BRASÍLIA — Pernambuco (18%), Rio Grande do Norte (18%), Ceará (17%), Bahia (16%), e Mato Grosso do Sul (16%) são os cinco Estados em que, respectivamente, há mais eleitores que se consideram de esquerda. Roraima (41%), Mato Grosso (37%), Santa Catarina (36%), Tocantins (35%) e Paraná (32%)
por sua vez, onde estão mais pessoas de direita. Isso é o que revela
pesquisa do DataSenado feita em parceria com a Nexus, área de pesquisa e
inteligência da FSB Holding.
No geral, o levantamento mostra que maior parte dos brasileiros não
tem ligação com os espectros políticos. 40% dos entrevistados dizem não
se identificar com nenhum dos lados. 29% se identificam com a direita,
15% com a esquerda e 11% com o centro. 6% não sabem ou preferiram não
responder.
Manifestação bolsonarista na Avenida Paulista, em fevereiro deste
ano; há mais pessoas identificadas com a direita do que com a esquerda
no Brasil. Foto: Taba Benedicto/Estadão
Maranhão (52%), Amapá (48%), Piauí (47%), Acre (47%), Amazonas (47%), Alagoas (47%) são os Estados com que dizem não ter identificação com nenhum lado político.
Elga Lopes, analista de opinião pública do DataSenado, diz que esses
números mostram que a maior parte dos eleitores está menos interessada
em ideologia política e mais atenta aos problemas de sua cidade.
O cenário — com os não-alinhados numericamente acima — se repete em
todos os outros recortes da pesquisa (gênero, religião, escolaridade e
renda familiar), com apenas duas exceções: entre os homens, em que há um
empate em 34% entre os de direita e os que não se identificam com
nenhum espectro, e entre os que têm seis ou mais salários mínimos. Nesse
nível, a maioria (37%) é de direita, enquanto esquerdistas e neutros
estão empatados em 21%.
Nos recortes, a maior desproporção entre direitistas e esquerdistas
está entre os evangélicos. Apenas 8% se dizem de esquerda ante 35% de
direita, diferença de 27 pontos porcentuais.
A pesquisa também perguntou às pessoas se o resultado das urnas eletrônicas é confiável. 86% dos eleitores de esquerda concordam, 12% discordam e 2% não sabem.
Os eleitores de centro também concordam em sua maioria (67%),
enquanto 32% desse público discorda e 1% não sabe. Esse cenário é
similar entre os não-alinhados. 61% concorda, 35% discorda e 4% não
sabem.
Já na direita, a situação é oposta. 61% discordam, 36% concordam e 3% não sabem.
A pesquisa foi realizada entre 5 e 28 de junho deste ano e
entrevistou 21.808 brasileiros por telefone. A confiabilidade da
pesquisa é de 95%, e, sem considerar os cruzamentos, a magem de erro é
de 1,22 ponto porcentual, com desvio-padrão de 1,37 ponto percentual.
Em meio às discussões sobre o possível retorno do horário de verão no
Brasil, 26 cientistas da área de cronobiologia — ciência responsável
por estudar os ritmos e os fenômenos biológicos — assinaram um manifesto
contra a medida.
Historicamente, a mudança nos relógios foi justificada como uma forma
de economizar energia, buscando alinhar as atividades do dia a dia às
horas de luz natural. No entanto, os pesquisadores sugerem que os
malefícios à saúde podem superar os benefícios econômicos esperados.
Ritmos biológicos humanos estão profundamente conectados ao ciclo
natural de luz e escuridão, afirmam especialistas Foto: Laima Gri/Adobe
Stock
Conforme explicação dos estudiosos da cronobiologia, os ritmos
biológicos humanos estão profundamente conectados ao ciclo natural de
luz e escuridão, regulando de forma automática funções essenciais como sono, apetite e até mesmo o humor.
A introdução do horário de verão, porém, tornaria essa sincronização
confusa, forçando o organismo a se reajustar a um novo “horário social”.
Para muitos, essa adaptação pode ser desafiadora e resultar em
problemas de saúde.
“Esse processo de adaptação nem sempre é fácil. Enquanto algumas
pessoas conseguem se ajustar, outras permanecem fora de sintonia, o que
pode gerar sérios problemas de saúde”, diz trecho do documento assinado
por pesquisadores de diferentes instituições, incluindo Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade de São Paulo (USP).
Entre os efeitos negativos do horário de verão, os cientistas listam distúrbios do sono, aumento de eventos cardiovasculares adversos, transtornos mentais e cognitivos, e crescimento no número de acidentes de trânsito nos primeiros dias após a mudança.
No manifesto, os estudiosos mencionam um estudo realizado em 2017
pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que abordou a
forma como lidamos com a transição de horário.
A pesquisa, baseada em questionários online, analisou as respostas de
mais de 1.200 participantes sobre seus horários habituais de dormir e
acordar, perguntando também sobre a chegada do horário de verão. A
conclusão: mais de 50% dos entrevistados relataram passar por algum tipo
de desconforto até o relógio voltar ao normal.
Os pesquisadores destacam que a posição expressa no manifesto é
baseada unicamente em evidências científicas, independentemente de
inclinações políticas, defendendo que para preservar a saúde e o
bem-estar, o ideal é manter a alteração nos horários fora dos planos.
“Isso evitaria os efeitos negativos promovidos pela mudança de
horário e promoveria um maior alinhamento entre os nossos ritmos
biológicos e os horários social e ambiental, contribuindo para uma
sociedade mais saudável”, defendem.
História de IDIANA TOMAZELLI E ADRIANA FERNANDES – Folha de S. Paulo
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Com a piora no resultado das contas
públicas e o aumento na taxa de juros, o governo de Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) já vê a dívida bruta do governo acima de 81% do PIB (Produto
Interno Bruto) a partir de 2026, último ano do atual mandato do
presidente.
As novas projeções do Tesouro Nacional são maiores que as divulgadas
pelo governo em abril, quando houve a mudança nas metas fiscais de 2025
em diante, e colocam o Brasil acima de um patamar de endividamento que a
própria equipe econômica dizia estar afastado.
“Se nada for feito, ela poderia chegar [a 80% do PIB], mas esse
cenário não vai acontecer”, disse o secretário do Tesouro Nacional,
Rogério Ceron, em sua primeira entrevista no cargo.
De lá para cá, o governo regularizou o pagamento de sentenças
judiciais represadas pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o
que contribuiu para a elevação da dívida, mas também ampliou despesas
obrigatórias e pactuou a exclusão de gastos da meta de resultado
primário –que, mesmo fora da conta, impactam o endividamento do país.
Nas estatísticas do Banco Central, a única vez em que a dívida bruta
ficou acima de 80% do PIB foi durante a pandemia de Covid-19.
O governo enfrenta o ceticismo do mercado e de órgãos de controle por
calcar boa parte de suas projeções de receitas em medidas incertas ou
de fôlego único, que não terão o mesmo desempenho em anos seguintes
(como o resgate de depósitos judiciais). Isso lança desconfiança sobre a
capacidade de entregar uma melhora fiscal duradoura.
As projeções atualizadas da dívida pública não foram divulgadas pela
equipe econômica na apresentação do Orçamento, realizada em 2 de
setembro, embora a trajetória seja monitorada de perto pelos agentes
econômicos por ser um dos principais indicadores de solvência do país.
A reportagem extraiu as estimativas das informações complementares à
proposta de Orçamento de 2025, um documento com mais de 2.700 páginas
enviado ao Congresso Nacional em 18 de setembro.
A nova projeção demonstra uma tendência contínua de crescimento da
dívida no atual mandato, saindo de 74,4% do PIB em 2023 para 81,6% em
2026. O indicador ainda sobe para 81,8% do PIB em 2027, até recuar
levemente a 81,5% no ano seguinte.
A dívida líquida, que desconta das obrigações do governo os créditos a
receber e as reservas internacionais (uma espécie de poupança em
dólares), também ficou maior.
Em resposta por escrito, o Tesouro disse que “houve um aumento no
nível da DBGG [dívida bruta do governo geral], mas não em sua
tendência”, já que a estabilização da dívida deve ser alcançada entre
2027 e 2028.
O órgão atribuiu a revisão dos números “principalmente à mudança no
cenário de taxa de juros”, que apontou uma Selic em média 1,2 ponto
maior entre 2024 e 2026 do que no cenário adotado como premissa em
abril.
Mas a projeção também foi influenciada pelas estimativas fiscais
deste ano, segundo o Tesouro. O dado de abril considerava o déficit de
R$ 9,3 bilhões apontado em março, enquanto o Orçamento incorporou o
déficit de R$ 57,5 bilhões calculado em julho.
Na semana passada, o governo atualizou a projeção novamente e previu
um rombo ainda maior, de R$ 68,8 bilhões, o que tende a levar as
projeções da dívida para a casa dos 82% do PIB no futuro.
A escalada da dívida para o patamar acima de 80% já foi considerada
no passado, em estudos do próprio Tesouro, como insustentável para um
país com as características do Brasil. A volta do grau de investimentos
pelas agências de classificação de risco, que o Brasil perdeu durante o
governo Dilma Rousseff (PT), também fica mais distante.
Especialistas afirmam que não há um número mágico a partir do qual a
dívida se torna um problema muito grande, mas avaliam que o cenário se
mostra desafiador.
“Quando a dívida é crescente e num nível relativamente alto, como é o
nosso caso, é uma fonte de vulnerabilidade. O governo é dependente do
mercado financeiro para financiar a dívida pública”, diz o economista
Manoel Pires, coordenador do Centro de Política Fiscal e Orçamento
Público do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação
Getulio Vargas).
Segundo ele, à medida que a dívida pública aumenta, o governo também
precisa ampliar seu esforço de superávit primário para estabilizá-la,
cortando despesas ou elevando receitas.
Pires também ressalta que uma parcela considerável da dívida vence no
curto prazo, o que gera uma pressão no mercado, eleva as taxas de juros
cobradas no refinanciamento e realimenta a própria dinâmica da dívida.
O aumento nas taxas também afeta a estrutura de juros da economia, o
que encarece e atrapalha investimentos do setor privado. Segundo ele, as
projeções sinalizam uma preocupação para a trajetória econômica do país
no futuro.
As novas estimativas do governo podem ser consideradas otimistas,
dado que consideram um resultado primário no centro das metas
estipuladas para o período 2025-2028. Em 2024, no entanto, o governo tem
entregado uma execução perto da margem inferior da regra, que permite
um déficit de até R$ 28,8 bilhões (sem contar despesas fora da meta).
Se essa tendência se mantiver, significará um resultado efetivo pior
em até 0,25% do PIB ao ano. Em quatro anos, isso daria uma diferença de
1% do PIB a mais na projeção de endividamento.
O economista Cláudio Hamilton, coordenador de Finanças Públicas do
Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), diz que as projeções de
dívida são muito sensíveis aos parâmetros econômicos adotados, como
crescimento do PIB e taxa de juros, e é normal haver revisões.
Ele afirma, porém, que o principal motor para reduzir o endividamento
do país é o superávit primário, que tem sido uma “questão desafiadora”
para o governo. “Não quer dizer que não vai aumentar [o superávit], mas o
governo tem tido dificuldades em fazer isso”, diz.
Ele ressalta que medidas como a revisão de gastos são bem-vindas, mas
não são suficientes para conter as grandes tendências, como o avanço de
gastos previdenciários e assistenciais.
“Isso vai colocar uma pressão. É impossível ter superávits
crescentes? Não, mas precisa cortar outras despesas, ou aumentar
receitas. Mas aumentar receitas passa pelo Congresso. É uma escolha da
sociedade”, afirma Hamilton.
ISLÂNDIA: O país onde educação e medicina são gratuitas. Não há McDonald’s nem masmorras.
Cada pessoa sonha em levar uma vida melhor e viver em um país
moderno. Deste ponto de vista, a Islândia é o país ideal. Aqui não tem
exército, a eletricidade é grátis e as pessoas raramente trancam seus
carros e casas!
A Islândia é um país insular do norte localizado entre o Atlântico
Norte e o Oceano Ártico e esteve sob a soberania dinamarquesa até 1 de
dezembro de 1918. A população da Islândia é de apenas 332.529 pessoas.
As pessoas confiam umas nas outras, então não trancam seus carros ou
casas e as crianças podem ficar sem supervisão por alguns minutos
enquanto os pais fazem compras.
Aqui estão algumas curiosidades sobre a Islândia:
1. Os islandeses gostam muito de ler. Eu ocupo, neste capítulo, o primeiro lugar do mundo.
2. Se você vai pedir água em um café ou restaurante, não é que você
tenha que pagar. Eles vão te dar água da torneira que é muito boa porque
é das termas.
3. Se você decidir mudar de emprego, você não precisará de uma carta
de recomendação do seu trabalho anterior. Os islandeses confiam nas
pessoas e não vão te controlar de forma alguma.
4. Islândia é o único país do mundo onde a votação é feita online.
5. Este país é considerado muito conservador. Os locais têm uma atitude muito séria em relação ao casamento.
6. Atualmente, o turismo está altamente desenvolvido neste país, o
número de turistas aumenta a cada ano e é 2 vezes maior que a população.
7. Não há exército na Islândia. Se algum cidadão quiser fazer o
serviço militar, poderá juntar-se ao exército norueguês com base num
acordo entre esses países.
8. Todas as escolas e outras instituições educacionais são gratuitas aqui.
9. Não há clínicas privadas porque simplesmente não há necessidade
delas. Hospitais estaduais oferecem serviços médicos muito bons.
10. A Islândia é um dos poucos países da Europa que utiliza aquecimento urbano e as pessoas não pagam por este aquecimento.
Sonhar não custa nada e perder a esperança também não, talvez um dia consigamos algumas das coisas boas que a Islândia faz.
Foi muito bom ler que existem países assim.
9 curiosidades sobre a Islândia: a terra do gelo e do fogo
Com seus vulcões, gêiseres, fontes termais e campos de lava,
a pequena ilha no topo do mundo oferece paisagens incríveis, uma
cultura riquíssima e algumas curiosidades bem peculiares. Confira!
1. Todo mundo é parente na Islândia!
Com seus 300 mil habitantes, a Islândia é um país onde todo mundo tem algum grau de parentesco, mesmo que seja razoavelmente distante.
É comum também que ninguém utilize sobrenomes no dia-a-dia. As
pessoas utilizam o nome do pai e colocam “son” no final para os homens e
“dóttir” para as mulheres.
Além disso, existe um site chamado Islendingabok com toda genealogia da Islândia até 1.200 anos atrás. No país, recomenda-se chegar a checar a árvore genealógica antes de se relacionar com alguém!
2. Gêiseres
A Islândia possui um grande número de gêiseres espalhados pelo país, sendo aproximadamente 25 deles ativos.
Um dos gêiseres mais famosos é o Strokkur, com atividade constante e explosões que chegam a quase 20 metros de altura!
3. Atividade vulcânica intensa
Outra característica bem peculiar do país é a sua atividade vulcânica. A Islândia tem aproximadamente 130 vulcões no seu território, que fazem parte de 32 sistemas vulcânicos.
A Islândia possui a praia de areia preta mais famosa do mundo! Reynisfjara fica na pequena cidade de Vík í Mýrdal.
O folclore islandês diz que suas formações de basalto eram trolls que
foram transformados em pedra durante a batalha, pois não conseguiram
arrastar um grande navio para a costa antes do sol nascer.
Segundo a lenda, se você passa perto dos penhascos ainda é possível ouvir seus gritos e lamentos! De arrepiar, né?
Você sabia que é muito difícil encontrar insetos na Islândia? Por
causa do clima extremamente gelado, insetos e formigas não conseguem
fazer seus ninhos.
Para quem tem medo de barata, tenha certeza que não irá encontrá-las lá!
7. Quase 100% da ilha tem wi-fi
A Islândia abriga hoje uma união incrível entre paisagens naturais e
avanços tecnológicos. 97% da ilha possui cobertura wi-fi, além de todos
os estabelecimentos oferecerem internet rápida e gratuita.
Uma ilha extremamente conectada!
8. O país mais seguro do mundo
Se você acha que vulcões e geleiras tornam a Islândia um país
perigoso, não poderia estar mais enganado. A Islândia é um dos países
mais seguros do mundo para visitar e também para viver!
A criminalidade é praticamente inexistente e a
polícia não anda armada nas ruas. A cadeia local está sempre vazia…
Parece coisa de filme, né? Mas lá essa dinâmica faz parte da realidade.
9. Aurora Boreal® na Islândia
Além de todas essas maravilhas, a Islândia também é palco da Aurora Boreal, um dos mais belos fenômenos da natureza.
Já pensou em ver as Luzes do Norte colorindo o céu sobre uma belíssima cachoeira ou um lago congelado? É de arrepiar. E uma coisa eu garanto: é inesquecível.
Nessa sexta-feira (27), é celebrado Dia Nacional da Doação de Órgãos,
milhares de pessoas aguardam, na fila de espera, todos os anos. A maior
fila é por transplante renal, seguida por córneas, fígado, pâncreas/rim
(duplo), coração, pulmão, pâncreas, multivisceral e intestino.
Na maioria das vezes, o transplante de órgãos pode ser a única
esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço para as pessoas que
precisam da doação. Todos os anos, milhares de vidas são salvas por meio
desse gesto.
É preciso que a população se conscientize da importância do ato de doar órgãos ou tecidos!
O transplante é considerado um tratamento e não a cura de muitas
doenças crônicas, mas sem dúvida, é a garantia de continuidade da vida
daqueles que passam por esse procedimento.
Para a doação se efetivar, é necessária a autorização da família,
conforme prevê a lei nº 9.434. Também é necessária a comprovação da
morte cerebral do doador para retirada de órgãos sólidos como coração,
fígado, rins e outros.
Tecidos como córneas, pele, ossos, entre outros, também são bastante
necessários, porém, no Brasil, ainda não há a cultura de doação desses
tecidos, mesmo que nesses casos a retirada possa ocorrer após a parada
cardiorrespiratória do doador, o que torna a doação muito mais fácil.
Muitas pessoas invocam um sem-número de desculpas para não doar os
órgãos: superstições, medo de que sejam removidos ainda estando vivas
ou, simplesmente, por serem desfavoráveis. Certamente, não teriam a
mesma opinião se necessitassem de um transplante. Uma doença grave pode
manifestar-se em nós quando menos esperamos.
Após a retirada dos órgãos e tecidos da pessoa morta, o corpo é
reconstituído e os cortes produzidos são suturados para que não se
perceba a ausência dos órgãos removidos.
Independentemente dos méritos ou deméritos do ponto de vista de cada
um, na prática dos atos do cotidiano é preciso encarar esta indiscutível
verdade: contribuir para salvar a vida de alguém que precisa ter um
órgão degenerado substituído é feito admirável, merecedor de louvor.
Nenhuma religião é contrária a tão elevado gesto de magnanimidade e
humanidade.
De maneira geral, o ser humano, uns mais, outros menos, deseja fazer o
bem ao semelhante, em franca demonstração de amor ao próximo. Contudo,
crendices somadas à falta de informações e oposição da família são os
maiores responsáveis pelo insuficiente número de doadores.
Qualquer um pode doar. O que vale é estar com boa saúde avaliada pelo
médico e atender certos limites de idade: 75 anos para os rins, 70 para
o fígado, 69 anos para sangue, 65 para peles, ossos e válvulas
cardíacas, 55 para o pulmão, o coração e medula óssea, 50 para o
pâncreas. Para córneas não há limite.
A doação de órgãos é um ato por meio do qual podem ser retirados
órgãos ou tecidos de uma pessoa viva ou falecida (doadores) para serem
utilizados no tratamento de outras pessoas (receptores), com a
finalidade de reestabelecer as funções de um órgão ou tecido doente. A
doação é um ato muito importante, pois pode salvar vidas.
O indivíduo que esteja necessitando do órgão ou tecido o receberá por
meio da realização de um processo denominado transplante. O transplante
é um procedimento cirúrgico em que um órgão ou tecido presente na
pessoa doente (receptor), é substituído por um órgão ou tecido sadio
proveniente de um doador.
Chegou o fim de semana, hora de relaxar, ver um bom filme para se
inspirar e voltar ao trabalho na semana que vem com bons insights para
seus negócios – ou com aquele ânimo pra chutar o pau da barraca. Pois é,
na nossa lista de recomendações de filmes de hoje, não temos nada
disso.
Em outra lista que fizemos aqui no Startups uns tempos atrás, falamos de filmes com histórias mais inspiradoras,
com mensagens positivas e tudo o mais. Agora a parada é outra: decisões
erradas, gente perdendo tudo (ou quase tudo) e o lado bem pouco
agradável do mundo dos negócios.
Contudo, a gente garante uma coisa para quem aceitar as nossas
sugestões de filmes: dá pra se divertir bastante e, de repente, tirar
uma lição ou outra de como não fazer (ou fazer, se você for mais
inescrupuloso) na hora de tocar o seu negócio. Vamos às dicas!
O Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross, 1992)
Esse aqui é o filme mais velho da lista, mas que segue incrivelmente
atual até hoje. Baseado em uma peça de teatro famosa, e com um elenco
monstruoso (Al Pacino, Jack Lemmon, Alec Baldwin e outros), o filme
acompanha dias tensos na rotina de uma firma imobiliária. Sob a ameaça
de uma onda de cortes, os corretores começam a recorrer a artimanhas
cada vez mais arrojadas – e um tanto antiéticas – para fechar as suas
vendas. Não é dos filmes mais fáceis de se achar – atualmente não tem em
nenhum streaming por aqui – mas totalmente vale a pena.
Enron – Os Mais Espertos da Sala (Enron – The Smartest Guys in the Room, 2005)
Único documentário aqui da lista (e um indicado ao Oscar), este filme reconta a ascensão e a queda da Enron,
uma superpotência do ramo de gás e energia nos EUA que caiu em desgraça
após uma crise energética que assolou a Califórnia em 2001. Estamos
falando de muitos “rolos”, de interferência em políticas ambientais
públicas à táticas escusas de evasão fiscal, e má administração do
negócio, incluindo uma política de RH incrivelmente maquiavélica. Sério,
é tanta coisa errada que não tem nem como explicar. Disponível no YouTube.
Margin Call – O Dia Antes do Fim (Margin Call, 2011)
Voltando ao drama, Margin Call é um filme sobre as
24 horas mais nervosas de um grande banco de investimentos em Wall
Street. Baseada no crash da bolsa de 2008, o filme acompanha a empresa
em uma corrida contra o tempo – e contra horríveis apostas que fizeram
na bolsa – para evitar que a companhia, e possívelmente todo o cenário
econômico, afunde. Outro longa com um elenco matador (Jeremy Irons, Paul
Bettany, Demi Moore), que tem um ritmo quase de suspense, de tão tenso
que é. Disponível no Prime Video.
Na Roda da Fortuna (The Hudsucker Proxy, 1994)
Aqui temos um filme mais leve (comédia), mas que traz um senso de
humor bem cáustico sobre o mundo dos negócios, pois é dirigido pelos
aclamados irmãos Coen (Fargo, Onde os Fracos não tem Vez). Estrelado por
Tim Robbins e o lendário Paul Newman, Na Roda da Fortuna
se passa nos anos 50 e conta a história absurda de um ingênuo inventor,
que do dia pra noite se torna presidente de uma gigantesca empresa
industrial em Nova York, depois que o CEO comete suicídio. O motivo: um
sacana conselho administrativo que quer assumir o controle de todas a
ações e acredita que o rapaz vai afundar o valor da empresa. Bem, não é
bem assim que as coisas rolam. Outro filme que não é tão fácil de
encontrar, mas que vale todo o esforço para isso.
Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007)
Uma obra-prima moderna do diretor Paul Thomas Anderson, Sangue Negro
se passa no começo do século passado, no auge da corrida do petróleo no
sul dos EUA. O filme acompanha a história de Daniel Plainview (Daniel
Day-Lewis), um inescrupuloso empresário e ser humano que abandona toda a
sua humanidade em sua obsessão pelo sucesso e dinheiro pela prospecção
do óleo. Um filme pesado e contemplativo, mas que fala de assuntos
profundos. Disponível via aluguel para streaming em diversas
plataformas.
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História de MARIANNA HOLANDA E RICARDO DELLA COLETTA – Folha de S. Paulo
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) defendeu, nesta quarta-feira (25), seu encontro com dirigentes da
Shell em Nova York, para onde o petista viajou para participar da
Assembleia-Geral da ONU.
Lula afirmou não ver nenhuma contradição da reunião com o discurso
ambiental do governo. “Eu não estou vendo nenhuma contradição. Eu recebi
um empresário [de uma companhia] que está, simplesmente, há 100 anos no
Brasil. Eu tenho 78 anos, significa que, quando eu nasci, a Shell já
estava no Brasil há 22 anos. É uma empresa que tem contribuído dentro da
lógica das exigências da política energética do Brasil”, disse Lula.
As declarações do petista ocorreram em coletiva de imprensa em Nova York, pouco antes de retornar ao Brasil.
Lula recebeu na residência da embaixada do Brasil em Nova York o
presidente global da petroleira, Wael Sawan, e o presidente da Shell
Brasil, Cristiano Pinto. A agenda, que não constou entre os compromissos
oficiais do petista, foi revelada pela BBC Brasil.
De acordo com a BBC Brasil, Cristiano Pinto já comentou publicamente
sobre o interesse da empresa na exploração da margem equatorial, uma
região de costa marítima entre o Rio Grande do Norte e o Amapá,
considerada uma das últimas fronteiras petrolíferas não exploradas no
país.
Lula destacou que a Shell é sócia da Petrobras em 60% dos poços
leiloados. “Ela [Shell] só vai para a margem equatorial quando o governo
brasileiro autorizar a Petrobras a fazer pesquisa na margem
equatorial”, disse Lula.
O petista também afirmou que o mundo vai precisar de combustíveis
fósseis até o pleno desenvolvimento de fontes alternativas. “É preciso
que, quando a gente fale isso, a gente aponte como é que vai viver o
planeta terra sem energia fóssil, até a gente se dotar de
autossuficiência em outro tipo de energia”.
“A gente vai utilizar o potencial de exploração de petróleo do Brasil
para que a gente possa transformar a Petrobras numa empresa de energia,
não numa empresa de petróleo. Quando o petróleo acabar, a Petrobras tem
que estar produzindo outras energias que o Brasil e o mundo precisam.
O presidente brasileiro falou bem no salão plenário da ONU.
No entanto fica a questão: por que não põe suas ideias em prática no
próprio país? Agora as expectativas para a cúpula do G20 são bem
modestas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (24/09) com apelos incisivos.
Como esperado, exigiu mais engajamento dos países industrializados
ricos no combate à mudança climática e à fome no mundo. Além disso,
instou a uma reforma abrangente da ONU, com a África e a América Latina
finalmente representadas no Conselho de Segurança permanente.
Tudo isso já era de se esperar. As reivindicações de Lula são
compreensíveis e lógicas, mas são quase lugares-comuns que não se
sustentam perante a realidade. Assim, o presidente do Brasil expôs uma
série de contradições entre suas exigências e as próprias ações.
Enquanto ele conclama o mundo, sobretudo os países ricos, a
finalmente agir contra a mudança climática e a transferir os bilhões
necessários a esse fim, o Brasil está pegando fogo por toda parte, sem
que Lula tenha, ao que tudo indica, um plano para dar fim à tragédia
ecológica no próprio país.
Como ele mesmo admitiu em seu discurso, só em agosto foram devastados
no Brasil mais de 5 milhões de hectares de florestas – o que não
desperta, necessariamente grande confiança na capacidade de seu governo.
E sua crítica à lentidão em abandonar os combustíveis fósseis soa
estranha, diante de seus bilionários planos de investimento em petróleo e
gás.
Lula criticou também as sanções dos Estados Unidos contra Cuba, e os
conflitos, tanto na Ucrânia e no Oriente Médio, como no Sudão e Haiti. E
aí cabe perguntar por que o Brasil, que já liderou a missão de paz da
ONU no Haiti, não volta a atuar nesse país.
Quanto ao elefante na sala, o presidente da Venezuela, Nicolás
Maduro, esse o líder petista não mencionou com uma palavra sequer. E, no
entanto, todos os presentes bem sabiam que sua excursão diplomática no
palco mundial acabou fracassando por causa do ex-motorista de ônibus
Maduro.
E quando o brasileiro condena a fome no mundo e as expulsões
provocadas pelas guerras e crises, cabe perguntar por que não encontra
palavras drásticas contra os ditadores Maduro e Vladimir Putin, que, com
suas ações irresponsáveis, agravam ainda mais essas mesmas crises.
Ele acusou ainda a Organização das Nações Unidas de até agora nunca
ter sido encabeçada por uma mulher. Sempre cai bem reivindicar chances
iguais e representação para as mulheres. Mas aí se pergunta por que elas
desempenham um papel tão subordinado no gabinete do próprio Lula, que
também preferiu nomear “homens brancos velhos” para o Supremo Tribunal.
Presidência histórica do G20: um mero sonho?
Também em outros aspectos a viagem de Lula a Nova York teve pouco
êxito. No domingo ele participou da assim chamada Cúpula do Futuro, em
que pronunciou uma versão abreviado do discurso programado para a
terça-feira. Apenas poucos chefes de Estado compareceram. O fato de,
ainda por cima, ele ter tido seu microfone desligado – possivelmente por
ter extrapolado o tempo designado – conferiu um toque ainda mais
infeliz ao evento.
Na segunda-feira ele cancelou na última hora sua participação num
evento do ex-presidente americano Bill Clinton. Antes, o petista se
aborrecera por causa de uma escaramuça com a equipe de segurança de seu
homólogo Joe Biden.
Na terça-feira, a desafortunada participação de Lula em Nova York foi
coroada com a iniciativa, lançada por ele, contra a extrema direita
global. Apesar de convidados, nem Biden, nem o chanceler federal da
Alemanha,Olaf Scholz, deram o ar de sua graça. O francês Emmanuel Macron
chegou atrasado.
Comentando a iniciativa, o chefe de Estado do Chile, Gabriel Boric,
frisou que não se pode julgar as violações dos direitos humanos segundo
seu posicionamento político: ” Seja Netanyahu em Israel ou Maduro na
Venezuela, Ortega na Nicarágua ou Putin na Rússia. Quer se autodefinam
de esquerda ou direita, o que sejam. Nós, progressistas, precisamos ser
capazes de defender princípios.” Isso soou como uma bofetada verbal em
Lula, que em Nova York se eximira de criticar tanto Maduro quanto o
russo Vladimir Putin ou o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega.
Na verdade, a intenção do presidente brasileiro em Nova York era
ganhar impulso para a cúpula do G20 de novembro, no Rio de Janeiro. Mas o
mundo está ocupado com a eleição presidencial dos EUA, a escalada de
violência no Oriente Médio e o conflito na Ucrânia. E – com a catástrofe
ambiental em casa e o naufrágio diplomático de sua missão para a
Venezuela – no momento Lula está fora de campo. Seu sonho de uma
presidência do G20 de importância histórica em 2024 deverá permanecer
mesmo só um sonho.
Thomas Milz saiu da casa de seus pais protestantes há quase 20
anos e se mudou para o país mais católico do mundo. Tem mestrado em
Ciências Políticas e História da América Latina e, há 15 anos, trabalha
como jornalista e fotógrafo para veículos como a agência de notícias KNA
e o jornal Neue Zürcher Zeitung. É pai de uma menina nascida em 2012 em Salvador. Depois de uma década em São Paulo, mora no Rio de Janeiro há quatro anos.
O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente da DW.
Segundo STF, recurso fica à disposição da Corte e caberá ao ministro
Alexandre de Moraes decidir destino dos R$18,3 milhões cobrados.
Disputa entre Elon Musk e Alexandre de Moraes deixou saldo milionário de multas pagas pelo XFoto: Slaven Vlasic/Getty Images
A queda de braço entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a rede social X, de Elon Musk,
já acumula um saldo milionário em multas aplicadas pela Justiça Federal
por descumprimento de decisões judiciais. Estes recursos se tornam um
excedente de arrecadação e o poder Judiciário passa a ter autonomia para
definir seu destino, desde que respeitadas as diretrizes orçamentárias
do governo federal.
Nesse caso, segundo a Corte, caberá ao ministro do STF Alexandre de Moraes definir
como os valores serão investidos. Segundo especialistas ouvidos pela
DW, a verba pode ser aplicada em um rol de possibilidades, como a
modernização do Judiciário.
Em 13 de setembro, por exemplo, Moraes obrigou bancos a transferirem à União R$18,35 milhões em valores bloqueados do X (antigo Twitter)e
da empresa de tecnologia Starlink, condenada em solidariedade por
também pertencer a Musk. A multa acumulada foi aplicada no âmbito da
Petição 12.404, após a rede social ignorar determinações judiciais para
bloquear contas e indicar representantes no Brasil.
Estas sanções por descumprimento de decisão judicial foram aplicadas por Moraes com base na Lei 12.965/2014, o chamado Marco Civil da Internet,
mas devem ser distribuídas conforme modelo do Código de Processo Civil
(CPC). Segundo a assessoria de imprensa do STF, os valores agora “ficam à
disposição do juízo para definição da destinação”.
“No caso mencionado, o valor de R$ 18 milhões foi transferido a uma
conta à disposição do Supremo Tribunal Federal, que direcionará
posteriormente a destinação final, assim como ocorrerá com eventuais
novos valores referentes a multas”, escreveu o STF, em nota. Questionada
sobre as regras que delimitam a destinação destes recursos, a Corte
respondeu que “o ministro Alexandre de Moraes ainda vai decidir como os
recursos serão usados”.
Rede social X, de Elon Musk, acumulou multas por descumprimento a decisões de bloquear perfisFoto: Monika Skolimowska/dpa/picture alliance
Como funciona a gestão de multas judiciais
A gestão e destinação de multas atribuídas pela Justiça é diferente
em processos criminais ou civis. Isso faz com que o caso julgado por
Moraes seja representativo de um desafio jurídico que aparece com mais
frequência no Brasil com ouso das plataformas digitais.
Isto porque, muitas vezes, as multas recebidas pelas redes sociais em
processos como este são aplicadas após a empresa descumprir um
procedimento civil, como a ordem de bloqueio de uma conta, mas o
processo tem origem em uma apuração criminal, como um ato perpetrado por
um usuário da plataforma.
“Este debate começa a aparecer em 2014, quando a polícia começa a
fazer investigações de crimes ocorridos no ambiente virtual e se depara
com plataformas digitais em que não consegue ter acesso”, disse o
professor da FGV Direito SP Luciano Godoy, que também já atuou como juiz
federal.
As multas estabelecidas dentro do Código Penal e usadas como forma de
pena em uma condenação criminal, possuem uma resolução específica do
Conselho Nacional de Justiça que estabelece sua destinação.
Os valores pagos por condenados por um crime devem ser destinados,
por exemplo, aos Fundos Penitenciários estaduais ou nacional e usados
para fins de modernização do sistema penal. As verbas também já foram
liberadas para situações específicas como as enchentes no Rio Grande no Sul e o combate às queimadas na Amazônia.
Já as multas aplicadas como sanções por descumprimento judicial podem
ser estabelecidas por um juiz como medida liminar ou como sentença
desde 1994 e ficam à disposição da Justiça.
A gestão destes recursos é definida pelo novo Código de Processo
Civil, que permite a União e os estados criarem fundos de modernização
do Poder Judiciário. Mas enquanto a maioria das unidades da federação já
instituíram um arcabouço para gestão dos valores, a justiça federal os
incorpora como arrecadação extra no orçamento do Poder Judiciário.
A partir da coleta dos valores, a Justiça tem autonomia
administrativa e financeira para definir como aplicar as verbas dentro
do seu planejamento orçamentário, conforme estabelecido na Constituição.
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Marco Civil da Internet não estabelece destino
Ao justificar a aplicação de sanções ao X, porém, o ministro
Alexandre de Moraes se baseou em outra regulação, a do Marco Civil da
Internet.
“Aí que vem um debate da multa combinatória, que foi aplicada agora
pelo ministro Alexandre para o processo crime. Eles usam por analogia o
esquema todo do processo civil, coloca um elemento novo que é a multa do
Marco Civil da Internet para gerar essa condenação”, disse Godoy,
retomando casos similares em que empresas como a Meta também foram
multadas. “Ela [está] um processo penal, mas ela não é a multa do
processo penal.”
O ministro do STF Alexandre de Moraes vai definir o destino dos recursosFoto: Carla Carniel/REUTERS
Enquanto leis como o CPC preveem um fundo de destino das multas
processuais, o Marco Civil da Internet não versa sobre ações jurídicas
em si, e não define onde o recurso de multas para quem viola as regras
de uso da internet deve ser aplicado. Também não estabelece a qual
autoridade administrativa caberia a aplicação das multas, como a
Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), por exemplo.
Além disso, o Marco Civil também autoriza aplicação de multas de até
10% do faturamento do grupo econômico no Brasil, um valor muito acima do
previsto no Código Processual e que abriu margem para a multa
milionária cobrada do X.
Supremo tem autonomia para escolher aplicação
O doutor em direito do Estado pela Faculdade de Direito da USP,
Rafael Garofano, entende QUE há um desafio jurídico, uma vez que o Marco
Civil não estabelece o destino dos recursos, mas entende que a
destinação deve seguir o caminho natural de multas aplicadas no âmbito
de um processo civil.
“Se você fosse adotar uma analogia razoável, por exemplo, se a
Senacon tivesse agido para proteger o Marco Civil da Internet e apurada
essa infração; na regulamentação da Senacon, ela define a destinação dos
valores das infrações para o Fundo defesa de direitos difusos”,
afirmou.
“Agora, o ministro está agindo com base nessa competência mais ampla,
então ele está fazendo o papel da Senacom [por exemplo]. Como a lei não
determina para onde vai ser aplicado esse recurso eu entendo que esse
recurso vai ser destinado à conta do Poder Judiciário”, completou.
Para Luciano Godoy, o Código de Processo Civil e o Marco Civil da Internet são aplicados de forma conjunta neste caso.
“Eu não acharia estranho, nem ilegal, que na falta de lei o ministro
fizesse uma construção que esse dinheiro tem que ser aplicado numa
finalidade que gerasse um bem social, como uma universidade, uma escola
técnica”, afirmou Godoy.
É comum que destinações como estas sejam feitas em decisões na
justiça estadual e federal, por exemplo, tomadas pelo juiz responsável
pelo caso. Por outro lado, por se tratar de uma arrecadação extra, o
recurso não pode ser usado para custeio, como o pagamento de salários, e
o Supremo terá que contabilizá-lo dentro das regras orçamentárias
federais e justificar o uso do recurso.
Em último caso, se os valores não forem utilizados, eles são devolvidos à União ao final do exercício orçamentário.
Especialistas apontam que regulamentação impulsionou bets no país e
veem aumento da prática como questão de saúde pública. É preciso ficar
atento para comportamentos que indicam vício.
Apostas online foram regulamentadas no Brasil em 2018Foto: Jens Krick/Flashpic/picture alliance
“Perdi todo meu salário para o Tigrinho.
Do mês retrasado para o mês passado, o salário caiu na conta e foi tudo
embora em questão de um dia e meio”, disse o mineiro Gustavo Martins,
de 28 anos, em uma postagem nas redes sociais em junho deste ano. A
publicação, segundo ele, foi um alerta para quem cogita entrar nesse
universo de apostas esportivas. Seu primeiro contato com as bets foi há dois anos, em uma brincadeira com os amigos.
No entanto, a vontade de ganhar cada vez mais fez com que o mineiro
se tornasse dependente dos jogos de azar. “Quando eu comecei a ganhar
dinheiro, a sensação era de total euforia, satisfação e prazer. Comecei
com jogos de todos os tipos nas casas de apostas”, conta à DW.
Nos primeiros meses, Martins chegou a faturar R$ 50 mil, mas o desejo
era sempre por mais. Por causa dos lucros, cogitou até deixar o emprego
e viver apenas com os ganhos. Contudo, as apostas começaram a sair do
controle, comprometendo seu salário.
O jovem não é o único a usar parte do orçamento familiar para essa
finalidade. Um estudo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo
(SBVC), em parceria com a AGP Pesquisas, mostrou que 63% de quem aposta
no país teve parte da renda comprometida com as bets. Outros 19% pararam
de fazer compras no mercado e 11% não gastaram com saúde e
medicamentos.
Esses dados refletem uma tendência preocupante, evidenciada ainda
mais por um relatório divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira
(24/09), que revelou que beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em sites de apostas esportivas, somente no mês de agosto. O valor equivale a 21,2% dos recursos distribuídos pelo programa no mesmo mês.
Ainda segundo o banco, 24 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma
transferência deste tipo no país desde janeiro. A maioria dos
apostadores tem entre 20 e 30 anos e gasta cerca de R$ 100 por aposta.
Este valor sobe de acordo com a idade. Brasileiros acima de 60 anos
gastam uma média de R$ 3 mil reais em bets.
Como reconhecer a dependência em jogos
Martins precisou perder o salário para notar que sofria com um
transtorno. “Eu não me satisfazia em fazer R$ 200 ou R$ 300 por dia. Eu
queria sempre fazer R$ 10, 20 mil todos os dias, então, às vezes, eu
fazia mil reais e, ao invés de sacar, tentava mais e acabava que saía
sem nada”, relembra.
Assim como ele, muitos brasileiros demoram a perceber a dependência.
Segundo os especialistas, como os jogos e aplicativos estão instalados
no celular e o aparelho é usado com frequência, fica cada vez mais
difícil reconhecer a adicção.
O vício em apostas online não afeta apenas o comportamento dos
jogadores, mas também altera o funcionamento do cérebro de forma
semelhante a outras dependências químicas, como drogas e álcool. Segundo
Luciana Becker, psicóloga e especialista em Transtornos Adictivos pela
PUC Rio, o sistema de recompensa cerebral é diretamente impactado pelo
jogo patológico.
Por que é tão perigoso se viciar em games de aposta?
“Quando uma pessoa ganha ou está prestes a ganhar, o cérebro libera
grandes quantidades de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e à
satisfação. Esse aumento gera uma sensação de euforia, incentivando o
jogador a buscar repetir a experiência”, explica Becker.
Contudo, o problema se agrava com o fenômeno conhecido como
tolerância. “Assim como ocorre com substâncias psicoativas, o cérebro
passa a exigir apostas maiores para atingir o mesmo nível de prazer.
Isso leva a um comportamento compulsivo, com os jogadores assumindo
riscos cada vez mais altos”, detalha a especialista.
Esse ciclo de dependência compromete a capacidade de tomar decisões
racionais, perpetuando o comportamento adictivo. Em alguns casos, pode
demorar muito tempo para que familiares e o próprio jogador percebam que
o hábito está saindo do controle.
“O jogador patológico apresenta uma incapacidade de controlar o
impulso de jogar, mesmo quando o jogo faz com que ele tenha tido, por
exemplo, perdas financeiras significativas, prejuízos nas relações
pessoais e problemas no trabalho”, pontua Becker. O estresse por não
jogar, mentiras e outros prejuízos na rotina também indicam a compulsão.
Desafio de saúde pública
Desde a regulamentação das apostas online em 2018, pelo então
presidente Michel Temer, a prática de jogos de azar cresceu de forma
expressiva no Brasil. Hoje, o país ocupa a terceira posição mundial em
consumo de casas de apostas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e
da Inglaterra, de acordo com dados da Comscore, empresa especializada em
análise de dados.
O aumento desse hábito tem gerado preocupação entre especialistas da
saúde, que veem o jogo como uma questão de saúde pública. Bruna Lopes,
psicóloga e pesquisadora do Programa Ambulatorial Integrado dos
Transtornos do Impulso (Proamiti), da Universidade de São Paulo (USP),
afirma que a busca por tratamento de problemas relacionados a jogos de
azar triplicou desde a liberação.
“Tem sido uma epidemia. O perfil inclui pessoas mais jovens,
vulneráveis, sem parceiro e em condições socioeconômicas mais baixas.
Também observamos associação com episódios de depressão e ansiedade”,
explica Lopes.
Essa escalada nos números também foi confirmada pelo psiquiatra
Marcelo Santos Cruz, coordenador do Programa de Estudos e Assistência ao
Uso Indevido de Drogas e vice-diretor do Instituto de Psiquiatria da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Ele destaca que o problema não se limita aos jogadores, mas afeta
profundamente suas famílias. Além disso, a falta de regulamentação
efetiva e políticas públicas claras agrava o cenário. “O que vemos é um
crescimento enorme dessas atividades, tanto nos jogos de celular quanto
nas apostas esportivas, e muito pouco controle governamental. Isso é
extremamente preocupante do ponto de vista da saúde mental”, alerta o
psiquiatra.
Tratamento e ajuda
Para que alguém consiga deixar a compulsão em bets, o tratamento deve
ser multidisciplinar. É preciso que o indivíduo receba um acolhimento e
não sofra julgamentos e estigmas. Para aqueles que conhecem alguém em
situação semelhante, a recomendação é promover conversas abertas e
empáticas.
Martins chegou a ouvir de pessoas próximas e de seus familiares que
aquilo era “safadeza” e frescura. Foi só depois de se abrir para a irmã e
para o pai, que ele conseguiu ser ouvido e segue em acompanhamento com
um psicólogo e psiquiatra. “Tomo remédio controlado para evitar
impulsos. Não tenho acesso ao meu dinheiro, que é totalmente gerido
ainda pelo meu pai”, conta.
Para dar início a um tratamento adequado, o primeiro passo é que a
pessoa tome iniciativa e queira receber ajuda. Também é recomendado usar
aplicativos que bloqueiam sites de casas de apostas e cancelar ou
excluir o cadastro para não receber nenhum tipo de notificação. “É
importante trabalhar os gatilhos e fazer com que a pessoa consiga
acessar outras atividades prazerosas”, reforça Lopes.
O tratamento deve ser feito com um psicoterapeuta especializado em
terapia cognitivo comportamental, e que possa direcioná-lo nas ações
cotidianas, com o intuito de diminuir os riscos da prática. Em alguns
casos, o uso de medicação também é indicado.
Caso o indivíduo não tenha recursos para fazer um tratamento privado,
o recomendado é procurar Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que
oferecem atendimento gratuito e que pertencem ao Sistema Único de Saúde
(SUS).
Existem ainda grupos de mútua ajuda, como os Jogadores Anônimos e os
Devedores Anônimos, que podem auxiliar no processo. “Há muitos recursos e
é importante que a pessoa e as famílias saibam que podem e devem buscar
ajuda quando se identificarem em uma situação desse tipo”, reforça
Cruz.