,
segundo análise do Grupo de Pesquisa Tributação e Gênero da FGV Direito
SP, transfere o impacto para o bolso dos brasileiros: a decisão do
Senado de retirar as armas e munições do Imposto Seletivo (IS), o
chamado “imposto do pecado”. Os armamentos foram e voltaram da cobrança,
mas no fim acabaram removidos por pressão da bancada da bala. “Essa
decisão resultará em uma redução de 70% na tributação de revólveres, o
que aumentará o peso da alíquota geral sobre toda a sociedade. A
exclusão das armas do seletivo transfere para a sociedade o custo da
violência armada. É hora de pressionar os senadores para evitar esse
retrocesso”, afirma nota enviada por Piscitelli. Êxitos da reforma
tributária Piscitelli e Pestana reforçam que a alíquota poderia ser
menor caso houvessem menos exceções. Mas reconhecem que, além de esta
ter sido a reforma possível, ela carrega seu valor. “[A reforma
tributária] é uma notícia boa para um país que está precisando de
notícias boas. Ela melhora o ambiente de negócios”, enfatiza o
presidente do IFI. “E mesmo não tendo sido a reforma ideal, dadas as
pressões naturais do sistema democrático, saímos de um sistema que é
regressivo, injusto – onde pobres pagam mais que os mais ricos -,
complexo, burocrático, caro e inseguro.” Para a professora da FGV
Direito SP, alguns destaques são a redução de alíquota para fraldas, o
cashback para serviços de telecomunicação e a isenção para carnes. A
especialista em direito tributário reconhece que seria mais eficiente
incluir também as proteínas animais no sistema de devolução de valores,
mas aponta que o problema é que o país não tem o espaço orçamentário
para dar o cashback a todos que precisam. “A população de baixa renda
não deve sofrer, seguindo a lógica da essencialidade, da justiça
tributária e de que o debate democrático depende do acesso à informação e
à telecomunicação. Quem vai ser atingido é quem demanda por medidas, e
nesse caso não é a maior parte do grupo”, conclui Piscitelli. Em
entrevista ao WW, o economista e advogado tributarista Eduardo Fleury
ressalta que o projeto tratá um “ganho substancial” em eficiência e
simplificação para o ambiente de negócios. “Antes, com menos exceções,
tinhamos equilíbrio de preços relativos, escolher o produto baseado no
preço real e preferência. A despeito dos preços ficarem desnivelados,
agora vamos saber quais são, hoje nao se sabe qual é. Com essa
transparência e simplificação, todo mundo vai sentir a mudança”, afirmou
Fleury. “Apesar de todas as exceções, a visualização vai ser
infinitamente melhor. Vai haver um menor custo de administração do
tributo e uma melhora substancial no ambiente de negócios”, conclui. https://www.youtube.com/watch?v=4ya2KWYnTnQ Posição
dos setores Setores da economia – como o imobiliário, de serviços e
algumas áreas da indústria – celebraram os benefícios assegurados pela
reforma tributária. Entidades como a Câmara Brasileira da Indústria da
Construção (CBIC), a Associação Brasileira de Incorporadoras
Imobiliárias (Abrainc), a Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo (CNC), a Associação Brasileira de Bares e
Restaurantes (Abrasel), a Associação Brasileira das Indústrias de
Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir) e a Federação das
Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). O texto propõe uma redução na
alíquota da Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) para comerciantes
da Zona Franca de Manaus (ZFM), além de contemplar a indústria de refino
de petróleo da Amazônia Ocidental com regime favorecido. A Fieam
defende que “a regulamentação aprovada no Senado não concede novos
privilégios à ZFM, apenas transpõe os mecanismos existentes na
legislação do ICMS. Nada além disso”. A entidade afirma que a decisão do
Senado reafirma o valor estratégico da região. Além disso, reforça que a
compensação de tributos visa garantir a competitividade num local com
altos custos e “uma importância ambiental única”. “Este modelo,
respaldado pela Constituição, é vital para assegurar que a produção
industrial na Amazônia participe de forma justa do mercado nacional e
internacional, evitando a migração de empresas para outros países e
protegendo mais de 96% da floresta amazônica”, conclui a Fieam em nota.
Outro lado da moeda Na ponta oposta, a Federação das Indústrias do
Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a Federação das Indústrias do Estado
de Minas Gerais (Fiemg) e a Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) avaliam como problemáticos os benefícios cedidos à
produção da Zona Franca de Manaus, e veem com preocupação como ficaria a
competitividade entre diferentes regiões. Em entrevista à CNN, Igor
Rocha, economista-chefe da Fiesp, afirma que a medida fere o princípio
de isonomia proposto pelo projeto reforma tributária. “Sem dúvida fere.
[O texto] amplia ainda mais os benefícios tributários de uma única
região em detrimento de todas as outras do país”, indaga Rocha. Já a
Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avalia que muitos dos pontos
alterados são prejudiciais, sobretudo às pequenas empresas, que poderão
sofrer com desvantagens competitivas diante das grandes empresas. “Das
24 milhões de empresas do país, aproximadamente 9 milhões estão
incorporadas no Simples Nacional e 14 milhões são MEIs. Se a proposta da
Reforma Tributária for aprovada no Congresso Nacional, muitas empresas
desse porte sofrerão danos irreversíveis e, consequentemente, os
reflexos serão vistos na economia”, diz em nota.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto
Barroso, afirmou há poucos dias que “o Judiciário não tem participação
nem responsabilidade sobre a crise fiscal” do País. Essa foi a espantosa
resposta do ministro a um questionamento de jornalistas sobre os
salários dos magistrados, que não raro estão muito acima do teto que a
Constituição fixa para a remuneração dos servidores públicos. Além de se
tratar de incrível demonstração de alheamento à realidade do País, a
declaração ignora olimpicamente que o Judiciário, como qualquer parte da
estrutura do Estado, é financiado com o dinheiro dos impostos e que,
por isso, deve participar dos esforços para conter os gastos públicos.
É evidente para qualquer cidadão de boa-fé que o Judiciário pode não
ser tido como o principal responsável pelo desequilíbrio das contas
públicas. Mas ofende a inteligência negar o peso excessivo que esse
Poder representa para o contribuinte, sobretudo quando comparado ao
Judiciário de outras nações no mesmo patamar de desenvolvimento do
Brasil ou até mais avançadas.
Apenas em 2023, o Judiciário brasileiro custou quase R$ 133 bilhões, o
que representou 1,2% do PIB daquele ano, segundo o relatório Justiça em Números,
do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a arrecadação correspondeu a
pouco mais da metade das despesas (52%) no mesmo período.
Um estudo do Tesouro Nacional mostrou que o Judiciário brasileiro
custa três vezes mais que a média dos países emergentes e está muito à
frente dos países desenvolvidos, que gastam apenas 0,3% do PIB com a
Justiça.
Por óbvio, não se espera que o Judiciário “dê lucro”, nem mesmo que
empate a sua balança de pagamentos, por assim dizer. Não é essa, afinal,
a métrica de avaliação da prestação jurisdicional. Mas é igualmente
indiscutível que, para onde quer se olhe no Judiciário – e em outras
carreiras jurídicas do Estado, como as do Ministério Público, por
exemplo –, pululam oportunidades de racionalização de custos que já
seriam obscenos ainda que o Judiciário brasileiro fosse, além do mais
caro, o mais eficiente do mundo – coisa que nem remotamente é.
Muitos sabem onde está o foco do problema, mas poucos ousam
enfrentá-lo. É preciso acabar com a farra dos pagamentos fora do teto
constitucional, com as tais “verbas indenizatórias”, penduricalhos que
engordam os vencimentos de Suas Excelências em muitos milhares de reais
além do que permite a Constituição de forma expressa.
Naquele mesmo ano de 2023, segundo um relatório da Transparência Brasil publicado pelo Estadão em
setembro deste ano, o Judiciário pagou aos seus juízes nada menos que
R$ 4,5 bilhões fora do teto constitucional, valor sobre o qual, é
fundamental frisar, não é recolhido um mísero centavo de Imposto de
Renda. O valor pode ser ainda bem maior, pois o relatório teve como base
a folha de pagamento de 18 dos 27 Tribunais de Justiça do País. Vale
dizer, não entrou no cálculo o que eventualmente pode ter sido pago fora
do teto aos magistrados da Justiça Federal, da Justiça Militar e de
tribunais superiores.
O ministro Barroso insiste no argumento segundo o qual é preciso
tornar a magistratura “atraente” para os profissionais do Direito com
uma boa remuneração, sob risco de haver uma evasão de juízes País afora
e, no limite, um colapso da Justiça. Em primeiro lugar, os servidores do
Judiciário já fazem parte da elite do funcionalismo público. Ademais,
não se tem notícia de juízes que tenham abandonado a carreira por
insatisfação salarial nessa proporção apocalíptica apresentada pelo
presidente do STF. Em segundo lugar, ninguém defende que juízes ganhem
mal nem menos do que ganham atualmente, o que seria absurdo, mas sim que
se cumpra o mandamento da Constituição. O mínimo que se pode esperar do
Judiciário, um Poder já muitíssimo abonado, é que deixe de engendrar
manobras para driblar o teto constitucional.
A declaração de Barroso vocaliza um sentimento que se espraia por
todo o Judiciário. Em última análise, são privilegiados defendendo seus
privilégios. A grande questão é o que a sociedade fará com essa
informação.
Partido moveu Arguição de Descumprimento de Direito Fundamental
contra inquérito, que está sob relatoria de Alexandre de Moraes e já
resultou em buscas e apreensões; Ato Institucional nº 5, de 1968, foi o
mais pesado golpe do regime militar às garantias Constitucionais e
direitos
A Rede Sustentabilidade moveu ação contra o inquérito que mira
supostas ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal. O partido
pede, em medida cautelar, que a portaria de instauração do procedimento
seja suspensa e, no mérito, que seja considerada inconstitucional. Para
os advogados da legenda, o inquérito visa ‘intimidar’ quem eventualmente
criticar a postura dos ministros da Corte. O partido compara o
inquérito ao Ato Institucional nº 5, de 1968, o mais pesado golpe do
regime militar (período de exceção) às garantias Constitucionais, que,
entre outras medidas, instaurou a censura, proibiu manifestações
políticas e fechou o Congresso.
AÇÃO
Nesta quinta, 21, o ministro Alexandre de Moraes, relator, determinou
medidas de busca e apreensão no âmbito da investigação. As ações foram
cumpridas pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 21, em
endereços de suspeitos em São Paulo e Alagoas. Na noite desta
quarta-feira, 20, Moraes designou dois delegados para trabalhar nas
investigações, um da Polícia Civil de São Paulo, da divisão de
inteligência da corporação que auxiliará nas investigações das redes, e
outro da PF especializado em repressão a crimes fazendários.
O inquérito é alvo de questionamento da procuradora-geral, Raquel
Dodge, que questiona a competência da Corte para abrir e conduzir a
investigação. A chefe do Ministério Público Federal quer saber quem são
os alvos da investigação que justificam sua condução no STF.O Estado
apurou que o inquérito não cita nomes, mas entre os alvos estão os
procuradores Deltan Dallagnol e Diogo Castor, além de auditores da
Receita Federal.
Para o advogado da Rede, Danilo Morais dos Santos, ‘a prevalecer o
objetivo por ele pretendido, a própria Suprema Corte estaria a editar,
em pelno regime democrático, mecanismo de auspícios análogos ao do
famigerado AI-5, dispondo de ferramental para intimidar livremente, como
juiz e parte a um só tempo, todo aquele que ousar questionar a
adequação moral dos atos de seus membros’. “Aliás, estes eminentes
julgadores não merecem escapar à censura da Opinião Pública, visto que
optaram livremente por se investir na condição de agentes públicos”.
“Ora, a malsinada Portaria GP nº 69, de 14 de março de 2019, ao
instituir investigação criminal ilegal e inconstitucional, sem fatos
específicos e contra pessoas indeterminadas, viola as garantias mais
básicas do Estado Democrático de Direito e coloca em risco, em
potencial, o direito de ir e vir de autoridades dos Três Poderes da
União”, sustenta.
De acordo com a Rede, na prática, ‘transforma o STF em órgão policial
de investigação criminal nacional, colocando uma “espada de Dâmocles”,
por tempo indeterminado, em cima de manifestações de cidadãos e
autoridades de todo o país’.
“Ora, a malsinada Portaria GP nº 69, de 14 de março de 2019, ao
instituir investigação criminal ilegal e inconstitucional, sem fatos
específicos e contra pessoas indeterminadas, viola as garantias mais
básicas do Estado Democrático de Direito e coloca em risco, em
potencial, o direito de ir e vir de autoridades dos Três Poderes da
União”, escreve.
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“Posso te dar um feedback?”
Para muita gente, só de ouvir essa frase dá um frio na barriga. Os
escudos já sobem, preparados para a bomba que provavelmente vem por aí.
De certa forma, as pessoas têm uma ansiedade normal e compreensível
em momentos de troca de informações e avaliações de performance com seus
líderes e pares. Se, por um lado, queremos saber a visão de outras
pessoas a respeito do nosso trabalho, por outro lado sempre há uma apreensão inerente ao momento de feedback.
Muitas vezes, uma única reunião anual de uma hora de feedback é o que define se seu ano inteiro foi bom ou ruim.
Por outro lado, pelo amor ou pela dor, as empresas têm sido cada vez
mais pressionadas a melhorar a experiência das pessoas colaboradoras no
ambiente de trabalho. Com a lupa voltada para o aspecto humano das
relações de trabalho, temas como transparência, quebra de hierarquia,
espaço seguro, acolhimento e empatia se juntam à produtividade,
performance e crescimento – das pessoas e do negócio.
Com isso, apesar de muitas empresas ainda
tratarem e aplicarem o feedback como um momento tenso, protocolar e
muitas vezes mais associado a críticas do que a elogios, novas técnicas e
iniciativas ganham força em ambientes mais contemporâneos e ágeis. Entre essas técnicas, está o feedforward.
Apesar de não ser algo super novo, o feedforward ainda é pouco
conhecido e aplicado nas empresas, em muito pelo medo de testar algo
novo, que reduz a hierarquia e ressignifica as relações de poder. Tanto
para líderes como para liderados, posso falar com tranquilidade: eu aprendi, aprimorei e aplico o feedforward já há alguns anos e, por
meio dele, tornei-me uma liderança melhor e muito mais conectada com as
pessoas e times que fazem parte do meu ambiente de trabalho.
Por esse motivo, quero “espalhar a palavra” e convencer mais pessoas
de que esse é um caminho muito mais saudável e produtivo para nutrir as
relações de trabalho. Vamos lá?
Por que o feedforward é MUITO MELHOR que o feedback?
O feedforward é um processo diferente de avaliação e reflexão de interações entre pessoas e times. Vejo nele 4 diferenças fundamentais
em relação aos feedbacks que dei e recebi em experiências anteriores e
que acho essenciais para estreitar a relação entre times remotos:
O feedforward é uma via de mão dupla (ou múltipla):
Em toda sessão de feedforward, todos têm a oportunidade de falar, pois é
um processo de análise de todas as perspectivas de uma mesma interação:
seja uma dupla ou um time inteiro. Não é só a liderança que analisa o
time: o time também analisa a liderança. Não há nenhuma superioridade
entre líder e liderado – são todos parte de um time. Inclusive, ele pode
ser feito entre líder e pessoa liderada (como um 1:1) e também entre
times (fixos ou temporários, de projetos) e entre pares do mesmo ou de
outro time. Eu mesma já fiz sessões de feedforward até com clientes após
um projeto ou análise de um ciclo de trabalho e até na minha vida
pessoal (risos). Onde há uma relação relevante a ser aprimorada, há
espaço para o feedforward.
O feedforward pensa no futuro: A crítica pela
crítica não vale nada pra ninguém – e, sinceramente, é muito mais fácil
criticar e apontar erros e culpados sem pensar em caminhos de solução. O
que tem valor real é a crítica que olha para como melhorar no futuro.
Além disso, até a forma de compartilhar e organizar a informação deixa
pra trás o tom frequentemente mais agressivo e privilegia o tom
propositivo. No feedforward, ao invés de apontar erros e falar o que não
gostamos, compartilhamos o que gostaríamos que fosse diferente. E, pra
cada “gostaria”,, há um “e se”, uma sugestão propositiva de melhoria. Os
melhores feedforwards são aqueles dos quais saímos com várias ações e
caminhos para fazer diferente no futuro.
O feedforward aproxima e conecta pessoas: Ao criar
um ambiente seguro para a troca de sentimentos e percepções, a
aproximação entre as pessoas é certa. O feedforward extrapola o ambiente
profissional e abre espaço para o compartilhamento de aspectos pessoais
que impactam (positiva ou negativamente) na vida profissional. É um
momento em que podemos expor nossas vulnerabilidades e, quanto mais nos
permitimos ser quem nós somos, mais as outras pessoas se encorajam a ser
quem são também. Tudo isso cria relações mais verdadeiras. Em todos os
feedforwards que já fiz, eu sempre saio melhor do que eu entro, mais
motivada e conectada com as pessoas que trabalham comigo.
O feedforward contribui para produtividade dos times: Esse
ritual, quando feito com frequência trimestral, por exemplo, não deixa
acumular questionamentos e incômodos como em feedbacks semestrais ou
anuais e também é um momento frequente de reconhecer as pequenas
vitórias e os pontos positivos de cada um. A cada sessão, não há ponto
sem nó: saímos com pontos acionáveis a serem trabalhados em conjunto
para serem revisitados na sessão seguinte, fazendo com que a discussão
seja propositiva e intencional. Com isso, a relação melhora a cada ciclo
e ele intensifica a transparência, a aproximação e a motivação do time.
O feedforward desenvolve a liderança: Como via de
mão dupla, a liderança também aprende no processo, escuta as percepções
do time sobre seu trabalho e sua atuação como líder e parte do time. É
um momento de resolver dúvidas (sem deixar acumular), de exercitar a
escuta ativa e de se abrir para a relação com as pessoas do seu time.
Na prática, como funciona o feedforward?
O objetivo do feedforward é refletir sobre você mesmo, sobre o time,
sobre a organização, sobre a outra pessoa e sobre a relação entre vocês.
O escopo de análise pode ser mais fechado (sobre um projeto ou um ponto
específico da relação) ou mais abrangente (pensando em todo o contexto
em que cada pessoa está envolvida).
Os participantes têm um primeiro momento individual (5 a 10 min, a
depender da frequência e da proximidade entre as pessoas) para escrever
suas reflexões (sobre a outra pessoa, sobre você, sobre a relação entre
vocês, sobre a empresa ou sobre um projeto ou time em caso de
feedforwards em grupo). O tempo é propositalmente curto para que o que é
mais latente venha à tona – isso dá foco ao que mais importa e reduz as
picuinhas.
Dica: para deixar o silêncio do momento da escrita menos
desconfortável, geralmente colocamos uma musiquinha enquanto estamos
escrevendo (deixa o processo mais leve).
Nessa reflexão, dividimos a análise em 3 ângulos: pontos que eu GOSTO
e valorizo (pontos positivos), pontos que GOSTARIA que fossem
diferentes (pontos de melhoria) e, para cada GOSTARIA, é necessário ter
um E SE como forma propositiva de pensar em pontos negativos com o viés
propositivo de olhar para melhorias no futuro. cada observação deve ser
colocada em 1 post-it. Vou dar um exemplo de 3 pontos que já
compartilhei em um feedforward com uma pessoa que estava saindo do
onboarding no time:
GOSTO: De como você constantemente embasa suas decisões com análises e dados.
GOSTARIA: Que você não esperasse até a última hora para falar quando algo vai dar errado, pois eu posso te ajudar com antecedência.
E SE: Deixarmos um 1:1 de 15 min semanal até o fim
do próximo trimestre para você me compartilhar as dúvidas e problemas
até você sentir mais segurança na função.
Em seguida, cada pessoa compartilha seus pontos para a outra pessoa
ou para o grupo. Ao longo do compartilhamento, é comum e produtivo abrir
espaço para adicionar pontos e comentários que vão surgindo ao ouvir a
outra pessoa comentar sobre o que foi compartilhado, principalmente
pontos de “E SE”, que trazem sugestões e caminhos para ampliar o que
está bom ou melhorar o que precisa ser melhorado.
Ao fim do processo, o ideal é convergir nos principais pontos
acionáveis para o próximo ciclo, como um plano de ação e desenvolvimento
que será trabalhado e retomado no fim do ciclo seguinte. Deixo também
sempre uma caixinha de insights e oportunidades mais amplos que podem
surgir ao longo da conversa e merecem ser destacados. Se feito com
frequência (ou seja, não tem muita coisa acumulada pra falar), todo o
ritual costuma demorar de 45 a 60 minutos.
Esse é um exercício que pode ser feito virtualmente (para times
remotos) ou presencialmente (para times que trabalham no mesmo local).
As imagens abaixo mostram o framework que eu utilizo em feedforwards
remotos (em ferramentas como MURAL ou MIRO) e também uma foto de um
feedforward presencial com post-its mesmo. Confesso que hoje prefiro
registrar sempre no framework no mural, mesmo que a conversa seja
presencial, pois facilita a documentação (vou salvando os arquivos por
data e pessoas envolvidas).
Arquivo pessoal Carolina Nucci
Arquivo pessoal Carolina Nucci
Por que o feedforward é ainda mais importante agora?
Estamos há mais de 3 anos nos familiarizando e tomando o trabalho
remoto ou híbrido como algo comum que faz parte do dia-a-dia das
empresas e das relações de negócios.
Por mais que haja um avanço das tecnologias e
dos meios de conexão em rede, os negócios e as organizações ainda são
feitos por pessoas. Com o aumento dos estímulos, dos canais e da
complexidade e volume de temas que precisamos endereçar no dia-a-dia, as
relações humanas vão ficando em segundo plano e sentimos cada vez mais a
perda do cuidado.
Uma consequência disso é o acúmulo de sentimentos (bons e ruins) que a
gente não bota pra fora junto com julgamentos sobre outras pessoas sem
saber o que está acontecendo do outro lado também. As trombadas de
corredor nem sempre estão mais lá. Só vemos as pessoas mais próximas algumas vezes por mês e o assunto principal quase sempre é trabalho.
POR QUE IMPORTA?
Ainda não aprendemos a trabalhar de forma distribuída. Vira e mexe, vem aquela mensagem no Whatsapp mal
interpretada, aquele áudio numa hora ruim, a pressão do momento, o
desalinhamento em reuniões. Tudo isso se intensifica com a distância e
pode gerar atritos, mal entendidos e outras falhas de comunicação. Da
mesma forma, os pontos positivos, os reconhecimentos e as vitórias podem
ter menos força ou ser deixados pra “quando der”.
Mas isso não é uma crítica ao trabalho remoto ou distribuído – pelo contrário. Mesmo
no presencial, esses problemas acontecem pelos mesmos motivos.
Procrastinar conversas profundas é fácil (principalmente as mais
difíceis) – mas não vale a pena.
Guardar sentimentos nem sempre faz bem e, ao não compartilhá-los com
quem precisa, perdemos a oportunidade de construir uma solução comum.
Seja no ambiente presencial ou remoto, precisamos aprender a melhorar o
que há de mais rico nas organizações: as conexões entre as pessoas que
dela fazem parte.
Nesse sentido, pra mim, o feedforward tem sido um grande aliado da
aproximação, da resolução de conflitos e dos reconhecimentos de cada
pessoa que esteve junto comigo durante esses anos cada vez mais
desafiadores. A cada feedforward, eu aprendo a ser uma líder e uma
pessoa melhor.
É preciso atenção para sempre reconhecer as coisas boas, humildade
para admitir os erros e coragem para encarar medos e incômodos de forma
propositiva. É preciso quebrar a inércia, mas vale a pena. Uma vez que
você começa, não pára mais.
É um ato de empatia. Com os outros e com você.
Que tal marcar seu primeiro feedforward com uma pessoa com quem você precisa conversar?
A importância do bom site da Valeon para o seu negócio
Moysés Peruhype Carlech
Antigamente, quando um cliente precisava de um serviço, buscava
contatos de empresas na Lista Telefônica, um catálogo que era entregue
anualmente ou comprado em bancas de jornais que listava os negócios por
áreas de atuação, ordem alfabética e região de atuação.
De certa forma, todos os concorrentes tinham as mesmas chances de
serem encontrados pelos clientes, mas existiam algumas estratégias para
que os nomes viessem listados primeiro, como criar nomes fantasia com as
primeiras letras do alfabeto.
As listas telefônicas ficaram no passado, e, na atualidade, quando um
cliente deseja procurar uma solução para sua demanda, dentre outros
recursos, ele pesquisa por informações na internet.
O site da Valeon é essencial para que sua empresa seja encontrada
pelos seus clientes e ter informações sobre a empresa e seus produtos 24
horas por dia. Criamos uma marca forte, persuasiva e, principalmente,
com identidade para ser reconhecida na internet.
Investimos nas redes sociais procurando interagir com o nosso público
através do Facebook, Google, Mozilla e Instagram. Dessa forma, os
motivos pelos quais as redes sociais ajudam a sua empresa são inúmeros
devido a possibilidade de interação constante e facilitado como o
público-alvo e também a garantia de posicionamento no segmento de
marketplaces do mercado, o que faz com que o nosso cliente sempre acha o
produto ou a empresa procurada.
A Plataforma Comercial site Marketplace da Startup Valeon está apta a
resolver os problemas e as dificuldades das empresas e dos consumidores
que andavam de há muito tempo tentando resolver, sem sucesso, e o
surgimento da Valeon possibilitou a solução desse problema de na região
do Vale do Aço não ter um Marketplace que Justamente por reunir uma
vasta gama de produtos de diferentes segmentos e o marketplace Valeon
atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao
lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não
conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa
vitrine virtual. Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de
diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e
volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de
visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e
acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual.
Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das
plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping
center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais
diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também
possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a
uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com
diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do
faturamento no e-commerce brasileiro em 2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que
são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e
escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é
possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua
marca.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que
tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
CONTRATE A STARTUP VALEON PARA FAZER A DIVULGAÇÃO DA SUA EMPRESA NA INTERNET
Moysés Peruhype Carlech
Existem várias empresas especializadas no mercado para desenvolver,
gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é uma
consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do
mercado para auxiliar a sua empresa na geração de resultados
satisfatórios para o seu negócio.
Porém, antes de pensar em contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer algumas considerações.
Por que você deve contratar uma empresa para cuidar da sua Publicidade?
Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa especializada
para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que possui
profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem
potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e isto
resulta em mais vendas.
Quando você deve contratar a Startup Valeon para cuidar da sua Publicidade online?
A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer estágio do seu
projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos algumas
considerações importantes:
Vantagens da Propaganda Online
Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis
nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas
por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em
mídia digital.
Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é
claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco
dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é
mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda
mais barato.
Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar
uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em
uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança,
voltando para o original quando for conveniente.
Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo
real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a
campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de
visualizações e de comentários que a ela recebeu.
A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o
material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é
possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver
se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.
Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio
publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não
permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio
digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que
ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a
empresa.
Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o
seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela
esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.
Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma
permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão
interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não
estão.
Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.
A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar
potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos:
computadores, portáteis, tablets e smartphones.
Vantagens do Marketplace Valeon
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com
publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as
marcas exporem seus produtos e receberem acessos.
Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes
segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de
público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos
consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro
contato por meio dessa vitrine virtual.
Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes
queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência
pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente.
Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas
compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos
diferentes.
Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa
abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das
pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua
presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as
chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma,
proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.
Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das
plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping
center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais
diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também
possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a
uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com
diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do
faturamento no e-commerce brasileiro em 2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que
são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e
escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é
possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua
marca.
VOCÊ CONHECE A ValeOn?
A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO
TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em
torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace
que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço,
agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta
diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa
e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores
como:
Segundo a Secretaria de Relações
Institucionais da Presidência da República, os valores foram
depositados, nesta sexta-feira, com prioridade para a execução rápida de
projetos locais. A decisão ocorre após meses de tensão entre o
Executivo, Legislativo e Judiciário.
Por Redação – de Brasília
O Palácio do Planalto liberou, nesta sexta-feira, o pagamento de R$
1,761 bilhão para atender à pressão do Congresso e liberar as emendas
parlamentares, sob risco de perder matérias essenciais à economia do país.
A medida atende às “demandas urgentes” de parlamentares, segundo nota
do Senado, e garante o avanço de pautas estratégicas do governo no
Legislativo, como a reforma tributária e o pacote de corte de gastos.
Com a liberação das emendas parlamentares, a Câmara tende a apressar a votação das matérias
A liberação das emendas, conforme publicado no Diário Oficlal da
União (D.O.U) desta sexta-feira, inclui R$ 228,6 milhões em emendas
individuais (RP6); R$ 300,4 milhões em emendas de bancada estadual
(RP7); R$ 1,232 bilhão em transferências especiais, aquelas conhecidas
como ‘emendas PIX’, que caem diretamente na conta das prefeituras e instituições beneficiadas, de imediato.
Segundo a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da
República, os valores foram depositados, nesta sexta-feira, com
prioridade para a execução rápida de projetos locais. A decisão ocorre
após meses de tensão entre o Executivo, Legislativo e Judiciário.
Decisão
Em agosto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF),
suspendeu a liberação de emendas impositivas sob a justificativa de
falta de transparência nos repasses. Apesar de parcialmente liberadas em
2 de dezembro, as restrições impostas por Dino inviabilizaram a
execução da maioria dessas verbas, ampliando o mal-estar entre os
poderes.
Na última terça-feira, o governo publicou uma portaria que estabelece
regras para a liberação das emendas. Além disso, a Advocacia-Geral da
União (AGU) emitiu um “Parecer de Força Executória”, fundamentado na
decisão de Dino, para garantir a legalidade dos pagamentos. A
movimentação foi interpretada, no STF, como uma manobra para contornar
as limitações judiciais e atender às demandas de deputados e senadores.
Confiante
Após os pagamentos, no entanto, o governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) diz estar confiante de que as matérias em curso,
principalmente o pacote fiscal, serão aprovadas na próxima semana, tanto
na Câmara quanto no Senado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no
entanto, preocupa-se quanto ao possível enfraquecimento das medidas
durante a votação, especialmente na Câmara, onde podem sofrer alterações
que reduzam o impacto esperado em R$ 70 bilhões para os próximos dois
anos.
Entre os pontos que têm apresentado maior resistência junto ao
Parlamento estão as mudanças nas regras de benefícios sociais, como o
Abono Salarial e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O PT,
partido da centro-esquerda no governo, resiste às alterações propostas
pela própria equipe econômica, o que tem gerado desconfiança entre as
legendas do chamado ‘Centrão’, que reúne desde a centro-direita à
extrema direita.
Um líder da direita disse a jornalistas, nesta manhã, que “o partido
do presidente Lula não quer mudanças propostas pelo próprio governo. Se
os petistas não querem as alterações, não faz sentido a gente bancar o
papel dos maldosos dentro do Congresso”.
Investidores
Apesar disso, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE),
acredita que os três relatores responsáveis pelas matérias estão
alinhados e vão garantir que as mudanças não enfraqueçam o pacote. São
eles: Isnaldo Bulhões (MDB-AL), relator da proposta que limita o
crescimento real do salário mínimo a 2,5% ao ano; Átila Lira (PP-AL),
relator da proposta que trava as desonerações tributárias em caso de
déficit; e Moses Rodrigues (UB-CE), relator da PEC que altera as regras
do abono salarial e do BPC.
As equipes técnicas têm, agora, pouco tempo para se reunir com os
relatores e negociar os detalhes do pacote fiscal. Caso as propostas não
sejam aprovadas, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario
Durigan, não descarta a possibilidade de editar uma Medida Provisória
(MP), que tem efeito imediato e ganha alguns meses de prazo até voltar à
pauta do Congresso.
Analistas do mercado financeiro têm sinalizado, todavia, que as
medidas podem não ser suficientes para atingir a meta fiscal de déficit
primário zero no próximo ano. Se o Congresso desidratar as propostas, o
cenário fica ainda mais complicado, ao afetar negativamente a confiança
dos investidores e aumentar a pressão sobre o Banco Central (BC) para
elevar a taxa oficial de juros.
História de Simone Iglesias, Giovanna Bellotti Azevedo e Leda Alvim – Bloomberg
(Bloomberg) — A cirurgia de emergência do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva no começo desta semana levou o país a se deparar com uma
questão até então secundária, mas que passa rápida e forçadamente ao
primeiro plano: o líder de 79 anos está apto para a tarefa de liderar a
maior economia da América Latina?
Os médicos de Lula disseram que ele está se recuperando e deve
retornar à Brasília no início da semana que vem, ao mesmo tempo que
minimizam a gravidade dos procedimentos decorrentes de uma queda
acidental no banheiro do Palácio da Alvorada há quase dois meses.
Lula já vinha enfrentando uma série de desafios no seu terceiro
mandato, como a aceleração da inflação, o aumento progressivo da taxa
básica de juros e as possíveis dificudade ecônomicas e políticas com o
retorno de Donald Trump à Casa Branca no começo de 2025.
Os desafios enfrentados pela sua administração se intensificaram
durante sua hospitalização, quando o Banco Central elevou a Selic para
12,25%, indicando mais duas altas de mesma magnitude até março.
Isso deixou o país ponderando sobre o seu futuro, enquanto a sua
idade e sua saúde, sob escrutínio público, se tornam partes importantes
da discussão política e a atenção se volta para a próxima eleição
presidencial em menos de dois anos. Aqui estão três possíveis cenários:
Lula busca quarto mandato
Lula está longe de encerrar sua vida pública e tem planos de buscar a
reeleição em 2026, de acordo com pessoas próximas ao presidente que
pediram anonimato. Nem a idade e nem os problemas de saúde abalaram sua
convicção de que está apto a liderar o país, depois que superou
problemas que considera maiores do que os atuais, como a extrema
pobreza, o câncer e a prisão.
A possibilidade de Lula ser candidato em 2026 fez o dolár avançar na
quinta-feira, intensificando um sell-off que está alimentando a
inflação. A moeda atingiu máximas históricas depois que o plano fiscal
anunciado recentemente pelo governo não conseguiu acalmar os temores
sobre os gastos públicos e o tamanho do déficit.
O medo é que Lula concentre ainda mais o poder de decisão, mesmo com
as preocupações ainda aumentando: o real pode atingir o patamar entre R$
6,7-7 se a política fiscal, em vez da política monetária, começar a
impactar as expectativas de inflação, alertou a estrategista do Morgan
Stanley, Ioana Zamfir, esta semana.
“Enquanto o governo não tiver o entendimento de que a questão é
fiscal, sem dúvida nenhuma a economia vai sentir, seja via inflação ou
via desaceleração por conta de juros muito altos e queda de confiança”,
disse Solange Srour, chefe de macroeconomia do Brasil na UBS Global
Wealth Management.
Lula está considerando uma reforma ministerial nas próximas semanas
na esperança de melhorar as relações de seu governo com o Congresso e
sua estratégia sofrível de comunicação, de acordo com seis das pessoas a
par do assunto.
Talvez não haja muito o que ele possa fazer para reconquistar a
confiança de investidores que estão cada vez mais céticos sobre sua
abordagem fiscal. E, por enquanto, ele pode não ter muito incentivo para
tentar: Lula lidera sob todos os seus potenciais adversários em 2026,
de acordo com uma pesquisa da Quaest publicada esta semana. A economia,
ao mesmo tempo, continua superando as expectativas, o que significa que
os efeitos colaterais dos gastos de Lula podem levá-lo a dobrar a sua
aposta.
Mas esta receita agora carrega um risco substancial. A combinação de
gastos e a alta do dólar estão elevando os preços, enquanto o aumento
das taxas de juros deve impactar o crescimento. Os oponentes de direita
já estão se sentindo encorajados pela vitória de Trump e podem
aproveitar qualquer declínio na popularidade para reforçar suas
esperanças de retornar ao poder em dois anos.
Lula não completa o mandato
Outro cenário, improvável porém imprevisível, é que Lula não complete
o mandato por motivos de saúde, e o vice-presidente Geraldo Alckmin
assuma o cargo.
O ex governador de São Paulo é um político experiente do espectro
centrista do país e é mais provável que ele tome medidas mais agressivas
para melhorar a situação fiscal.
Os brasileiros estão habituados com vice-presidentes assumindo o
poder: Michel Temer assumiu a presidência após o impeachment de Dilma
Rousseff em 2016 e, embora se tenha revelado impopular entre os
brasileiros, conquistou os investidores depois de implementar as
reformas trabalhistas e fiscais que eles há muito tempo buscavam.
‘Biden 2.0’
Lula já enfrentava um problema iminente antes mesmo de entrar no
centro cirúrgico: uma pequena maioria não quer que ele concorra em 2026,
quando completará 81 anos, mostrou a pesquisa Quaest.
Isto evoca as eleições nos EUA, quando Joe Biden insistiu em
concorrer até que um desempenho ruim no debate contra Trump levou os
democratas a forçá-lo a sair.
O Brasil pode estar caminhando para “um cenário Biden 2.0”, no qual
Lula não se afasta a menos e até que se torne “um risco eleitoral”,
disse Christopher Garman, diretor executivo para as Américas do Eurasia
Group.
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é considerado a escolha mais
provável para o substituir nesse cenário, e a pesquisa da Quaest sugere
que ele se encontraria numa posição de força.
Pessoas familiarizadas com o pensamento de Lula, no entanto, dizem
que ele ainda não está disposto a passar o bastão e não decidiu por
Haddad se o fizer. Provavelmente isso não mudará até muito mais perto
das eleições, se a história servir de guia. Em 2018, Lula se recusou a
decidir quem seria seu herdeiro eleitoral até que ficou claro que ele
não seria elegível para concorrer nas eleições daquele ano pela
condenação por corrupção.
Haddad é uma das vozes fiscais mais agressivas dentro do PT e recebeu
aplausos pelos seus primeiros esforços para fazer um ajuste fiscal. Mas
sofreu um golpe com a reacão ao pacote de austeridade e também perdeu
cada uma das suas duas últimas eleições: a corrida presidencial de 2018 e
a disputa ao governo de São Paulo em 2022.
“Haddad tem sido a voz da razão”, disse Greg Lesko, diretor
administrativo da Deltec Asset Management LLC em Nova York. “Mas acho
que o mercado não quer mais saber do Partido dos Trabalhadores.”
História de JOÃO GABRIEL E ADRIANA FERNANDES – Folha de S. Paulo
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Congresso Nacional resiste a endurecer
as medidas de corte de gastos propostas pelo governo, na contramão da
expectativa inicial de agentes do mercado financeiro de que os
parlamentares iriam incluir medidas mais fortes ao pacote de ajuste
fiscal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As negociações dos últimos
dias no Legislativo apontam para um afrouxamento do impacto fiscal da
PEC (Proposta de Emenda à Constituição).
O relator da PEC, Moses Rodrigues (União Brasil-CE), afirmou à Folha
que irá elaborar um texto de consenso. “Estamos ouvindo e discutindo com
parlamentares, sociedade civil organizada, membros de todas as
carreiras incluídas na PEC. Nós vamos construir com diálogo e não temos
intenção de endurecer, de maneira alguma, a proposta original”, disse.
Por outro lado, um grupo de parlamentares, insatisfeitos com as
medidas fiscais do governo, defendem que o Congresso deveria tomar à
frente na iniciativa, por meio de medidas de reforma nos gastos
obrigatórios previstas numa PEC alternativa, elaborada por consultores
do Congresso e defendida pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo.
Essa ala é minoritária, já que os deputados temem apoiar propostas de
maior austeridade fiscal por receio de impacto negativo nas suas
imagens.
Os trabalhos legislativos acabam no próximo dia 22, e o governo corre
contra o tempo para tentar aprovar o pacote, sem deixá-lo desidratar.
Dentre pontos do pacote que devem sofrer mudança, segundo
parlamentares ouvidos pela reportagem sob reserva, estão a destinação de
verbas do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação
Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), a proibição de
deduções não previstas em lei no BPC (Benefício de Prestação Continuada)
e o corte nos supersalários do Judiciário.
Diante da escalada do dólar e dos juros futuros, críticos da PEC do
ministro Fernando Haddad (Fazenda) defendem medidas como o aperto nas
vinculações de saúde e educação e regras mais duras de acesso a
benefícios, como o seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença.
Mas, de acordo com pessoas ouvidas pela Folha que negociam o pacote
no Congresso, a chance de que o texto aprovado seja mais duro do que o
enviado é praticamente zero.
Negociadores do governo buscam barrar o impacto fiscal de um
afrouxamento das alterações propostas nas regras de acesso do BPC
(Benefício de Prestação Continuada), concedido a idosos e deficientes de
baixa renda e até mesmo no abono salarial. Mas ajustes já são dados
como certo.
O Executivo também já admite que o corte nos supersalários do
Judiciário pode ser flexibilizado, uma vez que o dispositivo é alvo de
forte lobby dos magistrados, como mostrou a Folha.
Um integrante da equipe do presidente Lula, que participou da
elaboração do pacote fiscal, disse à reportagem que era equivocada a
narrativa de especialistas do mercado e de parcela da imprensa de que as
medidas não tinham impacto e que o Congresso iria apertar as medidas.
O auxiliar de Lula ressalta que a articulação do governo pretende mostrar que o pacote não é tímido e terá impacto fiscal.
Entre as medidas já apresentadas pelo governo, o projeto de lei e o
projeto de lei ordinária, que tratam de mudanças no salário mínimo e do
pente-fino do BPC, dentre outros temas, já tiveram sua urgência aprovada
e podem ir ao plenário da Câmara, mas a PEC ainda não começou a andar.
A expectativa de alguns parlamentares é que isso comece a acontecer na próxima segunda-feira (16).
Os três textos teriam que ser votados até o fim da próxima semana, e deputados divergem sobre se haverá tempo hábil para isso.
O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), um dos signatários da PEC
alternativa, chegou a ser cotado para relatar uma das propostas do
governo e se reuniu com outras lideranças para debater o tema.
Houve um encontro, por exemplo, com o secretário-executivo a Fazenda,
Dario Durigan. Durante a reunião, porém, houve discussão entre
deputados e o secretário, quando Durigan afirmou que o governo de Jair
Bolsonaro (PL) protagonizou um calote no pagamento de precatórios, o que
hoje pesa nas contas do governo Lula.
Joaquim Passarinho (PL-PA), que era da base do governo Bolsonaro,
reagiu em defesa da medida, que à época foi validada pelo Congresso.
O receio de que Pedro Paulo pudesse adotar medidas muito rígidas caso
fosse relator da PEC do corte de gastos e alongasse a apresentação do
relatório fez com ele fosse descartado para o posto, segundo um
parlamentar envolvido nas negociações.
Lideranças partidárias e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decidiram pelo nome de Rodrigues.
O ajuste fiscal pode ser o último ato de Lira como presidente da
Câmara, enquanto o deputado pleiteia espaço na Esplanada dos Ministérios
de Lula.
Já o provável novo líder da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não se posicionou publicamente sobre o tema até aqui.
Alguns parlamentares ainda tentam emplacar medidas mais rígidas de
corte de gastos. Eles afirmam que, com o fim da presidência de Lira na
Câmara, no ano que vem, pode ser que o cenário se torne mais favorável
para o andamento dessas restrições.
“O objetivo do Parlamento, no chão de fábrica do Congresso, você tem
essa compreensão de que o ajuste é insuficiente. Quero ter esperança,
com uma nova arrumação de forças na Câmara, nos próximos três meses, a
gente consiga fazer esse reposicionamento do papel do Legislativo na
formulação de projetos para o Brasil, em especial na econômica e na área
fiscal”, afirmou Pedro Paulo.
O deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) reclama que o governo não
dialogou com os parlamentares, nem com os setores, para elaborar seu
pacote fiscal.
“Na hora que o Executivo chamar o Legislativo para essa construção,
não tenho dúvida que o Parlamento vai participar. Agora, engolir, a
toque de caixa, numa véspera de final de ano, de recesso parlamentar, um
pacote pronto, que mais desagrada do que agrada, fica difícil”, afirma.