sábado, 21 de setembro de 2024

SAMBASPY O PERIGOSO VÍRUS BRASILEIRO

 

História de Felipe Payão – TecMundo

Usuários de internet da Europa, especificamente Itália e Espanha, são alvos de um novo malware chamado SambaSpy. O nome é referência ao seu país de origem: o Brasil.

O modus operandi do SambaSpy segue o padrão do “melhor” que o cibercriminoso brasileiro costuma produzir, que é o phishing. Phishing são aquelas mensagens falsas com textos incríveis que forçam a vítima a realizar um click ou toque para baixar um vírus ou entregar dados pessoais.

Em um relatório chamado “Exótico, SambaSpy agora está dançando com usuários italianos”, a empresa de cibersegurança Kaspersky detalha como o malware age e o que ele captura.

“Detectamos em maio uma campanha dirigida exclusivamente à vítimas na Itália”, afirma a Kaspersky. “Ficamos surpresos porque os cibercriminosos normalmente selecionam um alvo mais amplo para maximizar os seus lucros. Por exemplo, um determinado tipo de malware pode ter como alvo utilizadores na França e Espanha, com os emails de phishing escritos em ambos os idiomas. No entanto, para tal campanha, o código do malware não inclui verificações específicas para garantir que só funciona nos dois países. O que diferencia esta campanha é que, em várias fases da cadeia de infecção, são feitas verificações para garantir que apenas os utilizadores italianos acabem infectados. Isso nos levou a investigar mais a fundo e descobrir que os invasores estavam entregando um novo RAT como carga final, que apelidamos de SambaSpy”.

1

1Código (Kaspersky) O samba

O ataque do SambaSpy começa com emails phishing disparados para as vítimas. Neles, um anexo HTML ou link embedado é o responsável para iniciar a infecção: ele oferece um arquivo ZIP que baixa o malware e sua ativação é feita.

A indicação de autoria brasileira acontece porque, em alguns cenários, o link embedado no email redireciona a vítima para um servidor web com código JavaScript. Nesse código, existem comentários escritos em português.

No geral, o SambaSpy foi desenvolvido para roubar credenciais de navegadores como Chrome, Edge, Opera, Brave, Iridium e Vivaldi.

A Kasperksy ainda detalhou mais sobre suas capacidades: gerenciamento de arquivos de sistema e processos, baixar e subir arquivos, controle de webcam, controle do clipboard, realizar capturas de tela, gerenciamento remoto, roubo de senhas, adicionar plugins, iniciar shell remota e até interação com a vítima.

“Existem várias conexões com o Brasil, como artefatos de linguagem no código e domínios direcionados a usuários brasileiros”, relata a empresa. “Isto está de acordo com o fato de que os atacantes da América Latina muitas vezes têm como alvo países europeus com línguas estreitamente relacionadas, como Itália, Espanha e Portugal”.

No relatório, a empresa também finaliza comentando que os cibercriminosos por trás do SambaSpy alteram de modo contínuo seus métodos de ofuscação, endpoints C2 e textos phishing. Por isso, para se proteger de golpes do tipo, siga os seguintes passos:

  • Não acredite em mensagens incríveis que possam chegar aos seus emails, SMS e apps de mensagens (e não clique em link ou realize downloads)
  • Utilize um antivírus no seu dispositivo
  • Utilize segundo fator de autenticação em app terceiro em todas as suas contas.

X NOMEIA REPRESENTANTE LEGAL NO BRASIL

 

História de Por Ricardo Brito e Luciana Magalhaes – REUTERS

Logo da rede social X exibida em celular com reflexo do prédio do STF em Brasília, em imagem ilustrativa 30/08/2024 REUTERS/Ueslei Marcelino

Logo da rede social X exibida em celular com reflexo do prédio do STF em Brasília, em imagem ilustrativa 30/08/2024 REUTERS/Ueslei Marcelino© Thomson Reuters

Por Ricardo Brito e Luciana Magalhaes

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) – A plataforma de rede social X nomeou na noite desta sexta-feira a advogada Rachel de Oliveira Villa Nova Conceição como representante legal da empresa no país, em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), depois que a primeira pessoa escolhida pela rede social para ocupar o cargo desistiu do posto.

Os advogados do X no país encaminharam o nome de Conceição em petição enviada ao STF dentro do prazo de 24 horas estipulado na véspera pelo ministro da corte Alexandre de Moraes para que um representante legal da plataforma fosse nomeado.

A falta de um representante legal no país foi um dos motivos para Moraes determinar, no mês passado, o bloqueio da plataforma de propriedade do bilionário Elon Musk no país.

Antes de nomear Conceição, a plataforma chegou a contratar em meados deste mês a também advogada brasileira Vanessa Souza, atualmente residente na Inglaterra, mas a negociação entre ela e Musk acabou sendo desfeita antes mesmo do anúncio, de acordo com documentos vistos pela Reuters e pessoas com conhecimento do tema.

Conforme procuração vista pela Reuters, assinada no dia 13 de setembro, a advogada teria poderes para representar o X perante a jurisdição brasileira. A assessoria de imprensa de Vanessa Souza confirmou nesta sexta-feira a contratação e disse que ela desistiu da posição por questões “estritamente pessoais”.

Segundo pessoas próximas à situação, a desistência teria também sido motivada por notícias de que a plataforma teria deliberadamente descumprido decisão do STF, em meados desta semana, ao mudar os provedores de rede da empresa, burlando assim o bloqueio determinado no fim de agosto por Moraes.

Após a divulgação de uma atualização de rede do X, que restaurou o acesso por parte de usuários brasileiros, a empresa divulgou nota dizendo que a mudança não teve como objetivo trazer de volta a plataforma de mídia social ao Brasil, em descumprimento da lei, mas sim garantir a qualidade dos serviços em outros países da região.

O X correu contra o tempo para indicar um representante legal no Brasil. A empresa chegou a nomear os advogados André Zonaro Giacchetta e Sérgio Rosenthal para defendê-la perante o STF, mas, diante da falta de um representante legal, Moraes determinou na quinta-feira que a empresa apresentasse um nome em até 24 horas.

PARA REALIZAR UM BOM TRABALHO É PRECISO AMAR O QUE SE FAZ É O FLOW DE CADA UM DE NÓS

 

Giuliana Tranquilini – Professora e colunista da StartSe

Descubra o segredo do ‘Flow’ para encontrar paixão no trabalho e sucesso na carreira. Explore estratégias eficazes para revitalizar seu entusiasmo profissional e ative seu potencial com o ‘Leadership-in-Flow’, um novo método para liderança inspiradora.

Foto de ConvertKit na Unsplash

Para realizar um bom trabalho é preciso amar o que se faz? A jornada em busca da
paixão pelo trabalho é complexa, repleta de altos e baixos. 

Independentemente da profissão ou carreira escolhida, você certamente enfrentará períodos de desânimo ou incertezas sobre o seu cargo ou mesmo as suas escolhas, é uma experiência comum a todos.

Contudo, há estratégias eficazes para revitalizar o entusiasmo pelo trabalho. A chave pode estar no conceito de Flow, criado por Mihaly Csikszentmihalyi, que descreve um estado de absorção total numa atividade, quando você é capaz de se deixar levar e perder a noção do tempo.

De acordo com a biografia de Csikszentmihalyi, sua família foi duramente afetada
pela Segunda Guerra Mundial onde chegou a ser mantida em um campo de
concentração italiano. E foi justamente neste ambiente insalubre que ele teria
descoberto ainda criança sua primeira “atividade em flow”: o xadrez.

Na faculdade, chegou a assistir à palestra de Carl Jung, onde se interessou pelo
tema “felicidade” após conhecer húngaros presos na União Soviética. 

O que fazia com que alguns prisioneiros se mantivessem sãos enquanto outros foram
psicologicamente destruídos?

Observando pintores durante sua pesquisa de doutorado em criatividade notou as
características daquilo que, mais tarde, viria a chamar de estado de Flow. 

O pesquisador ficou impressionado como os artistas ficavam concentrados,
envolvidos e absorvidos durante o processo de pintura de um quadro. Perdiam a
noção do tempo, ignoravam necessidades biológicas, o cansaço e as obrigações
sociais. Você já se sentiu assim?

Ele observou que essa imersão durava enquanto a pintura estivesse incompleta. Assim
que o quadro era concluído, seus autores perdiam o interesse por aquela obra e
voltavam para a próxima tela. 

Mihaly entendeu que a motivação para a pintura estava no próprio processo de pintar, e não na antecipação frente a um belo quadro pronto. A jornada de trabalho era a recompensa.

Vocês devem estar se perguntando, por que eu, especialista em Personal Branding estou falando de Flow… Porque o Flow pode ser seu grande aliado em sua jornada de
Marca Pessoal.

Quando você identificar o que o mantém em estado de flow, maior sua chance
de sucesso e realização. Uma dica é lembrar que a atividade – o que você
estiver fazendo – não pode ser nem tão desafiador (ou seja, distante dos seus
talentos) que gere ansiedade, nem tão fácil para suas habilidades, a ponto de
instalar o tédio. 

Quando você se coloca no meio desses dois extremos, pode desenvolver um grande prazer em se desafiar, se superar e ir cada vez um pouco mais longe nesse processo.

Atividade diária

Os benefícios do Flow não se esgotam nesta descoberta, pois é possível atingir o
estágio de “Peak Flow”, termo elaborado pelo autor norte-americano Adam Grant, que propõe três breves passos para que você aplique o Flow em atividades do cotidiano, mesmo aquelas não tão satisfatórias. Isso requer um profundo autoconhecimento.

Adam Grant propõe o uso de “3 M” como fundamentais para atingir o pico do Flow: 

  • Mastery (domínio) 
  • Mindfulness (atenção plena) 
  • Mattering (significância ou propósito)

O domínio engloba a excelência e habilidade em determinada atividade. Quanto mais
dominamos uma tarefa, maior a chance de nos “perdemos” ao realizá-la.

A atenção plena, ou Mindfulness, se torna decisiva em tempos de notificações
constantes e o alto estímulo que recebemos dos nossos smartphones. Estar
completamente presente e engajado com o que estamos fazendo, sem distrações, é
um desafio. Uma breve meditação pode ajudar a retomar a concentração.

Por último, ter um propósito (significância) bem definido para o que fazemos
aumenta nossa motivação e a sensação de que nosso trabalho tem importância,
contribuindo para algo maior e a satisfação pessoal. Imagine-se fazendo um
curso que considera “chato” ou “complicado”. 

Investir tempo e dinheiro na matrícula teve um objetivo. Lembre-se dele e acione os dois primeiros “M” quando o desânimo chegar.

Agindo dessa maneira, você notará que suas ações se tornam autênticas e intimamente
ligadas com o que você é, a sua Marca Pessoal.

Recentemente, o Flow ganhou um upgrade, voltado para pessoas que ocupam ou pretendem ocupar um cargo de liderança, chamado de “Leadership-in-Flow”, foi
desenvolvido pelo autor e professor da Universidade de Columbia, Hitendra
Wadhwa.

Ao escrever “Inner Mastery, Outer Impact: How Your Five Core Energies Hold
the Key to Success”, ainda sem tradução no Brasil, ele define que podemos
ativar nosso potencial através do nosso “núcleo interno”, ativando Cinco Energias Centrais: Propósito, Sabedoria, Crescimento, Amor e Auto-Realização.

Ao utilizar a obra em seu disputado curso de Liderança na Columbia Business
School, Wadhwa determinou os caminhos para liderar dentro do Flow. Em seu
modelo de “Liderança em Flow”, você pode ativar seu núcleo interno
acessando as cinco energias acima no momento exato que uma situação tortuosa
acontece. 

Como? Por meio de uma ou 25 ações que levam apenas segundos para serem executadas, entre elas, apelar para propósitos e valores, criar o enquadramento correto e despertar alegria.

O sucesso do método tem sido tão grande que a revista de negócios da universidade concorrente à Columbia, a Harvard Business Review, trouxe um artigo extenso escrito pelo próprio autor, que explica detalhadamente cada uma dessas ações, distribuídas dentro das cinco energias centrais.

Não entrarei em cada uma delas agora, mas o segredo? Tenha uma meta de marca pessoal que seja autêntica. 

Com isso, o Flow poderá ser ativado em todas as suas potencialidades. Na hora que você desejar.

STARTUP VALEON UMA HOMENAGEM AO VALE DO AÇO

Moysés Peruhype Carlech

Por que as grandes empresas querem se aproximar de startups? Se pensarmos bem, é muito estranho pensar que um conglomerado multibilionário poderia ganhar algo ao se associar de alguma forma a pequenos empresários que ganham basicamente nada e tem um produto recém lançado no mercado. Existe algo a ser aprendido ali? Algum valor a ser capturado? Os executivos destas empresas definitivamente acreditam que sim.

Os ciclos de desenvolvimento de produto são longos, com taxas de sucesso bastante questionáveis e ações de marketing que geram cada vez menos retorno. Ao mesmo tempo vemos diariamente na mídia casos de jovens empresas inovando, quebrando paradigmas e criando novos mercados. Empresas que há poucos anos não existiam e hoje criam verdadeiras revoluções nos mercados onde entram. Casos como o Uber, Facebook, AirBnb e tantos outros não param de surgir.

E as grandes empresas começam a questionar.

O que estamos fazendo de errado?

Por que não conseguimos inovar no mesmo ritmo que uma startup?

Qual a solução para resolver este problema?

A partir deste terceiro questionamento, surgem as primeiras ideias de aproximação com o mundo empreendedor. “Precisamos entender melhor como funciona este mundo e como nos inserimos!” E daí surgem os onipresentes e envio de funcionários para fazer tour no Vale e a rodada de reuniões com os agentes do ecossistema. Durante esta fase, geralmente é feito um relatório para os executivos, ou pelas equipes de inovação ou por uma empresa (cara) de consultoria, que entrega as seguintes conclusões:

* O mundo está mudando. O ritmo da inovação é acelerado.

* Estes caras (startups) trabalham de um jeito diferente, portanto colhem resultados diferentes.

* Precisamos entender estas novas metodologias, para aplicar dentro de casa;

* É fundamental nos aproximarmos das startups, ou vamos morrer na praia.

* Somos lentos e burocráticos, e isso impede que a inovação aconteça da forma que queremos.

O plano de ação desenhado geralmente passa por alguma ação conduzida pela área de marketing ou de inovação, envolvendo projetos de aproximação com o mundo das startups.

Olhando sob a ótica da startup, uma grande empresa pode ser aquela bala de prata que estávamos esperando para conseguir ganhar tração. Com milhares de clientes e uma máquina de distribuição, se atingirmos apenas um percentual pequeno já conseguimos chegar a outro patamar. Mas o projeto não acontece desta forma. Ele demora. São milhares de reuniões, sem conseguirmos fechar contrato ou sequer começar um piloto.

Embora as grandes empresas tenham a ilusão que serão mais inovadoras se conviverem mais com startups, o que acaba acontecendo é o oposto. Existe uma expectativa de que o pozinho “pirlimpimpim” da startup vá respingar na empresa e ela se tornará mais ágil, enxuta, tomará mais riscos.

Muitas vezes não se sabe o que fazer com as startups, uma vez se aproximando delas. Devemos colocar dinheiro? Assinar um contrato de exclusividade? Contratar a empresa? A maioria dos acordos acaba virando uma “parceria”, que demora para sair e tem resultados frustrantes. Esta falta de uma “estratégia de casamento” é uma coisa muito comum.

As empresas querem controle. Não estão acostumadas a deixar a startup ter liberdade para determinar o seu próprio rumo. E é um paradoxo, pois se as empresas soubessem o que deveria ser feito elas estariam fazendo e não gastando tempo tentando encontrar startups.

As empresas acham que sabem o que precisam. Para mim, o maior teste é quando uma empresa olha para uma startup e pensa: “nossa, é exatamente o que precisamos para o projeto X ou Y”.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

  • Publicidade e Propaganda de várias Categorias de Empresas e Serviços;
  • Informações detalhadas dos Shoppings de Ipatinga;
  • Elaboração e formação de coletâneas de informações sobre o Turismo da nossa região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas das 27 cidades do Vale do Aço, destacando: Ipatinga, Cel. Fabriciano, Timóteo, Caratinga e Santana do Paraíso;
  • Ofertas dos Supermercados de Ipatinga;
  • Ofertas de Revendedores de Veículos Usados de Ipatinga;
  • Notícias da região e do mundo;
  • Play LIst Valeon com músicas de primeira qualidade e Emissoras de Rádio do Brasil e da região;
  • Publicidade e Propaganda das Empresas e dos seus produtos em cada cidade da região do Vale do Aço;
  • Fazemos métricas diárias e mensais de cada consulta às empresas e seus produtos.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

OS PRÓS E CONTRAS AO HORÁRIO DE VERÃO QUE O GOVERNO QUER ADOTAR

BBC News Brasil

Horário de verão foi extinto pelo governo de Jair Bolsonaro em 2019, mas poderá voltar sob Lula, em meio à seca histórica

Horário de verão foi extinto pelo governo de Jair Bolsonaro em 2019, mas poderá voltar sob Lula, em meio à seca histórica© Getty Images

horário de verão voltou ao debate, diante das notícias de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda a volta da prática, em meio à seca recorde que assola o país e à proximidade dos meses mais quentes do ano.

A medida, que adianta os relógios em uma hora, era adotada anualmente em partes do Brasil para diminuir o consumo de energia pelo melhor aproveitamento da luz natural, mas foi extinta em 2019, durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL).

À época, o governo argumentou que a economia de energia produzida era pouco significativa e não justificava a mudança.

Em declarações recentes, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem defendido a volta do horário de verão, argumentando que a medida cumpre dois objetivos importantes na gestão do sistema elétrico: garantir a segurança energética e a modicidade tarifária – isto é, que a conta de luz tenha preço justo.

“Todos os dados de pesquisas anteriores são positivos, fomenta a economia em diversos setores do Brasil, como turismo, bares, restaurantes e muitos outros segmentos. Ele também é importante para diminuir o despacho de termelétricas no horário de ponta”, disse Silveira em entrevista coletiva.

Segundo o ministro, a medida precisa ser estudada, porque impacta a vida das pessoas. E também depende de uma decisão política do governo.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Operador Nacional do Sistema (ONS) devem apresentar nos próximos dias um estudo sobre o horário de verão nas atuais circunstâncias. A decisão final caberá a Lula.

História do horário de verão no Brasil

O horário de verão foi instituído pela primeira vez no Brasil em 1931, durante o governo de Getúlio Vargas.

“A prática dessa medida, já universal, traz grandes benefícios ao público, em consequência da natural economia de luz artificial”, dizia o texto do decreto assinado por Vargas, datado de 1º de outubro daquele ano.

Horário de verão foi instituído no Brasil em 1931 no governo Getúlio Vargas

Horário de verão foi instituído no Brasil em 1931 no governo Getúlio Vargas© Getty Images

A medida foi repetida em anos seguintes, sem regularidade. A partir de 1985 — ano que foi marcado por uma seca histórica, que resultou em blecautes e racionamento de água —, o horário diferenciado passou a ser adotado anualmente, com duração e abrangência territorial definidas por decretos presidenciais.

Em 2008, um decreto tornou o horário de verão permanente, vigorando do terceiro domingo de outubro até o terceiro domingo de fevereiro do ano seguinte.

Até que, em abril de 2019, o então presidente Jair Bolsonaro também por decreto extinguiu a prática.

“O horário de pico hoje é às 15 horas e [o horário de verão] não economizava mais energia. Na saúde, mesmo sendo só uma hora, mexia com o relógio biológico das pessoas”, argumentou Bolsonaro, à época.

Mas quais são as vantagens e as desvantagens da mudança de horário? Listamos alguns dos argumentos citados pelos lados contra e a favor da medida.

Argumentos a favor

Economia de energia

Com o adiantamento dos relógios em uma hora, as regiões que adotam o horário de verão ganham uma hora a mais de luminosidade no fim da tarde, adiando o acionamento de lâmpadas e eletrodomésticos na volta do trabalho para casa.

Historicamente, a economia com a medida era de cerca de 4% a 5% da demanda no horário de pico.

Ao extinguir o horário de verão em 2019, porém, o governo Bolsonaro argumentava, com base em dados do ONS, que o pico de demanda no verão mudou ao longo dos anos, do fim da tarde, para o meio dela, devido ao acionamento dos aparelhos de ar condicionado nas empresas.

Nesse cenário, a economia esperada com o horário de verão seria da ordem de 0,5% a 0,7%, mas especialistas do setor elétrico argumentam que qualquer economia é bem-vinda diante da grave seca atual e da perspectiva de rápida redução do nível dos reservatórios hidrelétricos.

“A economia de energia é sempre pouca, mas como há pouca água, qualquer economia é importante”, diz Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel.

Fontes eólica e solar cresceram em participação na matriz elétrica brasileira, representando 15% e 7% da capacidade de geração instalada em junho de 2024, segundo dados da Aneel

Fontes eólica e solar cresceram em participação na matriz elétrica brasileira, representando 15% e 7% da capacidade de geração instalada em junho de 2024, segundo dados da Aneel© Getty Images

Nivalde de Castro, professor do Instituto de Economia e coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), observa ainda que o setor elétrico brasileiro mudou desde 2019, com maior participação das fontes eólica e solar na matriz energética.

Essas fontes, que geram mais durante o dia, podem ser melhor aproveitadas com a adoção do horário de verão, diz o especialista, reduzindo a necessidade de acionamento das térmicas, que produzem energia mais cara e poluente.

“Essas duas fontes [eólica e solar] operam de maneira muito característica: venta muito de manhã e faz muito sol à tarde. Por conta disso, o sentido do horário de verão mudou radicalmente, porque hoje ele se faz necessário para que se aproveite ao máximo essas fontes”, diz Castro.

“Se antes a mudança de horário era para diminuir o consumo no pico do fim da tarde, hoje ele serviria para usar ao máximo a energia eólica e solar, preservando a água dos reservatórios. A explicação técnica é essa.”

Edvaldo Santana observa ainda que o atual nível dos reservatórios hidrelétricos – acima de 50% em todas as regiões do país – ainda é confortável.

O problema, diz o ex-diretor da Aneel, é que eles estão esvaziando cerca de 8 pontos percentuais ao mês. Assim, até o início da temporada de chuvas na região Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, onde está a maior parte dos reservatórios de hidrelétricas do país (cerca de 70% do total), esses reservatórios podem chegar a 30% ou abaixo disso, um nível já considerado perigoso.

“É por isso que todo esforço está sendo feito para não deixar os reservatórios, que estão numa situação ainda boa, se esvaziarem”, diz Santana.

Além da possível volta do horário de verão, a Aneel acionou em setembro, pela primeira vez desde 2021, a bandeira vermelha nas contas de energia, uma forma de indicar aos consumidores através do preço que o consumo deve ser reduzido.

O ONS também poderá fazer, já neste ano, leilões para contratar reduções temporárias de consumo de energia por parte de grandes indústrias. Neste modelo, o governo busca incentivar grandes consumidores industriais a reduzir temporariamente seu consumo nos horários de pico, em troca de uma remuneração.

Mais vendas no varejo e nos bares

Uma segunda vantagem do horário de verão é o estímulo às vendas do comércio e dos bares, resultado da hora a mais de luminosidade.

“O tempo de luz natural a mais no começo da noite faz com que as ruas fiquem mais atrativas, trazendo vigor para o comércio. O movimento nos bares e restaurantes também cresce”, diz Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

“Por isso, estimamos um aumento de até 15% no faturamento com a mudança dos relógios, de forma que temos mais recursos circulando na economia, mais geração de empregos e a sociedade como um todo sai ganhando”, argumenta.

'Estimamos um aumento de até 15% no faturamento com a mudança dos relógios", diz representante do setor de bares e restaurantes

‘Estimamos um aumento de até 15% no faturamento com a mudança dos relógios”, diz representante do setor de bares e restaurantes© Getty Images

A Abrasel enviou na segunda-feira (16/9) uma carta ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com argumentos favoráveis à volta do horário de verão.

Entre os argumentos, a Abrasel citou pesquisa realizada pela associação em parceria com o site Reclame Aqui, que apontou que 54,9% das pessoas que responderam são favoráveis ao retorno do horário de verão no Brasil em 2024.

Para 16,9% a mudança é indiferente. Outros 28% se disseram contrários.

A pesquisa ouviu 3 mil pessoas e tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Segurança nas ruas

Um terceiro argumento em favor do horário de verão é a segurança.

“A evidência empírica sugere que uma hora a mais de luminosidade reduz homicídios, roubos e acidentes de trânsito”, disse Claudio Frischtak, sócio da consultoria Inter.B e especialista em infraestrutura, que publicou em 2019 um artigo sobre o tema em coautoria com Miguel Foguel e Renata Canini.

Estudo de 2016, realizado por pesquisadores da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), por exemplo, analisou dados de ocorrência de acidentes rodoviários entre 2007 e 2013. Segundo o estudo, nos Estados em que o horário de verão era adotado, houve redução de 10% dos acidentes em rodovias federais.

“Os testes revelaram que a realocação do horário de atuação da luminosidade durante o dia contribui consideravelmente na redução de acidentes em rodovias federais”, concluíram os pesquisadores.

“O impacto de transição para o horário de verão afeta o comportamento de direção dos motoristas em rodovias federais, principalmente ao entardecer.”

Exercícios físicos e uso do espaço público

Por fim, um último argumento daqueles que defendem o horário de verão é a possibilidade de fazer exercícios físicos ao fim da tarde e melhor aproveitar o espaço público.

O argumento foi usado até por Luciano Hang, dono das lojas Havan e apoiador de Bolsonaro, mas defensor da volta do horário de verão.

“Com o dia mais longo, as pessoas vivem melhor, vão às praias, praticam exercícios e têm mais qualidade de vida”, disse Hang em 2021, quando aderiu a um movimento de empresários pela volta do horário de verão.

Quem defende o horário de verão diz que ele permite aproveitar mais os espaços públicos

Quem defende o horário de verão diz que ele permite aproveitar mais os espaços públicos© Getty Images

Argumentos contrários

Dificuldade de adaptação

O principal argumento dos contrários à volta do horário de verão é que a adaptação é difícil e a mudança mexe com o relógio biológico.

Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado em 2017 na revista Annals of Human Biology, com mais de 12 mil participantes, mostrou que menos da metade (45,43%) diziam não sentir nenhum desconforto com a mudança de horário.

E cerca de 25% diziam permanecer desconfortáveis durante todo o período de mudança de horário.

A dificuldade de adaptação tem razões biológicas: a alteração do horário mexe com a produção de hormônios como a melatonina e o cortisol, responsáveis respectivamente por dar sono e despertar o corpo.

A mudança também é mais penosa para adolescentes, que têm dificuldade de acordar cedo para aulas matinais, e para crianças pequenas, que têm necessidade de longas horas de sono e costumam ser sensíveis a mudanças de luminosidade.

Mudanças no ciclo agropecuário

Uma segunda desvantagem do horário de verão, segundo os contrários à medida, é que ele afeta o setor agropecuário.

O gado bovino, por exemplo, é sensível à mudança de horário das fazendas, que pode inclusive afetar a produtividade leiteira.

Críticos da medida dizem que ela prejudica o setor agropecuário

Críticos da medida dizem que ela prejudica o setor agropecuário© AFP

“Os bovinos são animais de hábito, todos os dias eles se alimentam num mesmo horário, são animais de rotina. Se os horários mudam repentinamente, isso causa um estresse no animal. No caso da vaca de lactação, pode inclusive diminuir o leite”, disse José Carlos Ribeiro, da Boi Saúde, consultoria especializada em saúde bovina, em entrevista à BBC News Brasil em 2021.

Mas há quem trabalhe no campo e não se importe com a mudança.

“As empresas trocam o horário, em vez de pegar às 7h, pega às 8h para a colheita da soja, então não prejudica em nada, eu acho que é bom”, disse Antônio Rodrigues da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Sapezal (MT), também em entrevista naquele ano.

Horários diferentes Brasil afora

Uma terceira desvantagem é a maior dessincronia entre os horários Brasil afora.

O Brasil é um país tão grande que tem quatro fusos horários: o de Brasília, que abrange a totalidade das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, além dos Estados do Pará, Amapá, Tocantins, Goiás e o Distrito Federal; o de Fernando de Noronha (uma hora à frente de Brasília); o do Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (uma hora atrás de Brasília); e o do Acre e oeste do Amazonas (duas horas atrás de Brasília).

No horário de verão, Norte e Nordeste não adotam a mudança, que não faz diferença nessas regiões devido à proximidade delas com o Equador.

Assim, no horário especial, Roraima, Rondônia e Amazonas passam a ter duas horas de diferença em relação a Brasília e o Acre, três horas.

Isso dificulta, por exemplo, a realização de eventos nacionais, a tal ponto que, em 2018, o horário de verão foi mais curto, devido às eleições.

A pedido do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, o horário de verão naquele ano começou somente em novembro, para evitar atrasos na apuração dos votos e na divulgação dos resultados.

 

O GOVERNO PODERIA TER UTILIZADO MILITARES PARA UMA OCUPAÇÃO PACÍFICA DAS REGIÕES INCENDIADAS

 

História de Rui Martins – Correio do Brasil

No começo da semana, o Itamaraty convocou a imprensa para um “briefing”, em Brasília, sobre a participação do presidente Lula na abertura da 79. Assembléia Geral da ONU em Nova Iorque. Lula fará seu discurso na próxima terça-feira, dia 24.  Espera-se que ele explique a continuação dos desmatamentos e os atuais incêndios florestais em todo Brasil.

Por Rui Martins

O Brasil com desmatamentos e incêndios florestais apressa a mudança climática

Na ONU, deverão ser abordados uma série de temas atuais e urgentes como inclusão social, combate à fome, transição energética e reforma da governança global, o pacto global digital, prevenção de conflitos, desenvolvimento sustentável e multilateralismo. Alguns desses temas serão incluídos no discurso de Lula, logo depois da abertura da Assembléia Geral pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

Imagem meramente ilustrativa

Imagem meramente ilustrativa

No “briefing” dois jornalistas se referiram a um tema considerado obrigatório, uma dizendo “o país está pegando fogo” e seu colega, mais adiante, citando “a fumaça ali perto da capital federal”, provavelmente para saber se Lula daria um destaque, no seu discurso, aos incêndios de florestas que ocorrem em todo país. O porta-voz do Itamaraty, embaixador Cozendey, foi sucinto e comentou estar havendo “uma seca excepcional”, mas não disse se Lula dará um enfoque especial à questão.

Espera-se que sim, mesmo por uma questão de credibilidade, diante da importância dos incêndios não apenas no norte, na região amazônica, avançando pelo centro oeste no Estado de Goiás e chegando ao sudeste, no Estado de São Paulo, tornando o céu escuro e chegando a fumaça a países vizinhos.

Mesmo porque o Brasil acolherá, dentro de um ano, a COP30, a Conferência sobre mudanças climáticas, organizada pela ONU, na cidade de Belém,  capital do Pará, na região amazônica. Sem esquecer que, no ano passado, na abertura da Assembléia da ONU, Lula havia falado da emergência climática e prometido agir contra os crimes ambientais na Amazônia, como o desflorestamento pela serra ou pelo fogo. Mesmo se houve uma redução da ordem de 42% em certas regiões, os controles feitos por satélite mostram novos focos de queimadas em outras regiões destruindo o bioma natural original.

Os surgimentos recentes de novos incêndios florestais, favorecidos com a seca, foram trágicos por destruírem milhares de quilômetros quadrados de árvores e matarem animais, aves e pássaros vivendo em estado selvagem.  Algumas espécies vegetais podem ter sido destruídas definitivamente. Embora alguns incêndios tenham sido provocados involuntariamente pelos próprios agricultores com a chamada “queimada”,  costume utilizado tradicionalmente, embora condenado, para “limpar” com o fogo o que restou das colheitas nas terras cultivadas, a maioria dos focos de incêndio foi criminosa. No seu canal youtube, Bob Fernandes fala na suspeita de terem sido utilizados drones para o lançamento de produtos inflamáveis.

Mesmo se o agronegócio fale em milhões de perdas com a propagação dos incêndios incontroláveis, a destruição das árvores e vegetações nativas pelo fogo é a maneira mais simples e econômica de se preparar as terras para o plantio de cereais como a soja ou a criação de pastos para a criação extensiva de gado. Tanto os cereais como a carne bovina se destinam à exportação em grande escala para países asiáticos, numa reconversão regressiva do Brasil em país agrícola exportador de matérias primas.

Não se sabe como o presidente Lula irá explicar seu atraso contra o desmatamento das florestas brasileiras, frente à pressão do agronegócio, mesmo porque certos setores da esquerda também defendiam, no passado, a ocupação econômica da Amazônia, antes que fosse tomada por países ou empresas estrangeiras. É o caso de Aldo Rabelo, antigo presidente da UNE e durante anos membro do PCB, cuja visão da Amazônia não é a mesma da ecologista Marina Silva.

Em todo caso, os temores de Rabelo já se concretizaram com a implantação de missões evangélicas norte-americanas na Amazônia, destinadas a civilizar os indígenas, que deixam o xamanismo pelas doutrinas bíblicas. E com o avanço das empresas agropecuárias nas áreas desmatadas, sem se esquecer dos garimpeiros.

União Europeia vai punir o desmatamento

Como Lula poderia ter impedido totalmente ou reduzido a um mínimo a destruição das florestas brasileiras? Sem maioria no Parlamento é quase uma missão impossível. Mas poderia ter utilizado o patriotismo dos militares para uma ocupação pacífica da região, sem molestarem os indígenas, pelo Exército, com o objetivo de prenderem, expulsarem ou impedirem o acesso à região pelos grileiros,  missionários religiosos, garimpeiros, desmatadores e invasores do agro.

Como isso não foi feito e diante da destruição gradativa da Amazônia, a União Europeia deve começar a aplicar, a partir do fim deste ano, uma lei contra a importação e a comercialização de produtos provindos ou produzidos nas áreas desflorestadas desde 2020. Isso inclui uma enorme gama de produtos brasileiros atualmente exportados para a União Européia, como cacau, café, soja, óleo de palma, madeira, carne bovina, borracha, couro, móveis, papel e etc.

Diante disso, o governo brasileiro, depois de um encontro com produtores em áreas desmatadas ou desflorestadas, está pedindo à União Européia para adiar sine die, sem data fixa, a nova regulamentação anti-desflorestamento, por considerar tal exigência “um instrumento unilateral, punitivo e uma ameaça para suas exportações”, além de atentatória ao “princípio de soberania”!

Esse pedido formulado pelo Brasil à União Européia “é triste, lamentável e surpreendente (eu acrescentaria vergonhoso) porque contradiz o discurso do próprio presidente (na ONU em 2023)” declarou à Agence France Presse o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini. A entidade reúne uma centena de ONGs de proteção e defesa  do meio-ambiente.

Astrini lembra os discursos de Lula se comprometendo a acabar com o desflorestamento no Brasil até 2030. “De nada adianta fazer discursos em favor de uma produção agrícola durável se não se quer aplicar o mecanismo que torna isso possível”, diz Astrini.…

A agenda de Lula na ONU – Ver Itamaraty com jornalistas:

“Briefing” sobre a participação do Presidente Lula na 79 sessão da Assembléia Geralda ONU.

Discurso de Lula na abertura da Assembléia Geral da ONU em 2023 - https://youtu.be/WEvvAB81Rkg

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

BRASIL PEDIU AJUDA INTERNACIONAL PARA AJUDAR A COMBATER OS INCÊNDIOS

 

História de RICARDO DELLA COLETTA – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Pedidos feitos pelo Brasil por ajuda internacional para o combate à onda de incêndios no país esbarraram até o momento na oferta de aeronaves sem sistema de lançamento de água, e portanto consideradas inadequadas pelo Ministério do Meio Ambiente. A pasta diz precisar de aviões com esse equipamento e de helicópteros para o transporte de brigadistas.

Por outro lado, o governo brasileiro recebeu recentemente um pedido de auxílio do Paraguai, mas respondeu que enfrenta sua própria crise e que todos os recursos disponíveis do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) estão sendo empregados no país.

Por solicitação do ministério comandado por Marina Silva, o Itamaraty consultou Uruguai, México, Chile, Peru, Colômbia, Estados Unidos, Canadá e Paraguai sobre a possibilidade de envio de apoio no combate ao fogo na Amazônia.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, “foi solicitado, especificamente, apoio de aeronaves para o lançamento de água e/ou transporte de brigadistas e equipamentos nas operações de combate a focos de incêndios.”

“As ofertas de cooperação recebidas estão sendo objeto de análise técnica dos órgãos competentes”, afirmou o Itamaraty.

Ao menos Uruguai, México, Canadá e Chile sinalizaram que poderiam disponibilizar aviões e outros equipamentos.

Em 10 de setembro, o governo uruguaio colocou à disposição do Brasil uma aeronave modelo CASA C-212 Aviocar e 40 mil litros de líquido extintor de incêndio. O avião poderia ser empregado para ações de evacuação médica e transporte de carga e passageiros.

Para efetuar a cessão dos equipamentos, Montevidéu pediu que o Brasil informasse em qual localidade a aeronave ficaria baseada e onde a carga dos extintores poderia ser entregue.

A oferta foi reforçada pelo ministro da Defesa do Uruguai, Armando Castaingdebat, no dia 12, de acordo com registro oficial feito pelo Itamaraty visto pela Folha.

No caso do México, um representante da AMEXCID (Agência Mexicana de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento) informou a embaixada brasileira no país que, antes de considerar se seria possível ceder uma aeronave tipo C-105A, algumas informações eram necessárias: o local de atuação do avião no Brasil e o tempo estimado da operação.

Os mexicanos também perguntaram se Brasília assumiria os custos de combustível da aeronave nos deslocamentos internos no Brasil –as despesas da viagem de ida e volta do México seriam arcadas pelos donos do equipamento.

Questionado sobre as negociações tanto com o Uruguai quanto com o México, o Ministério do Meio Ambiente respondeu que o governo brasileiro perguntou a esses países se “haveria disponibilidade de aeronaves para lançamento de água, além de helicópteros para transporte de brigadistas em áreas de difícil acesso”.

“Os modelos mencionados, C-212 e C-105, são aviões (e não helicópteros) que não dispõem de sistema para lançamento de água, necessário para combater incêndios”, respondeu a pasta.

O ministério também informou que o Chile comunicou que poderia enviar um helicóptero. “As condições de operação estão em análise”.

O Canadá, por sua vez, disse ao Brasil que poderia emprestar dois aviões Cessana Caravan para apoiar no combate aos incêndios. Também sem tecnologia de dispersão de água, essas aeronaves poderiam ser empregadas para o transporte de brigadistas e de equipamentos.

Um dos países aos quais o Brasil recorreu por ajuda, o Paraguai enfrenta sua própria onda de queimadas.

Só na primeira semana de setembro, o país vizinho registrou mais de 6,8 mil focos de incêndio.

O país vizinho chegou a consultar a embaixada brasileira em Assunção sobre a possibilidade de envio de um avião com capacidade de despejar água para o Paraguai.

Autoridades do governo Lula (PT) responderam que o Brasil enfrenta situação semelhante com as queimadas –e que todos os meios disponíveis estão sendo empregados no combate a focos de incêndio no país.

REVISÃO DA VIDA TODA NO STF O GOVERNO VAI SAIR GANHANDO

 

História de Ana Carolina – IstoÉ Dinheiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai retomar nesta sexta-feira, 20, o julgamento de dois recursos contra a decisão da Corte que derrubou a possibilidade de revisão da vida toda de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O caso será julgado pelo plenário virtual entre hoje e 27 de setembro. O ministro Alexandre de Moraes cancelou o pedido de destaque feito em agosto para suspender o julgamento virtual e iniciar a deliberação no plenário físico.

Antes da suspensão, quatro ministros se manifestaram pela rejeição dos recursos apresentados pelo Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev) e a Confederação Nacional dos Trabalhadoras Metalúrgicos (CNTM). Entre os argumentos apresentados, as entidades defenderam que a revisão seja garantida para quem estava com processos na Justiça. Instâncias inferiores do Judiciário já garantiram o direito à revisão.

Além do relator, ministro Nunes Marques, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia votaram no mesmo sentido e negaram os recursos das entidades.

O começo da história

Até a reforma de 1999, o INSS levava em conta a média dos três últimos anos de contribuição do trabalhador para calcular o benefício de aposentadoria. O novo regime definiu que:

  • para quem já estava no sistema, seriam consideradas 80% das maiores contribuições;
  • para os segurados mais antigos, haveria uma regra de transição que excluía do cálculo os salários anteriores a julho de 1994;
  • os trabalhadores que passaram a contribuir depois da reforma entrariam em um regime que considera a média dos salários de todo o período segurado, sem especificar tempo, com o desconto do chamado fator previdenciário (cálculo que leva em conta a idade, o tempo de contribuição e a expectativa de vida na data da aposentadoria).

Em 1999, duas ações foram movidas na Justiça contra a mudança — uma por quatro partidos políticos (PT, PSB, PCdoB e PDT), outra pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos.

Quem se sentiu prejudicado, por ter feito boas contribuições antes desse marco, passou a pedir na Justiça que todos os salários, incluindo os anteriores a 1994, fossem considerados para o cálculo. Esse é o princípio da revisão da vida toda.

Entenda o julgamento

Então, em 2022, foi reconhecida a revisão da vida toda pelo STF, permitindo que aposentados que entraram na Justiça pudessem pedir o recálculo do benefício com base em todas as contribuições feitas ao longo da vida.

O STF reconheceu, naquele momento, que o beneficiário poderia optar pelo critério de cálculo que renda o maior valor mensal, cabendo ao aposentado avaliar se o cálculo de toda vida pode aumentar ou não o benefício.

Segundo o entendimento, a regra de transição feita pela Reforma da Previdência de 1999, que excluía as contribuições antecedentes a julho de 1994, quando o Plano Real foi implementado, poderia ser afastada caso fosse desvantajosa ao segurado.

Contudo, em 2023, o INSS entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão na chamada revisão da vida toda, que reconheceu o direito dos aposentados de optar pela regra previdenciária que lhes for mais favorável. O INSS alegou perdas bilionárias com a revisão dos benefícios, estimado em R$ 480 bilhões para as contas públicas.

A autarquia diz que a aplicação imediata da tese aprovada pelos ministros pode levar ao “colapso no atendimento dos segurados pelo INSS”, com pagamentos atrasados e maiores filas.

Em fevereiro, o INSS já pediu a suspensão dos processos alegando não ter condições de revisar os benefícios. Em resposta, o relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, solicitou o envio de um cronograma de pagamento para averiguar o planejamento da autarquia antes de conceder a suspensão.

Em março deste ano, em julgamento de recurso do governo contra o recálculo, o Supremo derrubou a possibilidade da ‘revisão da vida toda’ ao definir que o regime de transição para os contribuintes anteriores a 1994 é obrigatório.

A reviravolta ocorreu porque os ministros julgaram duas ações de inconstitucionalidade contra a Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/1991), e não o recurso extraordinário no qual os aposentados ganharam o direito à revisão.

Ao julgarem constitucional as regras previdenciárias de 1999, a maioria dos ministros entendeu que a regra de transição é obrigatória e não pode ser opcional aos aposentados conforme o cálculo mais benéfico. O placar do julgamento foi 7 votos a 4.

O julgamento agora é em relação aos segurados que já haviam conquistado o direito à revisão, e outro recurso do governo contra a metodologia.

GOVERNADORES RECLAMAM DO GOVERNO SOBRE ATRASO EM AÇÕES PARA EVITAR QUEIMADAS

História de Rebeca Borges, Marina Demori – CNN Brasil

Rui Costa rebate governadores sobre atraso em ações para evitar queimadas

Rui Costa rebate governadores sobre atraso em ações para evitar queimadas

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, rebateu, nesta quinta-feira (19), as críticas de governadores sobre o atraso do governo federal em tomar medidas para evitar os incêndios florestais que atingem a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado. “Estamos há três meses fazendo reuniões com os estados. Alguns governadores não vieram às reuniões anteriores. Estamos há três meses com o comitê reunido”, afirmou. A declaração foi feita após reunião com governadores e vice-governadores de dez estados e do Distrito Federal no Palácio do Planalto. “Se era necessário apoio ou recurso financeiro, deviam ter pedido três meses atrás”, disse Rui Costa. A fala do ministro foi feita após o governador do Goiás, Ronaldo Caiado (União), e de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), afirmarem que as ações não foram tomadas com celeridade. Ronaldo Caiado disse que o governo federal “não estava preparado” para lidar com as queimadas e que procrastinou as ações de prevenção. Caiado também defendeu a autonomia dos estados para editar medidas ambientais. “Desde quando Brasília vai saber resolver um problema lá no Nordeste Goiano, ou no Pará, ou no Tocantins, ou em qualquer lugar do Brasil? Precisamos parar com essa bobagem. Brasília não sabe governar o país. Isso é uma ineficiência completa” , disse Caiado. Já o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, disse acreditar que o crédito de R$ 514 milhões liberado pelo governo federal por meio de uma medida provisória (MP) não terá efeito imediato. ¨Todo mundo que conhece a administração pública sabe que se liberar hoje um recurso na conta de qualquer estado, dificilmente você consegue comprar veículos, comprar equipamento, alugar aeronaves para que em 15 dias tudo isso esteja funcionando. Embora nós tenhamos um regime de urgência e emergência que acelera os processos de contratação, eles precisam ser feitos com algum nível de critério e de transparência, seguindo o mínimo da burocracia pública¨, disse.  Reestruturação das Defesas Civis Durante a reunião, o ministro Rui Costa afirmou aos governadores que dialoga com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre uma reestruturação das Defesas Civis federal e estadual. A ideia, segundo Costa, é criar estruturas regionais em parceria com os consórcios de governos de cada região do país. “A ideia nossa é montar uma estrutura em parceria com os consórcios, equipar as regiões com aeronaves, com helicópteros, materiais e equipamentos. Uma força de Defesa Civil regional, que faria o pronto atendimento mais rápido, eficaz e com menor custo”, afirmou o ministro aos governadores. Medidas legislativas e ações para 2025 Ao fim da reunião, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), afirmou que sugeriu ao governo a construção, junto ao Congresso Nacional, de medidas para ampliar recursos para o enfrentamento das queimadas. “Inclusive, demonstrando o exemplo quando das cheias, do alagamento, desastres vivenciados no Rio Grande do Sul, em que se mobilizou em torno da solidariedade um volume de recursos para o processo de reconstrução do estado do Rio Grande do Sul”, afirmou Barbalho. O governador também falou sobre a aprovação de projetos legislativos para endurecer as penas para quem provoca incêndios criminosos. Ronaldo Caiado e Mauro Mendes também comentaram sobre o assunto. “Defendi que haja um endurecimento gigantesco da pena. No meu estado prendemos várias pessoas e, em poucas horas, eles foram liberados por audiência de custódia”, afirmou Mauro Mendes. De acordo com os governadores, os gestores estaduais apresentaram ao governo federal as ações e demandas de suas regiões para o combate aos incêndios. Também foram discutidas ações preventivas para evitar que a crise se repita em 2025. Segundo a ministra Marina Silva, até 15 de setembro, foram registrados 690 incêndios em todo o território nacional: 298 já foram extintos e cerca de 179 estão controlados. Outros 108 estão em situação de combate, e 106 ainda não têm nenhuma forma de contenção. Lula não participou da agenda O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre agendas no Maranhão e não participou do encontro. Além de Rui Costa e dos governadores, participaram da reunião os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça), Simone Tebet (Planejamento), Marina Silva (Meio Ambiente), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Além disso, o encontro teve presença de integrantes da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), do Consórcio de Governadores, do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), do Consórcio Nordeste e do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). Participaram do encontro os governadores: Helder Barbalho (Pará) Ronaldo Caiado (Goiás) Mauro Mendes (Mato Grosso) Wilson Lima (Amazonas) Gladson Cameli (Acre) Ibaneis Rocha (Distrito Federal) Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul) Wanderlei Barbosa (Tocantins) Antonio Denarium (Roraima) Sérgio Gonçalves (vice-governador de Rondônia) Antônio Pinheiro (vice-governador do Amapá)

 

CRÉDITOS DE CARBONO SÃO CERTIFICADOS QUE REPRESENTAM A REDUÇÃO OU REMOÇÃO DA ATMOSFERA UMA TONELADA DE DIÓXIDO DE CARBONO OU GASES DO EFEITO ESTUFA

 

História de JÉSSICA MAES – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – À medida que o tema da crise climática ganha mais tração ao redor do mundo, também vêm se popularizando mecanismos como o mercado de créditos de carbono. O tema é complexo, relativamente novo, e seu funcionamento pleno ainda carece de diferentes regulamentações, tanto em nível nacional quanto global.

Além disso, denúncias recentes de irregularidades vêm jogando dúvidas sobre a validade de contratos, que incluem suspeitas de grilagem e pressão sobre povos indígenas.

ENTENDA O QUE SÃO CRÉDITOS DE CARBONO

O que são créditos de carbono?

Créditos de carbono são certificados que representam a redução ou remoção da atmosfera de uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) —ou seja, uma tonelada de gases de efeito estufa.

O mecanismo foi concebido para que emissões de carbono, principalmente em setores onde cortes são mais difíceis, como aviação e construção civil, possam ser compensadas, por exemplo, com iniciativas de reflorestamento.

Como esse sistema funciona?

Projetos que reduzem emissões ou que capturam carbono, como de restauração florestal e de geração de energia limpa, se convertem em créditos representando a quantidade de gases que são evitados ou removidos da atmosfera.

Subida da taxa de carbono vai anular aquela que seria a maior descida dos combustíveis em seis meses

Esses créditos são certificados por entidades independentes, responsáveis por verificar a validade e robustez desses projetos.

As certificadoras devem ser capazes de assegurar que as reduções de emissões são reais, adicionais (que não teriam ocorrido sem o projeto) e permanentes (que não serão revertidas). A certificadora mais famosa do mundo é a Verra, com sede em Washington.

Depois de certificados, os créditos são cadastrados em sistemas específicos, como o Sinare (Sistema Nacional de Registro de Emissões) no Brasil. O objetivo é aumentar a transparência do processo e evitar a dupla contagem, que acontece quando o mesmo crédito está sendo usado por empresas ou governos diferentes.

Qual a diferença entre os mercados de carbono regulado e voluntário?

O ambiente de compra e venda desses créditos é chamado de mercado de carbono e é dividido em dois: o mercado regulado e o voluntário.

O mercado regulado é aquele estabelecido pelo Estado. Nele, governos estabelecem limites de emissões para diferentes setores da economia, definidos de acordo com a meta climática de cada país, estado ou município, e permitem que empresas comprem créditos para compensá-las.

Já no mercado voluntário, as próprias empresas e pessoas compram créditos de carbono espontaneamente, mesmo que não sejam obrigadas por lei.

Qual é a situação brasileira?

No Brasil, o mercado regulado de carbono ainda não existe, mas o tema vem sendo discutido no Congresso. Um projeto de lei para a criação do mecanismo foi aprovado no final do ano passado pela Câmara, mas ainda precisa passar pelo Senado.

Se aprovado sem muitas modificações pelos senadores, o texto segue para sanção presidencial e depois precisará ser regulamentado.

“Vai levar em torno de cinco a seis anos para que esse mercado seja totalmente operacionalizado via uma regulamentação”, estima Guarany Osório, professor e pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Pela redução aprovada na Câmara, o setor agropecuário —responsável por 27% das emissões de carbono do país, segundo o Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa)— não fará parte do mercado regulado e, portanto, não será obrigado a cortar emissões como parte do mecanismo.

Os mercados voluntários, por outro lado, estão em funcionamento no país. “Houve um certo crescimento da procura por crédito de carbono, porque as empresas têm metas de redução de emissão e elas podem usar [esse mecanismo] de forma complementar para cumprir essas metas”, diz o especialista.

Que dúvidas existem sobre a eficácia dos créditos de carbono como ferramenta climática?

Apesar de já serem adotados por diversos entes públicos e privados no mundo todo, há questionamentos sobre a eficácia dos créditos de carbono para frear o aquecimento global.

Algumas das questões mais básicas dizem respeito ao mecanismo, em si, como o fenômeno chamado de fuga de carbono. Ela ocorre quando empresas escolhem transferir suas operações para países ou regiões com regulamentações ambientais menos rígidas, em vez de seguir essas normas e reduzir suas emissões.

Além disso, os créditos de carbono deveriam funcionar como ferramenta complementar aos cortes de emissões associados à produção de bens e serviços (por exemplo, adotar fontes de energia limpa e métodos de produção mais eficientes). No entanto, muitas vezes a compra desse ativo é a principal estratégia adotada por empresas, que usam os créditos para evitar cortar emissões nas atividades.

E quanto às denúncias envolvendo créditos de carbono?

Outras preocupações dizem respeito à qualidade dos projetos certificados. Entre elas, a garantia de que os cortes de emissões são reais, adicionais e permanentes e sobre os impactos sociais e ambientais dos projetos.

Nos últimos anos, denúncias de fraudes e fragilidade de projetos de créditos de carbono vêm colocando mais dúvidas sobre o mecanismo.

Em janeiro de 2023, reportagens colocaram em cheque a reputação da Verra, uma das principais certificadoras do mundo. A análise indicou que mais de 90% de seus créditos de compensação em florestas tropicais não representam reduções reais de emissões. Após a publicação, a Verra anunciou que iria descontinuar sua metodologia e adotar novas práticas até 2025.

Outro exemplo é um caso brasileiro recente: a Polícia Federal investiga um suposto esquema de geração de créditos de carbono a partir da grilagem de terras públicas no Amazonas. A venda dos ativos gerados em cima de mais de 500 mil hectares de terras da União pode ter totalizado R$ 180 milhões.

Como os créditos de carbono são precificados?

O valor de um crédito de carbono no mercado voluntário pode variar significativamente de acordo com alguns critérios, como a natureza dos projetos (por exemplo, de prevenção de desmatamento ou adoção de fontes de energia limpa), a confiabilidade da certificadora e a segurança de investimento dos países onde eles são desenvolvidos.

“O preço do crédito de carbono que está sendo negociado no mercado voluntário vai ser formado de acordo com a oferta e demanda”, explica Osório. Ele acrescenta que, no final do ano passado, a média mundial do valor de um crédito de carbono neste mercado era de US$ 6 a US$ 7.

Já no mercado regulado, onde o ativo negociado são as licenças de emissão, os valores tendem a ser muito superiores. No mercado europeu, nesse mesmo período, a licença valia cerca de US$ 60, segundo dados do Banco Mundial. “Isso porque no ambiente regulado você tem uma [certeza da] continuidade desse mercado”, afirma o professor da FGV.

Mas também há variações entre os países. No caso chinês, por exemplo, a licença vale US$ 12 e, na Indonésia, US$ 0,61.

HOJE É COMEMORADO O DIA DO GAÚCHO E CELEBRA A REVOLUÇÃO FARROUPILHA

 

Entenda mais sobre a data que marcou a história do Rio Grande do Sul

Mariana Gulo

Nesta sexta-feira (20) é comemorado o Dia do Gaúcho, data que celebra a Revolução Farroupilha, ocorrida em 20 de setembro.

Dia do Gaúcho celebra a Revolução Farroupilha – Crédito: Freepik

O que aconteceu no dia 20 de Setembro?

No dia 20 de setembro começou a Revolução Farroupilha, organizada pela elite gaúcha. Na época, os gaúchos estavam descontentes com a política fiscal do governo brasileiro. Naquele período, o Rio Grande do Sul tinha um mercado significativo no comércio de charque (carne seca), e essa insatisfação estava ligada à cobrança de impostos feita pelo governo.

Leia Mais

O movimento se espalhou por diversas regiões do Rio Grande do Sul, trazendo consigo um desejo separatista do estado em relação ao Brasil. A revolução foi um levante regional contra o governo imperial do Brasil, que se estendeu por cerca de 10 anos. O conflito foi encerrado após a assinatura de um acordo de paz entre os lados envolvidos.

Festival Minas Tchê celebra Dia do Gaúcho

O Festival Minas Tchê preparou uma programação especial no Parque de Exposições do Camaru, em Uberlândia, para comemorar o Dia do Gaúcho no dia 20 de setembro. O evento contará com feiras, grupo de danças típicas e uma ampla variedade de produtos típicos do sul do país.

Às 20h00, o público poderá prestigiar uma apresentação especial do grupo de danças típicas Paixão Gaúcha, diretamente de Cruz Alta (RS). O grupo promete emocionar os visitantes com performances que remetem às raízes do sul, em um espetáculo de dança que exalta a cultura, os costumes e o espírito guerreiro do povo gaúcho. 

Evento terá programação especial para o Dia do Gaúcho — Crédito: Divulgação Minas Tchê

Além das atrações culturais, a Feira Minas Tchê continua oferecendo uma ampla variedade de produtos típicos do sul do país, como vinhos, queijos, doces caseiros, chocolates de Gramado, móveis coloniais e a tradicional moda couro. O público também poderá aproveitar o famoso fogo de chão com a Costela Gaúcha, outra atração que promete encantar os visitantes. 

 A feira segue até o próximo domingo, dia 22 de setembro, oferecendo a chance para o público de Uberlândia e região vivenciar o melhor da cultura gaúcha e, ao mesmo tempo, contribuir para a recuperação dos produtores do sul.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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