segunda-feira, 23 de setembro de 2024

UMA FLORESTA DEGRADA PELO FOGO É MAIS SUSCETÍVEL A OUTROS INCÊNDIOS PERPETUANDO O CICLO DE DEGRADAÇÃO E EMISSÕES

História de GIULIANA MIRANDA – Folha de S. Paulo

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) – Os incêndios no pantanal e na amazônia —os piores em quase duas décadas— fizeram disparar as emissões de carbono do Brasil, indica o observatório Copernicus, da União Europeia.

As emissões relacionadas às queimadas em 2024, mesmo com dados apenas até 19 de setembro, já chegaram a 183 megatoneladas de carbono, ultrapassando a média anual da série histórica, que é de cerca de 161,6 megatoneladas. Em 2023 inteiro, os incêndios florestais no país emitiram aproximadamente 152,8 megatoneladas de carbono.

De acordo com os pesquisadores europeus, o resultado de 2024 se encaminha, assim, para um patamar “semelhante ao ano recorde de emissões de 2007”, quando foram registradas 362 megatoneladas de carbono.

As emissões relacionadas a fogo no mês de setembro, que ainda não terminou, já somam 65 megatoneladas, o equivalente a mais de 35% do total já emitido neste ano.

O resultado do mês foi puxado sobretudo pela situação no Amazonas e em Mato Grosso do Sul, onde o total anual estimado para as emissões de carbono já é o mais alto dos 22 anos de monitoramento, com, respectivamente, cerca de 28 megatoneladas e 15 megatoneladas.

Os pesquisadores do Copernicus classificam a ocorrência desses incêndios como “fora do comum”, mesmo considerando que há geralmente um temporada de fogo na América do Sul de julho a setembro.

O monitoramento do observatório europeu indica que, de junho a agosto deste ano, grande parte do norte e do centro do Brasil, incluindo a amazônia e o pantanal, registrou temperaturas significativamente acima da média documentada de 1991 a 2020, com anomalias que chegam a mais 3°C.

Em paralelo, vários pontos do Brasil, além das regiões andinas, tiveram redução da umidade do solo.

“As temperaturas extremamente altas que a América do Sul tem experimentado nos últimos meses, a seca de longo prazo indicada pela baixa umidade do solo e outros fatores climatológicos provavelmente contribuíram para o aumento significativo da escala das emissões de incêndios, da fumaça e dos impactos na qualidade do ar”, destaca a nota divulgada pelo Serviço de Monitoramento da Atmosfera (CAMS, na sigla em inglês), do Copernicus, na noite deste domingo (22).

Cientista sênior na instituição, Mark Parrington destaca a dimensão das queimadas no continente, bem como seus impactos negativos na qualidade do ar, afetando também outras regiões.

“Em 2024, a atividade de incêndios florestais na América do Sul esteve marcadamente acima da média, especialmente na região amazônica e nas áreas úmidas do pantanal. O transporte de fumaça teve impacto muito além da proximidade de onde os incêndios ocorreram, alcançando até o Atlântico”, afirma.

“A escala do transporte de fumaça e dos impactos na qualidade do ar é um indicativo da magnitude e intensidade dos incêndios. É imperativo continuar monitorando esses incêndios e suas emissões para acompanhar seus impactos na qualidade do ar e na atmosfera.”

A pluma de fumaça, que se espalha com o vento, degradou a qualidade do ar em boa parte do Brasil, inclusive em áreas que não foram diretamente atingidas pelas chamas.

A disparada das emissões relacionados às queimadas no Brasil também aparece em outros levantamentos.

Uma estimativa feita pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), que integra o Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), indica que os incêndios na amazônia emitiram, de junho a agosto, 31,5 megatoneladas de CO2 equivalente (unidade usada para somar os diferentes gases-estufa).

Esse número representa quase o total de emissões anuais da Noruega, cerca de 32,5 megatoneladas.

Os dados indicam ainda um aumento de 60% nas emissões para o período.

O estudo do Ipam ressalta que, devido à decomposição da vegetação atingida, as emissões continuam mesmo após a extinção das chamas. O levantamento estima que de 2 megatoneladas a 4 megatoneladas de CO2 equivalente poderão ser emitidas por conta disso nos próximos 5 a 10 anos.

“Um importante impacto dos incêndios florestais nas emissões não ocorre no momento em que a floresta está queimando, mas depois, quando principalmente as grandes árvores morrem e continuam a emitir CO2 por muitos anos, o que é chamado de emissão tardia”, disse Ane Alencar, diretora de ciência do Ipam.

“O pior é que uma floresta degradada pelo fogo se torna mais suscetível a outros incêndios, perpetuando um ciclo de degradação e emissões.”

 

A CANA DE AÇUCAR É UMA GRAMÍNEA CULTIVADA EM TODO O MUNDO

 

História de Equipe eCycle

Cana-de-açúcar: impactos, usos e benefícios

Cana-de-açúcar: impactos, usos e benefícios© Fornecido por eCycle

cana-de-açúcar é uma gramínea do gênero Saccharum cultivada em todo o mundo, porém originada em Nova Guiné. Ela é uma planta de clima tropical e é perene, o que significa que não precisa ser replantada todos os anos. Na produção de cana-de-açúcar, ela é cortada logo acima do nível da raiz. Assim novos brotos crescem e ficam prontos para serem colhidos novamente entre 10 a 12 meses.

A planta é utilizada para produzir açúcar, caldo de cana, bebidas alcoólicas, produtos medicinais e biocombustíveis. Alguns exemplos são o etanol e o biometanol,  tendo sido importante para o desenvolvimento da economia no País. No entanto, seu ciclo de produção teve como base o escravismo. Ele foi responsável por grande parte do desmatamento da Mata Atlântica e trouxe outras consequências socioambientais negativas para o Brasil.

Saiba mais sobre a cana-de-açúcar no Brasil e no resto do mundo, seus usos, impactos e benefícios:

Benefícios da cana-de-açúcar na alimentação

Apesar de servir como matéria-prima para diversos produtos, a cana-de-açúcar pode ser ingerida pura e é benéfica para a saúde. Ela é rica em vitaminas e minerais, sendo amplamente utilizada na Ayurveda e em tratamento de doenças, como inflamação e hemorragia.

Possui polifenóis benéficos para a saúde

Os polifenóis são compostos vegetais que fazem muito bem à saúde. Eles podem agir como antioxidantes, reduzir a inflamação e ajudar na prevenção de doenças. Um estudo mostrou que o melaço de cana-de-açúcar pode ser utilizado como fonte potencial de polifenóis.

Pode ajudar no colesterol

cana-de-açúcar possui policosanóis, que estão presentes principalmente na cera. Um estudo feito com policosanóis administrados por via oral em coelhos constatou uma diminuição do nível de colesterol total e do colesterol LDL.

Pode prevenir a trombose

Em um estudo feito com camundongos, a ingestão de D-003, uma mistura natural de ácidos alifáticos da cera de cana-de-açúcar, diminuiu significativamente o tamanho do trombo venoso experimentalmente induzido.

Pode aliviar a insônia

O octacosanol é uma substância presente na cana-de-açúcar que tem função antioxidante e propriedades anti-inflamatórias e anti-coagulantes. Um estudo publicado na revista Scientific Reports examinou o efeito do octacosanol em ratos privados de sono por estresse. A conclusão é que a substância alivia o estresse e restaura o sono afetado por ele, podendo funcionar para aliviar a insônia.

Além disso, outra pesquisa constatou que o octacosanol pode ajudar a prevenir o Parkinson.

Aliada dos atletas

Acredita-se que o caldo de cana, oriundo da cana-de-açúcar, também pode oferecer benefícios a atletas e outras pessoas que realizam atividades físicas. 

Uma pesquisa teve como objetivo ver os efeitos do caldo de cana no desempenho dos atletas e na queima de combustível. Foi concluído que o suco de cana-de-açúcar era tão eficaz quanto as bebidas esportivas durante o exercício e mais eficaz para a reidratação posterior.

Leite de cana

Devido aos seus possíveis benefícios à saúde, o uso da cana-de-açúcar na indústria alimentícia é extenso. De fato, além do açúcar, ela é responsável por diversos outros alimentos, incluindo um tipo de leite vegetal, criado a partir da colaboração com o governo de Queensland, Austrália, e a empresa de fermentação da Cauldron. 

Segundo a CEO da empresa, Michele Stansfield, o produto é visto como um “produto complementar” da indústria de açúcar. 

“Não pretendemos substituir a cadeia alimentar, procuramos apenas complementá-la ou complementá-la no futuro”, disse ao ABC News

O leite-de-cana-de-açúcar é derivado da própria planta, do melaço e de outros subprodutos da cana. Esses componentes servem como alimentação para leveduras que, durante um processo de fermentação, criam proteínas “bioidênticas” às proteínas animais. 

Os benefícios do leite dependem da formulação final do produto. Assim como outras alternativas ao leite, muitos produtos industrializados são comercializados com adições de açúcar e outros compostos que podem comprometer os benefícios da matéria-prima da bebida. 

Entretanto, especialistas acreditam que as similaridades do produto com o leite de vaca podem proporcionar bons níveis de proteína aos consumidores. 

Origem da cana-de-açúcar

Presume-se que o hábito de mastigar cana-de-açúcar para obter seu sabor doce tenha começado ainda na pré-história. Porém, as primeiras indicações de sua domesticação começam mais tarde, por volta de 8.000 a.C. A planta se espalhou da região da Polinésia para o mundo e se tornou uma cultura global.

Por muito tempo, um dos derivados da cana, o açúcar, foi uma raridade luxuosa. Ele era consumido apenas pelas classes privilegiadas da Europa, que o utilizavam como especiaria e medicamento.

Entre 1455 e 1480, a planta começou a ser cultivada para produzir açúcar em grande escala e apenas no século 18 passou a ser um alimento trivial. Desde então, a modernização do cultivo se acelerou e, hoje, a cana-de-açúcar é cultivada em dezenas de países em milhões de hectares de terra.

História da cana-de-açúcar no Brasil

Durante o século 15, a cana-de-açúcar foi trazida para as Américas, chegando primeiro ao Brasil por meio dos comerciantes portugueses. O primeiro plantio foi um presente do governador das Ilhas Canárias para Cristóvão Colombo.

Durante aproximadamente 400 anos de colonização do continente americano a produção de açúcar foi a principal e mais rentável atividade agroindustrial. Havia milhares de engenhos espalhados pelas colônias portuguesas, inglesas, francesas, holandesas, espanholas e dinamarquesas que escravizavam milhões de pessoas, que passavam por uma jornada de completa submissão ao ritmo da produção, além de relações de trabalho marcadas pela violência.

O Brasil é conhecido por suas condições favoráveis para o cultivo da planta: 

  • Solo fértil
  • Temperaturas quentes
  • Relevos planos
  • Mão de obra indígena abundante

Assim, os canaviais começaram a ser implementados, inicialmente em porções litorâneas, e depois também no interior do País, concentrando-se sobretudo em áreas do Nordeste e Sudeste. Segundo o Instituto de Economia Agrícola, do Estado de São Paulo, uma das regiões de destaque na evolução da produção canavieira é o município de Ribeirão Preto.

A cana produzida para exportação era cultivada em monocultura, em grande escala e tinha o escravismo como base das relações sociais de produção. Os escravos, primeiramente indígenas e posteriormente africanos, cultivavam, cortavam e levavam a cana ao engenho. Lá, era moída e o caldo fervido até formar uma garapa para ser cristalizada e dar origem aos torrões exportados para a Europa.

Depois de oscilações da indústria açucareira brasileira, com a urbanização europeia e o crescimento populacional, em meados do século 20, os engenhos foram substituídos pelas usinas sucroalcooleiras.

De acordo com o Knoema, atlas mundial de dados, o Brasil ainda é o maior produtor de cana do mundo. Só em 2019, por exemplo, foram produzidas mais de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Brasil. Dessa quantidade, originaram-se milhões de toneladas de açúcar e bilhões de litros de etanol.

Impactos ambientais na produção de cana-de-açúcar

As consequências socioambientais do ciclo produtivo do açúcar no Brasil foram diversas. A escravização e a aculturação provocaram modificações e até mesmo extinção das tradições culturais dos indígenas. Muitas vezes, por meio de violência, os povos originários eram expulsos das terras consideradas boas para o plantio da cana. Doenças europeias, como varíola e sarampo, infectaram os indígenas causando milhares de mortes.

A fauna e a flora também foram impactadas. Animais do domínio biótico euroasiático foram introduzidos no País modificando a fauna brasileira, tais como porcos, galinhas, ovelhas, cabras e bois. Os bois eram utilizados como força motriz para a moenda nos engenhos. Eram necessários aproximadamente 100 animais, com expectativa de vida que não passava de dois anos.

Para limpar o terreno para o plantio, a queimada era uma das práticas mais utilizadas. Em solos de floresta tropical, esse processo destruiu as micorrizas, associação entre fungos e raízes de algumas plantas. Elas são importantes para absorção de água e sais minerais.

Além disso, as técnicas e conhecimentos oriundos da Europa muitas vezes eram inadequados ao ambiente tropical. Dessa forma, a produção de derivados da cana causou modificações contínuas no território brasileiro. A retirada da cobertura vegetal foi um dos efeitos mais nítidos e atingiu primeiramente a Mata Atlântica.

Para os senhores de engenho, a Mata Atlântica era o local no qual obtinham a madeira necessária para as construções do engenho. Mas também para alimentar as fornalhas e onde encontravam os melhores solos para o cultivo da cana-de-açúcar.

Dados

De acordo com um levantamento e estimativa de Gelze Rodrigues e Jurandyr Ross, considerando a produção de 600 toneladas de biomassa por hectare, estima-se que nos períodos colonial e imperial o volume de biomassa eliminado devido ao plantio da cana-de-açúcar tenha sido entre 185.850.000 a 450.000.000 toneladas, sendo que grande parte foi queimada nas fornalhas dos engenhos.

O impacto na área é ainda maior ao se considerar que a biodiversidade dessa floresta dificilmente é recuperada após ação antrópica.

Desde o período colonial, as florestas da Mata Atlântica foram reduzidas a 7% de sua cobertura original. Tendo as áreas específicas apenas 1% da cobertura remanescente. Isso aconteceu devido à extração predatória do pau-brasil, a produção cafeeira, a extração de madeira e ao ciclo da cana-de-açúcar.

Usos da cana-de-açúcar

Grande parte da cana-de-açúcar é destinada ao setor sucroalcooleiro – dedicado à produção de etanol e açúcar. Para processá-la, inicia-se com a moagem que faz escorrer o açúcar em estado líquido, também chamado de caldo de cana. Ao ferver este caldo, o excesso de água evapora se transformando em açúcar. Se ele for fermentado, vira álcool.

Da cana-de-açúcar também retiram a cera, que tem propriedades importantes na confecção de outros produtos para as indústrias alimentícia, farmacêutica, química, cosmética e de limpeza. Ela é extraída da torta de filtro, um resíduo da indústria de cana. Ele pode ser uma alternativa às ceras vegetais, animais e sintéticas.

Os resíduos de cana-de-açúcar também são utilizados para fins distintos. Comumente, a vinhaça, um resíduo que sobra depois da destilação do caldo de cana fermentado, é utilizada na área de cultivo como fertirrigação.

Entretanto, estudos já mostraram que esse uso traz efeitos negativos ao meio ambiente, causando contaminação de lençóis freáticos com potássio, e também: 

Por outro lado, outros estudos já reconhecem a possibilidade de utilizar os resíduos da cana-de-açúcar para a produção de biogás. A substância pode ser usada, por exemplo, como fonte de energia — para cogeração de energia nas caldeiras da usina.

TENSÃO PERMANENTE ENTRE O STF O POVO O CONGRESSO E O GOVERNO

 

História de Gabriela Romão – Newsrondonia

Aristóteles dividia os governos em seis. Considerava o melhor deles, aquele dirigido por um homem bom só voltado para o povo, mais fácil de encontrar-se numa monarquia. O segundo seria o da aristocracia, com um grupo de homens dedicados a governar para a comunidade.O terceiro melhor seria a politia, quando o povo se dedica a procurar o bem da coletividade na escolha de seus dirigentes, mais do que seu interesse pessoal. Politia vem de “polis”, cidade, pois a Grécia desde os aqueus, dórios, jônios era um conjunto de cidades-Estado, que só se unificaram com os macedônios e Alexandre, que, de resto, foi discípulo do filósofo.

Enumerava, em seguida, os governos maus, sendo o menos ruim a democracia, governo do povo voltado para si mais do que para a comunidade. “Demos” em grego é povo. Depois vinha a plutocracia, um grupo de homens maus governando e, por fim, a pior das formas, ou seja, a tirania.

Norberto Bobbio, quando proferiu uma série de palestras sobre as formas de governo, coletânea publicada pela UNB, realçou a importância da divisão de Aristóteles para a compreensão de uma teoria do poder, algo que, de forma mais modesta, embora mais abrangente, procurei esclarecer no meu livro “Uma Breve Teoria do Poder”, cuja quarta edição foi prefaciada por Michel Temer, tendo as anteriores sido apresentadas por Ney Prado e António Paim (Ed. Resistência Cultural).

Por que trago estas considerações aos meus amigos leitores? É que me causou surpresa que em relação ao desfile oficial de 7 de setembro, a maior parte do trajeto percorrido pelo carro com o Presidente da República estava repleta de seguranças, mas sem povo, apenas um pequeno número de populares perante o palanque oficial repleto de autoridades do Supremo Tribunal Federal e do Governo Lula, além do Presidente do Senado e a ausência do presidente da Casa do Povo.

Enquanto a ausência popular se fazia notar em Brasília, a Avenida Paulista estava completamente lotada por centenas de milhares de brasileiros, que mostravam seu descontentamento com a interferência permanente nos direitos individuais e na liberdade de expressão por parte do Pretório Excelso, pedindo medidas do Congresso para corrigir as distorções da aplicação da lei suprema, que entendiam fragilizar a democracia.

A escassez do povo no evento dos que se autointitulam defensores da democracia e a multidão de brasileiros na manifestação dos que são o povo e se sentem perseguidos pelos pretendidos protetores democráticos que estão reescrevendo a Constituição promulgada pelos Constituintes de 88, constituem, pelo menos, matéria para reflexão, principalmente agora em que se vê o povo que deu vitória a Gonzalez, em multidão nas ruas, e o sanguinário ditador do país se autoproclamando vencedor de uma eleição sem provas e sem gente nas ruas para mostrar-lhe simpatia.

À evidência, não há como comparar o Brasil com a Venezuela, pois ainda podemos expressar nossas opiniões, com poucos riscos de prisão, muito embora o interminável inquérito das “fake news” tenha feito suas vítimas, sendo o Brasil bem diferente da Venezuela.

O certo, todavia, é que esta tensão permanente entre o STF, o povo e o Congresso, com a primeira vez na história do país uma multidão vir às ruas para pedir impeachment de um Ministro da Suprema Corte, é perniciosa para a nossa democracia.

Não seria o caso, pois, de os Ministros do STF, voltarem a ser o que eram os magistrados da época do Ministro Moreira Alves, quando o Supremo Tribunal Federal era a Instituição mais respeitada do país?

Se voltassem a ser, teríamos a harmonia e independência dos Poderes e isto seria bom para o povo, para a democracia e para o país.O POVO e o governo, por Ives Gandra da Silva Martins - News Rondônia

O POVO e o governo, por Ives Gandra da Silva Martins – News Rondônia

Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

AMIZADES COM PESSOAS MAIS VELHAS VAI ALÉM DA TROCA DE EXPERIÊNCIAS MAIS É UMA OPORTUNIDADE DE APRENDIZADO E CRESCIMENTO PESSOAL

 

História de André Nicolau – Catraca Livre

Veja como funciona a carteira do idoso

Veja como funciona a carteira do idoso© Fornecido por Catraca Livre

Créditos: iSTock/PIKSEL

A importância de cultivar amizades com pessoas mais velhas vai além da simples troca de experiências; é uma oportunidade valiosa de aprendizado e crescimento pessoal.

É o que sugere o estudo Harvard Study of Adult Development, desenvolvido pela centenária instituição de Massachusets, que acompanhou a vida de centenas de pessoas ao longo de mais de 80 anos. 

O risco de contrair câncer aumenta à medida que você envelhece. Veja os tipos mais comuns em idosos e como prevenir.

O risco de contrair câncer aumenta à medida que você envelhece. Veja os tipos mais comuns em idosos e como prevenir.

Os cientistas tinham como objetivo entender como os relacionamentos interpessoais, independentemente da idade, são fundamentais para o bem-estar e a longevidade.

Ao final do experimento, o estudo revelou que aqueles que mantinham conexões sociais fortes e significativas viviam mais e tinham uma melhor saúde física e mental.

Benefícios da amizade entre diferentes gerações

Forbes Saúde – Arthur Guerra

Amizades com pessoas mais velhas, em particular, oferecem uma perspectiva única sobre a vida. Elas trazem consigo uma riqueza de experiências, sabedoria acumulada e conselhos que podem orientar decisões importantes. Além disso, essas amizades promovem a empatia e a compreensão entre gerações, ajudando a combater estereótipos relacionados à idade.

Ainda de acordo com os especialistas, esses laços intergeracionais não só enriquecem a vida dos mais jovens, oferecendo orientação e apoio, mas também proporcionam aos mais velhos um senso de propósito e conexão.

Dessa forma, os resultados obtidos no estudo levaram os cientistas a concluir que fazer amizades com pessoas mais velhas é uma maneira eficaz de fortalecer redes de apoio, melhorar a saúde emocional e contribuir para uma sociedade mais coesa e compreensiva.

Os poderosos benefícios da amizade entre diferentes gerações
As pessoas podem colher frutos não apenas se conseguem ampliar a sua rede de relacionamentos, mas principalmente se têm um grupo de amigos etariamente diverso.

Você já deve ter lido em algum lugar que a solidão pode ser perigosa para a saúde física e mental e que ela comprovadamente é capaz de reduzir a expectativa de vida.

Uma coisa interessante é que algumas pesquisas sugerem que as pessoas podem colher benefícios não apenas se conseguem ampliar a sua rede de relacionamentos, mas principalmente se têm um grupo de amigos etariamente diversificado, ou seja, faz bem ter amigos mais novos, se você tem mais idade, e mais velhos, se você é mais jovem.

Lamentavelmente, há um estigma que inibe a formação de laços – tanto sociais quanto amorosos – entre pessoas de diferentes gerações. Duas pessoas de idades muito distintas tornarem-se amigas muitas vezes causa um estranhamento tão grande que é quase como se beirasse a desconfiança. “Por que essa pessoa se aproximou daquela? Tem coisa nisso”. Você já deve ter escutado algo do gênero ou lido algo parecido nas redes sociais.

Acontece que amizade entre diferentes gerações pode trazer benefícios poderosos. Relato alguns.

  1. Experiência. Isso não é regra, claro, mas imagina-se que pessoas mais idosas tenham vivenciado e experimentado um número maior de situações. A tal “experiência” de vida, de que tanto se fala, não significa que o mais velho sabe mais do que o mais novo, mas que tem uma bagagem mais diversificada, teve mais tempo de desenvolver habilidades no local de trabalho, o que pode contribuir para que o mais novo amplie a sua e aprenda com o mais velho.
  2. Novas perspectivas. Pessoas mais novas, especialmente as da geração digital, se relacionam com a tecnologia de forma muito natural. Para elas, o uso da tecnologia é uma forma de experimentar o mundo. É muito interessante ver como pode ser positiva a troca entre pessoas que nasceram em um mundo analógico e aquelas que nasceram na era digital. Para ambas as gerações, ajuda a refrescar as suas perspectivas.
  3. Criatividade e produtividade. Um levantamento feito em 2019 pela organização americana AARP, dedicada a empoderar pessoas acima de 50 anos, apontou que é no trabalho que há mais chances de se estabelecerem laços de amizade entre gerações diferentes. Muitas empresas, inclusive, têm privilegiado formar grupos cujos membros têm idades bem diversas. Os mais velhos, segundo essa pesquisa, dizem que seus colegas mais jovens trazem criatividade e diversão ao ambiente de trabalho, além de novas habilidades e conhecimentos. Já os mais jovens dizem que seus colegas mais velhos são ótimos “professores” em potencial e que tornam o local de trabalho mais produtivo.

A idade às vezes pode ser um obstáculo inconsciente ou mesmo consciente para formar novas amizades, mas, quanto menos você se concentrar nela e direcionar sua atenção para a pessoa com quem está falando, melhor será. Aproveite disso.

Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Leia mais em: https://forbes.com.br/forbessaude/2022/11/arthur-guerra-os-poderosos-beneficios-da-amizade-entre-diferentes-geracoes/

A HISTÓRIA DO ENFORCAMENTO INESPERADO COMEÇOU EM UM SÁBADO

 

História de BBC News Mundo – BBC News Brasil

Às vezes a realidade não obedece à lógica

Às vezes a realidade não obedece à lógica© Getty Images

“Um novo e poderoso paradoxo veio à tona.”

Isso foi escrito por Michael Scriven na revista de filosofia Mind em 1951, em um artigo intitulado Anúncios Paradoxais.

E se um estudioso como Scriven ficou entusiasmado com isso, vale a pena prestar atenção, embora – como ele mesmo indicou – outros acadêmicos tenham considerado esse paradoxo “um tanto frívolo”.

No entanto, observou ele, eles não levaram em conta uma reviravolta no final.

Assim, tornou-se um dos paradoxos mais comentados por ilustres filósofos e matemáticos. Apesar disso, ainda não foi alcançado um consenso sobre a solução correta.

De acordo com várias fontes, incluindo a Oxford Reference, o paradoxo foi descoberto pelo matemático sueco Lennart Ekbom (nascido em 1919) depois de ouvir um anúncio da empresa pública de radiodifusão em 1943 ou 1944.

Foi alertado que seria feito um exercício de defesa civil na semana seguinte, mas – para testar a eficiência das unidades – ninguém saberia com antecedência ou poderia prever em que dia ocorreria.

Ekbom percebeu que o anúncio envolvia um paradoxo lógico, então discutiu o assunto com seus alunos de matemática e filosofia.

Em 1947, disse o próprio Ekbom, um desses estudantes visitou a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, onde ouviu o famoso matemático Kurt Godel mencionar o paradoxo com uma história diferente.

Certamente, naquela década, diversas versões do paradoxo começaram a circular em diferentes lugares com histórias diferentes, mas com as mesmas incógnitas.

Mas o que vamos contar é aquele escolhido pelo popular escritor americano de ciência e matemática Martin Gardner em seu livro Enforcamento Inesperado e Outros Entretenimentos Matemáticos.

Impossível

A história do paradoxo começou em um sábado.

Um juiz, famoso por ser alguém que sempre cumpriu sua palavra e por determinar e cumprir suas sentenças à risca, sentenciou um prisioneiro à morte.

“O enforcamento ocorrerá ao meio-dia, num dos próximos sete dias”, disse ele ao prisioneiro.

“Mas você não saberá a data até ser informado na manhã do dia do enforcamento.”

O juiz foi preciso ao formular suas sentenças

O juiz foi preciso ao formular suas sentenças© Getty Images

O preso, acompanhado de seu advogado, voltou para a cela.

Assim que ficaram a sós, o advogado, com um grande sorriso, disse:

“Você percebe? É impossível que a sentença do juiz seja executada.”

“Do que você está falando?”, o prisioneiro respondeu, confuso.

“Deixe-me explicar para você:

Obviamente, não podem enforcá-lo no próximo sábado, porque é o último dia da semana e, se você estivesse vivo na sexta-feira à tarde, saberia de antemão com absoluta certeza que o enforcamento seria no sábado.

Lembre-se que o juiz disse que ‘você não saberá que dia será até ser informado na manhã desse dia’”.

“Se você descobrir na sexta-feira, antes que lhe digam no sábado de manhã, isso violaria a decisão do juiz.”

“Assim, o sábado foi completamente descartado, deixando a sexta-feira como o último dia em que poderiam executá-lo.”

“Mas não podem enforcá-lo na sexta-feira”, continuou o advogado, “porque na tarde de quinta-feira só restariam dois dias possíveis: sexta e sábado”.

“Como o sábado está descartado, você saberia que o enforcamento teria que ser na sexta-feira… e saber isso violaria a decisão do juiz. Portanto, sexta-feira está descartada. Isso nos deixa com quinta-feira como o último dia possível.”

“Eu entendo”, disse o prisioneiro com alívio.

“Exatamente da mesma forma posso descartar quinta, quarta, terça e segunda.”

“Isso só sai amanhã. Mas eles não podem me enforcar amanhã porque eu sei hoje!”

A decisão do juiz parece autorrefutante.

Embora não haja nada de logicamente contraditório nas duas afirmações que compõem a decisão, esta não pode ser concretizada na prática.

Até agora, é um quebra-cabeça lógico divertido, embora talvez, como disseram alguns filósofos antes de Scriven, “um pouco frívolo”.

Apenas…

A vez

Graças à lógica do advogado, o preso permaneceu calmo na cela.

Mas para sua grande surpresa, na manhã de quarta-feira o carrasco anunciou que ele morreria ao meio-dia.

É evidente que ele não esperava por isso, até ser informado naquele momento, de modo que a sentença do juiz foi efetivamente executada da forma como foi proferida.

Por que o "paradoxo do enforcamento inesperado" é tão surpreendente

Por que o “paradoxo do enforcamento inesperado” é tão surpreendente© Getty Images

Você pode conhecer esse paradoxo como o exame surpresa, com uma professora anunciando que fará o exame na semana seguinte e uma aluna apontando que isso seria impossível, já que ela o anunciou.

Depois de eliminar os dias da semana com a mesma lógica do advogado do enforcado, a estudante convence os colegas de que não haverá prova, apenas para ser surpreendida na terça-feira com a prova inesperada.

De qualquer forma, o que é desconcertante é o resultado.

Como isso pode acontecer se os argumentos anteriores são tão razoáveis?

“Acho que essa nuance de lógica refutada pelo mundo torna o paradoxo tão fascinante”, observou Scriven.

“O lógico repassa pateticamente os movimentos que sempre fizeram o feitiço funcionar, mas, por algum motivo, o monstro, a realidade, não entende a ideia e segue em frente.”

Falhas, conhecimento e gatos

Apesar de muitos esforços, ainda não foi alcançada uma resolução satisfatória do paradoxo e ele continua perturbando algumas mentes.

Os da escola lógica tendem a tentar expor falhas no paradoxo, enquanto os da escola epistemológica concentram-se mais em questões como o significado do conhecimento.

Talvez, a rigor, o único dia em que ele não se surpreenderia se fosse executado fosse sábado, pois saberia na sexta-feira que isso aconteceria.

Mas na quinta-feira ainda teria dois dias possíveis e ainda não teria o conhecimento que só poderia adquirir depois de sobreviver à sexta-feira.

Ou, de repente, o preso caiu na armadilha do juiz, que antecipou que, ao pronunciar a sentença desta forma, o convidaria a chegar àquela conclusão lógica, tornando a surpresa ainda maior.

Mas, nesse caso, o que aconteceria se o condenado fosse um pessimista inveterado: não importa o que o seu advogado lhe dissesse, ele estaria sempre convencido de que o pior lhe aconteceria.

Nesse caso, ele não morreria porque todos os dias acordaria com a certeza de que viriam enforcá-lo.

O paradoxo permanece sem solução, mas mantém várias mentes intrigadas

O paradoxo permanece sem solução, mas mantém várias mentes intrigadas© Getty Images

Em outra direção, há quem tenha encontrado analogias com a mecânica quântica, que relacione o paradoxo ao gato de Schrödinger ao princípio da complementaridade.

Como?

Bem, falando de maneira geral, eu começaria com estas linhas:

Você se lembra do momento em que o gato de Schrödinger ficou preso naquela caixa fechada com um frasco de veneno que pode ou não estar quebrado?

Antes de descobrir o que aconteceu com o animal, segundo o formalismo quântico, o gato está vivo e morto ao mesmo tempo.

No caso do condenado, a lógica o levou a descartar todos os dias possíveis, mas assim que o fez, ficou vulnerável à surpresa, então teve que incluí-los novamente, e, novamente, descartá-los, e…

No final, tal como o gato, ele estaria simultaneamente em dois estados: a salvo de tudo e a salvo de nada.

Poderia ser… e poderia não ser. Sobre o paradoxo do enforcamento ainda não há um veredicto.

RAZÕES PELAS QUAIS OS CASAMENTOS DURADOUROS TERMINAM EM DEVÓRCIO GRISALHO

 

História de Olívia Bulla – Forbes Brasil

Getty Images

Getty Images© Fornecido por Forbes Brasil

Um “divórcio grisalho” refere-se ao fenômeno de adultos mais velhos, tipicamente com 50 anos ou mais, terminando seus casamentos. Muitos se perguntam por que um casal que permaneceu junto por tanto tempo só percebe muito mais tarde que não é certo um para o outro.

No entanto, é essencial lembrar que as pessoas podem aprender o que é certo ou errado para elas em qualquer momento de suas vidas e que, às vezes, leva anos para agir sobre essa percepção transformadora.

Então, o que finalmente leva ao ponto de ruptura após anos juntos? Um estudo recente publicado no “Journal of Social and Personal Relationships” explorou as experiências de 44 divorciados—com 60 anos ou mais—e descobriu que geralmente há um processo em duas fases por trás do movimento dos divórcios em idade avançada.

Aqui estão duas razões pelas quais os casamentos duradouros terminam em divórcio grisalho, de acordo com o estudo.Permanecem juntos enquanto se afastam  

Os pesquisadores descobriram que a primeira fase que leva a um divórcio grisalho muitas vezes envolve uma insatisfação de longo prazo no casamento, com os casais permanecendo juntos apesar disso.

Ex-cônjuges relataram se afastar devido a casos de infidelidade, abuso verbal e controle pelo outro, percebendo sua incompatibilidade devido a diferenças de caráter e falta de comunicação, ou passando por desenvolvimento pessoal, o que criou uma distância entre eles quando seu parceiro não opta por seguir o mesmo caminho.

Essa insatisfação os motivou a buscar o divórcio, mas eles frequentemente permaneceram juntos por mais tempo por causa dos filhos e devido à dependência financeira do cônjuge, aderindo às normas sociais de sua época e evitando o estigma associado ao divórcio.

Por exemplo, um casal do estudo, Dan de 69 anos e Rachel de 68, explica suas perspectivas divergentes sobre o fim de seu casamento após 32 anos juntos.

“Ele estudava com meninas de vinte e cinco anos e, de repente, tirou a carteira de motorista de motocicleta, e não aparecia mais para casa. Pela experiência da traição duradoura e das mentiras que também foram contadas ao longo de todos esses anos, foram 10 anos. Eu realmente queria me divorciar há muito, muito tempo, mas o argumento era não desmembrar a família porque havia a filha que estava em casa”, diz Rachel.

Em contraste, Dan diz: “fui estudar e um mundo incrível se abriu para mim, no qual eu queria muito, muito que minha ex-esposa fosse minha parceira. No início, ela concordou, e foi muito divertido. Em algum momento, ela ou se cansou ou não se interessou mais. Já não tínhamos mais os tópicos usuais de conversa. O divórcio foi essencialmente uma parada final em um processo que havia começado anos antes. E com toda a suspeita de que eu tinha alguém, o que ela se prendeu foi à minha infidelidade. Que começou ali. Mas não começou dali.”

Outra participante, Ruth, de 68 anos e anteriormente casada por 44 anos, descreve como as diferenças de personalidade e os estilos de comunicação falhos desgastaram seu casamento, mas as circunstâncias socioculturais atrasaram o divórcio. 

“Sou uma pessoa muito calorosa, muito emocional, muito abraçadora, muito amorosa, e meu parceiro era muito frio, muito inteligente. Fomos arrastados para discussões intermináveis sobre quem estava certo, que palavra foi dita, em que tom foi dita e qual punição era devida por isso. Foi exaustivo,” diz Ruth.

“Por muitos anos eu quis me divorciar, e provavelmente não fui forte o suficiente para fazer isso. Nos primeiros anos era tão imatura, nos anos 1970, o que significava divorciar? Naquela época não tínhamos exemplos. Demorei um pouco para acreditar que estava em uma situação que realmente não era boa,” acrescenta Ruth.Quando finalmente percebem que o casamento deve acabar 

Os pesquisadores sugerem que a segunda fase do casamento que culmina em um divórcio grisalho é quando a decisão é finalizada após anos de crescente angústia conjugal, devido a pontos de virada significativos onde o casamento desmorona completamente.

Esses “pontos sem retorno” incluem eventos específicos, como um evento público que expõe a relação tensa do casal, instâncias ampliadas de desonestidade conjugal ou financeira, ou casos extremos de abuso físico, econômico ou emocional. Isso frequentemente leva a um momento de clareza e decisão sobre se divorciar.

Além disso, os participantes explicam como estavam em uma posição melhor para se divorciar devido a mudanças na estrutura familiar, como finalmente ter um “ninho vazio”, mudanças nas normas socioculturais com o passar do tempo, ganho de maturidade emocional e um forte desejo de aproveitar o restante de suas vidas.

“O ex-casal David, de 70 anos, e Miriam, de 69 anos, se divorciou após 40 anos de casamento, devido a infidelidades contínuas e ao comportamento desrespeitoso de David desde o início do casamento. O ponto sem retorno foi a festa de 60 anos de David, para a qual várias das parceiras românticas do marido foram convidadas. Miriam deu um ultimato a David sobre convidar essas mulheres para o evento, o que foi ignorado. Esse foi o momento em que ela decidiu se divorciar. A exposição pública de um relacionamento conjugal ruim nos força a enfrentar a realidade do casamento e promove a percepção de que a mudança é necessária”, escrevem os pesquisadores.

Outro ex-casal, Sarah, de 62 anos, e Jacob, de 66 anos, foram casados por 35 anos, mas se divorciaram quando Jacob se sentiu profundamente desvalorizado e desrespeitado por ela, e Sarah subitamente descobriu sobre sua infidelidade. Para Sarah, a recusa dele em admitir a infidelidade ou buscar aconselhamento de casal impactou sua decisão mais do que o próprio ato. Jacob teve um ponto de ruptura diferente. 

“Na véspera de um feriado, comprei presentes para todos e os entreguei para minha esposa e filhos. Ela me diz: ‘não comprei nada para você, vá ao centro amanhã e compre algo para você mesmo.’ Isso foi tão representativo – se vire – eu não devo fazer nada a respeito. É insignificante, né? Tomei uma espécie de decisão de que os 20-25 anos que me restam, iria vivê-los como achasse melhor. E isso me levou a sair de casa,” explica Jacob.

Essas histórias vulneráveis são um lembrete para detectar os sinais de tensão conjugal cedo e abordá-los prontamente. O divórcio grisalho muitas vezes está enraizado em questões profundas, pontos de virada significativos e evoluções pessoais que se estendem por muitos anos. Envolve navegar por emoções complexas, expectativas sociais e as praticidades de recomeçar.

No entanto, esses indivíduos demonstram uma resiliência notável e uma determinação em buscar a felicidade em seus anos restantes, provando que nunca é tarde para reavaliar seu caminho e fazer mudanças que estejam alinhadas com seu crescimento pessoal e bem-estar. Uma vida autêntica e gratificante sempre vale a pena ser perseguida, independentemente da idade.

SUA MARCA PESSOAL É MAIS QUE UM CARTÃO DE VISITA É A SUA REPUTAÇÃO PROFISSIONAL

 

Daniele Avelino – Colunista StartSe

Você sabe qual é a sua marca pessoal? Mais do que um cartão de visitas, sua marca pessoal é a sua reputação profissional. Descubra como ela pode transformar sua carreira na área de Recursos Humanos e impulsionar o crescimento da sua empresa.

Foto: Pexels

A marca pessoal é um conceito cada vez mais relevante no ambiente corporativo, especialmente na gestão de pessoas. A capacidade de construir e comunicar uma marca pessoal forte pode não apenas destacar profissionais em suas áreas, mas também influenciar positivamente a percepção e o sucesso de uma organização como um todo.

Ao longo da minha jornada profissional, principalmente a partir de 2021, percebi que poderia utilizar ao meu favor para conquistar novos desafios profissionais, bem como construir uma nova jornada fazendo uma transição de carreira, por exemplo.

O Que é Marca Pessoal?

A marca pessoal é a forma como você se apresenta e é percebido por outras pessoas. É a combinação de sua identidade, valores, habilidades, e como você comunica isso ao mundo. No contexto corporativo, a marca pessoal de um líder pode atuar como um poderoso ativo, aumentando sua credibilidade, influência e capacidade de liderança dentro da empresa e no setor como um todo.

No ambiente de Recursos Humanos, ter uma marca pessoal forte pode ajudar líderes a se destacarem como especialistas na área, a serem reconhecidos por suas competências e a atraírem talentos de qualidade para suas equipes.

Quando trabalhamos de forma proativa com a forma como nos apresentamos para o mercado ou até mesmo para a organização, somos lembrados de forma fácil para atuar em um projeto, em tirar dúvidas ou até mesmo convites para novos desafios.

Benefícios da Marca Pessoal para a Gestão de Pessoas

  1. Aumenta a Credibilidade e a Influência: Um líder de RH com uma marca pessoal bem definida é visto como um especialista confiável e uma voz respeitada na área. Isso pode ajudar a construir relacionamentos mais fortes com outros líderes, colaboradores e stakeholders, facilitando a implementação de políticas e iniciativas de gestão de pessoas.
  2. Atrai Talentos e Retém Funcionários: Quando um líder é reconhecido por sua expertise e visão, isso pode tornar a empresa mais atraente para novos talentos. Além disso, funcionários atuais podem se sentir mais motivados e engajados ao trabalhar sob a liderança de alguém respeitado e admirado, o que pode reduzir a rotatividade e aumentar a satisfação no trabalho.
  3. Promove a Cultura Organizacional e a Marca do Empregador: Líderes com marcas pessoais fortes podem alinhar seus valores e missões pessoais com os da empresa, ajudando a promover uma cultura organizacional positiva. Isso também fortalece a marca do empregador, tornando a empresa mais atraente para candidatos e reforçando o compromisso da organização com valores como transparência, diversidade e inclusão.

Como Construir uma Marca Pessoal Autêntica

Para construir uma marca pessoal autêntica e eficaz, é importante analisar qual é o maior valor que você deseja ser conhecido? O que você deseja ser reconhecido? Isso é essencial, para traçar os planos e seguir alguns passos estratégicos. Apresento-os a seguir, alguns passos que segui para desenvolver a minha marca pessoal.

  • Autoconsciência: Compreender suas próprias forças, valores e o que você quer ser conhecido é fundamental. Isso envolve uma reflexão profunda sobre suas motivações e o impacto que você deseja ter na sua organização e no setor.
  • Definição de Objetivos: Estabeleça metas claras para sua carreira e como você deseja ser percebido. Isso ajudará a guiar suas ações e decisões, garantindo que todas estejam alinhadas com a imagem que você deseja projetar.
  • Valor Proposto: Desenvolva uma proposta de valor que comunique claramente o que você oferece de único e valioso. Isso deve incluir suas habilidades, experiências e como você pode contribuir para o sucesso de sua empresa e do setor de RH.
  • Comunicação Estratégica: É importante comunicar sua marca pessoal de maneira consistente em várias plataformas, como redes sociais, eventos da indústria e publicações de conteúdo. A auto-publicação, por exemplo, pode ser uma ferramenta poderosa para compartilhar insights e reforçar sua marca como um líder de pensamento no RH.

Integração da Marca Pessoal com a Marca Corporativa

A marca pessoal não deve ser vista isoladamente da marca corporativa. Pelo contrário, quando bem integrada, a marca pessoal de um líder pode fortalecer a marca da empresa, ajudando a atrair talentos, engajar funcionários e construir uma reputação de mercado sólida. Exemplos de líderes como Richard Branson mostram como valores pessoais alinhados com a visão da empresa podem criar sinergias poderosas, aumentando o valor tanto da marca pessoal quanto da corporativa.

Investir na construção de uma marca pessoal sólida pode trazer inúmeros benefícios para líderes de RH e suas organizações. Não só ajuda na promoção de uma cultura organizacional positiva e no aumento do engajamento dos funcionários, como também pode destacar líderes como influenciadores no setor, facilitando a atração e retenção de talentos. Em um ambiente de trabalho cada vez mais competitivo, a marca pessoal se tornou um diferencial estratégico essencial para o sucesso na gestão de pessoas.

Ao seguir essas práticas e adotar uma abordagem consciente e estratégica para construir sua marca pessoal, líderes de RH podem não apenas elevar suas próprias carreiras, mas também contribuir de maneira significativa para o sucesso de suas organizações.

Leitura recomendada

Participe do evento que vai reunir as maiores lideranças em gestão de pessoas para promover reflexões sobre os temas mais relevantes e compartilhar as mais recentes inovações e tendências do setor.

Como a Plataforma Site Valeon pode ajudar as empresas a crescerem

A Plataforma Site Valeon pode ajudar as empresas a crescerem de diversas maneiras:

1. Aumentando a visibilidade online:

  • Oferecendo um site profissional e otimizado para mecanismos de busca, aumentando a visibilidade da empresa na internet e atraindo mais visitantes.
  • Integração com ferramentas de marketing digital, como Google Ads e Facebook Ads, para alcançar um público mais amplo e direcionado.
  • Otimização do site para conversão, com formulários de contato e botões de ação que facilitam a interação com os clientes.

2. Melhorando a experiência do cliente:

  • Conteúdo informativo e relevante, que ajuda os clientes a encontrarem as informações que procuram e a entenderem os produtos e serviços da empresa.
  • Ferramentas de autoatendimento, como chat online e FAQs, que respondem às perguntas dos clientes de forma rápida e eficiente.
  • Design intuitivo e responsivo, que garante uma boa experiência de navegação em qualquer dispositivo.

3. Aumentando as vendas:

  • Integração com plataformas de e-commerce, permitindo que os clientes comprem produtos e serviços consultando diretamente no site.
  • Ferramentas de marketing automation, que automatizam o envio de emails e mensagens personalizadas para leads e clientes.
  • Análise de dados, que fornece insights sobre o comportamento dos clientes e ajuda a otimizar as campanhas de marketing.

4. Reduzindo custos:

  • Automação de tarefas repetitivas, como o envio de emails e a gestão de leads.
  • Otimização do site para SEO, que reduz a necessidade de investir em publicidade paga.
  • Integração com ferramentas de CRM, que ajuda a gerenciar o relacionamento com os clientes de forma mais eficiente.

5. Aumentando a produtividade:

  • Ferramentas de colaboração, como compartilhamento de arquivos e calendários, que facilitam o trabalho em equipe.
  • Integração com ferramentas de gestão de projetos, que ajuda a organizar e acompanhar o andamento das tarefas.
  • Automação de tarefas repetitivas, que libera tempo para os funcionários se concentrarem em atividades mais estratégicas.

A Plataforma Site Valeon é uma solução completa e acessível que pode ajudar empresas de todos os portes a crescerem.

Para saber mais, visite o site <valedoacoonline.com.br> ou entre em contato com a equipe de vendas pelo telefone (31) 98428-0590.

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Fone: (31) 8428-0590

domingo, 22 de setembro de 2024

CARAVANA PARA ACOMPANHAR LULA NO SEU DISCURSO NA ONU

 

História de Emilly Behnke, Taísa Medeiros, Rebeca Borges

Lira, Barroso e ministros: saiba quem acompanha Lula na Assembleia da ONU

Lira, Barroso e ministros: saiba quem acompanha Lula na Assembleia da ONU

Chefes de poder e ministros compõem a comitiva brasileira que acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Nova York, nos Estados Unidos, para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na próxima semana. O presidente viajou neste sábado (21) e fará na terça-feira (24) o discurso de abertura da conferência, conforme a tradição internacional. Apesar de comporem a delegação brasileira, nem todas as autoridades viajarão junto do presidente. Além da conferência em si, os integrantes da comitiva também devem se dedicar a eventos paralelos. Como a CNN mostrou, a primeira-dama Janja Lula da Silva viajou antes do presidente, na quarta-feira (18), e terá agenda própria na conferência. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, viajou na quinta-feira (19). O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), não confirmou a ida até o fechamento da reportagem. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), viajará no domingo (22), um dia depois do que o chefe do Executivo. A abertura do debate geral é tradicionalmente feita pelo Brasil. Neste ano, o governo tem o peso de ocupar a presidência do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, além de sediar, no próximo ano, a Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas (COP-30). A agenda de Lula inclui, no domingo (22), a primeira sessão da Cúpula do Futuro, convocada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, sendo o segundo orador previsto para discursar. A Cúpula será realizada entre os dias 20 e 23 de setembro. Ao longo do evento, Lula deve abordar como temas principais em seus discursos a inclusão e o combate à fome, o esforço para a transição energética e a reforma da governança global. https://www.youtube.com/watch?v=rhC7gikVpuE Comitiva brasileira A primeira-dama Janja cumpre uma agenda paralela à do presidente. Neste sábado, ela participará de um encontro promovido pela Aliança Global contra a Fome e a Pobreza na Universidade de Columbia. Na segunda-feira (23), Janja participa de um evento sobre como mulheres líderes no setor financeiro podem impulsionar uma transição climática justa. Ela ambém estará em evento relacionado ao compromisso das primeiras-damas no desenvolvimento da primeira infância. Outra agenda paralela é cumprida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele participa da Climate Week NYC (Semana do Clima), com foco na ação climática. Já o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, cumprirá agendas no Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e com o B20, o Fórum Global de Negócios. Leia a lista de autoridades que viajam para Nova York para a conferência da ONU: Primeira-dama Janja Lula da Silva; Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (a confirmar); Presidente da Câmara, Arthur Lira; Presidente do STF, Luís Roberto Barroso; Procurador-Geral da República, Paulo Gonet; Ministro da Fazenda, Fernando Haddad; Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara; Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves; Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos; Ministro do Desenvolvimento Social, Assistência, Família e Combate à Fome, Wellington Dias; Ministro da Controladoria-Geral da União, Vinicius Carvalho; Secretária do Ministério do Planejamento, Renata Amaral.

PREÇO DO CAFÉ DISPARA NO MUNDO TODO

 

História de Jake Lapham e Felipe Souza – BBC News e BBC News Brasil

Mulher fazendo café durante festival no Reino Unido

Mulher fazendo café durante festival no Reino Unido© Getty Images

Quanto é caro demais para uma xícara de café?

Preços como 5 libras (R$ 36) em Londres ou 7 dólares (R$ 38) em Nova York por uma xícara de café podem ser impensáveis ​​para alguns — mas podem, em breve, se tornar realidade graças a uma “tempestade perfeita” de fatores econômicos e ambientais nas principais regiões produtoras de café do mundo.

O custo dos grãos não torrados negociados nos mercados globais está agora em um “nível historicamente alto”, diz a analista Judy Ganes.

Especialistas culpam uma mistura de safras problemáticas, forças de mercado, estoques esgotados — e a fruta mais fedorenta do mundo.

Então, como chegamos aqui e quanto isso afetará seu café com leite matinal?

Em 2021, uma geada anormal destruiu plantações de café no Brasil, o maior produtor mundial de grãos do tipo arábica — aqueles comumente usados por baristas.

Essa escassez de grãos fez com que os compradores procurassem países como o Vietnã, o principal produtor de grãos robusta, que são normalmente usados ​​em misturas instantâneas.

Mas os agricultores de lá enfrentaram a pior seca da região em quase uma década.

As mudanças climáticas têm afetado o desenvolvimento dos pés de café, de acordo com Will Frith, um consultor de café localizado na cidade de Ho Chi Minh, impactando, por sua vez, a produção de grãos.

E então os agricultores vietnamitas migraram para uma fruta amarela e fedorenta — o durian.

A fruta — que é proibida no transporte público na Tailândia, Japão, Cingapura e Hong Kong por causa de seu odor — está se mostrando popular na China.

E os agricultores vietnamitas estão substituindo suas plantações de café por durian para lucrar com esse mercado emergente.

Os estoques de café no Vietnã estão 'quase esgotados' e ainda faltam dois meses para uma nova temporada de colheita

Os estoques de café no Vietnã estão ‘quase esgotados’ e ainda faltam dois meses para uma nova temporada de colheita© Getty Images

A participação de mercado do durian do Vietnã no mercado chinês quase dobrou entre 2023 e 2024, e alguns estimam que a safra seja cinco vezes mais lucrativa do que o café.

À medida que inundavam a China com durian, as exportações de café robusta caíram 50% em junho em comparação com o mesmo período do ano anterior e os estoques estão “quase esgotados”, de acordo com a Organização Internacional do Café.

Exportadores na Colômbia, Etiópia, Peru e Uganda se destacaram, mas não produziram o suficiente para aliviar o aperto do mercado.

“Bem na época em que as coisas começaram a acelerar para a demanda por robusta é bem quando o mundo está lutando por mais oferta”, explica Ganes.

Isso significa que os grãos robusta e arábica agora estão sendo negociados em altas quase recordes nos mercados de commodities.

Renato Garcia Ribeiro, responsável pela área de café no Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, diz que o principal fator que causa a alta de preços mundial não é o plantio de durian, mas o clima.

“O clima atrapalha bastante desde 2021, quando ocorreram geadas. No ano seguinte, ocorreu bastante chuva e no ano passado teve muito calor. Agora, a chuva já está atrasada e o desenvolvimento da próxima safra está prejudicado”, diz ele.

Ele afirma que o clima desfavorável causa uma baixa nos estoques mundiais de café pelo terceiro ano consecutivo.

“No Vietnã, além desse problema de redução de área, 2024 foi um ano quente e seco. Isso deve prejudicar muito a safra deste ano, que começa a ser colhida em outubro. Esse aumento do preço relacionado à crise de oferta pode inclusive causar um recuo no consumo de café”, diz.

Uma tempestade de mercado em formação

A mudança na economia global do café deve impactar seu preço de maneira significativa? A resposta curta: potencialmente.

O atacadista Paul Armstrong acredita que os apreciadores de café podem em breve enfrentar a perspectiva “louca” de pagar mais de 5 libras por uma dose de café no Reino Unido.

“É uma tempestade perfeita no momento.”

Armstrong, que dirige a Carrara Coffee Roasters com sede em East Midlands, importa grãos da América do Sul e da Ásia, que são torrados e enviados para cafés em todo o Reino Unido.

Ele diz à BBC que recentemente aumentou seus preços, esperando que isso compensasse os preços mais altos que ele paga, mas ele diz que os custos “só se intensificaram” desde então.

Ele acrescenta que, com alguns de seus estoques terminando nos próximos meses, ele terá que decidir se repassa mais uma vez os custos mais altos para seus clientes.

Frith diz, no entanto, que alguns segmentos da indústria estarão mais expostos do que outros.

“É realmente o café em quantidade comercial que sofrerá a maior variação. Café instantâneo, café de supermercado, no posto de gasolina, tudo isso está subindo.”

Os números da indústria alertam que um alto preço de mercado para o café pode não necessariamente se traduzir em preços de varejo mais altos.

Felipe Barretto Croce, CEO da FAFCoffees no Brasil, concorda que os consumidores estão “sentindo o aperto” com o aumento dos preços.

Mas ele argumenta que isso se deve “principalmente aos custos inflacionários em geral”, como aluguel e mão de obra, em vez do custo dos grãos. A consultoria Allegra Strategies estima que os grãos contribuem com menos de 10% do preço de uma xícara de café.

“O café ainda é muito barato, como um bem de luxo, se você o fizer em casa.”

Ele também diz que o aumento do custo dos grãos de qualidade inferior significa que o café de alta qualidade pode agora pode ser uma boa opção.

“Se você for a uma cafeteria especializada em Londres e tomar um café, em vez de um café na Costa Coffee (loja popular), a diferença (no preço) entre aquela xícara e o café especial é muito menor do que costumava ser.”

Mas há esperança de alívio de preços no horizonte.

Perdendo terreno futuro

A próxima safra de primavera no Brasil, que produz um terço do café do mundo, agora é “crucial”, de acordo com Croce.

“O que todos estão olhando é quando as chuvas retornarão”, diz ele.

“Se retornarem cedo, as plantas devem estar saudáveis ​​o suficiente e a floração deve ser boa.”

Mas se as chuvas chegarem tarde, em outubro, ele acrescenta, as previsões de rendimento para a safra do próximo ano cairão e o estresse do mercado continuará.

A longo prazo, as mudanças climáticas representam sérios desafios para a indústria global de café.

As lavouras de café em São Paulo foram destruídas por uma geada extrema em 2021

As lavouras de café em São Paulo foram destruídas por uma geada extrema em 2021© Getty Images

Um estudo de 2022 concluiu que, mesmo se reduzirmos drasticamente as emissões de gases de efeito estufa, a área mais adequada para o cultivo de café pode cair 50% até 2050.

Uma medida para proteger o futuro da indústria, que tem o apoio de Croce, é um “prêmio verde” — um pequeno imposto cobrado sobre o café dado aos fazendeiros para investir em práticas agrícolas regenerativas, que ajudam a proteger e sustentar a viabilidade das terras agrícolas.

Então, embora frutas com cheiro ruim sejam parcialmente responsáveis ​​pelos aumentos de preços hoje — uma mudança climática pode, em última análise, prejudicar a acessibilidade do café nos próximos anos.

LULA DECLARA SUA REPULSA AOS EMPRESÁRIOS QUE SÃO INIMIGOS DA CLASSE TRABALHADORA

História de Notas & Informações – Jornal Estadão

O presidente Lula da Silva recentemente “inaugurou” o Comperj – o complexo petroquímico no Rio de Janeiro que teve sua pedra fundamental lançada pelo próprio Lula em outra encarnação, no seu segundo mandato, e que levará no total 21 anos para finalmente entrar em operação plena, em 2029, tudo o mais constante. Como é do seu feitio, o demiurgo transformou o que deveria ser uma vergonha em um “ato de reparação”, segundo suas palavras.

O Comperj é um dos símbolos mais vistosos da trevosa era lulopetista que arruinou o País com sua gastança e sua corrupção. O complexo, que deveria custar US$ 6,2 bilhões, consumiu quase 5 vezes mais e ainda não funciona como planejado. Por outro lado, a obra foi uma das protagonistas do petrolão, o esquema de corrupção na Petrobras que abasteceu os cofres petistas e dos partidos comparsas.

Pois é dessa “reparação” que Lula fala: para o chefão petista, a Lava Jato, que flagrou o petrolão, foi uma operação destinada a “desmoralizar a Petrobras” para forçar sua venda. Atribuindo essa conspiração a “eles”, pronome que Lula usa para designar genericamente aqueles que, em sua definição, seriam os inimigos do Brasil e dos brasileiros pobres, o presidente chamou de “bando de imbecil” (sic) os que defendem a privatização da Petrobras.

E assim chegamos ao cerne do discurso de Lula, que deveria ser tomado como exemplar do que o petista deseja para seu terceiro e talvez último mandato: mais do que em qualquer outro momento desde que começou a exercer o poder, Lula parece determinado a ressuscitar o raivoso líder sindical dos anos 80, que ele nunca deixou de ser, mas que as necessidades políticas o haviam obrigado a domesticar.

Aquele personagem investia toda a sua energia na ideia de que os empresários são inimigos da “classe trabalhadora”. Aquele Lula não escondia sua repulsa à iniciativa privada, em qualquer de suas expressões. Aquele Lula mandou o PT votar contra a Constituição de 1988 porque, segundo o partido, o texto “eleva a propriedade privada a direito fundamental da pessoa humana”.

Desde o nascimento do personagem “Lulinha Paz & Amor”, que os marqueteiros petistas inventaram em 2002 para finalmente ganhar uma eleição presidencial, Lula vem tentando se passar por moderado e pragmático. Na mais recente disputa, em 2022, conseguiu os votos de eleitores de centro ao se identificar como o líder da “luta pela democracia”, malgrado seja incapaz de condenar as ditaduras de companheiros como Maduro e Ortega.

Agora, talvez por ter se dado conta de sua finitude, Lula parece ter se cansado de fingir ser o que nunca foi. Seu discurso no Comperj poderia ter sido feito em Vila Euclides. Numa saraivada de ataques, desqualificou os empresários do País, que em sua definição seriam simplesmente incapazes de melhorar a vida dos brasileiros. A julgar por suas palavras, todo o setor produtivo deveria ser do Estado, que seria um administrador mais sensível às reais necessidades do povo.

A horas tantas, perguntou: “A Vale está melhor agora que foi privatizada ou ela era melhor quando ela era uma empresa do Estado brasileiro?”. Se o critério fosse o valor de mercado, a Vale passou de R$ 39,5 bilhões em 1997, ano da privatização, para R$ 250 bilhões hoje. Mas o critério de Lula não é esse: para o petista, falta “bondade” à Vale privatizada.

Ele acha um horror que o CEO da Vale ganhe R$ 55 milhões por ano, e não R$ 55 mil, como se isso fosse uma ofensa aos pobres, e não a remuneração arbitrada pelo mercado para recompensar a expertise necessária para administrar uma empresa do porte da Vale. Pouco importa que a empresa recolha milhões em impostos e gere milhares de empregos. Para Lula, empresa privada boa é aquela que abre mão do lucro em favor de projetos do Estado e cujos executivos sejam abnegados trabalhadores que renunciam a altos salários em troca do orgulho de fazer parte desses projetos.

Há muito mais no tal discurso, mas só essa seleta basta para constatar que Lula decidiu fazer campanha aberta contra a iniciativa privada que não se dobra a seus delírios.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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