História de MARIANNA HOLANDA E RICARDO DELLA COLETTA – Folha de S. Paulo
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) defendeu, nesta quarta-feira (25), seu encontro com dirigentes da
Shell em Nova York, para onde o petista viajou para participar da
Assembleia-Geral da ONU.
Lula afirmou não ver nenhuma contradição da reunião com o discurso
ambiental do governo. “Eu não estou vendo nenhuma contradição. Eu recebi
um empresário [de uma companhia] que está, simplesmente, há 100 anos no
Brasil. Eu tenho 78 anos, significa que, quando eu nasci, a Shell já
estava no Brasil há 22 anos. É uma empresa que tem contribuído dentro da
lógica das exigências da política energética do Brasil”, disse Lula.
As declarações do petista ocorreram em coletiva de imprensa em Nova York, pouco antes de retornar ao Brasil.
Lula recebeu na residência da embaixada do Brasil em Nova York o
presidente global da petroleira, Wael Sawan, e o presidente da Shell
Brasil, Cristiano Pinto. A agenda, que não constou entre os compromissos
oficiais do petista, foi revelada pela BBC Brasil.
De acordo com a BBC Brasil, Cristiano Pinto já comentou publicamente
sobre o interesse da empresa na exploração da margem equatorial, uma
região de costa marítima entre o Rio Grande do Norte e o Amapá,
considerada uma das últimas fronteiras petrolíferas não exploradas no
país.
Lula destacou que a Shell é sócia da Petrobras em 60% dos poços
leiloados. “Ela [Shell] só vai para a margem equatorial quando o governo
brasileiro autorizar a Petrobras a fazer pesquisa na margem
equatorial”, disse Lula.
O petista também afirmou que o mundo vai precisar de combustíveis
fósseis até o pleno desenvolvimento de fontes alternativas. “É preciso
que, quando a gente fale isso, a gente aponte como é que vai viver o
planeta terra sem energia fóssil, até a gente se dotar de
autossuficiência em outro tipo de energia”.
“A gente vai utilizar o potencial de exploração de petróleo do Brasil
para que a gente possa transformar a Petrobras numa empresa de energia,
não numa empresa de petróleo. Quando o petróleo acabar, a Petrobras tem
que estar produzindo outras energias que o Brasil e o mundo precisam.
O presidente brasileiro falou bem no salão plenário da ONU.
No entanto fica a questão: por que não põe suas ideias em prática no
próprio país? Agora as expectativas para a cúpula do G20 são bem
modestas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (24/09) com apelos incisivos.
Como esperado, exigiu mais engajamento dos países industrializados
ricos no combate à mudança climática e à fome no mundo. Além disso,
instou a uma reforma abrangente da ONU, com a África e a América Latina
finalmente representadas no Conselho de Segurança permanente.
Tudo isso já era de se esperar. As reivindicações de Lula são
compreensíveis e lógicas, mas são quase lugares-comuns que não se
sustentam perante a realidade. Assim, o presidente do Brasil expôs uma
série de contradições entre suas exigências e as próprias ações.
Enquanto ele conclama o mundo, sobretudo os países ricos, a
finalmente agir contra a mudança climática e a transferir os bilhões
necessários a esse fim, o Brasil está pegando fogo por toda parte, sem
que Lula tenha, ao que tudo indica, um plano para dar fim à tragédia
ecológica no próprio país.
Como ele mesmo admitiu em seu discurso, só em agosto foram devastados
no Brasil mais de 5 milhões de hectares de florestas – o que não
desperta, necessariamente grande confiança na capacidade de seu governo.
E sua crítica à lentidão em abandonar os combustíveis fósseis soa
estranha, diante de seus bilionários planos de investimento em petróleo e
gás.
Lula criticou também as sanções dos Estados Unidos contra Cuba, e os
conflitos, tanto na Ucrânia e no Oriente Médio, como no Sudão e Haiti. E
aí cabe perguntar por que o Brasil, que já liderou a missão de paz da
ONU no Haiti, não volta a atuar nesse país.
Quanto ao elefante na sala, o presidente da Venezuela, Nicolás
Maduro, esse o líder petista não mencionou com uma palavra sequer. E, no
entanto, todos os presentes bem sabiam que sua excursão diplomática no
palco mundial acabou fracassando por causa do ex-motorista de ônibus
Maduro.
E quando o brasileiro condena a fome no mundo e as expulsões
provocadas pelas guerras e crises, cabe perguntar por que não encontra
palavras drásticas contra os ditadores Maduro e Vladimir Putin, que, com
suas ações irresponsáveis, agravam ainda mais essas mesmas crises.
Ele acusou ainda a Organização das Nações Unidas de até agora nunca
ter sido encabeçada por uma mulher. Sempre cai bem reivindicar chances
iguais e representação para as mulheres. Mas aí se pergunta por que elas
desempenham um papel tão subordinado no gabinete do próprio Lula, que
também preferiu nomear “homens brancos velhos” para o Supremo Tribunal.
Presidência histórica do G20: um mero sonho?
Também em outros aspectos a viagem de Lula a Nova York teve pouco
êxito. No domingo ele participou da assim chamada Cúpula do Futuro, em
que pronunciou uma versão abreviado do discurso programado para a
terça-feira. Apenas poucos chefes de Estado compareceram. O fato de,
ainda por cima, ele ter tido seu microfone desligado – possivelmente por
ter extrapolado o tempo designado – conferiu um toque ainda mais
infeliz ao evento.
Na segunda-feira ele cancelou na última hora sua participação num
evento do ex-presidente americano Bill Clinton. Antes, o petista se
aborrecera por causa de uma escaramuça com a equipe de segurança de seu
homólogo Joe Biden.
Na terça-feira, a desafortunada participação de Lula em Nova York foi
coroada com a iniciativa, lançada por ele, contra a extrema direita
global. Apesar de convidados, nem Biden, nem o chanceler federal da
Alemanha,Olaf Scholz, deram o ar de sua graça. O francês Emmanuel Macron
chegou atrasado.
Comentando a iniciativa, o chefe de Estado do Chile, Gabriel Boric,
frisou que não se pode julgar as violações dos direitos humanos segundo
seu posicionamento político: ” Seja Netanyahu em Israel ou Maduro na
Venezuela, Ortega na Nicarágua ou Putin na Rússia. Quer se autodefinam
de esquerda ou direita, o que sejam. Nós, progressistas, precisamos ser
capazes de defender princípios.” Isso soou como uma bofetada verbal em
Lula, que em Nova York se eximira de criticar tanto Maduro quanto o
russo Vladimir Putin ou o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega.
Na verdade, a intenção do presidente brasileiro em Nova York era
ganhar impulso para a cúpula do G20 de novembro, no Rio de Janeiro. Mas o
mundo está ocupado com a eleição presidencial dos EUA, a escalada de
violência no Oriente Médio e o conflito na Ucrânia. E – com a catástrofe
ambiental em casa e o naufrágio diplomático de sua missão para a
Venezuela – no momento Lula está fora de campo. Seu sonho de uma
presidência do G20 de importância histórica em 2024 deverá permanecer
mesmo só um sonho.
Thomas Milz saiu da casa de seus pais protestantes há quase 20
anos e se mudou para o país mais católico do mundo. Tem mestrado em
Ciências Políticas e História da América Latina e, há 15 anos, trabalha
como jornalista e fotógrafo para veículos como a agência de notícias KNA
e o jornal Neue Zürcher Zeitung. É pai de uma menina nascida em 2012 em Salvador. Depois de uma década em São Paulo, mora no Rio de Janeiro há quatro anos.
O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente da DW.
Segundo STF, recurso fica à disposição da Corte e caberá ao ministro
Alexandre de Moraes decidir destino dos R$18,3 milhões cobrados.
Disputa entre Elon Musk e Alexandre de Moraes deixou saldo milionário de multas pagas pelo XFoto: Slaven Vlasic/Getty Images
A queda de braço entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a rede social X, de Elon Musk,
já acumula um saldo milionário em multas aplicadas pela Justiça Federal
por descumprimento de decisões judiciais. Estes recursos se tornam um
excedente de arrecadação e o poder Judiciário passa a ter autonomia para
definir seu destino, desde que respeitadas as diretrizes orçamentárias
do governo federal.
Nesse caso, segundo a Corte, caberá ao ministro do STF Alexandre de Moraes definir
como os valores serão investidos. Segundo especialistas ouvidos pela
DW, a verba pode ser aplicada em um rol de possibilidades, como a
modernização do Judiciário.
Em 13 de setembro, por exemplo, Moraes obrigou bancos a transferirem à União R$18,35 milhões em valores bloqueados do X (antigo Twitter)e
da empresa de tecnologia Starlink, condenada em solidariedade por
também pertencer a Musk. A multa acumulada foi aplicada no âmbito da
Petição 12.404, após a rede social ignorar determinações judiciais para
bloquear contas e indicar representantes no Brasil.
Estas sanções por descumprimento de decisão judicial foram aplicadas por Moraes com base na Lei 12.965/2014, o chamado Marco Civil da Internet,
mas devem ser distribuídas conforme modelo do Código de Processo Civil
(CPC). Segundo a assessoria de imprensa do STF, os valores agora “ficam à
disposição do juízo para definição da destinação”.
“No caso mencionado, o valor de R$ 18 milhões foi transferido a uma
conta à disposição do Supremo Tribunal Federal, que direcionará
posteriormente a destinação final, assim como ocorrerá com eventuais
novos valores referentes a multas”, escreveu o STF, em nota. Questionada
sobre as regras que delimitam a destinação destes recursos, a Corte
respondeu que “o ministro Alexandre de Moraes ainda vai decidir como os
recursos serão usados”.
Rede social X, de Elon Musk, acumulou multas por descumprimento a decisões de bloquear perfisFoto: Monika Skolimowska/dpa/picture alliance
Como funciona a gestão de multas judiciais
A gestão e destinação de multas atribuídas pela Justiça é diferente
em processos criminais ou civis. Isso faz com que o caso julgado por
Moraes seja representativo de um desafio jurídico que aparece com mais
frequência no Brasil com ouso das plataformas digitais.
Isto porque, muitas vezes, as multas recebidas pelas redes sociais em
processos como este são aplicadas após a empresa descumprir um
procedimento civil, como a ordem de bloqueio de uma conta, mas o
processo tem origem em uma apuração criminal, como um ato perpetrado por
um usuário da plataforma.
“Este debate começa a aparecer em 2014, quando a polícia começa a
fazer investigações de crimes ocorridos no ambiente virtual e se depara
com plataformas digitais em que não consegue ter acesso”, disse o
professor da FGV Direito SP Luciano Godoy, que também já atuou como juiz
federal.
As multas estabelecidas dentro do Código Penal e usadas como forma de
pena em uma condenação criminal, possuem uma resolução específica do
Conselho Nacional de Justiça que estabelece sua destinação.
Os valores pagos por condenados por um crime devem ser destinados,
por exemplo, aos Fundos Penitenciários estaduais ou nacional e usados
para fins de modernização do sistema penal. As verbas também já foram
liberadas para situações específicas como as enchentes no Rio Grande no Sul e o combate às queimadas na Amazônia.
Já as multas aplicadas como sanções por descumprimento judicial podem
ser estabelecidas por um juiz como medida liminar ou como sentença
desde 1994 e ficam à disposição da Justiça.
A gestão destes recursos é definida pelo novo Código de Processo
Civil, que permite a União e os estados criarem fundos de modernização
do Poder Judiciário. Mas enquanto a maioria das unidades da federação já
instituíram um arcabouço para gestão dos valores, a justiça federal os
incorpora como arrecadação extra no orçamento do Poder Judiciário.
A partir da coleta dos valores, a Justiça tem autonomia
administrativa e financeira para definir como aplicar as verbas dentro
do seu planejamento orçamentário, conforme estabelecido na Constituição.
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Marco Civil da Internet não estabelece destino
Ao justificar a aplicação de sanções ao X, porém, o ministro
Alexandre de Moraes se baseou em outra regulação, a do Marco Civil da
Internet.
“Aí que vem um debate da multa combinatória, que foi aplicada agora
pelo ministro Alexandre para o processo crime. Eles usam por analogia o
esquema todo do processo civil, coloca um elemento novo que é a multa do
Marco Civil da Internet para gerar essa condenação”, disse Godoy,
retomando casos similares em que empresas como a Meta também foram
multadas. “Ela [está] um processo penal, mas ela não é a multa do
processo penal.”
O ministro do STF Alexandre de Moraes vai definir o destino dos recursosFoto: Carla Carniel/REUTERS
Enquanto leis como o CPC preveem um fundo de destino das multas
processuais, o Marco Civil da Internet não versa sobre ações jurídicas
em si, e não define onde o recurso de multas para quem viola as regras
de uso da internet deve ser aplicado. Também não estabelece a qual
autoridade administrativa caberia a aplicação das multas, como a
Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), por exemplo.
Além disso, o Marco Civil também autoriza aplicação de multas de até
10% do faturamento do grupo econômico no Brasil, um valor muito acima do
previsto no Código Processual e que abriu margem para a multa
milionária cobrada do X.
Supremo tem autonomia para escolher aplicação
O doutor em direito do Estado pela Faculdade de Direito da USP,
Rafael Garofano, entende QUE há um desafio jurídico, uma vez que o Marco
Civil não estabelece o destino dos recursos, mas entende que a
destinação deve seguir o caminho natural de multas aplicadas no âmbito
de um processo civil.
“Se você fosse adotar uma analogia razoável, por exemplo, se a
Senacon tivesse agido para proteger o Marco Civil da Internet e apurada
essa infração; na regulamentação da Senacon, ela define a destinação dos
valores das infrações para o Fundo defesa de direitos difusos”,
afirmou.
“Agora, o ministro está agindo com base nessa competência mais ampla,
então ele está fazendo o papel da Senacom [por exemplo]. Como a lei não
determina para onde vai ser aplicado esse recurso eu entendo que esse
recurso vai ser destinado à conta do Poder Judiciário”, completou.
Para Luciano Godoy, o Código de Processo Civil e o Marco Civil da Internet são aplicados de forma conjunta neste caso.
“Eu não acharia estranho, nem ilegal, que na falta de lei o ministro
fizesse uma construção que esse dinheiro tem que ser aplicado numa
finalidade que gerasse um bem social, como uma universidade, uma escola
técnica”, afirmou Godoy.
É comum que destinações como estas sejam feitas em decisões na
justiça estadual e federal, por exemplo, tomadas pelo juiz responsável
pelo caso. Por outro lado, por se tratar de uma arrecadação extra, o
recurso não pode ser usado para custeio, como o pagamento de salários, e
o Supremo terá que contabilizá-lo dentro das regras orçamentárias
federais e justificar o uso do recurso.
Em último caso, se os valores não forem utilizados, eles são devolvidos à União ao final do exercício orçamentário.
Especialistas apontam que regulamentação impulsionou bets no país e
veem aumento da prática como questão de saúde pública. É preciso ficar
atento para comportamentos que indicam vício.
Apostas online foram regulamentadas no Brasil em 2018Foto: Jens Krick/Flashpic/picture alliance
“Perdi todo meu salário para o Tigrinho.
Do mês retrasado para o mês passado, o salário caiu na conta e foi tudo
embora em questão de um dia e meio”, disse o mineiro Gustavo Martins,
de 28 anos, em uma postagem nas redes sociais em junho deste ano. A
publicação, segundo ele, foi um alerta para quem cogita entrar nesse
universo de apostas esportivas. Seu primeiro contato com as bets foi há dois anos, em uma brincadeira com os amigos.
No entanto, a vontade de ganhar cada vez mais fez com que o mineiro
se tornasse dependente dos jogos de azar. “Quando eu comecei a ganhar
dinheiro, a sensação era de total euforia, satisfação e prazer. Comecei
com jogos de todos os tipos nas casas de apostas”, conta à DW.
Nos primeiros meses, Martins chegou a faturar R$ 50 mil, mas o desejo
era sempre por mais. Por causa dos lucros, cogitou até deixar o emprego
e viver apenas com os ganhos. Contudo, as apostas começaram a sair do
controle, comprometendo seu salário.
O jovem não é o único a usar parte do orçamento familiar para essa
finalidade. Um estudo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo
(SBVC), em parceria com a AGP Pesquisas, mostrou que 63% de quem aposta
no país teve parte da renda comprometida com as bets. Outros 19% pararam
de fazer compras no mercado e 11% não gastaram com saúde e
medicamentos.
Esses dados refletem uma tendência preocupante, evidenciada ainda
mais por um relatório divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira
(24/09), que revelou que beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em sites de apostas esportivas, somente no mês de agosto. O valor equivale a 21,2% dos recursos distribuídos pelo programa no mesmo mês.
Ainda segundo o banco, 24 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma
transferência deste tipo no país desde janeiro. A maioria dos
apostadores tem entre 20 e 30 anos e gasta cerca de R$ 100 por aposta.
Este valor sobe de acordo com a idade. Brasileiros acima de 60 anos
gastam uma média de R$ 3 mil reais em bets.
Como reconhecer a dependência em jogos
Martins precisou perder o salário para notar que sofria com um
transtorno. “Eu não me satisfazia em fazer R$ 200 ou R$ 300 por dia. Eu
queria sempre fazer R$ 10, 20 mil todos os dias, então, às vezes, eu
fazia mil reais e, ao invés de sacar, tentava mais e acabava que saía
sem nada”, relembra.
Assim como ele, muitos brasileiros demoram a perceber a dependência.
Segundo os especialistas, como os jogos e aplicativos estão instalados
no celular e o aparelho é usado com frequência, fica cada vez mais
difícil reconhecer a adicção.
O vício em apostas online não afeta apenas o comportamento dos
jogadores, mas também altera o funcionamento do cérebro de forma
semelhante a outras dependências químicas, como drogas e álcool. Segundo
Luciana Becker, psicóloga e especialista em Transtornos Adictivos pela
PUC Rio, o sistema de recompensa cerebral é diretamente impactado pelo
jogo patológico.
Por que é tão perigoso se viciar em games de aposta?
“Quando uma pessoa ganha ou está prestes a ganhar, o cérebro libera
grandes quantidades de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e à
satisfação. Esse aumento gera uma sensação de euforia, incentivando o
jogador a buscar repetir a experiência”, explica Becker.
Contudo, o problema se agrava com o fenômeno conhecido como
tolerância. “Assim como ocorre com substâncias psicoativas, o cérebro
passa a exigir apostas maiores para atingir o mesmo nível de prazer.
Isso leva a um comportamento compulsivo, com os jogadores assumindo
riscos cada vez mais altos”, detalha a especialista.
Esse ciclo de dependência compromete a capacidade de tomar decisões
racionais, perpetuando o comportamento adictivo. Em alguns casos, pode
demorar muito tempo para que familiares e o próprio jogador percebam que
o hábito está saindo do controle.
“O jogador patológico apresenta uma incapacidade de controlar o
impulso de jogar, mesmo quando o jogo faz com que ele tenha tido, por
exemplo, perdas financeiras significativas, prejuízos nas relações
pessoais e problemas no trabalho”, pontua Becker. O estresse por não
jogar, mentiras e outros prejuízos na rotina também indicam a compulsão.
Desafio de saúde pública
Desde a regulamentação das apostas online em 2018, pelo então
presidente Michel Temer, a prática de jogos de azar cresceu de forma
expressiva no Brasil. Hoje, o país ocupa a terceira posição mundial em
consumo de casas de apostas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e
da Inglaterra, de acordo com dados da Comscore, empresa especializada em
análise de dados.
O aumento desse hábito tem gerado preocupação entre especialistas da
saúde, que veem o jogo como uma questão de saúde pública. Bruna Lopes,
psicóloga e pesquisadora do Programa Ambulatorial Integrado dos
Transtornos do Impulso (Proamiti), da Universidade de São Paulo (USP),
afirma que a busca por tratamento de problemas relacionados a jogos de
azar triplicou desde a liberação.
“Tem sido uma epidemia. O perfil inclui pessoas mais jovens,
vulneráveis, sem parceiro e em condições socioeconômicas mais baixas.
Também observamos associação com episódios de depressão e ansiedade”,
explica Lopes.
Essa escalada nos números também foi confirmada pelo psiquiatra
Marcelo Santos Cruz, coordenador do Programa de Estudos e Assistência ao
Uso Indevido de Drogas e vice-diretor do Instituto de Psiquiatria da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Ele destaca que o problema não se limita aos jogadores, mas afeta
profundamente suas famílias. Além disso, a falta de regulamentação
efetiva e políticas públicas claras agrava o cenário. “O que vemos é um
crescimento enorme dessas atividades, tanto nos jogos de celular quanto
nas apostas esportivas, e muito pouco controle governamental. Isso é
extremamente preocupante do ponto de vista da saúde mental”, alerta o
psiquiatra.
Tratamento e ajuda
Para que alguém consiga deixar a compulsão em bets, o tratamento deve
ser multidisciplinar. É preciso que o indivíduo receba um acolhimento e
não sofra julgamentos e estigmas. Para aqueles que conhecem alguém em
situação semelhante, a recomendação é promover conversas abertas e
empáticas.
Martins chegou a ouvir de pessoas próximas e de seus familiares que
aquilo era “safadeza” e frescura. Foi só depois de se abrir para a irmã e
para o pai, que ele conseguiu ser ouvido e segue em acompanhamento com
um psicólogo e psiquiatra. “Tomo remédio controlado para evitar
impulsos. Não tenho acesso ao meu dinheiro, que é totalmente gerido
ainda pelo meu pai”, conta.
Para dar início a um tratamento adequado, o primeiro passo é que a
pessoa tome iniciativa e queira receber ajuda. Também é recomendado usar
aplicativos que bloqueiam sites de casas de apostas e cancelar ou
excluir o cadastro para não receber nenhum tipo de notificação. “É
importante trabalhar os gatilhos e fazer com que a pessoa consiga
acessar outras atividades prazerosas”, reforça Lopes.
O tratamento deve ser feito com um psicoterapeuta especializado em
terapia cognitivo comportamental, e que possa direcioná-lo nas ações
cotidianas, com o intuito de diminuir os riscos da prática. Em alguns
casos, o uso de medicação também é indicado.
Caso o indivíduo não tenha recursos para fazer um tratamento privado,
o recomendado é procurar Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que
oferecem atendimento gratuito e que pertencem ao Sistema Único de Saúde
(SUS).
Existem ainda grupos de mútua ajuda, como os Jogadores Anônimos e os
Devedores Anônimos, que podem auxiliar no processo. “Há muitos recursos e
é importante que a pessoa e as famílias saibam que podem e devem buscar
ajuda quando se identificarem em uma situação desse tipo”, reforça
Cruz.
BRASÍLIA – Em agosto, 5 milhões de pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família enviaram R$ 3 bilhões via Pix a plataformas de apostas. Os dados são de uma nota técnica divulgada nesta terça-feira, 24, pelo Banco Central, sobre o mercado de apostas online no País.
O valor mediano transferido por beneficiário é de R$ 100. Entre os
apostadores, 70% são chefes de família – ou seja, aqueles que de fato
recebem o benefício – e enviaram R$ 2 bilhões (67%) por Pix para as
bets. O Banco Central utilizou para a pesquisa o número de cadastrados
de dezembro de 2023, dentre os quais 17% apostaram.
Em agosto, o Bolsa Família repassou R$ 14,1 bilhões para mais de 20,7
milhões de famílias, com valor médio de R$ 681 por família. Isso
significa que 21% do valor pago pelo governo foi transferido via Pix a
empresas de apostas, segundo o BC.
“Esses resultados estão em linha com outros levantamentos que apontam
as famílias de baixa renda como as mais prejudicadas pela atividade das
apostas esportivas. É razoável supor que o apelo comercial do
enriquecimento por meio de apostas seja mais atraente para quem está em
situação de vulnerabilidade financeira”, diz o BC.
Segundo estudo do Banco Central, brasileiros gastam em média R$ 20 bi por mês com apostas online. Foto: Wpadington/Adobe Stock
“O BCB está atento ao tema e precisa ainda de mais dados e tempo para
avaliar com maior robustez suas implicações para a economia, a
estabilidade financeira e o bem-estar financeiro da população”, diz a
nota técnica, elaborada pelo BC após solicitação do senador Omar Aziz
(PSD-AM).
Beneficiários Do Bolsa Família Gastaram R$ 3 Bilhões Em Apostas Eletrônicas
Mais cedo, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, demonstrou preocupações sobre o assunto.
“É um tema muito relevante e que tem sido falado, sobre o
comprometimento da renda das famílias nesses sites de apostas”, disse
durante a Brazil Conference, do Banco Safra, em São Paulo.
Brasileiros gastam cerca de R$ 20 bi por mês com apostas
No estudo, o BC estima que o volume mensal de transferências via Pix
de pessoas físicas para empresas de apostas online variou entre R$ 18
bilhões e R$ 21 bilhões de janeiro a agosto. O número não considera
pagamento por meio de outras modalidades, como cartões de crédito,
débito, ou transferências via TED.
Em agosto, por exemplo, foram transferidos via Pix R$ 21,1 bilhões
para as empresas de jogos de azar e apostas, enquanto as loterias
tradicionais da Caixa arrecadaram R$ 1,9 bilhão.
O BC estima que cerca de 24 milhões de pessoas físicas participaram
de jogos de azar e apostas, realizando ao menos uma transferência via
Pix para essas empresas durante o período analisado, de janeiro a
agosto.
Em relação ao perfil dos apostadores, a maioria tem entre 20 e 30
anos. Segundo o estudo, o valor médio mensal das transferências aumenta
conforme a idade: para os mais jovens, gira em torno de R$ 100; enquanto
para os mais velhos, ultrapassa R$ 3 mil, segundo dados de agosto.
infographics
O BC destacou que a análise sobre esse mercado apresenta muitos
desafios, “já que muitas das empresas que operam jogos de azar e apostas
online o fazem sob nomes que não correspondem aos divulgados na mídia, e
várias delas não estão corretamente classificadas no setor econômico
apropriado”, diz a nota.
Em agosto, por exemplo, o BC identificou 520 empresas da área que
estavam enquadradas no setor econômico (CNAE) adequado. Elas, no
entanto, movimentaram um valor pequeno: R$ 300 milhões. Por outro lado,
foram identificadas 56 companhias que não estavam no CNAE apropriado,
mas foram localizadas “com base em citações na internet e na aplicação
de filtros com características típicas de transferências de apostas”.
Juntas, essas receberam um montante muito superior: R$ 20,8 bilhões em
transferências em agosto.
“Com base nas transferências que são feitas dessas empresas para
pessoas físicas, estimamos que aproximadamente 15% do que é apostado
seja retido pelas empresas, com o restante distribuído aos ganhadores a
título de prêmio”, diz o BC, embora ressalte que “este valor de retenção
pode estar subestimado”.
O mercado de apostas online está em processo de regulamentação pelo
Ministério da Fazenda. A pasta já soltou portarias com diretrizes, mas
as regras só entrarão em vigor a partir de janeiro de 2025 – entre elas a
proibição de apostas com cartão de crédito. A partir do mês que vem,
porém, só poderão operar empresas que pediram autorização para a Fazenda.
Ministério do Desenvolvimento Social vai à Fazenda
Procurado, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, afirmou ao Estadão que solicitou informações ao Ministério da Fazenda sobre os dados divulgados pelo BC.
“Como é do conhecimento público, há proposta em andamento para
regulamentação das bets e certamente a situação das pessoas mais
vulneráveis e outros aspectos sociais serão considerados quando da
regulamentação”, disse o ministro.
“O Bolsa Família transfere um dinheiro livre para a família e tem por
objetivo combater a fome e atender a necessidades básicas de pessoas em
situação de insegurança alimentar e outras vulnerabilidades. Tudo
faremos para manter estes objetivos.”
Ingestão regular de líquidos, em especial os ricos em citrato, como o
suco de limão, ajuda a blindar órgão de cálculos, orienta urologista
Condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, o cálculo
renal, popularmente chamado de pedra nos rins, causa dor intensa e, em
alguns casos, complicações sérias. O que poucos sabem é que essa
condição pode ser evitada com simples hábitos no dia a dia, como o
aumento da ingestão de líquidos. Além da velha regra de consumir 2
litros de água por dia para blindar o órgão deste percalço, o urologista
do Hospital Israelita Albert Einstein e especialista em cirurgia
robótica, Dr. José Roberto Colombo Júnior, ensina outras estratégias.
“A principal maneira de evitar o cálculo renal é manter-se bem
hidratado”, fecha questão Colombo Júnior, ressaltando que a hidratação
não deve se limitar apenas à água. Isso porque bebidas ricas em citrato,
como os sucos cítricos, têm um efeito preventivo ainda mais potente.
“O citrato é uma substância que ajuda a evitar a formação de
cristais, impedindo que o cálcio se combine com outros compostos na
urina para formar cálculos. O suco de limão, por exemplo, é uma
excelente opção por ser naturalmente rico em citrato”, ressalta o
urologista.
Ele explica que a formação de cálculos está diretamente ligada à
concentração de substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico na urina.
E quando há pouca ingestão de líquidos, o xixi se torna mais
concentrado, facilitando a cristalização dessas substâncias, o que pode
levar à formação das pedras nos rins.
Fatores de risco
Além da hidratação, a dieta também desempenha um papel crucial na
prevenção do cálculo renal. O consumo excessivo de sal, proteínas
animais e alimentos ricos em oxalato (como espinafre, nozes e chocolate)
pode aumentar o risco de formação de pedras.
“Manter uma dieta balanceada e saudável, com menos sódio e proteínas
de origem animal, e focar em alimentos que auxiliam na prevenção são
medidas fundamentais para evitar o cálculo renal”, observa o urologista.
Estimativa do Ministério da Saúde aponta que aproximadamente 12% dos
homens e 6% das mulheres terão a doença ao longo da vida. E, entre os
fatores que colaboram para essa discrepância, está justamente a
alimentação.
Sintomas
O principal sintoma do cálculo urinário é a dor aguda e de forte
intensidade, conhecida como cólica renal, que normalmente inicia-se na
região lombar e pode irradiar para a região abdominal. “É comum
apresentar náuseas e vômitos associados à dor. A presença de ardor ao
urinar e a urina com sangue também podem fazer parte do quadro clínico. A
presença de febre (temperatura maior do que 37,8ºC) pode indicar uma
infecção urinária associada, aumentando a gravidade do quadro. A dor
ocorre quando o cálculo migra do rim em direção à bexiga, atravessando
um canal conhecido como ureter, causando a obstrução ao fluxo urinário”,
explica o médico.
Tratamento cirúrgico
O urologista explica que, normalmente, a cirurgia é indicada em casos
em que exista uma infecção associada, dor refratária ao tratamento
medicamentoso e dilatação do rim. “A cirurgia deve ser personalizada
para cada paciente, mas o tratamento mais comum é a fragmentação do
cálculo utilizando o laser, seguida da remoção dos maiores fragmentos e a
colocação de um cateter chamado de duplo.”
De acordo com Colombo, esse procedimento é minimamente invasivo, sem a
necessidade de cortes, e os pacientes permanecem menos de 24 horas no
hospital. “Nos casos em que os cálculos estão localizados no rim, o
urologista introduz um aparelho muito fino e flexível até o rim
acometido e consegue fragmentar o cálculo utilizando também o laser.”
Sobre o Dr. José Roberto Colombo Júnior
Médico urologista e especialista em cirurgia robótica urológica do
Hospital Israelita Albert Einstein. Coordenador Executivo da
Pós-Graduação em Cirurgia Robótica do Hospital Israelita Albert
Einstein. Formado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Possui
doutorado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) São Paulo.
Aprimoramento (Fellowship) em cirurgia minimamente invasiva na Cleveland
Clinic, Cleveland, EUA. Atendimento: * 11 97090-5300 WhatsApp * 11
2151- 4116
Nessa quinta-feira (26), celebra dia Nacional do Surdo, no Brasil, o
dia 26 de setembro é celebrado devido ao fato desta data lembrar a
inauguração da primeira escola para Surdos no país em 1857, com o nome
de Instituto Nacional de Surdos Mudos do Rio de Janeiro, atual
INES-Instituto Nacional de Educação de Surdos
No Brasil, a Lei nº 10.436/2002 foi um marco importante para a
comunidade surda brasileira, ao reconhecer a Língua Brasileira de Sinais
(Libras) como meio legal de comunicação e expressão, determinando que
sua difusão e uso sejam apoiados pelo poder público.
A comunidade surda já conquistou direitos fundamentais, como a
obrigatoriedade do ensino da Língua Brasileira de Sinais na formação de
professores e a Lei de Cotas para Deficientes. Mas a garantia total da
inclusão de pessoas surdas no Brasil ainda não é uma realidade.
Aproximadamente 5% da população são compostos por quem tem alguma
deficiência auditiva, o que equivale a cerca de 10 milhões de
brasileiros. Deste grupo, 2,7 milhões possuem surdez profunda.
A faixa dos 60 anos de idade é a mais acometida, sendo que 9% nascem com a condição e 91% a adquirem ao longo da vida.
Como a surdez é uma deficiência que se agrava com o passar dos anos
e, considerando o processo de envelhecimento da população brasileira, a
tendência é que os números aumentem.
Surdez é o nome dado à impossibilidade ou dificuldade de ouvir. A
audição é constituída por um sistema de canais que conduz o som até o
ouvido interno, onde essas ondas são transformadas em estímulos
elétricos e enviados ao cérebro, órgão responsável pelo reconhecimento e
pela identificação daquilo que ouvimos.
Redação Startup – StartSe – Fabiano Nagamatsu é CEO da Osten Moove
O Brasil é um país de empreendedores. Frente a esse promissor cenário
de negócios, desvendar as habilidades necessárias para se tornar um bom
gestor pode determinar o sucesso de qualquer empreendimento.
O levantamento identificou que 70% da população brasileira adulta,
entre 18 e 64 anos, está envolvida com o empreendedorismo. Há
aproximadamente 42 milhões de empresários já na ativa e 51 milhões de
pessoas querendo ter o próprio negócio nos próximos três anos.
A pesquisa, que analisou 49 países, como Estados Unidos, China,
África do Sul e Chile, mostra que o Brasil ocupa o segundo lugar do
ranking com a maior taxa de potenciais empreendedores, ficando atrás
apenas do Panamá.
Frente a esse promissor cenário de negócios, desvendar as habilidades necessárias para se tornar um bom gestor pode determinar o sucesso de qualquer empreendimento.
Para aqueles que já desempenham a função, é fundamental fazer uma
autoavaliação a fim de compreender se está realizando um trabalho
eficaz.
Um bom gestor, por exemplo, é capaz de transmitir informações de forma clara e, também, de ouvir atentamente sua equipe.
Além disso, demonstra inteligência emocional, compreendendo e
gerenciando emoções próprias e alheias diante das adversidades do
cotidiano.
A capacidade de tomar decisões assertivas e delegar tarefas
adequadamente também são essenciais nessa jornada. Um gestor inspirador
define metas claras, motiva o time e resolve conflitos de forma justa e
equilibrada.
Depois de feita uma autoavaliação levando em consideração os pontos
citados anteriormente, é hora de identificar as áreas de força e aquelas
a serem desenvolvidas para iniciar o processo de aprimoramento.
Busque feedback constante
Esteja aberto a receber feedbacks de colegas e membros da equipe.
Assim, é possível aperfeiçoar o que for necessário e implementar
mudanças positivas no estilo de gestão.
Invista em desenvolvimento pessoal
Participe de cursos, workshops e seminários que abordem temas como
liderança, comunicação e inteligência emocional. O aprendizado contínuo é
essencial para o crescimento profissional.
Desenvolva relacionamentos significativos
Cultive relacionamentos sólidos com os membros da equipe. Conheça
suas fortalezas e fraquezas, demonstre interesse no bem-estar de todos e
esteja sempre disponível para oferecer suporte e orientação.
Pratique a empatia
Coloque-se no lugar dos outros e procure entender suas perspectivas e
sentimentos. A empatia é uma ferramenta poderosa para construir
confiança e fortalecer os vínculos dentro do time.
Reconheça os erros
Assuma a responsabilidade por seus erros e aprenda com eles. Um bom
gestor reconhece suas falhas e trabalha ativamente para corrigi-las e
melhorar constantemente.
Inspire a todos
Seja um modelo a ser seguido para a sua equipe. Demonstre
integridade, ética de trabalho e comprometimento com a excelência em
tudo o que faz.
Ser um bom gestor não é apenas questão de habilidade técnica, mas também de qualidades pessoais e compromisso com o desenvolvimento contínuo.
Ao se autoavaliar honestamente e buscar o aprimoramento, qualquer pessoa pode se tornar um líder eficaz e inspirador.
A importância do bom site da Valeon para o seu negócio
Moysés Peruhype Carlech
Antigamente, quando um cliente precisava de um serviço, buscava
contatos de empresas na Lista Telefônica, um catálogo que era entregue
anualmente ou comprado em bancas de jornais que listava os negócios por
áreas de atuação, ordem alfabética e região de atuação.
De certa forma, todos os concorrentes tinham as mesmas chances de
serem encontrados pelos clientes, mas existiam algumas estratégias para
que os nomes viessem listados primeiro, como criar nomes fantasia com as
primeiras letras do alfabeto.
As listas telefônicas ficaram no passado, e, na atualidade, quando um
cliente deseja procurar uma solução para sua demanda, dentre outros
recursos, ele pesquisa por informações na internet.
O site da Valeon é essencial para que sua empresa seja encontrada
pelos seus clientes e ter informações sobre a empresa e seus produtos 24
horas por dia. Criamos uma marca forte, persuasiva e, principalmente,
com identidade para ser reconhecida na internet.
Investimos nas redes sociais procurando interagir com o nosso público
através do Facebook, Google, Mozilla e Instagram. Dessa forma, os
motivos pelos quais as redes sociais ajudam a sua empresa são inúmeros
devido a possibilidade de interação constante e facilitado como o
público-alvo e também a garantia de posicionamento no segmento de
marketplaces do mercado, o que faz com que o nosso cliente sempre acha o
produto ou a empresa procurada.
A Plataforma Comercial site Marketplace da Startup Valeon está apta a
resolver os problemas e as dificuldades das empresas e dos consumidores
que andavam de há muito tempo tentando resolver, sem sucesso, e o
surgimento da Valeon possibilitou a solução desse problema de na região
do Vale do Aço não ter um Marketplace que Justamente por reunir uma
vasta gama de produtos de diferentes segmentos e o marketplace Valeon
atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao
lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não
conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa
vitrine virtual. Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de
diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e
volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de
visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e
acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual.
Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das
plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping
center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais
diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também
possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a
uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com
diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do
faturamento no e-commerce brasileiro em 2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que
são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e
escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é
possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua
marca.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que
tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
CONTRATE A STARTUP VALEON PARA FAZER A DIVULGAÇÃO DA SUA EMPRESA NA INTERNET
Moysés Peruhype Carlech
Existem várias empresas especializadas no mercado para desenvolver,
gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é uma
consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do
mercado para auxiliar a sua empresa na geração de resultados
satisfatórios para o seu negócio.
Porém, antes de pensar em contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer algumas considerações.
Por que você deve contratar uma empresa para cuidar da sua Publicidade?
Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa especializada
para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que possui
profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem
potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e isto
resulta em mais vendas.
Quando você deve contratar a Startup Valeon para cuidar da sua Publicidade online?
A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer estágio do seu
projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos algumas
considerações importantes:
Vantagens da Propaganda Online
Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis
nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas
por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em
mídia digital.
Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é
claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco
dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é
mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda
mais barato.
Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar
uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em
uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança,
voltando para o original quando for conveniente.
Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo
real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a
campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de
visualizações e de comentários que a ela recebeu.
A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o
material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é
possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver
se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.
Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio
publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não
permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio
digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que
ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a
empresa.
Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o
seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela
esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.
Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma
permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão
interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não
estão.
Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.
A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar
potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos:
computadores, portáteis, tablets e smartphones.
Vantagens do Marketplace Valeon
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com
publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as
marcas exporem seus produtos e receberem acessos.
Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes
segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de
público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos
consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro
contato por meio dessa vitrine virtual.
Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes
queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência
pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente.
Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas
compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos
diferentes.
Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa
abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das
pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua
presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as
chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma,
proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.
Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das
plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping
center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais
diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também
possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a
uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com
diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do
faturamento no e-commerce brasileiro em 2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que
são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e
escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é
possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua
marca.
VOCÊ CONHECE A ValeOn?
A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO
TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em
torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace
que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço,
agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta
diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa
e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores
como:
O ministro Nunes Marques e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF e Divulgação
Em nota, a Secretaria de Comunicação do Governo de Goiás diz que
Caiado é amigo de Gusttavo Lima e viajou a convite dele para a Grécia,
na ocasião do aniversário do cantor. “Caiado tirou férias oficiais, se
afastou do Estado e a viagem foi anunciada publicamente”, diz a nota.
“O governador não conhecia os investigados e não tem de fazer um
levantamento da vida pregressa de pessoas que vão aos mesmos eventos que
ele. Os investigados não estavam no voo que trouxe o grupo de volta ao
Brasil, que parou nas Ilhas Canárias para reabastecimento”, afirma.
A equipe do governador ressalta ainda que o governador “não é
conivente com o crime, seu histórico político é de combate à
criminalidade e à corrupção” e aproveita para “reafirmar sua confiança
em Gusttavo Lima e acredita que ele vai provar sua inocência ao prestar
os devidos esclarecimentos”.
Questionada sobre a presença do ministro Kassio Nunes Marques, a assessoria do STF diz que não comentará o assunto.
Entenda o caso
Além da prisão, Gusttavo Lima teve decretada a suspensão do
passaporte e do certificado de registro e do porte de arma de fogo.
Segundo a defesa, Gusttavo Lima é inocente. Diz também que a decisão é
injusta e os fatos serão esclarecidos e combatidos juridicamente. A
defesa de Lima afirma que vai entrar com habeas corpus contra a prisão
preventiva.
A juíza autora da decisão, Andrea Calado, aponta a suspeita que o
artista tenha ajudado outros alvos da polícia – o dono da bet e sua
mulher – a escaparem da Justiça durante viagem à Grécia, após a operação
ser deflagrada.
“Na ida, a aeronave transportou Nivaldo Batista Lima (Gusttavo Lima) e
o casal de investigados, seguindo o trajeto Goiânia – Atenas – Kavala.
No retorno, o percurso foi Kavala – Atenas – Ilhas Canárias – Goiânia, o
que sugere que José André e Aislla possam ter desembarcado na Grécia ou
nas Ilhas Canárias, na Espanha”, afirmou a magistrada.
Dono e co-CEO da Vai de Bet, José André Neto, ao lado de Gusttavo Lima em festa na Grécia Foto: Reprodução/Redes Sociais
A operação não teve as bets como alvo, mas a lavagem de dinheiro de
atividades ilícitas, como o jogo do bicho. Relatório da Polícia Civil
mostrou, por exemplo, a suspeita de que a organização criminosa lavava
dinheiro do jogo do bicho por meio da empresa de apostas online Esportes
da Sorte.
Lima era garoto-propaganda de outro site de apostas, a Vai de Bet. A
suspeita da polícia é de que a Balada Eventos, empresa de Lima, também
fazia um esquema de lavagem de dinheiro de jogos ilegais. A investigação
cita duas transferências de dinheiro em abril (R$ 4,819 milhões) e maio
do ano passado (R$ 4,947 milhões).
Ele também é acusado de ocultar a propriedade de um avião, ao vender
uma aeronave para José André da Rocha Neto, dono da Vai de Bet, que está
foragido.
Em entrevista à DW, cientista do Copernicus afirma que rastro
do fogo atingiu escala intercontinental, indicando intensidade das
queimadas. Um dos maiores riscos para saúde é qualidade do ar.
Em junho deste ano, o fogo subiu sobre a vegetação do Círculo Ártico,
em um incêndio atípico que queimou regiões do nordeste da Rússia. Em
julho, chamas avançaram sobre o Canadá e os Estados Unidos, mesmo mês em
que a Bolívia viu sua porção da Amazônia pegar fogo no maior nível em
21 anos. Os incêndios também se alastraram pelo Brasil,
cuja floresta queima ao mesmo tempo que partes da savana africana. Em
todos os casos, nuvens densas de fumaça formam rios de poluição que
derrubam a qualidade do ar em todo o planeta.
Para Mark Parrington, cientista sênior do Serviço de Monitoramento
Atmosférico do Observatório Copernicus (Cams), isso mostra como a
atmosfera está interconectada. “Essas emissões se acumulam, são captadas
pelos ventos e são levadas por milhares de quilômetros, atravessando
escalas intercontinentais”, disse à DW.
O Cams usa análises de satélite sobre incêndios ativos ao redor do
mundo para identificar locais e estimar o quanto de emissões de gases de
efeito estufa, carbono, material particulado e poluição relacionada à
queima de vegetação estão sendo liberados.
Os dados do sistema já calculavam picos de emissão de gases em
estados como Amazonas e Mato Grosso do Sul, quando a fumaça já encobria
municípios como Manaus. Desde então,os gases prejudiciais à saúde só se espalharam, como mostrou a DW, derrubando a qualidade do ar em quase todas as capitais.
Fumaça dos incêndios na Amazônia encobre grandes cidades do Brasil
Segundo Parrington estes gases também correm em direção ao Atlântico
Sul e o Sul da África. Para ele, este rastro de poluição deixado pelas
fumaças é um dos principais problemas das queimadas e são um indicador
de sua intensidade. “Depois do perigo que o incêndio representa para a
vida, acho que a qualidade do ar é o fator mais importante. Alguns
estudos mostram que o número de mortes atribuíveis à qualidade do ar
devido à poluição por fumaça é muito alto”, disse.
Leia a entrevista completa:
DW: Qual a intensidade de gases nocivos ao meio ambiente emitidos pelas queimadas na América do Sul?
Mark Parrington: O que o Cams mostra para a América
do Sul este ano é complexo, pois os padrões espaciais podem mudar
bastante, mesmo dentro do Brasil. Mas o que vimos até agora este ano na
região é que, na maior parte dos meses, a Bolívia tem registrado as
maiores emissões em comparação com os outros anos que temos dados. Ao
longo de agosto e entrando em setembro, quando há um aumento sazonal das
queimadas no Brasil, na Amazônia e nas partes centrais da América do
Sul, essas emissões continuaram em níveis muito intensos, muito acima da
média.
Estes níveis acima da média também são registrados no Brasil?
No Brasil, as emissões estão entre as mais altas. Elas têm seguido um
padrão semelhante ao dos anos 2000, quando houve muitos incêndios na
Amazônia, particularmente nos estados do Mato Grosso, Pará e Rondônia.
Em geral, essas emissões resultantes de incêndios florestais nos últimos
anos têm sido mais baixas do que há 20 anos, mas aumentaram em
comparação com 10 anos atrás.
Ao analisar o Brasil mais detalhadamente, você vê padrões diferentes.
Por exemplo, no Mato Grosso, nas últimas semanas, as emissões ficaram
acima da média, mas ainda dentro do intervalo observado nas últimas duas
décadas. Já no Amazonas a situação nos últimos cinco ou seis anos tem
sido o oposto. Até o final de agosto, o estado já havia registrado seu
maior volume anual de emissões de incêndios no período em que temos
dados. O mesmo ocorreu em Mato Grosso do Sul, de julho a agosto, com o
maior total anual de emissões registrado para o estado. Os padrões são
muito diferentes, mas o que os dados mostram é bastante evidente.
A fumaça emitida por estas queimadas foi
percebida em diversas regiões do país. Ela deve se espalhar ainda mais e
atingir outras regiões do planeta?
As emissões de queimadas são muito heterogêneas em termos de
distribuição espacial e temporal. Mas quando há grandes incêndios, eles
dominam o sinal de poluição atmosférica. Nós temos observado, há várias
semanas, uma enorme massa de fumaça sobre as partes centrais da América
do Sul, que se espalha. Em determinado momento, essa fumaça se estendeu
desde Quito, no Equador, até São Paulo e chegou ao Atlântico Sul,
cobrindo alguns milhares de quilômetros. E começamos a ver mais dessa
fumaça sendo captada pelo vento e soprada em direção ao sul da África.
Geralmente, ela não chega no continente, mas segue para o sul e depois
vai para o Oceano Índico. Isso não é incomum, porque é assim que
funciona o transporte atmosférico. Mas esse fenômeno se destaca quando
há quantidades maiores de fumaça na atmosfera.
Essa nuvem tem sido bastante densa, mesmo atravessando os oceanos, e o
fato de ainda apresentar valores tão altos [de poluição atmosférica]
mesmo estando tão distante [da fonte], é um indicador da quantidade de
gases que foi emitida inicialmente. Essas emissões se acumulam, são
captadas pelos ventos e são levadas por milhares de quilômetros,
atravessando escalas intercontinentais.
Isso não acontece só na América do Sul, mas também na América do
Norte. Nós tivemos um episódio em agosto quando uma nuvem densa cruzou o
Noroeste do Canadá e o Atlântico [até a Europa]. Não é um fenômeno
novo, mas quando acontece nessa escala, e é tão percebida em outro
continente, isso demonstra o quão conectados estamos por meio da
atmosfera.
Há outras regiões registrando emissões acima do normal no momento?
Nas últimas semanas, tem sido principalmente na América do Norte e na
América do Sul. Mas ao olhar para o mapa, também é possível ver os
incêndios e a fumaça que vem da África tropical meridional [região de
savanas africanas], proveniente de incêndios sazonais. Em geral, essas
emissões têm diminuído, mas estão alinhadas com a média dos últimos 20
anos. Um pouco mais cedo, durante o verão, também houve incêndios na
Sibéria, no nordeste da Rússia, no Círculo Ártico, que temos monitorado
nos últimos cinco ou seis anos.
À medida que nos afastamos da estação seca na América do Sul,
provavelmente começaremos a ver, em outubro e novembro, queimadas no
norte da Índia, que ocorrem todos os anos nessa época e geralmente
resultam em nuvens de fumaça bastante visíveis e em baixa qualidade do
ar. Há muita sazonalidade em alguns desses incêndios.
Existe uma discussão sobre o quanto
florestas como a Amazônia sofrem com as mudanças climáticas e podem
atingir pontos de estresse e se tornarem menos resilientes. Estes
incêndios e suas consequências impactam os índices de aquecimento global
ou são por ele impactados?
Nos últimos anos, o trabalho realizado pela Global Carbon Projects,
que analisa o impacto de diferentes setores na taxa de CO2 na atmosfera,
mostra que o fogo tem apenas uma pequena parte nisso, e essas emissões
são muito menores do que as de combustíveis fósseis. Então, em geral,
não se observa tamanha participação dos incêndios na emissão de CO2 na
atmosfera [em comparação com outros setores]. Isso ocorre porque algumas
das emissões são reabsorvidas.
Mas a questão é, e isso é uma área ativa de pesquisa, se esses
cálculos ainda são válidos com as mudanças climáticas. Como as mudanças
climáticas estão alterando o ciclo do carbono? Ela vai mudar esse
equilíbrio? É necessário repensar como os incêndios contribuem para as
emissões de CO2 em todo o mundo e como isso contribui para as mudanças
climáticas? O ponto importante é que as emissões de material
particulado, benzeno e uma série de produtos químicos tóxicos e
cancerígenos [provenientes de queimadas] se comportam da mesma forma que
o carbono e o dióxido de carbono [emitidos pela indústria]. E há
impactos diretos na atmosfera e na saúde humana por meio da qualidade do
ar e da água, que são imediatos e mensuráveis.
Onde estes impactos são mais sentidos?
Com certeza localmente. Os impactos na superfície são menores quanto
mais longe você estiver, mas não é impossível que essas massas de ar com
muitos desses poluentes também atinjam a superfície em outro
continente. Depois do perigo que o incêndio representa para a vida, acho
que a qualidade do ar é o fator mais importante. Alguns estudos mostram
que o número de mortes atribuíveis à qualidade do ar devido à poluição
por fumaça é muito alto.
Este cenário está se tornando mais permanente?
Acho que, nos últimos anos, isso parece ser verdade. Em especial
quando você sai dos trópicos e vai para alguns lugares que antes não
costumavam ter incêndios florestais ou que tinham com pouca frequência.
Em alguns desses lugares, o fogo parece ter se tornado mais prevalente
nos últimos anos. Quanto aos incêndios dentro do Círculo Ártico, por
exemplo, sempre houve especulações sobre isso, devido às mudanças
climáticas e os impactos nessas latitudes elevadas, que indicavam que
haveria incêndios no Ártico e que poderiam ser bastante significativos. E
isso realmente aconteceu em 2019 e 2020, e, desde então, parece que a
frequência tem sido maior do que víamos na década de 2000.