Numa iniciativa extravagante, o presidente Lula da Silva se reuniu
recentemente com representantes de agências de classificação de risco em
Nova York. O petista quis explicar para a S&P Global Ratings, a
Moody’s e a Fitch Ratings, em suas palavras, “o que está acontecendo” no
Brasil. Como se fosse um camelô, Lula tentou lhes vender um Brasil que,
segundo seus sonhos, merece voltar a ter o chamado grau de
investimento.
Lula parece inconformado e obcecado. Foi em 2008, em seu segundo
mandato, que o Brasil entrou para o clube de elite dos ratings. Alguns
fundos só podem aplicar em ativos com o tal grau de investimento, daí a
importância de retomar uma nota mais elevada, perdida em 2015 por causa
do espetacular malogro econômico de Dilma Rousseff, quando o Brasil
voltou ao grau especulativo.
De lá para cá, o cenário melhorou. As agências emitiram avaliações
mais positivas, em razão de reformas como a trabalhista, a da
Previdência e a tributária. Trata-se de feitos de todos os últimos
governos. Hoje, o País, com uma nota que não é baixa, está a dois passos
de recuperar o grau de investimento. Pela Moody’s, a perspectiva passou
de estável para positiva, enquanto a S&P e a Fitch mantiveram a
perspectiva estável.
Mas Lula quer mais. O presidente disse a jornalistas que uma agência
de classificação de risco “não precisa ouvir só a Faria Lima”, em alusão
ao mercado financeiro, e “não precisa ouvir só os empresários”. Segundo
ele, essas instituições têm de ouvir também “os trabalhadores” e “o
presidente da República”.
Mais uma vez, Lula tenta fazer crer que o Brasil que ele governa é
uma potência pujante e que só não é reconhecido sem ressalvas como um
“bom pagador” pelas agências de risco porque a gente do mercado não
“ouviu” as pessoas certas – a começar por ele próprio – e se deixou
levar pelos seus preconceitos. Ora, as agências de classificação de
risco não “ouvem” ninguém. Elas chegam às suas conclusões com base
exclusivamente nos números e nos cenários. E esses cenários, como até
mesmo o Banco Central do Brasil já alertou, não são confortáveis, diante
da incapacidade do governo de Lula de cortar gastos para reduzir o
endividamento.
Mas Lula tem pressa. Quer que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
que participou das conversas com as agências, satisfaça seu desejo de
recuperar o grau de investimento até 2026, ano de corrida para o Palácio
do Planalto, quando, decerto, sonha exibir tal feito.
Não será fácil nem será numa reunião, como se estivesse numa mesa de
bar, que Lula vai seduzir as agências. Prova disso é que, no dia
seguinte, a Fitch divulgou uma nota na qual, embora reconheça que a
economia brasileira demonstrou força e surpreendeu, destacou a “posição
fiscal frouxa”. Para a agência, “os desafios fiscais persistem e vão se
intensificar”.
Segundo a Fitch, o governo reage à frustração de receitas com
“medidas de improviso”, enquanto “a indexação vai manter a pressão sobre
os gastos sociais nos próximos anos, exigindo apertos adicionais das
despesas discricionárias”. Como há “vulnerabilidade”, o rating continua
na perspectiva estável, o que joga um balde de água fria nas ambições de
Lula.
O governo acusou o golpe. Para a Fazenda, a agência ignorou “dois
elementos fundamentais”: a reoneração gradual da folha de pagamentos com
compensações e o fim do Programa Emergencial de Retomada do Setor de
Eventos (Perse) em 2025.
Em reunião com ministros e governadores, Lula disse que o Brasil não
gastará o que não tem, uma promessa pouco crível. Aproveitou a ocasião
para explicar a conversa com as agências, admitindo que “não é habitual
um presidente da República se reunir com empresas de rating”. Tinha
“curiosidade” de saber “o critério que elas adotam para avaliar o
Brasil”.
As agências reiteradas vezes apresentaram ao País o “receituário”
para a elevação do rating, que inclui responsabilidade fiscal,
crescimento econômico sustentável e estabilização da relação dívida/PIB,
entre outros. Por ora, os gastos só aumentam, o crescimento mais se
assemelha a um novo voo de galinha e a trajetória do endividamento
embica para cima, com estimativa de passar de 80% do PIB em 2026,
segundo o próprio Tesouro.
Nunes Marques paralisa julgamento sobre ampliação de foro no STF
O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF),
paralisou, nesta sexta-feira (27), o julgamento sobre a ampliação do
alcance do foro privilegiado de autoridades na Corte. O magistrado pediu
vista (mais tempo para análise). Pelo regimento do tribunal, ele tem
até 90 dias para ficar com o caso. A discussão chegou a ser paralisada
outras duas vezes: em março e em abril. Já há maioria formada para
ampliar a regra, fixando que o foro é mantido no Supremo mesmo depois de
a autoridade deixar o cargo. Votaram por essa posição os ministros
Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Dias
Toffoli e Alexandre de Moraes. Até o momento, os ministros André
Mendonça e Edson Fachin divergem da ampliação. Além de Nunes, ainda
precisam votar os ministros Luiz Fux e Cármen Lúcia. Ampliação do foro A
maioria de votos pela ampliação de foro foi formada em abril. Na
ocasião, Mendonça pediu vista. O caso foi retomado em 20 de setembro,
com o voto do ministro — e, agora, paralisado de novo com a posição de
Nunes Marques. A proposta que tem maioria estabelece que o foro continua
no STF mesmo após o afastamento do cargo, “ainda que o inquérito ou a
ação penal sejam iniciados depois de cessado seu exercício”. https://www.youtube.com/watch?v=TFPDLaKWcE0 Como
é a regra O STF tem competência para processar e julgar, nos crimes
comuns, o presidente da República, o vice-presidente, deputados e
senadores, ministros e o procurador-geral da República. Já para crimes
comuns e de responsabilidade, a competência é para julgar integrantes
dos tribunais superiores, do Tribunal de Contas da União (TCU),
embaixadores, e comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. A
regra atual sobre foro no Supremo foi definida em 2018. Para que o
processo tramite no STF é preciso que o crime tenha sido cometido no
exercício do cargo e em razão da função ocupada. Se o agente público
perder seu mandato, o processo vai para a primeira instância. A única
exceção é para quando o caso já estiver na fase final de tramitação;
nessa situação, o processo permanece no STF. Em 2022, a Corte decidiu
que continua tendo competência em casos de “mandato cruzado” — ou seja,
quando o congressista investigado ou processado por um suposto crime é
eleito para outra Casa Legislativa durante a tramitação do inquérito ou
da ação penal.
SÃO PAULO, SP (FOLHPARESS) – A Aneel (Agência Nacional de Energia
Elétrica) anunciou nesta sexta-feira (27) que vai acionar a bandeira
tarifária vermelha patamar 2 para a conta de luz em outubro. A medida
vai acrescentar R$ 7,877 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos e
entra em vigor na próxima terça (1º).
A elevação do nível tarifário foi justificada pelo risco hidrológico e
pelo aumento do PLD (Preço de Liquidação de Diferenças), o valor de
referência da energia no mercado atacadista.
A bandeira vermelha patamar 2 chegou a ser anunciada para o mês de
setembro, mas a Aneel voltou atrás alegando ter encontrado erros nos
cálculos e adotou o patamar 1.
O aumento da conta de luz em outubro será o terceiro deste ano. Houve
uma sequência de bandeiras verdes de abril de 2022 a maio de 2024. Em
julho, foi adotada a bandeira amarela, e a verde chegou a retornar em
agosto, mas foi interrompida pela vermelha nível 1 em setembro.
O acionamento da bandeira vermelha e a ampliação do uso das térmicas
são respostas do setor à seca extrema que atinge o Brasil que, de um
lado, reduz a disponibilidade de água para geração de energia, e, de
outro, aumenta a demanda da população por ela.
Apesar do cenário preocupante, que também reacendeu a discussão sobre
o retorno do horário de verão no Brasil, autoridades já afirmaram que o
nível dos reservatórios brasileiros tem mais que o dobro do registrado
em 2021 -última vez que a bandeira vermelha patamar 2 havia sido
acionada.
O sistema de bandeiras tarifárias foi criado pela Aneel para indicar,
aos consumidores, os custos da geração de energia no Brasil. Segundo a
agência, com as bandeiras, o consumidor ganha um papel mais ativo e pode
adaptar seu consumo para ajudar a reduzir o valor da conta.
A Aneel também reforça a importância da conscientização e do uso
responsável da energia elétrica, mesmo em períodos favoráveis. A
economia de energia contribui para a preservação dos recursos naturais e
para a sustentabilidade do setor elétrico como um todo.
Toffoli anula condenações da Lava Jato contra Léo Pinheiro, delator de Lula
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou
todas as decisões da Operação Lava Jato contra o ex-presidente da
construtora OAS Léo Pinheiro. O ministro acolheu o argumento da defesa
que afirma ter existido um “conluio processual” entre a força-tarefa da
investigação e a Justiça em detrimento de direitos fundamentais do
empresário. “Defiro o pedido constante desta petição e declaro a
nulidade absoluta de todos os atos praticados em desfavor do requerente
no âmbito dos procedimentos vinculados à Operação Lava Jato, pelos
integrantes da referida operação e pelo ex-juiz Sergio Moro no
desempenho de suas atividades perante o Juízo da 13ª Vara Federal de
Curitiba, ainda que na fase pré-processual”, lê-se na decisão. Léo
Pinheiro foi um dos pivôs da investigação que resultou na condenação e
prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo caso do triplex do
Guarujá. A OAS foi a responsável pelas reformas no apartamento atribuído
ao petista. Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de
dinheiro por conta da apuração. No entanto, em 2021, a condenação do
petista foi anulada pelo STF, que entendeu que a 13ª Vara Federal, em
Curitiba, não tinha competência para julgar processos de Lula.
PROJETO POLÍTICO
Toffoli anula condenações de Leo Pinheiro e aponta conluio na “lava jato”
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, anulou
todos os procedimentos da “lava jato” contra o o ex-presidente da
construtora OAS José Adelmário Pinheiro Filho, o Leo Pinheiro. A
informação é da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo. Andressa Anholete/SCO/STF
Ministro Dias Toffoli apontou conluio e projeto político de Moro e membros do MPF na decisão
O empreiteiro havia sido condenado há mais de 30 anos de prisão e foi
o principal delator em processos também anulados contra o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão do ministro de anular os processos contra o empresário foi
fundamentada nas conversas apreendidas entre tarefeiros da “lava jato”
no bojo da operação spoofing e que deram origem a “vaza jato”.
Toffoli estendeu a Leo Pinheiro os efeitos da sua decisão, referendada pela 2ª Turma do STF.
O ministro considerou que o conteúdo das mensagens deixou claro que
houve um verdadeiro conluio com objetivos políticos e não com a
finalidade de fazer Justiça.
“Tal conluio e parcialidade demonstram, a não mais poder, que houve
uma verdadeira conspiração com objetivos políticos”, disse o ministro.
A defesa de Leo Pinheiro, capitaneada pela advogada Maria Francisca Accioly,
sustentou que as mensagens entre Moro e os procuradores demonstraram
que o empresário “foi alvo de uma perseguição pessoal sem limites pelos
integrantes da Força-Tarefa Lava Jato em conjunto com o ex-juiz federal
Sergio Moro”.
Toffoli também afirmou que o empresário foi “utilizado como
instrumento para angariar provas para processar e ao final condena o
alvo então pré-concebido, o senhor ex-presidente [hoje presidente] Luiz
Inácio Lula da Silva”.
O ministro ainda declarou que Moro e os procuradores da “lava jato”
desrespeitaram o devido processo legal e agiram fora e sua esfera de
competência. “Esse vasto apanhado indica que a parcialidade do juízo da
13ª Vara Federal de Curitiba extrapolou todos os limites, porquanto os
constantes ajustes e combinações realizados entre o magistrado e o
Parquet e apontados acima representam verdadeiro conluio a inviabilizar o
exercício do contraditório e da ampla defesa pelo requerente”.
Caso Odebrecht
A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu no começo de setembro manter a decisão
do ministro Dias Toffoli que anulou todos os atos da “lava jato” de
Curitiba contra Marcelo Odebrecht. O relator entendeu que, assim como no
caso de Lula, houve conluio entre Moro e o MPF.
O recurso da Procuradoria-Geral da República contra a anulação dos
atos da ‘lava jato’ foi analisado virtualmente. Toffoli e os ministros
Gilmar Mendes e Nunes Marques votaram pela manutenção da anulação. Os
ministros Edson Fachin e André Mendonça ficaram vencidos nesse ponto.
A turma, no entanto, alterou a decisão quanto ao imediato trancamento
de todos os procedimentos penais contra o empresário. A maioria
entendeu que a análise quanto a esse ponto deve ser feita pelos juízos e
instâncias competentes.
Para isso, porém, os acusados devem provar que foram coagidos a
firmar acordo de colaboração premiada ou que foram indevidamente
prejudicados por termos celebrados mediante violação de direitos. Dessa
forma, a decisão do STF pode ser uma “pá de cal” na “lava jato”, na avaliação de especialistas.
Elton John encerra sua carreira com uma canção reflexiva. A crítica
aborda o viés dos meios de comunicação ao privilegiar vozes que se
preocupam mais com os efeitos econômicos do que com questões climáticas e
sociais
Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o
link:
https://www.migalhas.com.br/depeso/402122/para-onde-nos-leva-a-estrada-dos-tijolos-amarelos
Para mim parece uma dica reflexiva apropriada para o momento em que
nos situamos. Na estrada de tijolos amarelos os cães da sociedade uivam…
Eles, decerto, não são os pobres de cuja presença se tratará em outro
ponto do caminho. Os que reclamam são aqueles a quem os meios de
comunicação dão sempre a palavra. Acontece um desastre climático, mas
quem fala não é o que entende de clima e, sim, o que somente enxerga os
efeitos econômicos do desastre climático.
Sobram imóveis decorrentes do excesso de construção civil num
período. Do outro lado do planeta. Imóveis cuja elaboração exigiu
mão-de-obra, isto é, geraram emprego. Mas à beira da estrada de tijolos
amarelos as cassandras advertem: não dá mais para investir em moradias
populares aqui, aqui mesmo. A margem é mínima.
E quando as ruas ficam cheias dos vira-latas não tem um centavo fuçando por petiscos como você pelo chão, nossos
porta-vozes reclamam da sujeira que eles deixam nas ruas e ainda atacam
com vis ameaças um outro Cristo que sai para lhes dar sopa e pão.
Proposta para resolver o problema das pessoas em situação de rua é algo
extremamente complexo. Melhor deixar para depois. Ataque-se já o usuário
de drogas e se retirem todos os seus pertences sem nenhuma consideração
do devido processo legal que, esse, só vale para os cães que uivam.
A solução do problema complexo pode ser encontrada mediante apoio ao que diz: estou voltando para o meu arado.
Não e não! Impossível. Os cães, benditos possuidores, não aceitariam o
retorno de nem mesmo cinco por cento da população, antes se recusam a
devolver assim as terras ancestrais dos povos originários como a dos
quilombolas. E alguns até ironizam que, se você fizer isso, voltar
atrás, virará estátua de sal, como fora advertida a mulher de Lot, que
não acreditou na ameaça e hoje se multiplica em legião de estatuas de
sal chamadas waiãpi, apurinã, tukano, guajajara, mura e yanomami.
Eu, finalmente, decidi minhas mentiras futuras.
Falemos sobre mentiras passadas, presentes e do que vem para o futuro.
A mentira passada das mais divulgadas é a de que o amarelo da bandeira representa o nosso ouro.
Mentira em dúplice dimensão. O amarelo entra na bandeira porque
representa a casa imperial dos Habsburgos, à qual pertencia Leopoldina,
primeira imperatriz do Brasil. E o ouro que foi encontrado por aqui em
abundância, provavelmente não saiu das terras onde dominaram os
Habsburgos por quase trezentos anos. Decerto a Casa Imperial do
colonizador fez uso do ouro brasileiro. Portanto, no Império, o ouro era
dos Bragança, o verde da bandeira. É levaram o equivalente a dez anos
da produção anual atual do metal.
E, consoante a mentira presente, o ouro não é nosso e, sim, dos que o
extraem ilicitamente e ainda se lhes deu o poder de autodeclararem a
permissão da lavra garimpeira que não permite a apuração da origem e o
controle ambiental da atividade.
Trata-se, possivelmente, da mais amarela das lavagens de dinheiro
perpetrada pelos cães e que se infiltra nas terras indígenas mediante a
paga de sempre: os petiscos, tanto maiores quanto mais poderosos os que
deveriam vigiar o solo.
A estrada dos tijolos amarelos leva à morte dos povos originários e
quilombolas, no limite, à morte do Estado, que não consegue fazer cessar
essa gritaria da coruja que uiva na mata.
Mas sabe o que o Estado deve fazer, se não quiser morrer? Derrubará
seu avião. E destruirá tuas pistas de pouso clandestinas onde circula o
ouro que você certificou. Não seria demais que cuidasse de processar
você e te fazer cumprir a pena cabível por estar nos obrigando a dar
adeus à estrada dos tijolos amarelos.
Esperemos que mentiras futuras deixem de existir, mediante controles
eficientes da produção do tijolo amarelo, cuja extração não destrua o
ambiente, como se faz em Canaã dos Carajás, de nome e memória tão
simbólicos.
Fique, enfim, a homenagem a esse notável cantor e compositor e a reflexão que ele nos ajudou a ter sobre o tema.
A atração mais “quente” de Las Vegas vai demorar para ser lucrativa?
Já faz quase um ano que o Sphere, a gigante arena
high-tech coberta por milhões de LEDs, foi inaugurado em Las Vegas – e
desde então se tornou a atração mais quente da cidade. Entretanto,
olhando para os recentes números divulgados pela Sphere Entertainment,
parece que o negócio pode levar um bom tempo para recuperar os US$ 2,3
bilhões investidos para construir a mega atração.
Segundo dados divulgados pela própria Sphere Entertainment,
referentes ao ano fiscal 2024, a atração rendeu US$ 497 milhões em
receita para a sua controladora, o que inclui a venda de ingressos e a
veiculação de publicidade na tela externa da arena – chamada Exosfera.
“Estamos começando a ver negócios recorrentes, o que é um sinal muito bom para o meio”, disse o CEO da Sphere, James Dolan, afirmando que a empresa planeja adicionar “um componente de áudio” à publicidade externa.
Neste primeiro ano de operação, as residências de artistas foram um
dos principais ganchos para geração de receita. Depois de abrir com uma
série de show da banda irlandesa U2 em seus primeiros meses de operação
em 2023, a arena seguiu com residências como Dead & Co, Phish e,
mais recentemente, a tradicional banda de rock ianque Eagles.
Entretanto, apesar dos ingressos por shows serem os mais disputados, a
maior parte da receita de bilheteria veio da chamada “Sphere
Experience”, os shows visuais imersivos – com cadeiras vibratórias e
tudo – feitos exclusivamente para a arena. Ah, e o ingresso para estes
“filmes” não é barato – no mínimo US$ 70.
No primeiro ano de operação, o principal show imersivo foi o
“Postcards From Earth”, experiência multisensorial dirigida pelo
premiado cineasta Darren Aronofsky. Entretanto, entrando em seu segundo
ano, a arena já está se mexendo para trazer novas atrações deste tipo. A
mais recente foi o lançamento do “filme do show” do U2 no Sphere, chamado V-U2.
Cresceu, mas tem dívida
Apesar dos números impressionantes – segundo a própria Sphere,
são mais de US$ 1 milhão em venda de ingressos todos os dias – a Sphere
tem seus desafios a curto prazo antes de se tornar lucrativa.
A Sphere Entertainment enfrenta pressões de dívida
de curto prazo, com US$ 849,8 milhões vencendo em outubro de 2024. A
empresa está buscando um acordo com os credores para refinanciar as
obrigações de sua subsidiária MSG Networks.
No trimestre mais recente, a empresa relatou um prejuízo operacional
de US$ 71,4 milhões. Dave Burns, diretor financeiro, atribuiu algumas
das perdas à receita menor do que o esperado de um produto de streaming
direto ao consumidor chamado MSG+, que estreou em junho de 2023.
A estrutura atual da Sphere Entertainment deriva de
dois spin-offs importantes de entidades do Madison Square Garden. No
quadro geral, a Sphere registrou uma receita de US$ 1,03 bilhão no ano
fiscal, com a MSG Networks representando US$ 529
milhões deste bolo, mas também representando a maior parte dos US$ 341
milhões em perdas durante o período.
Embora seus shows tenham gerado um buzz global e exposição nas mídias sociais, o potencial financeiro do Sphere depende da maximização de sua capacidade de utilização.
Com isso em mente, Dolan disse que a empresa está “fazendo progresso”
em direção à sua meta de sediar vários eventos em um único dia. Por
exemplo, o filme Postcard from Earth foi exibido nos mesmos dias dos
shows do Dead & Company em julho e agosto.
“Estamos desenvolvendo ativamente novas experiências cinematográficas
e esperamos lançar nossa próxima atração nas próximas semanas”, disse
Dolan. “Acreditamos que essa biblioteca de conteúdo em expansão
beneficiará nossos negócios em Las Vegas e fortalecerá nossa proposta de
valor para novos mercados”, finalizou o CEO, em nota aos investidores.
Além disso, a empresa está procurando um local para fazer uma segunda
Sphere. Inicialmente, o plano era construir uma em Londres, mas a
administração local barrou o plano, o que rendeu à companhia um prejuízo
de $ 116,5 milhões.
Então o jovem diz-lhe que foi seu aluno. E o professor pergunta-lhe:
– Ah, é? E que trabalho faz agora?
O jovem responde: – Bem, sou professor.
– Oh, que lindo como eu? diz-lhe o velho.
– Bem, sim. Na verdade, tornei-me professora porque o senhor me inspirou a tomar essa decisão.
O velho, curioso, pede ao jovem que lhe diga porquê. E o jovem conta-lhe esta história:
– Um dia, um amigo meu, também estudante, chegou à escola com um
relógio lindo e novo e eu roubei-o. Pouco depois, o meu amigo
apercebeu-se do roubo e reclamou imediatamente com o nosso professor,
que era o senhor. Então o senhor fechou a porta e mandou toda a gente
levantar-se porque ia revistar os nossos bolsos um por um. Mas,
primeiro, disse para nós fecharmos os olhos. Assim fizemos e o senhor
procurou bolso a bolso e, quando chegou junto de mim encontrou o relógio
no meu bolso e pegou-o. Ainda assim, o senhor Continuou a revistar os
bolsos de todos e, ao terminar, disse: – Abram os olhos. Encontrei o
relógio!
O senhor nunca me disse nada e nunca mencionou o meu nome no
episódio. Nunca disse quem foi que roubou o relógio. Naquele dia, o
senhor salvou-me a dignidade para sempre. Foi o dia mais vergonhoso da
minha vida. Nunca me disse nada e, embora nunca me tenha repreendido ou
chamado para me dar uma lição de moral, percebi claramente a mensagem. E
graças ao senhor compreendi que é isso que um verdadeiro educador deve
fazer.
– Lembra-se desse episódio, professor?
E o professor respondeu:
– Lembro-me da situação, do relógio roubado, de ter revistado os
bolsos de toda a gente na sala, mas não me lembrei de ti, porque
enquanto eu vos revistava os bolsos também estava com os olhos fechados.
Nesta coluna, Priscila Schmidt, especialista em comunicação para alta
liderança, conta por que o óbvio precisa ser dito. Confira!
Divulgação
Eu estou estreando como colunista da StartSe com
este artigo. Você, leitor, ou leitora, pode imaginar o meu desejo de
acertar. Pode imaginar o cursor indo e vindo, escrevendo e apagando,
tentando encontrar dentro de mim o caminho certo. As informações mais
impactantes. A forma que gere mais autoridade. O storytelling que
engaje.
Começar algo novo é sempre um grande desafio e este
artigo que você lê, tentou antes, ser um artigo importante. Agora, ele é
apenas um compartilhamento de ideias, despretensioso, vulnerável.
Preciso escrever sobre comunicação para líderes.
Então, começo escrevendo que comunicar é liderar. Eu acredito nisso.
Não importam resultados, metas, diplomas, certificações, habilidades
técnicas, as competências que alçaram você para uma posição de liderança
não são as que te manterão por lá. O desafio muda. Ou você guia
as pessoas por um caminho bom, ou não guia elas por caminho nenhum.
Liderar é a capacidade de levar alguém de um ponto a outro e isso só é
possível através da comunicação.
Mas isso me pareceu óbvio.
Assim, decidi ir por um caminho que não poderia ter erro, afinal, é tema básico para liderança: comunicação assertiva.
Impossível ser uma liderança eficiente sem uma comunicação assertiva.
Escreveria um artigo com o passo a passo para a construção de uma
comunicação assertiva, a importância de saber o objetivo e de definir o
conteúdo, cuidar da performance, garantir o tempo e o espaço corretos
para a transmissão de cada mensagem.
Mas isso também me pareceu óbvio.
Por fim, já tomada pela síndrome de impostora,
decidi escrever sobre escuta ativa. Não há êxito na comunicação ou na
liderança sem uma boa escuta. “Escutatória, vem antes da oratória”.
“Temos dois ouvidos e uma boca, para ouvir mais e falar menos”. Vou
além. Dispenso o conceito de escuta ativa – que diz respeito a
quem ouve com atenção – e avanço para o conceito de escuta ostensiva –
que diz respeito a quem, mais do que ouve com atenção, demonstra que
está ouvindo com atenção através do contato visual, da expressão facial,
dá feedbacks sobre a recepção e compreensão da mensagem, mas… bom, você
já sabe, certo?
Me pareceu óbvio demais.
Reunião de equipe definindo metas com post-its (foto: Getty)
Então, me lembrei de uma máxima: o óbvio precisa ser dito.
Afinal, esses temas fazem parte do meu cotidiano. Todos os dias eu estou treinando Altas-Lideranças e C-levels, individualmente, caso a caso, desenvolvendo as habilidades mais urgentes para aprimorar a comunicação de cada um.
Alguns, precisam melhorar a expressividade, outros de mais
assertividade, outros precisam melhorar a escuta ou de mais
autoconhecimento, mais empatia, alguns de mais repertório. As habilidades por trás da comunicação são muitas. Para mim, tudo isso é óbvio.
E foi da obviedade que surgiu o meu receio sobre a escolha do tema
para estrear esta coluna. Isso, provavelmente, também acontece com você.
Quantas mensagens você deixa de transmitir, por elas parecerem
óbvias? Quantas lições você deixa de ensinar, por elas parecerem óbvias?
Quantos feedbacks (principalmente os positivos) você deixou de dar por
parecer óbvio o que aquela atitude representava?
Um estudo publicado em julho do ano passado por Francis Flynn e Chelsea Lide, demonstrou que os líderes
têm quase 10 vezes mais chances de serem criticados por não se
comunicarem do que por se comunicarem demais. O estudo mostra que os
líderes que se comunicam pouco são vistos como menos qualificados para
um papel de liderança porque são vistos como menos empáticos.
Portanto, quero te lembrar que o óbvio só é óbvio para você.
Precisa ser dito, dito de novo, de uma outra forma, por um outro canal.
Quando você estiver cansado da sua mensagem, é por que ela está
começando a aterrissar na mente da sua equipe.
Te convido para ler mensalmente, toda 3ª segunda-feira do mês, esta coluna falando sobre o óbvio: a comunicação é habilidade essencial para qualquer liderança, seja ela chefe ou não. Uma boa liderança é determinada por uma boa comunicação.
COMO DEVEM SER OS PARCEIROS NOS NEGÓCIOS
“Parceiros chegam de várias formas. Se juntam por diferentes motivos”.
Eu sei, é clichê, rss. E se a frase fosse minha eu acrescentaria: “O que eles tem em comum é o fato de acreditarem no que nós acreditamos”.
Parceria é a arte de administrar conflitos de interesses e
conexões de interesses, visando resultados benéficos para ambas as
empresas”.
É por isso que eu costumo comparar parceria com casamento. Quem é
casado sabe que administrar conflitos é fundamental para ambos terem
resultados nessa aliança.
Assim como no casamento, o parceiro não precisa ser igual a nós, mas
tem que ter o nosso ‘jeitão’! Nas parcerias eu defendo que o parceiro
precisa ter o DNA de inovação, a inquietude pra sair da zona de conforto
e uma preocupação muito grande com o cliente, não apenas no discurso,
mas na prática. É claro que no processo de análise do possível parceiro,
nós avaliamos o potencial financeiro e de escala da aliança, a
estrutura e o tamanho da empresa. Mas, tem um fator humano que não pode
ser desconsiderado, já que empresas são, na sua essência, pessoas.
É por isso, que normalmente, os parceiros são empresas formadas por
pessoas do bem, pessoas com propósito, que tem tanto o caráter quanto a
lealdade de continuar de mãos dadas, mesmo nos momentos mais difíceis. É
como um casamento mesmo!
É importante também que os parceiros tenham know how e competênciascomplementares,
que potencializem nossas fragilidades e deem mais peso aos nossos
pontos fortes. E como eu acredito que o primeiro approach de
uma boa parceria acontece no plano humano (onde existe emoção), e não no
corporativo, eu gosto muito da histórica da parceria entre Steve Jobs e Steve Wozniak.
Os dois Steves tornaram-se amigos durante um emprego de verão em 1970.
Woz estava ocupado construindo um computador e Jobs viu o potencial para
vendê-lo. Em uma entrevista de 2006 ao Seattle Times, Woz, explicou:
“Eu só estava fazendo algo em que era muito bom, e a única coisa
que eu era bom acabou por ser a coisa que ia mudar o mundo… Steve (Jobs)
pensava muito além. Quando eu projetava coisas boas, às vezes ele
dizia: ‘Nós podemos vender isso’. E nós vendíamos mesmo. Ele estava
pensando em como criar uma empresa, mas talvez ele estivesse mesmo
pensando: ‘Como eu posso mudar o mundo?’”.
Por que essa parceria deu certo? Habilidades e competências complementares.
As habilidades técnicas de Woz juntamente com a visão de Jobs fizeram dos dois a parceria perfeita nos negócios.
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ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Para Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica, existe um ponto importante, pouco discutido, quando se fala em transição energética no
Brasil. “Sem trazer o consumidor para o debate, não vamos fazer uma
transição energética justa”, afirma a dirigente. Segundo Gannoum, um
ponto nevrálgico do debate passa exatamente por olhar a demanda e, dessa
forma, mapear as necessidades. “E cada país vai ter de enfrentar suas
especificidades”, diz.
Até por causa dessa nova forma de abordar a questão energética é que a
presidente executiva da ABEEólica defende exercitar um olhar mais
ampliado dos processos. “A indústria da economia de baixo carbono tem
vários setores, e todos precisam ser considerados”, diz.
‘É preciso trazer o consumidor para o debate’, diz Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica Foto: Felipe Rau/Estadão
Se a visão de mundo é um gargalo, a regulação e as linhas de financiamento são outros dois.
“É fato que existe um movimento maior em busca de instrumentos que
levem a uma economia de menos carbono, mas, do ponto de vista nacional,
temos de continuar trabalhando, até para avançar em questões como a da
regulação do mercado de carbono”, afirma Marina Monné de Oliveira,
coordenadora de Regulação na Eccon Soluções Ambientais.
‘Todos os grandes conflitos geopolíticos atuais envolvem grandes
produtores de petróleo’, observa Marina Monné de Oliveira Foto: Felipe
Rau/Estadão
A advogada lembra que todos os grandes conflitos geopolíticos atuais
envolvem grandes produtores de petróleo. “Com esses grandes conflitos
bélicos, a questão climática fica em segundo plano”, diz Oliveira.
Pelo lado de dentro das finanças verdes, o banco BV, segundo Renata
Camilo Pinho, superintendente de Crédito Atacado na instituição, busca
ser um apoiador da transição energética. Não apenas com linhas de
crédito, mas também oferecendo consultorias ESG para os clientes que
pretendem avançar no tema. “É uma vertente bastante relevante. Somos
otimistas que, do lado dos investidores, a questão do baixo carbono deve
avançar ainda mais. Mas temos muito caminho para avançar”, explica
Pinho.
O BV oferece consultorias ESG para os clientes, diz Renata Camilo
Pinho, superintendente de Crédito Atacado do banco Foto: Felipe
Rau/Estadão
Prospectar soluções para o cliente, ou seja, olhando para a demanda,
também é uma realidade no setor privado que tem como foco principal de
negócio ofertar energia para as pessoas. É dentro desse contexto quer a
Ultragaz, seguindo Erik Trench, diretor de Gases Renováveis do grupo,
aposta no biometano como uma das soluções para os seus clientes.
Ultragaz aposta no biometano como uma das soluções para os seus
clientes, diz Erik Trench, diretor de Gases Renováveis do grupo Foto:
Felipe Rau/Estadão
“É um caminho importante dentro da composição da matriz energética
brasileira. Além de ser um diferencial competitivo para a indústria”,
diz Trench. É um tipo de combustível, estima a empresa, que será
produzido a partir, principalmente, de três tipos de matéria-prima. O
manejo inteligente dos resíduos sólidos, a partir de rejeitos da
produção sucroalcooleira e, ainda, usando restos da agropecuária como
matéria-prima. “São processos que, no geral, podem inclusive ajudar a
própria indústria a antecipar sua metas (de sustentabilidade)”, afirma Trench.
A transição energética para uma economia de baixo carbono vai muito
além da geração de energia; ela está ligada a uma profunda transformação
de padrões
A transição energética é uma mudança de paradigma
que envolve não só a geração de energia, mas também o consumo e o
reaproveitamento dela. O conceito parte da migração de matrizes
energéticas poluentes – como combustíveis fósseis à base de carvão ou
petróleo – para fontes de energia renováveis, como hidrelétricas,
eólicas, solares e de biomassas.
Mas não é só isso. O olhar da transição energética
se estende para o meio ambiente, gestão de resíduos, eficiência
energética, digitalização e outros meios necessários para que atinjamos o
objetivo comum de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e
as suas consequentes influências nas mudanças climáticas.
Neste conteúdo, você entenderá a transição energética nos seguintes tópicos:
A transição – ou transformação – energética é o caminho mais necessário para a evolução da economia de baixo carbono.
Transição pressupõe passagem, ou evolução, de uma condição a outra.
Quando falamos em transição energética, portanto, tratamos de um novo
estado das coisas, com um olhar mais amplo e sistêmico para a
sustentabilidade ambiental e social.
O significado dessa mudança
“A transição energética é muito mais uma tomada de consciência sobre o
atual modelo de produção, consumo e reaproveitamento da matéria e
energia, e sobre a influência disso nas mudanças climáticas. Precisamos
refletir sobre a origem e a eficiência energética de toda a cadeia de
valor dos produtos e serviços que cada um de nós, cidadãos, empresas e
instituições consumimos, aí incluindo o pós-consumo”, afirma a gerente
de Meio Ambiente, Responsabilidade Social Corporativa e Transição
Energética da ENGIE, Flávia Teixeira.
O que é transição energética?
A transição energética engloba não só a geração e consumo
de energia de baixo carbono, como também a forma como otimizamos a
utilização de bens e serviços. O significado de transição energética
passa também por mudanças na estrutura social, econômica, política e
cultural, e pressupõe o reconhecimento de que é insustentável, sob todos
os aspectos, inclusive econômico, continuar consumindo recursos naturais na velocidade atual.
Há, por exemplo, uma grande oportunidade na área de eficiência energética,
termo que remete à capacidade de conseguir o melhor rendimento, com
menor uso de recursos e sem abdicar da qualidade. Empresas e governos
devem buscar equipamentos mais eficientes, por exemplo, além de
racionalizar o uso do solo e da água, acelerar a economia circular,
otimizar a geração das usinas hidrelétricas, os sistemas de transmissão,
etc.
Transição energética no Brasil
A produção e consumo de energia a partir de fontes renováveis
é um aspecto tão importante quanto o acesso à energia elétrica no
Brasil. Segundo o Banco Mundial, ainda existem 840 milhões de pessoas
sem acesso à energia elétrica no mundo e é por isso que se fala em transição justa, pois ainda não é possível equilibrar o sistema e aumentar o acesso à energia somente com fontes renováveis em todos os casos.
Nesse cenário, o gás natural funciona muitas vezes como um combustível intermediário, pois, embora seja de origem fóssil, tem menor emissão de CO2 em comparação a outros combustíveis fósseis.
No Brasil, por exemplo, apesar da universalização da energia estar
bem avançada, há populações isoladas que dependem de usinas
termelétricas ou outras soluções locais. Atualmente, essa condição
representa menos de 1% da carga total do sistema.
Contudo, o país já tem um sistema energético renovável considerável,
que pode representar 50% da matriz em 2022. Em termos de energia
elétrica renovável, estamos ainda mais avançados, com cerca de 85% da
nossa matriz de geração dentro desse espectro.
Prova do nosso bom desempenho é em relação ao ODS-7, que trata de energia limpa. Isso se reflete na baixa participação do setor elétrico no total das emissões brasileiras de gases do efeito estufa (GEE).
“Boa parte das emissões no exterior vem da geração de energia, devido
ao peso das fontes fósseis na matriz. No Brasil é diferente, pois a
nossa matriz é bastante renovável. Por isso, precisamos avançar na
transição como um todo, da produção ao consumo de energia. O debate para
reduzir as emissões precisa ser aprofundado para além da energia”, diz
Giuseppe Signoriello, consultor de transição energética da ENGIE.
Mudanças nas áreas de transporte, solo e aproveitamento de resíduos
Por isso, a transição energética para uma economia de baixo carbono
no Brasil deve passar, inclusive, por mudanças nas áreas de transporte,
uso do solo e aproveitamento de resíduos. No transporte, essencialmente o
rodoviário, a sociedade e os governos devem avaliar alternativas como a
eletrificação de ônibus e caminhões e o uso de combustíveis renováveis,
como o biogás, o biometano e o etanol.
“No caso do etanol, o grande incentivador de uso ainda é o preço. Mas
a transição energética deve ir além disso. Deve ser o reconhecimento de
toda uma cadeia de consumo e suprimento por trás desse combustível”,
afirma o gerente de Meio Ambiente e Responsabilidade Social da ENGIE
Brasil Energia, José Magri.
Fontes renováveis de energia
Entre as principais fontes de energia utilizadas no Brasil, as
renováveis têm grande destaque, representando 48,4% da matriz energética
nacional. E a tendência é de que esse percentual aumente nos próximos
anos, em busca da neutralidade na emissão de carbono no país.
Entenda quais são as principais fontes renováveis de energia, segundo
dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), divulgados no Relatório Síntese 2021:
Hidrelétrica
A energia proveniente de hidrelétricas responde por 65,2% da matriz
elétrica nacional. Trata-se de uma fonte renovável, sem emissão de
poluentes. Normalmente, são empreendimentos que causam impactos
positivos nas regiões em que estão implantados, pois adotam boas
práticas de conservação ambiental, mitigação de impactos e contribuições para a comunidade local.
Eólica
De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a energia eólica hoje representa 10,9% da matriz elétrica brasileira e a expectativa é que chegue a 13,6% ao fim de 2025.
Solar
A energia solar representa 1,7% da matriz elétrica do país, de acordo
com a EPE. Somente em 2020, a capacidade instalada em energia solar
fotovoltaica cresceu 66% no país, impulsionada, principalmente, pela geração distribuída.
Nuclear
O uso de energia nuclear, no Brasil, foi de somente 2,2% em 2020 –
menos que os 2,5% de 2019. Mas, especificamente na geração termelétrica,
essa fonte tem uma participação um pouco maior (8,9%).
Gás Natural
A média diária de produção do ano foi de 127,8 milhões de m³/dia e o volume importado foi de 26,3 milhões de m³/dia. O gás natural
participa com 11,8 % na matriz energética nacional, mas sua demanda
recuou 6,0% em 2020, em relação ao ano anterior, devido principalmente à
queda do consumo industrial, da ordem de 13,3%.
Biomassa
A biomassa também apresentou crescimento em sua participação na
matriz elétrica, passando de 8,4% em 2019 para 9,1% em 2020. Trata-se de
uma fonte primária de energia, não fóssil, produzida a partir de
matéria orgânica de origem animal ou vegetal.
A evolução além da energia
Na gestão de cidades, estudos estimam que a totalidade dos resíduos
sólidos urbanos gerados pelo Brasil seria capaz de produzir energia
elétrica capaz de atender ao correspondente a 3% do consumo.
Com cerca de metade dos resíduos composta por lixo orgânico, o Brasil é
o país com maior potencial para a produção de biogás, pois além dos de
origem urbana, conta com os gerados pela agroindústria.
O desafio, portanto, reside na integração entre os setores produtivos
e o poder público, na construção de políticas transversais que
viabilizem a transição justa, conciliando a inovação tecnológica e
atendendo as demandas sociais.
Sendo as mudanças climáticas o maior risco global, segundo o Fórum
Econômico Mundial, torna-se premente a transição energética para a
economia de baixo carbono. Para além da geração a partir de fontes
renováveis, impõe-se uma visão mais ampla e sistêmica, em busca da máxima eficiência no aproveitamento dos recursos, com universalização do acesso e diversificação da matriz.
No entanto, a transição energética para uma economia de baixo carbono não ocorre do dia para a noite. Novos arranjos, marcos regulatórios
e mecanismos de mercado estão surgindo gradativamente para dar os
incentivos corretos para que a transição ocorra. Um deles é a precificação do carbono. Embora não seja uma solução para tudo, o mecanismo pode indicar o caminho a seguir.
Novas tecnologias do setor elétrico
A transição energética e a digital estão interligadas, pois a digitalização
é responsável por contribuir com soluções para diversos desafios na
geração, transmissão e distribuição de energia. A conectividade, por
exemplo, possibilita o ganho de eficiência e também a coleta de dados
que podem ser úteis para o negócio.
A ENGIE nesse contexto
A ENGIE tem como propósito agir
para acelerar a transição para uma economia neutra em carbono por meio
do consumo reduzido de energia e soluções mais sustentáveis.
Maior empresa privada de energia do Brasil e detentora da mais extensa
rede de transporte de gás natural do país, a empresa produz a maior
parte da sua energia através de fontes renováveis e oferece soluções às
empresas para a produção da própria energia, gestão e redução do consumo
energético e de gás, além de produtos voltados à descarbonização,
inclusive no que envolve as cidades inteligentes.