sexta-feira, 13 de setembro de 2024

BRASÍLIA PRECISANDO DE DINHEIRO E O BRASIL QUEIMANDO

História de Redação – Jornal Estadão

No “Estadão Analisa” desta quinta-feira, 12, Carlos Andreazza comenta sobre a situação climática do país que sofre com as queimadas. Conforme a Climatempo, nos próximos dias, a fumaça deve atingir o Uruguai e também a Argentina, misturando-se com as queimadas que já estão acontecendo por lá.

Já se critica a atuação do governo federal, que somente agora começou a tratar a situação como crise. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escalou ministros de diversas áreas para oferecer respostas emergenciais aos eventos que estão queimando florestas, plantações, causando danos à saúde e provocando a falta de distribuição de comida e água, o que pode pressionar os preços.

Enquanto isso, em Brasília, o Congresso corre contra o tempo para aprovar projetos com celeridade, pulando etapas do processo legislativo antes das eleições municipais, como a votação do projeto de lei que estende desoneração da folha de pagamentos até o fim deste ano na Câmara.

Entretanto, o projeto aprovado no Senado, aguardado por empresas de 17 setores que mais empregam e por municípios de pequeno e médio portes, teve sua votação na Câmara dos Deputados travada por um alerta vindo do Banco Central (BC). A preocupação está relacionada a uma medida que trata dos recursos esquecidos em instituições financeiras privadas e públicas.

Outro tema discutido é a sucessão da presidência das casas legislativas. Um deputado do União Brasil afirmou que Arthur Lira ‘traiu’ Elmar Nascimento na sucessão da presidência da Câmara ao não chancelar seu nome como sucessor no comando da Casa. A declaração ocorreu na sessão do Conselho de Ética, que aprovou o andamento do processo de cassação do deputado Glauber Braga.

 

A REVOLUÇÃO VERDE FOI CRIADA PARA SOLUCIONAR O PROBLEMA DA FOME E CRIOU UM PROBLEMA PARA O MEIO AMBIENTE

 

História de Equipe eCycle

Revolução Verde: o que é e como ocorreu?

Revolução Verde: o que é e como ocorreu?

Revolução Verde é uma expressão criada por William Gown, durante uma conferência que ocorreu na cidade de Washington em 1966. O conceito se refere ao conjunto de desenvolvimento de técnicas na produção agropecuária que surgiram a partir do ano de 1930. 

Basicamente, essas transformações consistem em mecanização do campo, utilização de adubos químicos, inseticidas, herbicidas e sementes transgênicas. Apesar de gerar inovações tecnológicas, a Revolução Verde foi responsável por provocar diversos impactos sociais, econômicos e ambientais negativos.

A partir da década de 1950, os Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas (ONU) atuaram politicamente para implantar mudanças na estrutura fundiária e nas técnicas agrícolas em vários países subdesenvolvidos, muitos dos quais ex-colônias recém-independentes. 

Na Guerra Fria, a intenção dos norte-americanos era evitar o surgimento de focos de insatisfação popular por causa da fome. Eles temiam pela instalação de regimes socialistas em alguns países do Terceiro Mundo. Além disso, a indústria química, que se desenvolveu voltada para o setor bélico, apresentava certa capacidade ociosa nesse período.

Com o objetivo de aumentar a extração do campo, os Estados Unidos ofereceram financiamento para a importação dos insumos. Como a maquinaria e capacitação de técnicos e professores para as faculdades e cursos técnicos agrícolas. Os governos dos países subdesenvolvidos passaram a alterar os currículos de suas universidades em prol do novo modelo econômico proposto.

Entretanto, a proposta era a adoção do mesmo padrão de cultivo em todas as regiões onde se implantou a Revolução Verde. Assim, desconsiderando a variação das condições naturais, das necessidades e possibilidades dos agricultores. Assim, a médio e longo prazo, essas mudanças causaram impactos sociais, econômicos e ambientais muito graves.

Origem da Revolução Verde

A expressão “Revolução Verde” foi criada por William Gown, durante uma conferência que ocorreu na cidade de Washington em 1966. Entretanto, as inovações características dessa revolução começaram a ser aplicadas por Norman Borlaug, ainda na década de 1930. Ele era agrônomo e coordenou uma pesquisa sobre a variedade de sementes de trigo que fossem resistentes a pragas e doenças.

Em 1970, os estudos de Norman Borlaug renderam-lhe o Prêmio Nobel da Paz. Afinal, se mostraram suficientes para erradicar a fome nas décadas seguintes.

Revolução Verde: características e efeitos

revolução proporcionou aumento de extração por área cultivada e crescimento considerável da produção de alimentos. Principalmente de cereais e tubérculos. Porém, isso ficou restrito às grandes propriedades, que possuíam terras em condições ideais para a modernização e condições climáticas favoráveis. 

Países que não realizaram a reforma agrária e os trabalhadores agrícolas não tinham propriedade familiar, sobretudo na África e no Sudeste Asiático, a mecanização da produção diminuiu a necessidade de mão de obra, contribuiu para o aumento dos índices de pobreza e provocou êxodo rural.

O sistema mais utilizado pelos países que seguiram as premissas da Revolução Verde foi a monocultura, o que resultou em sérios impactos ambientais. O cultivo de espécie vegetal única em grandes extensões de terra favorece o desenvolvimento de pequenas espécies animais invasoras. Já que as pragas que se alimentam desses produtos.

Nas monoculturas, as pragas se proliferam rapidamente. Portanto, em dois ou três dias uma plantação de soja ou de algodão pode ser dizimada. Para evitar isso, utilizam-se cada vez mais inseticidas e fungicidas químicos, que podem ser altamente prejudiciais à saúde humana.

O cultivo mecanizado é obrigatoriamente acompanhado do uso de fertilizantes químicos. Isso para o controle das chamadas “ervas daninhas”, ou do “mato”. Essas espécies nascem e crescem mais rapidamente. Então, aplicam-se os herbicidas, tão tóxicos quanto os venenos empregados para controlar insetos e fungos.

Principais impactos

A aplicação frequente de quantidades cada vez maiores desses produtos químicos contamina o solo. Eles são transportados pela chuva para riachos e rios, afetando a qualidade das águas que alimentam o gado. Elas abastecem as cidades e abrigam os peixes.

Os agrotóxicos afetam a fauna, e os pássaros e os peixes desaparecem rapidamente das áreas de monocultura. Isso favorece a proliferação de pragas, lagartas, mosquitos e insetos em geral. A impregnação do solo com agrotóxicos e adubos químicos tende a torná-lo estéril pela eliminação da vida microbiana.

Além dos desequilíbrios ambientais causados pela monocultura, a mudança substituiu as inúmeras variedades vegetais por poucas, levando à chamada erosão genética (extinção das variedades de uma dada espécie). Assim, grandes indústrias iniciaram o processo de controle sobre o comércio e as pesquisas que modificam a semente dos vegetais cultivados. E então passaram a controlar toda a cadeia de insumos.

Entretanto, essas sementes modificadas não são férteis. Esse fator obriga os agricultores a comprar novas sementes a cada safra se quiserem obter boa produtividade. Isso se tornou um grande obstáculo para os pequenos agricultores. 

Pois trouxe a necessidade de compra e reposição constante de sementes e fertilizantes que se adaptem melhor a elas. Logo, aumentando muito o custo de produção e inviabilizando a soberania alimentar de diversos países.

As sementes modificadas são um exemplo de OGM (Organismos Geneticamente Modificados).

Revolução Verde no Brasil

A agricultura brasileira mudou completamente após a adoção de práticas características da Revolução Verde. A introdução de novas técnicas ocorreu durante o regime militar. Ela foi um dos pilares do chamado “milagre econômico” ou “anos de chumbo”. Sendo um movimento instituído pelos governantes da época para alavancar as taxas de crescimento econômico do Brasil.

A partir da produção em larga escala, o país passou à condição de exportador de commodities. Entre os produtos de grande desempenho estavam a soja e o milho. Com a matriz agrícola voltada para as vendas externas, o Brasil instituiu agências de fomento e pesquisa. Entre as agências abertas nesse período está a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), fundada em 1973.

Os investimentos realizados nesse período resultaram em um setor agrícola extremamente forte e desenvolvido, baseado na monocultura de exportação. Contudo, os benefícios atingiram apenas um pequeno grupo de grandes produtores rurais. Assim, desencadeando concentração fundiária, conflitos agrários e desigualdade social para a parcela restante da população.

Os investimentos foram feitos por países desenvolvidos.

Desvantagens da Revolução Verde

Como ressaltado anteriormente, a Revolução Verde provocou diversos impactos sociais, econômicos e ambientais. Algumas das consequências danosas da revolução para o meio ambiente são:

  • Desmatamento;
  • Compactação do solo;
  • Utilização desenfreada de fontes de água;
  • Poluição causada pelos produtos químicos;

Esses impactos resultaram na quebra do equilíbrio ambiental, assim como prejudicaram animais e plantas.

Além disso, a Revolução Verde gerou consequências importantes, como o aumento da desigualdade social. Além da concentração de terras e da dificuldade dos pequenos agricultores em comercializar produtos em um mercado altamente competitivo. 

Apesar dela ter surgido para acabar com a fome, na realidade, a maior parte da sua produção é tratada como commodity. Enquanto grãos como milho são destinados à produção de biocombustíveis, a fome ainda é uma constante em diversas nações. Segundo informações encontradas em relatórios da Oxfam.

PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE AUTORIDADE CLIMÁTICA DO GOVERNO PODE SOFRER RESISTÊNCIA NO CONGRESSO

História de JOÃO GABRIEL E MARIANNA HOLANDA – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A proposta para criação da autoridade climática elaborada por Marina Silva está em discussão com a Casa Civil e prevê a estrutura dentro do Ministério do Meio Ambiente.

Integrantes do governo Lula (PT) veem um melhor momento para tentar ajudar a romper as resistências no Congresso à proposta, diante da gravidade da crise de seca e fogo vivida pelo país atualmente.

A medida provisória do órgão era esperada em 2023, mas acabou não editada à época em razão da série de derrotas impostas à gestão petista pela bancada ruralista. O governo ainda hoje enfrenta dificuldades com suas pautas no Legislativo, mesmo com parlamentares de partidos que integram a Esplanada.

Na última terça-feira (10), Lula viajou à amazônia para visitar as regiões atingidas pela seca e pelo fogo e afirmou que irá enviar ao Congresso a autoridade, o marco legal da emergência climática e o plano de prevenção a eventos extremos. Ainda não há uma minuta pronta do novo órgão no Planalto, mas três pessoas que estão envolvidas diretamente nas negociações afirmam, sob reserva, que a proposta atual é que o órgão fique dentro do guarda-chuva do Ministério do Meio Ambiente.

A entidade deve funcionar como uma articuladora das políticas públicas ambientais, fazendo recomendações aos outros ministérios e órgãos.

Alas do governo, contudo, divergem sobre qual pasta deve hospedar a autoridade climática.

Auxiliares palacianos preveem que isso pode impossibilitar o avanço da medida provisória no Congresso. Uma alternativa seria a transferência do órgão para a Casa Civil, como forma de reduzir a resistência da bancada ruralista.

A ala ambiental do governo, no entanto, defende a ideia original, mas está em diálogo com a equipe palaciana para definir o melhor caminho jurídico.

Se optarem por manter o cargo sob a alçada de Marina Silva, uma alternativa seria a edição de outro texto normativo, portaria ou decreto, que não precisasse tramitar pelo Congresso, como uma medida provisória –que tem prazo para caducar, se não for aprovada.

Essa opção, porém, permite apenas a criação de novos cargos, não novos órgãos.

“Nos diálogos que tenho com parlamentares e presidentes das casas, e até no Judiciário ou no Tribunal de Contas da União, não vejo que vá ser um problema [a tramitação no Legislativo]. Numa democracia, a gente dialoga”, afirmou Marina Silva.

“O presidente [da Câmara] Arthur Lira e o presidente [do Senado] Rodrigo Pacheco estão vendo a crise com preocupação e dizem que não basta só a gente fazer a função do enfrentamento depois que a emergência acontece, é preciso estabelecer processos de prevenção”, completou.

A ideia da autoridade climática surgiu com Marina ainda antes de ela ser escolhida como ministra do terceiro governo Lula.

Na equipe de transição, o tema foi debatido e enfrentou divergências entre integrantes do grupo, que ou entendiam ser melhor investir no fortalecimento de estruturas já existentes ou então criar um órgão não vinculado ao ministério.

Durante o primeiro ano do governo Lula, a elaboração prosseguiu internamente na pasta, mas travou pela avaliação de que não seria aprovada, caso enviada ao Congresso.

A promessa de Lula engloba também outras estruturas defendidas por Marina para o governo.

O presidente afirmou que enviará ao Legislativo, além da autoridade, o marco regulatório da emergência climática e o plano de prevenção a eventos extremos e o comitê científico sobre o tema.

Segundo pessoas que atuam na elaboração dessas propostas, a ideia é que o plano institua as diretrizes da política de prevenção e mitigação dos efeitos da mudança climática.

O marco regulatório, por sua vez, cria as bases legais para a atuação do Executivo nestes casos –por exemplo, mecanismos de direcionamento de verba e implementação de ações nas cidades sob maior risco de desastres.

O comitê técnico-científico dá suporte ao governo, enquanto a autoridade sintetiza dados (por exemplo, do Cemaden, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, e do Inpe, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), demanda estudos sobre a situação climática e elabora recomendações aos outros ministérios.

O órgão não deve ter autoridade sobre outras pastas, mas, sim, funcionar para articular, centralizar e coordenar a implementação das políticas.

A versão inicial do plano de prevenção já foi elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente e está em revisão na Casa Civil. O texto já prevê a existência de um órgão para desempenhar o papel previsto para a autoridade climática, mas sem entrar em detalhes do seu funcionamento nem da sua estrutura.

 

GOVERNO CONFISCA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PARA O PAGAMENTO DE SUAS DÍVIDAS

 

História de ADRIANA FERNANDES E VICTORIA AZEVEDO – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Após a votação do projeto de desoneração da folha de pagamentos, investidores do mercado financeiro passaram a quinta-feira (12) em alerta e busca de informações sobre o impacto da autorização para que o dinheiro esquecido em contas bancárias a ser repassado aos cofres do governo possa ser computado como receita para fins de cumprimento da meta fiscal, à revelia do cálculo feito pelo Banco Central.

Um dos principais pontos levantados pelos especialistas foi a avaliação de que a medida abre, na prática, uma exceção na regra, ao permitir uma “redução” do esforço fiscal para o atingimento da meta das contas do governo no valor desses depósitos esquecidos. O SVR (Sistema de Valores a Receber), do BC, indica a existência de R$ 8,5 bilhões esquecidos.

A autorização foi incluída de última hora no projeto da desoneração da folha de 17 setores e municípios durante a votação final do texto, que se estendeu até 2h25 desta quinta. O registro desses depósitos como receita no cômputo da meta fiscal vai dar uma ajuda extra ao governo para cumprir o alvo fixado de déficit zero.

A votação atrasou porque os negociadores do governo entraram em campo para garantir esse dispositivo de segurança, após o BC ter encaminhado às lideranças da Câmara uma nota técnica pedindo a rejeição do trecho que trata do resgate do dinheiro esquecido nas contas bancárias.

No documento, o BC alertou que, da forma como estava escrito o projeto, ele seria obrigado a registrar a incorporação desse dinheiro como receita no cálculo do resultado das contas do governo federal.

Procedimento que, segundo o entendimento do BC, estaria em desacordo com a metodologia das estatísticas fiscais. Ao menos num ponto o órgão conseguiu prevalecer o seu entendimento: a emenda de redação aprovada dá segurança para que a autoridade monetária não seja obrigada a registrar os depósitos como receita.

A Folha de S.Paulo ouviu especialistas em contas públicas para avaliar a medida.

“Muita gente preocupada. Foi prioridade no wake up call para os investidores”, conta o economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel Barros. Para ele, o governo repete o mesmo erro do passado, quando o excesso de deduções da meta de resultado primário desancorou o mercado e turvou a real leitura da situação fiscal.

O coordenador do CPFO (Centro de Política Fiscal e Orçamento Público) do FGV Ibre , Manoel Pires, pondera que as estatísticas fiscais têm papel de representar a situação financeira do governo. “Quando ela é alterada de forma artificial perde-se essa informação, perde-se credibilidade”, afirma Pires.

O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, tem uma posição diferente. “Não tem nada de contabilidade criativa. Ao contrário”, diz. “O ideal é que o BC incorpore o entendimento legal. A receita de depósitos é primária, não tem contrapartida financeira. É um erro do manual do BC que tem de ser corrigido a meu ver”, afirma.

Ex-secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, por outro lado, alerta para um problema: o fato de que a definição de que o BC é o responsável em dizer se cumpriu ou não a meta fiscal está na lei do arcabouço fiscal. Bittencourt, que é Head de Macroeconomia da ASA, diz que a emenda mostrou ao final que a medida não era para completar o valor da compensação à renúncia da desoneração, mas para cumprir a meta.

Os defensores da medida reforçam como positivo que o BC vai computar a receita dos depósitos para reduzir a dívida pública.

O pesquisador do Insper, Marcos Mendes, diz que a medida é ruim para a credibilidade e transparência. “O que a emenda está dizendo é o seguinte: o BC pode contabilizar como ele quiser, o Tesouro pode contabilizar como ele quiser, mas para fins de meta conta o que o Tesouro escolher. E obviamente ele vai escolher botar como receita primária. Isso aí efetivamente é a mesma coisa que autorizar a redução da meta em R$ 8,5 bilhões”, critica Mendes.

Ele também vê problemas no mérito da medida. “Pegar dinheiro privado que está na conta das pessoas e rapidamente mandar para o Tesouro, ainda que tenha uma cláusula de possível devolução para quem pedir em cinco anos, é complicado”, diz.

A Folha procurou os ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e o BC para falar sobre o impacto da medida na verificação da meta fiscal. O Planejamento disse que não iria comentar; Fazenda e BC não responderam ao pedido de informações.

Técnicos do Banco Central, ouvidos pela Folha, porém, avaliam que a autoridade monetária não é responsável pela validação da meta fiscal.

Técnicos legislativos afirmam à reportagem que o texto final ficou confuso, diante da rapidez com que a matéria foi levada ao plenário. Além disso, parlamentares afirmam que negociações políticas da Câmara também interferiram no processo de análise da proposta.

A votação do projeto se estendeu na madrugada por conta das discussões da emenda dos depósitos e sob a pressão de ser analisada em plenário ainda na quarta (11), prazo final dado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a aprovação do texto que sela o acordo entre o Executivo e o Senado. Se o prazo não fosse cumprido, a desoneração em vigor deixaria de valer.

A Câmara concluiu nesta quinta (12) a votação do projeto de lei que mantém a desoneração em 2024 para empresas de 17 setores da economia e de prefeituras com até 156 mil habitantes, após a aprovação do texto-base na noite de (11). A proposta segue, agora, para sanção do presidente da República.

Após a aprovação do texto-base, a AGU (Advocacia-Geral da União) pediu ao ministro Cristiano Zanin prazo adicional de três dias úteis para que o trâmite do projeto fosse finalizado, e a matéria, sancionada. A medida foi atendida.

O Ministério da Fazenda calcula uma renúncia de R$ 55 bilhões a ser compensada até o fim de 2027. A proposta prevê uma série de compensações diante da renúncia fiscal com a desoneração.

GOVERNO QUER SANGRAR O BOLSO DO POVO COM AUMENTO DE IMPOSTOS

História de Gabinete Coronel Chrisóstomo – Newsrondonia

Coronel Chrisóstomo: Esquerda não cansa de insistir em sangrar o bolso do povo com aumento de impostos

Coronel Chrisóstomo: Esquerda não cansa de insistir em sangrar o bolso do povo com aumento de impostos

O governo petista tem sido apontado nos “memes” das redes sociais por aumentar impostos indiscriminadamente usando como principais medidas para melhorar a saúde dos cofres públicos ao invés de cortes efetivos de gastos. Essas atitudes parecem estar muito bem próximas da realidade, sem um prazo claro para serem suspensas.

A proposta de aumentar tributos tem avançado com bastante velocidade, a exemplo do envio de um projeto de lei ao Congresso, em regime de urgência, para elevar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP), visando arrecadar R$ 21 bilhões.

Tais medidas são sempre impactantes aos bolsos do povo e encaradas como um grande prejuízo à população. Porém, todo esse aumento de impostos é justificado, segundo o ministro da fazenda Fernando Haddad, uma vez que o governo precisa cumprir sua meta fiscal de 2025, ainda que no papel, diante da exigência de um orçamento equilibrado.

“O presidente Bolsonaro passou 4 anos cortando gastos e desinchando a máquina pública, diminuindo principalmente os ministérios. Agora entra esse barbudinho mentiroso dando desculpas atrás de desculpas, e só aumentando os gastos desse desgoverno, principalmente com viagens. Nós da oposição vamos fazer uma resistência significativa no Congresso”. Afirmou o vice-líder do PL na Câmara Federal, Coronel Chrisóstomo (PL/RO).

Segundo o presidente da Câmara, Arthur Lira, é improvável a aprovação de qualquer aumento de imposto sem uma discussão prévia. Já o Senador Ângelo Coronel, relator do Orçamento, chamou a proposta de “inconcebível”.

 

PROIBIÇÃO DO USO DE CARTÃO DE CRÉDITO PARA O PAGAMENTO DE APOSTAS EPORTIVAS DEVE SER ANTECIPADO

 

História de Matheus Piovesana – Jornal Estadão

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, voltou a defender nesta quinta-feira, 12, a antecipação da proibição do uso de cartões de crédito para o pagamento de apostas esportivas eletrônicas, feitas nas chamadas bets. De acordo com ele, os bancos estão preocupados com o comprometimento da renda das famílias que esse uso pode trazer.

“O foco da Febraban na discussão desse tema é a preocupação com o superendividamento, com o comprometimento da renda das famílias e o quanto que isso pode gerar de mais inadimplência no crédito, aumentando, inclusive, o custo do crédito”, disse ele a jornalistas durante o anúncio do fórum de entidades do setor de meios de pagamento, que discutirá temas deste segmento.

Presidente da Febraban defende que vedação ao uso do cartão de crédito em apostas esportivas seja antecipada para este ano Foto: Celso Doni/Febraban

Presidente da Febraban defende que vedação ao uso do cartão de crédito em apostas esportivas seja antecipada para este ano Foto: Celso Doni/Febraban

Uma regulamentação do Ministério da Fazenda determina que os cartões não poderão ser utilizados no pagamento das apostas a partir do próximo ano. Isaac vem defendendo que essa vedação seja antecipada para este ano, diante do crescimento das apostas e do potencial efeito que esse crescimento pode ter sobre a capacidade das famílias de pagar suas dívidas.

“Eu já tive a oportunidade recente de tratar esse tema com ministro (da Fazenda, Fernando) Haddad. Eu cheguei a ter uma audiência com o presidente Lula”, disse Isaac. De acordo com ele, essa é uma posição dos bancos e dele próprio.

INVESTIR EM MARKETING É UMA BOA OPÇÃO PARA AS EMPRESAS QUE QUEREM CRESCER E SE DESTACAR NO SEU MERCADO

 

Liliane Bueno – Palestrante e Mentora em Comunicação

Especialista em Comunicação com Influência, a jornalista Liliane Bueno explica como a Comunicação pode ajudar empresas a aumentar seu faturamento

Não investir em marketing já não é uma opção para as empresas que querem crescer e se destacar no seu mercado. Mas, algumas pessoas ainda acreditam que Marketing e Vendas são a mesma coisa e confundem as atribuições de cada um destes setores. Para esclarecer, o objetivo das ações de marketing é atrair clientes em potencial e gerar desejo pelo produto ou serviço enquanto o papel do setor de vendas é atender o consumidor, negociar e efetivar a compra. Toda essa jornada do cliente pode parecer um processo simples, mas não é.

“Muitas empresas investem, corretamente, em funis de venda, mas se esquecem do principal: quando o cliente estiver interessado, a qualidade do atendimento irá dizer se ele fica ou não”, afirma a jornalista especialista em Comunicação com Influência, Liliane Bueno. Para ela, muitas empresas investem pesado em ações de marketing para trazer potenciais clientes (leads), mas não percebem que o verdadeiro gargalo está no atendimento, ou seja, na forma como os vendedores se comunicam com esse cliente, o que impacta diretamente na efetivação ou não da venda.

No Brasil, 81% dos brasileiros não voltam a comprar com marcas depois de ter uma experiência ruim, segundo o Relatório do Varejo 2022, produzido pela Adyen em parceria com a KPMG. A questão é que a experiência começa desde o momento em que lead tem contato com a marca e segue, mesmo depois da venda já realizada.

“Por isso, nunca foi tão importante investir em comunicação quanto agora. Mais do que bons em técnicas de vendas, os vendedores precisam saber sobre pessoas e para isso, a comunicação chega como habilidade fundamental. Afinal, não basta ensinar uma técnica, para quem, na correria do dia a dia, não sabe o que fazer com ela, muito menos o motivo de utilizá-la”, reforça a jornalista que também é mentora em Comunicação.

Abaixo, Liliane lista cinco motivos para treinar o time de vendas em comunicação:

1-    CREDIBILIDADE

Equipes comerciais que se comunicam bem transmitem mais autoridade e credibilidade. A forma como inicia uma ligação, a maneira como aperta a mão do cliente, a maneira como o conduz pela loja… tudo comunica e saber como agir em uma reunião ou atendimento on-line, faz toda a diferença.

2-    INTERESSE POR PESSOAS

Vende mais quem sabe fazer perguntas. Mas precisam ser perguntas com interesse genuíno em conhecer quem procura pela sua solução. Ao iniciar diálogos, o vendedor deve ter uma escuta ativa, qualidade rara em dias de conteúdos rápidos e bombardeios de informações. Afinal, comunicar bem envolve falar bem, mas, ainda mais, saber escutar.

3-    CLAREZA QUE VENDE

Por muito tempo limitada aos palcos tradicionais, a clássica oratória agora ganha espaço no palco da vida. Boa dicção, domínio da linguagem não-verbal e objetividade são atributos iniciais de alguém que deseja ganhar a atenção e o respeito do cliente. Compramos quando temos clareza de que aquele produto é para nós. O problema é que muitas vezes, a má comunicação do time deixa o cliente mais confuso do que seguro na hora da compra.

4-    PERSUASÃO

Muito além dos famosos gatilhos de persuasão nas vendas, é importante entender que você se convence quando entende que algo é o melhor para você. Os bons comunicadores são excelentes em gerar consenso e, claro, mais convencimento porque quando um vendedor atende o cliente com persuasão, o cliente entende que ambos querem a mesma coisa, por isso opta pelo sim. E a comunicação ajuda muito neste sentido: trocar palavras para enriquecer o vocabulário, usar termos que demonstram autoridade do vendedor e empresa, saber conduzir a conversa e mais.

5-    PERSONALIZAÇÃO

Ficou para trás a época em que se vendia uma solução pronta para o cliente. Estamos na “Era da Hiperpersonalização”. Depois de aprender a extrair do cliente o que precisa saber, a apresentação do produto deve ser única, trazendo palavras que o cliente usou e colocando o produto como um solucionador para aquilo que o cliente trouxe de necessidade. Afinal, não queremos comprar, queremos resolver nossos problemas. E saber escolher as palavras certas e montar uma apresentação atrativa é habilidade de um bom comunicador.

FANS TOKENS DA VALEON

Os Clubes de Futebol no Brasil e no Mundo estão alinhados fora de campo e estão investindo em inovação e no mercado de criptoativos, mais especificamente as Fans Tokens que são moedas digitais chamadas de CHILIZ(CHZ).

A novidade é atribuir um valor de ativo financeiro a um produto com o qual o fã cria relacionamentos e experiências com o Clube de Futebol e que antes era apenas um serviço sem valor de revenda ou de valorização desse ativo. As Fans Tokens ajudam os clubes a melhorar a parte financeira.

Assim como nenhum elemento do marketing faz nada sozinho, não só em clubes, mas em qualquer empresa, as Fans Tokens também precisam ter a imagem trabalhada para chegar ao consumidor de forma clara, oferecendo algo que seja palatável e legível ao torcedor, ou seja, as pessoas precisam entender do que se trata este ativo digital para poder consumi-lo.

Como toda inovação, as Fans tokens ainda estão numa fase inicial e todos nós estamos aprendendo com elas. Não podemos perder de foco é que a tecnologia não pode ser o fim, a tecnologia é simplesmente o meio e é a chave para o engajamento e temos que compreender que a tecnologia pode gerar lucro, construir operações sustentáveis, proteger a integridade da concorrência, desenvolver multiplataformas e muito mais.

Engajar os fãs não é algo exclusivo do esporte. Pelo contrário, todas as marcas querem encantar seus consumidores e engajá-los das mais variadas formas. Descobrir essas formas é uma das muitas atividades de quem trabalha com comportamento do consumidor.

Em marketing, podemos definir o engajamento do cliente como os comportamentos espontâneos, interativos e cocriativos do consumidor, principalmente em trocas não transacionais entre consumidor e empresa para atingir seus objetivos individuais e sociais.

Em outro contexto, porém, podemos pensar no engajamento como um estado de espírito motivacional relacionado à marca e dependente do contexto de um cliente, caracterizado por níveis específicos de atividade cognitiva, emocional e comportamental nas interações da marca. E, nesse aspecto, surge um fator importante: como os consumidores engajados fornecem referências e recomendações para produtos específicos, o engajamento do cliente é um elemento-chave nas estratégias das empresas para o desenvolvimento de soluções, de novos produtos e retenção de clientes. É aqui que surge a ideia da monetização.

A Startup Valeon cria as FANS TOKENS VALEON para premiar uma enorme comunidade de consumidores que utilizam as redes sociais, que são o nosso público-alvo, que são as pessoas que achamos que podem realmente se beneficiar do nosso produto que é a Plataforma Comercial Marketplace Valeon e muitas vezes não possuem o conhecimento básico de como o nosso produto funciona.

As Fans Tokens são para aqueles que não querem apenas ser espectadores, mas para aqueles que desejam ter um papel mais ativo na comunidade das redes sociais.

A tokenização fornece novas maneiras inspiradoras de classificar valor, criando novos ativos ou reinventado os tradicionais, abrindo portas para melhoria de processos totalmente novos, fluxos de receitas e envolvimento dos clientes com novas oportunidades.

Pensando nisso, a Startup Valeon através do seu Site, aposta na possibilidade de trazer o consumidor que pode estar longe ou não conhece a Valeon para perto da gente e ainda ser nosso colaborador participando ativamente do nosso desenvolvimento, gerando transformações e tendo o direito de fornecer conhecimentos específicos para o desenvolvimento do Site.

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quinta-feira, 12 de setembro de 2024

CONGRESSO ESTÁ ABSORTO EM INTERESSES QUE NADA TÊM A VER COM OS VERDADEIROS INTERESSES DA SOCIEDADE

 

História de Notas & Informações – Jornal Estadão

O Congresso virou de costas para o Brasil. Indiferentes ao que acontece em um país com tantas carências e, como se isso não bastasse, ora é consumido por queimadas que envolveram milhões de brasileiros numa gigantesca nuvem de ar irrespirável, deputados e senadores se fecharam em conchavos de gabinete que envolvem, fundamentalmente, a distribuição farta e descompromissada de dinheiro público – mais especificamente, o destino de bilhões de reais em emendas parlamentares a partir de fevereiro de 2025, quando haverá a troca de comando na Câmara e no Senado.

Está-se tratando de muito dinheiro. Um tanto capaz de mesmerizar os parlamentares até fazê-los esquecer as razões pelas quais receberam um mandato de representação e quem, afinal, deveriam representar. Em 2024, emendas parlamentares de toda espécie terão correspondido a mais de 20% das despesas discricionárias no Orçamento da União (quase R$ 45 bilhões). E, por mais que o Supremo Tribunal Federal aja para impor o respeito à Constituição e à moralidade pública, ninguém aposta que esse montante será menor no ano que vem.

O presidente Lula da Silva está perdido no enfrentamento da tormenta climática e até hoje segue devendo ao País um plano de governo digno do nome. O que o petista tem feito até aqui, na verdade, não significa muito mais do que espasmos de voluntarismo e uma mal-ajambrada reedição de seus velhos cacoetes como expoente do que se pode chamar de nacional-passadismo. E sempre, claro, de olho na próxima eleição, não nos melhores interesses do Estado brasileiro.

Diante dessa governança tíbia, em particular no enfrentamento da crise ambiental, não é pouco o que o Congresso poderia fazer dentro das atribuições que lhe são dadas pela Constituição. Mas o Congresso não está nem aí, absorto em interesses que nada têm a ver com os verdadeiros interesses da sociedade. No radar do Congresso, a mobilizar todos os partidos, está apenas a manutenção do orçamento secreto, seja qual for a conformação técnica que essa indecência venha a ter de tempos em tempos. É nesse sentido que a eleição para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado ganhou singular importância. Nesses arranjos, uma inaceitável “anistia” – na verdade, impunidade – aos golpistas do 8 de Janeiro passou a servir de instrumento de chantagem contra os candidatos à sucessão de Arthur Lira (PP-AL) na Câmara como o primeiro passo para a anistia do golpista em chefe, Jair Bolsonaro.

Esqueçamos as medidas que poderiam ser tomadas pelo Poder Legislativo para mitigar os efeitos da tormenta climática para a população. Às favas os projetos de lei que regulamentam a reforma tributária. Fica para as calendas uma discussão séria em torno de uma agenda de reformas mais amplas para destravar o crescimento do País e promover o bem-estar geral dos brasileiros. Nada disso parece interessar ao Congresso. Além das eleições municipais, é claro, o único tema que eletriza a esmagadora maioria dos deputados e senadores, se não todos, é a sucessão na Câmara e no Senado, pois desse novo arranjo de poder depende a fluidez dos dutos subterrâneos por onde corre a dinheirama das emendas parlamentares, longe de quaisquer controles republicanos.

Não se vê, no horizonte imediato, qualquer disposição por parte dos parlamentares em assumir suas responsabilidades como mandatários, como se fossem representantes de si mesmos – no máximo, de uma casta de dirigentes partidários que instrumentalizam as legendas para jogar com os interesses coletivos da Nação enquanto, à sorrelfa, tocam seus próprios negócios.

O Congresso é o locus por excelência dos grandes debates nacionais. No entanto, o que se vê é uma Câmara e um Senado totalmente distantes das reais necessidades do País. Em meio a tantos problemas que afetam a vida de milhões de brasileiros e mantêm o Brasil muito aquém de suas potencialidades, essa indiferença chega a ser aviltante. Se nada mudar, como não parece que vá mudar, se o interesse público não for colocado no centro das atenções de deputados e senadores, o Brasil continuará refém de uma elite política que, para além dos males que já causa à representação, abre uma avenida para aventureiros dispostos a pôr tudo abaixo sem oferecer nada de bom no lugar.

LEI ANTIDESMATAMENTO DA UE PODE PREJUDICAR O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

 

História de Por Lisandra Paraguassu – REUTERS

Colheita de soja no Rio Grande do Sul 03/04/2024 REUTERS/Diego Vara

Colheita de soja no Rio Grande do Sul 03/04/2024 REUTERS/Diego Vara© Thomson Reuters

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) – A poucos meses da União Europeia iniciar a implementação da chamada lei antidesmatamento, o governo enviou nesta quarta-feira uma carta à cúpula da UE pedindo que a legislação não seja aplicada, sob risco de impactar diretamente as exportações para os países da região.

O texto é assinado pelos ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

“O Brasil é um dos principais fornecedores para a UE da maioria dos produtos objetos da legislação, que correspondem a mais de 30% de nossas exportações para o bloco comunitário. De modo a evitar impacto em nossas relações comerciais, solicitamos que a UE não implemente a EUDR a partir do final de 2024 e reavalie urgentemente a sua abordagem sobre o tema”, diz o documento visto pela Reuters.

A legislação europeia, aprovada em 2022, prevê a proibição da importação de produtos originários de áreas que foram desmatadas a partir de 2022, mesmo em áreas em que o desmatamento é legalizado.

O texto inclui sete setores, sendo a maioria da pauta de exportação brasileira para os europeus: carne, café, cacau, produtos florestais (que inclui papel, celulose, e madeira), soja, e borracha. Tem ainda óleo de palma, único produto que o Brasil não exporta, mas inclui derivados, como couro, móveis e chocolate.

Em 2023, essa pauta chegou a 46,3 bilhões de dólares, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O governo brasileiro considera que a lei pode ter um impacto de quase 15 bilhões de reais nessas exportações.

“A EUDR foi desenhada sem conhecimento de como funciona o processo produtivo e exportador dos diferentes produtos e qual é a realidade em cada país”, diz a carta, ressaltando que o governo e os produtores brasileiros estiveram em Bruxelas para tentar mostrar problemas de legislação e desafios operacionais para implementação, mas não foram ouvidos.

“Consideramos a EUDR um instrumento unilateral e punitivo que ignora as leis nacionais sobre combate ao desmatamento; tem aspectos extraterritoriais que contrariam o princípio da soberania; estabelece tratamento discriminatório entre países ao afetar apenas países com recursos florestais; aumenta o custo do processo produtivo e exportador, sobretudo no caso de pequenos produtores; viola princípios e regras do sistema multilateral de comércio e compromissos acordados no âmbito dos acordos ambientais multilaterais”, segue o texto.

A implementação da legislação no final deste ano coincide com a intenção dos governos do Mercosul e da União Europeia de fecharem finalmente o acordo comercial entre os blocos. Na semana passada, negociadores europeus voltaram a Brasília e retomaram as conversas — uma nova rodada deve ser feita em algumas semanas.

De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, houve avanços justamente nas áreas ambientais e de compras governamentais, duas áreas com pontos difíceis para o lado brasileiro. As fontes não detalharam quais seriam esses avanços.

UE e Mercosul apontam que a negociação comercial do bloco e a lei antidesmatamento são questões separadas. No entanto, uma das preocupações do governo brasileiro é justamente o risco dos europeus usarem a lei para reduzirem ainda mais a cota de produtos agrícolas do país a serem exportados, e procuram alguma forma de compensação por parte dos europeus, se a lei for de fato implementada.

GOVERNO USA DINHEIRO NÃO RECLAMADO DOS BANCOS PARA PAGAR SUAS DESPESAS

 

História de Giordanna Neves e Amanda Pupo – Jornal Estadão

BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e líderes partidários para defender que a medida compensatória para desoneração da folha que trata da apropriação pelo governo de depósitos judiciais e bancários esquecidos em instituições financeiras tem amparo legal. A proposta foi criticada pelo Banco Central travou a votação do projeto de lei que prorroga a desoneração dos 17 setores e dos municípios.

“O que eu quis foi levar (na reunião) o Rogério Ceron (secretário do Tesouro) para esclarecer tecnicamente, inclusive a questão da contabilidade pública, que de fato é feita pelo Banco Central, e isso tem que ficar claro na redação, que a contabilidade pública não é alterada em função de lei, nem no caso da Constituição alterou a contabilidade pública”, disse o ministro.

Haddad se reuniu com Lira na Residência Oficial da Câmara nesta quarta-feira, 11. Foto: Wilton Junior/Estadão

Haddad se reuniu com Lira na Residência Oficial da Câmara nesta quarta-feira, 11. Foto: Wilton Junior/Estadão

Haddad reconheceu que os recursos não são classificados como receita primária (aquela contabilizada para o saldo das contas públicas), mas reforçou que o propósito do Senado, ao aprovar o texto, “nunca foi de mudar as regras de contabilidade”. No encontro, segundo o ministro, Ceron explicou aos deputados conceitos sobre contabilidade pública, além de leis que regem recursos específicos, como foi o caso dos recursos esquecidos do PIS/Pasep que não foram contabilizados pelo BC como receita primária.

A discussão levantada pelo BC é de que estes recursos esquecidos também não poderiam ser contabilizados como receita para cumprimento da meta fiscal (leia mais abaixo), já que não representam um esforço arrecadatório do governo.

O texto do projeto de lei aprovado no Senado, no entanto, abre espaço para uma outra interpretação. O trecho diz que, decorrido o prazo, os saldos não reclamados remanescentes junto às instituições depositárias passarão ao domínio da União “e serão apropriados pelo Tesouro Nacional como receita orçamentária primária para todos os fins das estatísticas fiscais e da apuração do resultado primário”.

O ministro disse que a Câmara e o Senado deverão discutir se será preciso uma outra medida compensatória caso o trecho seja modificado. “(Será discutido como) atender os objetivos do Senado sem mexer na contabilidade pública. É uma posição do BC que independe de lei, é uma espécie de manual do Fundo Monetário e de outras instituições internacionais que padronizam no mundo como é feita a contabilidade pública”, emendou. Ele reiterou que a ideia é que o texto seja aprovado pelos deputados sem precisar retornar à análise dos senadores.

Haddad disse ainda que não é fácil construir uma solução em torno da desoneração, ao explicar a razão pela demora em votar o projeto no Congresso. Ele afirmou, por outro lado, que o País vive um “bom caminho” de nova institucionalidade sobre segurança fiscal. Ele também avaliou que Lira está sempre com “boa vontade” de compreender e fazer o melhor ao País.

BC alerta Congresso e se opõe ao uso de dinheiro esquecido

Como mostrou o Estadão, o Banco Central (BC) abriu um embate com o Congresso e o governo sobre a apropriação de valores esquecidos em instituições financeiras para melhorar o resultado primário, que é a diferença entre receitas e despesas sem considerar os juros da dívida pública. Ou seja, o número que determina se o governo fechou o ano no azul ou no vermelho e se cumpriu ou não a meta estabelecida pela equipe econômica.

Na terça-feira, 10, o BC enviou uma nota técnica a deputados afirmando que a incorporação desse montante bilionário – atualmente em R$ 8,6 bilhões – no cálculo das contas públicas está “em claro desacordo com sua metodologia estatística, indo de encontro às orientações do TCU (Tribunal de Contas da União) e ao entendimento recente do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a matéria.”

A possibilidade de o Tesouro usar esses valores foi inserida no projeto de lei que estabelece o fim gradual da desoneração da folha de pagamento de empresas e municípios. O texto, pendente de aprovação pela Câmara dos Deputados, prevê uma série de medidas para compensar a perda de arrecadação da União – dentre elas, o resgate de montantes esquecidos por pessoas físicas e jurídicas em contas de instituições financeiras, como bancos, corretoras e cooperativas.

Segundo o texto aprovado pelo Senado Federal, que teve a relatoria do líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), essas cifras deverão ser computadas pelo Tesouro Nacional como uma receita primária, melhorando, portanto, o resultado das contas públicas. Esse entendimento, porém, vai na contramão da literatura fiscal, avaliam especialistas.

‘Não vamos pedir mais prazo ao STF’

Haddad, afirmou que, se o projeto de lei da desoneração não for votado hoje na Câmara, valerá a decisão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF) que determina a retomada da reoneração. Ele garantiu que o governo não pedirá um novo prazo à Corte. A data-limite dada pelo STF para que o Congresso Nacional e o Poder Executivo cheguem a uma solução consensual sobre a desoneração termina nesta quarta-feira, 11.

”Não vamos pedir mais (prazo), porque nós estamos no limite da responsabilidade. Não há mais tempo para fechar o ano. Inclusive, eu estou indo ao Tribunal de Contas da União (TCU) para explicar o que está sendo feito para repor o recurso da desoneração. Nós estamos falando de R$ 28 bilhões”, disse Haddad. “O Tribunal de Contas tem dado declarações preocupadas com essa questão. É uma questão que não foi criada pelo governo. O alerta não tem que ser feito ao governo; o alerta tem que ser feito ao Congresso”, afirmou

O que é a desoneração da folha

A desoneração da folha de pagamentos foi instituída em 2011 para setores intensivos em mão de obra. Juntos, eles incluem milhares de empresas que empregam 9 milhões de pessoas. A medida substitui a contribuição previdenciária patronal de 20% incidente sobre a folha de salários por alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta. Ela resulta, na prática, em redução da carga tributária da contribuição previdenciária devida pelas empresas.

Por decisão do Congresso, em votações expressivas, a política de desoneração foi prorrogada até 2027, mas acabou suspensa por uma decisão liminar do STF em ação movida pelo governo federal. A alegação é que o Congresso não previu uma fonte de receitas para bancar o programa e não estimou o impacto nas contas públicas.

O Legislativo, porém, argumenta que medidas foram aprovadas para aumentar as receitas da União e que a estimativa de impacto estava descrita na proposta aprovada. O ministro da Fazenda anunciou, então, um acordo para manter a desoneração em 2024 e negociar uma cobrança gradual a partir do próximo ano.

O cerne da discussão passou a girar em torno das compensações da desoneração da folha de pagamentos. A equipe econômica insiste em uma medida que represente receitas para os próximos anos. Ela vale para 17 setores da economia. Confira abaixo quais são:

  • confecção e vestuário
  • calçados
  • construção civil
  • call center
  • comunicação
  • empresas de construção e obras de infraestrutura
  • couro
  • fabricação de veículos e carroçarias
  • máquinas e equipamentos
  • proteína animal
  • têxtil
  • TI (tecnologia da informação)
  • TIC (tecnologia de comunicação)
  • projeto de circuitos integrados
  • transporte metroferroviário de passageiros
  • transporte rodoviário coletivo
  • transporte rodoviário de cargas

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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