O governo federal criou uma tributação mínima sobre o lucro de
multinacionais que operam no Brasil e que tenham faturamento anual de €
750 milhões (cerca de R$ 4,47 bilhões). Pelos cálculos do Ministério da Fazenda, 957 empresas devem se enquadrar na medida, sendo 20 delas brasileiras. O imposto foi instituído por uma medida provisória, e, portanto, já está em vigor.
Dados da Secretaria Especial da Receita Federal indicam
que essa medida representará aumento de receita tributária de cerca de
R$ 3,44 bilhões em 2026, R$ 7,28 bilhões em 2027, e R$ 7,69 bilhões em
2028.
Na última sexta-feira, 4, Robinson Barreirinhas,
secretário especial da Receita Federal e assessores apresentaram
detalhes da medida. Confira abaixo mais informações sobre o assunto.
Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal Foto: Diogo Zacarias/MF
O que é o imposto mínimo global?
Chamado oficialmente de Adicional da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL),
o imposto estabelece a tributação mínima de 15% de multinacionais que
operam no Brasil e tenham faturamento anual de € 750 milhões, cerca de
R$ 4,47 bilhões.
Quem criou o imposto mínimo global?
A medida provisória adequa a legislação brasileira para atender às Regras Globais Contra a Erosão da Base Tributária (Regras GloBE, na sigla em inglês). Trata-se de uma iniciativa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que contou com a adesão de 140 países,incluído na soma o G-20 (as
20 maiores economias do planeta). A medida já é adotada em 35 países,
segundo Cláudia Pimentel, subscretária de Tributação e Contencioso da
Receita.
Por qual motivo o imposto foi criado?
Segundo a OCDE, as regras impõem às grandes empresas multinacionais o
pagamento de um nível mínimo de imposto sobre a renda proveniente de
cada uma das jurisdições onde operam, evitando a concorrência fiscal
prejudicial entre países. Com isso, a cobrança passa a ser feita no país
onde a empresa atua e gera o lucro. Se não fosse a medida, o imposto
continuaria a ser pago para outro país, geralmente onde a multinacional
possui sua sede.
Quando ele passa a ser cobrado?
A partir de 2025, porém impactará no ano fiscal de 2026. Isso ocorre
porque as empresas não pagam os valores desse imposto antecipadamente,
só depois dos cálculos do lucro que obtiveram em suas operações e com
base no resultado ajustado. A data base do cálculo é 31 de dezembro de
cada ano.
Quantas empresas devem pagar esse imposto?
Segundo o governo federal, 957 serão atingidas pela medida, já que
pagam menos do que 15%. A justificativa é a de que a medida provisória
estabelece que qualquer grupo multinacional que recolha menos do que
isso deverá pagar o adicional da CSLL até que alcance esse percentual.
Existe apenas 957 empresas no Brasil que tem faturamento anual de € 750 milhões?
Não. Pelos cálculos da Receita Federal, no Brasil, existem 8.704
pessoas jurídicas (empresas) com receita bruta anual superior a € 750
milhões , e a maior parte já paga 15% ou mais.
Por qual motivo as 957 não pagavam os 15%?
Entre outros fatores, essas empresas que pagam abaixo de 15% devido a
incentivos fiscais ou deduções na base de cálculo dos tributos.
Como será feito o cálculo?
A empresa terá de complementar o que falta para chegar a 15%. Se
alguma delas, hipoteticamente, paga 5%, terá de complementar mais 10%. O
cálculo para complementação deve ser feito na mesma base.
Essas empresas pagarão mais impostos?
Segundo a apresentação da Receita, isso não irá ocorrer. A diferença é
a de que em vez de pagar o imposto para o país sede, esses valores
serão pagos no país de origem das operações.
Quanto o governo federal arrecadará com a medida?
Segundo os cálculos do governo federal, serão R$ 3,44 bilhões em 2026, R$ 7,28 bilhões em 2027, e R$ 7,69 bilhões em 2028.
Esse é o diagnóstico inicial da cientista política Lara Mesquita,
pesquisadora do Centro de Política e Economia do Setor Público da
Fundação Getulio Vargas (FGV Cepesp).
Em entrevista à BBC News Brasil um dia após o primeiro turno,
Mesquita aponta como um dos destaques desse pleito o bom desempenho do
PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, nas grandes cidades –
aquelas com mais de 200 mil eleitores, onde pode haver segundo turno.
A sigla levou dez prefeituras desse grupo no primeiro turno – sendo
duas capitais Maceió (AL) e Rio Branco (AC)—, e disputará o segundo
turno em outras 23 do total de 52 cidades com o pleito ainda em
andamento.
Já o PT, conquistou apenas duas grandes cidades, com a reeleição das
prefeitas de Contagem (MG) e Juiz de Fora (MG), e disputará o segundo
turno em 13, sendo apenas uma capital, Fortaleza (CE), onde o confronto
será com o PL.
“O PL, embora não tenha crescido de maneira tão acentuada [em número
total de prefeituras, como PSD e Republicanos], teve um desempenho muito
bom nas grandes cidades. Isso talvez indique uma mudança do perfil,
sobretudo, dos eleitores mais pobres”, nota Mesquita, lembrando que é o
eleitor de baixa renda que predomina nos maiores centros urbanos.
“Esses eleitores, que se alinhavam com a esquerda, com a pauta mais
trabalhista, e agora estão procurando uma coisa diferente e que não
estão encontrando nos partidos de esquerda”, disse ainda.
A pesquisadora ressalta que ainda são necessários mais estudos para
entender melhor o que está motivando essa aparente mudança. E acrescenta
que o resultado fraco do PT não pode ser lido como um sinal de fraqueza
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa eventual tentativa de
reeleição em 2026.
“Não tem nenhum estudo que comprove uma relação direta entre o
resultado das eleições municipais e o desempenho dos partidos nas
disputas para governador e presidente”, reforça.
Confira a seguir os principais trechos da entrevista, em que Mesquita
analisa também a eleição de São Paulo, o desempenho de Bolsonaro como
cabo eleitoral e o crescimento de partidos como PSD e Republicanos.
BBC News Brasil – A eleição municipal costuma ser dominada no
Brasil pelo campo da centro-direita. O que teve de novidade neste ano?
Foi uma vitória ainda mais expressiva desse campo?
Lara Mesquita – Olhando para o histórico recente,
sim, o campo da centro-direita avançou seu desempenho eleitoral nesse
primeiro turno nas cidades brasileiras. A gente ainda não tem disponível
os dados mais granulados [detalhados] dos municípios para fazer uma
análise mais cuidadosa. Mas, pelos dados preliminares, fica muito claro
que o centro puro está desidratando; a centro-direita está crescendo; e a
esquerda, sobretudo o PT e o PSB, estão se recuperando, mas numa
velocidade lenta, e os outros partidos de esquerda não estão repetindo
os desempenhos das eleições anteriores.
BBC News Brasil – O centro puro seria o PSDB e o MDB?
Mesquita – Isso, o PSDB perdeu prefeituras. E o MDB,
ainda que tenha recuperado um pouco seu desempenho em relação a quatro
anos atrás [elegeu ao menos 844 prefeituras, ante 783 no primeiro turno
de 2020], está abaixo do desempenho passado. O MDB elegia sempre [até a
eleição de 2016] mais de mil prefeitos e não recuperou esse desempenho.
BBC News Brasil – As urnas municipais mostram uma rejeição ao
Lula ou à esquerda de forma mais ampla? Ou seria uma leitura
equivocada?
Mesquita – Eu acho que essa é uma interpretação
bastante equivocada. Não tem nenhum estudo que comprove uma relação
direta entre o resultado das eleições municipais e o desempenho dos
partidos nas disputas para governador e presidente.
Claro que São Paulo teve uma eleição mais nacionalizada e, muito
provavelmente, o segundo turno em Fortaleza vai ser bastante
nacionalizado [com a disputa entre André Fernandes, do PL, e Evandro
Leitão, do PT], mas essa não é a realidade da maioria dos 5.569
municípios.
Geralmente, os eleitores estão preocupados com as suas questões
locais e com a oferta de partidos locais. Os partidos não estão
presentes em todas as cidades. A gente poderia fazer um estudo e
identificar em quantas cidades a esquerda sequer apresentou um candidato
a prefeito. Então, eu acho que a gente pode ler [essa falta de
candidatos] como uma rejeição à esquerda.
O que se sabe na ciência política é que a eleição municipal fornece
indícios sobre o desempenho dos partidos nas eleições para deputado
federal. Então, os partidos que pioraram o seu desempenho em relação a
quatro anos atrás têm uma grande chance de eleger menos deputados
federais [em 2026] do que há quatro anos.
E isso pode ser um problema para esses partidos, dado que está em
implementação gradual a cláusula de desempenho [patamar mínimo de votos
para um partido ter acesso a recursos públicos], que, a cada eleição, é
um pouquinho maior. Então, isso pode se refletir não na quantidade de
votos e deputados que esses partidos vão eleger, mas, como consequência
disso, no acesso aos recursos públicos [uma limitação que tende a
provocar novas fusões de partidos].
BBC News Brasil – O resultado eleitoral é preocupante para o
futuro do PT pós-Lula? Mesmo tendo a Presidência da República, o partido
corre o risco de não eleger nenhum prefeito de capital novamente, já
que foi para o segundo turno apenas em Fortaleza, onde o cenário está
bem disputado.
Mesquita – É preocupante, mas eu não sei se só essa
eleição vai ser suficiente para a gente fazer esse diagnóstico. A queda
do PT com a Lava Jato, olhando o desempenho do partido em 2016, foi
muito grande, e o partido está se se reestruturando. A recuperação
poderia ser mais acentuada com o controle da Presidência? Talvez, mas
também não é de todo surpreendente que essa recuperação esteja
acontecendo de maneira não tão acelerada. Eu não sei se o PT vai voltar a
ser o que ele foi no auge dos governos Lula e Dilma.
O governo Lula tem só dois anos e está sendo um governo bastante
difícil. Tem uma novidade para o PT que é ser um governo minoritário.
Não que o partido sozinho fosse maioria nos primeiros governos Lula e no
primeiro governo Dilma, mas existia um grupo de forças disposto a
formar uma coalizão de governo e, em alguma medida, disposto a discutir
agenda. Isso está mais refratário agora, tanto porque a direita e os
partidos de centro-direita cresceram, mas também porque o perfil desses
novos deputados da centro-direita mudou um pouco. Temos agora uma
direita mais ideológica, que está menos disposta a negociar apoio ao
governo em troca de cargos.
Não está muito claro o tamanho dessa direita ideológica. Acho que
vamos precisar de um ou dois ciclos eleitorais para ter uma clareza
maior sobre esse cenário.
BBC News Brasil – Em contraste com a falta de quadros novos
fortes no PT, João Campos (PSB) foi reeleito com 78% dos votos em Recife
[PE], aos 30 anos. Ele desponta como uma liderança importante da
esquerda?
Mesquita – Com certeza. Ele vem de uma família
tradicional, se o segundo mandato dele for tão bem-sucedido, tem uma
grande chance de ele tentar o governo estadual [de Pernambuco]. A se
observar isso, sem dúvidas, assim como foi o pai dele [Eduardo Campos,
morto em um acidente aéreo na campanha presidencial de 2014], ele
desponta como um nome de renovação, de possível quadro com um potencial
muito grande dentro da esquerda.
BBC News Brasil – Os partidos que mais elegeram prefeituras
foram PSD (ao menos 877) e MDB (ao menos 846), que são partidos mais
flexíveis no apoio a diferentes governos. Por outro lado, candidaturas
do PL tiveram bom desempenho em capitais e grandes cidades. Podemos
dizer que em cidades menores, no interior do país, prevaleceu uma
dinâmica fora da polarização, enquanto nas grandes cidades a direita
ideológica mostrou força?
Lara Mesquita – O MDB é um partido muito enraizado
no interior brasileiro e isso tem origem desde o período da Ditadura
Militar [quando era a única legenda autorizada a atuar na oposição] e da
transição para a democracia. Nenhum outro partido nunca teve tanta
penetração municipal como MDB teve. A gente tem partidos que não têm
diretórios na quantidade de cidades em que o MDB elegeu prefeitos.
E está correta a sua interpretação de que o MDB, assim como o PSD,
são partidos mais flexíveis, mais associados ao que a gente viu [no
comportamento dos partidos] pré-governo Bolsonaro. São partidos comuns
no que a gente chama na ciência política de democracias consensuais, que
podem formar governo com diferentes grupos, tanto mais à esquerda,
quanto mais à direita.
Se esse crescimento do MDB e do PSD [nas prefeituras] se traduzir em
aumento na Câmara dos Deputados [na eleição de 2026], isso pode melhorar
as condições de governabilidade para quem quer que se eleja [para
governar o país a partir de 2027].
Por outro lado, é verdade que o PL, embora não tenha crescido de
maneira tão acentuada [em número de prefeituras], teve um desempenho
muito bom nas grandes cidades.
Isso talvez indique uma mudança do perfil, sobretudo, dos eleitores
mais pobres. Esses eleitores que se alinhavam com a esquerda, com a
pauta mais trabalhista, e agora estão procurando uma coisa diferente e
que não estão encontrando nos partidos de esquerda.
Mas, de novo, é muito cedo para fazer afirmações categóricas. Isso
precisa de maior estudo e tem colegas na antropologia, na psicologia, na
sociologia e na Ciência Política comportamental estudando esse
fenômeno.
BBC News Brasil – O sucesso da candidatura do Pablo Marçal em São Paulo seria um exemplo disso?
Mesquita – Eu não tenho ainda nem análise de dado, nem análise substantiva temática para fazer uma reflexão mais profunda do caso Marçal.
Mas, quando a gente olha o grupo das 103 maiores cidades, em que
poderia ter segundo turno [todos os municípios com mais de 200 mil
eleitores], o PL já saiu do primeiro turno como o partido que elegeu o
maior número de prefeitos [dez]. E a sigla ainda vai participar de 23
segundo turnos [das 52 cidades que ainda terão eleição]. Então, me
parece que tem uma clara sinalização aí de mudança do perfil do eleitor.
Pode ser só resultado do esvaziamento do centro: dado que a
polarização sempre esteve entre a centro-esquerda e a centro-direita,
esses eleitores que se sentiram órfãos do centro foram para a direita ou
encontraram agora na direita um representante mais fiel dos seus
anseios.
Ou pode ser de fato uma mudança de prioridades dos eleitores mais
pobres. E eu estou falando dos eleitores mais pobres porque sabemos que,
nessas grandes cidades, a população mais pobre é sempre numerosa. O
país é muito desigual e a maior parte da população não faz parte da
classe média, nem dos ricos.
BBC News Brasil – Como avalia o desempenho de Bolsonaro como
cabo eleitoral em diferentes cidades e seu papel na eleição de São
Paulo, em que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disputará o segundo turno
com Guilherme Boulos (PSOL)?
Mesquita – Eu acho que isso demandaria uma análise
mais cuidadosa do quanto o ex-presidente se empenhou nas candidaturas.
Em São Paulo, está claro que o ex-presidente não quis se envolver. O
prefeito Ricardo Nunes [candidato oficial de Bolsonaro] abertamente
também não queria uma vinculação muito forte com a linha ideológica do
ex-presidente.
É só a gente lembrar que, nas ocasiões em que esteve com o
ex-presidente em cima de trio elétrico [como o ato do 7 de Setembro na
Avenida Paulista], ele não foi fazer discurso. O Nunes, de certa
maneira, adotou um discurso público mais moderado. Pode ser que o que o
ex-presidente Jair Bolsonaro tenha um desempenho importante no segundo
turno para tentar angariar maior apoio dos eleitores bolsonaristas que
estavam com o Pablo Marçal [candidato do PRTB que ficou em terceiro
lugar, ao atrair parcela significativa do eleitorado bolsonarista à
revelia do ex-presidente].
No Rio de Janeiro, ainda que tenha sido uma derrota marcante em
primeiro turno, poderia se esperar um desempenho ainda pior do candidato
que ele apoiou [Alexandre Ramagem, do PL, derrotado pelo atual
prefeito, Eduardo Paes, do PSD] sem o envolvimento direto do
ex-presidente. Então, eu acho que o papel dele não vai se traduzir só
pelo resultado final [de quem foi eleito], mas também pela diminuição da
diferença.
BBC News Brasil – Outros candidatos apoiados por Bolsonaro
cresceram ao longo da campanha e foram para o segundo turno, como Bruno
Engler (PL), em Belo Horizonte, André Fernandes (PL), em Fortaleza, e
Cristina Graeml (PMB), em Curitiba. O ex-presidente mostrou força como
cabo eleitoral?
Mesquita – Então, eu não tenho análise suficiente
para responder essa pergunta. Eu sei que em Fortaleza ele se envolveu um
pouco mais, mas não sei se ele se envolveu na campanha em Belo
Horizonte. A gente tem que lembrar que Belo Horizonte é a cidade do
Nikolas Ferreira (PL), que teve um grande desempenho na eleição para
deputado federal [teve a maior votação do país em 2022 para a Câmara dos
Deputados]. E esse rapaz [Bruno Engler] que está indo para o segundo
turno pela direita é uma figura muito popular. Então, eu precisaria de
mais evidências sobre o envolvimento do Bolsonaro para saber se de fato
tem algum efeito.
BBC News Brasil – A ida do Ricardo Nunes para o segundo turno
foi mais uma vitória do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas
(Republicanos), do que de Bolsonaro?
Mesquita – Eu não atribuiria em nada a passagem do
prefeito Ricardo Nunes para o segundo turno ao ex-presidente Jair
Bolsonaro. Eu acho que tem três fatores talvez [que expliquem o
desempenho do Nunes]. Um fator, sem dúvida, é o apoio do governador do
Estado. Outro fator é o controle da máquina pública de São Paulo: é uma
máquina poderosa e as subprefeituras descentralizam a estrutura de poder
da cidade por todo o território, o que não dá para menosprezar. E pode
ter tido um terceiro fator, não tenho ainda meios de mensurar isso, que
são os efeitos dos erros cometidos pelo adversário Pablo Marçal.
BBC News Brasil – O resultado do primeiro turno coloca Nunes como favorito, ou há chance para Guilherme Boulos?
Mesquita – Aparentemente é mais difícil o Boulos
vencer porque o mais natural seria que o eleitor do Marçal migrasse para
o Nunes, que está mais próximo das suas preferências ideológicas. O que
a gente não sabe ainda é o que levou os eleitores do Marçal a votarem
nele.
Se de fato é uma identificação ideológica, uma identificação com a
pauta [da campanha de Marçal], ou se é um desejo de mudança. Porque, se
for por desejo de mudança, esse eleitor do Marçal pode, mesmo estando
ideologicamente mais próximo do Nunes, ir para o Boulos.
Pesquisa Datafolha no primeiro turno mostrou que uma parcela não
expressiva do Marçal iria para o Boulos. Vamos ver agora se isso se
mantém nas próximas pesquisas.
BBC News Brasil – Marçal não foi ao segundo turno por uma
diferença pequena de votos. Seu desempenho mostra a força da direita
radicalizada no país?
Mesquita – O desempenho dele mostra a força de um
discurso que eu tenho até dificuldade de classificar. Mostra, por um
lado, que nem sempre estrutura partidária é essencial para você ser um
candidato competitivo. O Marçal foi muito eficiente em pautar a campanha
ao longo de todo o primeiro turno e, assim, mesmo sem ter acesso à
propaganda de rádio e TV, mesmo sem ter um partido estruturado, ele
conseguiu pautar o debate.
Ele praticamente apareceu no horário eleitoral todos os dias na boca
dos outros candidatos. Então, acabou tendo uma visibilidade pro
eleitorado que não está nas redes sociais, que não o conhecia pela
internet, e o via na propagando dos outros candidatos.
Acho que marca, sem dúvida, uma outra forma de mobilizar a população e
de fazer campanha à qual a gente não estava acostumada e que é muito
diferente do que a gente viu na campanha do Bolsonaro de 2018.
Eu ainda não tenho uma clareza completa se esses eleitores que foram
com o Marçal são eleitores de extrema direita, tendo a achar que sim,
mas acho que precisaria entender melhor qual é o apelo dele com os
eleitores para entender se é isso ou se tem alguma coisa que a gente não
está sabendo identificar.
BBC News Brasil – O Bolsonaro também tinha em 2018 um
discurso radicalizado e uma presença forte em redes sociais. Por que a
campanha do Marçal é tão diferente?
Mesquita – O Bolsonaro, por ter levado a facada,
acabou tendo uma visibilidade no processo eleitoral muito grande e ele
não participou dos debates. Ele não fez conhecer a agenda dele,
praticamente não fez campanha em 2018. Então, é diferente. O Marçal fez
muita campanha, uma campanha muito agressiva e essa estratégia de
provocar os adversários era uma estratégia para ganhar visibilidade.
A gente precisa lembrar que no comecinho da campanha o Marçal ataca a
candidata Tabata Amaral (PSB) praticamente responsabilizando ela pelo
suicídio do pai, algo inominável, não sei nem como classificar. Mas aí a
gente começa a ver a Tabata dando palanque para ele. Então, pelo ataque
pessoal e inventando mentiras sobre os outros candidatos, ele acabou
estando na boca desses candidatos e ganhando uma visibilidade maior.
BBC News Brasil – Embora o PSD tenha conquistado o maior
número de postos, o Republicanos é que mais cresceu, dobrando o número
de prefeitos eleitos [ao menos 429 agora, ante 212 em 2020]. Ao que
atribui esse desempenho? E o que podemos esperar do Republicanos
fortalecido?
Mesquita – No caso do PSD, a gente sabe que o Kassab
fez um grande esforço de atrair prefeitos em exercício para a legenda
[nos últimos quatro anos], tanto prefeitos que poderiam disputar a
reeleição, como prefeitos que estavam tendo um bom desempenho e que
trouxessem consigo para o partido aliados na cidade, potenciais
candidatos [a prefeito nesta eleição].
Isso não é o que a gente chama de um crescimento orgânico. Do mesmo
jeito que essas pessoas vieram para o PSD, elas podem sair. O que me
parece é que o Republicano tem uma estratégia menos de crescer a partir
da atração de lideranças tradicionais, já vinculadas a outras legendas, e
mais pelo desenvolvimento de quadros próprios. Um crescimento que
parece mais orgânico e pode ser ideologicamente mais sólido.
Isso se confirmando, pode vir a configurar o partido como uma força
ideologicamente muito importante, algo que a gente não encontra nos
partidos grandes brasileiros atualmente. O PL está tentando se
posicionar mais à direita, mas o partido não tem [historicamente] essa
característica de ser um partido guiado por uma diretriz ideológica. O
Republicanos me parece estar seguindo por esse caminho.
BBC News Brasil – E como avalia o Republicanos
ideologicamente? É um partido que tem uma ligação grande com a Igreja
Universal, com parte dos evangélicos. Ao mesmo, o presidente Marcos
Pereira tem uma postura moderada, de diálogo.
Mesquita – A direita não precisa ser radical para
ser ideológica. Eu acho que é um partido mais conservador e que tem uma
coerência interna maior. Isso não quer dizer mais radical.
História de ADRIANA FERNANDES E IDIANA TOMAZELLI – Folha de S. Paulo
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O secretário do Tesouro Nacional, Rogério
Ceron, afirma que o Brasil não pode continuar convivendo com uma
judicialização crescente da Previdência Social. Ele antecipa à
reportagem que o governo elabora medidas para uma reforma estrutural com
o objetivo de reduzir as despesas com precatórios, valores devidos após
ação judicial para a qual não cabe mais recurso.
Segundo Ceron, as medidas poderão ter impacto já em 2027. “Para o
Orçamento de 2027, podemos ter já efeitos de medidas importantes de
redução de litigância. Até mesmo com mecanismos de acordos antes do
trânsito em julgado, antes da geração desses grandes passivos”, diz.
A partir de 2027, todas as despesas de precatórios terão que entrar
no limite de gastos e ser considerados na meta fiscal, segundo acordo
celebrado entre o governo e o STF (Supremo Tribunal Federal). Hoje, uma
parcela dos precatórios é paga dentro das regras fiscais e outra fica de
fora. Em 2025, a conta total vai superar R$ 100 bilhões.
A necessidade de administrar a inclusão dessas despesas crescentes no
PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027 é fator de pressão
sobre o arcabouço fiscal. Se o governo não propor uma saída logo para o
problema, especialistas em contas públicas consideram que há risco de
acontecer a mesma coisa do que ocorreu em 2022, no governo de Jair
Bolsonaro (PL), durante a campanha eleitoral.
Naquele ano, o então ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou uma
proposta de Orçamento para 2023 repleta de cortes em programas
importantes, como o Farmácia Popular e o próprio Auxílio Brasil (hoje
Bolsa Família), para compensar o aumento das despesas obrigatórias. Os
cortes acabaram sendo tema de campanha de Lula, adversário de Bolsonaro
na eleição.
“Temos uma judicialização crescente, gigantesca. Precisamos encontrar
um caminho para sair. Temos também judicialização excessiva de
programas sociais, como, por exemplo, o BPC [Benefício de Prestação
Continuada] por conta de redações legislativas”, ressalta
O secretário afirma que o litígio decorre de falhas ou possíveis
dubiedades em regramentos estabelecidos. Ele defende a harmonização das
regras.
Ceron informa que as soluções em análise envolvem o aprofundamento
dos instrumentos de acordo antes que haja a decisão definitiva das ações
no Judiciário. De acordo com ele, a AGU (Advocacia-Geral da União) já
vem fazendo um trabalho nessa direção. “Aprofundar isso reduz muito o
passivo. Temos que ir [olhar] para a causa”, diz.
O auxiliar do ministro Fernando Haddad (Fazenda) afirma que o
represamento de benefícios previdenciários levou uma parte da população a
recorrer ao Judiciário. Mas pondera que, para além disso, se observa um
crescimento dos RPVs (Requisição de Pequeno Valor) que precisa ser
atacado.
Ceron defendeu um debate franco com o Judiciário para pacificar uma
solução. “Para chegar em 2027 a um debate muito mais previsível e
estrutural, sem artifícios, sem aquele tipo de solução que não resolva
estruturalmente essa dinâmica. Não posso ir além disso [revelar
detalhes]. Mas tem condições de reduzir o volume de precatórios”, diz.
Para ele, essa seria uma reforma microeconômica gigantesca, que
permitirá maior segurança jurídica. “É um debate em construção. O país
vem postergando isso há mais de uma década.”
PEC DOS FUNDOS PÚBLICOS
O secretário defendeu a desvinculação de até 25% dos superávits
financeiros dos fundos públicos do Executivo para dar suporte ao
financiamento de projetos voltados a ações de mitigação das mudanças
climáticas e de transição energética. Como revelou a Folha de S.Paulo, a
medida foi incluída numa PEC (Proposta de Emenda Constitucional) já
aprovada no Senado e que tramita na Câmara.
“Fazemos isso sem nenhum tipo de artifício. É uma despesa financeira,
porque é reembolsável. Não altera em nada a situação patrimonial da
União”, diz. Ele admite, no entanto, que pode haver impacto na meta
fiscal por causa da taxa de juros desses financiamentos (6% ao ano ou
menos, a depender do projeto), abaixo do custo pago pela própria União
para tomar empréstimo no mercado.
“Não é nenhuma inovação. É uma despesa orçamentária com um ritmo absolutamente normal e previsível. Algo supernatural”, afirma.
Ele pondera que não há no texto da PEC indicação de quem será o
operador dos recursos: Banco do Brasil, BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social), leilão de mercado (com
possibilidade de outras instituições participarem) ou todos eles.
“O objetivo é garantir esses recursos em caso de necessidade. Está no
controle do Ministério da Fazenda fazer ou não. Talvez eles nem sejam
necessários. Se tivermos o recurso das fontes não vinculadas para manter
o orçamentário do Fundo do Clima [operado pelo BNDES], não será
necessário”, diz
RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA DOS ESTADOS
O secretário prevê um impacto de R$ 15 bilhões a R$ 16 bilhões do
projeto de renegociação da dívida dos estados, após as mudanças
aprovadas pelo Senado no início de agosto. A proposta tramita agora na
Câmara. Especialistas estimam um impacto maior, de R$ 40 bilhões a R$ 60
bilhões. Embora não tenha efeito sobre o limite de gastos e a meta
fiscal, o valor contribui para elevação da dívida pública.
Ceron defende a renegociação porque hoje, na prática, muitos estados
já não pagam a dívida. “[Se] Deixar isso simplesmente correr, vai chegar
um momento em que, no papel, vai ter estado devendo 300% da sua dívida,
não vai ter condições de pagar, e o Congresso vai acabar, ou o
Judiciário até, optando por um perdão”, adverte. Na sua opinião, esse
seria o pior precedente que poderia acontecer para o país.
O secretário não é favorável a incorporar na negociação as dívidas
dos estados com bancos que foram honradas pelo Tesouro. No RRF (Regime
de Recuperação Fiscal), aberto para socorrer os estados
superendividados, os débitos com outras instituições também foram
incluídos no acordo, além da dívida com a União.
Sair deste programa para aderir a um plano que não alcança esses
valores é visto como desfavorável pelos estados. “No primeiro momento,
não nos parece adequado”, diz Ceron.
MEDIDAS PARA SUSTENTAÇÃO DO ARCABOUÇO
O secretário afirma que não há problema que as despesas cresçam
dentro de uma dinâmica sustentável, mas pondera que o debate de medidas
estruturais para reduzir despesas obrigatórias precisa ainda de
maturação. Ele lembra que a reforma da Previdência foi sendo construída
até que o Congresso abraçou para ser aprovada em 2019.
“Não podemos ter retrocesso. A gente vai ter que fazer reformas. Nem
tudo a sociedade está pronta, por mais que tecnicamente seja adequado. O
nosso papel é ir colocando de uma forma legítima”, afirma.
ALTA DA DÍVIDA PÚBLICA
O secretário se mostra otimista com a trajetória da dívida bruta, que
na conta do próprio Tesouro vai ultrapassar 81% do PIB (Produto Interno
Bruto) a partir de 2026. “Talvez, a gente consiga [reduzir a projeção].
Depende do governo, do Congresso abraçar as medidas, para que garanta a
continuidade do ciclo positivo que o Brasil vive”, diz.
Ele destaca que o indicador da dívida segue se estabilizando em 2028,
ainda que em nível mais elevado. “[Antes] Estava no limiar dos 80% do
PIB, e agora entre 81% e 82%. Precisamos trabalhar para garantir uma
convergência das expectativas de inflação e o BC voltar a um processo de
flexibilização da política monetária”, afirma.
O poder e a duração das chamas desafiam o planejamento de combate aos
incêndios na Floresta Amazônica nesta temporada. Sem previsão de chuva
consistente no horizonte, a operação contra o fogo em várias regiões,
que costumava ser encerrada no início de outubro, não tem data para
acabar neste ano de seca recorde com sinais de agravamento da crise
climática.
“Este tem sido o pior ano para
o combate, para as operações. O comportamento do fogo está muito
extremo, tem rajadas de vento muito fortes e as chamas mudam de direção
toda hora”, afirma Ana Canut, chefe de operações do Prevfogo, do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama).
Canut falou com a DW direto da Terra Indígena do Xingu, Mato Grosso
(MT). A missão dela é estabelecer as prioridades da operação, mobilizar
as equipes e manter estratégia e tática de acordo com o planejado. No
Xingu, pelo menos dois grandes incêndios estão ativos há quase um mês e o
mais importante no momento é proteger as aldeias, já que existe o risco
de elas serem atingidas.
É praticamente impossível apagar o fogo na Amazônia com trabalho humano direto. A alta temperatura impede que brigadistas cheguem
muito perto, e despejar água da aeronave é pouco eficiente. A copa das
árvores impede que água chegue em grande quantidade sobre as chamas de
forma eficaz.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, estão mobilizados 3.518
profissionais em campo neste momento. A maior parte deles, 2.728, são do
Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio), os demais integram as Forças Armadas e Força Nacional. Dão
apoio às operações 29 aeronaves.
Linha de defesa na Amazônia
Numa floresta úmida, como é o caso da Amazônia, o fogo consome o que
está mais perto do solo. Ele é alimentado principalmente pelas folhas
caídas no chão – material chamado de serrapilheira –, e pela vegetação
rasteira. As chamas dificilmente chegam a consumir a copa das árvores
por completo.
Quando o incêndio já está instalado, a estratégia mais usada de
combate é a abertura de linhas de defesa na floresta. A técnica prevê a
remoção da vegetação em volta da área crítica para “cortar” o
combustível que mantém o incêndio.
“A gente chega, faz um reconhecimento e analisa o comportamento do
fogo. Se ele está ‘pequeno’, a gente faz o combate direto. Quando ele
está muito intenso, a gente fica mais longe e faz as linhas de defesa”,
detalha Macsuel Juruna, brigadista em ação na Terra Indígena Capoto
Jarina (MT), no baixo Xingu.
A linha de defesa interrompe a ligação entre o material seco
disponível – folhas, galhos, vegetação seca – e o fogo. “Se o fogo
chegar ali, ele não vai passar. E se passar, o brigadista está ali
cuidando e vai combater. Por isso é fundamental a vigilância na linha de
defesa”, detalha Marivaldo Gonçalves, combatente do Prevfogo de
Rondônia com 13 anos de experiência.
Depois que o fogo é confinado numa área, o trabalho é de controlar o
perímetro do incêndio, extinguir as chamas menores e monitorar a área
até que não haja mais possibilidade de reignição.
Quando há tempo para planejar ações, a estratégia é construir
aceiros, que é a “limpeza” da vegetação seca que alimenta o fogo. “Ela é
feita antes do incêndio, quando se quer proteger uma área. A largura do
aceiro é feita na proporção dos incêndios na região: pode ter um dois,
quatro metros”, explica Marcio Yule, que atua no Prevfogo desde 1995.
O uso da água
Aquela cena de aviões ou helicópteros despejando água nas chamas não é
comum no Brasil. As aeronaves, um recurso caro, são mais usadas para
transportar brigadistas e equipamentos até as zonas afetadas, afirma
Calut.
A água é importante para abastecer as bombas que as equipes carregam
nas costas durante o combate. Esses equipamentos armazenam vinte litros
de água e disparam jatos manuais com o objetivo de resfriar a
temperatura. Desta forma, os brigadistas conseguem chegar mais perto do
fogo com um outro equipamento-chave: o soprador.
“O soprador foi um equipamento revolucionário no combate. Ele tira o
oxigênio do lugar que está queimado e varre o material que está
queimando para a parte já queimada. Ele é equivalente ao trabalho de até
oito pessoas com abafador”, comenta Amilton Sá, brigadista voluntário e
coordenador-executivo da Rede Contra o Fogo, que atua no Cerrado.
Em várias partes do país, os incêndios já chegaram a regiões remotas,
de difícil acesso por terra ou rio. O transporte em aeronaves poupa
esforço dos combatentes e melhora o tempo de resposta, dizem os
especialistas ouvidos pela DW.
“Cada caso é avaliado com cuidado. A gente despeja água da aeronave
quando as chamas estão muito altas na floresta para baixar as chamas e o
brigadista conseguir chegar mais perto do fogo. Aeronave jogando água
sem o brigadista estar na linha de defesa não tem eficiência. Ele
precisa estar embaixo para fazer o trabalho de extinção”, explica
Gonçalves.
Sempre que possível, motobombas portáteis são usadas. Esse
equipamento precisa ser instalado perto de um rio, de onde a água é
retirada e despejada sob pressão direto nas chamas por meio de
mangueiras. Mas com a seca, o acesso à água em algumas regiões está mais
difícil.
“Uma brigada comum quase nunca tem helicóptero, quase nunca tem
motobomba. O trabalho essencial é do brigadista, que carrega a bomba
manual nas costas, o soprador e o abafador”, diz Yule.
Fogo antes do tempo
Da base de Corumbá, Márcio Yule diz que a situação no Pantanal de
Mato Grosso do Sul está mais tranquila neste começo de outubro. A
preocupação é com o fogo ardendo no estado vizinho, Mato Grosso, e nos
países que estão na fronteira, Paraguai e Bolívia.
A temporada de incêndios começou mais cedo em 2024. Em junho, mês em
que brigadistas são contratados para ações de prevenção, segundo o
calendário oficial, o cenário já estava crítico. Não deu tempo para
nada: pela primeira vez na história, os ingressantes já começaram o
trabalho fazendo combate, diz Yule.
No Pantanal, há um perigo extra trazido pelo fogo de turfa –
subterrâneo e de difícil combate. A estratégia para extingui-lo é
construção de trincheiras até o solo mineral para que não haja passagem
do combustível da área que está ardendo para a que ainda não queimou.
“Este é o fogo que mais degrada pois consome matéria orgânica do
subsolo, queima raízes, plantas, microrganismos, causa grandes danos e
degrada o solo”, lamenta Yule, lembrando que o Pantanal enfrenta
diminuição de área alagada histórica.
Um levantamento prévio ainda não concluído indica que cinco grandes
incêndios no Pantanal foram os responsáveis pela maior parte destruição.
Até o início de outubro, a área queimada chegou a 21 mil km², o
equivalente a 14% do bioma. Em 2020, que registrou uma temporada de fogo
severa, foram queimados 29 mil km².
“A responsabilização de quem iniciou o fogo é extremamente importante
para combater isso. É preciso identificar e punir”, defende Yule.
No fim de setembro, donos de uma fazenda localizada em Corumbá foram
multados em R$ 100 milhões. Segundo o Ibama, eles são responsáveis por
incêndios de grandes proporções que destruíram uma área equivalente ao
dobro da cidade de São Paulo.
História de Giordanna Neves e Amanda Pupo – Jornal Estadão
BRASÍLIA – O limite mensal no empenho (a autorização para o
pagamento) de recursos imposto pelo governo aos ministérios, conhecido
como faseamento, se tornou um “terceiro nível” de instrumento fiscal que
afastaria riscos de descumprimento da meta do resultado primário — a
diferença entre receitas e despesas, fora os juros da dívida —, avalia o
secretário executivo do Ministério do Planejamento, Gustavo Guimarães, em entrevista ao Estadão/Broadcast.
Na prática, o mecanismo força uma contenção extra de R$ 20 bilhões em
despesas, além dos R$ 13,3 bilhões bloqueados oficialmente no Orçamento. Com isso, o congelamento real de gastos ultrapassa os R$ 33 bilhões até novembro.
Criticada por não contingenciar mais enquanto trabalha no limite
inferior da meta fiscal, a equipe econômica afirma que essa é uma
limitação legal: não é possível conter recursos se a banda, mesmo no seu
piso inferior, está sendo cumprida. Por isso o faseamento é visto como
uma resposta a essa restrição. Se não é possível congelar o gasto,
segurar a velocidade do seu empenho pode ter, ao fim do ano, repercussão
fiscal igual a de um contingenciamento.
O faseamento de recursos começou em agosto, após a contenção de R$ 15
bilhões no Orçamento. O instrumento foi usado novamente agora e impede
que, além dos R$ 13,3 bilhões bloqueados, os ministérios usem mais R$ 20
bilhões até praticamente o fim de novembro. Isso porque, após o
bloqueio, as pastas e os demais órgãos do governo só poderão empenhar,
até o próximo mês, 50% do saldo remanescente, sendo os outros 50%
liberados para empenho apenas em dezembro.
“Estamos deixando R$ 20 bilhões para o último relatório bimestral,
então se vier um risco que caiba dentro disso, eu digo que temos
conforto para atingir a meta. E, mesmo que não haja nenhuma pressão
nova, e eu possa liberar esses R$ 20 bilhões para dezembro,
operacionalmente é muito difícil empenhar esse valor”, explicou
Guimarães. Se as despesas não chegarem a ser empenhadas, elas nem sequer
viram restos a pagar – que é algo que pressionaria o gasto de 2025.
‘Eu quero atingir a meta não fazendo bloqueio, eu quero atingir a
meta conseguindo mais receita ou reduzindo as despesas ao longo do ano’,
diz Guimarães Foto: Wilton Junior/Estadão
A equipe econômica foi alvo de críticas do mercado após anunciar o descontingenciamento de R$ 3,8 bilhões no
mais recente Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. A
justificativa dada era de que, pela lei, não seria possível manter o
Orçamento contingenciado quando há receitas suficientes para cumprir a
meta, mesmo que seja no limite inferior da banda (um déficit de R$ 28,8
bilhões).
Guimarães explicou que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece
que o governo pode contingenciar se estiver descumprindo a meta fiscal.
Apesar de o alvo ser de déficit zero este ano, o descumprimento só
ocorre se não for atingido o limite inferior da banda, conforme
estabelecido pelo arcabouço. “No passado a meta era o número, então se
eu tivesse qualquer coisa para baixo, eu já poderia contingenciar. Hoje a
meta continua sendo zero, mas o descumprimento legal dela só se dá
abaixo do intervalo”, esclareceu.
O secretário reforçou que esse entendimento legal não foi afastado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Em seus acórdãos, a Corte de Contas ressalta apenas que, “ainda que
amparada pela legislação”, essa medida eleva o risco de descumprimento
da meta, já que o alvo para o contingenciamento passa a ser o limite
inferior da banda.
“O TCU não afasta esse entendimento legal. Ele não diz que é ilegal,
mas faz um alerta de que isso gera um risco maior de descumprimento da
meta. Inclusive, por conta desse alerta que a gente teve força pra
ativar aquela terceira linha de defesa, que é o faseamento”, disse.
Para mudar esse entendimento, Guimarães afirma que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) teria
de ser clara ao estabelecer as regras de contenção de despesas,
permitindo, por exemplo, que sejam contingenciados recursos se o
resultado primário estiver entre a meta e o intervalo inferior. “Se
tivesse essa permissão, aí teria mais uma das regras fiscais me dando
essa permissão, que hoje a gente não tem”, disse.
O secretário também rejeitou a avaliação de que essa regra faz com
que o governo mire sempre o limite inferior da meta, e não o centro. Ele
explicou que o orçamento, com estimativas de receitas e despesas —
instrumentos tradicionais para atingir o alvo fiscal — já é elaborado
com base no déficit zero. O contingenciamento e o bloqueio, disse, são
instrumentos secundários. “Eu quero atingir a meta não fazendo bloqueio,
eu quero atingir a meta conseguindo mais receita ou reduzindo as
despesas ao longo do ano”, ressaltou.
Nesta terça-feira (08), é celebrado o Dia do Asfaltador, como o nome
já diz, são os profissionais que trabalham aplicando a cobertura
asfáltica usada para pavimentação de ruas e estradas.
As ruas e estradas asfaltadas desempenham um papel fundamental no
desenvolvimento e funcionamento das comunidades. Hoje atinge o ponto
mais alto o operário que aplica o asfalto.
O asfalto de qualidade tem o betume na variedade, esse material
aglutinante é necessário nesse instante. O governo fica em alta em cada
estrada que asfalta, pois facilita o transporte.
1. Mobilidade e acessibilidade:
• As chamadas asfaltadas facilitam um deslocamento mais suave e eficiente de veículos, bicicletas e turfeiras.
• Melhorou a acessibilidade em locais clave, como escolas, hospitais, centros comerciais e áreas industriais.
2. Condições de Condução Melhoradas:
• O asfalto fornece uma superfície de condução mais suave
e confortável em comparação com outros tipos de pavimentos.
• Reduza a resistência ao rodamento, o que melhora a eficiência do combustível e reduz o desgaste dos veículos.
3. Frasco de Segurança:
• As chamadas asfaltadas contribuem para o frasco de
segurança para fornecer uma superfície mais uniforme e reduzir o risco
de acidentes.
4. Qualidade de vida:
• As ruas asfaltadas melhoram a qualidade de vida ao
reduzir o tempo de viagem e os inconvenientes associados às estradas no
mau estado.
• Contribua para o bem-estar para proporcionar um ambiente mais limpo e menos polvorito.
• As sinalizações de trânsito e as marcas no pavimento são mais efetivas em estradas asfaltadas.
6. Valor de Propriedade:
• As propriedades localizadas em áreas com ruas asfaltadas tendem a ter um grande valor.
• A infraestrutura de transporte bem desenvolvida é um
atrativo para os compradores e pode aumentar a vantagem das
propriedades.
7. Redução do Impacto Ambiental:
• O asfalto é um material reciclável e, em alguns casos, você pode usar tecnologias sustentáveis em sua produção.
• As chamadas asfaltadas podem contribuir para a gestão
da água de chuva e reduzir a escorrentía, o que beneficia o meio
ambiente.
Existem algumas características da Terra que podem ser observadas em
diversas regiões do planeta; por exemplo, fractais aparecem em
diferentes lugares, como no crescimento de folhas, em sistemas de rios,
entre outros ambientes. Outro exemplo clássico são os objetos hexagonais
encontrados em toda a natureza, como nas colmeias de abelhas ou na
estrutura de cristais de gelo. Mas há uma característica matemática que
ainda deixa muitas pessoas confusas: a sequência de Fibonacci.
Na sequência de Fibonacci, cada número é a soma dos dois números
anteriores. Assim, se fizermos uma sequência de 12 números a partir do
início, o resultado seria: 0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144 e
assim por diante. Mesmo que pareça um cálculo aleatório, os cientistas
explicam que a sequência pode ser descrita por uma equação matemática
real, especificamente Xn+2 = Xn+1 + Xn.
Os entusiastas de teorias da conspiração acreditam que a sequência de
Fibonacci é quase mágica, e a consideram um tipo de código secreto
presente em toda a natureza. Essa visão até faz algum sentido, já que
muitas estruturas naturais seguem realmente os padrões de Fibonacci, mas
não há nada de misterioso ou sobrenatural nisso.
Há centenas de anos, estudiosos e filósofos na Índia identificaram a
sequência ao estudar ritmos para poesia; inclusive, o próprio Fibonacci
começou a explorar o tema muitos anos depois. Ao longo da história, a
humanidade percebeu que a sequência pode ser observada no número de
pétalas das flores, em galhos de árvores, em conchas de caracóis, em
galáxias espirais e em muitos outros lugares.
“Fibonacci introduziu a sequência no contexto do problema de quantos
pares de coelhos haveria em uma área fechada se a cada mês um par
produzisse um novo par e os pares de coelhos pudessem produzir outro par
a partir do segundo mês. Os números da sequência ocorrem em toda a
natureza, como nas espirais de cabeças de girassol e conchas de
caracóis”, é descrito na enciclopédia Britannica.
O que é a sequência de Fibonacci?
A sequência foi introduzida pelo matemático italiano Leonardo
Fibonacci, também conhecido como Leonardo de Pisa, enquanto ele buscava
respostas sobre a reprodução de coelhos. Em 1202, ele publicou suas
descobertas no livro Liber Abaci. Embora a sequência tenha ficado
associada ao seu nome, matemáticos indianos já a conheciam muito antes.
Na investigação de Fibonacci, ele buscava entender quantos filhotes
de coelho nasceriam se um macho e uma fêmea fossem colocados em um
campo, em circunstâncias ideais, durante um ano. Segundo o matemático
Dr. Ron Knott, ex-professor de matemática e ciência da computação da
Universidade de Surrey, no Reino Unido, o resultado dessa experiência
seria 144 coelhos, sendo 72 vivos e 72 em gestação.
A sequência de Fibonacci também foi amplamente comentada em filmes, livros e …
A sequência de Fibonacci também foi amplamente comentada em filmes, livros e …
De onde exatamente vem esse resultado? Primeiro, é importante
esclarecer que se trata de um experimento mental, sem coelhos reais
envolvidos — até porque isso não seria biologicamente possível. A cada
mês, os coelhos que atingem a maturidade reprodutiva geram novos pares, e
esse crescimento segue o padrão da sequência de Fibonacci.
No primeiro mês, o casal inicial está em gestação; no final do
segundo mês, nasce um novo par de coelhos; no final do terceiro mês,
nasce outro par, totalizando três pares. A partir do quarto mês, os
números começam a crescer rapidamente, pois o primeiro casal dá à luz
outro par e o casal nascido há dois meses tem seus primeiros filhotes.
Ao final de um ano, o total chega a 144 coelhos.
Pode parecer confuso, mas essa sequência de nascimentos de coelhos
segue a regra de Fibonacci. O número de coelhos em um mês é a soma dos
que já estão prontos para reproduzir no mês anterior e dos que nasceram
dois meses antes.
Para que serve?
A sequência de Fibonacci é utilizada por matemáticos e outros
cientistas para descrever padrões numéricos e suas propriedades. Alguns
desses padrões surgem naturalmente no universo; por exemplo, conchas
crescem em proporções constantes que se relacionam com a sequência. Além
disso, os cientistas aplicam essa regra para estudar galáxias espirais,
cuja rotação segue uma lógica semelhante.
A sequência de Fibonacci talvez nunca seja completamente
compreendida. Contudo, os cientistas sabem que, para a natureza, esse
padrão é uma maneira eficiente de organizar o crescimento e distribuir
recursos de forma otimizada. Isso significa que o padrão não foi criado
aleatoriamente, mas surge naturalmente em diversos processos evolutivos,
o que explica sua presença frequente em flores, plantas e outros
fenômenos naturais.
Rodrigo Portes – Palestrante e Mentor de Vendas B2B – StartSe
Rodrigo Portes, executivo e autor do livro “Como a indústria 4.0 tem
revolucionado o século XXI”, faz um apanhado dos 10 livros essenciais
sobre Indústria 4.0 e Transformação Digital.
Foto por: Unsplash
por Rodrigo Portes, executivo e autor do livro “Como a indústria 4.0 tem revolucionado o século XXI”
Quando alguém me pergunta: “Qual foi o maior erro que você cometeu durante a sua carreira”? “Eu já respondo de bate-pronto “Ficar muitos anos sem estudar e sem me atualizar…”
Acredito que esse tenha sido o meu maior erro, mas também é o que eu
mais me esforço para corrigir, todos os dias. Depois que entrei no
mercado de trabalho, passei mais de uma década sem estudar, sem me
atualizar, sempre ocupado demais com a pesada rotina das empresas em que
atuei.
Foi só em 2017, quando tirei um período sabático, que me dei conta do
quanto eu estava desatualizado. De lá para cá, fiz diversos cursos
(marketing digital, indústria 4.0, vendas digitais) e estou sempre em
busca de conteúdos que contribuam com minha evolução profissional.
Me tornei um leitor voraz. Adoro ler, principalmente livros que me
ensinem algo. Nada contra romances e aventuras, mas o que eu gosto mesmo
é de terminar um livro cheio de novos insights para o meu trabalho e para a vida como um todo.
Tornei-me adepto do lifelong learning, que prega o aprendizado constante ao longo da vida.
Além dos livros, estou o tempo todo ligado em lives, webinars e podcasts como os do Resumo Cast e GoEPIK.
Se você é uma pessoa que não quer parar no tempo e continuar em constante atualização, separei essa lista com os 10 melhores livros sobre Indústria 4.0 e Transformação Digital que
me ajudaram e marcaram muito a minha vida. Com certeza eles também vão
te ajudar a adquirir novos conhecimentos e informações sobre um dos
temas mais importantes e relevantes dentro do setor industrial na
atualidade.
1- A Quarta Revolução Industrial
Escrito por Klaus Schwab, engenheiro e economista fundador do Fórum
Econômico Mundial, este livro é destrincha a revolução industrial pela
qual estamos passando atualmente. De forma resumida, ela é definida pelo
conjunto de novas tecnologias que surgem em velocidade crescente e,
quase sempre, utilizando as revoluções anteriores como base para a
transformação.
Termos como nanotecnologia, drones, inteligência artificial e outros
tantos que estampam as notícias de tecnologia diariamente são parte
desse processo. No livro, Klaus tenta explicar por que nós temos todos
esses avanços sob controle e como podemos utilizá-los para criar um
futuro no qual a tecnologia existe com o propósito de melhorar a vida
das pessoas.
Escrito por um dos maiores economistas atualmente vivos, é um livro
essencial para entender que as mudanças vistas atualmente neste mercado
são bem maiores do que muitos de nós davam conta.
Os autores deste livro são Erik Brynjolfsson, diretor do centro do
MITpara negócios digitais, e Andrew McAfee, também pesquisador do órgão e
ex-professor de Harvard.
A dupla afirmava já em 2014, ano de lançamento do livro, que
estávamos em “um ponto de inflexão: uma virada na curva onde muitas
tecnologias que só eram encontradas na ficção científica estavam virando
uma realidade cotidiana”.
Alguns exemplos: os carros sem motorista do Google, os softwares que
conversam como humanos (como o Siri) e ferramentas que funcionam através
de big data e inteligência coletiva (como o Waze) – e isso sem falar no
boom da robótica.
Todas estas inovações chamavam a atenção exatamente por ocorrerem em
áreas – como a da comunicação complexa – que pareciam definitivamente
reservadas ao trabalho humano.
Para os autores, o progresso tecnológico começaria lento e gradual
até explodir, e é exatamente esse o momento que estamos vivendo: “os
computadores estão fazendo para nosso poder mental o que o motor a vapor
fez para nosso poder físico”. O resultado: a maior transformação na
história desde a Revolução Industrial.
3 – IoT: Como usar a “Internet Das Coisas” para alavancar seus negócios
IoT (Internet of things) ainda é um tema sobre o qual a maioria dos executivos não se sente confortável para discutir e tomar decisões.
Contudo, a IoT não é mais uma nova tendência ou modismo. É uma
realidade que se impõe e, mais dia ou menos dia, vai chegar ao seu
negócio ou setor. Principalmente com a chegada do 5G que vem para
“turbinar”, de fato, a indústria 4.0 e a transformação digital.
Este livro de Bruce Sinclair fornece uma visão detalhada da IoT e de
que forma ela está transformando a maneira como consumidores e empresas
adquirem e usam os produtos. O autor analisa como a IoT vai impactar
praticamente todas as cadeias de valor e o que você pode (e deve) fazer a
respeito.
Além de conhecimento, esse livro te dará a segurança necessária para
aprofundar a discussão sobre IoT na sua organização e como usá-la para
alavancar seus negócios.
4 – Indústria 4.0: Princípios básicos, aplicabilidade e implantação na área Industrial
De uma maneira objetiva este livro escrito por Paulo Samuel de
Almeida, contempla os conceitos fundamentais e os pilares da Indústria
4.0 para que estudantes e profissionais das áreas de manufatura,
engenharia e qualidade tenham uma fonte de consulta para auxiliar na
implantação e no gerenciamento de uma organização baseada nos conceitos
da Indústria 4.0.
É livro que tem um viés bem mais técnico sobre o tema e que apresenta
desde os conceitos básicos, tecnologias habilitadoras, recursos
necessários para implementação e roadmap para a indústria 4.0
5 – Indústria 4.0: Fundamentos, perspectivas e aplicações
Este livro escrito por Sergio Luiz Stevan Jr, Murilo Oliveira Leme e
Max Mauro Dias Santos, traz uma visão geral sobre a Indústria 4.0,
buscando contextualizar a teoria à realidade brasileira, por meio de
exemplos concretos de aplicação. Para isso, faz uma revisão
bibliográfica, que também considera o desenvolvimento da eletrônica e
das telecomunicações. Aborda as tecnologias correlacionadas à Indústria
4.0, como computação em nuvem, Internet das Coisas Industrial (IIoT),
big data, inteligência artificial, entre outros.
Detalha, ainda, o modelo de arquitetura da iniciativa alemã Industrie
4.0, com foco na normalização e compreensão técnica dessa proposta. Ao
final da obra, são explicadas as diferentes instâncias 4.0 no escopo
industrial.
O Livro “Indústria 4.0: Conceitos e Fundamentos” é uma obra escrita
por diversos autores, a sua maioria professores universitários, e tem
como objetivo proporcionar uma melhor compreensão sobre a Indústria 4.0,
estudando-a sob variados ângulos, abordando seus conceitos e
fundamentos e abrindo espaço para que seja cada vez mais discutida e
estudada.
O texto é apropriado para empresas, estudantes e profissionais da
indústria e de outras áreas interessados no tema, e vem para auxiliar no
aprofundamento sobre esta nova realidade da manufatura industrial.
Este livro escrito por Eduardo Magrani visa esclarecer aspectos
básicos sobre a IoT (Internet das Coisas), uma das tecnologias
habilitadoras da Indústria 4.0, porém sem a pretensão de esgotar todas
as discussões sobre o assunto. Para atender a esse objetivo, o primeiro
capítulo trata dos conceitos de tecnologia e inovação, buscando o
correto enquadramento das funcionalidades da IoT nesse contetxo. Em
seguida, o autor mergulha fundo sobre a origem do termo IoT,
explicitando as características próprias da web 3.0 em contraposição às
fases anteriores da web. No terceiro capítulo, é feita uma análise sobre
a IoT no Brasil (à época do lançamento do livro) no tocante ao seu
potencial econômico e social, ao passo que no capítulo final, trata-se,
segundo o autor, dos aspectos negativos da IoT, tecendo reflexões
críticas ao fenômeno.
8 – Transformação Digital: Repensando o seu negócio para a era digital
David L. Rogers é o responsável por este que é um dos livros
essenciais para CEOs, empresários ou até mesmo entusiastas da área que
estão tentando entender como as novas tecnologias afetam os seus
negócios e o que eles podem fazer para não serem passados para trás
durante esse período de mudanças.
Usando sua experiência ao ter trabalhado em empresas como IBM, Visa e
Toyota e ajudado no processo de transformação digital dessas
companhias, Rogers traz um apanhado do que é preciso fazer e em quais
pontos os negócios do século passado devem focar para se adaptarem ao
novo mundo conectado e cheio de concorrentes em potencial.
9 – Aperte o F5: A transformação da Microsoft e a busca de um futuro melhor para todos
A Microsoft teve Bill Gates como CEO até 2000, depois a função foi
assumida por Steve Ballmer que, por sua vez, passou o bastão a Satya
Nadella em 2014. Até então, o executivo, de origem indiana, não era
muito conhecido. Mas ele tem uma longa trajetória na Microsoft e conta
tudo neste livro “Aperte o F5”, leitura recomendada para quem deseja
empreender ou se interessa pelo mundo dos negócios.
Depois de passar pela Sun Microsystems (a companhia foi comprada pela
Oracle e não existe mais), Satya Nadella começou a trabalhar na
Microsoft em 1992. Ao longo da sua trajetória, ocupou diversos cargos de
decisão.
Um dos papéis mais importantes de Nadella foi o de ajudar a Microsoft
a montar as suas divisões de serviços nas nuvens, como a
plataforma Azure. Hoje, elas respondem por boa parte da receita da
companhia. Em meio a tudo isso, fala ainda da empolgante transformação
tecnológica que estamos prestes a vivenciar: inteligência artificial,
realidade mista e computação quântica não são mais conceitos restritos à
ficção científica e prometem alterar completamente as relações entre
pessoas e máquinas.
Como CEO, Nadella ajudou Microsoft a perder a imagem negativa que
carregava há alguns anos e a se transformar em uma companhia
completamente adaptada aos atuais cenários de internet e mobilidade.
Como ele fez isso? Essa é umas histórias que Satya conta em seu livro.
10 – Inevitável: As 12 forças tecnológicas que mudarão nosso mundo
Este livro de Kevin Kelly aborda as tendências tecnológicas que irão
ou já estão alterando as formas de trabalho e nossa forma de nos
relacionar uns com o outros e com as máquinas e a tecnologia que nos
rodeia – desde a realidade virtual em casa até a inteligência artificial
presente em tudo o que fabricarmos. Algumas das tecnologias abordadas,
considerando todo o seu potencial, ainda estão um pouco distantes da
realidade da maior parte das pessoas, mas muitas delas já transformam o
nosso dia a dia, como é o caso do compartilhamento cada vez maior de
ideias, conhecimento e bens de consumo.
Cada capítulo descreve uma das tecnologias, mas a sequência de
apresentação e o encadeamento de ideias e exemplos torna muito evidente a
proposta de que tudo está essencialmente relacionado.
Kelly, no início de cada capítulo, contextualiza o tema e dá diversos
exemplos de sua existência ou tendência para sociedade, muitas vezes
colocando sua opinião pessoal sobre o tema, o que torna a narrativa
muito mais interessante.
Mindset correto é o que vai fazer você alcançar (ou não) o sucesso
Junior Borneli, co-fundador do StartSe
Mulher negra e sorridente segurando um IPad e olhando para frente (Fonte: Getty Images)
Mindset é a sua programação mental, é como você encara tudo que está ao teu redor
Mindset. Você já ouviu essa palavinha algumas vezes aqui no StartSe.
Ela é importante, talvez uma das coisas mais importantes para “chegar
lá” (seja lá onde for que você quiser chegar).
É sua habilidade de pensar o que você precisa para ter sucesso. E
como a maioria das coisas que você possui dentro de você, ela é uma
espécie de programação do seu ser. Tanto que é possível que você adquira
outro mindset durante a vida, convivendo com as pessoas corretas,
conhecendo culturas diferentes.
Algumas pessoas dizem que é isso das pessoas que faz o Vale do
Silício ser a região mais inovadora do mundo. Eu, pessoalmente, não
duvido. Fato é: você precisa de ter a cabeça no lugar certo, pois a
diferença entre um mindset vencedor e um perdedor é o principal fator
entre fracasso e sucesso.
Para isso, é importante você começar do ponto inicial: um objetivo.
“Todo empreendedor precisa ter um objetivo. Acordar todos os dias e
manter-se firme no propósito de fazer o máximo possível para chegar lá é
fundamental”, diz Junior Borneli, co-fundador do StartSe e uma das
pessoas mais entendidas de mindset no ecossistema brasileiro.
De lá, é importante você fazer o máximo que puder e não perder o
foco, mantendo-se firme. “Não importa se no final do dia deu tudo certo
ou errado. O importante é ter a certeza de que você fez tudo o que foi
possível para o melhor resultado”, avisa.
Com a atitude certa, é capaz que você sempre consiga canalizar as
coisas como positivas. “Você sempre tem duas formas de olhar um a mesma
situação: aquela em que você se coloca como um derrotado e a outra onde
você vê os desafios como oportunidades. Escolha sempre o melhor lado das
coisas, isso fará com que sua jornada seja mais leve”, alerta o
empreendedor.
Esses tipo de sentimento abre espaço para uma característica
importantíssima dos principais empreendedores: saber lidar com grandes
adversidades. “Um ponto em comum na maioria os empreendedores de sucesso
é a superação”, destaca Junior Borneli.
Saber lidar com essas adversidades vai impedir que você pare no
primeiro problema (ou falência) que aparecer na sua frente. “São muito
comuns as histórias de grandes empresários que faliram várias vezes,
receberam diversos ‘nãos’ e só venceram porque foram persistentes”,
afirma.
É importante ter esse mindset resiliente, pois, nem sempre tudo será
fácil para você – na verdade, quase nunca será. “Empreender é, na maior
parte do tempo, algo muito doloroso. Até conseguir algum resultado
expressivo o empreendedor passa por muitos perrengues. A imensa maioria
fica pelo caminho”, diz.
É como uma luta de boxe, onde muitas vezes, para ganhar, você terá
que apanhar e apanhar e apanhar até conseguir desferir o golpe (ou a
sequência) certo. “Na minha opinião, não há melhor frase que defina a
trajetória de um empreendedor de sucesso do que aquela dita por Rocky
Balboa, no cinema: ‘não importa o quanto você bate, mas sim o quanto
aguenta apanhar e continuar. É assim que se ganha’”, ilustra.
O problema talvez seja que alguns aspectos do empreendedorismo tenham
glamour demais. “Empreender não é simplesmente ter uma mesa com
super-heróis e uma parede cheia de post-its coloridos. Você vive numa
espécie de montanha russa de emoções, onde de manhã você é ‘o cara’ e à
tarde não tem dinheiro pro café”, salienta.
Vale a pena, porém, perseverar neste caminho. “Para aqueles que são
persistentes e têm foco, a jornada será difícil, mas o retorno fará
valer a pena!,” destaca o empreendedor.
DERROTA TAMBÉM ENSINA
Um ponto importante do sucesso é saber lidar com o fracasso e, de lá,
tomar algumas lições para sair mais forte ainda. “Toda derrota nos
ensina algumas lições e assim nos tornamos mais fortes a cada nova
tentativa. A cultura do fracasso, aqui no Brasil, é muito diferente dos
Estados Unidos”, afirma Junior.
No Vale do Silício, falhar é encarado algo bom, na verdade – e
aumenta suas chances de sucesso futuro. “Por lá, empreendedor que já
falhou tem mais chances de receber investimentos porque mostrou
capacidade de reação e aprendeu com os erros”, conta o empreendedor.
Mas ao pensar sobre fracasso, você precisa ter o filtro correto para
não deixar a ideia escapar. “Encarar os erros como ensinamentos e
entender que falhar é parte do jogo torna as coisas mais fáceis e
suportáveis”, salienta.
Foco é a palavra de ordem para você conseguir alcançar os objetivos
traçados no caminho, mesmo que em alguns momentos pareça que está tudo
dando errado. “Por fim, buscar o equilíbrio mental e o foco são
fundamentais. Nas vitórias, tendemos a nos render à vaidade e ao
orgulho. E nas derrotas nos entregamos ao desânimo e a depressão.
Mentalize seus objetivos, foque nos caminhos que vão leva-lo até eles e
siga firme em frente”, afirma.
É importante que você tenha noção de que para ser uma exceção, você
não pode pensar da maneira comodista que a maior parte das pessoas. “Se
você quer chegar onde poucos chegaram, precisará fazer o que poucos têm
coragem e disposição para fazer”, completa.
O “não” do cliente a uma proposta. Por quê?
Moysés Peruhype Carlech
Fiquei pensando e ao mesmo tempo preocupado com o seu “não”,
sem nenhuma explicação, à nossa proposta de divulgação da sua loja e de
resto todas as lojas dessa cidade no Site da nossa Plataforma Comercial
da Startup Valeon.
Esse “não” quer dizer, estou cheio de compromissos para fazer
pagamentos mensais, não estou faturando o suficiente para cobrir as
minhas despesas, a minha loja está vendendo pouco e ainda me vem mais
uma “despesa” de publicidade da Startup Valeon?
Pergunto: como vou comprar na sua loja? Se não sei qual é a
sua localização aí no seu domicílio? Quais os produtos que você
comercializa? Se tem preços competitivos? Qual a sua interação online
com os seus clientes? Qual o seu telefone de contato? Qual é o seu
WhatsApp?
Hoje em dia, os compradores não têm tempo suficiente para
ficarem passeando pelos Bairros e Centros da Cidade, vendo loja por loja
e depois fazendo a decisão de compra, como antigamente.
A pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao
mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para
sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em
Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para
enfrentar a crise. Com o fechamento do comércio durante as medidas de
isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos
hábitos para poder continuar efetuando suas compras. Em vez de andar
pelos corredores dos shoppings centers, bairros e centros da cidade,
durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar
por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que
tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa
barreira. Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio
também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.
É importante você divulgar a sua loja na internet com a ajuda
do Site da Startup Valeon, que no caso não é uma despesa a mais e sim
um investimento para alavancar as suas vendas. Desse modo, o seu
processo de vendas fica muito mais profissional, automatizado e
eficiente. Além disso, é possível a captação de potenciais compradores e
aumentar o engajamento dos seus clientes.
Não adianta pensar dessa forma: “Eu faço assim há anos e deu
certo, porque eu deveria fazer diferente? Eu sei o que preciso fazer”. –
Se você ainda pensa assim, essa forma de pensar pode representar um
grande obstáculo para o crescimento do seu negócio, porque o que trouxe
você até aqui é o que você já sabe e não será o que levará você para o
próximo nível de transformação.
O que funcionava antes não necessariamente funcionará no
futuro, porque o contesto está mudando cada vez mais rápido, as formas
como os negócios estão acontecendo são diferentes, os comportamentos dos
consumidores está se alterando, sem contar que estão surgindo novas
tecnologias, como a da Startup Valeon, que vão deixar para trás tudo
aquilo que é ineficiente.
Aqui, na Startup Valeon, nós sempre questionamos as formas de
pensar e nunca estamos totalmente satisfeitos com o que sabemos
justamente por entender que precisamos estar sempre dispostos a conhecer
e aprender com o novo, porque ele será capaz de nos levar para onde
queremos estar.
Mas, para isso acontecer, você precisa estar disposto a
absorver novas formas de pensar também e não ficar amarrado só ao que
você já sabe.
Se este for seu caso, convido você a realizar seu novo começo
por meio da nossa forma de anunciar e propagar a sua empresa na
internet.
Todos eles foram idealizados para você ver o seu negócio e a
sua carreira de uma forma completamente diferente, possibilitando levar
você para o próximo nível.
Aproveite essa oportunidade para promover a sua próxima transformação de vendas através do nosso site.
Então, espero que o seu “não” seja uma provocação dizendo para nós da Startup Valeon – “convença-me”.