O Supremo Tribunal Federal (STF) vai retomar nesta sexta-feira, 20, o
julgamento de dois recursos contra a decisão da Corte que derrubou a
possibilidade de revisão da vida toda de aposentadorias do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS).
O caso será julgado pelo plenário virtual entre hoje e 27 de
setembro. O ministro Alexandre de Moraes cancelou o pedido de destaque
feito em agosto para suspender o julgamento virtual e iniciar a
deliberação no plenário físico.
Antes da suspensão, quatro ministros se manifestaram pela rejeição
dos recursos apresentados pelo Instituto de Estudos Previdenciários
(Ieprev) e a Confederação Nacional dos Trabalhadoras Metalúrgicos
(CNTM). Entre os argumentos apresentados, as entidades defenderam que a
revisão seja garantida para quem estava com processos na Justiça.
Instâncias inferiores do Judiciário já garantiram o direito à revisão.
Além do relator, ministro Nunes Marques, Cristiano Zanin, Flávio Dino
e Cármen Lúcia votaram no mesmo sentido e negaram os recursos das
entidades.
O começo da história
Até a reforma de 1999, o INSS levava em conta a média dos três
últimos anos de contribuição do trabalhador para calcular o benefício de
aposentadoria. O novo regime definiu que:
para quem já estava no sistema, seriam consideradas 80% das maiores contribuições;
para os segurados mais antigos, haveria uma regra de transição que excluía do cálculo os salários anteriores a julho de 1994;
os trabalhadores que passaram a contribuir depois da reforma
entrariam em um regime que considera a média dos salários de todo o
período segurado, sem especificar tempo, com o desconto do chamado fator
previdenciário (cálculo que leva em conta a idade, o tempo de
contribuição e a expectativa de vida na data da aposentadoria).
Em 1999, duas ações foram movidas na Justiça contra a mudança — uma
por quatro partidos políticos (PT, PSB, PCdoB e PDT), outra pela
Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos.
Quem se sentiu prejudicado, por ter feito boas contribuições antes
desse marco, passou a pedir na Justiça que todos os salários, incluindo
os anteriores a 1994, fossem considerados para o cálculo. Esse é o
princípio da revisão da vida toda.
Entenda o julgamento
Então, em 2022, foi reconhecida a revisão da vida toda pelo STF,
permitindo que aposentados que entraram na Justiça pudessem pedir o
recálculo do benefício com base em todas as contribuições feitas ao
longo da vida.
O STF reconheceu, naquele momento, que o beneficiário poderia optar
pelo critério de cálculo que renda o maior valor mensal, cabendo ao
aposentado avaliar se o cálculo de toda vida pode aumentar ou não o
benefício.
Segundo o entendimento, a regra de transição feita pela Reforma da
Previdência de 1999, que excluía as contribuições antecedentes a julho
de 1994, quando o Plano Real foi implementado, poderia ser afastada caso
fosse desvantajosa ao segurado.
Contudo, em 2023, o INSS entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão na
chamada revisão da vida toda, que reconheceu o direito dos aposentados
de optar pela regra previdenciária que lhes for mais favorável. O INSS
alegou perdas bilionárias com a revisão dos benefícios, estimado em R$
480 bilhões para as contas públicas.
A autarquia diz que a aplicação imediata da tese aprovada pelos
ministros pode levar ao “colapso no atendimento dos segurados pelo
INSS”, com pagamentos atrasados e maiores filas.
Em fevereiro, o INSS já pediu a suspensão dos processos alegando não
ter condições de revisar os benefícios. Em resposta, o relator da ação,
ministro Alexandre de Moraes, solicitou o envio de um cronograma de
pagamento para averiguar o planejamento da autarquia antes de conceder a
suspensão.
Em março deste ano, em julgamento de recurso do governo contra o recálculo, o Supremo derrubou a possibilidade da ‘revisão da vida toda’ ao definir que o regime de transição para os contribuintes anteriores a 1994 é obrigatório.
A reviravolta ocorreu porque os ministros julgaram duas ações de
inconstitucionalidade contra a Lei dos Planos de Benefícios da
Previdência Social (Lei 8.213/1991), e não o recurso extraordinário no
qual os aposentados ganharam o direito à revisão.
Ao julgarem constitucional as regras previdenciárias de 1999, a
maioria dos ministros entendeu que a regra de transição é obrigatória e
não pode ser opcional aos aposentados conforme o cálculo mais benéfico. O
placar do julgamento foi 7 votos a 4.
O julgamento agora é em relação aos segurados que já haviam
conquistado o direito à revisão, e outro recurso do governo contra a
metodologia.
História de Rebeca Borges, Marina Demori – CNN Brasil
Rui Costa rebate governadores sobre atraso em ações para evitar queimadas
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, rebateu, nesta quinta-feira
(19), as críticas de governadores sobre o atraso do governo federal em
tomar medidas para evitar os incêndios florestais que atingem a
Amazônia, o Pantanal e o Cerrado. “Estamos há três meses fazendo
reuniões com os estados. Alguns governadores não vieram às reuniões
anteriores. Estamos há três meses com o comitê reunido”, afirmou. A
declaração foi feita após reunião com governadores e vice-governadores
de dez estados e do Distrito Federal no Palácio do Planalto. “Se era
necessário apoio ou recurso financeiro, deviam ter pedido três meses
atrás”, disse Rui Costa. A fala do ministro foi feita após o governador
do Goiás, Ronaldo Caiado (União), e de Mato Grosso, Mauro Mendes
(União), afirmarem que as ações não foram tomadas com celeridade.
Ronaldo Caiado disse que o governo federal “não estava preparado” para
lidar com as queimadas e que procrastinou as ações de prevenção. Caiado
também defendeu a autonomia dos estados para editar medidas ambientais.
“Desde quando Brasília vai saber resolver um problema lá no Nordeste
Goiano, ou no Pará, ou no Tocantins, ou em qualquer lugar do Brasil?
Precisamos parar com essa bobagem. Brasília não sabe governar o país.
Isso é uma ineficiência completa” , disse Caiado. Já o governador de
Mato Grosso, Mauro Mendes, disse acreditar que o crédito de R$ 514
milhões liberado pelo governo federal por meio de uma medida provisória
(MP) não terá efeito imediato. ¨Todo mundo que conhece a administração
pública sabe que se liberar hoje um recurso na conta de qualquer estado,
dificilmente você consegue comprar veículos, comprar equipamento,
alugar aeronaves para que em 15 dias tudo isso esteja funcionando.
Embora nós tenhamos um regime de urgência e emergência que acelera os
processos de contratação, eles precisam ser feitos com algum nível de
critério e de transparência, seguindo o mínimo da burocracia pública¨,
disse. Reestruturação das Defesas Civis Durante a reunião, o ministro
Rui Costa afirmou aos governadores que dialoga com o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre uma reestruturação das
Defesas Civis federal e estadual. A ideia, segundo Costa, é criar
estruturas regionais em parceria com os consórcios de governos de cada
região do país. “A ideia nossa é montar uma estrutura em parceria com os
consórcios, equipar as regiões com aeronaves, com helicópteros,
materiais e equipamentos. Uma força de Defesa Civil regional, que faria o
pronto atendimento mais rápido, eficaz e com menor custo”, afirmou o
ministro aos governadores. Medidas legislativas e ações para 2025 Ao fim
da reunião, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), afirmou que
sugeriu ao governo a construção, junto ao Congresso Nacional, de medidas
para ampliar recursos para o enfrentamento das queimadas. “Inclusive,
demonstrando o exemplo quando das cheias, do alagamento, desastres
vivenciados no Rio Grande do Sul, em que se mobilizou em torno da
solidariedade um volume de recursos para o processo de reconstrução do
estado do Rio Grande do Sul”, afirmou Barbalho. O governador também
falou sobre a aprovação de projetos legislativos para endurecer as penas
para quem provoca incêndios criminosos. Ronaldo Caiado e Mauro Mendes
também comentaram sobre o assunto. “Defendi que haja um endurecimento
gigantesco da pena. No meu estado prendemos várias pessoas e, em poucas
horas, eles foram liberados por audiência de custódia”, afirmou Mauro
Mendes. De acordo com os governadores, os gestores estaduais
apresentaram ao governo federal as ações e demandas de suas regiões para
o combate aos incêndios. Também foram discutidas ações preventivas para
evitar que a crise se repita em 2025. Segundo a ministra Marina Silva,
até 15 de setembro, foram registrados 690 incêndios em todo o território
nacional: 298 já foram extintos e cerca de 179 estão controlados.
Outros 108 estão em situação de combate, e 106 ainda não têm nenhuma
forma de contenção. Lula não participou da agenda O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) cumpre agendas no Maranhão e não participou do
encontro. Além de Rui Costa e dos governadores, participaram da reunião
os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça), Simone Tebet
(Planejamento), Marina Silva (Meio Ambiente), Waldez Góes (Integração e
Desenvolvimento Regional), Alexandre Padilha (Relações Institucionais),
Além disso, o encontro teve presença de integrantes da Frente Nacional
de Prefeitos (FNP), da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), do
Consórcio de Governadores, do Consórcio de Integração Sul e Sudeste
(Cosud), do Consórcio Nordeste e do Banco Nacional do Desenvolvimento
(BNDES). Participaram do encontro os governadores: Helder Barbalho
(Pará) Ronaldo Caiado (Goiás) Mauro Mendes (Mato Grosso) Wilson Lima
(Amazonas) Gladson Cameli (Acre) Ibaneis Rocha (Distrito Federal)
Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul) Wanderlei Barbosa (Tocantins)
Antonio Denarium (Roraima) Sérgio Gonçalves (vice-governador de
Rondônia) Antônio Pinheiro (vice-governador do Amapá)
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – À medida que o tema da crise climática
ganha mais tração ao redor do mundo, também vêm se popularizando
mecanismos como o mercado de créditos de carbono. O tema é complexo,
relativamente novo, e seu funcionamento pleno ainda carece de diferentes
regulamentações, tanto em nível nacional quanto global.
Além disso, denúncias recentes de irregularidades vêm jogando dúvidas
sobre a validade de contratos, que incluem suspeitas de grilagem e
pressão sobre povos indígenas.
ENTENDA O QUE SÃO CRÉDITOS DE CARBONO
O que são créditos de carbono?
Créditos de carbono são certificados que representam a redução ou
remoção da atmosfera de uma tonelada de dióxido de carbono equivalente
(tCO2e) ou seja, uma tonelada de gases de efeito estufa.
O mecanismo foi concebido para que emissões de carbono,
principalmente em setores onde cortes são mais difíceis, como aviação e
construção civil, possam ser compensadas, por exemplo, com iniciativas
de reflorestamento.
Como esse sistema funciona?
Projetos que reduzem emissões ou que capturam carbono, como de
restauração florestal e de geração de energia limpa, se convertem em
créditos representando a quantidade de gases que são evitados ou
removidos da atmosfera.
Subida da taxa de carbono vai anular aquela que seria a maior descida dos combustíveis em seis meses
Esses créditos são certificados por entidades independentes, responsáveis por verificar a validade e robustez desses projetos.
As certificadoras devem ser capazes de assegurar que as reduções de
emissões são reais, adicionais (que não teriam ocorrido sem o projeto) e
permanentes (que não serão revertidas). A certificadora mais famosa do
mundo é a Verra, com sede em Washington.
Depois de certificados, os créditos são cadastrados em sistemas
específicos, como o Sinare (Sistema Nacional de Registro de Emissões) no
Brasil. O objetivo é aumentar a transparência do processo e evitar a
dupla contagem, que acontece quando o mesmo crédito está sendo usado por
empresas ou governos diferentes.
Qual a diferença entre os mercados de carbono regulado e voluntário?
O ambiente de compra e venda desses créditos é chamado de mercado de
carbono e é dividido em dois: o mercado regulado e o voluntário.
O mercado regulado é aquele estabelecido pelo Estado. Nele, governos
estabelecem limites de emissões para diferentes setores da economia,
definidos de acordo com a meta climática de cada país, estado ou
município, e permitem que empresas comprem créditos para compensá-las.
Já no mercado voluntário, as próprias empresas e pessoas compram
créditos de carbono espontaneamente, mesmo que não sejam obrigadas por
lei.
Qual é a situação brasileira?
No Brasil, o mercado regulado de carbono ainda não existe, mas o tema
vem sendo discutido no Congresso. Um projeto de lei para a criação do
mecanismo foi aprovado no final do ano passado pela Câmara, mas ainda
precisa passar pelo Senado.
Se aprovado sem muitas modificações pelos senadores, o texto segue
para sanção presidencial e depois precisará ser regulamentado.
“Vai levar em torno de cinco a seis anos para que esse mercado seja
totalmente operacionalizado via uma regulamentação”, estima Guarany
Osório, professor e pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade
da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Pela redução aprovada na Câmara, o setor agropecuário responsável
por 27% das emissões de carbono do país, segundo o Seeg (Sistema de
Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) não fará parte do
mercado regulado e, portanto, não será obrigado a cortar emissões como
parte do mecanismo.
Os mercados voluntários, por outro lado, estão em funcionamento no
país. “Houve um certo crescimento da procura por crédito de carbono,
porque as empresas têm metas de redução de emissão e elas podem usar
[esse mecanismo] de forma complementar para cumprir essas metas”, diz o
especialista.
Que dúvidas existem sobre a eficácia dos créditos de carbono como ferramenta climática?
Apesar de já serem adotados por diversos entes públicos e privados no
mundo todo, há questionamentos sobre a eficácia dos créditos de carbono
para frear o aquecimento global.
Algumas das questões mais básicas dizem respeito ao mecanismo, em si,
como o fenômeno chamado de fuga de carbono. Ela ocorre quando empresas
escolhem transferir suas operações para países ou regiões com
regulamentações ambientais menos rígidas, em vez de seguir essas normas e
reduzir suas emissões.
Além disso, os créditos de carbono deveriam funcionar como ferramenta
complementar aos cortes de emissões associados à produção de bens e
serviços (por exemplo, adotar fontes de energia limpa e métodos de
produção mais eficientes). No entanto, muitas vezes a compra desse ativo
é a principal estratégia adotada por empresas, que usam os créditos
para evitar cortar emissões nas atividades.
E quanto às denúncias envolvendo créditos de carbono?
Outras preocupações dizem respeito à qualidade dos projetos
certificados. Entre elas, a garantia de que os cortes de emissões são
reais, adicionais e permanentes e sobre os impactos sociais e ambientais
dos projetos.
Nos últimos anos, denúncias de fraudes e fragilidade de projetos de
créditos de carbono vêm colocando mais dúvidas sobre o mecanismo.
Em janeiro de 2023, reportagens colocaram em cheque a reputação da
Verra, uma das principais certificadoras do mundo. A análise indicou que
mais de 90% de seus créditos de compensação em florestas tropicais não
representam reduções reais de emissões. Após a publicação, a Verra
anunciou que iria descontinuar sua metodologia e adotar novas práticas
até 2025.
Outro exemplo é um caso brasileiro recente: a Polícia Federal
investiga um suposto esquema de geração de créditos de carbono a partir
da grilagem de terras públicas no Amazonas. A venda dos ativos gerados
em cima de mais de 500 mil hectares de terras da União pode ter
totalizado R$ 180 milhões.
Como os créditos de carbono são precificados?
O valor de um crédito de carbono no mercado voluntário pode variar
significativamente de acordo com alguns critérios, como a natureza dos
projetos (por exemplo, de prevenção de desmatamento ou adoção de fontes
de energia limpa), a confiabilidade da certificadora e a segurança de
investimento dos países onde eles são desenvolvidos.
“O preço do crédito de carbono que está sendo negociado no mercado
voluntário vai ser formado de acordo com a oferta e demanda”, explica
Osório. Ele acrescenta que, no final do ano passado, a média mundial do
valor de um crédito de carbono neste mercado era de US$ 6 a US$ 7.
Já no mercado regulado, onde o ativo negociado são as licenças de
emissão, os valores tendem a ser muito superiores. No mercado europeu,
nesse mesmo período, a licença valia cerca de US$ 60, segundo dados do
Banco Mundial. “Isso porque no ambiente regulado você tem uma [certeza
da] continuidade desse mercado”, afirma o professor da FGV.
Mas também há variações entre os países. No caso chinês, por exemplo, a licença vale US$ 12 e, na Indonésia, US$ 0,61.
Nesta sexta-feira (20) é comemorado o Dia do Gaúcho, data que celebra a Revolução Farroupilha, ocorrida em 20 de setembro.
Dia do Gaúcho celebra a Revolução Farroupilha – Crédito: Freepik
O que aconteceu no dia 20 de Setembro?
No dia 20 de setembro começou a Revolução Farroupilha, organizada
pela elite gaúcha. Na época, os gaúchos estavam descontentes com a
política fiscal do governo brasileiro. Naquele período, o Rio Grande do
Sul tinha um mercado significativo no comércio de charque (carne seca), e
essa insatisfação estava ligada à cobrança de impostos feita pelo
governo.
Leia Mais
O movimento se espalhou por diversas regiões do Rio Grande do Sul,
trazendo consigo um desejo separatista do estado em relação ao Brasil. A
revolução foi um levante regional contra o governo imperial do Brasil,
que se estendeu por cerca de 10 anos. O conflito foi encerrado após a
assinatura de um acordo de paz entre os lados envolvidos.
Festival Minas Tchê celebra Dia do Gaúcho
O Festival Minas Tchê
preparou uma programação especial no Parque de Exposições do Camaru, em
Uberlândia, para comemorar o Dia do Gaúcho no dia 20 de setembro. O
evento contará com feiras, grupo de danças típicas e uma ampla variedade
de produtos típicos do sul do país.
Às 20h00, o público poderá prestigiar uma apresentação especial do
grupo de danças típicas Paixão Gaúcha, diretamente de Cruz Alta (RS). O
grupo promete emocionar os visitantes com performances que remetem às
raízes do sul, em um espetáculo de dança que exalta a cultura, os
costumes e o espírito guerreiro do povo gaúcho.
Evento terá programação especial para o Dia do Gaúcho — Crédito: Divulgação Minas Tchê
Além das atrações culturais, a Feira Minas Tchê continua oferecendo
uma ampla variedade de produtos típicos do sul do país, como vinhos,
queijos, doces caseiros, chocolates de Gramado, móveis coloniais e a
tradicional moda couro. O público também poderá aproveitar o famoso fogo
de chão com a Costela Gaúcha, outra atração que promete encantar os
visitantes.
A feira segue até o próximo domingo, dia 22 de setembro, oferecendo a
chance para o público de Uberlândia e região vivenciar o melhor da
cultura gaúcha e, ao mesmo tempo, contribuir para a recuperação dos
produtores do sul.
Através de um framework, Piero Franceschi, sócio da StartSe, explica
as diferenças entre ter um mindset fixo e ter um mindset de crescimento.
(Infográfico Piero Franceschi)
Nos últimos anos, o termo “mindset” tem ocupado cada vez mais espaço
nas conversas e nos estudos sobre desenvolvimento pessoal. Num bom
português, ele se refere ao “modelo mental” de cada indivíduo, ou seja, a maneira como a nossa mente estrutura nossos pensamentos, ações e palavras. É o código interno que molda nossas atitudes e expectativas em relação à realidade que nos cerca.
Como diz o ditado: “Você não vê o mundo como ele é, você o vê com quem você é”.
Em um mundo em constante transformação, tornou-se evidente que a forma como pensamos e agimos está diretamente ligada aos resultados que alcançamos. Nesse contexto, muito se tem falado sobre o conceito de “growth mindset” ou, em português, “mindset de crescimento”.
Pessoalmente, não sou muito fã do livro que popularizou o termo, mas o
li e fiz minha própria interpretação do assunto, que compartilho no
infográfico de hoje.
Acredito que alguém com um mindset de crescimento está sempre aberto ao novo, às descobertas, ao risco, ao erro e ao aprendizado. Essa pessoa genuinamente acredita nas possibilidades e na abundância de perspectivas.
Por outro lado, alguém dominado por um mindset fixo tende a valorizar a estabilidade, o previsível, o óbvio, o pequeno e o controlado. Eles acreditam que as coisas devempermanecer como estão e, por isso, podem ser vistos como egoístas e mesquinhos.
Realmente, não parece haver muita escolha aqui. O mindset fixo é como
um adesivo pegajoso que nos prende e nos torna lentos. É um obstáculo.
Portanto, é fundamental nos libertarmos dele.
Leitura recomendada
Piero Franceschi, sócio da StartSe e co-autor do bestseller
“Organizações Infinitas”, tem 20 anos de experiência em Marketing,
Estratégia e Inovação em posições de liderança de grandes empresas como
Bauducco, Danone, Diageo e Pearson. Quer contratar a palestra do
executivo para a sua empresa?
Mindset correto é o que vai fazer você alcançar (ou não) o sucesso
Junior Borneli, co-fundador do StartSe
Mulher negra e sorridente segurando um IPad e olhando para frente (Fonte: Getty Images)
Mindset é a sua programação mental, é como você encara tudo que está ao teu redor
Mindset. Você já ouviu essa palavinha algumas vezes aqui no StartSe.
Ela é importante, talvez uma das coisas mais importantes para “chegar
lá” (seja lá onde for que você quiser chegar).
É sua habilidade de pensar o que você precisa para ter sucesso. E
como a maioria das coisas que você possui dentro de você, ela é uma
espécie de programação do seu ser. Tanto que é possível que você adquira
outro mindset durante a vida, convivendo com as pessoas corretas,
conhecendo culturas diferentes.
Algumas pessoas dizem que é isso das pessoas que faz o Vale do
Silício ser a região mais inovadora do mundo. Eu, pessoalmente, não
duvido. Fato é: você precisa de ter a cabeça no lugar certo, pois a
diferença entre um mindset vencedor e um perdedor é o principal fator
entre fracasso e sucesso.
Para isso, é importante você começar do ponto inicial: um objetivo.
“Todo empreendedor precisa ter um objetivo. Acordar todos os dias e
manter-se firme no propósito de fazer o máximo possível para chegar lá é
fundamental”, diz Junior Borneli, co-fundador do StartSe e uma das
pessoas mais entendidas de mindset no ecossistema brasileiro.
De lá, é importante você fazer o máximo que puder e não perder o
foco, mantendo-se firme. “Não importa se no final do dia deu tudo certo
ou errado. O importante é ter a certeza de que você fez tudo o que foi
possível para o melhor resultado”, avisa.
Com a atitude certa, é capaz que você sempre consiga canalizar as
coisas como positivas. “Você sempre tem duas formas de olhar um a mesma
situação: aquela em que você se coloca como um derrotado e a outra onde
você vê os desafios como oportunidades. Escolha sempre o melhor lado das
coisas, isso fará com que sua jornada seja mais leve”, alerta o
empreendedor.
Esses tipo de sentimento abre espaço para uma característica
importantíssima dos principais empreendedores: saber lidar com grandes
adversidades. “Um ponto em comum na maioria os empreendedores de sucesso
é a superação”, destaca Junior Borneli.
Saber lidar com essas adversidades vai impedir que você pare no
primeiro problema (ou falência) que aparecer na sua frente. “São muito
comuns as histórias de grandes empresários que faliram várias vezes,
receberam diversos ‘nãos’ e só venceram porque foram persistentes”,
afirma.
É importante ter esse mindset resiliente, pois, nem sempre tudo será
fácil para você – na verdade, quase nunca será. “Empreender é, na maior
parte do tempo, algo muito doloroso. Até conseguir algum resultado
expressivo o empreendedor passa por muitos perrengues. A imensa maioria
fica pelo caminho”, diz.
É como uma luta de boxe, onde muitas vezes, para ganhar, você terá
que apanhar e apanhar e apanhar até conseguir desferir o golpe (ou a
sequência) certo. “Na minha opinião, não há melhor frase que defina a
trajetória de um empreendedor de sucesso do que aquela dita por Rocky
Balboa, no cinema: ‘não importa o quanto você bate, mas sim o quanto
aguenta apanhar e continuar. É assim que se ganha’”, ilustra.
O problema talvez seja que alguns aspectos do empreendedorismo tenham
glamour demais. “Empreender não é simplesmente ter uma mesa com
super-heróis e uma parede cheia de post-its coloridos. Você vive numa
espécie de montanha russa de emoções, onde de manhã você é ‘o cara’ e à
tarde não tem dinheiro pro café”, salienta.
Vale a pena, porém, perseverar neste caminho. “Para aqueles que são
persistentes e têm foco, a jornada será difícil, mas o retorno fará
valer a pena!,” destaca o empreendedor.
DERROTA TAMBÉM ENSINA
Um ponto importante do sucesso é saber lidar com o fracasso e, de lá,
tomar algumas lições para sair mais forte ainda. “Toda derrota nos
ensina algumas lições e assim nos tornamos mais fortes a cada nova
tentativa. A cultura do fracasso, aqui no Brasil, é muito diferente dos
Estados Unidos”, afirma Junior.
No Vale do Silício, falhar é encarado algo bom, na verdade – e
aumenta suas chances de sucesso futuro. “Por lá, empreendedor que já
falhou tem mais chances de receber investimentos porque mostrou
capacidade de reação e aprendeu com os erros”, conta o empreendedor.
Mas ao pensar sobre fracasso, você precisa ter o filtro correto para
não deixar a ideia escapar. “Encarar os erros como ensinamentos e
entender que falhar é parte do jogo torna as coisas mais fáceis e
suportáveis”, salienta.
Foco é a palavra de ordem para você conseguir alcançar os objetivos
traçados no caminho, mesmo que em alguns momentos pareça que está tudo
dando errado. “Por fim, buscar o equilíbrio mental e o foco são
fundamentais. Nas vitórias, tendemos a nos render à vaidade e ao
orgulho. E nas derrotas nos entregamos ao desânimo e a depressão.
Mentalize seus objetivos, foque nos caminhos que vão leva-lo até eles e
siga firme em frente”, afirma.
É importante que você tenha noção de que para ser uma exceção, você
não pode pensar da maneira comodista que a maior parte das pessoas. “Se
você quer chegar onde poucos chegaram, precisará fazer o que poucos têm
coragem e disposição para fazer”, completa.
O “não” do cliente a uma proposta. Por quê?
Moysés Peruhype Carlech
Fiquei pensando e ao mesmo tempo preocupado com o seu “não”,
sem nenhuma explicação, à nossa proposta de divulgação da sua loja e de
resto todas as lojas dessa cidade no Site da nossa Plataforma Comercial
da Startup Valeon.
Esse “não” quer dizer, estou cheio de compromissos para fazer
pagamentos mensais, não estou faturando o suficiente para cobrir as
minhas despesas, a minha loja está vendendo pouco e ainda me vem mais
uma “despesa” de publicidade da Startup Valeon?
Pergunto: como vou comprar na sua loja? Se não sei qual é a
sua localização aí no seu domicílio? Quais os produtos que você
comercializa? Se tem preços competitivos? Qual a sua interação online
com os seus clientes? Qual o seu telefone de contato? Qual é o seu
WhatsApp?
Hoje em dia, os compradores não têm tempo suficiente para
ficarem passeando pelos Bairros e Centros da Cidade, vendo loja por loja
e depois fazendo a decisão de compra, como antigamente.
A pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao
mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para
sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em
Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para
enfrentar a crise. Com o fechamento do comércio durante as medidas de
isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos
hábitos para poder continuar efetuando suas compras. Em vez de andar
pelos corredores dos shoppings centers, bairros e centros da cidade,
durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar
por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que
tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa
barreira. Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio
também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.
É importante você divulgar a sua loja na internet com a ajuda
do Site da Startup Valeon, que no caso não é uma despesa a mais e sim
um investimento para alavancar as suas vendas. Desse modo, o seu
processo de vendas fica muito mais profissional, automatizado e
eficiente. Além disso, é possível a captação de potenciais compradores e
aumentar o engajamento dos seus clientes.
Não adianta pensar dessa forma: “Eu faço assim há anos e deu
certo, porque eu deveria fazer diferente? Eu sei o que preciso fazer”. –
Se você ainda pensa assim, essa forma de pensar pode representar um
grande obstáculo para o crescimento do seu negócio, porque o que trouxe
você até aqui é o que você já sabe e não será o que levará você para o
próximo nível de transformação.
O que funcionava antes não necessariamente funcionará no
futuro, porque o contesto está mudando cada vez mais rápido, as formas
como os negócios estão acontecendo são diferentes, os comportamentos dos
consumidores está se alterando, sem contar que estão surgindo novas
tecnologias, como a da Startup Valeon, que vão deixar para trás tudo
aquilo que é ineficiente.
Aqui, na Startup Valeon, nós sempre questionamos as formas de
pensar e nunca estamos totalmente satisfeitos com o que sabemos
justamente por entender que precisamos estar sempre dispostos a conhecer
e aprender com o novo, porque ele será capaz de nos levar para onde
queremos estar.
Mas, para isso acontecer, você precisa estar disposto a
absorver novas formas de pensar também e não ficar amarrado só ao que
você já sabe.
Se este for seu caso, convido você a realizar seu novo começo
por meio da nossa forma de anunciar e propagar a sua empresa na
internet.
Todos eles foram idealizados para você ver o seu negócio e a
sua carreira de uma forma completamente diferente, possibilitando levar
você para o próximo nível.
Aproveite essa oportunidade para promover a sua próxima transformação de vendas através do nosso site.
Então, espero que o seu “não” seja uma provocação dizendo para nós da Startup Valeon – “convença-me”.
História de Amanda Pupo e Lavínia Kaucz – Jornal Estadão
BRASÍLIA – Soma R$ 136,1 bilhões o impacto que os Estados que ajustaram seus regimes previdenciários terão de arcar se o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a derrubada de um dos trechos da reforma aprovada pelo Congresso em 2019.
Embora o julgamento esteja suspenso, a maioria dos ministros já votou
para invalidar a ampliação da base de cálculo da contribuição
previdenciária dos aposentados e pensionistas, adotada até o momento por
13 unidades da Federação. Como o Estadão/Broadcast revelou na
terça-feira, 17, no caso da União, se o governo ficar impedido de
acionar esse gatilho, perderá a chance de reduzir o déficit atuarial do Regime Próprio da Previdência Social (RPPS) em R$ 55,1 bilhões.
A bomba fiscal para os Estados, cujos regimes próprios já são em sua
maioria deficitários, foi alertada em memorial ao STF escrito pelo
Colégio Nacional de Procuradores Gerais dos Estados e do Distrito
Federal (Conpeg), ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso. No
documento, os Estados pedem que o Supremo declare a constitucionalidade
da reforma da Previdência. “Em vários Estados, a reforma da previdência
estadual representa a fonte mais importante de economia fiscal no longo
prazo.”
A preocupação com as contas levou governadores a procurar os
ministros pessoalmente. Em 21 de agosto, data do memorial do Conpeg, os
chefes do Executivo de dez Estados realizaram um “périplo” pelos
gabinetes para apresentar os impactos e tentar reverter a maioria
formada para derrubar trechos da reforma.
Risco de colapso nas contas
Com o placar desfavorável, de seis votos, sobre a ampliação da base
de cálculo, as unidades da Federação argumentam que a regra ameaçada
evita que os regimes de Previdência dos Estados entrem em colapso. E o
risco não se limita a isso. Segundo o Conpeg, se o trecho for derrubado,
vários Estados experimentarão “imediato extrapolamento” do limite de
gastos com pessoal. Por exemplo, a reversão da reforma já realizada por
Mato Grosso do Sul o coloca “imediatamente” no limite de alerta.
Reforma da Previdência, aprovada pelo Congresso em 2019, motiva ações em discussão no STF Foto: Gabriela Biló/Estadão
A situação financeira dos Estados é objeto de preocupação não só dos
governadores, mas também da União, que com frequência precisa socorrer
as administrações locais. É o caso do projeto de renegociação da dívida desses entes, que, segundo especialistas, vai aumentar a dívida pública.
Analisando a situação de 21 entes federativos, o Conpeg chamou
atenção ao fato de que mais de 80% possuem déficit previdenciário e
quase 25% do total é superior a 10% da Receita Corrente Líquida (RCL).
Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro estão na situação mais delicada pois
destinam mais de 25% da RCL unicamente para custeio dos sistemas
previdenciários.
Entenda o que pode ser revertido
O caso gaúcho também é destacado porque foi um dos que mais reduziram
o piso que alcança a contribuição dos inativos. Ou seja, uma parte dos
servidores inativos e pensionistas que não contribuía com o regime
passou a contribuir com alíquotas a partir de 9%. Por isso, se a regra
de ampliação da base de cálculo for derrubada, haverá um impacto
atuarial na Previdência do Estado de R$ 57,860 bilhões — o maior da
lista. Já o impacto financeiro anual é de R$ 1,118 bilhão. A soma dos
efeitos financeiros no período de um ano é de R$ 5,1 bilhões para todos
os entes que acionaram este gatilho.
O segundo Estado que seria mais impactado é o Piauí, com perda
atuarial de R$ 12,9 bilhões. Em seguida vem o Distrito Federal, com R$
12,7 bilhões. A planilha foi formulada pelo Comitê Nacional dos
Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).
Também ampliaram a base de cálculo Minas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato
Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rondônia e Santa Catarina. Para o
Rio Grande do Norte, que está entre os 13 Estados que aderiram à regra,
não há indicação de impactos.
Minas e o Rio Grande do Sul adotaram ainda a alíquota progressiva,
igualmente questionada no STF. Nesse caso, o julgamento está empatado. A
norma foi adotada também em São Paulo e em Roraima. Se o trecho for
considerado derrubado, o impacto financeiro anual para os Estados será
de R$ 1,7 bilhão, com efeito de R$ 30,3 bilhões em termos atuariais. No
caso da União, como revelou o Estadão/Broadcast, a eventual
derrubada desse trecho pode aumentar o déficit atuarial do Regime
Próprio de Previdência Social (RPPS) em R$ 73,8 bilhões.
No Rio Grande do Sul, há uma situação isolada em que a adoção dessa
regra reduziu a arrecadação previdenciária. A medida foi tomada como uma
forma de justiça social por tributar mais de quem ganha mais, apontou o
Conpeg. “Conquanto a progressividade das alíquotas tenha o potencial de
conferir efetividade e refinamento ao princípio da capacidade
contributiva e represente importante elemento de justiça fiscal, o
impacto orçamentário e atuarial de tal medida não é suficiente para
superar, por exemplo, o déficit do regime próprio do RS”, observou o
colegiado para destacar a importância da regra de ampliação da base de
cálculo.
História de Cícero Cotrim e Célia Froufe – Jornal Estadão
BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou nesta quarta-feira, 18, a taxa básica de juros, a Selic,
em 0,25 ponto porcentual, para 10,75% ao ano. A decisão foi unânime.
Esta é a primeiro alta de juros no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um ferrenho crítico do aumento das taxas. O último aumento da taxa havia sido em 3 de agosto de 2022.
Segundo o comunicado do Copom, o aumento da taxa se deu por um
cenário marcado por resiliência na atividade, pressões no mercado de
trabalho, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas
– ou seja, fora da meta.
O colegiado ainda deixou a porta aberta para um possível aumento de
maior magnitude na próxima reunião. “O ritmo de ajustes futuros na taxa
de juros e a magnitude total do ciclo ora iniciado serão ditados pelo
firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerão da
evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais
sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de
inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do
balanço de riscos”, diz o texto.
A alta de juros era a aposta majoritária do mercado: 53 de 61 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast. Seis casas previam manutenção do juro e duas apostavam em elevação de 0,50 ponto da Selic.
O aumento da Selic ocorre após duas reuniões em que o colegiado optou
pela manutenção da taxa. A estagnação dos juros, por sua vez, se deu
após um ciclo de sete baixas que se estendeu até maio.
O último aumento da Selic havia sido em 3 de agosto de 2022. Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Esta é a primeira reunião do Copom desde que Galípolo foi indicado à
presidência do BC. Ele será sabatinado na Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE) do Senado Federal no dia 8 de outubro, logo após o
primeiro turno das eleições municipais. Caso seja aprovado na comissão e
no plenário do Senado, fará a transição do comando da autoridade
monetária num cenário de elevação de juros.
Fiscal
O Copom repetiu as mesmas considerações sobre a política fiscal que
já estavam presentes no seu comunicado anterior, de julho, quando
afirmou que as contas públicas têm impacto nos juros via ancoragem das
expectativas de inflação e prêmios de risco.
“O comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a
sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas
de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos
financeiros, consequentemente impactando a política monetária”, afirmou o
colegiado.
Os membros do Copom reafirmaram que “monitoram com atenção” a forma
como os desenvolvimentos recentes da política fiscal afetam a política
monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes sobre as
contas públicas, eles destacaram, tem afetado tanto as expectativas como
os preços de ativos.
Juro real
Com a decisão de alta de 0,25 ponto de hoje, o juro real – descontada
a inflação prevista para os próximos 12 meses – do Brasil está em
7,33%, segundo levantamento do site MoneyYou. O País está atrás apenas da Rússia (9,05%).
A média das 40 economias pesquisadas é de 0,63%. Segundo o BC, o juro
neutro brasileiro, que não acelera nem alivia a inflação, é de 4,75%.
Pela primeira vez nos últimos meses, o Copom avaliou que o balanço de
riscos para seus cenários prospectivos para a inflação está assimétrico
para cima. Entre os riscos de alta, conforme comunicado, está uma
desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado.
O colegiado também apontou como risco de alta uma maior resiliência
na inflação de serviços do que a projetada. Por fim, mencionou uma
conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto
inflacionário. Como exemplo, citou a possibilidade de uma taxa de câmbio
“persistentemente mais depreciada”.
Já entre os riscos de baixa que ainda estão no horizonte, o BC
ressaltou a desaceleração da atividade econômica global mais acentuada
do que a projetada e o fato de os impactos do aperto monetário sobre a
desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.
BC sobe projeções de inflação
O Copom informou que a projeção do Banco Central para o IPCA
acumulado em 12 meses até março de 2026 passou de 3,4% para 3,5% no
cenário de referência. O Copom retirou do comunicado o cenário
alternativo de inflação.
No documento, a instituição também revelou que sua estimativa para a
inflação de 2025 subiu de 3,4% para 3,7% no cenário de referência, com o
IPCA superando o centro da meta de 3%. Na reunião de 31 de julho, a
mediana das projeções para o IPCA de 2025 no relatório Focus estava em
3,96% e, no mais recente, em 3,95%. Para 2024, a projeção do BC no
cenário também de referência subiu de 4,2% para 4,3%.
O Copom ainda atualizou a sua projeção de inflação de preços
administrados, de 5,0% para 4,2% em 2024 e manteve a projeção de alta de
4% em 2025, também no cenário de referência. O comunicado inclui ainda
uma projeção para inflação de preços administrados em quatro trimestres
terminados no primeiro trimestre de 2026, de 3,9%.
Além as projeções de inflação para IPCA e preços administrados, o
Copom inclui a previsão para alta dos preços livres no IPCA. A projeção
para esse indicador é de inflação de 4,4% dos preços livres em 2024;
3,6% em 2025; e 3,4% no acumulado de 12 meses encerrados no primeiro
trimestre de 2026. Todas essas projeções foram apresentadas no
comunicado por meio de uma tabela:
O cenário de referência usado pelo Copom considera a trajetória para a
taxa de juros extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$
5,60/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC); os
preços do petróleo conforme a curva futura por seis meses e, depois,
aumentando 2% ao ano; e a hipótese de bandeira tarifária “amarela” em
dezembro de 2024 e de 2025.
A moeda americana negociada à vista fechou em R$ 5,65 na noite da
reunião do Copom de julho e ontem em R$ 5,48 uma redução de R$ 0,20 –
que, segundo analistas, dá alívio para a decisão de hoje, mas ainda não
teria força para mudar o quadro macroeconômico.
Cenário externo
O BC avalia que o cenário externo continua desafiador e demandando
cautela de países emergentes, diante das incertezas sobre o ritmo de
desaceleração e desinflação dos Estados Unidos – e, consequentemente,
sobre a postura que será adotada pelo Fed.
“Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados
em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um
ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho”, diz o
comunicado. “O comitê avalia que o cenário externo, também marcado por
menor sincronia nos ciclos de política monetária entre os países, segue
exigindo cautela por parte de países emergentes.”
BRASÍLIA – Ao comentar sobre a suspensão do X (antigo Twitter) no Brasil, a Casa Branca afirmou na última terça-feira, 17, que todas as pessoas devem ter acesso às redes sociais. Segundo o governo dos Estados Unidos, o uso das plataformas é uma “forma de liberdade de expressão”.
A Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos Foto: The World Factbook/CIA/Reprodução
“Quando se trata de mídia social, somos muito claros: pensamos que as
pessoas devem ter acesso às redes sociais. É uma forma de liberdade de
expressão”, afirmou a porta-voz da Casa Branca.
“A Embaixada dos EUA está monitorando a situação entre o Supremo
Tribunal Federal e a plataforma X. Ressaltamos que a liberdade de
expressão é um pilar fundamental em uma democracia saudável. Por
política interna, não comentamos decisões de tribunais ou disputas
legais”, disse a embaixada em nota divulgada em 30 de agosto.
Usuários relatam acesso ao X após bloqueio imposto pelo STF
Nesta quarta-feira, 18, usuários do X começaram a relatar que a suspensão da plataforma, que foi cumprida pelos provedores de internet após a ordem de Moraes, não está impedindo o acesso em aplicativos móveis da rede social para Android e iOS. Procurada pelo Estadão, a Agência Brasileira de Telecomunicações (Anatel),
responsável por repassar a determinação do ministro para as empresas,
afirmou que não houve alteração na decisão e está apurando o caso.
Inicialmente, o STF declarou que houve uma “instabilidade no bloqueio de
algumas redes”.
“O Supremo Tribunal Federal (STF) está checando a informação sobre o
acesso ao X por parte de alguns usuários. Aparentemente, é apenas uma
instabilidade no bloqueio de algumas redes”, afirmou a Corte em nota
pela manhã.
Entenda por que o governo quer retomar o horário de verão
Na última semana, o governo federal anunciou que avaliava implementar
a volta do horário de verão. O objetivo seria economizar energia e
otimizar a geração pelas fontes solar e eólica, diminuindo a dependência
de usinas hidrelétricas em horário de pico. Hoje, praticamente metade
de toda a energia gerada no Brasil é produzida por meio de
hidrelétricas. O cenário climático atual, marcado por temperaturas
elevadas e escassez de chuvas, porém, tem impactado significativamente
esse setor. A usina Santo Antônio, localizada em Rondônia, por exemplo,
paralisou parte de suas unidades geradoras no início de setembro em
razão de falta de água suficiente no rio. Uma das formas de compensar a
perda da energia gerada pelas hidrelétricas seria por meio das usinas
eólicas e solares, que hoje representam 15% e 7,5% da produção nacional,
respectivamente. No entanto, essas fontes de energia trazem desafios em
horários de pico de demanda, entre 18h e 19h. Nesse horário, já não há
geração de energia solar e a produção eólica perde eficiência. Essa
combinação de insuficiência das três principais fontes de energia tem
complicado a operação do sistema elétrico nacional. A demanda por
energia entre 1º e 8 de setembro, por exemplo, superou em 13% a carga
média de megawatts registrada durante a última crise hídrica em 2021.
Com isso, foi necessário o acionamento de usinas termoelétricas, levando
a conta de energia de volta para a bandeira vermelha, a mais cara. É
nesse cenário que a volta do horário de verão é colocada como
alternativa para aliviar a pressão sobre o sistema elétrico. Ao adiantar
o relógio em uma hora, há uma redução da demanda de energia entre 18h e
19h e as usinas eólicas e solares poderiam ser aproveitadas durante
esse horário. No entanto, a efetividade dessa iniciativa é questionável.
Hoje, o pico de demanda não se concentra somente no final da tarde. Por
causa das altas temperaturas, o uso de energia para ar-condicionado e
ventiladores, por exemplo, é frequente durante todo o dia. Foi,
inclusive, essa a justificativa utilizada pelo governo de Jair Bolsonaro
(PL) em 2019 para extinguir o horário de verão. O ministro de Minas e
Energia, Alexandre Silveira, defende, porém, que qualquer medida para
poupar o setor energético durante a grande estiagem deve ser avaliada.
“Quando há qualquer possibilidade que aponte um caminho de uma solução
para a modicidade tarifária e para a segurança do setor, é importante
ser avaliada. Então, nós estamos na fase de avaliação da necessidade ou
não de horário de verão”, disse. Além disso, o ministro afirma que o
horário de verão também impulsiona setores econômicos como turismo e
comércio de bares e restaurantes, que têm um aumento da atividade no
período dos dias mais longos. O ministério realiza um estudo sobre a
viabilidade de retomar o sistema, que deve ser concluído ainda nesta
semana. Uma reunião entre o Ministério de Minas e Energia e Comitê de
Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) para definir se haverá volta do
horário de verão está prevista para esta quinta-feira (19).
A China instala a maior turbina eólica offshore do mundo. Esta
iniciativa faz parte de uma estratégia nacional para aumentar a
capacidade de produção de energia limpa e reduzir as emissões de CO₂.
O governo chinês estabeleceu metas ambiciosas para o desenvolvimento
da energia eólica offshore, com a previsão de construção de 29 gigawatts
(GW) de capacidade nos próximos anos.
A turbina MySE 18.X-20 MW, desenvolvida pela Mingyang Smart Energy,
ilustra esse compromisso e demonstra a determinação da China em se
tornar líder mundial no setor.
Esta turbina foi recentemente instalada na província de Hainan, no
sul da China, perto do mar da China Meridional. Destaca-se por seu
design modular e leve, que permite maior eficiência durante o
transporte, instalação e operação.
O modelo apresenta um diâmetro de rotor impressionante, variando
entre 260 e 292 metros (mais alto que o último andar da Torre Eiffel –
279 m – sem alcançar sua antena a 330 m), e uma capacidade de produção
de 20 megawatts (MW). Esta tecnologia avançada inclui inovações
específicas para resistir a condições climáticas extremas, como os
frequentes tufões na região.
Sua capacidade de produção anual é estimada em 80 milhões de
quilowatts-hora (kWh), o que é suficiente para abastecer cerca de 96.000
residências. Permitiria uma redução de emissões de dióxido de carbono
de 66.000 toneladas por ano. Através destes números, a turbina contribui
tanto para os objetivos locais de desenvolvimento sustentável quanto
para a luta mundial contra as mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que
fortalece o suprimento energético da região de Hainan.
No entanto, o desenvolvimento da indústria eólica offshore na China
não acontece sem desafios. A corrida para a construção de turbinas cada
vez maiores apresenta problemas de custos de desenvolvimento. A falta de
padronização a nível internacional também aumenta os custos de
produção. A Mingyang aposta em inovações nos materiais, como o uso de
fibras de carbono, para reforçar a solidez e a leveza de suas turbinas
ao mesmo tempo em que encurta os ciclos de desenvolvimento.
A empresa já planeja lançar uma turbina ainda maior, com capacidade
de 22 MW, até 2025. Este projeto faz parte de uma estratégia mais ampla
visando fortalecer a posição da China no mercado global de energia
eólica offshore. Estas iniciativas refletem também uma resposta direta
aos concorrentes internacionais, notadamente o exemplo da turbina de 18
MW desenvolvida pela Dongfang Electric, outro grande ator do setor.