sexta-feira, 27 de setembro de 2024

PESQUISA APONTA QUAIS OS ESTADOS SÃO DE DIREITA E QUAIS ESTADOS SÃO DE ESQUERDA

 

História de Levy Teles Jornal Estadão

BRASÍLIA — Pernambuco (18%), Rio Grande do Norte (18%), Ceará (17%), Bahia (16%), e Mato Grosso do Sul (16%) são os cinco Estados em que, respectivamente, há mais eleitores que se consideram de esquerda. Roraima (41%), Mato Grosso (37%), Santa Catarina (36%), Tocantins (35%) e Paraná (32%) por sua vez, onde estão mais pessoas de direita. Isso é o que revela pesquisa do DataSenado feita em parceria com a Nexus, área de pesquisa e inteligência da FSB Holding.

No geral, o levantamento mostra que maior parte dos brasileiros não tem ligação com os espectros políticos. 40% dos entrevistados dizem não se identificar com nenhum dos lados. 29% se identificam com a direita, 15% com a esquerda e 11% com o centro. 6% não sabem ou preferiram não responder.

Manifestação bolsonarista na Avenida Paulista, em fevereiro deste ano; há mais pessoas identificadas com a direita do que com a esquerda no Brasil. Foto: Taba Benedicto/Estadão

Manifestação bolsonarista na Avenida Paulista, em fevereiro deste ano; há mais pessoas identificadas com a direita do que com a esquerda no Brasil. Foto: Taba Benedicto/Estadão

Maranhão (52%), Amapá (48%), Piauí (47%), Acre (47%), Amazonas (47%), Alagoas (47%) são os Estados com que dizem não ter identificação com nenhum lado político.

Elga Lopes, analista de opinião pública do DataSenado, diz que esses números mostram que a maior parte dos eleitores está menos interessada em ideologia política e mais atenta aos problemas de sua cidade.

O cenário — com os não-alinhados numericamente acima — se repete em todos os outros recortes da pesquisa (gênero, religião, escolaridade e renda familiar), com apenas duas exceções: entre os homens, em que há um empate em 34% entre os de direita e os que não se identificam com nenhum espectro, e entre os que têm seis ou mais salários mínimos. Nesse nível, a maioria (37%) é de direita, enquanto esquerdistas e neutros estão empatados em 21%.

Nos recortes, a maior desproporção entre direitistas e esquerdistas está entre os evangélicos. Apenas 8% se dizem de esquerda ante 35% de direita, diferença de 27 pontos porcentuais.

A pesquisa também perguntou às pessoas se o resultado das urnas eletrônicas é confiável. 86% dos eleitores de esquerda concordam, 12% discordam e 2% não sabem.

Os eleitores de centro também concordam em sua maioria (67%), enquanto 32% desse público discorda e 1% não sabe. Esse cenário é similar entre os não-alinhados. 61% concorda, 35% discorda e 4% não sabem.

Já na direita, a situação é oposta. 61% discordam, 36% concordam e 3% não sabem.

A pesquisa foi realizada entre 5 e 28 de junho deste ano e entrevistou 21.808 brasileiros por telefone. A confiabilidade da pesquisa é de 95%, e, sem considerar os cruzamentos, a magem de erro é de 1,22 ponto porcentual, com desvio-padrão de 1,37 ponto percentual.

MANIFESTO DE PESQUISADORES CONTRA O HORÁRIO DE VERÃO

História de Victória Ribeiro – Jornal Estadão

Em meio às discussões sobre o possível retorno do horário de verão no Brasil, 26 cientistas da área de cronobiologia — ciência responsável por estudar os ritmos e os fenômenos biológicos — assinaram um manifesto contra a medida.

Historicamente, a mudança nos relógios foi justificada como uma forma de economizar energia, buscando alinhar as atividades do dia a dia às horas de luz natural. No entanto, os pesquisadores sugerem que os malefícios à saúde podem superar os benefícios econômicos esperados.

Ritmos biológicos humanos estão profundamente conectados ao ciclo natural de luz e escuridão, afirmam especialistas Foto: Laima Gri/Adobe Stock

Ritmos biológicos humanos estão profundamente conectados ao ciclo natural de luz e escuridão, afirmam especialistas Foto: Laima Gri/Adobe Stock

Conforme explicação dos estudiosos da cronobiologia, os ritmos biológicos humanos estão profundamente conectados ao ciclo natural de luz e escuridão, regulando de forma automática funções essenciais como sono, apetite e até mesmo o humor.

A introdução do horário de verão, porém, tornaria essa sincronização confusa, forçando o organismo a se reajustar a um novo “horário social”. Para muitos, essa adaptação pode ser desafiadora e resultar em problemas de saúde.

“Esse processo de adaptação nem sempre é fácil. Enquanto algumas pessoas conseguem se ajustar, outras permanecem fora de sintonia, o que pode gerar sérios problemas de saúde”, diz trecho do documento assinado por pesquisadores de diferentes instituições, incluindo Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Universidade de São Paulo (USP).

Entre os efeitos negativos do horário de verão, os cientistas listam distúrbios do sono, aumento de eventos cardiovasculares adversos, transtornos mentais e cognitivos, e crescimento no número de acidentes de trânsito nos primeiros dias após a mudança.

No manifesto, os estudiosos mencionam um estudo realizado em 2017 pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que abordou a forma como lidamos com a transição de horário.

A pesquisa, baseada em questionários online, analisou as respostas de mais de 1.200 participantes sobre seus horários habituais de dormir e acordar, perguntando também sobre a chegada do horário de verão. A conclusão: mais de 50% dos entrevistados relataram passar por algum tipo de desconforto até o relógio voltar ao normal.

Os pesquisadores destacam que a posição expressa no manifesto é baseada unicamente em evidências científicas, independentemente de inclinações políticas, defendendo que para preservar a saúde e o bem-estar, o ideal é manter a alteração nos horários fora dos planos.

“Isso evitaria os efeitos negativos promovidos pela mudança de horário e promoveria um maior alinhamento entre os nossos ritmos biológicos e os horários social e ambiental, contribuindo para uma sociedade mais saudável”, defendem.

 

DÍVIDA BRASILEIRA VAI PASSAR DE 81% DO PIB O ANO QUE VEM

 

História de IDIANA TOMAZELLI E ADRIANA FERNANDES – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Com a piora no resultado das contas públicas e o aumento na taxa de juros, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já vê a dívida bruta do governo acima de 81% do PIB (Produto Interno Bruto) a partir de 2026, último ano do atual mandato do presidente.

As novas projeções do Tesouro Nacional são maiores que as divulgadas pelo governo em abril, quando houve a mudança nas metas fiscais de 2025 em diante, e colocam o Brasil acima de um patamar de endividamento que a própria equipe econômica dizia estar afastado.

“Se nada for feito, ela poderia chegar [a 80% do PIB], mas esse cenário não vai acontecer”, disse o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, em sua primeira entrevista no cargo.

De lá para cá, o governo regularizou o pagamento de sentenças judiciais represadas pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que contribuiu para a elevação da dívida, mas também ampliou despesas obrigatórias e pactuou a exclusão de gastos da meta de resultado primário –que, mesmo fora da conta, impactam o endividamento do país.

Nas estatísticas do Banco Central, a única vez em que a dívida bruta ficou acima de 80% do PIB foi durante a pandemia de Covid-19.

O governo enfrenta o ceticismo do mercado e de órgãos de controle por calcar boa parte de suas projeções de receitas em medidas incertas ou de fôlego único, que não terão o mesmo desempenho em anos seguintes (como o resgate de depósitos judiciais). Isso lança desconfiança sobre a capacidade de entregar uma melhora fiscal duradoura.

As projeções atualizadas da dívida pública não foram divulgadas pela equipe econômica na apresentação do Orçamento, realizada em 2 de setembro, embora a trajetória seja monitorada de perto pelos agentes econômicos por ser um dos principais indicadores de solvência do país.

A reportagem extraiu as estimativas das informações complementares à proposta de Orçamento de 2025, um documento com mais de 2.700 páginas enviado ao Congresso Nacional em 18 de setembro.

A nova projeção demonstra uma tendência contínua de crescimento da dívida no atual mandato, saindo de 74,4% do PIB em 2023 para 81,6% em 2026. O indicador ainda sobe para 81,8% do PIB em 2027, até recuar levemente a 81,5% no ano seguinte.

A dívida líquida, que desconta das obrigações do governo os créditos a receber e as reservas internacionais (uma espécie de poupança em dólares), também ficou maior.

Em resposta por escrito, o Tesouro disse que “houve um aumento no nível da DBGG [dívida bruta do governo geral], mas não em sua tendência”, já que a estabilização da dívida deve ser alcançada entre 2027 e 2028.

O órgão atribuiu a revisão dos números “principalmente à mudança no cenário de taxa de juros”, que apontou uma Selic em média 1,2 ponto maior entre 2024 e 2026 do que no cenário adotado como premissa em abril.

Mas a projeção também foi influenciada pelas estimativas fiscais deste ano, segundo o Tesouro. O dado de abril considerava o déficit de R$ 9,3 bilhões apontado em março, enquanto o Orçamento incorporou o déficit de R$ 57,5 bilhões calculado em julho.

Na semana passada, o governo atualizou a projeção novamente e previu um rombo ainda maior, de R$ 68,8 bilhões, o que tende a levar as projeções da dívida para a casa dos 82% do PIB no futuro.

A escalada da dívida para o patamar acima de 80% já foi considerada no passado, em estudos do próprio Tesouro, como insustentável para um país com as características do Brasil. A volta do grau de investimentos pelas agências de classificação de risco, que o Brasil perdeu durante o governo Dilma Rousseff (PT), também fica mais distante.

Especialistas afirmam que não há um número mágico a partir do qual a dívida se torna um problema muito grande, mas avaliam que o cenário se mostra desafiador.

“Quando a dívida é crescente e num nível relativamente alto, como é o nosso caso, é uma fonte de vulnerabilidade. O governo é dependente do mercado financeiro para financiar a dívida pública”, diz o economista Manoel Pires, coordenador do Centro de Política Fiscal e Orçamento Público do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Segundo ele, à medida que a dívida pública aumenta, o governo também precisa ampliar seu esforço de superávit primário para estabilizá-la, cortando despesas ou elevando receitas.

Pires também ressalta que uma parcela considerável da dívida vence no curto prazo, o que gera uma pressão no mercado, eleva as taxas de juros cobradas no refinanciamento e realimenta a própria dinâmica da dívida.

O aumento nas taxas também afeta a estrutura de juros da economia, o que encarece e atrapalha investimentos do setor privado. Segundo ele, as projeções sinalizam uma preocupação para a trajetória econômica do país no futuro.

As novas estimativas do governo podem ser consideradas otimistas, dado que consideram um resultado primário no centro das metas estipuladas para o período 2025-2028. Em 2024, no entanto, o governo tem entregado uma execução perto da margem inferior da regra, que permite um déficit de até R$ 28,8 bilhões (sem contar despesas fora da meta).

Se essa tendência se mantiver, significará um resultado efetivo pior em até 0,25% do PIB ao ano. Em quatro anos, isso daria uma diferença de 1% do PIB a mais na projeção de endividamento.

O economista Cláudio Hamilton, coordenador de Finanças Públicas do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), diz que as projeções de dívida são muito sensíveis aos parâmetros econômicos adotados, como crescimento do PIB e taxa de juros, e é normal haver revisões.

Ele afirma, porém, que o principal motor para reduzir o endividamento do país é o superávit primário, que tem sido uma “questão desafiadora” para o governo. “Não quer dizer que não vai aumentar [o superávit], mas o governo tem tido dificuldades em fazer isso”, diz.

Ele ressalta que medidas como a revisão de gastos são bem-vindas, mas não são suficientes para conter as grandes tendências, como o avanço de gastos previdenciários e assistenciais.

“Isso vai colocar uma pressão. É impossível ter superávits crescentes? Não, mas precisa cortar outras despesas, ou aumentar receitas. Mas aumentar receitas passa pelo Congresso. É uma escolha da sociedade”, afirma Hamilton.

CONHEÇA A ISLÂNDIA

 

Gabriela Novais  ·

  ·

ISLÂNDIA: O país onde educação e medicina são gratuitas. Não há McDonald’s nem masmorras.

Cada pessoa sonha em levar uma vida melhor e viver em um país moderno. Deste ponto de vista, a Islândia é o país ideal. Aqui não tem exército, a eletricidade é grátis e as pessoas raramente trancam seus carros e casas!

A Islândia é um país insular do norte localizado entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico e esteve sob a soberania dinamarquesa até 1 de dezembro de 1918. A população da Islândia é de apenas 332.529 pessoas. As pessoas confiam umas nas outras, então não trancam seus carros ou casas e as crianças podem ficar sem supervisão por alguns minutos enquanto os pais fazem compras.

Aqui estão algumas curiosidades sobre a Islândia:

1. Os islandeses gostam muito de ler. Eu ocupo, neste capítulo, o primeiro lugar do mundo.

2. Se você vai pedir água em um café ou restaurante, não é que você tenha que pagar. Eles vão te dar água da torneira que é muito boa porque é das termas.

3. Se você decidir mudar de emprego, você não precisará de uma carta de recomendação do seu trabalho anterior. Os islandeses confiam nas pessoas e não vão te controlar de forma alguma.

4. Islândia é o único país do mundo onde a votação é feita online.

5. Este país é considerado muito conservador. Os locais têm uma atitude muito séria em relação ao casamento.

6. Atualmente, o turismo está altamente desenvolvido neste país, o número de turistas aumenta a cada ano e é 2 vezes maior que a população.

7. Não há exército na Islândia. Se algum cidadão quiser fazer o serviço militar, poderá juntar-se ao exército norueguês com base num acordo entre esses países.

8. Todas as escolas e outras instituições educacionais são gratuitas aqui.

9. Não há clínicas privadas porque simplesmente não há necessidade delas. Hospitais estaduais oferecem serviços médicos muito bons.

10. A Islândia é um dos poucos países da Europa que utiliza aquecimento urbano e as pessoas não pagam por este aquecimento.

Sonhar não custa nada e perder a esperança também não, talvez um dia consigamos algumas das coisas boas que a Islândia faz.

Foi muito bom ler que existem países assim.

9 curiosidades sobre a Islândia: a terra do gelo e do fogo

por: Marco Brotto – auroraboreal

islandia curiosidades terra gelo e do fogo

15 out 2021•Islândia•0 COMENTÁRIOS

No meio do caminho entre a Europa e o Pólo Norte, a Islândia guarda curiosidades e paisagens de tirar o fôlego.

Hoje vamos falar sobre um dos destinos mais cobiçados nas Expedições Aurora Boreal, a Islândia!

Com seus vulcões, gêiseres, fontes termais e campos de lava, a pequena ilha no topo do mundo oferece paisagens incríveis, uma cultura riquíssima e algumas curiosidades bem peculiares. Confira!

1. Todo mundo é parente na Islândia!

Com seus 300 mil habitantes, a Islândia é um país onde todo mundo tem algum grau de parentesco, mesmo que seja razoavelmente distante.

É comum também que ninguém utilize sobrenomes no dia-a-dia. As pessoas utilizam o nome do pai e colocam “son” no final para os homens e “dóttir” para as mulheres.

Além disso, existe um site chamado Islendingabok com toda genealogia da Islândia até 1.200 anos atrás. No país, recomenda-se chegar a checar a árvore genealógica antes de se relacionar com alguém!

2. Gêiseres

A Islândia possui um grande número de gêiseres espalhados pelo país, sendo aproximadamente 25 deles ativos.

geiser islandia

Um dos gêiseres mais famosos é o Strokkur, com atividade constante e explosões que chegam a quase 20 metros de altura!

3. Atividade vulcânica intensa

vulcoes islandia

Outra característica bem peculiar do país é a sua atividade vulcânica. A Islândia tem aproximadamente 130 vulcões no seu território, que fazem parte de 32 sistemas vulcânicos.

Conheça os vulcões ativos da Islândia

4. Praia de areia preta? Na Islândia tem!

praia de areia preta

A Islândia possui a praia de areia preta mais famosa do mundo! Reynisfjara fica na pequena cidade de Vík í Mýrdal.

O folclore islandês diz que suas formações de basalto eram trolls que foram transformados em pedra durante a batalha, pois não conseguiram arrastar um grande navio para a costa antes do sol nascer.

Segundo a lenda, se você passa perto dos penhascos ainda é possível ouvir seus gritos e lamentos! De arrepiar, né?

Conheça mais sobre a praia de areia preta na Islândia!

5. A Islândia foi palco de diversos filmes e séries famosas

Dos filmes do icônico James Bond até a saga Star Wars, diversos filmes e séries famosas utilizaram paisagens islandesas.

https://youtube.com/watch?v=NRieTeIfw0U%3Ffeature%3Doembed

007: Na Mira dos Assassinos, Lara Croft, Star Wars: O Despertar da Força e Game Of Thrones são alguns!

Conheça mais séries e filmes que foram gravados na Islândia e você nem imaginava!

6. Um país sem insetos

Você sabia que é muito difícil encontrar insetos na Islândia? Por causa do clima extremamente gelado, insetos e formigas não conseguem fazer seus ninhos.

Para quem tem medo de barata, tenha certeza que não irá encontrá-las lá!

7. Quase 100% da ilha tem wi-fi

wifi islandia

A Islândia abriga hoje uma união incrível entre paisagens naturais e avanços tecnológicos. 97% da ilha possui cobertura wi-fi, além de todos os estabelecimentos oferecerem internet rápida e gratuita.

Uma ilha extremamente conectada!

8. O país mais seguro do mundo

Se você acha que vulcões e geleiras tornam a Islândia um país perigoso, não poderia estar mais enganado. A Islândia é um dos países mais seguros do mundo para visitar e também para viver!

A criminalidade é praticamente inexistente e a polícia não anda armada nas ruas. A cadeia local está sempre vazia… Parece coisa de filme, né? Mas lá essa dinâmica faz parte da realidade.

9. Aurora Boreal® na Islândia

Além de todas essas maravilhas, a Islândia também é palco da Aurora Boreal, um dos mais belos fenômenos da natureza.

Já pensou em ver as Luzes do Norte colorindo o céu sobre uma belíssima cachoeira ou um lago congelado? É de arrepiar. E uma coisa eu garanto: é inesquecível.

HOJE É O DIA NACIONAL DA DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

 

Karla Neto – Colunista

Nessa sexta-feira (27), é celebrado Dia Nacional da Doação de Órgãos, milhares de pessoas aguardam, na fila de espera, todos os anos. A maior fila é por transplante renal, seguida por córneas, fígado, pâncreas/rim (duplo), coração, pulmão, pâncreas, multivisceral e intestino.

Na maioria das vezes, o transplante de órgãos pode ser a única esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço para as pessoas que precisam da doação. Todos os anos, milhares de vidas são salvas por meio desse gesto.

 É preciso que a população se conscientize da importância do ato de doar órgãos ou tecidos!

O transplante é considerado um tratamento e não a cura de muitas doenças crônicas, mas sem dúvida, é a garantia de continuidade da vida daqueles que passam por esse procedimento.

Para a doação se efetivar, é necessária a autorização da família, conforme prevê a lei nº 9.434. Também é necessária a comprovação da morte cerebral do doador para retirada de órgãos sólidos como coração, fígado, rins e outros.

Tecidos como córneas, pele, ossos, entre outros, também são bastante necessários, porém, no Brasil, ainda não há a cultura de doação desses tecidos, mesmo que nesses casos a retirada possa ocorrer após a parada cardiorrespiratória do doador, o que torna a doação muito mais fácil.

Muitas pessoas invocam um sem-número de desculpas para não doar os órgãos: superstições, medo de que sejam removidos ainda estando vivas ou, simplesmente, por serem desfavoráveis. Certamente, não teriam a mesma opinião se necessitassem de um transplante. Uma doença grave pode manifestar-se em nós quando menos esperamos.

Após a retirada dos órgãos e tecidos da pessoa morta, o corpo é reconstituído e os cortes produzidos são suturados para que não se perceba a ausência dos órgãos removidos.

Independentemente dos méritos ou deméritos do ponto de vista de cada um, na prática dos atos do cotidiano é preciso encarar esta indiscutível verdade: contribuir para salvar a vida de alguém que precisa ter um órgão degenerado substituído é feito admirável, merecedor de louvor. Nenhuma religião é contrária a tão elevado gesto de magnanimidade e humanidade.

De maneira geral, o ser humano, uns mais, outros menos, deseja fazer o bem ao semelhante, em franca demonstração de amor ao próximo. Contudo, crendices somadas à falta de informações e oposição da família são os maiores responsáveis pelo insuficiente número de doadores.

Qualquer um pode doar. O que vale é estar com boa saúde avaliada pelo médico e atender certos limites de idade: 75 anos para os rins, 70 para o fígado, 69 anos para sangue, 65 para peles, ossos e válvulas cardíacas, 55 para o pulmão, o coração e medula óssea, 50 para o pâncreas. Para córneas não há limite.

A doação de órgãos é um ato por meio do qual podem ser retirados órgãos ou tecidos de uma pessoa viva ou falecida (doadores) para serem utilizados no tratamento de outras pessoas (receptores), com a finalidade de reestabelecer as funções de um órgão ou tecido doente. A doação é um ato muito importante, pois pode salvar vidas.

O indivíduo que esteja necessitando do órgão ou tecido o receberá por meio da realização de um processo denominado transplante. O transplante é um procedimento cirúrgico em que um órgão ou tecido presente na pessoa doente (receptor), é substituído por um órgão ou tecido sadio proveniente de um doador.

ASSISTA FILMES SOBRE O QUE NÃO FAZER NO MUNDO DOS NEGÓCIOS

 

Leandro Miguel Souza – StartSe

Assista o que não fazer no mundo dos negócios.

Chegou o fim de semana, hora de relaxar, ver um bom filme para se inspirar e voltar ao trabalho na semana que vem com bons insights para seus negócios – ou com aquele ânimo pra chutar o pau da barraca. Pois é, na nossa lista de recomendações de filmes de hoje, não temos nada disso.

Em outra lista que fizemos aqui no Startups uns tempos atrás, falamos de filmes com histórias mais inspiradoras, com mensagens positivas e tudo o mais. Agora a parada é outra: decisões erradas, gente perdendo tudo (ou quase tudo) e o lado bem pouco agradável do mundo dos negócios.

Contudo, a gente garante uma coisa para quem aceitar as nossas sugestões de filmes: dá pra se divertir bastante e, de repente, tirar uma lição ou outra de como não fazer (ou fazer, se você for mais inescrupuloso) na hora de tocar o seu negócio. Vamos às dicas!

O Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross, 1992)

Esse aqui é o filme mais velho da lista, mas que segue incrivelmente atual até hoje. Baseado em uma peça de teatro famosa, e com um elenco monstruoso (Al Pacino, Jack Lemmon, Alec Baldwin e outros), o filme acompanha dias tensos na rotina de uma firma imobiliária. Sob a ameaça de uma onda de cortes, os corretores começam a recorrer a artimanhas cada vez mais arrojadas – e um tanto antiéticas – para fechar as suas vendas. Não é dos filmes mais fáceis de se achar – atualmente não tem em nenhum streaming por aqui – mas totalmente vale a pena.

Enron – Os Mais Espertos da Sala (Enron – The Smartest Guys in the Room, 2005)

Único documentário aqui da lista (e um indicado ao Oscar), este filme reconta a ascensão e a queda da Enron, uma superpotência do ramo de gás e energia nos EUA que caiu em desgraça após uma crise energética que assolou a Califórnia em 2001. Estamos falando de muitos “rolos”, de interferência em políticas ambientais públicas à táticas escusas de evasão fiscal, e má administração do negócio, incluindo uma política de RH incrivelmente maquiavélica. Sério, é tanta coisa errada que não tem nem como explicar. Disponível no YouTube.

Margin Call – O Dia Antes do Fim (Margin Call, 2011)

Voltando ao drama, Margin Call é um filme sobre as 24 horas mais nervosas de um grande banco de investimentos em Wall Street. Baseada no crash da bolsa de 2008, o filme acompanha a empresa em uma corrida contra o tempo – e contra horríveis apostas que fizeram na bolsa – para evitar que a companhia, e possívelmente todo o cenário econômico, afunde. Outro longa com um elenco matador (Jeremy Irons, Paul Bettany, Demi Moore), que tem um ritmo quase de suspense, de tão tenso que é. Disponível no Prime Video.

Na Roda da Fortuna (The Hudsucker Proxy, 1994)

Aqui temos um filme mais leve (comédia), mas que traz um senso de humor bem cáustico sobre o mundo dos negócios, pois é dirigido pelos aclamados irmãos Coen (Fargo, Onde os Fracos não tem Vez). Estrelado por Tim Robbins e o lendário Paul Newman, Na Roda da Fortuna se passa nos anos 50 e conta a história absurda de um ingênuo inventor, que do dia pra noite se torna presidente de uma gigantesca empresa industrial em Nova York, depois que o CEO comete suicídio. O motivo: um sacana conselho administrativo que quer assumir o controle de todas a ações e acredita que o rapaz vai afundar o valor da empresa. Bem, não é bem assim que as coisas rolam. Outro filme que não é tão fácil de encontrar, mas que vale todo o esforço para isso.

Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007)

Uma obra-prima moderna do diretor Paul Thomas Anderson, Sangue Negro se passa no começo do século passado, no auge da corrida do petróleo no sul dos EUA. O filme acompanha a história de Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), um inescrupuloso empresário e ser humano que abandona toda a sua humanidade em sua obsessão pelo sucesso e dinheiro pela prospecção do óleo. Um filme pesado e contemplativo, mas que fala de assuntos profundos. Disponível via aluguel para streaming em diversas plataformas.

Como a Plataforma Site Valeon pode ajudar as empresas a crescerem

A Plataforma Site Valeon pode ajudar as empresas a crescerem de diversas maneiras:

1. Aumentando a visibilidade online:

  • Oferecendo um site profissional e otimizado para mecanismos de busca, aumentando a visibilidade da empresa na internet e atraindo mais visitantes.
  • Integração com ferramentas de marketing digital, como Google Ads e Facebook Ads, para alcançar um público mais amplo e direcionado.
  • Otimização do site para conversão, com formulários de contato e botões de ação que facilitam a interação com os clientes.

2. Melhorando a experiência do cliente:

  • Conteúdo informativo e relevante, que ajuda os clientes a encontrarem as informações que procuram e a entenderem os produtos e serviços da empresa.
  • Ferramentas de autoatendimento, como chat online e FAQs, que respondem às perguntas dos clientes de forma rápida e eficiente.
  • Design intuitivo e responsivo, que garante uma boa experiência de navegação em qualquer dispositivo.

3. Aumentando as vendas:

  • Integração com plataformas de e-commerce, permitindo que os clientes comprem produtos e serviços consultando diretamente no site.
  • Ferramentas de marketing automation, que automatizam o envio de emails e mensagens personalizadas para leads e clientes.
  • Análise de dados, que fornece insights sobre o comportamento dos clientes e ajuda a otimizar as campanhas de marketing.

4. Reduzindo custos:

  • Automação de tarefas repetitivas, como o envio de emails e a gestão de leads.
  • Otimização do site para SEO, que reduz a necessidade de investir em publicidade paga.
  • Integração com ferramentas de CRM, que ajuda a gerenciar o relacionamento com os clientes de forma mais eficiente.

5. Aumentando a produtividade:

  • Ferramentas de colaboração, como compartilhamento de arquivos e calendários, que facilitam o trabalho em equipe.
  • Integração com ferramentas de gestão de projetos, que ajuda a organizar e acompanhar o andamento das tarefas.
  • Automação de tarefas repetitivas, que libera tempo para os funcionários se concentrarem em atividades mais estratégicas.

A Plataforma Site Valeon é uma solução completa e acessível que pode ajudar empresas de todos os portes a crescerem.

Para saber mais, visite o site <valedoacoonline.com.br> ou entre em contato com a equipe de vendas pelo telefone (31) 98428-0590.

Contatos:

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Fone: (31) 8428-0590

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

LULA SE REUNIÃO COM O PRESIDENTE DA SHELL NOS EUA PARA DISCUTIR PARCERIA DE EXPLORAÇÃO NA MARGEM EQUATORIAL

 

História de MARIANNA HOLANDA E RICARDO DELLA COLETTA – Folha de S. Paulo

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (25), seu encontro com dirigentes da Shell em Nova York, para onde o petista viajou para participar da Assembleia-Geral da ONU.

Lula afirmou não ver nenhuma contradição da reunião com o discurso ambiental do governo. “Eu não estou vendo nenhuma contradição. Eu recebi um empresário [de uma companhia] que está, simplesmente, há 100 anos no Brasil. Eu tenho 78 anos, significa que, quando eu nasci, a Shell já estava no Brasil há 22 anos. É uma empresa que tem contribuído dentro da lógica das exigências da política energética do Brasil”, disse Lula.

As declarações do petista ocorreram em coletiva de imprensa em Nova York, pouco antes de retornar ao Brasil.

Lula recebeu na residência da embaixada do Brasil em Nova York o presidente global da petroleira, Wael Sawan, e o presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto. A agenda, que não constou entre os compromissos oficiais do petista, foi revelada pela BBC Brasil.

De acordo com a BBC Brasil, Cristiano Pinto já comentou publicamente sobre o interesse da empresa na exploração da margem equatorial, uma região de costa marítima entre o Rio Grande do Norte e o Amapá, considerada uma das últimas fronteiras petrolíferas não exploradas no país.

Lula destacou que a Shell é sócia da Petrobras em 60% dos poços leiloados. “Ela [Shell] só vai para a margem equatorial quando o governo brasileiro autorizar a Petrobras a fazer pesquisa na margem equatorial”, disse Lula.

O petista também afirmou que o mundo vai precisar de combustíveis fósseis até o pleno desenvolvimento de fontes alternativas. “É preciso que, quando a gente fale isso, a gente aponte como é que vai viver o planeta terra sem energia fóssil, até a gente se dotar de autossuficiência em outro tipo de energia”.

“A gente vai utilizar o potencial de exploração de petróleo do Brasil para que a gente possa transformar a Petrobras numa empresa de energia, não numa empresa de petróleo. Quando o petróleo acabar, a Petrobras tem que estar produzindo outras energias que o Brasil e o mundo precisam.

LULA FALOU BEM NO PLENÁRIO DA ONU MAS NÃO PÕE SUAS IDEIAS EM PRÁTICA NO BRASIL

 

História de Thomas Milz – DW Brasil

O presidente brasileiro falou bem no salão plenário da ONU. No entanto fica a questão: por que não põe suas ideias em prática no próprio país? Agora as expectativas para a cúpula do G20 são bem modestas.

Da ausência de chefes de Estado e governo ao microfone desligado, viagem de Lula a Nova York teve vários pontos baixos

Da ausência de chefes de Estado e governo ao microfone desligado, viagem de Lula a Nova York teve vários pontos baixos© Shannon Stapleton/REUTERS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (24/09) com apelos incisivos. Como esperado, exigiu mais engajamento dos países industrializados ricos no combate à mudança climática e à fome no mundo. Além disso, instou a uma reforma abrangente da ONU, com a África e a América Latina finalmente representadas no Conselho de Segurança permanente.

Tudo isso já era de se esperar. As reivindicações de Lula são compreensíveis e lógicas, mas são quase lugares-comuns que não se sustentam perante a realidade. Assim, o presidente do Brasil expôs uma série de contradições entre suas exigências e as próprias ações.

Enquanto ele conclama o mundo, sobretudo os países ricos, a finalmente agir contra a mudança climática e a transferir os bilhões necessários a esse fim, o Brasil está pegando fogo por toda parte, sem que Lula tenha, ao que tudo indica, um plano para dar fim à tragédia ecológica no próprio país.

Como ele mesmo admitiu em seu discurso, só em agosto foram devastados no Brasil mais de 5 milhões de hectares de florestas – o que não desperta, necessariamente grande confiança na capacidade de seu governo. E sua crítica à lentidão em abandonar os combustíveis fósseis soa estranha, diante de seus bilionários planos de investimento em petróleo e gás.

Lula criticou também as sanções dos Estados Unidos contra Cuba, e os conflitos, tanto na Ucrânia e no Oriente Médio, como no Sudão e Haiti. E aí cabe perguntar por que o Brasil, que já liderou a missão de paz da ONU no Haiti, não volta a atuar nesse país.

Quanto ao elefante na sala, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, esse o líder petista não mencionou com uma palavra sequer. E, no entanto, todos os presentes bem sabiam que sua excursão diplomática no palco mundial acabou fracassando por causa do ex-motorista de ônibus Maduro.

E quando o brasileiro condena a fome no mundo e as expulsões provocadas pelas guerras e crises, cabe perguntar por que não encontra palavras drásticas contra os ditadores Maduro e Vladimir Putin, que, com suas ações irresponsáveis, agravam ainda mais essas mesmas crises.

Ele acusou ainda a Organização das Nações Unidas de até agora nunca ter sido encabeçada por uma mulher. Sempre cai bem reivindicar chances iguais e representação para as mulheres. Mas aí se pergunta por que elas desempenham um papel tão subordinado no gabinete do próprio Lula, que também preferiu nomear “homens brancos velhos” para o Supremo Tribunal.

Presidência histórica do G20: um mero sonho?

Também em outros aspectos a viagem de Lula a Nova York teve pouco êxito. No domingo ele participou da assim chamada Cúpula do Futuro, em que pronunciou uma versão abreviado do discurso programado para a terça-feira. Apenas poucos chefes de Estado compareceram. O fato de, ainda por cima, ele ter tido seu microfone desligado – possivelmente por ter extrapolado o tempo designado – conferiu um toque ainda mais infeliz ao evento.

Na segunda-feira ele cancelou na última hora sua participação num evento do ex-presidente americano Bill Clinton. Antes, o petista se aborrecera por causa de uma escaramuça com a equipe de segurança de seu homólogo Joe Biden.

Na terça-feira, a desafortunada participação de Lula em Nova York foi coroada com a iniciativa, lançada por ele, contra a extrema direita global. Apesar de convidados, nem Biden, nem o chanceler federal da Alemanha,Olaf Scholz, deram o ar de sua graça. O francês Emmanuel Macron chegou atrasado.

Comentando a iniciativa, o chefe de Estado do Chile, Gabriel Boric, frisou que não se pode julgar as violações dos direitos humanos segundo seu posicionamento político: ” Seja Netanyahu em Israel ou Maduro na Venezuela, Ortega na Nicarágua ou Putin na Rússia. Quer se autodefinam de esquerda ou direita, o que sejam. Nós, progressistas, precisamos ser capazes de defender princípios.” Isso soou como uma bofetada verbal em Lula, que em Nova York se eximira de criticar tanto Maduro quanto o russo Vladimir Putin ou o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega.

Na verdade, a intenção do presidente brasileiro em Nova York era ganhar impulso para a cúpula do G20 de novembro, no Rio de Janeiro. Mas o mundo está ocupado com a eleição presidencial dos EUA, a escalada de violência no Oriente Médio e o conflito na Ucrânia. E – com a catástrofe ambiental em casa e o naufrágio diplomático de sua missão para a Venezuela – no momento Lula está fora de campo. Seu sonho de uma presidência do G20 de importância histórica em 2024 deverá permanecer mesmo só um sonho.

Thomas Milz saiu da casa de seus pais protestantes há quase 20 anos e se mudou para o país mais católico do mundo. Tem mestrado em Ciências Políticas e História da América Latina e, há 15 anos, trabalha como jornalista e fotógrafo para veículos como a agência de notícias KNA e o jornal Neue Zürcher Zeitung. É pai de uma menina nascida em 2012 em Salvador. Depois de uma década em São Paulo, mora no Rio de Janeiro há quatro anos.

O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente da DW.

Autor: Thomas Milz

O VALOR DAS MULTAS APLICADAS PELO STF CONTRA O X CABERÁ AO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES DECIDIR PARA ONDE IRÃO

 

Gustavo Queiroz – DW

Segundo STF, recurso fica à disposição da Corte e caberá ao ministro Alexandre de Moraes decidir destino dos R$18,3 milhões cobrados.

Elon Musk e  Alexandre de Moraes
Disputa entre Elon Musk e Alexandre de Moraes deixou saldo milionário de multas pagas pelo XFoto: Slaven Vlasic/Getty Images

queda de braço entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a rede social X, de Elon Musk, já acumula um saldo milionário em multas aplicadas pela Justiça Federal por descumprimento de decisões judiciais. Estes recursos se tornam um excedente de arrecadação e o poder Judiciário passa a ter autonomia para definir seu destino, desde que respeitadas as diretrizes orçamentárias do governo federal.

Nesse caso, segundo a Corte, caberá ao ministro do STF Alexandre de Moraes definir como os valores serão investidos. Segundo especialistas ouvidos pela DW, a verba pode ser aplicada em um rol de possibilidades, como a modernização do Judiciário.

Em 13 de setembro, por exemplo, Moraes obrigou bancos a transferirem à União R$18,35 milhões em valores bloqueados do X (antigo Twitter)e da empresa de tecnologia Starlink, condenada em solidariedade por também pertencer a Musk. A multa acumulada foi aplicada no âmbito da Petição 12.404, após a rede social ignorar determinações judiciais para bloquear contas e indicar representantes no Brasil.

Na última quinta-feira (19/09), o Supremo determinou nova multa diária de R$5 milhões após a plataforma burlar o bloqueio e liberar o acesso aos usuários brasileiros.

Estas sanções por descumprimento de decisão judicial foram aplicadas por Moraes com base na Lei 12.965/2014, o chamado Marco Civil da Internet, mas devem ser distribuídas conforme modelo do Código de Processo Civil (CPC). Segundo a assessoria de imprensa do STF, os valores agora “ficam à disposição do juízo para definição da destinação”.

“No caso mencionado, o valor de R$ 18 milhões foi transferido a uma conta à disposição do Supremo Tribunal Federal, que direcionará posteriormente a destinação final, assim como ocorrerá com eventuais novos valores referentes a multas”, escreveu o STF, em nota. Questionada sobre as regras que delimitam a destinação destes recursos, a Corte respondeu que “o ministro Alexandre de Moraes ainda vai decidir como os recursos serão usados”.

Rede social X usada em celular.
Rede social X, de Elon Musk, acumulou multas por descumprimento a decisões de bloquear perfisFoto: Monika Skolimowska/dpa/picture alliance

Como funciona a gestão de multas judiciais

A gestão e destinação de multas atribuídas pela Justiça é diferente em processos criminais ou civis. Isso faz com que o caso julgado por Moraes seja representativo de um desafio jurídico que aparece com mais frequência no Brasil com ouso das plataformas digitais.

Isto porque, muitas vezes, as multas recebidas pelas redes sociais em processos como este são aplicadas após a empresa descumprir um procedimento civil, como a ordem de bloqueio de uma conta, mas o processo tem origem em uma apuração criminal, como um ato perpetrado por um usuário da plataforma.

“Este debate começa a aparecer em 2014, quando a polícia começa a fazer investigações de crimes ocorridos no ambiente virtual e se depara com plataformas digitais em que não consegue ter acesso”, disse o professor da FGV Direito SP Luciano Godoy, que também já atuou como juiz federal.

As multas estabelecidas dentro do Código Penal e usadas como forma de pena em uma condenação criminal, possuem uma resolução específica do Conselho Nacional de Justiça que estabelece sua destinação.

Os valores pagos por condenados por um crime devem ser destinados, por exemplo, aos Fundos Penitenciários estaduais ou nacional e usados para fins de modernização do sistema penal. As verbas também já foram liberadas para situações específicas como as enchentes no Rio Grande no Sul e o combate às queimadas na Amazônia.

Já as multas aplicadas como sanções por descumprimento judicial podem ser estabelecidas por um juiz como medida liminar ou como sentença desde 1994 e ficam à disposição da Justiça.

A gestão destes recursos é definida pelo novo Código de Processo Civil, que permite a União e os estados criarem fundos de modernização do Poder Judiciário. Mas enquanto a maioria das unidades da federação já instituíram um arcabouço para gestão dos valores, a justiça federal os incorpora como arrecadação extra no orçamento do Poder Judiciário.

A partir da coleta dos valores, a Justiça tem autonomia administrativa e financeira para definir como aplicar as verbas dentro do seu planejamento orçamentário, conforme estabelecido na Constituição.

Anúncio

Marco Civil da Internet não estabelece destino

Ao justificar a aplicação de sanções ao X, porém, o ministro Alexandre de Moraes se baseou em outra regulação, a do Marco Civil da Internet.

“Aí que vem um debate da multa combinatória, que foi aplicada agora pelo ministro Alexandre para o processo crime. Eles usam por analogia o esquema todo do processo civil, coloca um elemento novo que é a multa do Marco Civil da Internet para gerar essa condenação”, disse Godoy, retomando casos similares em que empresas como a Meta também foram multadas. “Ela [está] um processo penal, mas ela não é a multa do processo penal.”

O ministro Alexandre de Moraes
O ministro do STF Alexandre de Moraes vai definir o destino dos recursosFoto: Carla Carniel/REUTERS

Enquanto leis como o CPC preveem um fundo de destino das multas processuais, o Marco Civil da Internet não versa sobre ações jurídicas em si, e não define onde o recurso de multas para quem viola as regras de uso da internet deve ser aplicado. Também não estabelece a qual autoridade administrativa caberia a aplicação das multas, como a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), por exemplo.

Além disso, o Marco Civil também autoriza aplicação de multas de até 10% do faturamento do grupo econômico no Brasil, um valor muito acima do previsto no Código Processual e que abriu margem para a multa milionária cobrada do X. 

Supremo tem autonomia para escolher aplicação

O doutor em direito do Estado pela Faculdade de Direito da USP, Rafael Garofano, entende QUE há um desafio jurídico, uma vez que o Marco Civil não estabelece o destino dos recursos, mas entende que a destinação deve seguir o caminho natural de multas aplicadas no âmbito de um processo civil.

“Se você fosse adotar uma analogia razoável, por exemplo, se a Senacon tivesse agido para proteger o Marco Civil da Internet e apurada essa infração; na regulamentação da Senacon, ela define a destinação dos valores das infrações para o Fundo defesa de direitos difusos”, afirmou.

“Agora, o ministro está agindo com base nessa competência mais ampla, então ele está fazendo o papel da Senacom [por exemplo]. Como a lei não determina para onde vai ser aplicado esse recurso eu entendo que esse recurso vai ser destinado à conta do Poder Judiciário”, completou.

Para Luciano Godoy, o Código de Processo Civil e o Marco Civil da Internet são aplicados de forma conjunta neste caso.

“Eu não acharia estranho, nem ilegal, que na falta de lei o ministro fizesse uma construção que esse dinheiro tem que ser aplicado numa finalidade que gerasse um bem social, como uma universidade, uma escola técnica”, afirmou Godoy. 

É comum que destinações como estas sejam feitas em decisões na justiça estadual e federal, por exemplo, tomadas pelo juiz responsável pelo caso. Por outro lado, por se tratar de uma arrecadação extra, o recurso não pode ser usado para custeio, como o pagamento de salários, e o  Supremo terá que contabilizá-lo dentro das regras orçamentárias federais e justificar o uso do recurso.

Em último caso, se os valores não forem utilizados, eles são devolvidos à União ao final do exercício orçamentário.

EPIDEMIA DE VÍCIO EM APOSTAS ONLINE AS BETS NO BRASIL

 

Priscila Carvalho – DW

Especialistas apontam que regulamentação impulsionou bets no país e veem aumento da prática como questão de saúde pública. É preciso ficar atento para comportamentos que indicam vício.

Telas de celular e computador abertas em página de apostas online
Apostas online foram regulamentadas no Brasil em 2018Foto: Jens Krick/Flashpic/picture alliance

“Perdi todo meu salário para o Tigrinho. Do mês retrasado para o mês passado, o salário caiu na conta e foi tudo embora em questão de um dia e meio”, disse o mineiro Gustavo Martins, de 28 anos, em uma postagem nas redes sociais em junho deste ano. A publicação, segundo ele, foi um alerta para quem cogita entrar nesse universo de apostas esportivas. Seu primeiro contato com as bets foi há dois anos, em uma brincadeira com os amigos.

No entanto, a vontade de ganhar cada vez mais fez com que o mineiro se tornasse dependente dos jogos de azar. “Quando eu comecei a ganhar dinheiro, a sensação era de total euforia, satisfação e prazer. Comecei com jogos de todos os tipos nas casas de apostas”, conta à DW.

Nos primeiros meses, Martins chegou a faturar R$ 50 mil, mas o desejo era sempre por mais. Por causa dos lucros, cogitou até deixar o emprego e viver apenas com os ganhos. Contudo, as apostas começaram a sair do controle, comprometendo seu salário.

O jovem não é o único a usar parte do orçamento familiar para essa finalidade. Um estudo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), em parceria com a AGP Pesquisas, mostrou que 63% de quem aposta no país teve parte da renda comprometida com as bets. Outros 19% pararam de fazer compras no mercado e 11% não gastaram com saúde e medicamentos.

Esses dados refletem uma tendência preocupante, evidenciada ainda mais por um relatório divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (24/09), que revelou que beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em sites de apostas esportivas, somente no mês de agosto. O valor equivale a 21,2% dos recursos distribuídos pelo programa no mesmo mês.

Ainda segundo o banco, 24 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma transferência deste tipo no país desde janeiro. A maioria dos apostadores tem entre 20 e 30 anos e gasta cerca de R$ 100 por aposta. Este valor sobe de acordo com a idade. Brasileiros acima de 60 anos gastam uma média de R$ 3 mil reais em bets.

Como reconhecer a dependência em jogos

Martins precisou perder o salário para notar que sofria com um transtorno. “Eu não me satisfazia em fazer R$ 200 ou R$ 300 por dia. Eu queria sempre fazer R$ 10, 20 mil todos os dias, então, às vezes, eu fazia mil reais e, ao invés de sacar, tentava mais e acabava que saía sem nada”, relembra.

Assim como ele, muitos brasileiros demoram a perceber a dependência. Segundo os especialistas, como os jogos e aplicativos estão instalados no celular e o aparelho é usado com frequência, fica cada vez mais difícil reconhecer a adicção.

O vício em apostas online não afeta apenas o comportamento dos jogadores, mas também altera o funcionamento do cérebro de forma semelhante a outras dependências químicas, como drogas e álcool. Segundo Luciana Becker, psicóloga e especialista em Transtornos Adictivos pela PUC Rio, o sistema de recompensa cerebral é diretamente impactado pelo jogo patológico.

Por que é tão perigoso se viciar em games de aposta?

“Quando uma pessoa ganha ou está prestes a ganhar, o cérebro libera grandes quantidades de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e à satisfação. Esse aumento gera uma sensação de euforia, incentivando o jogador a buscar repetir a experiência”, explica Becker.

Contudo, o problema se agrava com o fenômeno conhecido como tolerância. “Assim como ocorre com substâncias psicoativas, o cérebro passa a exigir apostas maiores para atingir o mesmo nível de prazer. Isso leva a um comportamento compulsivo, com os jogadores assumindo riscos cada vez mais altos”, detalha a especialista.

Esse ciclo de dependência compromete a capacidade de tomar decisões racionais, perpetuando o comportamento adictivo. Em alguns casos, pode demorar muito tempo para que familiares e o próprio jogador percebam que o hábito está saindo do controle.

“O jogador patológico apresenta uma incapacidade de controlar o impulso de jogar, mesmo quando o jogo faz com que ele tenha tido, por exemplo, perdas financeiras significativas, prejuízos nas relações pessoais e problemas no trabalho”, pontua Becker. O estresse por não jogar, mentiras e outros prejuízos na rotina também indicam a compulsão.

Desafio de saúde pública

Desde a regulamentação das apostas online em 2018, pelo então presidente Michel Temer, a prática de jogos de azar cresceu de forma expressiva no Brasil. Hoje, o país ocupa a terceira posição mundial em consumo de casas de apostas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Inglaterra, de acordo com dados da Comscore, empresa especializada em análise de dados.

O aumento desse hábito tem gerado preocupação entre especialistas da saúde, que veem o jogo como uma questão de saúde pública. Bruna Lopes, psicóloga e pesquisadora do Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso (Proamiti), da Universidade de São Paulo (USP), afirma que a busca por tratamento de problemas relacionados a jogos de azar triplicou desde a liberação.

“Tem sido uma epidemia. O perfil inclui pessoas mais jovens, vulneráveis, sem parceiro e em condições socioeconômicas mais baixas. Também observamos associação com episódios de depressão e ansiedade”, explica Lopes.

Essa escalada nos números também foi confirmada pelo psiquiatra Marcelo Santos Cruz, coordenador do Programa de Estudos e Assistência ao Uso Indevido de Drogas e vice-diretor do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ele destaca que o problema não se limita aos jogadores, mas afeta profundamente suas famílias. Além disso, a falta de regulamentação efetiva e políticas públicas claras agrava o cenário. “O que vemos é um crescimento enorme dessas atividades, tanto nos jogos de celular quanto nas apostas esportivas, e muito pouco controle governamental. Isso é extremamente preocupante do ponto de vista da saúde mental”, alerta o psiquiatra.

Tratamento e ajuda

Para que alguém consiga deixar a compulsão em bets, o tratamento deve ser multidisciplinar. É preciso que o indivíduo receba um acolhimento e não sofra julgamentos e estigmas. Para aqueles que conhecem alguém em situação semelhante, a recomendação é promover conversas abertas e empáticas.

Martins chegou a ouvir de pessoas próximas e de seus familiares que aquilo era “safadeza” e frescura. Foi só depois de se abrir para a irmã e para o pai, que ele conseguiu ser ouvido e segue em acompanhamento com um psicólogo e psiquiatra. “Tomo remédio controlado para evitar impulsos. Não tenho acesso ao meu dinheiro, que é totalmente gerido ainda pelo meu pai”, conta.

Para dar início a um tratamento adequado, o primeiro passo é que a pessoa tome iniciativa e queira receber ajuda. Também é recomendado usar aplicativos que bloqueiam sites de casas de apostas e cancelar ou excluir o cadastro para não receber nenhum tipo de notificação. “É importante trabalhar os gatilhos e fazer com que a pessoa consiga acessar outras atividades prazerosas”, reforça Lopes.

O tratamento deve ser feito com um psicoterapeuta especializado em terapia cognitivo comportamental, e que possa direcioná-lo nas ações cotidianas, com o intuito de diminuir os riscos da prática. Em alguns casos, o uso de medicação também é indicado.

Caso o indivíduo não tenha recursos para fazer um tratamento privado, o recomendado é procurar Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem atendimento gratuito e que pertencem ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Existem ainda grupos de mútua ajuda, como os Jogadores Anônimos e os Devedores Anônimos, que podem auxiliar no processo. “Há muitos recursos e é importante que a pessoa e as famílias saibam que podem e devem buscar ajuda quando se identificarem em uma situação desse tipo”, reforça Cruz.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...