segunda-feira, 25 de novembro de 2024

AUSÊNCIA DE KIDS PRETOS MILITARES COM FORMAÇÃO ESPECIAIS NAS FORÇAS ARMADAS NO ALTO COMANDO DO EXÉRCITO

 

História de CÉZAR FEITOZA – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Alto Comando do Exército, grupo composto pelos 16 generais quatro estrelas da Força, não tem nenhum “kid preto” pela primeira vez após o grupo de elite assumir protagonismo durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

A ausência de militares com formação nas Forças Especiais é resultado de um conjunto de fatores dos últimos anos, como o desgaste causado por oficiais dessa área no Executivo e o baixo número de “kids pretos” para promoção ao último posto da carreira.

A nova configuração do Alto Comando da Força mostra um cenário diferente do final de 2022, quando quatro generais das Forças Especiais estavam em funções estratégicas do Exército.

Eram eles os generais Marco Antônio Freire Gomes, Júlio César de Arruda, José Eduardo Pereira e Estevam Theophilo.

Cinco generais ouvidos pela Folha afirmaram, sob reserva, que os fatores internos foram mais relevantes que os externos para que os “kids pretos” ficassem de fora da cúpula do Exército após dez anos de protagonismo.

Eles destacam, porém, que a ida massiva desses militares para o governo Bolsonaro –como os generais Luiz Eduardo Ramos e Mario Fernandes– desgastou a imagem interna dos Forças Especiais. Ao menos 28 deles assumiram cargos no Executivo de 2019 a 2022.

“Kids pretos” são os militares formados nos cursos de operações especiais do Exército. Eles compõem a tropa de elite da Força, treinada para ações de sabotagem e guerra irregular. O apelido foi dado porque os oficiais dessa área usam uma boina preta como símbolo.

Eles passam pelos treinamentos mais exigentes do Exército, com testes físicos extenuantes enquanto sofrem com falta de alimento. Os treinos envolvem ainda saltos de paraquedas em situações adversas.

O 1º Batalhão de Ações de Comandos, o principal dos “kids pretos”, tem como lema “máximo de confusão, morte e destruição na retaguarda profunda do inimigo”.O Exército possui cerca de 2.500 militares instruídos nas Forças Especiais, número que representa pouco mais de 1% do efetivo do Exército. Suas bases ficam em Goiânia (GO), Rio de Janeiro e Manaus (AM).

Os “kids pretos” têm rivalidade histórica com os precursores paraquedistas do Exército, grupo do qual o comandante do Exército, general Tomás Paiva, faz parte. Os símbolos das duas especialidades são parecidos, mas os precursores usam a cor vermelha em vez da preta.

A área de operações especiais foi criada no Exército na década de 1950, e até o início dos anos 2010 eram poucos os Forças Especiais no Alto Comando. A chegada dos “kids pretos” à cúpula do Exército se intensificou na última década.

A onda é explicada por alguns motivos, segundo os generais ouvidos pela Folha. Um deles foi a relevância da atuação de alguns deles em operações militares internacionais, como no Haiti.

Também ressaltam a coesão do grupo e dizem que os “kids pretos” no Alto Comando geralmente escolhiam outros “kids pretos” para serem promovidos, pelo corporativismo e pela confiança desenvolvida ao longo dos anos.

Os militares formados nos cursos de Forças Especiais ficaram em evidência após a Polícia Federal identificar a participação deles em planos para realizar um golpe de Estado após a vitória de Lula (PT) nas eleições presidenciais de 2022.

Dos 37 indiciados pela Polícia Federal sob suspeita de participação nos planos golpistas, 12 são “kids pretos”. Outros militares de boinas pretas são investigados em inquéritos da PF relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023, como o general da reserva Ridauto Lúcio Fernandes e o coronel da reserva José Placidio dos Santos.

O principal Força Especial indiciado pela Polícia Federal foi o general da reserva Mario Fernandes. Ele é apontado como o autor de um plano operacional para matar o Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Mario ocupou até 2020 o cargo de chefe do Comando de Operações Especiais do Exército. Segundo a investigação da PF, o general arregimentou outros “kids pretos” para executar os planos golpistas.

Um desses militares foi identificado pela Polícia Federal como o tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira, lotado no batalhão em Goiânia. Ele e Mario foram presos na última terça-feira (19).

A Folha apurou que Mario foi chefe de Rafael e outros “kids pretos” investigados pelos planos golpistas. Os dois participaram de reunião no Palácio do Planalto em 6 de dezembro de 2022, quando o general apresentou ao tenente-coronel o planejamento de assassinato das autoridades, ainda segundo a investigação.

LIÇÕES E CONSELHOS DE STEVE JOBS

 

História de Shalini Govil-Pai – Jornal Estadão

Caso você tenha perdido, Paul Graham, da Y Combinator, escreveu recentemente um texto que deu início a uma tempestade de discussões em todo o Vale do Silício sobre as virtudes relativas do “modo fundador” versus o “modo gerente”. Em meio a toda essa conversa sobre se um líder empresarial deve estar intimamente envolvido em cada detalhe de sua empresa ou se deve dar autonomia a seus gerentes para que realizem sua visão, comecei a pensar em um dia de primavera em 1995, quando eu era diretora técnico da Pixar.

Tínhamos acabado de chegar de uma grande reunião com a Intel, na qual nos encontramos com o então CEO Andy Grove para apresentar um conceito de como a Pixar e a Intel poderiam lançar jogos que mostrassem a proeza dos chips da Intel juntos. Nosso trabalho era apresentar uma demonstração com personagens inspiradores e ótimos storyboards. A demonstração não foi bem-sucedida, e Steve Jobs, como só ele poderia fazer, estava deixando claro seu descontentamento. Jobs era conhecido por, às vezes, gritar com seus funcionários e, naquele dia, ele se soltou com um discurso muito inflamado, mesmo para seus padrões.

Ex-funcionária da Pixar relembra conselhos de Steve Jobs Foto: Creative Commons

Ex-funcionária da Pixar relembra conselhos de Steve Jobs Foto: Creative Commons

Como Jobs é considerado o exemplo por excelência do estilo de liderança “modo fundador”, quero me concentrar no que aconteceu depois de sua birra. Jobs olhou nos olhos de todos nós e pediu desculpas. “Sinto muito”, disse ele. Não por ter gritado conosco, mas por não ter feito sua parte para tornar a demonstração mais bem-sucedida. “Vamos todos fazer melhor da próxima vez”, disse ele. E então, ele entrou no que hoje está sendo chamado de “modo fundador”, arregaçando as mangas e, fiel à sua palavra, trabalhando mais de perto com todos nós, em todos os níveis, para garantir que, quando tivéssemos nossa próxima oportunidade, a aproveitássemos ao máximo.

O que Jobs tinha de especial era o fato de se preocupar profundamente com seu pessoal. É verdade que, às vezes, ele podia ser meticuloso e exigente, a ponto de ser chamado de “tirânico”. Mas, acima de tudo, ele era um líder gentil, respeitoso e compassivo. Foram essas características que o tornaram grande, não seus lapsos de gritos e obscenidades.

Para muitos dos líderes de hoje – não apenas no setor de tecnologia, mas em todo o mundo dos negócios, da política, da cultura e do entretenimento – Steve Jobs é um modelo de liderança. E por um bom motivo. Ele criou não apenas uma, mas duas marcas icônicas e lançou produtos inovadores. Ele também era conhecido, talvez mais do que qualquer outra característica, pela busca meticulosa de sua visão singular. Quando se tratava de conseguir o que queria, ele podia ser exigente, mordaz e imperioso, exatamente como sua reputação o sustentava.

Observando alguns dos líderes atuais, preocupa-me o fato de que muitos deles parecem ter adotado os traços mais perigosos de Steve Jobs sem equilibrá-los com suas melhores qualidades. Eles adotaram o Yin, mas desconsideraram o Yang, levando a um estilo tóxico de liderança que muitas vezes destrói o moral, diminui a produtividade e leva a um declínio no valor das partes interessadas.

Então, que conselho Steve Jobs daria para os líderes que tentam imitar seu estilo autocrático? Aqui estão as lições que aprendi ao trabalhar com ele na Pixar e ao estudar seu estilo de liderança.

Ouça atentamente

Depois daquela demonstração desastrosa e do pedido de desculpas de Steve, ele fez questão de ouvir todos os envolvidos. Até mesmo eu. Eu ainda era relativamente inexperiente na época, mas ele se sentou comigo pacientemente e ouviu com grande interesse enquanto eu explicava no que estava trabalhando e o que eu achava que poderíamos fazer melhor. Ele fez perguntas inteligentes e investigativas e pediu minha opinião sobre assuntos importantes. Independentemente de incorporar meus pontos de vista em seu pensamento ou não, ele pelo menos os considerava honestamente, fazendo-me sentir que minhas opiniões eram importantes.

Inspire sua equipe de trabalho

Nenhuma pessoa pode criar algo significativo sozinha. Isso requer contribuições de pessoas de toda a organização, incluindo algumas pessoas inesperadas. Não importa o quanto um líder acredite em sua visão, ele deve motivar os outros a concordarem com ela e a se sentirem apaixonados por trabalhar para alcançá-la. Não basta simplesmente impor uma visão à sua equipe – é preciso fazer com que eles também acreditem nela. Uma coisa em que Steve Jobs era muito bom era reunir as pessoas para alcançar coletivamente o que elas nunca conseguiriam alcançar trabalhando isoladamente.

Esteja à disposição

Steve Jobs entendeu que ele sozinho não tinha o talento, a percepção ou as habilidades para levar sua(s) visão(ões) ao mercado. Na verdade, na Pixar, ele frequentemente recorria a John Lassiter e a outros líderes criativos e técnicos que sabiam mais do que ele em suas respectivas áreas de especialização. Muitas vezes, ele deixava isso explicitamente claro nas reuniões, dizendo coisas como “Estou aqui apenas para apoiá-lo” ou “Diga-me como posso ajudar”. Ao não apenas se submeter, mas muitas vezes considerar os especialistas no assunto como os verdadeiros líderes, ele inspirou confiança, autonomia e coragem em toda a empresa.

Foque no que você pode controlar

Uma lição que muitas pessoas parecem ter tirado de Steve Jobs é que um bom líder deve estar envolvido em todos os aspectos de sua empresa, o que é essencialmente a essência da doutrina do “modo fundador” de Graham.

Embora seja verdade que Jobs estava intimamente envolvido em muitos detalhes de suas empresas, ele também entendia que seria impossível estar envolvido em todos eles. Ele sabia quando terceirizar decisões e quando outra mordida na maçã seria demais para ele – ou para qualquer pessoa – engolir.

Para os líderes que acham que podem fazer tudo, ele diria para concentrarem sua atenção nas questões e decisões que realmente podem influenciar e deixar que a equipe cuide do que está mais bem equipada para lidar.

Concentre-se no bem maior

Em uma entrevista em 1994, Steve Jobs disse à revista Rolling Stone: “A tecnologia não é nada. O importante é que você tenha fé nas pessoas, que elas são basicamente boas e inteligentes – e se você lhes der ferramentas, elas farão coisas maravilhosas com elas”. Essa declaração reflete a crença de Jobs nas melhores qualidades da humanidade, bem como seu compromisso de fornecer às pessoas ferramentas que as ajudem a dar o melhor de si. Jobs acreditava que somente se concentrando em agregar valor ao ser humano – mesmo acima da receita e dos lucros – uma empresa pode realmente realizar seu potencial.

Steve Jobs estava longe de ser perfeito. Sim, ele podia ser irritado e mau, mas também podia ser gentil e atencioso. Ele era controlador e dominador, mas também inspirador e capacitador. Para os líderes que imitam seus modos autocráticos, não se esqueçam de seguir também as outras lições que ele nos ensinou.

FORÇAS ARMADAS CONTRATAM UM NÚMERO MUITO GRANDE DE MILITARES APOSENTADOS

 

História de CÉZAR FEITOZA – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – As Forças Armadas contratam 12.681 militares inativos para funções administrativas e de assessoria, com aumento salarial de 30% e gasto anual próximo de R$ 800 milhões.

O número representa 7% do total de militares da reserva ou reformados (169.793) e é puxado por oficiais —a contratação prioriza capitães e coronéis a sargentos e praças.

Os dados fazem parte de levantamento feito pela reportagem nos últimos seis meses, com base em informações obtidas pela Lei de Acesso à Informação e cruzadas com o Portal da Transparência.

Militares aposentados podem ser contratados pelas Forças Armadas como prestadores de tarefa por tempo certo, os chamados PTTCs. O modelo foi criado na década de 1990, inspirado nos Estados Unidos, e passou a ser largamente usado nos anos 2000.

Os militares contratados como PTTC recebem um adicional de 30% do salário e executam funções militares, com foco nas áreas de ensino, saúde e assessoramento. Os contratos têm duração de até 24 meses e podem ser prorrogados até o limite de dez anos.

O Exército é o líder na contratação de militares aposentados, com 6.190 inativos com funções. A Marinha (3.598) e a Força Aérea (2.893) completam a lista.

Os aposentados podem exercer funções nas próprias forças, no Ministério da Defesa, no GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e no STM (Superior Tribunal Militar).

A reportagem pediu dados sobre onde cada militar contratado como PTTC atua. As Forças Armadas, porém, negaram a entrega dos dados pela Lei de Acesso à Informação. Elas argumentaram que a divulgação causaria “risco a operações estratégicas” e à “segurança da sociedade ou do Estado”.

A CGU (Controladoria Geral da União) concordou com o sigilo desses dados, mas obrigou o Exército, a Marinha e a Força Aérea a enviarem a lista dos militares contratados e suas respectivas patentes.

A contratação não envolve processos seletivos. Os inativos são escolhidos pelas cúpulas militares, em processo de alta discricionariedade e transparência limitada.

Os salários dos aposentados contratados pelo Exército e pela Força Aérea, por exemplo, não são divulgados com o adicional de 30% no Portal da Transparência —fato que reduz estimativas de gasto com pessoal nas Forças Armadas.

Com o adicional, a média salarial dos aposentados como PTTC sobe para R$ 22.694. São 167 oficiais-generais contratados neste modelo, com remunerações que saltam para até R$ 47 mil.

A análise da necessidade das contratações de militares aposentados para as funções também obedece critérios internos, de difícil comprovação.

Ao menos 1.355 militares reformados figuram como prestador de tarefa por tempo certo, mostra o levantamento. A reforma nas Forças Armadas ocorre por idade (75 anos para generais), por incapacidade ou condenação.

Doze oficiais-generais das três Forças Armadas foram unânimes em afirmar à reportagem, sob reserva, que a contratação por este modelo é importante para compor o efetivo dos quarteis.

O gasto com a contratação de um PTTC é menor que o salário de um militar da ativa. Essas fontes ainda dizem que o modelo é benéfico porque os aposentados têm mais de 30 anos de serviço e conhecem com profundidade os assuntos militares.

“A prestação de Tarefa por Tempo Certo é uma medida de gestão de pessoal que contribui para a composição da força de trabalho da Marinha, assegurando a presença de militares com vasta experiência profissional e conhecimento técnico-administrativo para o cumprimento de atribuições de interesse da Instituição”, disse a Marinha, em nota.

O Exército afirmou que a contratação supre o “déficit de pessoal”, e a Força Aérea disse que os militares inativos escolhidos possuem “larga experiência profissional e reconhecida competência técnico-administrativa”.

Porta-voz do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o general Otávio Rêgo Barros foi contratado pelo Exército para exercer a função de gerente-pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos da Força. É responsável por coordenar estudos e organizar seminários.

Ele começou no cargo em abril de 2023, com prazo inicial de dois anos. Procurado, preferiu não se manifestar.

No último ano, a Marinha contratou o almirante da reserva Carlos Alfredo Vicente Leitão para trabalhar na Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos. Suas tarefas, segundo a Força, envolvem a “gestão das relações [da Força] com os veteranos do Corpo de Fuzileiros Navais”.

Ele exerce o cargo enquanto preside, de forma voluntária, a Associação de Veteranos do Corpo de Fuzileiros Navais. Procurado, o almirante não se manifestou.

Leitão também foi um dos signatários de carta golpista de oficiais da reserva, em novembro de 2022, que pedia aos comandantes das Forças Armadas que adotassem “medidas e ações efetivas” diante da falta de “segurança, transparência e rastreabilidade” dos resultados das eleições presidenciais daquele ano.

A carta dos militares aposentados foi a inspiração de coronéis da ativa para escreverem um manifesto de cunho golpista no fim de 2022. O texto pressionava o comandante do Exército da época, general Freire Gomes, a apoiar as propostas golpistas aventadas por Bolsonaro e aliados.

Os autores do documento foram indiciados na quinta-feira (21) pela Polícia Federal no âmbito do inquérito que investigava os planos para um golpe de Estado para se evitar a posse do presidente Lula (PT).

O governo Lula decidiu fazer mudanças em benefícios das Forças Armadas para reduzir os gastos com pessoal. A contratação dos PTTCs não entrou em discussão.

O foco está na definição de uma idade mínima para a aposentadoria, que deve ser fixada em 55 anos, e no fim do pagamento de pensão para familiares de militares expulsos das Forças, os chamados “mortos fictícios”, que custam só para o Exército cerca de R$ 20 milhões por mês.

Militares na reserva têm uma série de benefícios diferentes dos aposentados civis —como a manutenção do salário integral, o tempo de serviço menor e a possibilidade de contratação com adicional de 30%. Por outro lado, a carreira não tem outros direitos, como recebimento de horas extras, adicional noturno e sindicalização.

DIA NACIONAL DO DOADOR DE SANGUE

 

Nesta segunda-feira (25), é celebrado o Dia Nacional do Doador de Sangue, a data tem como objetivo agradecer aos que já são doadores de sangue além de sensibilizar a população para a importância da doação. O mês de novembro não foi escolhido aleatoriamente: ele precede um período de estoques baixos nos bancos de sangue.

A proximidade das férias, de datas comemorativas de fim de ano, carnaval e outros períodos de feriados prolongados torna esse mês especialmente importante para promover o ato solidário da doação de sangue.

A data, além de homenagear as pessoas que reservam um tempinho do seu dia para
doar sangue, também serve para informar e conscientizar a população sobre a
importância de ser um doador de sangue.

Doar sangue é um ato de solidariedade humana, que ajuda a salvar milhares de vidas
todos os dias, através das transfusões de sangue. Atualmente no Brasil, são doadas
cerca de 3,6 milhões de bolsas de sangue por ano, segundo dados do Pró-Sangue.

No Dia Nacional do Doador de Sangue, os Bancos de Sangue de todo o país realizam
atividades lúdicas e mutirões de coleta em escolas, hospitais, shoppings, praças e
demais espaços de acesso público.

“Somos todos do mesmo sangue”: 25/11 – Dia Nacional do Doador de Sangue

Com a campanha “Somos todos do mesmo sangue”, hemocentros de todo o país se unem durante a última semana do mês, com o objetivo de homenagear o Dia Nacional do Doador de Sangue, celebrado no dia 25 de novembro. A ação, que começa no dia 23 e vai até o dia 28, é inédita e visa a destacar a importância desse gesto, sobretudo durante a pandemia, período onde houve queda de até 50% no número de doações em algumas regiões do Brasil.

Segundo o Ministério da Saúde, 1,8% da população doa sangue de forma regular. Esse número fica um pouco abaixo dos 2% ideais definidos pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), mas bem atrás dos 5% registrados em países da Europa. As doações constantes são essenciais para os estoques de plaquetas, que ajudam no controle de sangramentos e são usadas em tratamentos contra o câncer, por exemplo.

Doação de sangue é o processo pelo qual um doador voluntário tem seu sangue coletado e armazenado em um banco de sangue ou hemocentro, para uso subsequente em transfusões de sangue.

O sangue é um composto de células que cumprem funções como levar oxigênio a cada parte do corpo, defender o organismo contra infecções e participar na coagulação. Nada substitui o sangue.

A quantidade de sangue retirada não afeta a saúde do doador, pois a recuperação ocorre imediatamente após a doação. Uma pessoa adulta tem em média cinco litros de sangue e em uma doação são coletados, no máximo, 450ml de sangue. É pouco para quem doa e muito para quem precisa!

Ao se candidatar a doar é preciso passar por uma entrevista que tem o objetivo de dar maior segurança para o doador e para os pacientes que receberão o sangue, sendo de extrema importância responder as perguntas com sinceridade!

Todo sangue doado é separado em diferentes componentes (hemácias, plaquetas e plasma) e assim beneficiar mais de um paciente com apenas uma unidade coletada.
Os componentes são distribuídos para os hospitais para atender aos casos de emergência e aos pacientes internados.

Quem pode doar:

Podem doar sangue as pessoas que tiverem idade entre 16 e 69 anos, sendo que a primeira doação deve ser feita, obrigatoriamente, até os 60 anos. Menores de 18 anos só podem doar com a autorização dos responsáveis legais. Todo doador deve apresentar um documento original com foto.

Se o voluntário tiver almoçado, o procedimento deve ser feito três horas depois. Se for um doador frequente, é preciso obedecer ao intervalo para a doação, que deve ser de dois em dois meses para homens, que podem doar no máximo quatro vezes por ano, e de três em três meses para mulheres, que podem doar no máximo três vezes por ano.

Condições básicas para doar sangue:

– ter entre 16 e 69 anos de idade (Menor de 18 anos deve apresentar o formulário de autorização e cópia do documento de identidade com foto do pai, mãe ou tutor/guardião;
– idosos devem ter realizado pelo menos uma doação de sangue antes dos 61 anos);
– pesar mais de 51 quilos e ter IMC maior ou igual a 18,5 (descontar o vestuário);
– há medicamentos que podem impedir a doação. Confira algumas restrições em nossa lista de impedimentos;
– apresentar documento de identificação oficial com foto (original ou cópia autenticada em cartório), em bom estado de conservação e dentro do prazo de validade. Documentos aceitos: carteira de identidade, carteira de trabalho, certificado de reservista, carteira nacional de habilitação, passaporte, carteira profissional emitida por classe ou carteira de doador. Não são aceitos crachás funcionais, carteiras estudantis nem certidão de nascimento;
– dormir pelo menos seis horas, com qualidade, na noite anterior à doação;
– não ingerir bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à doação;
– não fumar duas horas antes da doação.

Doações de sangue na pandemia:

Apesar de ser um ato simples, rápido e seguro, devido à pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), houve uma redução de até 50% no número de doadores, tornando a atuação dos hemocentros desafiadora devido ao baixo estoque de todos os tipos sanguíneos. Durante esse período os atendimentos em todas as unidades estão acontecendo, preferencialmente, por meio de agendamento. A medida visa a reduzir a circulação de pessoas nos locais para evitar aglomerações e reduzir a possibilidade de transmissão do vírus.

A data comemorativa foi instituída pelo Decreto nº 53.988/1964 considerando que a doação voluntária de sangue é ato em que se manifesta da forma mais significativa, o sentimento da solidariedade humana e que os doadores devem ser homenageados com gratidão. A doação contínua é de suma importância e pode sensibilizar novos doadores.


Fontes:

Fundação Hemocentro de Brasília
Governo do Estado do Espírito Santo
Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais

ELON MUSK UM DOS EMPRESÁRIOS MAIS INFLUENTES E INOVADORES DO SÉCULO XXI

 

História de Gabriele Ferreira – BossaNews Brasil

Elon Musk é um dos empresários mais influentes do século XXI.
A Tesla Motors lidera a revolução da mobilidade sustentável.

Elon Musk é um dos empresários mais influentes do século XXI.©Imagem: reprodução instagram

Elon Musk, com uma fortuna avaliada em mais de 200 bilhões de dólares, tornou-se um dos empresários mais influentes e inovadores do século XXI. Natural da África do Sul, Musk fundou empresas visionárias que transformaram setores inteiros da economia global.

Musk ficou rico principalmente por meio de suas participações em empresas que ele fundou ou cofundou, como PayPal, Tesla e SpaceX. Seu caminho para a riqueza começou com o PayPal, uma plataforma de pagamentos online. Musk fundou a X.com em 1999, uma empresa de serviços financeiros, que mais tarde se tornou o PayPal. Em 2002, o PayPal foi adquirido pelo eBay por 1,5 bilhão de dólares, o que deu a Musk sua primeira grande fortuna. Ele recebeu cerca de 180 milhões de dólares com a venda, um capital significativo na época.

Com esse dinheiro, Musk investiu em novos projetos e iniciou sua jornada nas indústrias de energia e tecnologia. Ele usou parte do que ganhou com o PayPal para fundar a SpaceX em 2002, uma empresa com o objetivo de reduzir os custos de viagens espaciais e tornar a colonização de Marte possível. Ao longo dos anos, SpaceX assinou contratos milionários com a NASA e outras organizações, o que aumentou consideravelmente seu valor. Além disso, Musk manteve uma participação substancial na Tesla, empresa que ele não fundou, mas se juntou logo no início. A Tesla, que inicialmente lutava para se consolidar no mercado de carros elétricos, teve um crescimento exponencial a partir da década de 2010, especialmente quando os carros elétricos ganharam popularidade, impulsionando as ações da empresa e, por conseguinte, a fortuna de Musk.

Além disso, Musk fez investimentos em outras empresas, como a SolarCity (voltada para energia solar) e a Neuralink (focada em interfaces cérebro-computador), que ajudaram a diversificar suas fontes de receita. Seu valor líquido é fortemente influenciado pelo sucesso dessas empresas e pelo aumento do valor das ações de Tesla e SpaceX, tornando-o um dos homens mais ricos do mundo.

PROJETOS DE TECNOLOGIA NÃO É APENAS DIGITALIZAR/AUTOMATIZAR DEVE SEMPRE PRIORIZAR A EMPATIA COM OS CLIENTES

 

Eduardo FreireCEO e estrategista de inovação corporativa da FWK Innovation Design

Quando lidamos com um projeto de tecnologia, o desafio não é apenas digitalizar/automatização de serviços, devemos sempre priorizar a necessidade de empatia com os stakeholders. Nem sempre o que consideramos óbvio é óbvio para as outras pessoas, e compreender essa barreira é crucial para que possamos alcançar o resultado que desejamos.

Em 2023, uma pesquisa Life Trends 2024, da Accenture, apontou que uma das tendências empresariais é a relação das pessoas com a inteligência artificial (IA) – 77% das pessoas ouvidas pela empresa disseram compreender a tecnologia. Ainda em 2023, a Euromonitor, com seu estudo Top Global Consumer Trends 2024, percebeu que mais de 60% dos consumidores têm optado por serviços e produtos que trazem impacto positivo no meio ambiente (a chamada prática ESG).

Ao considerar automatizar processos, é de suma importância garantir que eles sejam compreensíveis e utilizáveis por pessoas reais, isto é, fazer sentido para quem irá interagir com a tecnologia ou serviço. Neste contexto, a empatia vai além de simplesmente julgar se alguém está bem ou mal; envolve reconhecer as nuances das experiências individuais.

Faço-lhe o convite à reflexão: você já percebeu que os conflitos organizacionais sempre acontecem quando nos esquecemos dos princípios básicos da empatia? Por outro lado, as coisas parecem extremamente simples quando somos empáticos e propomos alternativas e resolução de problemas de forma colaborativa, certo?

A magia da colaboração multidisciplinar no ambiente corporativo reside na união de esforços, mesmo diante dos desafios inevitáveis. Durante minha experiência, percebi que a responsabilidade não é apenas individual; é coletiva. Todos devemos contribuir além das fronteiras de nossas funções para alcançar soluções significativas.

De pessoas para pessoas: por que a mentalidade empresarial precisa estar focada nos stakeholders

Em um cenário no qual a empatia e a automação são fundamentais, adiciona-se ainda a importância de outras práticas essenciais, em especial a idealização de projetos com foco na inclusão de pessoas desde o princípio. E não digo apenas no sentido de promover a diversidade, mas também de potencializar a inovação ao integrar diferentes perspectivas.

Do outro lado da moeda, contudo, é preciso evitar alguns erros comuns quando pensamos em ideias para impulsionar nossa empresa ou negócio. Explico-os a seguir:

1. Ignorar as necessidades dos usuários resulta em soluções que não atendem às expectativas ou necessidades reais do consumidor final;

2. Focar apenas na tecnologia, ignorando aspectos humanos, limita o impacto e a adoção da solução;

3. Apenas validar a ideia com stakeholders ao invés de compreender leva a soluções que não são aceitas ou adotadas pelo mercado ou pela equipe interna;

4. Não aprender com erros passados leva a falhas recorrentes em novos projetos; e

5. Não se adaptar às mudanças faz com que os projetos se tornem obsoletos rapidamente.

Isso vai funcionar para o usuário final?

Ser empático como empresa significa entender e atender às necessidades dos clientes, garantindo resultados positivos. Basicamente, o que quero dizer é: ser empático significa reconhecer nossa humanidade compartilhada.

Porém, para que possamos praticar a empatia, umas das possibilidades, segundo o professor do MIT, Otto Scharmer, é preciso silenciar três vozes prejudiciais para nós e para os outros: julgamento, cinismo e medo. Se formos capazes de fazer isso, conseguiremos cultivar uma mente aberta para compreender melhor os outros, evitar a arrogância e agir com coragem e sinceridade – todos esses três valores são essenciais para manter conexões genuínas com as pessoas ao redor e praticar, além da empatia, respeito no nosso dia a dia.

E se você se pergunta como fazer isso? Não tem fórmula mágica, mas uma possibilidade seria: por meio da evolução, simplicidade e adaptação às diferenças. Essas três atitudes essenciais, trazem segurança psicológica e solidificam o respeito mútuo na equipe, fundamentais para o sucesso de projetos.

Evoluir constantemente colabora para alcançar resultados superiores e ultrapassar expectativas; adotar simplicidade é uma forma de inovação eficaz; e adaptar-se às diferenças individuais dentro da equipe valoriza as particularidades de cada membro e criando um ambiente onde todos se sintam seguros para contribuir. Afinal, a liberdade criativa e a confiança são essenciais para um ambiente de trabalho harmonioso e produtivo.

Para fechar minha reflexão, concluo com uma citação de Mark Twain, escritor norte-americano: “Os dois dias mais importantes da sua vida são: o dia em que você nasceu e o dia em que você descobre o porquê”.

CONTRATE A STARTUP VALEON PARA FAZER A DIVULGAÇÃO DA SUA EMPRESA NA INTERNET

Moysés Peruhype Carlech

Existem várias empresas especializadas no mercado para desenvolver, gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é uma consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do mercado para auxiliar a sua empresa na geração de resultados satisfatórios para o seu negócio.

Porém, antes de pensar em contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer algumas considerações.

Por que você deve contratar uma empresa para cuidar da sua Publicidade?

Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa especializada para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que possui profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e isto resulta em mais vendas.

Quando você deve contratar a Startup Valeon para cuidar da sua Publicidade online?

A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer estágio do seu projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos algumas considerações importantes:

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

  • Publicidade e Propaganda de várias Categorias de Empresas e Serviços;
  • Informações detalhadas dos Shoppings de Ipatinga;
  • Elaboração e formação de coletâneas de informações sobre o Turismo da nossa região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas das 27 cidades do Vale do Aço, destacando: Ipatinga, Cel. Fabriciano, Timóteo, Caratinga e Santana do Paraíso;
  • Ofertas dos Supermercados de Ipatinga;
  • Ofertas de Revendedores de Veículos Usados de Ipatinga;
  • Notícias da região e do mundo;
  • Play LIst Valeon com músicas de primeira qualidade e Emissoras de Rádio do Brasil e da região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas e dos seus produtos em cada cidade da região do Vale do Aço;
  • Fazemos métricas diárias e mensais de cada consulta às empresas e seus produtos.

domingo, 24 de novembro de 2024

O BRASIL ESTÁ MAIS INCLINADO PARA A CHINA DO QUE PARA OS ESTADOS UNIDOS

 

História de The Economist – Jornal Estadão

A reeleição de Donald Trump em 5 de novembro ofuscou um pouco a grande festa de Luiz Inácio Lula da Silva. Lula, como é conhecido o presidente do Brasil, foi o anfitrião da cúpula dos líderes do G-20 no Rio de Janeiro nos dias 18 e 19 de novembro. Chefes de estado de 19 das maiores economias do mundo, bem como das Uniões Europeia e Africana, reuniram-se para conversar.

Lula tinha três objetivos para a cúpula: a criação de uma aliança global para reduzir a fome e a pobreza; um acordo para reformar instituições globais como o FMI e a ONU; e um aumento nos compromissos financeiros dos países para combater as mudanças climáticas. Ele também queria angariar apoio para um imposto global sobre os bilionários. Lula conseguiu uma declaração assinada por todos os participantes do G-20 para apoiar amplamente essas ambições. Trump, que em breve será a pessoa mais poderosa do mundo, não compartilhará desse zelo.

O retorno de Trump ao cenário mundial pode arruinar os planos de Lula, mas ele tem um prêmio de consolação: seu relacionamento com Xi Jinping. Após o G-20, o presidente da China viajou para a capital Brasília para se encontrar com seu colega brasileiro. Para comemorar os 50 anos desde que seus países estabeleceram laços diplomáticos, eles assinaram 37 acordos, abrangendo tudo, desde as exportações de uvas brasileiras até a cooperação em satélites. As relações sino-brasileiras “estão em seu melhor momento da história”, disse Xi, com Lula ao seu lado. Nos últimos meses, “qualquer pessoa que seja alguém no Brasil esteve na China”, diz um ex-embaixador brasileiro em Pequim.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente da China Xi Jinping em cerimônia realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente da China Xi Jinping em cerimônia realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Diversos fatores têm aproximado o Brasil e a China. No caso do Brasil, eles são principalmente políticos. Pouco antes da eleição nos Estados Unidos, Lula deu apoio velado a Kamala Harris, a rival de Trump. Enquanto isso, Trump é próximo de Jair Bolsonaro, o antecessor populista de extrema-direita e nêmesis de Lula. Elon Musk se tornou o braço direito do bilionário Trump. O empresário de tecnologia teve uma disputa de meses com a mais alta corte do Brasil este ano, que culminou com a proibição de sua plataforma de mídia social, X, no Brasil por mais de um mês. Em 16 de novembro, a esposa de Lula, Rosangela da Silva, disse “F. you, Elon Musk”, em um evento público. Musk respondeu no X: “Eles vão perder a próxima eleição”. Isso significa que Lula não esperará uma recepção calorosa em Washington após a posse de Trump em janeiro.

Os problemas da China com os Estados Unidos são mais profundos. Trump disse que aplicará tarifas de 60% sobre todos os produtos chineses assim que assumir o cargo. Portanto, a China está empenhada em fazer tudo o que puder para expandir os mercados de seus produtos para além dos Estados Unidos. O Brasil, a nona maior economia do mundo, é uma parte importante desse quebra-cabeça. O Brasil também compartilha da visão multipolar da China sobre o mundo e está interessado em depender menos do dólar para transações internacionais.

Mas talvez o componente mais importante da cordialidade sino-brasileira seja o fato de a China querer comprar o que o Brasil está vendendo. A China consumiu petróleo, minério de ferro e soja brasileiros durante a década de 2000, quando a classe média chinesa cresceu rapidamente. Ela ultrapassou os Estados Unidos como o maior parceiro comercial do Brasil em 2009, durante o segundo mandato de Lula. O comércio continua a se expandir apesar da desaceleração do crescimento chinês. As exportações brasileiras para a China estão atingindo níveis recordes. O Brasil é um dos poucos países que se orgulha de ter um superávit comercial com a China; no ano passado, exportou US$ 51 bilhões (R$ 296 bilhões) a mais para o gigante asiático do que importou dele.

E esse superávit ainda pode aumentar. Durante o último mandato de Trump, entre 2017 e 2021, as exportações brasileiras para a China quase dobraram, pois a China comprou soja, milho e frango do Brasil em vez dos Estados Unidos. Nessa visita, Xi e Lula assinaram acordos que, em breve, poderão permitir que o Brasil exporte uvas, gergelim, sorgo e produtos de peixe para a China, o que poderia valer um total de US$ 450 milhões (R$ 2,6 bilhões) por ano. A TS Lombard, uma empresa de investimentos de Londres, avalia que um aumento de 10% na demanda chinesa por produtos brasileiros poderia impulsionar o crescimento do PIB de 2% em 2025 para 2,6%.

Mas é o investimento chinês em tecnologia, indústria e energia verde que mais entusiasma Lula, um ex-operário do setor automobilístico que se comprometeu a reduzir as emissões de carbono do Brasil. Os Estados Unidos continuam sendo, de longe, a maior fonte de investimento estrangeiro no Brasil. O investimento chinês na região – e no Brasil – caiu nos últimos anos.

Mas a composição desse investimento ainda é favorável a Lula. No ano passado, 72% desse investimento foi destinado a projetos de energia limpa. As exportações de veículos elétricos, painéis solares e baterias de íons de lítio da China para a América Latina aumentaram de US$ 3,2 bilhões (R$ 18,6 bilhões) em 2019 para US$ 9 bilhões (R$ 52,3 bilhões) em 2023. O Brasil absorveu 63% do total em valor.

“Há cinco anos, a China investia em ativos fixos caros, como infraestrutura de eletricidade, petróleo e gás”, diz Hsia Hua Sheng, professor da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, que também trabalha para o Bank of China. “Hoje, ela investe em manufatura, energias renováveis, serviços e logística.” Ele afirma que esses são investimentos de “maior qualidade” porque geralmente envolvem parcerias com empresas locais, criação de empregos e transferência de tecnologia. A BYD e a Great Wall Motors (GWM), duas rivais chinesas da Tesla, estão abrindo fábricas de veículos elétricos no Brasil no próximo ano. A da BYD fica em uma antiga fábrica da Ford. Será a maior fábrica da empresa fora da Ásia.

Uma fábrica chinesa de alta tecnologia construída no local de um campeão industrial americano em declínio já é difícil de ser aceita pelas autoridades de Washington. Mas é provável que nenhum outro assunto venha a irritar tanto a Casa Branca de Trump-Musk quanto um acordo sobre satélites. Durante a visita de Xi, foi assinado um memorando de entendimento entre a Telebras, empresa estatal de telecomunicações do Brasil, e a SpaceSail, fabricante chinesa de satélites de órbita baixa da Terra que concorre com a Starlink de Musk.

O ministro das comunicações do Brasil, Juscelino Filho, disse que esperava que a SpaceSail oferecesse seus serviços no Brasil “o mais rápido possível”. Em outubro, Filho visitou a sede da SpaceSail em Xangai e a de outro fabricante de satélites em Pequim. A visita ocorreu após uma discussão sobre liberdade de expressão e desinformação entre Musk e Alexandre de Moraes, um poderoso juiz da Suprema Corte do Brasil.

Em agosto, Moraes congelou as contas bancárias da Starlink no Brasil para forçar Musk a retirar as contas de mídia social da X, a plataforma da qual é proprietário. A Starlink controla quase metade do mercado de serviços de internet via satélite no Brasil. A SpaceSail planeja ter 600 satélites em órbita até o final de 2025 – cerca de um décimo do número que a Starlink tem.

Além disso, Lula e Xi poderiam promover a cooperação financeira entre seus países. Em 2023, eles concordaram em liquidar todo o comércio nas moedas de seus países, em vez de em dólares. Em outubro do mesmo ano, eles realizaram a primeira transação em yuans e reais. A escala dessas transações é atualmente insignificante, mas elas têm um peso simbólico e podem provocar a ira de Trump. Ele advertiu que aplicaria tarifas de 100% sobre produtos importados de países que tentassem “deixar o dólar”.

Ações tão radicais de Trump provavelmente teriam consequências não intencionais. “O relacionamento entre empresários brasileiros e chineses está muito mais consolidado hoje do que há cinco ou dez anos”, diz Hsia. Isso se deve, em parte, à guerra comercial que Trump travou em seu primeiro mandato. Em seu segundo mandato, ele pode acabar tornando os empresários chineses e brasileiros mais amigáveis do que nunca.

ALAEMANHA ESTÁ EM DECADÊNCIA ECONÔMICA E TECNOLÓGICA

História de Cristina J. Orgaz – BBC News Mundo – BBC News Brasil

Depois de quatro mandatos como chanceler, Angela Merkel deixou o poder em dezembro de 2021

Depois de quatro mandatos como chanceler, Angela Merkel deixou o poder em dezembro de 2021© Getty Images

Alemanha está passando por um momento um tanto turbulento. Seus indicadores econômicos estão deixando a desejar há anos, e ameaçam seu status de “milagre econômico”. E, com a fragilidade da principal economia da zona do euro, os países vizinhos também vão sofrer.

O país não é mais o Exportweltmeister, o “campeão mundial de exportações”, como era conhecido nos mercados internacionais.

No auge da hiperglobalização, a Alemanha chegou a ser o maior exportador do mundo. O gás russo fornecia combustível barato às suas indústrias, e a China era um grande parceiro comercial.

Mas esse mundo dominado pela Alemanha já não existe mais. Acontecimentos como o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), as tarifas de Donald Trump, a invasão da Ucrânia pela Rússia e a ascensão da China, que passou de compradora a concorrente, afetaram seu modelo industrial.

Não foram as únicas causas.

“Talvez o maior choque de todos tenha vindo da tecnologia“, diz Wolfgang Münchau, diretor da publicação especializada EuroIntelligence e autor do livro Kaput: The End of the German Miracle (“Kaput: o Fim do Milagre Econômico Alemão”, em tradução livre).

“A Alemanha de hoje tem uma das piores redes de telefonia celular da Europa. O fax ainda reina no Exército e nos consultórios médicos. E há muitas lojas que ainda só aceitam dinheiro em espécie.”

“Para dar um exemplo de como o país ficou para trás, no início os dirigentes da indústria automotiva alemã, em sua maioria homens, consideravam os carros elétricos brinquedos para meninas”, escreveu o autor.

Para Münchau, esse declínio vem se desenvolvendo há anos. “As piores decisões foram tomadas durante o longo reinado de Angela Merkel. Na década de 2010, a Alemanha aumentou sua dependência do gás russo, investiu menos em fibra óptica e infraestrutura digital, e aumentou sua dependência das exportações.”

“É um modelo que, por diversos fatores, se tornou obsoleto.”

Em outubro, a Volkswagen registrou uma queda de 64% nos lucros do terceiro trimestre. A Mercedes-Benz e a BMW também registraram perdas

Em outubro, a Volkswagen registrou uma queda de 64% nos lucros do terceiro trimestre. A Mercedes-Benz e a BMW também registraram perdas© Getty Images

Apesar de a Alemanha ser celebrada como líder do mundo ocidental, houve, segundo Münchau, uma falta de reformas econômicas significativas e um foco excessivo na política externa em detrimento da inovação e do planejamento econômico de longo prazo.

Hoje, as grandes empresas do setor químico, de engenharia e automotivo estão sofrendo — e, com elas, as redes empresariais menores que fornecem componentes.

O exemplo mais evidente foi apresentado recentemente pela Volkswagen. O maior empregador do setor privado da Alemanha ameaça fechar fábricas no país pela primeira vez em 87 anos de história.

Made in Germany já foi um símbolo da tecnologia mais avançada e confiável, mas a Alemanha não soube adaptar sua indústria mecânica ao modelo digital, segundo Münchau.

Além disso, neste mês, o governo de coalizão liderado por Olaf Scholz entrou em colapso, deixando o país sem um orçamento geral e forçando a convocação de novas eleições para fevereiro de 2025.

Mas como é possível que uma das nações tecnologicamente mais avançadas do mundo tenha ficado para trás?

Nesta entrevista, Wolfgang Münchau analisa os diversos fatores que arrastaram a principal economia da zona euro para este momento conturbado.

BBC News Mundo – A Alemanha tem hoje uma economia com crescimento muito baixo, ao qual ninguém está acostumado. O que vai acontecer na Europa?

Wolfgang Münchau – A Europa vai sofrer. A Alemanha foi seu motor de crescimento, mas agora uma Alemanha que não cresce está politicamente menos disposta a ter grandes programas de apoio à União Europeia (UE). O país é um grande contribuinte líquido para seu orçamento.

Mas não se pode contar com a Alemanha estagnada para financiar a UE da mesma forma que antes, e ela pode relutar em financiar a guerra na Ucrânia.

Porque se não há crescimento, não há margem fiscal para expandir o orçamento. Por isso, veremos decisões difíceis, e todas elas estão interligadas.

BBC News Mundo – Há algum país que possa substituir a Alemanha como motor da Europa?

Münchau – Não acredito que haja nenhum, sobretudo por uma questão de tamanho, a Alemanha tem 85 milhões dos 500 milhões de habitantes da União Europeia, e sua economia é cerca de 20% maior que a segunda maior economia da UE.

Com seus 80 milhões de habitantes e poder exportador, a Alemanha é a economia mais forte do continente europeu

Com seus 80 milhões de habitantes e poder exportador, a Alemanha é a economia mais forte do continente europeu© Getty Images

BBC News Mundo – Quando começou o milagre econômico alemão?

Münchau – Começou realmente depois da Segunda Guerra Mundial. No fim da década de 1940, houve um período de novas empresas e muito dinamismo na economia, com base na engenharia e na indústria.

Os oleodutos e os reatores nucleares foram as engrenagens que impulsionaram a economia alemã. Eram a força vital do seu modelo industrial. Foram estes oleodutos que mais tarde dariam à Alemanha acesso ao petróleo norueguês e ao gás russo. Essa primeira fase do milagre durou até o início da década de 1970.

O período de 1980 a 1990 foi mais problemático porque a unificação custou muito dinheiro. Mas, em 2005, chegaria uma segunda fase, que durou até aproximadamente 2018.

A Alemanha viveu um período bem-sucedido entre 2005 e 2015, conhecido como “milagre alemão moderno”.

O fechamento das centrais nucleares e o fim da energia barata se deveram a razões políticas, e não econômicas

O fechamento das centrais nucleares e o fim da energia barata se deveram a razões políticas, e não econômicas© Getty Images

Entre os fatores que contribuíram para este sucesso, estão as reformas do mercado de trabalho introduzidas pelo chanceler Gerhard Schröder em 2003, que levaram à moderação salarial, além do gás barato da Rússia, da liberalização do transporte marítimo e da logística de contêineres.

E também havia a forte demanda de bens industriais alemães por parte de economias em rápido crescimento, como a China ou a Índia.

BBC News Mundo – O que indica que “o milagre” acabou?

Münchau – Em termos de dados e estatísticas publicadas, podemos ver isso por volta de 2018. Mas tem sido um processo progressivo, cujas causas remontam a muitos anos atrás.

O que aconteceu com a Alemanha é que ela se tornou muito dependente de algumas indústrias, em especial da indústria automotiva. Isso é bastante raro.

A maioria dos países grandes, como Estados Unidos, China, Brasil ou Japão, possui indústrias diversificadas. Eles não dependem de um ou dois setores.

O governo de coalizão da Alemanha se desintegrou no início deste mês — e agora há eleições gerais marcadas para 23 de fevereiro de 2025

O governo de coalizão da Alemanha se desintegrou no início deste mês — e agora há eleições gerais marcadas para 23 de fevereiro de 2025© Getty Images

Mas a Alemanha se tornou muito dependente dos automóveis, dos produtos químicos e também das máquinas de engenharia mecânica.

Essas três indústrias eram extremamente importantes para a economia alemã e sofreram problemas semelhantes desde 2018.

BBC News Mundo – Quais foram esses problemas?

Münchau – Um deles foi a crise do aumento dos preços da energia, que se tornou um problema específico após a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin. Mas, no caso do setor automotivo, aconteceu outra coisa: não conseguiu inovar.

Não está na vanguarda dos veículos elétricos. Continuou vendendo seus automóveis antigos movidos a combustível, e investiu nas tecnologias erradas.

O que vemos agora é que a Tesla e os chineses são os líderes em veículos elétricos, e os alemães ficaram para trás.

De certa forma, a obsessão da Alemanha com a indústria destaca a incapacidade do país de aceitar que as economias ocidentais modernas são baseadas em serviços, e não em manufatura.

BBC News Mundo – Um amigo seu disse para você não escrever este livro, porque a Alemanha tem um histórico de se recuperar quando menos se espera. Isso pode acontecer desta vez? Ela pode renascer?

Münchau – Esta crise é diferente das anteriores, quando os problemas eram a competitividade e os custos. Esta é a crise em que a Alemanha, como país, está vendendo produtos obsoletos, que já não estão na vanguarda da tecnologia.

Isso se deve ao fato de a Alemanha ter perdido o século 21 em termos de toda a revolução digital. Passou anos investindo nas tecnologias equivocadas. Nos automóveis, isso é óbvio porque podemos ver.

Mas também vimos uma digitalização lenta das indústrias existentes. A tecnologia digital invadiu os dispositivos mecânicos em que o país era líder, e não soube se adaptar.

BBC News Mundo – Este fenômeno na indústria está relacionado com a aversão dos alemães à digitalização que você menciona em Kaput?

Münchau – Acho que sim. É possível ver isso em muitas áreas da vida pública e em muitos setores do governo que ainda usam aparelhos de fax. Da mesma forma que nos consultórios médicos.

Isso também pode ser observado na telefonia e na cobertura de celular, que é muito fraca em muitos lugares, e na implantação de fibra óptica, que também está muito atrasada.

A Alemanha praticamente não tem nenhuma representação em termos de inteligência artificial. Não fez esses investimentos. E esse é o problema de uma economia que se especializa demais.

A mudança na geopolítica também jogou contra eles. Muitas coisas aconteceram juntas.

BBC News Mundo – Você acha que a sociedade alemã é tecnofóbica?

Münchau – Sim. E não se trata apenas do digital. Existe uma atitude antitecnologia que prevalece na sociedade. Isso se aplica ao dinheiro eletrônico ou até mesmo aos cartões de crédito.

Vejamos o exemplo da energia nuclear. A Alemanha nunca esteve perto de um acidente. Mesmo assim, decidiu se livrar das suas usinas nucleares, enquanto em outros países elas são uma parte muito importante do seu fornecimento de energia barata.

BBC News Mundo – No livro, você diz que o sucesso da Alemanha nas décadas passadas lançou as bases para a crise atual. Ou seja, o que permitiu à Alemanha ser bem-sucedida no passado é agora o que está prejudicando o país. Isso é um pouco paradoxal, não?

Münchau – Exatamente. O que foi um ponto forte em um período é a base para a fraqueza agora. O país era muito dependente da Rússia e da China e, desde que a geopolítica corresse bem, esse era um ótimo modelo que produzia crescimento e prosperidade. O mesmo acontece com a tecnologia.

Mas ambos os fatores mudaram, enquanto as empresas permanecem as mesmas, ainda tentando fazer negócios na Rússia e na China.

Existem boas empresas alemãs, mas os grandes lucros não estão sendo obtidos na área de engenharia, como costumava ser o caso — mas, sim, no campo da inteligência artificial e tecnologias digitais.

As grandes margens de lucro que as empresas alemãs costumavam desfrutar agora diminuíram. Acho que esse é o ponto-chave. A Alemanha não se adaptou, e é por isso que está na situação atual.

Em 2005, o social-democrata Gerhard Schröder foi sucedido pela conservadora Angela Merkel

Em 2005, o social-democrata Gerhard Schröder foi sucedido pela conservadora Angela Merkel© Getty Images

BBC News Mundo – Fiquei surpresa ao ler que “as piores decisões para a Alemanha foram tomadas durante o longo reinado de Angela Merkel, quando ela era celebrada como a líder do mundo livre”. O que aconteceu nesse período?

Münchau – Merkel se concentrou principalmente na política externa. Não estava interessada em reformas econômicas. Não acredito que ninguém se lembre de nenhuma reforma relevante aprovada na época dela, com exceção do aumento da idade para aposentadoria.

É claro que ela foi uma figura indispensável na Alemanha. Era impossível formar uma coalizão sem seu apoio ou sua presença. Ela também era muito popular pessoalmente, mas foi um bom período.

O crescimento econômico foi forte, e os governos geralmente não resolvem problemas quando tudo está indo bem.

A Alemanha se despediu de muitos avanços técnicos durante esse período. Foi também durante seu mandato que o país se tornou fortemente dependente da China e da Rússia e decidiu acabar com a energia nuclear.

Foram tomadas muitas decisões que, em retrospectiva, são consideradas como equivocadas. Merkel estava por trás de um amplo acordo de cooperação em termos de investimentos com a China.

Veja bem, não a estou culpando pessoalmente por tudo o que deu errado na Alemanha. Não estou atribuindo a culpa a nenhuma pessoa em particular.

Hoje, a Alemanha tem uma economia de crescimento muito baixo, e as pessoas se perguntam o que aconteceu. E o que eu argumento no meu livro é que essas decisões ruins foram tomadas nas décadas anteriores.

Quase metade do PIB da Alemanha costuma depender do seu comércio exterior

Quase metade do PIB da Alemanha costuma depender do seu comércio exterior© Getty Images

BBC News Mundo – Mas Merkel enfrentou de frente a crise do euro em 2008, a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, as ondas de migração para a Europa e a pandemia de covid-19?

Münchau – Ela brilhou como líder diplomática europeia em todas essas áreas. Ela tinha um relacionamento muito próximo com Obama nos Estados Unidos. Trabalhou com Putin.

Tinha uma presença bastante global, mas não era alguém que pensasse estrategicamente sobre a força econômica e a geopolítica. Ela tinha outras prioridades.

Sua grande força na política alemã foi a capacidade de liderar coalizões entre partidos de esquerda e de direita. Não é algo fácil. Era uma gestora muito, muito boa. E é por isso que sobreviveu por tanto tempo.

Não quero tirar seu mérito. Estou apenas dizendo que muitos dos problemas que a Alemanha tem hoje foram resultado de erros previsíveis cometidos por ela e durante seu mandato. Isso ficou claro.

A política energética foi provavelmente o caso mais extremo, mas tem também o caso da indústria automotiva.

Observe as grandes gigantes da tecnologia do mundo. Quase todas são dos Estados Unidos. Algumas, da China. Não há nenhuma europeia.

Mas a Alemanha é um país que poderia ter tido isso. É uma grande economia. Tem muito dinheiro. Mas isso faz parte do legado de Merkel, e vai ser muito difícil reverter essa situação.

 

VISÕES DIFERENTES DE JURISDIÇÃO DO STF

 

História de Reinaldo de Maria – News Rondonia

Duas visões sobre a jurisdição do STF, por Ives Gandra

Duas visões sobre a jurisdição do STF, por Ives Gandra

No XII Congresso de Direito Constitucional da FADISA (Faculdade de Direito de Santo André) realizado em 18 de outubro deste ano, palestramos, os desembargadores Valdir Florindo do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (2ª), Reis Friede do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, onde foi presidente, o Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, e eu.

A temática do evento foi “Ética e Liberdade, Liberdade com Ética”. O Ministro Luís Roberto Barroso e eu fomos os últimos a falar.

Embora o Ministro tenha abordado aspectos das oportunidades e riscos da evolução da inteligência artificial na Justiça e no mundo e eu, de meu lado, os fundamentos permanentes da ética, moral e liberdade, mais voltados ao direito natural, com sua evolução na História a partir da Filosofia, ambos apresentamos nossa interpretação da temática que, embora convergente em sua percepção é divergente em sua aplicação na realidade brasileira.

O eminente presidente da Suprema Corte entende que, apesar da aplicação do Direito por todo magistrado exigir permanente reflexão, como nem todas as situações judicializadas tem legislação pertinente regulatória, o juiz deve lastrear-se em princípios fundamentais albergados na Lei Suprema para dar solução adequada, o que, a seu ver, não é invadir as funções do Poder Legislativo, mas implementar, para a hipótese, o que está na Constituição. Assim, se o STF entender que, mesmo havendo legislação, aquela produção normativa do Congresso a respeito do princípio constitucional não é a mais adequada, pode atuar para oferecer a melhor exegese, por ser a instância máxima da interpretação Jurídica.

Expus posição diversa. Por entender que, na Lei Suprema, há expressa disposição para que o Congresso zele por sua competência normativa (artigo 49, inciso XI) e que nem mesmo em ações diretas de inconstitucionalidade por omissão do Parlamento julgadas procedentes, pode o Pretório Excelso legislar (artigo 103, §2º), em nenhuma hipótese caberia ao STF dar uma solução legislativa à luz de princípios gerais.

É que os princípios gerais quando mais genéricos, permitem múltiplas interpretações, até mesmo conflitantes, como por exemplo o da “dignidade humana”, no qual tanto os defensores do aborto como os do direito do nascituro de ter a vida preservada desde a concepção, lastreiam-se, gerando, assim, a defesa de teses absolutamente opostas.

A Constituição portuguesa, para tais princípios de múltiplas acepções, expressamente admite que apenas prevalece a interpretação em lei dos representantes do povo, entendendo eu que tal princípio é implícito na Constituição brasileira, muitas vezes o silêncio parlamentar representando a vontade popular de que aquela matéria não seja naquele momento legislada.

À evidência, em palestra de quase uma hora de cada um de nós dois, diversos argumentos foram utilizados em hospedagem de nossas posições, sempre pelo prisma da ética e da liberdade.

Ao final, os dois fomos aplaudidos em pé pela plateia, elogiando os organizadores como podíamos na divergência manter elevado nível, segundo eles, de elegância e respeito, ao que disseram ser um verdadeiro confronto democrático de ideias.

Tenho pelo Ministro Luís Roberto Barroso particular admiração, desde que trabalhamos juntos na “Comissão de Notáveis” criada pelo presidente do Senado, José Sarney, para repensar o pacto federativo. Ofereci-lhe, ao final, meu livro “Uma Breve Teoria do Poder”, colocando a seguinte dedicatória: “Ao querido amigo e mestre Ministro Luís Roberto Barroso com afeto e admiração ofereço”. Ele, por sua vez, dedicou-me seu livro “Inteligência Artificial, Plataformas digitais e democracia”, com as seguintes palavras: “Para o estimado Professor Ives Gandra com a admira&c cedi l;ão de sempre e o renovador apreço”.

Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp ).

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...