Legenda da foto,As eleições municipais acontecem neste domingo (6/10)
Cerca de 34 milhões de brasileiros estão aptos a votar em 5.570 municípios neste domingo (6/10).
As pesquisas eleitorais apontam que em muitos locais o cargo de
prefeito vai ser preenchido no 1º turno, mas ainda há grandes cidades e
capitais onde a corrida pelo 2º turno está acirrada.
Veja abaixo algumas disputas mais imprevisíveis e capitais onde o resultado pode reverberar para além das fronteiras municipais.
1. São Paulo (SP)
Maior colégio eleitoral do Brasil, com 9,3 milhões de eleitores, São
Paulo (SP) chegou ao dia da eleição sem clareza sobre quais dos três candidatos mais votados iriam para o segundo turno.
Os candidatos Guilherme Boulos (PSOL), Ricardo Nunes (MDB) e Pablo
Marçal (PRTB) estavam em empate técnico, com 29%, 26% e 26% das
intenções de voto, respectivamente, de acordo com a última pesquisa
Datafolha, divulgada no sábado (5/10).
No entanto, a pesquisa Atlas divulgada também no sábado mostra um
cenário um pouco mais definido, com Boulos com 29,9% das intenções de
voto seguido por Marçal, com 27,8% e Nunes com 18,6%.
A disputa ficou mais imprevisível após subida do candidato de direita
radical Pablo Marçal — que teve um dos momentos mais falados do período
eleitoral ao levar uma cadeirada de outro candidato, José Luiz Datena (PSDB), após provocá-lo durante um debate. O episódio chegou a repercutir na imprensa estrangeira.
Marçal cresceu na direita sem o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O candidato do bolsonarismo seria Ricardo Nunes, mas sua campanha não
usou muito o ex-presidente, que sequer fez comício em São Paulo.
“Se Marçal passar pelo segundo turno, isso significa uma rebelião no
campo da direita, que desde 2018 é monopolizada por Bolsonaro, ou seja,
todos os quadros sempre dependeram de suas bênçãos”, afirma o cientista
político Antônio Lavareda.
“Marçal não precisa nem ganhar, basta ir para o segundo turno. Isso
rompe com a hegemonia bolsonarista na direita e é um convite para outras
rebeliões”, diz Lavareda.
Legenda
da foto,Os candidatos Ricardo Nunes (à esquerda na imagem), Guilherme
Boulos (centro), e Pablo Marçal (direita) estão em empate técnico
2. Belo Horizonte (MG)
A disputa também está bastante apertada em Belo Horizonte (MG), onde
dois candidatos de direita e um de centro-direita são favoritos para
disputar o segundo turno.
De acordo com a última pesquisa Datafolha, de sábado (5/10), estão
empatados tecnicamente o candidato Bruno Engler (PL) com 26%, o atual
prefeito Fuad Noman (PSD) com 25% e o deputado estadual Mauro Tramonte
(Republicanos), com 23%.
Um dos dez maiores colégios eleitorais do país, com 1,9 milhão de
eleitores, a cidade deve ser um grande palanque eleitoral para os
candidatos à presidência em 2026.
3. Fortaleza (CE)
Fortaleza é uma das cidades com disputas mais acirradas, com quatro
candidatos — dois de direita e dois de esquerda — na briga para ir ao
segundo turno.
Na frente estão Evandro Leitão (PT) e André Fernandes (PL), em empate
técnico com 26% e 25% das intenções de voto, respectivamente, de acordo
com a pesquisa Real Time Big Data divulgada na quarta (2/10).
Mas com uma margem de erro de 3 pontos percentuais, os candidatos
Capitão Wagner (União Brasil) e José Sarto (PDT) não estão fora da
corrida, com 19% e 16% das intenções de voto, respectivamente.
4. Manaus (AM)
Manaus também é uma das cidades com a disputa do segundo turno indefinida.
Embora o atual prefeito David Almeida (Avante) esteja na frente, com
29% das intenções de voto, de acordo com a pesquisa AtlasIntel divulgada
na quinta (3/10), o segundo lugar ainda é incerto, com Capitão Alberto
Neto (PL) e Amom Mandel (Cidadania) no páreo. Eles têm 22% e 20% das
intenções de voto, respectivamente.
5. Rio de Janeiro (RJ)
No Rio de Janeiro, o atual prefeito Eduardo Paes (PSD) lidera a
corrida com 61% das intenções de voto, de acordo com pesquisa Datafolha
divulgada no sábado (5/10).
Principal aposta do bolsonarismo nesta eleição, Alexandre Ramagem
(PL) não decolou nas pesquisas, embora a distância entre ele e Paes
tenha diminuído ao longo da campanha.
Na última semana, o candidato do PL teve uma intensa agenda de
eventos com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que assumiu nesta eleição um
papel maior de cabo eleitoral do que quando era presidente.
No entanto, para o cientista político Antônio Lavareda, o desempenho
de Ramagem nas pesquisas não é sinal de uma desaceleração do
bolsonarismo.
“Normalmente as eleições giram em torno do prefeito no cargo — prefeitos bem avaliados dificilmente perdem eleição”, diz ele.
“A eleição no Rio é bem sinal da boa avaliação de Paes do que de uma fragilidade no bolsonarismo.”
Legenda da foto,No Rio de Janeiro, Paes (à esquerda) tem ampla vantagem sobre Ramagem (à direita)
6. Recife (PE)
Em Recife, as pesquisas apontam para a vitória do atual prefeito João
Campos (PSB), o popular filho de Eduardo Campos e herdeiro de seu
capital político.
Com um governo considerado ótimo ou bom por 76% dos recifenses, de
acordo com o instituto Datafolha, João Campos possui cerca de 80% das
intenções de voto e, portanto, tem previsão de vencer já no primeiro
turno. Os números são da pesquisa Datafolha divulgada no sábado (5/10).
Seu percentual de intenção de votos nas pesquisas é o segundo maior
entre as capitais, e fica atrás apenas de Doutor Furlan (MDB) em Macapá
(AP).
Com o provável sucesso neste domingo (6/10), Campos se cacifa para
concorrer ao posto de governador em 2026, de acordo com o cientista
político Túlio Velho Barreto, da Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco).
Ele também se consagra como uma das lideranças que podem renovar a esquerda no país, afirma Lavareda.
“O sucesso eleitoral combinado pelo sucesso dele nas redes sociais
vai nacionalizar o João Campos de vez, vai consolidá-lo com uma das
novas lideranças de esquerda.”
7. Macapá (AP)
Com o maior índice de intenção de votos entre as capitais do país, o
atual prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB), concorre à reeleição com
grande vantagem em relação aos outros candidatos — tanto que sequer tem
comparecido aos debates.
De acordo com a pesquisa Gerp divulgada na terça (1/10), ele tinha 81% das intenções de voto e deve vencer no primeiro turno.
8. Porto Alegre (RS)
Em Porto Alegre, o prefeito Sebastião Melo (MDB) tinha 32% das
intenções de voto na segunda (30/9) — provável resultado da avaliação
sobre a resposta da prefeitura à enchente na cidade em março desde ano,
afirma Lavareda.
Enquanto isso, o voto da esquerda está dividido entre a candidata do
PT, Maria do Rosário, e Juliana Brizola (PDT), que têm 29% e 23% das
intenções de voto respectivamente.
Depois de 25 anos de carreira como CEO de uma grande empresanos Estados Unidos, Tales, que não quis ter a sua identidade revelada, diz que começou a sentir falta de um propósito.
Foi isso que o motivou a fazer um curso sobre “identidade e propósito” com Pablo Marçal no fim do ano passado. Ele e a esposa desembolsaram R$ 15 mil cada um e passaram dois dias assistindo às aulas.
No âmbito profissional, ele diz, nada mudou. “Continuo sendo CEO.
Mas, na parte espiritual, o curso me ajudou a ganhar autoconhecimento,
me encontrar e a sair da zona de conforto.”
Mas, no mundo digital, o empresário — que agora rejeita o termo coach que até então utilizava e define-se como mentor — já é uma estrela há muito tempo.
Alavancado durante a pandemia, quando as vendas online explodiram, o
universo do marketing digital é amplo. Reúne CEOs em busca de um
propósito, mas também todo mundo que aspira ganhar mais dinheiro e
seguidores na internet.
O grupo inclui médicos e dentistas, pequenos comerciantes que buscam
impulsionar sua presença online ou simplesmente aspirantes a
empreendedores que querem ganhar dinheiro com negócios digitais.
Para tal, este mercado oferece um leque igualmente grande de
possibilidades. Desde mentorias de autoconhecimento, a curso de vendas
de qualquer tipo de produto, incluindo cursos sobre como vender cursos.
Em comum, está o discurso aspiracional e dos ganhos financeiros — de preferência, rápidos.
É um mundo ainda pouco explorado do ponto de vista de números e
informações concretas. O Ministério do Trabalho, por exemplo, não tem
ideia de quantas pessoas estão neste setor.
E as principais plataformas — a Meta, responsável pelo Instagram,
Facebook e WhatsApp, e o TikTok — não abrem seus números sobre o tamanho
da movimentação financeira ou a quantidade de contas comerciais que
possuem.
Mas a BBC News Brasil teve acesso a um relatório inédito que será lançado no fim do ano sobre este universo.
Pesquisadores da University College Dublin (UCD) mergulharam neste
mundo por dois anos e acompanharam os 500 maiores influenciadores de
marketing digital do Brasil.
Analisaram também o perfil de 1 milhão de pessoas que fizeram algum
dos cursos destes influenciadores, ou manifestaram interesse em fazer,
chamadas aqui de aspirantes a empreendedores.
O trabalho, que envolveu coleta de dados e entrevistas mais
aprofundadas, foi liderado pela antropóloga Rosana Pinheiro-Machado,
professora titular da UCD e diretora do Digital Economy and Extreme Politics Lab (Laboratório de Economia Digital e Extremos da Política), e teve financiamento do Conselho Europeu de Pesquisa (ERC).
Aversão à CLT, valores tradicionais e ostentação
Com base em dados globais levantados no estudo, os pesquisadores
estimam que 13 milhões de pessoas estão empreendendo no Instagram hoje
no Brasil, por meio das contas comerciais.
No entanto, eles também levantaram que, dos empreendedores na rede,
somente 54% usam uma conta comercial na plataforma, com funcionalidades
específicas para quem quer fazer negócios.
“Muitas pessoas nem sabem fazer uma business account“, diz Rosana Pinheiro-Machado.
“Por isso, estimamos que a quantidade de gente usando o Instagram
para vender algum produto no Brasil hoje é muito maior, girando em torno
de 25 milhões.”
Seguindo a projeção da pesquisa, cerca de um quarto da população
economicamente ativa do país já busca fazer dinheiro no Instagram, em
uma transformação do enorme setor informal e autônomo brasileiro.
“A lógica da pessoa querer ser chefe de si mesma, em um país onde
muitos empregos estão marcados pela lógica da humilhação, é muito
libertadora”, analisa Pinheiro-Machado, citando condições precárias de
trabalho em parte do mercado brasileiro como fator de estímulo à entrada
neste setor.
As descobertas feitas pelos pesquisadores revelam a maneira como a
maior parte dos influenciadores opera e seus padrões do discurso, que
incluem a aversão ao emprego formal regido pela CLT (Consolidação das
Leis do Trabalho) — vista como limitadora —, e críticas à formação
superior.
Também foram apontadas como características comuns o reforço de
valores ligados à religião cristã e à família tradicional (no duo “homem
valoroso, mulher virtuosa”), e a ostentação de valores materiais
(exibir mansões, carros e relógios de luxo e até mesmo resultado de
procedimentos estéticos) “em um ambiente propício à desinformação”.
Em geral, os influenciadores analisados se alinham a valores
conservadores, quer demonstrem ou não seus apoios políticos de maneira
explícita.
“Há uma notável ausência de vozes divergentes, progressistas ou à esquerda nesta esfera”, diz o relatório da UCD.
No universo de 1 milhão de contas compiladas, a pesquisa monitorou
mais de perto 32 mil perfis que manifestaram interesse ou efetivamente
fizeram algum curso de marketing digital, independentemente de qual ou
com quem, para aumentar sua presença nas plataformas.
Os resultados e as análises desses números mostram a fragilidade dessa aposta, diz o relatório.
Somente 1,2% dos perfis monitorados ganhou seguidores de fato, saindo
da classificação de “aspirantes” para o posto de influenciadores, com
mais de 5 mil seguidores.
“São pessoas vulneráveis que caem no discurso”, afirma Pinheiro-Machado.
“Uma grande parte das entrevistas aponta para uma expectativa grande
em torno de ganhar muito dinheiro, para viver bem. Mas também tem um
número significativo de pessoas dizendo que vai fazer milhões.”
Como funciona o universo de onde vem Pablo Marçal
O foco da parte qualitativa da pesquisa, feita com base em
entrevistas e estudos de casos, está em grupos de baixa renda que
trabalham como autônomos, com contratos sem garantia de direitos
trabalhistas ou estão desempregados.
“Esses grupos têm menos opções profissionais e estão privados de
várias capacidades, o que os torna mais vulneráveis aos impactos do
mundo do marketing digital não regulamentado”, segue a antropológa.
Se aparentemente este aparenta ser um mercado livre e horizontal, na
prática, afirma o relatório, é um rígido esquema ditado por uma
infraestrutura baseada em algorítmos que empurra os participantes a
querer crescer.
Para isso, é preciso investir tanto em cursos como em tráfego pago,
ou seja, dar dinheiro para as plataformas para ter seu conteúdo exibido
para mais usuários.
“É deste universo que vem o Pablo Marçal”, afirma Pinheiro Machado.
“Em muitos sentidos, ele é a personificação do mundo do marketing
digital e suas visões ideológicas.”
Com uma presença digital na casa dos milhões há anos, Marçal foi
citado como modelo a ser seguido por alguns dos entrevistados por
Pinheiro-Machado em cidades tão distantes como Manaus e Porto Alegre.
Sócio ou dono de um emaranhado de empresas, de diferentes segmentos,
Marçal declarou ter um patrimônio de R$ 169 milhões ao Tribunal Superior
Eleitoral (TSE).
A PLX Digital, uma de suas empresas, é focada em lançamentos, o que,
no jargão deste mercado, é o nome dado à venda de um curso ou produto
online.
Fundada em 2019 por Marçal e seu sócio, Marcos Paulo de Oliveira, a
PLX promete “romper limites” e “transformar vidas”, de acordo com as
mensagens descritas em seu site — o candidato a prefeito já disse ter
vendido cursos e mentorias a 1,5 milhão de pessoas.
A BBC News Brasil tentou falar com Marcos Paulo, mas ele não
respondeu à mensagem enviada, e também com Marçal, por meio de sua
assessoria de imprensa, mas não houve retorno até a publicação desta
reportagem.
Legenda da foto,Pablo Marçal durante a campanha em São Paulo
Neste mercado, os valores dos cursos e mentorias de diferentes
influenciadores variam muito, podendo custar de R$ 100 a mais de R$ 60
mil.
Mas todos prometem a mesma coisa: que qualquer um pode prosperar finaceiramente.
O dinheiro pode ser conquistado transformando-se em um influenciador e
criador de conteúdo, ou também apenas vendendo o conteúdo ou curso de
alguém em troca de uma comissão, que é o caso dos chamados afiliados.
Por exemplo, a pessoa pode ser ensinada a ter renda revendendo cursos
dos grandes influenciadores ou oferecendo atalhos de comércio digital
para produtos de gigantes como a Amazon ou a Shopee.
Sem apontar diretamente para nenhuma empresa ou influenciador
específico, o relatório faz um alerta sobre riscos em torno deste
universo, que cria “pirâmides aspiracionais”.
O estudo aponta para a presença dos esquemas de pirâmide, um modelo
comercial fraudulento que depende do recrutamento de novas pessoas que
pagam às antigas integrantes da rede, sem regras claras de remuneração. E
também do estímulo nocivo de “aspirações irrealistas” e gastos com
“treinamento digital enganoso”.
Por isso, a pesquisa defende a necessidade da criação de medidas
regulatórias, inclusive com regras para o trabalho de influenciadores,
além de programas educacionais para o segmento.
Vender e-books, sonhar alto
Foi por meio de um atraente anúncio para ganhar dinheiro que o
motorista Lucas Silva, de 39 anos, foi atrás do primeiro curso de
marketing digital que fez.
Em seu currículo, constam trabalhos como atendente, garçom, motorista de aplicativo, vendedor e vigilante.
Seu sonho, no entanto, é ter uma hamburgueria em Porto Alegre, cidade
onde vive com a mulher, Priscilla Carvalho dos Santos, de 32 anos. Ela
tem nível técnico em contabilidade e trabalha no momento como manicure.
Na tentativa de ser dono do próprio negócio, o casal já se aventurou
por diferentes cursos de marketing digital, com focos variados.
Um deles, voltado para a venda direta de produtos de beleza, como
pílulas que prometem cabelos saudáveis, crescimento das unhas e
fortalecimento do sistema imunológico, ou comprimidos cujo anúncio diz
auxiliar na perda de peso.
Desembolsaram quase R$ 1 mil, entre o valor do curso e dos
impulsionamentos dos anúncios de vendas, mas, até agora, não tiveram
retorno.
“Trabalhar com carteira assinada hoje em dia é uma coisa limitada”, diz Lucas.
Por isso, ele diversifica as apostas, literalmente, já que também entrou no ramo das apostas esportivas, as bets. “Em um dia só, coloquei R$ 30 e ganhei R$ 700. Mas em seguida perdi tudo.”
O perfil do casal é comum entre os analisados pelos pesquisadores da UCD. “Todo mundo aposta nas bets, faz rifas e quer vender e-book“, diz Pinheiro-Machado.
“É tudo parte do mesmo universo de esquemas que jogam com a aspiração das pessoas.”
Independentemente do meio, o fim se justifica pelo ganho de dinheiro
graças a, teoricamente, o esforço individual, apontam os pesquisadores.
Para lucrar, é preciso vender, e, para vender, é preciso se esforçar e ter foco.
E, claro, fazer um curso, com “muitos entrevistados de origens menos
privilegiadas, ou até mesmo em situação de pobreza, reiterando a crença
de que ainda não eram ricos porque não tinham o mindset (mentalidade) certo”, diz o relatório.
“É um discurso baseado no hiperindividualismo”, afirma
Pinheiro-Machado, que cita também a presença de uma “meritocracia
distorcida” — se algo não deu certo, é porque a técnica não foi bem
aplicada. Um “caldo de cultura” que carrega junto milhões de seguidores.
A cuidadora Crystian Rodrigues Ayres, de 31 anos, já fez cinco cursos
de vendas online, mas ainda não conseguiu empreender. “Não me dediquei o
suficiente”, diz ela.
“Não tenho vontade de fazer faculdade. Tenho o objetivo de fazer dar certo no marketing porque sei que o retorno é bom.”
Atualmente, Crystian, que vive no Rio de Janeiro, é contratada como microempreendedora individual (MEI) por uma agência especializada em cuidados de idosos.
Altas expectativas, longas jornadas
A pesquisa da UCD aponta que pode haver vantagens no mundo digital
para todos os tipos de empreendedores, mas a questão é em que medida
estão ancoradas suas expectativas.
“Quem já tem um pequeno comércio se beneficia do Instagram para promover seu negócio”, afirma Pinheiro-Machado.
“Mas é um percentual muito pequeno de pessoas que de fato estão ganhando dinheiro ali.”
A professora Adriana Tavares, por exemplo, já dava aulas de inglês
totalmente online quando conheceu o mundo do marketing digital.
Em 2022, quando ela lançou um curso voltado para pessoas com mais de
50 anos, chegou a faturar R$ 100 mil em uma semana, um marco para quem
se aventura por esse universo — e ainda repetiu o feito outras duas
vezes naquele ano.
Mas hoje ela não está milionária. Tampouco tem tempo livre ou faz viagens luxuosas.
Pelo contrário, sua rotina de trabalho é extensa, dura de 12 a 15 horas por dia, inclusive aos finais de semana.
Do que ganha hoje, parte ela separa para quitar as dívidas que fez
justamente quando faturou os tão sonhados “seis dígitos”. “Eu fiz errado
no começo”, diz Adriana.
“Quando faturei aquele valor, contratei gente, cheguei a ter 12
pessoas trabalhando comigo, contando que eu iria faturar aquele valor de
novo. E não é porque você fez ‘seis em sete’ uma vez que fará sempre.”
Fazer “seis em sete” significa faturar seis dígitos, ou ao menos R$ 100 mil, em sete dias, ou uma semana.
O curso de Adriana custa R$ 1.597 e fica disponível por um ano para
que o aluno o conclua quando quiser, na Hotmart, uma das maiores
plataformas de cursos online do país.
A plataforma foi fundada em 2011 e diz que já ultrapassou US$ 10 bilhões (R$ 54,5 bilhões) em vendas.
Os cursos que estão ali são variados, desde aulas sobre a Bíblia,
maquiagem, idiomas, dietas, preparo para concursos, passando por
formações sobre todos os tipos de terapias, jornalismo, direito,
medicina, e, claro, muitos cursos sobre como criar cursos.
A BBC News Brasil solicitou uma entrevista com os executivos à frente da Hotmart, mas não houve retorno ao pedido.
Hoje, Adriana comemora ter chegado a 800 alunos e conta com orgulho
sobre a sua mais recente matriculada: uma senhora de 84 anos.
“Sei que meu produto é bom. Sei que não estou enganando ninguém”, diz ela.
Suas expectativas, no entanto, foram reduzidas. Dos 12 funcionários que chegou a ter, hoje trabalham com ela o marido e a filha.
“Se eu pudesse voltar atrás, não teria contratado equipe, teria cuidado mais”, diz Adriana.
“O [influenciador] Erico [Rocha] não ensina isso, ele ensina o
‘montinho montão’, ou seja, a cada ganho, é preciso separar uma parte
para investir no próximo lançamento.”
Esse ciclo de investimentos em publicidade a cada novo lançamento tem
dado musculatura para esse setor da economia de influenciadores.
Segundo projeções do Goldman Sachs, esse ecossistema pode quase dobrar de tamanho nos próximos cinco anos, chegando a movimentar US$ 480 bilhões até 2027 no mundo.
Os principais impulsionadores desse crescimento, segundo o banco,
serão os gastos com impulsionamentos e a monetização de vídeos curtos
por meio de publicidade.
Faixa-preta de chinelo
Com mais de 2,5 milhões de seguidores no Instagram, Erico Rocha é um
sujeito de voz mansa e gestos contidos, longe dos estereótipos mais
agressivos utilizados por muitos influenciadores deste universo.
Um dos precursores do marketing digital no Brasil, é dele o método que Adriana aprendeu, chamado Fórmula de Lançamento.
Ele importou o método em 2013 do guru dos gurus, o americano Jeff Walker, pagando royalties cujo valor ele não revela.
Hoje, sua empresa tem 154 funcionários e, segundo ele, fatura R$ 100
milhões ao ano e ajuda a movimentar mais de R$ 1 bilhão indiretamente,
por meio do faturamento dos alunos.
Seu discurso é voltado para o reinvestimento na empresa. “Sempre
digo: não quero que você faça ‘seis em sete’ e vá para Ibiza. A gente
quer ser empreendedor, por isso eu falo para as pessoas fazerem reserva
de caixa, cuidar da empresa.”
Quando conversou com a BBC News Brasil de seu escritório em Brasília, Erico vestia camiseta, calça jeans e chinelo.
De acordo com ele, seu público, formado por pessoas com mais de 25 anos, já não se vê mais atraído pela ostentação de riqueza.
“Minha audiência não quer isso. Eles querem pagar o seguro de saúde da mãe, uma escola particular para o filho.”
Rocha se orgulha em dizer que tem mais de 400 “mentorados”, como ele
chama, que já faturaram R$ 2 milhões em um ano, os chamados
“faixas-pretas”, em alusão às graduação de artes marciais.
“Quer dizer que todos fazem esse valor? Não. Teve gente que fez mais, teve gente que faliu, foi fazer outra coisa…”
O dinheiro, no entanto, não vem da noite para o dia. “A média para
que um aluno faça ‘seis em sete’ é de 12 a 14 meses”, diz Rocha.
Mas há exceções. “[Pablo] Marçal deve ter feito seis em sete no primeiro lançamento, ou no segundo”, diz Rocha.
“O que ele faz hoje não é a fórmula clássica. Ele cria movimentos, é
extremamente viral. As pessoas, para ter sucesso com a fórmula, não são
virais. Eu não sou viral.”
Viralizar um conteúdo e fazer com que ele chegue ao maior número possível de pessoas é estratégico.
Nesta equação, larga na frente quem tem mais seguidores ou consegue
ganhar novos com técnicas para capturar atenção e tráfego pago.
No monitoramento da UCD, além de verificar o reduzido crescimento em
número de seguidores dos aspirantes a influenciadores, também apareceram
os padrões de discurso.
Entre as palavras comuns a todas as categorias, do maior
influenciador para o menor aspirante a empreendedor, apareceram sempre a
ideia de mentoria e expertise, como nas frases “te ajudo”,
“especialista”.
“No entanto, à medida que eles ganham mais seguidores, a nuvem de palavras muda também”, afirma Matheus.
Saem de cena palavras como “Deus”, “mãe” e “CEO” e entram “mentor”,
“pai” e “curso”, por exemplo, em um possível indicativo de que, quanto
mais seguidores, mais corporativa e masculina são as descrições do
perfil.
Instagram como ‘plataforma de trabalho’
É por causa da escala de abrangência do setor e suas implicações que a
pesquisa da UCD defende que redes como Instagram tem que ser
classificadas como “plataforma de trabalho” por governos e entidades
globais como Organização Internacional do Trabalho (OIT), ao lado de
empresas como Uber e Rappi, por exemplo.
Para a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, essa mudança permitirá
uma melhor análise para formular políticas públicas e uma maior cobrança
das plataformas por transparência.
Na visão da pesquisadora, trabalhador “plataformizado” não seria
apenas o motorista do aplicativo, mas um público muito mais amplo, que
abarcaria da vendedora de cosméticos que tem um perfil na redes até o
dentista que quer se lançar como mentor de outros dentistas. Todos
“homogenizados” sob uma lógica ditada pela plataforma.
“As plataformas reforçam o tempo todo a promessa de que é possível
viver como influenciador digital”, afirma Issaaf Karhawi, pesquisadora
da cultura dos influenciadores digitais no Brasil e autora do livro De blogueira a influenciadora (Sulina, 2020).
“Isso te leva a trabalhar, de forma gratuita, produzindo diariamente
conteúdo, na esperança de um dia viralizar e vir a se tornar um
influenciador.”
Para Karhawi, a pesquisa da UCD “está muito associada a uma virada
crítica importante nos estudos dos influenciadores digitais”, iniciados
na época em que surgiram as blogueiras de moda.
Ela também compartilha da ideia, que aparece nos resultados da
pesquisa, de que é um discurso muito presente no mundo digital, mas que
não se concretiza e contém riscos.
A opacidade das plataformas, que não deixam claras as regras do
algoritmo, e as próprias regras, como punições, suspensão de conteúdos
considerados violadores, necessidade de constância nas publicações e a
imposição de horários para um conteúdo ter melhor desempenho criam, na
verdade, um sistema esgotador para quem trabalha com isso, de acordo com
a pesquisadora. É o que Karhawi chama de “exaustão algorítmica”.
Já Cássio Calvete, economista da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS) que pesquisa inteligência artificial e seu impacto no
mercado de trabalho, aponta que a tecnologia ou o trabalho mediado por
algoritmos pode, inclusive, piorar as condições de trabalho.
“Percebemos que o algoritmo tem uma série de formas para intensificar
e estender o ritmo de trabalho, tanto por aplicativo, quanto para
profissionais que trabalham em centros de distribuição”, diz ele.
Suas conclusões são um contraponto ao discurso de mais liberdade atrelado ao trabalho mundo digital.
Pinheiro-Machado lembra, no entanto, que a digitalização também traz a promessa de dignidade.
“Uma coisa é eu dizer que sou faxineira. A outra, é dizer que sou personal cleaner”, afirma a antropóloga.
“A pessoa muitas vezes não ganhou dinheiro algum ainda, mas ganhou
dignidade. Isso em um país historicamente marcado pelo estigma da
pobreza importa.”
‘Eu invado cérebros’
“O outro lá invade terrenos. Eu invado cérebros. Entro no cérebro da
pessoa, faço ela ficar com raiva e depois pulo para o outro lado”, disse
Pablo Marçal durante uma entrevista no mês passado ao podcast
Primocast, do grupo empresarial Primo, onde falou sobre seus negócios,
em especial de marketing digital, e sobre política.
A declaração continha uma provocação ao adversário na corrida
eleitoral, Guilherme Boulos (PSOL), que fez parte do Movimento dos
Trabalhadores Sem-Teto (MTST), e também foi uma janela para comentar as
técnicas que ele usa tanto na carreira empresarial como na corrida
eleitoral.
Ao longo dos meses, Marçal utilizou provocações e lançou mão de
gatilhos emocionais para irritar adversários e ganhar holofotes. Também
usou algo que aplica em seus “lançamentos digitais”, os chamados
campeonatos de “cortes”, para divulgar sua campanha.
Na modalidade, ele recruta milhares de seguidores para que façam
pequenos clips de seus conteúdos, os “cortes” de vídeos, em busca de
engajamento nas redes.
O candidato chegou a dizer publicamente que remuneraria os campeões
dos cortes que tivessem mais engajamento, e, questionado pela campanha
de Tabata Amaral (PSB) na Justiça Eleitoral, acabou punido em agosto,
ficando sem acesso às redes sociais que tinha. Isso no o impediu de
seguir nas redes, já que ele criou novas contas em seguida.
“Deus vai mudar nossa sorte. A gente está sozinho. Nós, o povo, e
Deus. [… ] Eu construí riqueza e você também vai construir. Chegou a
hora do povo de São Paulo prosperar”, disse em um programa de TV em
agosto, em linguagem próxima a que usa em seus próprios produtos
digitais.
Se Marçal começou a campanha com 14% das intenções de voto antes do
registro das candidaturas, em agosto, agora esse número chega a 21%,
segundo apontou o Datafolha em 27 de setembro.
Para Rosana Pinheiro-Machado, o sucesso até agora é menos
surpreendente do que parece, porque, em sua visão, trata-se de uma
mensagem “individualista, consumista e conservadora” que ela vê repetida
no mundo do marketing digital há muitos meses.
A hipótese da pesquisadora é que a plataformização do trabalho,
aliada à precarização, une, em um só lugar, toda essa lógica, criando um
“solo fértil” para a direita radical.
Raimundinha Rodrigues de Sousa comanda o serviço voluntário de bombeiros da comunidade indígena Caititu, na Amazônia.
Essas terras são protegidas, segundo a Constituição. Mas elas estão pegando fogo há mais de 15 dias.
Para o grupo de voluntários, essa luta parece pessoal.
“Agora, [o fogo] mata as plantas; daqui a pouco, seremos nós, porque inalamos muito [fumaça]”, lamenta ela.
“É um fogo muito agressivo, que mata tudo que vê em seu caminho.”
Seu pai, Ademar, conta que a fumaça constante lhe causou problemas respiratórios.
“Não consigo dormir por falta de ar. Isso me faz acordar, sinto como se estivesse me afogando”, diz ele.
Legenda da foto,Mais de 62 mil km² de floresta amazônica já foram queimados neste ano
A Amazônia tem atualmente a sua pior situação com incêndios florestais em duas décadas.
Mais de 62 mil km² já foram queimados este ano — uma área maior do que países como Sri Lanka e Costa Rica.
O mundo depende da Amazônia para absorver muito de seu carbono. E os
incêndios fazem com que a região esteja emitindo, agora, quantidades
recordes.
A maioria dos incêndios aqui é iniciada ilegalmente por pessoas, de
acordo com cientistas, a Polícia Federal e o governo: madeireiros e
garimpeiros que buscam explorar terras, ou fazendeiros transformando-as
em pasto.
É muito mais raro que incêndios ocorram naturalmente nessa floresta tropical úmida.
Muitos incêndios invadem unidades de conservação e terras indígenas,
seja por saírem acidentalmente do controle ou por tentativas deliberadas
de tomar terras.
Raimundinha diz que, quando sua brigada chega ao local de um
incêndio, eles geralmente encontram garrafas de gasolina e fósforos.
Enquanto ela fala, ela avista outra coluna de fumaça entre algumas árvores.
Ela tem certeza de que aquele fogo foi iniciado deliberadamente, pois
o grupo de voluntários tinha acabado de apagar os incêndios ali e
criado uma barreira natural para impedir que se espalhassem.
Sua equipe vai inspecionar o local. Conforme nos aproximamos, sentimos um cheiro marcante de fumaça.
A paisagem no caminho para o incêndio é como um cemitério de árvores, totalmente destruídas e enegrecidas.
A floresta tropical aqui mal merece seu nome. As árvores ainda de pé
estão carbonizadas e deformadas como fósforos queimados. O chão está
coberto de cinzas brancas, como os restos de um churrasco.
A equipe de Raimundinha tenta apagar as chamas com mangueiras presas a
pequenos recipientes de plástico que usam como mochilas. A água é
limitada, então eles precisam ser seletivos.
O problema é que, assim que um foco de incêndio é apagado, outro começa.
O cacique Zé Bajaga diz que a maioria desses incêndios são
criminosos, provocados por pessoas que “não querem mais o bem-estar da
humanidade ou da natureza”.
Ele culpa a falta de “humanidade”.
Legenda da foto,Zé Bajaga diz que muitos incêndios são causados por motivação criminosa
Nos últimos anos, o desmatamento diminuiu na Amazônia. Mas, apesar
das tentativas de repressão por autoridades, a ilegalidade ainda é
abundante, e a presença do Estado parece mínima.
Parte da Amazônia é de propriedade privada de indivíduos ou empresas.
Por lei, proprietários privados devem conservar 80% da floresta
tropical em suas terras e podem intervir nos 20% restantes. Mas isso não
é bem policiado.
Parte das terras é classificada como unidade de conversação, de propriedade do Estado, ou como reserva indígena.
Algumas terras, no entanto, não têm propriedade totalmente designada —
não são de propriedade privada de ninguém, mas tampouco foram
protegidas como unidade de conservação.
Essas áreas são particularmente vulneráveis a grilagens de terras.
Em todos os lugares pelos quais você dirige ou sobrevoa no sul do
Amazonas, são visíveis garimpos, madeireiros e fazendas.
Dorismar Luiz Baruffi, um produtor de soja baseado na cidade de Humaitá, no Amazonas, é dono de suas terras há muitos anos.
Ele é contra os incêndios, mas pode explicar por que a agricultura “explodiu” na Amazônia.
Legenda
da foto,’Acredito que se você estiver trabalhando dentro da lei, não há
problema. É um lugar que fornece alimentos’, diz Dorismar Luiz Baruffi,
defendendo o uso de mais áreas na Amazônia para agricultura
No cerne do argumento dele e de outros está a crença de que mais terras devem ser produtivas, não apenas protegidas.
“O crescimento populacional aumentou o plantio aqui. Comecei aqui porque a região é boa, chove bem aqui”, ele explica.
“Acredito que se você estiver trabalhando dentro da lei, não há
problema. É um lugar que fornece alimentos. É um Estado que pode
produzir muito. Acho que ainda há muita terra para ser cultivada aqui no
Amazonas.”
O desmatamento é ruim para os agricultores. Quanto menos árvores
houver, menos vapor de água será emitido para trazer chuva para suas
plantações — para as quais alguns agricultores queimam terras para abrir
espaço.
“Nos saímos mal este ano por causa da seca”, desabafa o agricultor.
Legenda da foto,O Brasil está passando pela pior seca já registrada
Os incêndios podem ter sido iniciados principalmente por humanos, mas foram agravados pela pior seca do Brasil, que transformou a vegetação normalmente úmida em um barril de pólvora seca.
A seca fez os rios caírem para níveis historicamente baixos, e quase 60% do país está sob estresse por causa da seca.
Os rios, em alguns trechos, estão completamente áridos e lembram um deserto ressecado.
João Mendonça e sua comunidade vivem perto do rio.
Mas com o leito seco, eles não conseguem mais navegar, fazendo com que fiquem isolados de cidades e vilas próximas.
Todos os dias, ao amanhecer, eles agora devem andar até a cidade mais próxima para encher galões de água.
Aqui, botos podem ser vistos saindo do rio e araras-azuis voando.
No caminho para buscar água, João e seus companheiros de vilarejo
levam galões nas costas, queimam os pés no leito seco do rio e
ocasionalmente passam por animais mortos, como tartarugas.
Eles fazem essa jornada várias vezes ao dia em um calor escaldante.
“É a pior seca que já vi na minha vida”, diz João. “Trouxe muitas
consequências… a ausência de comida na mesa dos ribeirinhos é uma delas.
Os peixes acabaram.”
“Uma das maiores dificuldades é o acesso à cidade. Agora, o rio está
seco. Tem idosos, pessoas com doenças crônicas que precisam fazer esse
trajeto.”
Legenda da foto,O acesso à água e à comida ficou mais difícil com a seca
Sandra Gomes Vieira, que tem uma doença renal, está entre os isolados.
“Antes, era mais fácil quando eu estava me sentindo mal. Meu marido
me colocava em uma canoa que chegava na cidade. Agora, preciso andar na
areia para chegar lá. Tem dias que não consigo fazer nada, preciso de
pessoas para me carregar”, diz ela.
Uma de suas três filhas teve que abandonar a escola.
“Ela não está estudando porque não conseguiu andar naquela areia no calor. Ela se sentiu mal.”
A seca também está dificultando a subsistência.
“Vivemos de vender os produtos que cultivamos. Agora, meus produtos
estão estragando. E não há como levá-los para a cidade”, diz Sandra.
O impacto desses incêndios e da seca na vida das pessoas no Amazonas é claro, mas a mensagem deles também é.
“Tem gente que nem liga para esse tipo de coisa”, diz Raimundinha
Rodrigues de Sousa, que luta contra os incêndios todos os dias.
“Eles estão simplesmente fazendo isso sem pensar no amanhã. Mas para você viver na natureza, você deve cuidar dela.”
A Trina Solar deu um novo toque à sustentabilidade da indústria
fotovoltaica com o primeiro painel solar de silício totalmente reciclado
do mundo, demonstrando que é possível reutilizá-los sem comprometer a
sua eficiência. Como contexto, os painéis solares duram
duas ou três décadas antes de se degradarem significativamente. O
problema então é que eles não podem ser completamente reciclados ou
então é muito caro essa restauração.
A novidade
A fabricante chinesa Trina Solar criou o primeiro painel fotovoltaico de silício cristalino totalmente reciclado.
O segredo está nas 37 tecnologias de reciclagem patenteadas por seus
pesquisadores, que permitem separar e reaproveitar silício, alumínio,
vidro e também prata de módulos descartados para montar um novo painel
funcional e igualmente eficiente.
China acaba de resolver maior problema dos painéis solares de silício criando um 100% reciclado(Imagem: Trina Solar/Reprodução)
As técnicas incluem agentes desmoldantes desenvolvidos internamente,
tecnologias de ataque químico para dissolver materiais indesejados e
métodos de extração de prata, um dos materiais problemáticos, por meio
de tratamentos úmidos. Os pesquisadores conseguiram reutilizar todos os
componentes valiosos de painéis solares fora de uso, um novo marco de
sustentabilidade para a indústria.
O painel solar 100% reciclado da Trina Solar é do tipo-n com células
TOPcon (Tunnel Oxide Passivated Contact), uma das tecnologias mais
promissoras em painéis de silício. Apesar da peculiaridade de sua
construção, possui potência superior a 645 watts e eficiência de
conversão de 20,7%, não muito longe dos painéis solares de fabricação
tradicional, mas ainda abaixo dos 25% alcançados pelos painéis TOPCon
recém-saídos de fábrica ou dos 27% das células de perovskita.Recicle e comece de novo
Com esses dados, a Trina Solar demonstrou que é possível reutilizar
os materiais mais valiosos de painéis solares descartados sem
comprometer a eficiência e a potência do novo painel. É uma conquista
importante considerando que muitos países exigem que 80% dos materiais
dos painéis solares sejam reciclados. É também um primeiro passo para um
mundo em que não tenhamos de extrair mais metais para fazer painéis
solares quando os que temos se degradam.
Dr. José Roberto Colombo Júnior – Hospital Israelita Albert Einstein
Especialista explica como pequenas mudanças de hábito podem prevenir complicações graves no trato urinário
Você sabia que uma simples ida ao banheiro na hora certa pode
prevenir infecções urinárias e até complicações mais graves? Isso mesmo.
Tratados por muita gente como um desconforto temporário, estes
processos infecciosos podem evoluir rapidamente para problemas sérios,
como infecções renais ou até mesmo sepse (respostas inflamatórias que
atinge os órgãos), se não receberem o tratamento adequado. A Sociedade
Brasileira de Urologia estima que cerca de 2 milhões de brasileiros
enfrentam essa condição anualmente, tornando-a a segunda infecção
bacteriana mais comum no país.
Urologista e especialista em cirurgia robótica urológica do Hospital
Israelita Albert Einstein, dr. José Roberto Colombo Júnior alerta que
fatores como segurar o xixi por muito tempo, constipação intestinal e
ter relações sexuais sem cuidados e higiene adequados podem predispor o
organismo à infecção.
E a maior vítima da doença são as mulheres, especialmente em razão da
anatomia feminina, que facilita a entrada de bactérias. Com a uretra
curta e abertura próxima ao ânus, uma possível contaminação pode ocorrer
com maior facilidade.
Por isso, sempre após uma relação sexual, por exemplo, o indicado
pelo especialista é sempre urinar, porque embora a urina em si seja
estéril, o jato de xixi, ao passar sob pressão pela uretra, empurra para
fora as bactérias ajudando a prevenir a infecção.
“A prevenção é mais simples do que parece: urinar após relações
sexuais, manter a higiene pessoal adequada e tratar condições
associadas, como cálculos renais ou problemas prostáticos, são atitudes
essenciais para evitar complicações”, explica o médico.
Outros fatores que podem facilitar a infecção urinária são o diabetes
descontrolado e as alterações anatômicas no trato urinário, reforça
Colombo Júnior.
Nos homens, a incidência da doença é mais comum na infância e após os 60 anos.
“Na infância, devido à presença de fimose e alterações funcionais
tais como refluxo vesicoureteral. Na fase mais tardia da vida, devido a
hiperplasia prostática e distúrbios miccionais. A prevenção na infância
acontece com a higiene adequada e resolução dos problemas funcionais, já
nos adultos, o tratamento adequado da próstata aumentada (HPB), para
evitar os resíduos miccionais elevados”, aponta.
Sintomas e complicações
Apesar de parecer inofensiva no início, com sintomas como ardência ao
urinar (disúria) e aumento da frequência urinária (polaciúria), a
infecção urinária, se negligenciada, pode evoluir para formas graves.
“Uma ITU não complicada, como a cistite, geralmente não representa
risco de vida se tratada corretamente. No entanto, se a infecção se
espalhar para os rins (pielonefrite) ou para a corrente sanguínea
(sepse), pode causar complicações sérias e potencialmente fatais”,
observa o urologista.
Colombo Júnior pontua que a infecção é considerada grave “quando é
acompanhada por um quadro febril, apresenta alterações obstrutivas da
via urinária, como cálculo urinário, estenose da junção ureteropiélica, e
quando o paciente apresenta queda no seu estado geral, como cansaço,
indisposição, náuseas e vômitos”.
Outro sintoma comum é a presença de sangue na urina (hematúria).
O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais de urina e
sangue e exames de imagem. E o tratamento engloba a utilização de
antibióticos para os fatores causais, quando estiverem presentes.
Colombo Júnior alerta ainda para a infecção urinária de repetição ou recorrente, que é prevalente em mulheres.
“Neste caso, a paciente deve apresentar mais de duas infecções sem
febre no semestre ou três ocorrências por ano, mas sempre após uma
infecção urinária febril”, explica Colombo Júnior.
Com o tratamento adequado e mudanças no estilo de vida, contudo, o
médico afirma que é plenamente possível reduzir significativamente a
frequência da infecção e melhorar a qualidade de vida. Por isso, a
importância em apostar em métodos preventivos e procurar a ajuda de
urologista sempre que haja suspeita da doença.
Sobre o Dr. José Roberto Colombo Júnior
Médico urologista e especialista em cirurgia robótica urológica do
Hospital Israelita Albert Einstein. Coordenador Executivo da
Pós-Graduação em Cirurgia Robótica do Hospital Israelita Albert
Einstein. Formado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Possui
doutorado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) São Paulo.
Aprimoramento (Fellowship) em cirurgia minimamente invasiva na Cleveland
Clinic, Cleveland, EUA. Atendimento: * 11 97090-5300 WhatsApp * 11
2151- 4116
Na Idade Média, não havia escovas de dente, perfumes, desodorantes e
muito menos papel higiênico. Excremento humano era jogado das janelas do
palácio.
Num dia de festa, a cozinha do palácio podia preparar um banquete para 1500 pessoas, sem a mínima higiene.
Nos filmes de hoje, vemos pessoas daquela época se sacudindo ou se abanando.
A explicação não está no calor, mas no mau cheiro que exalavam sob as
saias (feitas de propósito para conter o cheiro das partes íntimas, já
que não havia higiene). Também não era costume tomar banho devido ao
frio e à quase inexistência de água corrente.
Só os nobres tinham lacaios para abaná-los, dissipar o mau cheiro que o corpo e a boca exalavam, além de afugentar os insetos.
Quem esteve em Versalhes admirou os imensos e belos jardins que,
naquela época, não eram apenas contemplados, mas serviam de banheiro nas
famosas baladas promovidas pela monarquia, por não haver banheiros.
Na Idade Média, a maioria dos casamentos acontecia em junho (para
eles, o início do verão). O motivo é simples: o primeiro banho do ano
era tomado em maio; então, em junho, o cheiro das pessoas ainda era
tolerável. Porém, como alguns cheiros já começavam a incomodar, as
noivas carregavam buquês de flores perto do corpo para disfarçar o
fedor. Daí a explicação da origem do buquê de noiva.
Os banhos eram feitos em uma única banheira enorme cheia de água
quente. O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho em água
limpa. Então, sem trocar a água, os demais chegaram à casa, por ordem de
idade, mulheres, também por idade e, por fim, filhos. Os bebês eram os
últimos a se banhar.
As vigas de madeira, que sustentavam os telhados das casa, eram o
melhor lugar para os animais, cachorros, gatos, ratos e besouros, se
aquecerem. Quando chovia, as goteiras obrigavam os animais a pularem no
chão.
Quem tinha dinheiro tinha chapas de lata. Certos tipos de alimentos
oxidam o material, fazendo com que muitas pessoas morram de
envenenamento. Os hábitos de higiene da época eram terríveis. Os
tomates, por serem ácidos, foram considerados venenosos por muito tempo,
as xícaras de lata eram usadas para beber cerveja ou uísque; essa
combinação às vezes deixava o indivíduo “no chão” (numa espécie de
narcolepsia induzida pela mistura de bebida alcoólica com óxido de
estanho).
Alguém andando na rua pensaria que ele estava morto, então eles
recolhiam o corpo e se preparavam para o funeral. Em seguida, o corpo
era colocado na mesa da cozinha por alguns dias e a família observava,
comia, bebia e esperava para ver se o morto acordava ou não.
A Inglaterra é um país pequeno, onde nem sempre havia um lugar para
enterrar todos os mortos. Os caixões foram então abertos, os ossos
removidos, colocados em ossários e a tumba foi usada para outro cadáver.
Às vezes, ao abrir os caixões, percebia-se que havia arranhões nas
tampas internas, indicando que o morto havia, de fato, sido enterrado
vivo.
Assim, ao fechar o caixão, surgiu a ideia de amarrar uma alça do
pulso do falecido, passando-a por um orifício feito no caixão e
amarrando-a a uma campainha. Após o enterro, alguém foi deixado de
plantão ao lado do túmulo por alguns dias. Se o indivíduo acordasse, o
movimento de seu braço faria soar a campainha. E seria “salvo pelo
gongo”, que é uma expressão popular que usamos até hoje.
O LinkedIN se tornou um verdadeiro universo de oportunidades, onde
profissionais e empresas se conectam, compartilham conhecimento e
constroem novas relações. Agora, com a ajuda da inteligência artificial,
filtros personalizados e uma comunidade cada vez mais engajada, o
LinkedIn está revolucionando a forma como as pessoas trabalham e se
desenvolvem.
Foto: Pexels
A reinvenção dos filtros, o uso de IA e a estratégia de receber
artistas tem aumentado o público, principalmente jovem, na plataforma
O Linkedin vem se estabelecendo como a rede social profissional mais acessada do mundo.
Hoje, são mais de 850 milhões de usuários e 100 mil novas contas criadas por dia.
E quando olhamos para as oportunidades, o Brasil está bem posicionado também.
O mercado brasileiro é o terceiro maior, com 75 milhões de usuários, atrás apenas de Estados Unidos e Índia.
Por isso, engana-se quem acredita que o novo cenário econômico afaste
os usuários da plataforma. De acordo com um estudo divulgado pelo
próprio LinkedIn, os empresários nacionais estão mais otimistas com as
contratações por meio de recursos digitais, desde o final da pandemia do
Covid-19.
Filtros mais avançados
Uma das grandes vantagens é que a rede social permite conexões
mundiais, favorecendo as contratações de especialistas em qualquer lugar
do planeta.
Os recursos para estas buscas, tanto por profissionais como pelas
empresas, têm ficado mais sofisticados também. É possível dizer que tipo
de experiência seria desejável ter e quanto tempo de comprovação
profissional, sem falar nas línguas, certificados e títulos.
Ao olhar para o cenário de contratação, outros avanços vêm ganhando
espaço na plataforma. A incorporação da IA, por exemplo, já é uma
realidade. Os estudos, divulgados pelo próprio Linkedin, apontam que 6
em cada 10 usuários estão otimistas referente à inclusão da tecnologia
nos cenários de contratação e cerca de 57% acredita que as contratações
ficarão mais ágeis.
Perfil interdisciplinar
Ainda no cenário de contratações, os perfis multitasking, tendências
do mercado há anos, também têm sido bem recebidos nas triagens.
Para os próximos cinco anos, os recrutadores acreditam que as
habilidades interpessoais estarão entre as mais valorizadas, de acordo
com estudos do próprio Linkedin. Uma boa capacidade de comunicação (77%
dos entrevistados), criação de relacionamentos (72%) e capacidade de
adaptação (67%) aparecem no topo da lista de requisitos a serem
atendidos.
Interações e conteúdo
E não só de busca de empregos vivem os usuários. A plataforma se
transformou em um hub de conteúdo, promovendo networking, treinamentos e
oportunidades de negócio estão entre os principais usos em crescimento.
Diferentes das outras redes sociais, o Linkedin não está preocupado
em promover o caráter social atrelado às amizades, mas sim a discussão
de tendências e comportamento do mercado, oportunizando um debate sobre
temas relevantes.
Empresas têm a chance de promover causas, lançar novidades, formar
promotores colaboradores e parceiros que ajudem a engajar o público com a
marca. Profissionais podem mostrar suas especialidades, seus temas de
interesse e também utilizar como uma ferramenta de marketing estratégico
e digital garantindo mais visibilidade.
Por que importa?
O Linkedin vem sabendo surfar a onda das tendências do público e do
mercado. Não à toa a geração Z é a que mais cresce em uso, pelo menos no
Brasil, com 40% dos usuários cadastrados, a frente até dos Estados
Unidos, que contam com 20% do público nesta faixa etária.
Os conteúdos informativos também têm crescido. Há marcas estudando
estratégias de envio de mensagens, utilizando chatbots também para
disponibilizar o conteúdo, além do próprio feed. E não são só as grandes
empresas que vêm se posicionando. Astros da cultura pop, cineastas,
atores renomados, e influencers têm criado seu perfil para mostrar o seu
trabalho e também defender bandeiras e parcerias estratégicas para
remover os seus negócios.
Leitura recomendada
Se o futuro é humano e tecnológico, o seu maior desafio como profissional de RH
é entender e dominar toda a tecnologia disponível para desenvolver as
pessoas. Ponto, Salário, Férias, Entrevistas… tudo isso era feito nos
anos 50. E agora: qual o próximo capítulo do RH?
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encontrarem as informações que procuram e a entenderem os produtos e
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O parlamentar, no passado, foi um
dos defensores do sistema de financiamento público, aprovado em 2017
pelo Congresso, após o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir doações
empresariais.
Por Redação – de Brasília
Líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP)
mudou de opinião quanto ao financiamento público das campanhas
eleitorais. A decisão de usar exclusivamente verbas públicas para
financiar candidaturas mostrou-se “um erro”, segundo Rodrigues, e intensificou o uso do chamado ‘caixa dois’ com recursos privado.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) é o líder do Governo, no Congresso
— O modelo de financiamento que instituímos com o intuito de
moralizar o processo eleitoral acabou desmoralizando ainda mais o
sistema. Escancarou as portas para o caixa dois — disse o senador ao
diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP), nesta sexta-feira.
O parlamentar, no passado, foi um dos defensores do sistema de
financiamento público, aprovado em 2017 pelo Congresso, após o Supremo
Tribunal Federal (STF) proibir doações empresariais. Agora, passou a
propor a criação de um modelo misto, ou semipúblico, que permita doações
de empresas, mas com limitações para evitar o desequilíbrio econômico
nas disputas eleitorais.
— Temos que rediscutir essa questão e instituir um modelo
semipúblico, com travas para o financiamento privado — acrescentou o
parlamentar.
Transparência
O modelo proposto como substituto do atual, diz Rodrigues, reduziria
drasticamente o fundo eleitoral que, neste ano, bateu a cifra de R$ 4,96
bilhões, para cerca de R$ 1 bilhão.
— O peso sobre o Orçamento é enorme hoje. Se reduzirmos o fundo
eleitoral para R$ 1 bilhão, veja quantas coisas poderíamos fazer —
calcula.
De acordo com o senador, o modelo atual encarece as campanhas e
aumenta a opacidade das contribuições privadas, que acabam correndo
paralelamente ao fundo público, sem o devido controle das autoridades.
Rodrigues sugeriu, ainda, que o novo sistema daria mais transparência às
doações empresariais, trazendo-as de volta ao cenário eleitoral com
regulamentações mais rígidas.
Dinheiro
Randolfe reconheceu que sua proposta deverá enfrentar resistências,
tanto dentro do governo quanto no próprio PT, partido ao qual ele se
filiou recentemente.
— Sei que meu partido tem aversão a esse assunto, mas é necessário
debater. Alguns parlamentares são favoráveis a uma mudança no modelo,
então podemos discutir esse assunto depois das eleições — pontuou.
As doações empresariais foram proibidas em 2015, durante a ‘Operação Lava Jato’,
após investigações revelarem que grandes contribuições a partidos e
candidatos estavam frequentemente vinculadas a interesses em contratos
públicos. O fundo eleitoral foi instituído no ano seguinte como uma
tentativa de reduzir a influência do dinheiro privado nas eleições, mas,
segundo o líder do Governo, o objetivo foi frustrado.
Observação: O dinheiro privado para as campanhas é controlado ou
quase proibido, mas, o dinheiro público pode ser usado à vontade sem
controle algum.
O primeiro turno das eleições de 2024 será neste domingo, 6. No
Brasil, o voto é obrigatório, mas para maiores de 70 anos e menores de
18 é facultativo. Mas quem fizer 70 anos no ano da eleição ainda é
obrigado a votar?
Segundo o artigo 14 da Constituição Federal, o voto se torna
facultativo para os maiores de 70 anos. Então, a partir do aniversário, o
eleitor não é mais obrigado a votar. Caso complete a idade depois do
pleito, é necessário votar ainda.
Quando o voto passa a ser facultativo, justificar a ausência não é
obrigatório. O eleitor também não terá o título cancelado se faltar a
três votações, como ocorre com aqueles que são obrigados a votar.
Analfabetos também não são obrigados a votar.
TSE estimula o voto dos mais velhos
Em uma sessão do Supremo Tribunal Eleitoral (TSE), em 12 de setembro,
a presidente da corte, Cármen Lúcia, pediu que os maiores de 70 anos
não deixem de votar, mesmo sem ter mais a obrigatoriedade
constitucional. “Facultatividade não é descompromisso”, afirmou. Segundo
a ministra, sua geração viveu períodos de “não democracia”, em
referência à ditadura militar, e por isso deve lutar para preservar as
conquistas democráticas.
Observação: a nossa Democracia é uma Democracia Eleitoral, o eleitor
participa da votação e… não apita mais nada depois das eleições. Temos
vistos manifestações populares pedindo Impeachment e reivindicando
alguma coisa e não são atendidos pelo sistema fechado de Brasília onde a
voz do povo não significa nada.
BRASÍLIA (Reuters) – Um carro do Gabinete de Segurança Institucional
da Presidência (GSI) foi roubado nesta sexta-feira, em São Bernardo do
Campo, na Grande São Paulo, enquanto equipes de segurança da Presidência
faziam a vistoria na escola onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
votará nas eleições municipais, no domingo.
Em nota, o GSI confirmou o roubo e destacou que não foram levados armas dos agentes.
O boletim de ocorrência feito pelos agentes na 3ª Delegacia de São
Bernardo do Campo mostra que foram levados uma maleta com pins usados
pelos agentes para identificar pessoas com acesso aos locais onde o
presidente passará e um colete à prova de balas usados pelos agentes.
Entre os pertences pessoais dos agentes, que estavam no carro, também
foi levado um crachá de acesso ao Palácio do Planalto e a carteira
funcional da Marinha de um dos militares, além de computadores,
celulares e roupas.
De acordo com o boletim de ocorrência, a motorista estava sozinha no
carro em frente à escola, enquanto os agentes ainda estavam no local, e
foi rendida por dois homens armados.
Segundo o Palácio do Planalto, a equipe de Presidência que faz o
reconhecimento do local de votação do presidente, assim como a equipe de
comunicação presidencial, esteve na escola para verificar a situação de
segurança e também de organização para o dia da votação, no domingo.
Quando o roubo aconteceu, a maior parte das equipes já tinha ido
embora, ficando no local apenas um dos carros e um grupo pequeno de
seguranças. A motorista, que presta serviço para a Presidência, estava
sozinha no carro esperando os agentes quando foi rendida.