terça-feira, 1 de outubro de 2024

INCURSÃO TERRESTRE DE ISRAEL NO LÍBANO

BBC News Brasil

Vários edifícios foram destruídos no ataque aéreo israelense que matou o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah

Vários edifícios foram destruídos no ataque aéreo israelense que matou o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah© EPA

Israel e o Hezbollah parecem estar caminhando para uma guerra total que pode se espalhar por toda a região, após uma semana de escalada significativa no conflito de longa duração.

Após vários dias de ataques aéreos contra Beirute e o sul do Líbano, Israel anunciou que seu Exército havia iniciado “incursões terrestres limitadas, localizadas e direcionadas” contra o Hezbollah.

Na sexta-feira (27/9), Israel desferiu um golpe devastador contra o grupo islâmico xiita ao matar seu líderHassan Nasrallah, em um ataque aéreo de grandes proporções nos subúrbios ao sul de Beirute.

Israel partiu para a ofensiva após quase um ano de trocas de hostilidades na fronteira, desencadeadas pela guerra em Gaza, dizendo que quer garantir o retorno seguro dos moradores das áreas de fronteira que foram desalojados pelos ataques do Hezbollah.

Embora o Hezbollah tenha sido enfraquecido, ele não foi derrotado. O grupo continua a disparar foguetes no norte de Israel — e ainda acredita-se que possua um enorme arsenal incluindo mísseis de longo alcance.

A seguir, está um breve guia para ajudar a entender os vários acontecimentos dos últimos dias.

A operação terrestre de Israel no sul do Líbano

Em uma declaração publicada pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) às 2h da manhã (horário local) desta terça-feira (1/10), Israel confirmou o que já era amplamente esperado — que estava lançando uma incursão terrestre pela fronteira no Líbano.

As FDI afirmaram que os alvos previstos estão “localizados em vilarejos perto da fronteira e representam uma ameaça imediata às comunidades israelenses no norte de Israel”.

Os três possíveis cenários da incursão de Israel no Líbano – todos com “consequências estratégicas diferentes”

“A Força Aérea Israelense e a artilharia das FDI estão apoiando as forças terrestres com ataques precisos contra alvos militares na área”, acrescentou.

O anúncio foi precedido por tanques israelenses sendo avistados perto da fronteira e pela mobilização de reservistas.

Uma autoridade de segurança de alto escalão disse à BBC, na manhã desta terça-feira, que as forças terrestres israelenses que entraram no Líbano permanecem “a uma distância muito próxima” da fronteira, e até agora não houve “nenhum confronto”.

“Não posso dar números, mas posso dizer que não se trata de uma grande invasão terrestre”, afirmou a autoridade, descrevendo a incursão como “limitada”, diferentemente das operações israelenses em Gaza.

Em entrevista ao programa de rádio Today, da BBC, o tenente-coronel Peter Lerner, porta-voz das FDI, afirmou que o Hezbollah tem “bases de operação avançadas” no sul do Líbano, previstas para serem usadas em “ataques semelhantes aos de 7 de outubro”.

Segundo ele, é por isso que os militares israelenses se mobilizaram durante a noite, “a fim de desmantelar essas infraestruturas”.

“Não há nenhum plano para ocupar [o Líbano], o plano é desmantelar a infraestrutura que o Hezbollah criou para matar israelenses”, acrescentou Lerner.

O primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, afirmou que seu país está enfrentando “uma das fases mais perigosas” da sua história.

A declaração foi feita durante uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), horas após as tropas israelenses entrarem no sul do Líbano.

Diz-se que o chefe do Comando Norte do Exército israelense é favorável à criação de uma zona tampão (região considerada neutra, entre dois Estados em conflito) no sul do Líbano, para afastar os combatentes e a infraestrutura do Hezbollah da fronteira — e permitir que Israel leve de volta 60 mil civis, desalojados há quase um ano, às suas casas no norte do país.

A imprensa dos EUA noticiou anteriormente que pequenas equipes de comandos israelenses já estavam realizando breves incursões pela fronteira.

Incursão no Líbano acontece após uma série de ataques contra o Hezbollah

Israel infligiu danos enormes ao Hezbollah nas últimas semanas, matando mais de uma dúzia de comandantes de alto escalão e destruindo aparentemente milhares de armas em ataques aéreos.

O país também foi responsabilizado pelas explosões de pagers walkie-talkies que deixaram milhares de membros do Hezbollah mutilados, cegos ou mortos. No entanto, o editor de internacional da BBC, Jeremy Bowen, diz que a morte de Hassan Nasrallah é o maior golpe de todos.

Por mais de 30 anos, ele foi o coração pulsante do Hezbollah. Com a ajuda de financiamento, treinamento e armas do Irã, ele transformou o grupo em uma força militar cujos ataques levaram Israel a encerrar uma ocupação de 22 anos no sul do Líbano em 2000 — e que lutou contra Israel até o fim durante uma guerra de um mês em 2006.

Para Israel, a morte de Nasrallah é uma grande vitória. Em um discurso desafiador na ONU na sexta-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel estava “vencendo” a guerra contra inimigos que queriam destruí-lo. Naquele momento, ele já havia autorizado o ataque que matou Nasrallah.

Tanques israelenses estão se concentrando perto da fronteira com o Líbano

Tanques israelenses estão se concentrando perto da fronteira com o Líbano© EPA

Líbano diz que há centenas de mortos e até um milhão de desalojados

O Ministério da Saúde libanês informou no sábado (28/9) que os ataques israelenses mataram mais de mil pessoas nas duas últimas semanas, incluindo 87 crianças e 56 mulheres.

Não houve trégua no bombardeio israelense no domingo, e outras 100 pessoas foram mortas. O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, alertou que até um milhão de pessoas — um quinto da população — podem ter sido forçadas a deixar suas casas fugindo dos bombardeios de Israel.

As autoridades estão se esforçando para atender a todos, com abrigos e hospitais sobrecarregados.

Israel diz que está atacando bases do Hezbollah, incluindo depósitos de armas e munições, e acusa o grupo de usar civis como escudos humanos. Mais de 500 pessoas foram mortas nos ataques de Israel incluindo 50 crianças, segundo autoridades libanesas.

Mas a correspondente internacional da BBC, Orla Guerin, afirma que isso é contestado pelos moradores do Vale do Bekaa, um reduto do Hezbollah que foi bombardeado repetidamente na semana passada.

O diretor médico do Hospital Rayak, na região, também disse a ela que todas as vítimas que ele atendeu eram civis.

O primeiro-ministro do Líbano disse que estava assistindo ao maior desalojamento da história do país

O primeiro-ministro do Líbano disse que estava assistindo ao maior desalojamento da história do país© Reuters

Esforços para apaziguar o conflito fracassaram

O presidente dos EUA, Joe Biden, saudou o assassinato de Hassan Nasrallah. No entanto, o correspondente do departamento de Estado da BBC, Tom Bateman, diz que a decisão israelense de intensificar drasticamente o conflito com o Hezbollah foi um golpe potencialmente fatal para toda estratégia dos últimos 11 meses do presidente americano — de tentar impedir que a guerra em Gaza envolvesse a região.

Biden afirmou que está reforçando a postura defensiva dos EUA no Oriente Médio, enquanto o Pentágono alertou as milícias apoiadas pelo Irã para não tentarem usar esse momento para atacar bases americanas.

Apesar das tentativas anteriores dos EUA de conter o líder israelense e convencer o Hezbollah a fazer uma trégua, o primeiro-ministro, Netanyahu, deu fortes sinais de que vai agir como achar melhor, independentemente da pressão de Washington.

Hezbollah e Irã estão pensando em como responder

Em discurso na segunda-feira, o vice-líder do Hezbollah, Naim Qassam, descreveu seus atuais ataques com foguetes, drones e mísseis contra Israel como “o mínimo necessário” — e disse que “sairia vitorioso” após uma ofensiva terrestre israelense.

O grupo ainda possui milhares de combatentes, muitos deles veteranos de combate na guerra civil da vizinha Síria, assim como um arsenal significativo de mísseis, muitos deles mísseis de longo alcance e guiados com precisão, que poderiam atingir Tel Aviv e outras cidades.

O correspondente de segurança da BBC, Frank Gardner, diz que vai haver pressão dentro da hierarquia do grupo para usar esses mísseis antes que sejam destruídos, mas que um ataque em massa contra Israel que mate civis pode desencadear uma resposta devastadora.

O assassinato de Nasrallah também foi um grande golpe para o Irã, atingindo o coração da sua rede regional de milícias aliadas fortemente armadas, conhecida como “Eixo da Resistência“, que é essencial para sua estratégia de dissuasão contra Israel.

No domingo, caças israelenses atingiram infraestruturas na cidade portuária de Hudaydah, no Iêmen, no Mar Vermelho, em resposta aos recentes ataques de mísseis e drones do movimento houthi, apoiado pelo Irã.

O Irã poderia pedir aos houthis e outros grupos para intensificar seus ataques às bases israelenses e americanas na região. Mas, seja qual for a resposta escolhida, o Irã provavelmente a calibraria de modo a não desencadear uma guerra regional que atrairia os EUA — e que ele não poderia vencer.

 

O STF "RECIVILIZADOR" DE BARROSO COMPLETA UM ANO DE ANULAÇÕES DA LAVA JATO

 

História de Redação – Jornal Estadão

No “Estadão Analisa” desta terça-feira, 01, Carlos Andreazza fala sobre a decisão do governo de proibir as ‘bets’ que não tinham autorização para funcionar. Plataformas de apostas online que não pediram autorização à Fazenda para operar no País serão retiradas do ar no dia 11 de outubro pela Anatel.

O ministro Haddad afirmou que a Anatel vai tirar do ar de 500 a 600 sites de apostas nos próximos dias. Segundo ministro, pessoas com dinheiro depositado em sites que serão banidos devem pedir restituição de valores, que podem ser perdidos após bloqueio. “A Anatel vai bloquear do espaço brasileiro o acesso a esses sites”, disse o ministro, durante entrevista à rádio CBN. “Não é a administração da Fazenda (que faz esse bloqueio), mas nós estamos oficiando a Anatel”, complementou Haddad. Segundo ele, a situação é semelhante ao bloqueio do X no País, feito pela Anatel após ordem da Justiça.

Andreazza também comenta a atuação no ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso como presidente da corte. Barroso nos informa que a missão do Supremo é ‘recivilizar’ o País. Entretanto, completa também um ano de anulações da Lava Jato, onde se tenta apagar um histórico de corrupção que houve dentro da Petrobras ao longo dos governos petistas.

Por último, o colunista comenta a indignação do ministro do STF, Flávio Dino, com a continuidade do orçamento secreto dentro do Congresso. Ministro subiu o tom, criticou tanto legislativo como executivo, e marcou uma nova audiência pública. Ministro diz que ‘cumprir o devido processo orçamentário, consagrado constitucionalmente, não é uma escolha política ou administrativa, e sim um dever fundamental imposto aos três Poderes da República’.

ANULAÇÃO DE ACORDOS DA LAVA JATO PELO STF REVELA CALAMIDADE MORAL NO BRASIL

 

Fonte: Agência Senado

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou, em pronunciamento nesta terça-feira (17), decisão do juiz Guilherme Roman Borges, da 13ª vara Federal de Curitiba, que anulou acordos de colaboração premiada e de não persecução penal de Jorge Luiz Brusa, no valor de R$ 25 milhões. Brusa foi um dos envolvidos na Operação Lava Jato, acusado de lavagem de dinheiro com base em provas materiais e testemunhais.

— A Lava Jato teve início em 2014 e, em quase 7 anos, com 79 fases, conseguiu promover 195 denúncias, 244 ações penais, 1.921 mandados de busca e apreensão, 560 prisões e 981 condenações de políticos corruptos, poderosos e de empresários também corruptores e corruptos. Foram 278 acordos de colaboração premiada e de leniência, em que obteve o compromisso para a devolução de R$ 22 bilhões, dinheiro roubado, em parcelas, durante 20 anos, devolvendo para o Brasil. Relatórios oficiais do próprio TCU [Tribunal de Constas da União] apontam que os prejuízos causados chegaram a R$ 29 bilhões aos cofres públicos — observou.

Girão também destacou a anulação de outros processos, como os de Glauco Legatti, ex-dirigente da Petrobras, e Djalma Rodrigues, ex-diretor da Petroquisa, e alertou para a existência de outras 26 petições semelhantes no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o senador, esse “efeito cascata” teve origem em uma decisão do ministro Dias Toffoli, que, em setembro de 2023, invalidou os acordos de leniência da Odebrecht e classificou a prisão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como “um dos maiores erros judiciários da história”.

Para Girão, essas decisões revelam uma “calamidade moral” no Brasil, agravada pela “apologia à corrupção e impunidade” que, em sua visão, é promovida pelo STF. O senador também relembrou o caso de Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, que devolveu sozinho R$ 500 milhões aos cofres públicos.

— Agora a gente vai ter que devolver para ele o dinheiro roubado? É surreal o que a gente está vendo no Brasil: a inversão de valores. O esquema foi tão pesado que obrigou uma das maiores empresas brasileiras, a Odebrecht, a criar um departamento específico apenas para administrar o pagamento de propinas. Todos os usuários eram identificados por codinomes. Olha que vergonha! Nada pode ser mais degradante para um país do que a institucionalização da corrupção como mecanismo natural de gestão dos recursos públicos — disse.

O senador também voltou a cobrar do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a abertura do pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

— Temos um pedido de impeachment que está na Mesa do Senado, um superpedido, com 157 deputados Federais assinando, mais de 1,5 milhão de brasileiros, com uma série de dados elencados, de desrespeito à Constituição, de violação dos direitos humanos. O mundo todo está vendo que o Brasil está desrespeitando, e precisamos efetivar o impeachment – pelo menos analisar — concluiu.

Fonte: Agência Senado

A EUROPA NÃO CONSEGUE AUMENTAR A SUA PRODUTIVIDADE E ISSO AFETA O BEM-ESTAR E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

História de The Washington Post – Jornal Estadão

O que aflige a Europa? O Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia por pessoa no ano passado correspondeu a apenas 73% do PIB por pessoa dos Estados Unidos, levando em conta as diferenças no poder aquisitivo. Em termos reais, esse número é inferior aos 77% registrados em 2008, às vésperas da crise financeira global.

Bruxelas está preocupada. No início deste mês, Mario Draghi, ex-primeiro-ministro da Itália e presidente do Banco Central Europeu, apresentou um diagnóstico do fraco desempenho da Europa. Sem um aumento na produtividade, advertiu ele, a Europa não conseguirá manter seu generoso modelo de bem-estar social, combater as mudanças climáticas e preservar sua independência no cenário mundial: “Esse é um desafio existencial”.

Para os Estados Unidos, também é fundamental que a Europa tenha sucesso. A UE continua sendo um aliado inigualável dos Estados Unidos, indispensável para enfrentar uma série de novos desafios, como o aquecimento global e a crescente rivalidade geopolítica entre a China e os Estados Unidos, que poderia mais uma vez fragmentar o mundo em blocos rivais.

E, no entanto, a arquitetura institucional da UE — a governança complicada, compartilhada com os estados-membros que detêm o poder de veto, a colcha de retalhos de decisões e regras muitas vezes descoordenadas — provavelmente atrapalhará o esforço maciço exigido pelo relatório Draghi.

União Europeia tem diversos desafios à frente, e poder dos membros complica a situação (na foto, manifestante pede a volta do Reino Unido à União Europeia, em 28 de setembro de 2024) Foto: Ben Stansall / AFP

União Europeia tem diversos desafios à frente, e poder dos membros complica a situação (na foto, manifestante pede a volta do Reino Unido à União Europeia, em 28 de setembro de 2024) Foto: Ben Stansall / AFP

A principal deficiência do continente é uma desaceleração acentuada no crescimento da produtividade. A produtividade da mão de obra na UE caiu para menos de 80% da produtividade dos Estados Unidos, de cerca de 95% em meados da década de 1990, à medida que o continente ficou ainda mais atrasado em relação à fronteira tecnológica.

De acordo com o relatório Draghi, se não fosse pelo setor de tecnologia, o crescimento da produtividade da Europa nas últimas duas décadas seria bem próximo ao dos Estados Unidos. Porém, na década de 1990, a Europa não conseguiu implantar a internet naquele momento crucial. E seus déficits digitais cresceram desde então.

Há pouquíssimas empresas europeias na vanguarda da inteligência artificial. Nesse estágio, de acordo com o relatório Draghi, não faz sentido para a Europa nem sequer tentar competir na computação em nuvem. A região praticamente não criou empresas tecnologicamente revolucionárias; nenhuma empresa da UE com capitalização de mercado superior a € 100 bilhões (US$ 111,3 bi) foi criada do zero nos últimos 50 anos. Nos Estados Unidos, há seis avaliadas em mais de US$ 1 trilhão. Os três maiores gastadores em pesquisa e desenvolvimento nos Estados Unidos são empresas digitais — Microsoft, Alphabet e Meta. Na União Europeia, as três maiores são fabricantes de automóveis, que, no entanto, não estão conseguindo acompanhar a revolução dos veículos elétricos.

Mais investimentos são extremamente necessários. Em 2021, as empresas da UE gastaram cerca de metade do que as empresas dos EUA em pesquisa e inovação. O relatório de Draghi sugere que o continente precisa de quase 5% do PIB da UE em investimentos adicionais. No entanto, para superar esse déficit, a Europa precisa reconsiderar os principais elementos de sua arquitetura.

Existem obstáculos regulatórios. A adoção do “princípio da precaução” pela Europa — que pode justificar a suspensão de tecnologias para evitar danos plausíveis, porém indeterminados, no futuro — possibilitou uma enxurrada de regulamentações, inibindo o investimento e a inovação. Por exemplo, a limitação do acesso aos dados de saúde prejudicará o desenvolvimento da IA no setor farmacêutico. Os obstáculos aumentam à medida que os governos nacionais acrescentam suas próprias regras à legislação da UE, criando uma complexa colcha de retalhos regulatória.

Mas o maior desafio é que, por mais que tente, a UE ainda não é realmente uma grande coisa, mas uma coleção de outras menores. Isso dificulta o dimensionamento das empresas. Considere o apoio público da UE para pesquisa e desenvolvimento — US$ 108 bilhões em 2021, não muito atrás dos US$ 131 bilhões gastos pelos Estados Unidos. Mais de 90% do dinheiro europeu foi distribuído pelos estados-nação para seus projetos de estimação, dificultando a criação de uma estratégia de investimento em toda a Europa.

Restrições semelhantes ocorrem no mercado de telecomunicações, atendido por um grupo de operadoras nacionais relativamente pequenas, em vez de empresas continentais maiores. Os orçamentos de defesa são nacionais, o que leva a uma série desconcertante de sistemas de armas duplicados, em vez de uma infraestrutura de defesa interoperável em toda a Europa.

De forma crítica, os vários pequenos mercados de capital da UE não têm a escala necessária para levantar o tipo de dinheiro necessário para que as empresas permaneçam na corrida global. Sem instrumentos de financiamento amplos, que provavelmente incluiriam títulos públicos em toda a Europa, a iniciativa de Draghi não sairá do papel.

O relatório de Draghi tem muitas ideias boas — unificar orçamentos, mercados e estratégias; simplificar as regras para incentivar a inovação. Em sua essência, a mensagem é aquela que os europeus já ouviram antes: Para que a Europa prospere, ela deve agir como Europa. Na medida do possível, Washington deve ajudá-la a ter sucesso.

 

DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS IDOSAS E DIA INTERNACIONAL DA TERCEIRA IDADE

 

Karla Neto – Colunista correspondente

 

Nessa terça-feira (01), é celebrado o Dia Internacional das Pessoas Idosas. o Dia Nacional do Idoso e Dia Internacional da Terceira Idade é comemorado em 1º de outubro. Além de homenagear as pessoas idosas, a data também tem como objetivo conscientizar e sensibilizar a sociedade sobre as necessidades desse público.

Na legislação brasileira considera-se idosa aquela pessoa que atingiu 60 anos ou mais de idade. Para comprovar a idade, basta apresentar um documento oficial com foto, como a carteira de identidade ou a carteira nacional de habilitação.

A Organização das Nações Unidas (ONU) comemora a data, em 2022, com o tema “Resiliência de pessoas idosas em um mundo em mudança”. A temática pretende incentivar os países a chamarem a atenção e a desafiarem estereótipos negativos e equívocos sobre pessoas idosas e envelhecimento, e permitir que esses indivíduos realizem seu potencial.

Muitos não têm acesso nem mesmo aos recursos básicos necessários para uma vida com sentido e dignidade. Muitos outros enfrentam múltiplas barreiras que impedem sua plena participação na sociedade.

Atualmente, os idosos representam 14,3% dos brasileiros e, em 2030, o número de idosos deve superar o de crianças e adolescentes de zero a quatorze anos. No Brasil, em 1º de outubro de 2003, foi aprovado o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741), destinado a regular questões familiares, de saúde, discriminação e violência contra o idoso com idade igual ou superior a 60 anos.

O atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população;

A preferência na formulação e na execução de políticas sociais públicas específicas.

A destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção ao idoso.

A viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso com as demais gerações.

Priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do atendimento asilar, exceto dos que não a possuam ou careçam de condições de manutenção da própria sobrevivência;

 Garantia de acesso à rede de serviços de saúde, como o SUS, por exemplo, e de assistências sociais locais;

 Prioridade no recebimento da restituição do Imposto de Renda. 

Uma vida mais longa traz consigo oportunidades, não apenas para os idosos e suas famílias, mas também para a sociedade como um todo. Anos adicionais oferecem a chance de buscar novas atividades, como educação adicional, uma nova carreira ou perseguir um objetivo há muito negligenciado.

As pessoas mais velhas também contribuem de muitas maneiras para suas famílias e comunidades, no entanto, a extensão dessas oportunidades e contribuições depende muito de um fator: saúde.

É CONSTITUCIONAL A PEC QUE PERMITE AO CONGRESSO SUSPENDER DECISÕES DO STF

 

Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Aca demia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

Congresso pode, sim, suspender e até anular decisões do STF

Está em discussão na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda Constitucional nº 28. O que diz a PEC nº  28 e por que ela é constitucional?

Nela, o Congresso Nacional, por dois terços, pode suspender a eficácia de decisões do Supremo Tribunal Federal, não de qualquer decisão, mas daquelas que violarem o artigo 49, inciso XI, da Constituição Federal, segundo o qual cabe ao Poder Legislativo zelar por sua competência normativa perante o Poder Legislativo e o Poder Judiciário.

Ora, o artigo 49 diz que é atribuição exclusiva do Congresso Nacional zelar por sua competência legislativa. É, portanto, do Congresso Nacional, e não do Supremo, a função, de legislar, como já fez, por exemplo, em relação ao marco temporal, às drogas e ao aborto.

              De acordo com a PEC 28, o Congresso Nacional, nas decisões que invadam o seu direito constitucional, poderá, por dois terços de seus membros, suspendê-las pelo período de dois anos, prorrogável uma única vez por mais dois anos, até que se faça uma lei a respeito, sem que prevaleça a lei feita pela Suprema Corte. O STF, por sua vez, só poderá manter sua decisão pelo voto de 4/5 de seus membros.        

              Muitas vezes, os ministros do Supremo alegam legislar naquilo que, segundo eles, o Congresso é omisso, mas isso não é constitucional. O que está na Constituição é que cabe ao Poder Legislativo zelar por sua competência.

              O texto da PEC nº 28 também prevê análise imediata, pelos tribunais, de decisões liminares tomadas individualmente; ou seja, a PEC 28/24 também estabelece a inclusão automática, na pauta dos tribunais, de liminar pedindo que o colegiado analise decisão tomada individualmente, o que  harmonizará as regras constitucionais em jogo.

 Na PEC 28, é dito que o Congresso Nacional suspenderá a lei oriunda do Supremo, para eventualmente votar algo quanto aquela matéria. Se não for aprovado nada no período de dois anos, voltará a prevalecer a lei elaborada pela Suprema Corte, que ao interpretar princípios gerais, se auto-outorga o direito de fazer leis. A meu ver, portanto, a PEC 28 é de absoluta constitucionalidade.

Em primeiro lugar, porque é a explicitação do que está no artigo 49, inciso XI, da Constituição, promulgada em 5 de outubro de 1988. Em segundo lugar, porque não anula, mas suspende até que se faça uma nova lei. Em terceiro lugar, esta suspensão só é possível quando a decisão da Suprema Corte invadir a competência legislativa, que é exclusiva daquelas pessoas que foram eleitas pelo povo, já que o Supremo não é eleito pelo povo, mas escolhido por um homem só, que é o Presidente da República.

Ora, esse esclarecimento faço aos leitores, porque há quem diga que a PEC 28 é inconstitucional. Evidentemente, não o é. É de uma rigorosa constitucionalidade e até me impressiona porque apenas com dois terços do Congresso Nacional — dois terços de 513 deputados, dois terços de 81 senadores — é que eles poderiam suspender a lei elaborada pelo Supremo.

A meu ver, isso até reduz o poder do Congresso Nacional, que, pelo artigo 49, inciso XI, tem um poder absoluto de suspender a qualquer hora que quisesse e até de anular decisões que invadam sua competência legislativa, por parte do Poder Judiciário.

Há outra PEC, a de nº. 50, que é apenas uma reiteração enfática. Ela, que já foi aprovada no Senado, declara que as decisões da Suprema Corte, no que diz respeito à constitucionalidade de leis, só poderão ser proferidas, não monocraticamente, mas por maioria absoluta do colegiado.

É o que já está no artigo 97 da Constituição, embora lá explique apenas que toda matéria de constitucionalidade terá que ser definida por maioria absoluta da Suprema Corte. Entretanto, os ministros têm decidido, muitas vezes, monocraticamente, questões que permanecem, durante anos e anos, à luz daquela única manifestação.

O que Congresso Nacional pretende é que um projeto de emenda constitucional pleonástico determine que o artigo 97 seja aplicado em todas as hipóteses em que se decidir sobre constitucionalidade, que é da competência do Pretório Excelso.

Então, são duas propostas de emenda à Constituição rigorosamente constitucionais, e que, a meu ver, se forem aprovadas agora pela Câmara dos Deputados, nós teremos realmente aquilo que o constituinte de 1988 desejou: que o Poder Legislativo fizesse as leis, que o Poder Executivo só legislasse com autorização do Legislativo, por medidas provisórias e leis delegadas; que o Poder Judiciário fosse o guardião da Constituição, mas jamais legislador positivo, apenas um legislador negativo: aquele que pode dizer se uma lei é constitucional ou inconstitucional, mas que não pode fazer a lei em lugar do Poder Legislativo.

Respeitar-se-ia, portanto, o que o constituinte de 1988 desejou: que os poderes fossem harmônicos e independentes.

Esta é a opinião de um velho constitucionalista de 89 anos e 60 anos de magistério universitário.

TODOS NÓS TRABALHAMOS EM PROL DE UM OBJETIVO COMUM E QUE UMA CORPORAÇÃO ACIMA DE TUDO É UM TIME

 

*Mara Leme Martins

Quando falamos em ambientes corporativos, não devemos apenas levar em consideração qual é a nossa posição dentro da empresa. Todos nós trabalhamos em prol de um objetivo comum, mas, infelizmente, algumas pessoas esquecem que uma corporação é, acima de tudo, um time.

Sendo assim, o individualismo, tanto direto (isto é, uma escolha consciente do colaborador de não se relacionar com seus colegas) quanto indireto (por questões como timidez ou falta de experiência no ramo empresarial), não é uma prática vista com bons olhos. Inclusive, algumas pesquisas recentes corroboram a ideia: segundo a consultoria Robert Half, 89% das empresas procuradas reconhecem que a motivação e a felicidade dos colaboradores estão diretamente ligadas a bons resultados no trabalho.

O levantamento também destacou que a satisfação no trabalho é fortemente influenciada pela atuação dos líderes: 94% dos entrevistados afirmaram que são os gestores a principal força motriz para o bem-estar no ambiente de trabalho. Para que haja bons resultados, no entanto, é necessário que todos os colaboradores cultivem boas relações entre si.

Curiosamente, um levantamento do Zenklub destacou que diferentes setores requerem diferentes abordagens quando o assunto é felicidade e bem-estar no ambiente corporativo. A área de Tecnologia, por exemplo, trouxe uma pontuação de 71,5 (em uma escala de 0 a 100) neste âmbito, enquanto a de Farmácia ficou com a menor, em 60,3.

Uma boa convivência com os colegas de trabalho deixa todos satisfeitos

É inegável que a construção de relações interpessoais positivas no ambiente de trabalho é fundamental para o sucesso e o bem-estar, tanto profissional quanto pessoal. Porém, as dicas abaixo devem ser praticadas sempre, pois relacionamentos sólidos no trabalho requerem esforço e dedicação contínuos.

1. Pratique a comunicação eficaz. A comunicação eficaz vai além de simplesmente falar; envolve ouvir ativamente e entender as perspectivas dos outros. Dessa maneira, é importante também praticar a escuta ativa: preste atenção plena ao interlocutor, evite interrupções e responda de maneira reflexiva apenas quando solicitado.

2. Cultive a empatia. Compreender as situações sob a perspectiva dos colegas e demonstrar interesse genuíno por suas experiências são atitudes que reforçam os laços e promovem um ambiente mais colaborativo. Claro, nem sempre as situações são idênticas e, dependendo do setor de atuação, é necessário adaptar estratégias de empatia.

3. Participe de atividades de team building. Eventos sociais e atividades de team building permitem que conheçamos nossos colegas para além das quatro paredes da empresa. Por isso, não deixe de participar desses programas, pois a interação em um contexto mais informal pode facilitar a construção de uma rede de apoio e colaboração no dia a dia profissional.

4. Busque feedback e aprenda com as experiências. A palavra “feedback” pode dar um frio na espinha para muitas pessoas, mas são esses momentos que nos permitem reavaliar nossos comportamentos profissionais. Para tanto, evite atitudes que possam gerar atritos com os colegas e foque em soluções colaborativas para promover um ambiente mais harmonioso.

5. Adote uma postura proativa e flexível. Adaptar-se a diferentes personalidades e estilos de trabalho é uma postura muito bem-vista dentro das corporações. Ela indica que você está disposto a entender o que acontece ao seu redor, além de reforçar seu interesse em ajudar os colegas sempre que necessário.

*Mara Leme Martins PhD. Vice-Presidente do BNI Brasil – Business Network International – a maior e mais bem-sucedida organização de networking de negócios do mundo

CONTRATE A STARTUP VALEON PARA FAZER A DIVULGAÇÃO DA SUA EMPRESA NA INTERNET

Moysés Peruhype Carlech

Existem várias empresas especializadas no mercado para desenvolver, gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é uma consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do mercado para auxiliar a sua empresa na geração de resultados satisfatórios para o seu negócio.

Porém, antes de pensar em contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer algumas considerações.

Por que você deve contratar uma empresa para cuidar da sua Publicidade?

Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa especializada para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que possui profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e isto resulta em mais vendas.

Quando você deve contratar a Startup Valeon para cuidar da sua Publicidade online?

A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer estágio do seu projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos algumas considerações importantes:

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

  • Publicidade e Propaganda de várias Categorias de Empresas e Serviços;
  • Informações detalhadas dos Shoppings de Ipatinga;
  • Elaboração e formação de coletâneas de informações sobre o Turismo da nossa região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas das 27 cidades do Vale do Aço, destacando: Ipatinga, Cel. Fabriciano, Timóteo, Caratinga e Santana do Paraíso;
  • Ofertas dos Supermercados de Ipatinga;
  • Ofertas de Revendedores de Veículos Usados de Ipatinga;
  • Notícias da região e do mundo;
  • Play LIst Valeon com músicas de primeira qualidade e Emissoras de Rádio do Brasil e da região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas e dos seus produtos em cada cidade da região do Vale do Aço;
  • Fazemos métricas diárias e mensais de cada consulta às empresas e seus produtos.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

CIDADES PEQUENAS INVIÁVEIS POR FALTA DE RENDA

 

História de Mariana Alvim – Enviada da BBC News Brasil a Borá (SP)

Antes distrito de Paraguaçu Paulista, Borá tornou-se município em 1965

Antes distrito de Paraguaçu Paulista, Borá tornou-se município em 1965© BBC

“Você já se perdeu por aqui?”, brinca Augusto Manuel Merci, 66 anos, sobre o tamanho da cidade de Borá (SP), onde ele mora e tem um bar.

O lugar é o segundo município com menor população do Brasil, com 907 habitantes, atrás de Serra da Saudade (MG), que tem 833 moradores segundo o Censo Demográfico 2022.

A cidade paulista reproduz um padrão comum aos municípios brasileiros pequenos: uma baixa geração de receitas próprias e forte dependência do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) — uma verba para as cidades prevista na Constituição e repassada da União às prefeituras.

Em média, o FPM foi responsável por 18,5% das receitas correntes dos municípios brasileiros em 2022, de acordo com o estudo “Multicidades 2024”, encomendado pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP).

Entretanto, em cidades com até 10.188 habitantes, o percentual do FPM na receita chega em média a 45,1%.

Em Borá, no ano de 2023, 66% das receitas vieram do FPM.

Em outro extremo, São Paulo, a capital do Estado onde fica Borá, tem o menor percentual no Brasil de participação do FPM na receita, 0,6%.

O FPM é apenas um dos repasses recebidos pelos municípios. Os Estados, por exemplo, também são obrigados a transferir às prefeituras parte do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) (leia mais abaixo).

Por ter uma atividade econômica mais pujante, cidades maiores tendem a recolher maiores volumes de tributos municipais e taxas: os impostos sobre Serviços (ISS); sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), além de contribuições de melhorias, como a Contribuição de Iluminação Pública (Cosip).

Entretanto, há exceções no país, tanto de municípios relativamente pequenos que podem ter maior autonomia financeira, quanto os grandes, que podem ter baixa autonomia.

Segundo um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) com dados de 2022, mais da metade dos municípios brasileiros tem uma situação “crítica” no quesito autonomia para sustentar sua estrutura básica com a própria atividade econômica.

De 0 a 1, sendo 1 a melhor nota, a média dos municípios brasileiros foi de 0,4088 no indicador de “Autonomia” do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF).

O indicador calcula se as receitas correntes fruto da atividade econômica municipal suprem os custos de manutenção da Prefeitura e da Câmara de Vereadores.

De 5.240 cidades analisadas, 55,5% estão na pior classificação, em situação “crítica”; 9,7% em situação “difícil”; 9,1% em situação “boa”; e 25,8% em situação “excelente”.

Um terço dos municípios teve nota zero — ou seja, não tiveram receitas produzidas por sua atividade econômica suficientes nem para sustentar a Prefeitura e a Câmara de Vereadores.

As regiões Nordeste (62,4%) e Norte (42,4%) têm a maior proporção de nota zero, seguidas de Sudeste (15%), Centro-Oeste (11,4%) e Sul (5,9%).

Um dos municípios brasileiros com nota zero é Borá.

Borá é o segundo município com a menor população do Brasil

Borá é o segundo município com a menor população do Brasil© BBC

Na pacata cidade do oeste paulista onde parece ser difícil se perder, os moradores e até a Prefeitura têm a esperança de aumentar a população — e com isso, agitar sua atividade econômica, hoje resumida principalmente a uma usina de açúcar e álcool, uma fábrica de ração animal e uma empresa de biotecnologia que produz itens como fertilizantes.

Augusto Manuel, dono de bar, diz que demora horas até alguém entrar em seu estabelecimento e comprar uma bala que seja. Ele não tem funcionários e complementa a renda com uma lavoura em seu sítio na cidade vizinha.

O proprietário conta que nasceu na região, viveu em Borá entre 1986 e 1993 e voltou de vez em 2013. Ele diz que não tem o que reclamar da saúde e do sossego na cidade, mas acha que ela deveria receber empreendimentos para movimentá-la, como mais fábricas ou até uma vila industrial.

“Precisa trazer emprego. Hoje, o prefeito precisa dar ônibus para as pessoas trabalharem em Paraguaçu [Paulista, município vizinho, com 41 mil habitantes]. Não tem um escritório de contabilidade, não tem banco… Só tem a lotérica. Eu recebo [valores] na maquininha [de cartão] e preciso ir lá em Paraguaçu buscar o dinheiro”, diz Augusto Manoel.

Augusto Manuel diz que gosta do sossego e do acesso a serviços em Borá, mas pede mais empregos

Augusto Manuel diz que gosta do sossego e do acesso a serviços em Borá, mas pede mais empregos© BBC

Borá tem uma unidade básica de saúde (UBS), uma creche e uma escola municipal. Além disso, conta com um balneário público, quadras e até uma academia municipal, com aulas gratuitas.

A babá Rayane Santana, 23 anos, frequenta a academia. Moradora de Borá desde os 3 anos, quando se mudou de Maceió (AL) com os pais, ela conta que a maioria dos amigos já saiu da pequena cidade em busca de outras oportunidades e reconhece que esse pode ser seu futuro também, embora goste da tranquilidade do pequeno município.

Ela faz faculdade de administração por ensino à distância.

“Em Borá, só usina ou prefeitura”, resume a babá sobre as oportunidades de emprego na cidade.

“Mas saúde é uma maravilha. Tudo é bom. Só para os jovens que não tem nada. Pra sair [à noite], tem que ir para as cidades vizinhas.”

Rayane (à direita) e uma amiga frequentam a academia municipal de Borá

Rayane (à direita) e uma amiga frequentam a academia municipal de Borá© BBC

Nas eleições municipais de 2024, há apenas um candidato à prefeitura — o atual mandatário, Luiz Carlos Rodrigues, que busca a reeleição. A BBC News Brasil tentou contato com ele via e-mail, telefone e visita pessoal, mas não foi atendida.

Na eleição atual, há 213 municípios brasileiros que só têm um candidato à prefeitura.

Em Borá, há 27 candidatos para nove vagas de vereador.

Paulo Paiva, economista e supervisor-geral (algo como um chefe de gabinete administrativo) da Prefeitura de Borá, afirma que a administração municipal tem um convênio quase formalizado para levar o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida para a cidade, o que, segundo ele, poderia trazer cerca de 200 habitantes para o município.

Paiva acrescenta que, até 2025, a Prefeitura também prevê contratar um auditor fiscal, o que permitiria fazer um Código Tributário e, com isso, iniciar a formulação da Planta Genérica de Valores (PGV) — a base para definir valores diferentes de IPTU, por exemplo, de acordo com o tamanho e a localidade do imóvel.

Hoje, segundo Paiva, cobra-se uma taxa básica de IPTU de todos os imóveis.

Outras receitas municipais, como ISS e ITBI, acabam não rendendo tanto para o município por conta da pouca atividade de serviços e transferências de imóveis, ele diz.

Cerca de 92% das receitas correntes de Borá em 2023 (aproximadamente R$ 21 milhões) vieram de transferências da União (72,2% das receitas), incluindo o FPM, e do Estado de São Paulo (19,8% das receitas).

Segundo dados levantados pela Firjan a pedido da BBC, a maior parte da receita própria do município em 2023 veio do imposto retido na fonte dos salários de servidores e pagamentos de fornecedores (cerca de R$ 389,9 mil), a que as cidades têm direito.

Já o ISS arrecadou R$ 223 mil para a cidade e o IPTU, apenas R$ 27,9 mil.

O supervisor-geral Paulo Paiva argumenta que o município gera bastante ICMS, Imposto de Renda, Imposto de Exportação e PIS/Cofins. Entretanto, o primeiro é recolhido pelo Estado e os outros, pela União — só depois uma parte de alguns desses tributos é repassada aos municípios, segundo critérios diversos.

“Se você olhar realmente o que é arrecadado dentro do município, ele é subsistente”, argumenta, afirmando que os índices econômicos podem ter falhas e defendendo que a população de Borá tem boa qualidade de vida e acesso a serviços públicos.

Mais de 1.400 novos municípios desde 1988

Moradores de Borá dizem que calma não falta na cidade — mas faltam pessoas

Moradores de Borá dizem que calma não falta na cidade — mas faltam pessoas© BBC

Borá era um distrito de Paraguaçu Paulista e virou município em 1965.

Paiva reconhece que projetos no Congresso que visam diminuir a quantidade de municípios pequenos no Brasil, por exemplo com a fusão de cidades, geram temor na Prefeitura de Borá.

“Se o município vira distrito, a população padece demais. Se a gente virasse distrito de Paraguaçu Paulista, não sei se manteria aqui dentro um ginecologista, um pediatra, três dentistas, dois fisioterapeutas…”, argumenta.

Já Jonathas Goulart, gerente de estudos econômicos da Firjan, acredita que os dados existentes mostram que o problema exige uma solução.

“Para o município existir, ele precisa, pelo menos, gerar receita para financiar sua estrutura administrativa mais básica. Porque senão, esse dinheiro que poderia ser utilizado em educação, em saúde, em diversas coisas, vai ser utilizado para financiar o salário da Câmara de Vereadores e da Prefeitura”, aponta Goulart.

Nayara Freire, especialista em estudos econômicos da Firjan, afirma que houve nas últimas décadas um “aumento muito grande no número de municípios com baixa autonomia”.

“São municípios que não têm nenhuma estrutura para arrecadar impostos e nenhuma atividade econômica suficiente para gerar, de fato, receitas. Então, esses municípios ficaram muito dependentes de transferências, principalmente da União”, explica a especialista.

Desde a Constituição de 1988, o Brasil viu a criação de 1.452 municípios, de acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Uma emenda constitucional de 1996 congelou o processo de criação de novos municípios — mas outra emenda, de 2008, permitiu que processos de criação que já tivessem sido iniciados fossem concluídos.

A União é obrigada pela Constituição a repassar ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM) cerca de um quarto dos valores arrecadados com o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

O FPM é distribuído para os municípios através de uma combinação de características, principalmente o tamanho da população, a renda per capita dos Estados e a diferenciação entre municípios do interior versus capitais.

Pelo modelo atual, que passará por mudanças na reforma tributária (leia mais abaixo), os Estados são obrigados a repassar aos seus municípios 50% do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e 25% do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS).Segundo dados levantados pela FNP a pedido da BBC News Brasil, em 2023, 94,8% dos municípios analisados (5.434 tinham dados disponíveis) tiveram 50% ou mais das suas receitas correntes transferidas por entes externos, seja Estados ou União.

Cerca de 19% dos municípios tinham dependência de 80% ou mais de transferências externas.

Esses repasses incluem não só os impostos já citados, mas também transferências relativas a royalties, ao Sistema Único de Saúde (SUS), ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), entre outros.

O escopo desse dado é diferente do IFGF da Firjan — que opta por considerar os impostos como ICMS e IPVA como fruto da atividade econômica dos municípios, e não como um indicador de mera dependência.

“Em geral, as cidades [mais dependentes] têm um porte populacional mais baixo, estão afastadas da área urbana, especialmente fora de área metropolitana, e não têm atividade econômica muito desenvolvida”, explica Kleber Castro, consultor econômico da FNP.

“As cidades mais autônomas são exatamente o oposto: têm maior atividade, maior concentração populacional…”, enumera.

As diferenças entre as regiões do Brasil têm a ver com o grau de atividade econômica, acrescenta Castro.

Presidente da CNM, Paulo Ziulkoski rejeita a pecha de dependente atribuída a muitos municípios brasileiros. Ele diz que os repasses de ICMS ou FPM, por exemplo, não são benevolência dos Estados ou da União, e sim uma obrigação constitucional.

Por uma série de razões, são esses os entes a administrar os impostos, posteriormente repassando um percentual aos municípios.

“É nosso recurso, somos sócios do negócio. Apenas a administração está a cargo de alguém mais habilitado ou adequado a maximizar o projeto no qual estamos inseridos”, afirma Ziulkoski.

“Poderíamos inverter, nós administrarmos o ICMS e transferir uma parcela pertencente aos Estados. Nós administrarmos o Imposto de Renda e IPI e repassar as parcelas dos Estados e da União. Eles seriam nossos dependentes?”, indaga.

“A tributação sobre imposto de importação é feita pela União porque tem melhores condições técnicas de gerir as entradas nas fronteiras e no país do que os municípios. A mesma linha serve para o Imposto de Renda”, exemplifica.

O presidente da CNM assegura que os municípios estão melhorando sua estrutura para arrecadar impostos, mas destaca que os tributos municipais, para a maioria das cidades, têm uma capacidade de arrecadação limitada.

“O ISS merece que tenhamos a necessidade local de demanda de serviços; o ITBI, de aquisições imobiliárias. Os dois, na maioria dos municípios, são algo pouco significativo em termos de operações”, afirma Ziulkoski.

“Ainda temos o IPTU, mas a maioria dos municípios têm pequenas áreas urbanas. Mesmo que a administração tributária local atue nos limites máximos da eficiência, o fator número de imóveis é limitado e torna aquela soma arrecadada pequena.”

Como melhorar?

Fato é que, de 1988 a 2022, a participação de receitas próprias dos municípios no total de suas receitas aumentou, segundo o estudo “Multicidades 2024”.

Em 1988, a receita própria compunha em média 20,6% da receita municipal total e passou para 35,4% em 2022.

Já a participação das transferências passou de 79,4% em 1988 para 64,6% em 2022.

Kleber Castro, da FNP, afirma que este avanço é fruto do esforço e investimento dos municípios em gestão e modernização da administração tributária.

“Como resultado disso, de forma direta, os municípios conseguem arrecadar. Eles estão cada vez mais exercendo a sua responsabilidade como agente arrecadador — coisa que eles não faziam, ou faziam muito menos, no passado”, explica o consultor financeiro da entidade.

Castro cita também mudanças na legislação que aperfeiçoaram os tributos municipais, como uma lei de 2003 que na prática ampliou o rol de serviços que as cidades podem tributar com o ISS.

Segundo o estudo “Multicidades 2024”, este imposto indireto é a principal fonte de recursos próprios dos municípios (44,4% das receitas próprias, em média) e teve uma alta real de 238,4% na arrecadação entre 2004 e 2022.

Outro fator que favorece a arrecadação do ISS — e, em consequência, a geração de receitas próprias dos municípios — é a crescente participação, nas últimas três décadas, dos serviços na economia brasileira, já que este é um tributo destinado a esse setor.

Mas Castro diz que ainda há espaço para melhora, já que, até hoje, há municípios que não têm estrutura para arrecadar, por exemplo, o IPTU.

“Apesar do crescimento recente, o IPTU é um imposto que está bastante aquém da sua capacidade de arrecadação”, aponta o especialista.

“E muito aquém da sua capacidade de ser utilizado como instrumento de redução de desigualdades. Você pode chegar em uma cidade e verificar quanto se cobra de IPTU de uma casa que custa no mercado R$ 1 milhão. Quando vai ver, o valor é irrisório, às vezes menor do que ele [proprietário] paga no IPVA do carro. Isso é muito comum”, exemplifica Castro.

Por mais desagradável que isso seja, o especialista responde que sim, o caminho para a melhoria da autonomia financeira dos municípios muitas vezes passa pelo aumento de impostos cobrados da população.

“O Brasil precisa de mais divulgação acerca de cidadania fiscal. As pessoas têm que entender que imposto é uma coisa importante, porque um imposto se reverte em benefícios para a população. É doloroso, eu também sou contribuinte, sei como é. Mas é entender que, quando você paga imposto, aquilo de alguma forma está voltando para você ou para outras pessoas que precisam mais”, defende.

“O segundo aspecto é que se a gente deixar de cobrar o IPTU ou algum imposto, certamente o poder público vai precisar cobrar por outro caminho. O município que deixa de ter autonomia vai precisar de recursos dos Estados ou da União que, por sua vez, vão tributar de outra forma o cidadão. Então, de alguma forma essa conta chega.”

Nayara Freire, da Firjan, reconhece que os resultados dos investimentos das prefeituras em áreas que melhorem a vida da população, como saúde e habitação, não necessariamente se refletem direta e rapidamente na autonomia de um município.

Por exemplo, projetos que estimulem o acesso à educação e à capacitação profissional normalmente podem levar muitos anos para resultar em geração de empregos e atividade econômica mais pujante — e essas mudanças também dependem de outros fatores, como a atração de empresas e o contexto econômico da região e do país.

“O desenvolvimento econômico é um caminho sustentável para gerar o equilíbrio das contas públicas. O problema é que o gestor não quer fazer esse trabalho mais longo”, aponta a especialista.

Reforma tributária traz mudanças também para os municípios

Borá ainda planeja implementar sua Planta Genérica de Valores (PGV)

Borá ainda planeja implementar sua Planta Genérica de Valores (PGV)© BBC

Os entrevistados pela BBC News Brasil avaliam que, no saldo geral, a reforma tributária — aprovada no final de 2023 e em fase de regulamentação — traz possibilidades de melhoras para a autonomia dos municípios.

Um dos pontos positivos apontados é a criação de um comitê gestor do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Esse tributo substituirá o ISS e o ICMS e, portanto, ocupará o lugar de impostos que são hoje municipal e estadual, respectivamente.

Os percentuais que os municípios e Estados receberão do IBS ainda serão definidos, mas há um princípio na reforma de que nenhum ente perca arrecadação em relação ao que recebe hoje — podendo haver compensações para evitar isso.

Após um período de transição, em 2033 o ICMS e o ISS serão extintos.

O comitê gestor do IBS será um órgão compartilhado pelos governos locais que vai gerenciar a arrecadação e a repartição das receitas entre Estados e municípios.

Para Paulo Ziulkoski, da CNM, o comitê gestor permitirá uma participação mais ativa dos municípios — que hoje, por exemplo, ficam distantes da gestão do ICMS por parte dos Estados.

“Uma das partes arrecadadas será o IBS municipal. E no IBS estadual, onde temos uma participação de 25% [correspondente ao atual ICMS], há uma mudança positiva: este valor virá diretamente do comitê gestor para o município, sem passar pelos cofres dos Estados”, comemora Ziulkoski.

Jonathas Goulart, da Firjan, aponta que a nova estrutura criada pela reforma possibilitará também que alguns municípios arrecadem tributos que hoje nem chegam a ser cobrados.

“Tem muito município que não tem nenhuma estrutura tributária para fazer a arrecadação. Como eles não têm nem a estrutura do município para, por exemplo, arrecadar ISS, eles não arrecadam. Agora, quando essa estrutura passa a ser de interesse do Estado, do governo federal e dos municípios, os municípios vão acabar também recebendo esse recurso”, explica o economista, destacando, porém, que ainda há muitos efeitos imprevisíveis da reforma.

“Por ser um período longo de transição, ninguém sabe exatamente o que vai acontecer”, aponta Goulart.

Outra mudança importante da reforma é a cobrança de impostos no destino (local de consumo) em vez da origem (local de produção) — como ocorre atualmente.

Ziulkoski também vê aí vantagens para os municípios.

“Hoje, somos cobrados em muitos setores para fiscalizar, arrecadar, porém, a formatação de incidência tributária é atualmente concentrada na origem. Assim, por vezes a sociedade vê determinadas ações e atividades econômicas ocorrendo na sociedade local e espera que o produto desta arrecadação ocorra ali, mas não ocorre”, aponta.

Kleber Castro, da FNP, destaca também que, com as novas regras, a Planta Genérica de Valores (PGV) pode ser modificada por decreto dos prefeitos, não necessitando mais da aprovação da Câmara dos Vereadores.

“O prefeito pode tomar essa decisão, ainda que tenha que sustentar isso tecnicamente. Isso é muito importante e pode ajudar a alavancar o potencial de arrecadação do IPTU”, destaca Castro.

Não há previsão de mudanças nos critérios de distribuição do FPM por conta da reforma. Entretanto, a partir de 2027, o Imposto Seletivo (IS) deve substituir o IPI na composição do fundo.

De acordo com análise do estudo “Multicidades 2024”, as possibilidades de perdas de receita no FPM quando houver substituição pelo IS são “relativamente baixas”, já que a reforma prevê a compensação por eventuais perdas.

PAINÉIS SOLARES, TIPOS, QUALIDADE E MODELOS

 

História de Bianca Seabra – TecMundo

Diante da escassez de chuvas e das altas temperaturas que afetam as hidrelétricas no país, os brasileiros estão prestando atenção à conta de luz cada vez mais. Em setembro, a bandeira vermelha adotada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aumentou o custo da energia para R$ 7,87 por 100 kWh.

Embora o aumento promova um consumo consciente e equilibre as finanças do setor, também incentiva os consumidores a buscar alternativas mais sustentáveis e econômicas, como a energia solar!

Na geração de energia fotovoltaica, os painéis solares são os componentes-chave. Com uma diversidade de opções disponíveis, cada tipo de painel solar apresenta diferentes níveis de eficiência.

Mas como escolher o painel solar ideal para sua residência ou empreendimento? Continue lendo para descobrir os principais tipos de painéis solares do mercado!Quais são os tipos de painéis solares?

Existem dois tipos principais de painéis solares comercialmente disponíveis: silício e filme fino. Cada um desses tipos possui modelos que diferem em materiais de fabricação e tecnologia de produção, tornando-os mais adequados para diferentes situações e necessidades.

O painel solar de silício pode ser monocristalino ou policristalino. Quanto aos painéis de filme fino, eles abrangem uma variedade de materiais fotovoltaicos depositados sobre um substrato. A seguir, exploraremos cada um desses tipos de painéis solares em detalhes!

1) Painel solar de silício monocristalino

Os painéis solares de silício monocristalino são considerados a opção mais avançada e eficiente disponível no mercado atualmente. Eles são conhecidos por sua capacidade de gerar uma economia de energia expressiva, variando entre 15% a 22%, graças à alta eficiência de conversão da luz solar em eletricidade.

Essa eficiência superior se deve à tecnologia Mono Perc, que envolve a fabricação de células fotovoltaicas a partir de um único cristal de silício, resultando em maior transparência e alinhamento do cristal.Painel solar de silício monocristalino.

Painel solar de silício monocristalino.

Isso faz com que esses painéis sejam capazes de produzir mais energia elétrica utilizando uma área menor, tornando-os ideais para locais com espaço limitado.

Quanto à aparência, os painéis monocristalinos podem variar em cor, apresentando tons de azul escuro ou quase preto quando possuem revestimento antirreflexo, ou cinza e azul acinzentado sem esse revestimento.

Com uma vida útil superior a 30 anos e uma garantia de 25 anos, os painéis monocristalinos representam um investimento duradouro em energia solar. Além disso, eles têm um desempenho excelente mesmo em condições de pouca luz, o que os diferencia dos painéis policristalinos.

No entanto, é importante considerar que eles costumam ser mais caros e podem não ser a melhor escolha para regiões com temperaturas muito altas, onde sua eficiência pode ser reduzida.

2) Painel solar de silício policristalino

Os painéis solares de silício policristalino são uma alternativa bastante popular e frequentemente comparada com os monocristalinos. Uma de suas principais características é a eficiência de conversão de luz solar em eletricidade, que varia entre 14% a 20%.

Embora essa eficiência seja ligeiramente menor em comparação com os painéis monocristalinos, os modelos policristalinos são reconhecidos pelo seu bom custo-benefício, sendo uma escolha atraente para quem busca economia na instalação de sistemas de energia solar.Painel solar de silício policristalino.

Painel solar de silício policristalino.

Visualmente, os painéis policristalinos possuem uma coloração azul, especialmente quando possuem revestimento antirreflexo, ou um tom cinza prateado quando não possuem esse revestimento. A aparência é resultado do processo de fabricação, onde as células fotovoltaicas são feitas a partir de vários cristais de silício derretidos juntos. 

Uma das vantagens desses painéis é o bom desempenho em locais de altas temperaturas, o que pode ser um fator decisivo em regiões onde o calor é intenso. No entanto, eles apresentam uma vida útil um pouco menor em comparação com os modelos monocristalinos.

3) Células fotovoltaicas orgânicas (OPV)

As células fotovoltaicas orgânicas (OPV) representam uma inovação no campo da energia solar, utilizando um processo de fabricação conhecido como Roll to Roll. Essa técnica permite alcançar uma eficiência de até 11% na conversão de luz solar em energia elétrica, tornando-as uma opção interessante para determinados projetos.

O diferencial das células OPV está em sua composição: elas são feitas a partir de polímeros semelhantes ao plástico, produzidos por meio de técnicas de eletrônica orgânica.Células fotovoltaicas orgânicas (OPV).

Células fotovoltaicas orgânicas (OPV).

Um dos pontos fortes dos painéis solares com células fotovoltaicas orgânicas é a flexibilidade. Durante a produção, as células são impressas em materiais flexíveis, o que confere aos painéis uma maior transparência e adaptabilidade a diferentes superfícies.

Essa característica torna as células OPV uma opção promissora para projetos de grande escala e locais onde a instalação de painéis solares convencionais pode ser desafiadora.

4) Painel solar de silício amorfo (a-Si)

Os painéis solares de silício amorfo (a-Si) se destacam por utilizarem uma técnica de fabricação conhecida como empilhamento. A técnica envolve a combinação de várias camadas de células de silício amorfo, o que resulta em uma eficiência que varia tipicamente entre 6% e 9%.Painel solar de silício amorfo (a-Si).

Painel solar de silício amorfo (a-Si).

Uma vantagem significativa desse tipo de painel é a economia de material: as células de silício amorfo requerem apenas 1% do silício usado nas células de silício cristalino.

Apesar da eficiência, o processo de empilhamento eleva seu custo de produção. Por essa razão, esses painéis são mais indicados para aplicações em pequena escala, onde suas características de design e eficiência possam ser melhor aproveitadas.

5) Painel solar de telureto de cádmio (CdTe)

Os painéis solares de telureto de cádmio (CdTe) se destacam como a única tecnologia de filme fino que conseguiu superar a relação custo x eficiência dos painéis solares de silício cristalino no mercado global.

Esses painéis alcançam uma eficiência que geralmente varia entre 9% e 16%, tornando-os uma opção viável para quem busca um equilíbrio entre desempenho e custo.

Devido à sua eficiência e características específicas, os painéis de CdTe são frequentemente utilizados em grandes instalações solares, como usinas de energia solar em larga escala. As instalações se beneficiam da capacidade do telureto de cádmio de capturar uma ampla gama do espectro solar.Painel solar de telureto de cádmio (CdTe).

Painel solar de telureto de cádmio (CdTe).

6) Painéis solares de seleneto de cobre, índio e gálio (CIS /CIGS)

Os painéis solares de seleneto de cobre, índio e gálio (CIS/CIGS) destacam-se entre as tecnologias de filme fino devido ao seu elevado potencial de eficiência. Uma das vantagens desses painéis é a menor quantidade de cádmio, um material tóxico presente em outras tecnologias como o telureto de cádmio.

Com eficiência geralmente variando entre 10% e 12%, alguns modelos disponíveis no mercado brasileiro já ultrapassam a marca dos 13%. Por suas características e desempenho, os painéis solares CIGS são frequentemente utilizados em ambientes industriais.A tecnologia CIS /CIGS ainda está em fase de desenvolvimento.

A tecnologia CIS /CIGS ainda está em fase de desenvolvimento.

7) Painel solar híbrido (HJT)

Os painéis solares híbridos, também conhecidos como heterojunção (HJT), representam uma das tecnologias mais avançadas disponíveis atualmente. Com uma eficiência impressionante que varia entre 21% e 24%, esses painéis combinam o melhor de diferentes tecnologias para oferecer um desempenho superior.

Uma das principais vantagens dos painéis solares híbridos é sua capacidade de gerar mais energia por metro quadrado, além de funcionar de forma eficiente em temperaturas mais altas. Isso os torna ideais para regiões de clima quente, como o Brasil.

No entanto, a tecnologia ainda não está amplamente disponível no mercado, mas promete revolucionar a forma como a energia solar é aproveitada no futuro.Painel solar híbrido.

Painel solar híbrido.Qual o tipo de painel solar mais eficiente?

Quando se trata de eficiência, os painéis solares de silício monocristalino estão no topo da lista. Graças à pureza do silício utilizado em sua fabricação, esses painéis conseguem converter uma maior quantidade de luz solar em eletricidade ocupando menos espaço.

No entanto, a escolha do painel solar ideal para sua necessidade vai além da eficiência. É importante considerar o custo total do sistema, que inclui não apenas o preço dos painéis, mas também o custo de instalação (mão de obra especializada, equipamentos adicionais e dificuldade de realizar o serviço).

Portanto, ao escolher escolher o tipo de painel solar para a sua residência, é fundamental avaliar a relação custo-benefício e a reputação da equipe que irá projetar, instalar e dar suporte no pós-venda do sistema, que deve atender as necessidades e condições específicas.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...